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Mas, ó Ventura, seu aldrabão, a direita não votou em ti! E o que é isso do socialismo ter ganhado e precisar de ser derrotado?

Longe de mim estar a assumir a defesa da nossa direita democrática (muitas vezes tão inculta, mentirosa e agressiva), mas só o facto de ela, maioritariamente, ter rejeitado o Ventura merece o meu elogio. Não faz, por isso, qualquer sentido que o “taberneiro” papa-hóstias que é líder do Chega se autointitule o novo líder da direita. É que, por lá, pelos vistos ninguém o atura nem aturará. Mesmo alguns eleitores de direita que votaram agora nele fizeram-no (segundo disseram) para não dar demasiado “ufanismo” ao candidato de esquerda. Nem esses gramam o Ventura por aí além, muito menos votarão nele em próximas legislativas.

Também, ao contrário do que diz o vendedor de banha da cobra, não foi o “socialismo” que ganhou, sendo que “socialismo”, pela insistência e o tom com que profere a palavra, soa a uma espécie de comunismo, igualitarismo esquerdista e corrupto. Ora, não. Também não. A direita que votou no Seguro não lhe atribui de todo esse perfil (nem os socialistas). Além disso, o partido socialista é, desde sempre, social-democrata. Correu com os comunistas na altura devida. Contribuiu de forma decisiva para a consolidação da democracia em Portugal e não tem de certeza, proporcionalmente, mais gente corrupta do que o Chega (que ainda nem chegou ao poder e os compadrios autárquicos e conflitos com a Justiça já vão longos). Democracia, ó Ventura, que é o sistema através do qual o poder vai alternando. Há regras de direito, há controlo político através do Parlamento e da liberdade de associação, expressão e opinião e há entidades independentes para evitar abusos. É o contrário do que parece ser o sistema favorito do Ventura, que é a ditadura – uma pessoa a mandar, de preferência para sempre, e todos a obedecer, sob pena de irem presos ou serem mortos. Impensável para a maioria dos portugueses.

A propósito da apregoada “mudança do sistema” de que o vendedor de banha da cobra fala a toda a hora, os senhores jornalistas importam-se de lhe perguntar um dia destes para que sistema é que ele quer mudar? E não vale aceitar a resposta de que será “um sistema sem corrupção e que defenda a honra de Portugal e de quem cá nasceu”. Não vale, porque o salazarismo ao triplo que o Ventura defende era supostamente isso e não deixava de ser o sistema mais corrupto de todos, em que apenas alguma famílias lambe-botas tinham acesso à riqueza, o que implicava uma máquina repressiva gigantesca para as restantes classes sociais e a fuga em massa de quem não aguentava a pobreza. Por isso, é imperativo que a pergunta aprofunde o tema.

O Ventura deve, pois, baixar a bolinha e a direita clássica tem que ir para a sala de estudo gizar uma estratégia. Que as democracias não são perfeitas, já o sabemos. Basta ver a facilidade com que permitem o surgimento e a popularização de demagogos como o Ventura. Só que o que o ex-seminarista com alucinações e gestos nazis promete é mil vezes pior do que o que temos. O exemplo da América, com a eleição de um criminoso e o pavão mais corrupto que o mundo já alguma vez viu em tal cargo, deve bastar para lhe cortar as vazas. Serás um episódio, ó Ventura.

Entre o FSB e a Mossad, Trump patina face ao Irão? Considerações minhas, também elas mirabolantes como certas revelações nos States.

Ataca? Não ataca? Mudança de regime? Destruição do programa nuclear? Pois é. Por que razão se mandam os maiores porta-aviões para as imediações do Irão, se mobilizam as bases militares, se chegam a fechar aeroportos de vários países do Médio Oriente e depois… nada?

Tenho que chamar para a conversa o depravado Epstein. As suas ligações e de muitos do seu círculo de “amigos” à Rússia de Putin são agora mais do que evidentes. Diz-se que era um agente, pago a peso de outro. As fotos e os vídeos chocantes, os e-mails e os telefonemas mais do que comprometedores constantes dos ficheiros, apesar de todas as ocultações, tornam tudo bem claro. O FSB, através de Epstein, gizou um plano mirabolante de controlo dos políticos e empresários americanos (e não só) que vai ficar nos anais da História. Para já, pelo silêncio que suscita, mais tarde se verá se os efeitos da chantagem perduram e o mundo se torna num lugar sinistro e aterrador, controlado por uma seita de criaturas malévolas e dementes.

Penso que ninguém a não ser uns milhares de alheados ou fanáticos americanos duvida das ligações de Donald Trump a Epstein e deste, e dos dois, ao Kremlin. Todos os sinais estavam lá. Agora apenas se confirma. Portanto, o presidente dos EUA está nas mãos do presidente russo e foi eleito duas vezes graças à sua ajuda, no culminar de um plano urdido a longo prazo.

Falemos agora no Irão. Grande aliado da Rússia. Para a guerra na Ucrânia, os Ayatollahs fornecem milhares de drones e mísseis. O eixo Rússia-Irão-China-Coreia do Norte está sólido. Dir-se-ia que a Rússia jamais permitiria que Trump tentasse depor os Ayatollahs com o fim de instalar no poder um governo pró-ocidental (e sobretudo anti-russo). Não é? É… mas pode não ser. A conjuntura é mais complicada do que parece: neste momento, não podemos afirmar que os Estados Unidos façam parte do chamado “mundo ocidental”, que inclui democracias como o Japão, a Austrália ou a Coreia do Sul. Para Trump e o seu bando de poderosos malfeitores, tal não existe. É um conceito que não lhes diz nada, se é que entendem sequer a palavra “conceito”. O mundo ocidental, democrático, versus os regimes ditatoriais (chinês, russo, etc.) do resto do planeta é uma divisão sem sentido para os mentores do movimento MAGA e adeptos de ditaduras. Sendo assim, tal como na Venezuela se manteve o regime pró-russo do Maduro, agora sem Maduro, com certeza depois de negociações com o Kremlin, também no Irão talvez se possa fazer algum negócio com os russos de modo a tirar de lá os sinistros líderes para aliviar as tensões sociais. Como Trump hesita… quem sabe as negociações estão difíceis? É melhor talvez tratar da ameaça nuclear e o regime fica para um dia, quem sabe. No final de contas, também não deve interessar aos russos um Irão com armas nucleares e esse é um ponto comum. Tudo patina quanto à mudança de regime, portanto.

Mas e os israelitas? Não se livram do Hamas, do Hezbollah, dos Houthis?

Israel tem todo o interesse em que os Ayatollahs sejam corridos e que o regime respectivo deixe de financiar os movimentos islamistas terroristas seus vizinhos e inimigos. Israel tem todo o interesse em que os Estados Unidos ataquem o Irão com eficácia. Entretanto, corre a teoria também de que o Epstein agiria a soldo da Mossad (afinal o seu “sogro” e iniciador Robert Maxwell está sepultado no cemitério do Monte das Oliveiras em Jerusalém) e que o material comprometedor de que esta organização dispunha por via do Epstein implicava uma defesa incondicional do Estado de Israel por parte de Trump. Daí os recentes avanços da tropa. Depois da carnificina de civis aquando dos protestos no Irão, Trump declara que vai atacar. Monta o cenário para tal. Apesar disso, até agora, nada. Dá vontade de perguntar “qual é a dele afinal”?

Podem dizer que não é fácil, porque o regime iraniano está bem armado e pode causar danos graves em Israel. É verdade. Mas os trumpistas não sabem disso? Não sabem que não há alternativa viável para já aos Ayatollahs e que, da última vez que ripostaram, não foram meigos? Então porquê as movimentações? É só pela questão nuclear? E os milhares de iranianos assassinados? E o Nobel da Paz? (não vale rir)

Os interesses da Rússia e de Israel são neste momento incompatíveis no que toca ao Irão, actualmente um aliado da Rússia. Se Epstein trabalhava para o FSB e ao mesmo tempo para a Mossad e estas duas organizações têm Trump e a sua pandilha na mão, temos aqui um imbróglio. Aqui e no mar de Oman.

Faço conjecturas, sim, mas avisei que ia fazer. As relações internacionais estão a modos que caóticas desde que um desvairado ignorante e em declínio mental chegou ao poder nos States, sendo irresistíveis as especulações.

O Seguro já ganhou?

Ventura não tem hipóteses nem como PR nem como primeiro-ministro e, com o exemplo do Trump, o Chega só se desvanece

Se considerarmos o número significativo de notáveis e não notáveis que votaram em candidatos da direita democrática nas eleições presidenciais e o número de notáveis e simples votantes que vão mais uma vez rejeitar André Ventura (antigo comentador de futebol) liminarmente na segunda volta, é lógico apostar em que, numas legislativas, nem que os líderes dos partidos de direita sejam o equivalente à Miss Piggy os eleitores de direita irão votar no Ventura. Estas eleições presidenciais foram, bem vistas as coisas, uma espécie de armadilha em que Ventura se quis meter. Não presta para as instituições e demasiada gente vê, e viu, que não presta. E expressa-o nas urnas. Ventura vai para o palco e para todos os palcos para onde puder ir. No entanto, apenas mostra que o que quer é ludibriar, insultar, desestabilizar e utilizar a violência. E, pessoalmente, tornar-se ditador como o Salazar, esse indefectível das missas e da tortura aos contestatários. Voltar aos tempos do cardeal Cerejeira. Benzeduras por um lado e repressão e prisões por outro. Será isto um transtorno? Não sei. Ventura é um charlatão. Mas não vai ter sorte nenhuma.

Ao contrário do que se lê de vez em quando em escritos de pessoas muito sérias que acham que há razões políticas e sociais ponderáveis para muitos cidadãos apoiarem um aldrabão daquele calibre e que, se forem corrigidas as desigualdades o problema do populismo desaparece, os eleitores do Chega não são os ressentidos do sistema. Ressentimentos toda a gente mais ou menos tem e não é por isso que se olha para o autointitulado “quarto pastorinho” e se vê nele um personagem promissor enquanto primeiro-ministro, capaz de melhorar a vida de quem quer que seja. O mais provável é que, quem olha para ele com interesse, ache que ele é um justiceiro a puxar para o carniceiro e isso é bom (há muito sádico), ou que terá um emprego garantido ou lucros chorudos (ver o que se passa com Trump e os seus financiadores) ao apoiar a criatura e ao ser visto a berrar ao lado dele. Ventura e os seus equivalentes noutros países dedicam-se à venda de banha da cobra e encontraram na questão da imigração (que tem algo que se lhe diga, na verdade, tendo sido levianamente tratada em muitos países) e nos casos de transgressões de alguns políticos uma oportunidade para dizerem que são diferentes para melhor (mas na verdade para pior) da chamada “corja que nos governa desde o 25 de Abril”, prometerem o paraíso (militarizado), suscitarem raivas e ódios, despertarem o pior de cada um, e conquistarem votos entre os mais desinformados. Isto apesar de um olhar atento ao séquito do grande chefe não poder tranquilizar ninguém quanto à lisura dos respectivos comportamentos nem quanto às suas qualidades intelectuais e humanas. São maus e qual deles o pior. As redes sociais ajudam estes populistas por serem as plataformas de excelência para o escárnio e maldizer e por terem trazido à tona, e dado voz, a todo o lixo humano e ignorância que sabíamos existir.

Quanto lixo existe em Portugal além de 23% não sabemos ainda, mas diria que não haverá muito mais. A tal Miss Piggy da direita portuguesa coligada ganhará sempre ao Ventura. Como a possibilidade de aparecer na direita tradicional um Ventura dissimulado e com boas maneiras é remota (para já porque não teria a sua audiência, que gosta da má-criação) e, mesmo que surgisse, seria muito mal recebido pelo já declarado candidato a ditador, o Ventura estará condenado a liderar o Chega e a sonhar com a ditadura enquanto o problema da imigração se vai resolvendo. Os “ressentidos”, já agora, incluem muitos bolsonaristas brasileiros, como a advogada do grupo 1143.

O novo líder da direita? Não, não és, André Ventura (à atenção dos 39% que, não tendo votado Seguro, não votaram no Ventura)

Com a ida à segunda volta, André Ventura, o demagogo, rodeado de gente boçal que não se recomenda, vai apelar a que a restante direita vote nele para, se isso acontecer, poder dizer que é o grande líder e que Montenegro já era*. A verdade, porém, é que os votos somados do Marques Mendes, do Cotrim e do Gouveia e Melo dão 39% do eleitorado. Ventura não foi além dos 24%/25% (se tomarmos em consideração os votos da emigração, ainda não conhecidos). É certo que nem toda a gente que votou no almirante, como eu, ou no Cotrim pertence à chamada “direita”, mas, para efeitos deste post e do que Ventura deseja, chamemos-lhe assim.

Sem grandes simpatias pelos votantes no Marques Mendes e no Cotrim, penso, no entanto, que a afinidade deles com Ventura será pouca e, se alguma há, não será suficiente para os levar a votar nele massivamente. António José Seguro deverá, pois, ter a Presidência ganha.

Ora, olhando para a actuação do grande ídolo dos populistas aldrabões de hoje em dia e ídolo confesso do Ventura, Donald Trump, olhando para a violência, as injustiças, a corrupção (sobretudo a corrupção desbragada), o fascismo que instaura na América e que saltam à vista de todos, espero sinceramente que os votantes naqueles três candidatos tenham juízo e não alimentem, na segunda volta, as ambições e o ego perturbado do Ventura. Um tipo que mistura idas fiéis à missa e a imitação/inveja de “videntes” de aparições do outro mundo com saudações nazis e apelos a intervenções musculadas das polícias, com uso facilitado de armas, insultos soezes e convites a decapitações de adversários políticos, sem freios na linguagem, sem problemas em apelar ao que de pior existe no ser humano. Um demagogo perturbado. Não alimentem o Ventura, por favor. Também eu votarei em Seguro na segunda volta sem motivos de monta para o admirar (a não ser, para já, a sua incontestável coragem). Qualquer candidato que, ganhando, evite a chegada a um cargo de poder da aberração Ventura tem que merecer o nosso voto. Mesmo que o motivo seja apenas esse.


*Não lamentarei nada o dia em que Montenegro “se vá”. É um incompetente e, com o que se conhece da Spinumviva, um vigarista sem perfil para o cargo. Mas estará sempre vários pontos acima do Ventura, enquanto for democrata.

Com Cotrim, tudo é ligeiro e superficial; não admira que se tenha precipitado

Não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda”, admitiu o também eurodeputado, no final de uma visita ao Mercado Municipal do Fundão onde teve, a seu lado, o vice-presidente da Assembleia da República Rodrigo Saraiva, a ex-deputada do PSD Liliana Reis e o vereador na Câmara Municipal da Covilhã, que concorreu como independente eleito pelo CDS-PP, Eduardo Cavaco. Questionado sobre se apoiaria o adversário André Ventura na corrida a Belém, o antigo líder da IL reafirmou que, nesta altura, não exclui ninguém.

O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Moderou o discurso e parece um político diferente”, considerou.

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Em declarações aos jornalistas depois de uma visita à adega Vila Real, o líder do Chega reagiu ao facto de João Cotrim Figueiredo não excluir apoia-lo numa possível segunda volta. André Ventura disse ter ouvido as declarações do ex-líder da Iniciativa Liberal com “naturalidade”.

 

Que queridos.

Cotrim de Figueiredo pode ter dado um tiro no pé ao declarar que votaria em Ventura em caso de confronto deste com Seguro na segunda volta das presidenciais. Pois bem, foi dito, está dito, o Ventura não o choca (não desconfiávamos já? Cotrim tem como apoiante um fundador do Chega, Nuno Afonso, ex-braço direito de Ventura). Se os seus adversários da área democrática (Gouveia e Melo, Seguro e …cof cof … Marques Mendes) forem habilidosos, atacá-lo-ão sem dó nem piedade nestes sete dias que restam. Basta lembrarem ao eleitorado que Ventura não é mais do que um candidato a ditador, à laia de Trump, que tanto admira e a cuja tomada de posse nem pôde faltar (mesmo ficando à porta). Se puder, e quando puder, acaba com a democracia e põe-se a perseguir tudo o que seja cigano, paquistanês e preto, pondo o país em pé de guerra, para logo de seguida calar os seus adversários políticos, de raça branca, com recurso à polícia. É isto que Cotrim quer ou não se importa de ver na Presidência da República?

Cotrim ou não pensa antes de falar e é um tipo superficial, no fundo um vaidoso – pouco talhado para a Presidência, ou acha mesmo que o Ventura tem mais qualidades do que o Seguro – e pouco apreço tem pelos regimes democráticos. Um dandy sem cabeça. Saiu da liderança da Iniciativa Liberal porque queria ir até Bruxelas e Estrasburgo ver as modas e agora o melhor a fazer é rua com ele.

E o prémio Nobel da falta de noção e de espinha vai para…

Maria Corina Machado

Não percebeu que Trump não quer saber da democracia para nada. Não percebeu que toda a máquina repressoara de Maduro continua instalada e que  a mudança de governo (que pouco interessa a Trump se puder corromper o actual) só se faria provocando uma guerra civil. Não percebeu que não é intenção dos MAGA pôr americanos a combater pela democracia na Venezuela, eventualmente nem pelo petróleo. Não percebeu que, neste momento, a proposta de partilha do Nobel da Paz é completamente deslocada e absurda. Não percebeu que já deve haver quem ache que o seu prémio não foi merecido.

Rapto na Venezuela: a pessoa errada a apear um ditador corrupto com a finalidade errada

Maduro já devia ter ido embora há muito. Perdeu claramente as últimas eleições, escondeu os resultados e manteve-se no poder. Com o apoio do Kremlin e seus amigos.

Agora, irónico e decepcionante é ser Trump, um ditador com aversão à democracia e às suas regras, corrupto, prepotente, debochado e megalómano (muito igual a Maduro – menos o deboche -, só mais rico e poderoso), a depô-lo. Trump não pretende restaurar a legalidade e a democracia na Venezuela. Nem sequer pretende que sejam os vencedores das últimas eleições a governar. Pretende apropriar-se das riquezas do país e, verdade seja dita, não esconde esse objectivo. Calhou bem que Maduro fosse um ditador e odiado por grande parte dos venezuelanos, que agora festejam. Mas a intervenção e a intenção não são de todo de aplaudir, à luz do direito internacional.

Teve piada Zelensky ao lembrar que, se Trump abriu a caça aos ditadores, então saberá o que fazer a seguir. Não é porém essa a política da actual Casa Branca, infelizmente para a Ucrânia. Na verdade, Trump quer lá saber se o Maduro era um ditador corrupto e ilegítimo (ele é igual, apenas legítimo, por enquanto). Só quer saber que a Venezuela tem riquezas que lhe interessam e não tem o seu poderio militar, ao contrário da Rússia. Baiden dizia que Trump até admirava Maduro. Não tenho dúvidas de que, pelo menos o invejava. Aconteceu que, provavelmente após acordo/negociata com a Rússia, teve luz verde para se apropriar do país e das suas riquezas. A ver vamos o que Trump faz com a Gonelândia, onde não existe qualquer ditador corrupto, nem narcotraficantes, nem influência russa, existindo em vez disso disponibilidade para negociar por parte de um histórico e agora suposto aliado.

E a União Europeia? Reagiu bem? Seria impossível reagir de outra maneira. Toda a comunidade venezuelana exilada festejou o derrube do ditador Maduro. Condenar apenas veementemente a ingerência num país estrangeiro seria interpretado como dando legitimidade a Maduro, o que seria muito errado. Dizer claramente que Trump fez muito bem, legitimaria o acto como um precedente aceitável para todas as interferências que se seguem. Assim sendo, resta constatar o acto consumado, ficar na expectativa e desejar que se instaure um governo que tenha o apoio da população. Os tempos são desafiantes, quando a política internacional se torna num “reality show”, onde todos os dias acontece alguma coisa escandalosa.

Ainda há dúvidas de que a PGR está nas mãos do PSD?

Algum dia a Justiça, quando se trata de políticos, será verdadeiramente eficaz, isenta e imparcial neste país?

É inevitável pensar que Marques Mendes, “apertado” pelas acusações de Gouveia e Melo em directo na TV de que é opaco em relação à sua actividade profissional passada, decidiu contra-atacar usando os contactos que tem na PGR para prontamente desenterrar e mandar para as redacções um caso de inquérito aberto há oito anos sobre ajustes directos na Marinha. Verificamos, mais uma vez, que o caso tem estado a marinar até melhores dias (oito anos!), sem que o principal visado tenha sequer sido ouvido ou tenha sabido das acusações. Os “melhores dias” chegaram, pelos vistos, agora. Este PGR não falha. Sempre a favor dos mesmos.

Tudo isto me parece escandaloso, quando o caso Spinumviva, que implica um conflito de interesses mais do que evidente (o primeiro-ministro esteve a ser pago por privados durante o exercício da sua função, e continua, tendo os pagamentos sido transferidos para os filhos; privados esses, como a Solverde, que acabam de ver as suas concessões renovadas), nem um inquérito suscitou, ficando-se por uma averiguação entretanto arquivada sem que os fundamentos das respectivas conclusões nos tenham sido dados a conhecer, num secretismo totalmente suspeito e inaceitável.

Dito isto, eu escandalizo-me e indigno-me e voto contra, mas tenho perfeita noção de que, tal como com Trump, é certo a um nível muito mais grave, se os eleitores, por uma margem determinante como indicam as sondagens, preferem a AD no governo a qualquer das alternativas, esta espécie de corrupção é ignorada e tolerada, se não mesmo incompreendida. Nem mesmo o Ventura, que elegeu a palavra corrupção como a palavra do ano e de todos os anos até chegar ao poder, fala nesta promiscuidade clara,  muito menos a denuncia.

Em suma, está tudo bem com esta direita, tudo sob controlo, maioria relativa dos eleitores contentes, uma Justiça amiga, um candidato a PR com fortes apoios na PGR. Quem se importa? Espero que o tiro saia pela culatra ao Marques Mendes. A este propósito, ler o professor Vital Moreira.

A grande confirmação de 2025: Putin, conselheiro da Casa Branca

Cabrão, pá, tu insiste na Gronelândia”. Eventual sugestão dos russos ao compincha Trump no Alaska e na Florida.

Com um megalómano narcisista, ignorante, corrupto e chanfrado na presidência dos EUA, rodeado de gente racista e belicosa, o mundo está muito mais perto de explodir em conflitos que conduzam a uma guerra mundial do que de eleger um prémio Nobel da paz.

Já se percebeu que a Venezuela está a ser trocada pela Ucrânia como zona de influência russa no quadro das “negociações para a paz na Ucrânia”. Entretanto, interessa a Putin que a Europa se distraia mais para Oeste, se apoiar a Dinamarca e a Gronelândia na sua defesa após a declaração de intenção de conquista deste território autónomo da Dinamarca pelos MAGA admiradores e cúmplices de Putin que tomaram de assalto a Casa Branca. Com isso, a frente Leste europeia pode bem desguarnecer-se com este desvio de atenções, tornando tudo mais fácil para o ex-KGB candidato a imperador e as suas ambições de conquista. Uma teoria que, assim de repente, considero não estapafúrdia.

Nem as razões do arquivamento nem o apurado nas “averiguações” são para o povo conhecer?

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Começa a haver vários imitadores de Trump um pouco por todo o lado. Fazem o que querem e entendem que não têm que prestar contas a ninguém. Não sei , nesta fase, se isto é escandaloso ou não. Os juristas que se pronunciem. Diria que sim e que esta decisão do PGR é tomada expressamente para resolver o berbicacho que é a Spinumviva para um PGR escolhido pela dupla Montenegro/Marcelo. Não querem claramente que se saiba o que se apurou. Ou porque se apurou demasiada ilegalidade e isso seria um problema político sério, ou porque não se apurou nada mas, neste caso, ainda menos se compreende que não saibamos por que razão foi tudo uma invenção. Uma invenção ou tudo perfeitamente legal. Mas o que é que foi legal, não podemos saber?

Pergunto-me se o PGR pode tomar decisões desta natureza. A lei não obriga à transparência? O Ministério Público funciona sem qualquer tipo de controlo. São uns reis.

Feministas legalistas e anti-feministas

Ronaldo, Khamenei e o ferro de engomar

Tudo certo neste artigo, excepto a posição da própria jornalista sobre o uso da burqa. Sobre isto, ver um artigo anterior, onde as considerações jurídicas elencadas apenas visam complicar o que, na realidade, é bem mais simples e fundamentar as suas dúvidas incompreensíveis em raciocínios de homens de direito à nora com a política. Na prática, entende que as mulheres devem ser livres de usar ou não usar, pois ninguém tem o direito de proibir o teu direito a não ser visto. E fala em totalitarismo. (“É, na verdade, de um peculiar e paradoxal totalitarismo que se trata: o de, a pretexto de salvar as mulheres da imposição da invisibilidade, determinar que não têm direito (ninguém tem) a não ser vistas/identificadas.”). Esta posição parece-me indefensável perante as críticas que faz às debatentes, pois nessa perspectiva as mulheres (críticas do feminismo, mas não vi o debate) que escolherem ficar em casa a tratar dos filhos e do marido e na total dependência deste, também devem poder fazê-lo, sem julgamentos. Portanto, estaria tudo bem. Nada a criticar. Nota-se, porém, que a jornalista critica muito mais do que a incongruência.

É verdade que elas, as mulheres antifeministas, estão erradas ao manifestarem-se contra a burqa, pois, para serem congruentes, deviam defender que uma mulher ser dependente economicamente do homem e, devido a isso, submissa e de contemplação exclusiva, não devia ser problema, mais trapo menos trapo, seria lá com elas. Mas a jornalista está igualmente errada ao criticá-las pela incongruência, quando ela própria, apesar de considerar a submissão das fêmeas ao macho inaceitável e a separação de funções muito criticável, no que respeita ao uso da burqa, uma fatiota que é o paradigma da submissão e do machismo, já considera totalmente aceitável, alegando que pode ser uma escolha e um direito. Bullshit, não?

Não vou ao ponto de dizer que estão bem umas para a outra, até porque o meu lado é o do feminismo (não atormentado). Mas quase. De facto, do lado das tradicionalistas há assuntos que se podem discutir sobre o acompanhamento das crianças. Pode uma mulher ser paga (pelo marido ou pelo Estado) para ficar em casa, quando existem creches para as crianças? Em princípio não, e deveria ser proibido em nome da igualdade e da dignidade. Mas se a mulher que fica em casa, sem outro emprego que não o de tratar da casa e dos filhos, tem bens próprios, pode considerar isso uma profissão, remunerada por ela própria, portanto um investimento. Ou então a relação contratual com o marido poderá, por lei, ficar plasmada num acordo nupcial (ou equivalente, para quem não for casado). Ou poderá haver um contrato com o Estado, no caso de não haver creches. Claro que nunca estas pessoas põem a hipótese de ser o homem a ficar em casa, o que é de lamentar. Mas, lá está, são antifeministas. São anti-igualdade e anti-equiparação. Umas tontas. De certo modo, são como as mulheres mais velhas do Irão, que pertencem às brigadas dos costumes contra as “liberdades” das mais jovens de mostrarem o cabelo.

As ditas feministas, por seu lado, como a jornalista, são incapazes de condenar a burqa apesar da luta e da repressão por vezes brutal das jovens mulheres do Irão por causa do mero hijab. Exigir-se-ia, digo eu, no mínimo mais solidariedade. Toda a solidariedade. Nem todas as proibições são más. Nem sempre deve ser proibido proibir. A proibição da excisão genital feminina é mais do que bem-vinda e urgente, pouco importando se as miúdas a querem fazer para não desafiarem a família, ou se são poucas a fazê-lo. As vinganças de honra familiares também são proibidas. Se for proibido, essa proibição acaba por ser absorvida e as coisas mudam. Para melhor. Se não for proibido, mantêm-se. Assim é com a burqa no Ocidente. Se for proibida, as pessoas adaptam-se. E não, as mulheres não vão deixar de sair à rua por não poderem fazê-lo com burqa. Isso é uma tolice. Aos poucos, ou no imediato, tirarão a burqa e circularão sem que ninguém lhes ligue. Deixam apenas de ser bichos, e os homens ficarão um pouco ou bastante menos trogloditas. Ou então, se fizerem muita questão, regressam às origens para se sentirem melhor. Não haverá problema nenhum com isso. Nenhum mesmo. Pode é acontecer que “as origens” também já tenham evoluído mais do que as feministas da liberdade de ocultação do corpo debaixo de trapos para os outros machos não as verem e cobiçarem. Seria bom e far-me-ia rir.

 

Senhores doutores, então?

Como 99% dos portugueses, não gosto da actual ministra da Saúde. É incompetente, errática e, suspeito, pouco entusiasmada com a utilidade do SNS. No entanto, o grande problema que é para os médicos do hospital do Barreiro (por exemplo) prestarem também serviços no hospital de Almada ultrapassa o meu entendimento.

Não sabia que a “burqa” estava na ordem do dia, mas a posição do PS surpreende-me

Não deve haver em Portugal muitas mulheres que enverguem a burqa. Eu ainda não vi. O niqab sim, já vi, e fiquei bastante impressionada com o conformismo e o estoicismo que aquelas mulheres revelam, sobretudo no Verão. Mas hoje, as notícias dizem que foi votada, assim de repente, uma proposta do Chega na Assembleia da República que visava a proibição (ao que parece apenas da burqa!)  no espaço público invocando razões de segurança e de igualdade.

Evidentemente que, vinda do Chega, esta proposta tem todas as intenções e mais alguma menos a de garantir a igualdade entre os sexos. No entanto, expurgando a proposta dos seus autores do momento*, todos devíamos concordar que a burqa ou o niqab, pelo que representam de opressão das mulheres (e as iranianas que o digam), não podem ser aceites no espaço e nas instituições públicas de um país ocidental civilizado. Fora de casa, as mulheres não devem transformar-se em vultos, sem identidade, sem personalidade, sem corpo, por força de princípios de insegurança masculina, ou de convicções sobre a inferioridade feminina, ditados sabe-se lá por que tarados há não sei quanto tempo.

Antecipo já as idiotices que irão ser ditas sobre a liberdade de cada um de escolha da indumentária, a liberdade religiosa, a comparação com as freiras católicas, a tolerância e por aí fora. Não me convencem. Nunca me convencerão. A burqa e o niqab são mais do que uma indumentária, são um símbolo de uma civilização oposta à nossa (inferior mesmo, arrisco dizer) em matéria de costumes e não só, não são uniformes de uma congregação restrita que, só por si, não representa a posição do catolicismo em relação às mulheres, e só são impostas às mulheres. Além disso, considero o voto contra  um desrespeito por todas as corajosas raparigas e mulheres que foram presas ou mortas em determinados países por quererem desenvencilhar-se de tais trapos e deixar o cabelo ao vento. A posição do PS é incompreensível. O que é que acontecia se tivessem votado a favor? Nada de mal e tudo de bom, assim tivessem querido ao mesmo tempo subalternizar o Ventura e sus muchachos (machistas e boçais) e defender os valores da dignidade, da igualdade, da liberdade e distanciar-se de vez dos retrógrados da geringonça, que se borrifam para todas as religiões (e bem), menos a islâmica. Mas está difícil. O argumento de que, assim, as pobres mulheres não vão sair de casa é risível, além de ridículo. Pelo contrário, se a perspectiva é a de não poderem sair de casa, talvez façam qualquer coisinha para sair dessa escravidão. Estão em Portugal, afinal.

*A propósito do asterisco lá atrás, deixo aqui a lista dos países europeus que proibiram ou restringiram o uso da burqa ou do niqab em locais públicos, instituições de ensino, hospitais, etc., sem que tivesse sido o André Ventura, demagogo e populista execrável, a propor:

França, Bélgica, Áustria, Bulgária (proibição total); Países Baixos, Dinamarca, Alemanha, Suíça, Itália, Espanha (Catalunha), Noruega (proibição parcial ou localizada); Bósnia e Herzegovina, Kosovo, Rússia (proibição em certos locais/regiões).

As razões foram várias, mas não certamente o racismo. Se tiver sido a islamofobia, a culpa é deles? Deve haver sequer culpa?

Em Lisboa, perdeu o Pedro Nuno e… a flotilha

O PS tem que esquecer de vez a geringonça. Teve o seu momento, em circunstâncias muito específicas (depois dos anos negros da dupla Troica/Passos Coelho), mas acabou. Por duas razões: o PCP, sobretudo desde que começou a guerra na Ucrânia, passou para um nível de contradição, desadequação e repúdio que jamais tivera, o que se soma à morte do comunismo enquanto ideologia política. E que não se pense que os 10% que a cara laroca do João Ferreira conquistou passariam directamente para a coligação, caso se tivesse querido juntar. Não passariam, e a Alexandra Leitão também não ganharia.

O Bloco tem-se afundado lentamente por falta de objectivo, pelo definhar do esquerdismo e porque a liderança da Mariana Mortágua só veio agravar a situação: nada empática, pose rígida, fraca oradora, mais à vontade em salas de interrogatório. Ultimamente, o grande objectivo de ser presa pelas autoridades de Israel, a exibição de tal acontecimento como troféu e prova da maldade dos judeus e a ideia mítica de Gaza contribuíram para a sua descredibilização. Oh, que imbecil, então não és sensível à vontade de levar ajuda a quem sofre? Neste caso, perdoem, mas não. Se a Mariana não tivesse sido detida, a viagem teria sido uma desilusão e um flop para ela (já que os “alimentos” eram apenas um pretexto). A situação naquela parte do mundo não é classificável na simples dicotomia de “os bons e os maus”. A dita ajuda, a existir, era tão insignificante que nem a Sofia Aparício (que vi em entrevista num canal) sabia bem em que consistia nem onde seguia. Depois, o sonho daquela gente de “ver Gaza e morrer” (salvo seja), como testemunhei ao ouvir uma inglesa da flotilha num outro canal, era tão alucinado que só provoca dó ou o riso. Gaza é uma situação demasiado séria para ser tratada por poetas. Poetas à distância, pois se penetrassem naquele antro e sobrevivessem depressa se deixariam de romantismos. Por isso, não,  a Mariana junto à Alexandra Leitão não foi bonito de ver e, pior do que isso, não lhe deu votos.

Seja como for, a Alexandra Leitão não foi boa escolha e eu própria teria dúvidas sobre o meu voto não fora o Moedas ser a tamanha incompetência que é. Continuo a não perceber, porém, mesmo com o handicap da Geringonça, por que razão se votou maioritariamente naquela incompetência. Vão ser mais quatro anos de estagnação, que muitas freguesias da capital preferem à coligação “das esquerdas”. Dá que pensar e o José Luís Carneiro, que até me está a surpreender pela positiva, pela sua vitalidade e simpatia, tem algumas arrumações  e revisões de estratégias a fazer no partido.

Apresenta-se o orçamento na véspera de eleições autárquicas (e uma nota sobre outro tema)

Primeira observação: não se percebe por que razão o Ministério Público não abriu ainda um inquérito crime a Luís Montenegro por causa da Spinumviva, da casa de Espinho, etc., quando estão em causa conflitos de interesses, fraude fiscal, abuso de poder e recebimento indevido de vantagem. O facto de António Costa se ter demitido por causa da existência de um inquérito à sua pessoa (e com base na mera menção do seu nome em telefonemas, num caso que não deu em nada, como se previa) não devia ser critério para a opção por uma averiguação preventiva que pouca investigação permite no caso de Montenegro. E a esperteza-saloia de que todos desconfiamos no que toca à sua empresa não é aceitável. Nem jurídica nem politicamente.

Do que veio à luz ontem, deduz-se que os procuradores com o caso nas mãos consideram imprescindível a abertura de um inquérito, mas o PGR, Amadeu Guerra, tem receio de enveredar por aí. E porquê? Por achar que o que está em causa não o justifica? Como assim? Por causa da instabilidade política que tal decisão suscitaria? Por “lealdade” para com Montenegro, que foi quem o escolheu para o cargo? Perguntas legítimas. Até porque falta documentação (pedida há muito) e nem tudo cabe no âmbito de uma averiguação preventiva, como o PGR decerto sabe. Espera pelo fim das autárquicas? O Dr. Amadeu Guerra prometeu não desiludir em matéria de isenção, integridade e transparência. Estamos atentos, mas preocupados, para não dizer “estupefactos e revoltados”. Mas não tranquilos.

Segunda observação: o Passos Coelho anda por aí na campanha a espalhar charme… que horror, desculpem, não sou a Helena Matos nem o Miguel Pinheiro, eternos carentes. Charme nenhum, credo. Espalha sim, mas uma única ideia desde que começou a abrir a boca: a aproximação ao Chega de André Ventura seria algo extremamente positivo para o PSD e para o país. Aliás, ele próprio foi quem lançou o André Ventura na política e, pelos vistos, está a amar as suas poses nazis, o seu discurso violento, as suas mentiras, o seu elogio ao salazarismo, a má educação dos seus apoiantes. Se o Montenegro for à vida, teremos não um, mas dois Venturas nos palcos. Novamente, que horror.

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Sobre Gaza: Contente, muito contente, com o alívio que o acordo representa para a população de Gaza e para os reféns israelitas e suas famílias, assim como para os prisioneiros palestinos libertados. Espero que desta vez seja de vez e considero que só uma solução radicalmente diferente das que têm sido aplicadas até agora tem alguma hipótese de vingar. Chega de mortes. Que se construa algo de positivo e produtivo em Gaza. Chega de dependência de ajudas humanitárias. As pessoas de Gaza são tão capazes como quaisquer outras.

Espero que o problema da Cisjordânia também conte com a colaboração de todos os interessados (árabes, judeus, palestinos, turcos, jordanos, europeus) para a sua resolução, que, a meu ver, tem que implicar o fim dos colonatos, também de uma vez por todas, mesmo que tal implique causar apoplexias nos judeus ortodoxos radicais, fanáticos e alucinados.

Mariana Mortágua está contra o plano de paz para Gaza, mas o Hamas não. E agora? Junta-se à Irmandade Muçulmana? Busca refúgio no Hezbollah?

Estou a ser injusta. Na verdade, há um ponto do plano de paz em que  o Hamas partilha a opinião com a Mariana – não pode ser um governo internacional transitório chefiado por Tony Blair (que ela considera um criminoso de guerra, pelo apoio à invasão do Iraque) a liderar a pacificação e o período de transição. O Hamas (que não disse nada sobre o Tony Blair) defende que essa liderança seja entregue a “tecnocratas palestinos”. Quais e se existem, não sabemos. Mas espero que o Hamas no-los apresente em breve, entregue os reféns e saia de cena. Mariana é mais radical do que o Hamas ao rejeitar liminarmente tal plano, mal ele viu a luz. Basta ler o que publicou. Possivelmente nem a entrega dos reféns lhe agrada. Folgo em saber que o Hamas não lhe deu ouvidos.

A população de Gaza está a passar horrores entre as garras e sobre os túneis do Hamas e as bombas do Netanyahu. Toda a gente que vive fora dali gostaria que o horror acabasse.  Mas a flotilha nada adianta e nada adiantou. Pelo contrário. Se os seus membros, como a Mariana, recusam liminarmente o plano de paz que está em cima da mesa e o Hamas o aceita, só podem querer a continuação da guerra e assim lá se vai o pacifismo e a compaixão por quem sofre. No dia em que o Hamas ou os palestinos reconhecerem o Estado de Israel, a Mariana morre de desgosto ou atira-se da ponte.

É estranho o que acontece, para quem usufrui de toda a liberdade que o mundo ocidental lhe oferece: nunca por nunca ser se vê esta mulher e as alminhas da sua índole a manifestarem-se contra alguma coisa, uma coisinha qualquer, referente aos países muçulmanos, aos islamitas radicais ou aos muçulmanos presentes na Europa que são violentos ou simplesmente rejeitam os nossos padrões de vida. Estes são sempre uns desgraçadinhos, vítimas de discriminação ou do tenebroso Ocidente, onde ela alegremente vive e onde os outros já vivem ou gostariam de viver. Esta esquerda bacoca anda definitivamente do lado errado da História e não admira que se afunde aos olhos do eleitorado. Deixou de atribuir importância à democracia e à liberdade, a não ser para poder defender causas perdidas, não percebe que não há causa mais nobre neste mundo do que defender o que levou séculos a conquistar e é inveja de todos e lutar contra os seus inimigos. Mariana devia ter orgulho de ser ocidental e livre. Mas não. Provavelmente, as pessoas que se manifestam nas ruas pela Palestina “from the river to the sea” são mais um joguete nas mãos dos russos, para os quais todos os meios são bons para desestabilizar o Ocidente – a extrema-direita, a extrema-esquerda, não importa, tudo o que possa desestabilizar é bom. Estão a ter algum sucesso.

E depois entram em cena os movimentos como o Chega (a imitar os MAGA), que visam resolver tudo à força. Donde lhes vem a atractividade? Uma boa parte virá do excesso de compreensão da esquerda para com os desmandos e os crimes de quem não quer deixar a Idade Média e a quer impor aos outros e do seu ódio ao Ocidente, esquerda essa que, ao mesmo tempo, quer ser hiperavançada em matéria de costumes. Tem que se decidir.

Yes! Foram detidos

Socorro! Irão ser interrogados, cabeça dentro de água e…? Não. Nada. Amanhã ou depois estarão de volta, cabeças secas. Só espero que não se venham queixar de não poderem largar a carga em Gaza. Seria o cúmulo. Que piada é que teria chegarem à praia, largarem a comida e virem embora? Giro, giro é serem parados, irem presos, passarem dois dias do Yom Kipur a comer sanduiches de recheios Kosher e acusar os israelitas de selváticos genocidas.

Enfim, não sou insensível. Mostraram compaixão pela população devastada de Gaza e quiseram levar-lhe alimentos. Foram longe e alguém (igualmente solidário(?)) pagou. Uma boa acção, sem ironia. Eu acho que os alimentos serão entregues e, nesse particular, podem ficar descansados. Agora, o benefício para os habitantes de Gaza foi grande? Não foi. Terá sido isto um acto de coragem? Não, de todo. O desfecho era mais do que conhecido e, se temessem mesmo a morte, o fuzilamento, a decapitação e outros horrores normalmente cometidos pelos islamitas, nem sequer teriam ido. Como é que eu sei? É fácil. Alguém vê manifestações dessas mesmas pessoas (e já nem digo viagens, meras manifestações) contra a opressão inqualificável dos talibãs em relação às mulheres (mortas para o mundo em vida)? Ou contra a repressão no Irão, não só contra os opositores, mas mais uma vez contra a liberdade das mulheres? Eu não vejo. Se calhar compreendem os dramas, se calhar, porque também é possível que considerem os talibãs o fruto do colonialismo ocidental, desculpando-os, como ao Hamas, mas não querem ser vistos e mais tarde esfaqueados ao virar da esquina. Pois é. A coragem é falsa e a solidariedade é selectiva. Valeu o passeio.