Leonel Moura – Arte Robótica, 2004

Os robôs pintores produzem autonomamente pinturas e desenhos baseados na aleatoriedade e na stigmergia (comunicação indirecta). Cada robô possui uma ou mais canetas com as quais responde à sua própria interpretação sensorial do ambiente. No início (com a tela ou papel em branco) a tinta é distribuída lenta e aleatoriamente. Mas a partir do momento em que se produzem pequenas manchas de cor, o factor aleatório gradualmente vai desaparecendo, e os robôs tendem a concentrar-se nas áreas coloridas criando assim uma composição formal. Então do aleatório emerge o estruturado. Para a ciência estes robôs constituem, em espaço e tempo real, uma demonstração das teorias do caos e da complexidade. Para a arte trata-se de uma verdadeira revolução estética, não só pelo declínio da centralidade do humano, dando lugar a uma arte humana na origem mas não-humana no processo, como pelo facto de sermos confrontados com uma forma de vida artificial capaz de produzir a sua própria expressão pictórica.

Janeiro e Fevereiro no Robotarium / LxFactory, Rua Rodrigues Faria, 103, H02 1300-501 Lisboa, T: +351 213625286

7 thoughts on “Leonel Moura – Arte Robótica, 2004”

  1. se fossem as formigas, e não a inspiração nas formigas para comportamentos de máquinas, a pintar eu gostava. assim, detesto. porque a criatividade artificial não me seduz – não tem alma, sequer biologia – ao contrário do que o Leonel diz. e dou, sem dúvida, bem mais valor às bactérias dos intestinos. :-)

  2. Não me desperta qualquer interesse este tipo de pseudo-arte.
    Lembro-me há muitos anos, em Paris, 2 cavalheiros estavam no meio da rua com uma caixa. Dentro havia uma espécie duma roda tipo gira-discos. O interessado pedia uma pintura e os 2 senhores punham uma folha de papel sobre a roda e despejavam 3 tintas de cores diferentes. Por exemplo, vermelho, azul e amarelo. Faziam rodar o disco durante um certo tempo para que as cores se misturassem e depois, ollálá, aparecia a OBRA PRIMA DO MESTRE (não confundir com a PRIMA DO MESTRE DE OBRAS).
    Se isto é arte vou ali e já venho.

  3. Teria piada se a ideia fosse um “statement” acerca do que consideramos ser Arte.

    A comercialização de objectos (mais, ou menos) decorativos com intuitos financeiros, através de estratégias de marketing, seguindo a Gestalt e as tendências da moda, parece ser um processo passível de ser completamente programado informaticamente. Salvo raras exepções, é como vejo a Arte nos dias que correm, por isso…

  4. A pintura, como a música, como as outras artes, ou se estuda ou não se estuda. Porém, os que não estudaram pintura, ou música, são quem mais palpites dá sobre a pintura que “vêem” ou a peça musical que “ouvem”. É extraordinário, não é?

  5. sermos confrontados com uma forma de vida artificial capaz de produzir a sua própria expressão pictórica

    Bullshit. Um número de ilusionista de circo, baseado no facto da maior parte das pessoas não espreitar por trás da caixinha que contém a programação, feita por um qualquer técnico informático. Programação essa que é a única coisa que os distingue de uns banais Roomba, a €399,00 em qualquer Worten. O melhor mesmo seria imprimir a merda do código num A0, e exibir isso. Era mais honesto.

    (Já não tínhamos falado do Leonel Moura, e disto, por aqui?)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.