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Decência e sanidade neste chiqueiro malcheiroso

Noronha do Nascimento é uma lufada de decência e sanidade neste chiqueiro malcheiroso. Um senhor. Ainda bem que resta alguém como ele entre as principais figuras do Estado. Ao seu lado, gentalha como Cavaco dá vómitos. É alguém como Noronha do Nascimento que é necessário colocar em Belém, depois de lá se varrer o actual inquilino e se desinfectar as instalações.

Ainda recordo a entrevista safada a que em Fevereiro de 2010 Noronha do Nascimento se submeteu na RTP, conduzida pela ordinária Judite de Sousa. A ordinaríssima Judite que por essa época se permitiu dizer: “Sou levada a crer que Sócrates emprenha pelos ouvidos”. E que largou também da boca fora, como uma regateira de baixo coturno: “Sócrates é agressivo comigo por causa do meu marido”.

Pois essa gajolas permitiu-se na referida entrevista acusar directamente o presidente do Supremo de estar a “lavar as mãos como Pilatos” (na questão das escutas que Noronha tinha mandado destruir e alguém se recusava a cumprir) e acusá-lo, assim como ao procurador-geral da República, de “parcialidade política e negligência”. Para cúmulo da provocação e da degradação de uma profissional da TV pública, a reles Judite chegou a perguntar ao presidente do STJ se ele achava que ainda tinha condições para continuar a exercer o cargo…

A tipa não só revelou nessa inesquecível entrevista todo o seu partidarismo político, toda a sua histeria anti-Sócrates e anti-governo, como mostrou ostensivo desrespeito por uma alta figura do Estado. E tudo isso porque o presidente do STJ tinha frustrado os interesses políticos golpistas de que ela e a Moura Guedes eram militantes e o pasquim Sol o órgão oficial.

Pois o olímpico Noronha do Nascimento lidou pacatamente com a ofensiva provocadora da reles, calando-a, ponto por ponto, apenas com a sua serena razão e a sua consciência tranquila. Domou a besta e desarmou-a sem levantar a voz nem precisar de se indignar.

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Oferta do nosso amigo Júlio

Vox populism

É uma experiência esmagadora, deprimente, ouvir a “voz do povo”. Constata-se que não tem o mínimo sentido crítico acerca do que a bendita comunicação social divulga, seja por iliteracia pura e simples, seja por falta de informação, seja por tendencialmente acreditar no que dizem “os que sabem”, que são os senhores dos telejornais e jornais. O assalto aos meios de comunicação foi o golpe de mestre da Direita. Por isso não é de estranhar que o povo mantenha elevadas as intenções de voto no gang que se apossou das instituições da República, apesar de sentir que está a ser arrastado para o empobrecimento calculado e forçado. Aceita, resignado, o retorno à miséria de muitos e fausto de alguns senhores. É uma resignação entranhada, que vem desde a instauração da ditadura da Santa Inquisição. Cinco séculos de cerviz cangada fizeram mirrar a dignidade humana do povo luso. Três breves décadas de alvoroço parecem não ter sido mais que um raio de luz, um relâmpago na noite escura da secular servidão.

Quem ouviu a última e deprimente emissão do “prós e contras”, se tinha dúvidas acerca do miserabilismo enraizado na alma lusa, deixou de as ter. Foi a lição de uma meia dúzia de totós e filhos da mamã e da mãe, explicando direitinho como nunca deveriamos ter, sequer, sonhado deixar aquela “vidinha” de antes do 25 de Abril, pobrezinha, de terceira e quarta classe (agora retomou-se sintomaticamente o antigo “exame”- “aquilo é que era aprender!”). Diziam, apluandindo-se uns aos outros, que é preciso torcer o pepino aos meninos que “querem tudo”. E lá vinha o grande pedagogo Herman José a dizer quanto teve de penar para o pai lhe dar um carro em segunda mão e o Milton, outra sumidade pedagógica, a contar que fora trabalhar para as obras com treze anos (!!!) para comprar os ténis caros que o pai lhe recusava.

Aquilo só visto, meus amigos. Era a alma lusa, velha de quinhentos anos, saudosa da sua ainda mais antiga e mísera servidão. Merece bem o mísero professor e presidente que elegeu e reelegeu.

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Oferta do nosso amigo Mário

Fez mal?


[…]

Sócrates não se alongou em comentários à revelação do DN, pois a interpretar à letra a notícia do DN e a tirar dela todas as ilacções, teria de entrar de imediato em choque frontal com o PR, em vésperas de eleições. Fez mal? Acho que fez bem. O DN tinha prestado um serviço ao país, as pessoas poderiam fazer livremente os seus juízos sobre o caso. E fizeram-no, sem que Sócrates tivesse que lhes preparar a papinha. De que adiantaria ao PM abrir naquele momento, finais de Setembro, um conflito com o PR? Encostando Cavaco à parede, Sócrates iria ser acusado (como de costume) de estar a fabricar um caso para dele tirar proventos eleitorais. A estúpida legião de comentadores com lugar cativo nos meios de comunicação continuaria, apesar das evidências, a pôr as culpas no PM. O inestimável Pacheco Pereira falaria mesmo de um “golpe” do PM. Marcelo acusaria Sócrates de exploração política de uma simples notícia de jornal e de “abrir fogo” sobre o PR. Desarmadilhando a carrapata, Sócrates apenas fez votos de que o PR se mantivesse acima da disputa eleitoral que estava à porta. Actuou como um senhor e como uma pessoa prudente e inteligente. Não deixou, porém, de afirmar a 19 de Setembro que José Manuel Fernandes tinha que apresentar provas sobre a sua nova acusação de que os serviços de informação tinham acedido ao sistema informático do jornal da Sonae.

[…]

Oferta do nosso amigo Júlio

Sei lá se é

O FMI nomeou para Portugal um novo chefe de missão: Abebe Aemro Selassie, com um apelido igual ao do antigo Negus, seu conterrâneo, Hailé Selassié de seu nome, o Imperador (ver o livro homónimo de Riszard Kapuscinski sobre o fim do regime desse senhor, uma das coisas mais delirantes que já li), que nos anos 60 visitou o Portugal do Botas, talvez com a espinhosa missão de o dissuadir de manter as colónias.

Será competente este novo Seleassié, que tem à sua frente uma missão não menos espinhosa do que a do outro? Caso para responder: sei lá se é… (uma piada dos anos 60). Quem estiver interessado no perfil deste mangas, vá ao site do FMI ler dois artigos dele.

Num dos artigo diz que, como economista, espera sempre o pior. Aviso à navegação… No outro fala sobre o desemprego na África do Sul, onde também já trabalhou para o FMI. A taxa de desemprego lá é 24% da população activa, 50 % entre os jovens. Um puzzle, de facto.

Há vinte e tal anos, os rufias portugas da direita racista, bacoca e delinquente contavam anedotas de muito mau gosto sobre a Etiópia e os etíopes que morriam à fome. É a eles que dedico a nomeação de Abebe Selassié como novo chefe da delegação do FMI em Portugal, à frente da troika.

Oferta do nosso amigo Júlio

Cavaco não se demite por impedimento moral

Portugal é o único país da Europa (cf. o caso exemplar da Alemanha) onde o presidente não se demite depois de uma escandaleira como a dos benefícios pecuniários que ele e a família auferiram num negócio de favor com Oliveira e Costa, o presidente mega-burlão do BPN/SLN. Cavaco já se devia ter demitido há três anos, depois de se ter provado que omitiu factos relevantes e que mentiu descaradamente num comunicado em que declarou que nunca tivera negócios com o BPN (detido a 100% pela SLN) e que as suas acções da SLN, não cotadas na bolsa, tinham sido compradas e vendidas pelo banco gestor das suas “poupanças” e não (como realmente aconteceu) por ele próprio, directamente, ao presidente do BPN/SLN. Cito o comunicado de 23 de Novembro 2008:

«1. O Prof. Aníbal Cavaco Silva, no exercício da sua vida profissional, antes de desempenhar as actuais funções (nem posteriormente, como é óbvio):
(…)
b) nunca recebeu qualquer remuneração do BPN ou de qualquer das suas empresas;
c) nunca comprou ou vendeu nada ao BPN ou a qualquer das suas empresas.
(…)
3. O Prof. Cavaco Silva e a sua mulher têm, há muitos anos, a gestão das suas poupanças entregues a quatro bancos portugueses – incluindo o BPN (…) As alienações de títulos efectuadas pelos bancos gestores …» etc.

O presidente não só mentiu no comunicado como depois, em declarações adicionais à comunicação social, repetiu as mentiras. Não teve descaramento para processar o semanário que divulgou as provas da sua aldrabice. Mas queixou-se da quebra do sigilo bancário, atrás do qual teria preferido esconder-se, mesmo tratando-se de um banco nacionalizado que estava a ser investigado pela justiça, nomeadamente por todas as operações ilícitas e tratamentos de favor que contribuíram para a bancarrota do banco.

Os benefícios de favor, logo ilícitos, que o presidente alemão auferiu num crédito bancário concedido por amigos foram o suficiente para o obrigar a demitir-se. Mas na Alemanha há uma comunicação social que não larga os políticos corruptos.

Já nem falo do caso escabroso das “escutas” a Belém, em que Cavaco estava ao par da manipulação vigarista que Fernando Lima e o Público tentaram levar a cabo – e isto ao mesmo tempo que o primeiro-ministro Sócrates estava, ele sim, a ser alvo de escutas e gravações ilegais.

Oferta do nosso amigo Júlio

Medir o esquerdismo

E infelizmente, pelo que eu posso testemunhar à minha volta, até pessoas crescidas do PS ainda hoje continuam absolutamente convencidas de que “o Sócrates é um corrupto” (e até se abstiveram nas últimas Legislativas, dá para acreditar?)!…

Mas parece-me que a maior gravidade de tudo isto não é já tanto o que fizeram a José Sócrates, bem como a Portugal e, sobretudo, aos portugueses, em especial às gerações que já não conheceram o 25 de Abril, mas sim a real possibilidade de TUDO SE PODER VOLTAR A REPETIR no Futuro, sempre que um Governo afronte os poderosos interesses instalados na Sociedade portuguesa e que, desde há décadas ou mesmo Séculos, lucram com o nosso sub-desenvolvimento económico, político, social e cívico!

As mesmíssimas forças, sob formas históricamente diversas, que pegaram em armas contra D. Pedro por D. Miguel, que sabotaram o funcionamento da 1ª República fora de Lisboa e Porto e que criaram o artifício propagandístico de Fátima, as mesmas forças que ungiram Salazar e benzeram a Colonização, que resistiram quanto puderam ao 25 de Abril e que ainda clamam por “vingança”, são essas as forças que se opuseram aos Governos de Sócrates, não tanto pelo personagem em si (ao contrário do que tão bem tentaram fazer crer à populaça), mas pela única e inquestionável razão que foi ele, Sócrates, e os seus Governos, sobretudo o primeiro, que deram as maiores sapatadas sérias e com efeitos profundos a essas forças invisíveis, mas bem organizadas e estruturadas, de forma muito mais orgânica do que formal, desde os Governos de Vasco Gonçalves e Mário Soares! De formas absolutamente distintas, claro, para alguns será necessário afirmá-lo explícitamente (e mesmo assim muitos não o conseguirão atingir…).

Pois a medida do “esquerdismo” de uma ação política mede-se muito mais pelo que a Direita perde com ela, do que por aquilo que a “Esquerda” ganha, representando e defendendo a Esquerda valores e entidades muito mais complexas e difusas do que as diretamente representadas, com inequívoco imediatismo, pela Direita…

Por isso, exorto todos os que prezam o Estado de Direito e o desenvolvimento político e social (por isso também mental) da Sociedade portuguesa que coloquem em segundo plano a raiva que sentem pelos efeitos diretos do derrube de José Sócrates, que serão muito mais fundos do que os meramente económicos e orçamentais, e centrem as suas preocupações na necessidade de alterar, profundamente e com urgência, as condições concretas que permitiram o que aconteceu no Passado recente e, pior do que isso, voltarão fatalmente a acontecer no dia e com o líder político que encete de novo o caminho do Progresso Social e do desenvolvimento de Portugal de acordo com os padrões civilizacionais europeus. Senão, tudo o que já vimos voltaremos a testemunhar, seja a vítima chamada Assis, como Costa, como até por hipótese académica Alegre, Carrilho, Louçã, até Bruno Dias, o que quiserem…

Oferta do nosso amigo Marco Alberto Alves

Monocultura do descontentamento

O PCP e a CGTP são, de facto, farinha do mesmo saco. É a eles que assenta como uma luva a imagem farinácea com que costumam atacar e difamar os outros.

Farinha do mesmo saco e infestada pelo mesmo gorgulho. PCP e CGTP vivem ambos da exploração em monocultura do descontentamento. É exclusivamente com as ferramentas do protesto, da reclamação e da obstrução que mantêm o funcionamento da máquina. Não sabem fazer outra coisa senão explorar politicamente em seu proveito os problemas, carências e misérias dos trabalhadores, se exceptuarmos as lambidelas no cu do Estaline, os beijos na boca do Brejnev e os preparativos de guerra civil em 1974-1975.

O PCP é um partido sindical, mas no pior sentido do termo: egoísmo sectário, irresponsabilidade social, maquiavelismo político, desprezo pelas necessidades reais daqueles cujo descontentamento explora e chula.

Um sindicato tem, num país normal, funções e objectivos úteis, como a prestação de diversos serviços aos trabalhadores e a prossecução de uma estratégia de criação de emprego. Quando assim é, a taxa de sindicalização é alta e toda a gente entende para que existe uma organização sindical. No Norte da Europa, os sindicatos sabem o que é negociação construtiva, ajudam eficazmente a resolver os mais diversos problemas individuais e colectivos dos trabalhadores e batem-se todos os dias nos terrenos político e económico pela criação de postos de trabalho. Os sindicatos têm vida própria, força na sociedade e na economia e poder autónomo dentro dos partidos.

Aqui não. Os sindicatos, que no sector privado raramente atingem os 10% de taxa de sindicalização, são meras agências da seita partidária a que pertencem. O partido, com 7% dos votos, é uma máquina de protesto moldada pela pior filosofia sindical, apenas preocupada em chular os descontentamentos em proveito próprio. São a imagem um do outro.

Restam-lhes as manifestações e as “greves gerais” para dar a ilusão de que têm força, atraindo para isso tolos de várias procedências que só sabem reclamar, protestar e votar com os pés.

Há porém duas coisas em que esses tais tolos não são tolos: não lhes dão a quotização sindical nem o voto. É só fazer as contas, como dizia o Guterres.

Oferta do nosso amigo Júlio

Bem haja elle, como eu o comprehendo agora…

Embora eu seja republicano, penso que em materia de ortographia nunca deveriamos ter abandonado a do tempo da Monarchia, egual á que estou usando agora. Fernando Pessoa deu o exemplo, mantendo-se fiel a ella até á morte e recusando-se a acceitar a reforma de 1911. Bem haja elle, como eu o comprehendo agora… Continuou a escrever abysmo, mysterio, mystico, epocha, psychologia, cahir, sahir, fallar, comprehender, affirmar, applicar-se-ha, admittir-se-hia, intellectual, egreja, catholico, attitude, immoral, sciencia, portuguez, inglez, trez, nullo, theoria, theorico, commum, communista, sociaes, taes, anarchista, addição, espirito, phenomeno, Catharina, Alvaro, Sylvia, Ruy, Russia, Italia, etc.

Os inglezes, esses atrazados, mantiveram até hoje as mesmas regras de transliteração da etymologia grecco-latina e dão-se bem com ellas. O mundo inteiro as usa hoje e, apparentemente, gosta de usal-as.

Para “simplificar”, a reforma republicana de 1911 cortou umas tantas consoantes, mas criou montes de accentos. Qual a vantagem d’isso? E alguem teve difficuldade em entender o que aqui vae?

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Oferta do nosso amigo Júlio

Leonel Moura – Arte Robótica, 2004

Os robôs pintores produzem autonomamente pinturas e desenhos baseados na aleatoriedade e na stigmergia (comunicação indirecta). Cada robô possui uma ou mais canetas com as quais responde à sua própria interpretação sensorial do ambiente. No início (com a tela ou papel em branco) a tinta é distribuída lenta e aleatoriamente. Mas a partir do momento em que se produzem pequenas manchas de cor, o factor aleatório gradualmente vai desaparecendo, e os robôs tendem a concentrar-se nas áreas coloridas criando assim uma composição formal. Então do aleatório emerge o estruturado. Para a ciência estes robôs constituem, em espaço e tempo real, uma demonstração das teorias do caos e da complexidade. Para a arte trata-se de uma verdadeira revolução estética, não só pelo declínio da centralidade do humano, dando lugar a uma arte humana na origem mas não-humana no processo, como pelo facto de sermos confrontados com uma forma de vida artificial capaz de produzir a sua própria expressão pictórica.

Janeiro e Fevereiro no Robotarium / LxFactory, Rua Rodrigues Faria, 103, H02 1300-501 Lisboa, T: +351 213625286

700.000 mil euros de ordenado e não só

Sinistro, estava dado o tema para a semana. Puro engano, ainda há mais sinistro, seguramente pelos ventos que sopram, ainda iremos muito mais longe com esta gente dantesca. Queria tentar chocar as boas almas “adormecidas” como agora se diz, ao contrastar a legitimidade de tal valor em “ordenado” de um sujeito de 70 anos e já pensionista consagrado com uns valentes e meritórios 9.000 euros mensais. Com o cumprimento de uma lei que manda retirar os complementos de reforma, de 50 ou pouco mais euros, a quem “acumula” com uma reforma de 200 ou 300 euros, igualmente merecidos, se não mesmo, e aqui poderá aplicar-se com rigor, necessariamente e justificadamente merecidos.

Uma senhora que em comum com este cavalheiro da EDP, tem além da formação de economistas, também foi ministra das finanças e militante do mesmo partido, e por incrível que pareça os dois passam já dos 70 anos de idade. Têm ambos enormes responsabilidades ao estado a que isto chegou, foram também pais do monstro, como baptizou o desgoverno destas criaturas, o seu grande mestre e actual PR.

Já tinha lido que estes ridículos farsolas pretendem retirar a isenção de taxa moderadora nos hospitais públicos aos dadores de sangue com as regulares dádivas previstas para o direito a tal “benesse”, mesmo para quem tenha largos anos de dádivas no currículo.

É mais uma ofensa aos pobres, rico nem sangue dá. Compra.

Constitui já uma banalidade a falta de carácter destes canalhas que se têm por governantes, e creio bem que o andor ainda só vai no adro. Num primeiro programa da nova grelha da SIC N, esta desprezível criatura vomitou sem vacilar que os hemodialisados com mais de 70 anos devem pagar do seu bolso os 2.000 euros mensais do custo de tais tratamentos. Justificação da douta ex-governante do PSD, – “racionar significa que alguns não terão direito ao tratamento” – a continuar o “foguetório”, segunda afirma, das “borlas” para os 10.000 doentes do serviço público.

Se consegui despertar alguém, dou-me por satisfeito.

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Oferta do nosso amigo a. r. (por correio)

Não há mercado para jornalismo decente?

O país precisa de um jornal que fure esta vil tristeza que é o panorama da imprensa e dos merdia em geral. Se há asfixia em Portugal, é esta: ter que escolher diariamente, na banca de jornais, entre o escarro do belmiro, o vómito do correio da manha e a bosta do olibeira. Ter que escolher, ao fim de semana, entre o cagalhão do Balsemão e a poia do Saraiva.

Era preciso um jornal que falasse do que é omitido e distorcido pela imprensa dominante e desse voz às centenas de pessoas inteligentes e honestas da esquerda, do centro e até da direita ou apolíticas que são ostracizadas pelos actuais grupos mediátios.

Um jornal onde não houvesse lugar para Pachecos, Zé Maneis, Medinas, Campos e Cunhas, Marcelos, Lombas, Pulidos, Delgados, Cintras, Espadas, Raposos e dúzias de outros gajos e gajas de que estamos absolutamente saturados. Um jornal que não tivesse colunas de opinião de esquerdistas que vendem o rabo a quem dá mais. Um jornal que fosse recrutar à blogosfera gente interessante, séria ou divertida, e que fosse capaz de atrair jornalistas e articulistas que são actualmente obrigados, por falta de alternativas, a trabalhar e a publicar na imprensa reles.

Não há mercado para jornalismo decente? Não há capital para tal empreendimento? O capital haveria forçosamente de puxar a brasa à sua sardinha podre? Não tenho assim tão má opinião do país. Mas se calhar sou um lírico, isto talvez seja mesmo uma choldra. Talvez estejamos condenados a deixar de comprar papel. Olha, ganham as florestas.

Oferta do nosso amigo Lírico?

Aonde é que eu terei errado, Deus meu?

Excelência

A resolução, para a qual nos convocou, dos problemas gerados pela actual situação do País, já que todos temos vivido acima, muito acima, das nossas possibilidades, criou neste pobre idoso um insustentável sentimento de culpa do qual passo a dar conta a V. Exª.

Então é assim. De imediato me dirigi ao leito aonde até à meia-noite conservei os olhos no tecto em profunda introspecção. Devo confessar-lhe que nada encontrei nos recônditos mais profundos do meu passado que apontasse para este amargo sentimento de culpa. Não tenho dívidas, nem telemóvel, a viatiura auto-própria na qual me locomovo tem quase vinte anos, 20. Tenho em dia as contas com o fisco. Nunca joguei na bolsa ou especulei em títulos ao abrigo de qualquer informação privilegiada. Consumo apenas produtos de marca branca, almoço na Junta de Freguesia e uso apenas lâmpadas de 20W. Aonde é que eu terei errado, Deus meu?

1 da manhã.
Inicio uma noite de voltas na cama. Ao meu lado a patroa começa a protestar à medida que se avolumam as minhas culpas e interrogações.

2 da manhã.
Começa a assaltar-me a dúvida se num dos meus passeios semestrais ao Guincho, onde fico a ouvir o relato enquanto a patroa faz o seu ponto-cruz, não terei sido visto por alguns dos que tanto trabalharam em prol dos país e de si próprios, pensando que este pobre idoso ía entrar no dito Hotel ou quiçá no Porto de Santa Maria.

O sentimento de culpa não me deixa dormir. Porquê eu? Não sou depositante do BPN ou do BPP, não conheço o Moraes, nunca falei ao Lima, não sou utente da Brisa, nunca me cruzei com o Amarral, só recebo uma reforma. A patroa ameaça fazer-me a cama no “ólio” de entrada onde temos um divã para quando nos visitam uns parentes afastados da provícia.

3 da manhã.
Levanto-me e vou ao WC, tropeço no gato, espremo a próstata, não consigo urinar. O sentimento de culpa reteve-me as urinas. SOCORRO!!!

4 da manhã.
A patroa cumpre a ameaça. Faz-me a cama com o respectivo resguardo para qualquer eventualidade.

5 da manhã.
Faço uma lista, aproveitando a iluminação pública que penetra numa das janelas, de medidas de ajustamento. Entre elas conta-se a redução a metade da comida, alimentando-me eu e a patroa em dias alternados. Aos domingos comemos os dois a mais o gato. Em caso extremo usaremos o granulado do bichano, depois de devidamente humedecido para não danificar as placas, numa nutritiva “omileti”.

6 da manhã.
Levanto-me. Não faço a barba e vou à Portela ver se apanho o voo que chega às 7 do Brasil para ir buscar o Ensonso e o Martelo que foram passar o réveillon a Terras de Santa Cruz. Devem ter discutido imeeeensas medidas de ajustamento… para nós, é claro.

No caso de os apanhar sempre poupam o dinheiro do táxi.

7 da manhã.
Não vieram, ou perderam o avião, ou já se foram embora. Que pena!!!

Excelência, não aguento mais este sentimento de culpa que me inunda o ser. Rumo à Igreja dos Santos Reis Magos do Campo Grande, paróquia do meu nascimento, a adorar o Santíssimo. Se Ele estiver exposto, pode ser que me fale. Se o não estiver, dado a sua omnipresença, com toda a certeza será o meu amparo. Se, por acaso, não me passar cartão, lavo a cara na pia baptismal e regresso a penates a Alcântara.

Poupe-me Excelência, não aguento esta culpa.

E.R.M. (Espero Real Mercê)

Oferta do nosso amigo jafonso

Cu-municação sucial

Subscrevo o que Vieira diz sobre a cu-municação sucial.

Ele queixa-se que procura um artigo de há meses sobre o poder de Balsemão, mas não o encontra. Pudera!

A súcia merdiática tem escapado sistematicamente ao escrutínio da opinião pública, salvo os resmungos da praxe.

A história da comunicação social não teve entre nós origens auspiciosas, é certo. O salazarismo foi seguido de estatização, espécie de modelo soviético em democracia, condenado à extinção.

Desde o tempo de Cavaco, o público português habituou-se por indiferença e impotência a aturar complacentemente os inúmeros aldrabões e mixordeiros que têm pululado na comunicação social. Em compensação, o público habituou-se também a estar sempre de pé atrás. As enxurradas de notícias desmentidas, as conspirações desmontadas, as campanhas com rabo de fora habituaram-no a relativizar o valor da mercadoria adulterada. Certas histórias escabrosas que milagrosamente vieram à tona (p. ex. o caso das escutas) enojaram-no e revoltaram-no. Mas de cada vez que esse mesmo público se senta em frente ao televisor ou abre as páginas de um jornal, opera-se inadvertidamente o milagre da fé renovada. O paciente distende por momentos as suas prevenções e defesas, transformando-se imperceptivelmente numa criança benévola e crédula. A inoculação acrítica da informação marada pode durar apenas uns segundos ou minutos, mas deixa resíduos tóxicos.

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Bastonadas

Assino por baixo do que disse, Isabel. É curioso verificar que os principais apoiantes de Marinho Pinto não são de Direito. Quanto ao estilo do mesmo dir-se-á, muito simplesmente, que num Estado de Direito é inadmissível que se calunie tudo e todos. Muitas das situações que o Bastonário diariamente descreve são passíveis de enquadramento criminal. Se assim é porque será que o mesmo não as denuncia aos órgãos competentes?

A única explicação que encontro para o apoio ao Bastonário é a profunda desilusão das massas com a política que temos, bem como a falta de acesso à informação. Assim, quando um qualquer populista serve de caixa de ressonância de soundbytes, “As universidades não prestam, os licenciados são lixos, os grandes escritórios estão pejados de mafiosos”, as pessoas aplaudem sem sequer se preocuparem com saber se há, ou não, um mínimo de sustentação fáctica, se há provas para as acusações.

Quando Marinho manda as pessoas, de forma elegante, iodarem-se e ataca juízes, procuradores, advogados, estudantes, as pessoas gostam. Não lhes interessa a justeza das acusações, o facto é que se sentem a descarregar as suas frustrações “ex vi” do Bastonário e isso sabe-lhes bem. Ora, nao haveria mal nenhum se não houvesse terceiros atingidos na sua honra e dignidade, mas havendo só posso qualificar como preocupante o apoio prestado a Marinho. Mas claro que enquanto um dos Ilustres comentadores não for vítima do Bastonário, para quê preocuparem-se, não é?

Oferta da nossa amiga Ana

Foi bem claro

E o entrevistador.

“Foi bem claro”
“Viu o conflito interno no PS”
“Vai consegui-lo a médio ou longo prazo”
“Isso foi feito, sim”
“Redistribuindo esses sacrifícios”
“Foi bem claro”
“Foi bem claro”
“Não há folga neste orçamento”
“Foi bem claro”.
“Muito bem”
“Tem que ser”
“Muito bem, foi bem claro”
“E o presidente, se …já será um problema”
“E (o presidente) não atrasou algumas coisas?”
“Com o devido respeito”
“Sim, claro, claro”
“Muito bem, foi bem claro”
“Traduza lá isso para os portugueses”
“Vai cortar a direito nessa área”
“Foi bem claro”
“Muito bem”
“Foi bem claro”

Perceberam telespectadores, o primeiro fala claro.
Muito bem, digo eu, tudo muito claro.
Tudo Dominado.

Oferta do nosso amigo TudoDominado

RAJOY GANHOU

A direita espanhola ganhou as eleções. A direita mais à direita de Europa ganhou. As direitas mais unidas num só partido na Europa ganhou. Na sua concava funda há liberais, meio laicos, fascistas, ultracatólicos, apolíticos, abades, padres, religiosas, pensamento capitalista ultraliberal e de controlo social e mesquinhos na defessa dos direitos sociais. Também há muitas misas, visitas de papa, opus deises. Outros porque sim ou porque ouvem ruxir a prata, e outros ja eles muito acomodados que vehem de avos acomodados que sempre viviram num “Ramalhete” e de seu devem ficar aquí, etc. etc. Tuda esta mistura vota sempre com uma fidelidade à ressaltar. Aliás à sua victoria não depende de se mesma senão da abstenção. É bom recordarmos que o PP só atingiu quase que os mesmos votos que há quatro anos e desta vez tem maioria absoluta no parlamento.

Perderam os outros. Eles são, não só o partido socialista, partidos pequenos, incluidos os nazonalistas de Euskadi, catalunya e Galiza, e os que se abstiveram. São votos espalhados por todas estas beirraruas. Alguns, a maioria distes votos espalhados ou abstencionistas, são esa parte diferente na que ficam os que querem cambiar o mundo, os que não sabem o que fazer co mundo, os que querem a revolução, os que não sabem o que querem, os que de momento não gostam de que governa a direita, os aintisistemas, os ateus, os ateus militants, os religiosos povres; os que acham que ha diferenzas sociais e formas de resolve-las, que acham que redistribução da riqueza e os impostos progressivos assim como manter um estado de benestar social fão uma melhor sociedade. Os que prefirem uma sanidade e uma educação pública.

Continuar a lerRAJOY GANHOU

Para estes serventuários do Relvas, até a BBC era varrida do mapa

O que eu acho mais obsceno no relatório desta canalha, pomposamente intitulada “Grupo de trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social” é o quererem justificar a redução ao silêncio do serviço público de comunicação social, e muito particularmente da vertente informação, com o sofisma de que “não há ditadura – a começar pela portuguesa (1926-1974) – que não tenha desenvolvido aparelhos de comunicação e propaganda financiados pelo Estado”.

Pois, como o Hitler fez auto-estradas, uma democracia liberal não deve fazê-las. Como o Mussolini fez a Cinecittà (ainda hoje propriedade do ministério da Economia italiano), o regime democrático italiano deveria tê-la fechado.

Essa canalha abjecta, apostada em calar a informação mais isenta que há em Portugal, vem com o argumento de que os ditadores se serviram da comunicação social para a propaganda!

Argumento igualmente falacioso, ignorante e imbecil é o de que “o chamado ‘serviço público’ de comunicação social, maxime de televisão, cujo modelo se desenvolveu na Europa ocidental depois da 2.ª Guerra Mundial, é um fenómeno histórico que se deve essencialmente à escassez de meios financeiros e tecnológicos privados”.

O modelo é posterior à 2.ª Guerra? Grandes imbecis! Então e a BBC, criada em 1927, verdadeiro modelo mundial, então e ainda hoje, do serviço público de comunicação social?

Oferta do nosso amigo Júlio

Cavaladas

Cavaco, hoje, a explicar ao povo aquilo que durante a era Sócrates se esqueceu sempre de explicar: “O sucesso não depende só de nós, mas também da conjuntura internacional e da capacidade que a União Europeia demonstrar para resolver a crise financeira da Zona Euro”.

Cada vez mais vamos ouvir estes gajos a falar da conjuntura internacional e da crise financeira da zona euro, que teimosamente ignoravam quando se tratava de culpar e deitar abaixo o governo de Sócrates.

Cavaco voltou hoje a dizer – grandíssima lata! – que “há limites para os sacrifícios que podem ser pedidos aos portugueses”. Estará a falar daqueles limites que, na opinião dele, já tinham sido ultrapassados pelo PEC que ele ajudou a chumbar, antes do assalto do Coelho ao país, especialmente aos funcionários públicos e aos pensionistas?

“Mudaram os governos mas não mudou a minha posição”, declarou Cavaco. É essa a patranha que agora quer fazer passar. Quando é que o fulano começa a vetar e a suscitar a verificação da constitucionalidade das medidas do governo? Esperem sentados!

Pretendendo dar a ideia bacana de que está quase a passar-se para a oposição, Cavaco declarou aquilo que já toda a gente sabe: que não há equidade fiscal no corte imposto pelo governo à função pública. Ainda anteontem o Gaspar dizia, tentando justificar o imposto iníquo, que os funcionários públicos estavam a ganhar 15 por cento acima do privado, agora vem o gajo de Belém sugerir que, para haver equidade fiscal, se tem que fazer no sector privado idêntico corte ao da função pública. É muito fácil resolver essa questão: é só o Cavaco mandar o Orçamento para o Tribunal Constitucional. Esperem sentados!

É tudo uma treta. Dividem o trabalho entre os dois – o Gaspar faz de pide mau, o Cavaco faz de pide bom.

E Gomes Canotilho, que se passou do PCP para o cavaquismo, faz de pide constitucionalista: disse hoje à rádio que em período de crise se tem que fechar os olhos às inconstitucionalidades do governo. Aos 70 anos, o professor laureado remata a sua carreira com uma cavalada destas.

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Oferta do nosso amigo Júlio

S.O.S Líbia – Podes ajudar?

A Guerra na Líbia avança voraz. A Cidade de Sirte está cercada – os animais de estimação passaram a víveres. A Cidade é constantemente bombardeada, Y qualquer coisa – móvel ou imóvel – é alvo, inclusive Hospitais. A esta cegueira Nato, não estão a salvo os cíveis, y, de entre eles, os números de crianças Mortas ascendeu a 1 milhar em duas semanas. Os vídeos foram chegando, com eles a exposição dos corpos minúsculos de seres para quem esta Liberdade, Democracia Y Direitos Humanos, da tão Amada Y acarinhada Revolução Líbia pelos Ocidentais, foi madrasta. São Crianças Mortas que permanecerão Crianças Mortas. Não lhes podemos dar vida, sabemos. Mas Crianças Mortas da Facção-Kadhafi não se podem tornar Boas Mortes de Crianças Mortas só porque são facção-Kadhafi. Compete-nos a nós Impor o respeito, impor uma Humanidade que respeite as suas crianças acima de tudo, senão qualquer valor por mais nobre y vibrante que o seja perde o seu sentido Y vitalidade. Fica enfraquecido, inerte, amaldiçoado. Na Líbia a narrativa que se comporá não será um “foi a guerra”; pelo ritmo extasiante a que a impressa mundial nos habituo nestes últimos sete meses, o eco que se sobreporá será um “foi a Liberdade”, “foi a democracia”, “foram os Direitos Humanos”. Y neste entorno amargo crescerão as crianças Líbias sobreviventes que saberão que todas as que morreram foram Mortes celebradas pelos Ocidentais, que foram mortes catalogadas como casualidades, danos colaterais; nos manuais escolares aprenderão que Matar Crianças é Crime de Guerra. Mas que isso não se aplicou às Crianças Líbias. Que as Crianças Líbias, no mundo, foram a excepção à classificação de Crime de Guerra, Y, com isso, o Respeito à Morte de Uma Criança Líbia foi relevado, desconsiderado, ocultado. Esperando que a Liberdade, a Democracia, os Direitos Humanos apaguem a sua morte como um Bem Maior; o preço a pagar por um bem Maior. Um preço que é pago com o sangue dos filhos dos Outros, sai barato. Dai o entusiasmo dos universalmente baptizados por Rebeldes Líbios, Y pelos Operacionais Nato que a salvo, nos seus lares distantes, mantêm os seus filhos em segurança. Reitero: As Crianças Mortas da facção-Kadhafi não se podem tornar Boas Mortes de Crianças Mortas da Facção-Kadhafi.

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Um homem desconfiado

Cara Isabel Moreira,

Todos os dias e quase a todos os momentos que Cavaco e actuais ministros abrem a boca é, para bom entendedor, uma tentativa irracional de apagar a obra de Sócrates. Esse facto, sem mais, marca uma forte presença iniludível do anterior PM, pois o acto em si de tentar apagar, riscar, rasgar, amesquinhar, destruir, vulgarizar e apequenar as obras emblemáticas deixadas pelo governo anterior vão fazer que elas possam voltar a ser comparadas com o que faz, ou pretende fazer, o actual governo e desse modo renasçam das cinzas onde as querem enterrar. E um dia breve, brevemente, não havendo nada em troca para dar aos portugueses contra a destruição pura e simples, farão que o povo as relembre e constate que afinal aquele fazia e estes limitam-se a destruir e arrasar tudo sem contrapartida.

Cavaco é um homem sem chama nem qualquer espécie de carisma, ousadia ou coragem para estar à frente dum país com as dificuldades actuais. Recentemente voltou ao velho argumento de que dissera o que só agora disse: que se devia ter pedido ajuda muito mais cedo. Isto é, que se devia ter desistido de lutar à primeira dificuldade. Este homem em vez de ser um comandante-chefe à frente do país a lutar para evitar uma qualquer troika a mandar no país, preferiu ser o comandante-chefe e o estado-maior da luta para derrubar o governo legítimo da República.

Um presidente a sério e arguto teria visto logo que o pedido de ajuda externa era o último recurso e que esse tinha sempre à mão de usar. Que era preciso lutar por outra solução que evitasse a tal ocupação por uma qualquer troika. Mas o presidente ao dever de ousadia e argúcia na defesa do país preferiu a rendição: preferiu cair de joelhos a cair de pé.

Agora que tudo vai de mal a pior, começa a estar novamente acagaçado, e não tarda começará a sacudir responsabilidades. Este presidente só tem astúcia para a manhosice que é filha e alimenta-se da ignorância ao contrário da argúcia que nasce da inteligência.

Aqui, no Algarve terra de Cavaco, a uma pessoa com tal carácter nós chamamos um homem desconfiado. E de um desconfiado todo o mundo joga à defesa com um pé atrás.

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Oferta do nosso amigo josé neves