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Seria lindo

Concordo a 300% com a Guida: a melhor segunda volta possível é Seguro-Gouveia e Melo. Mendes-Ventura, Cotrim-Ventura, Mendes-Cotrim, seriam experiências traumáticas. Seguro contra outro qualquer da direita, é apenas triste. O confronto interessante, com potencial para ser fascinante, seria entre o fulano com dificuldade em se dizer de esquerda, apoiado por passistas e com excelente imprensa entre os direitolas, e o outro fulano que promete, que lança uns fogachos, mas que continua a ser uma incógnita.

Seguro conseguiu recuperar votos no PS e consolidar quem vota PSD pragmaticamente porque não se comprometeu com nada que tivesse alguma importância para a República. Disse merdas convencionais, inanes, e isso agrada a quem vê nele a escolha sem risco. Seguro é conhecido, faz parte da fauna política, pode ficar em Belém a brincar aos estadistas corta-fitas. Já o almirante não foi carne nem peixe, mostrou muita dificuldade em perceber qual era o seu papel (talvez ainda assim continue) e para as pessoas que não querem perder tempo com a política aparece como um tipo esquisito. Se fosse só uma farda a salvar-nos do virus, poderia ter colhido o fervor messiânico. Tendo que tomar posição sobre a miséria institucional que atravessamos, perdeu o voto dos borregos.

Vai acontecer? Não, infelizmente.

Declaração de voto

Estas eleições presidenciais são uma desgraça, mas evoluíram para se evitar a tragédia, segundo as sondagens. A tragédia seria termos uma segunda volta com Marques Mendes e Ventura (entretanto, viemos a saber que seria igual tragédia calhando passarem Ventura e Cotrim de Figueiredo). Assim, passando Seguro, como parece ser o mais provável, evita-se o mal maior, pode-se ir votar sem ser branco ou nulo.

Seguro é uma desgraça. Se ganhar, vão ser 10 anos de nulidade intelectual e empáfia moral na Presidência. Irá vingar-se do PS, ou de algum PS, e fará da função um exercício puramente narcísico, vácuo, espelho do seu percurso político.

Gouveia e Melo talvez também se revelasse uma desgraça em Belém, tendo largado grossos disparates na campanha à mistura com declarações muito relevantes. Mas nele reside a única esperança de levar para a função a defesa do Estado de direito democrático. Não por mérito próprio, tão-só por ter ao seu lado vários que têm sido paladinos corajosos dessa causa fundamental. Por essa razão, porque numa primeira volta o voto deve ser apenas guiado pela convicção, votarei nele. É o mal menor no boletim de 18 de Janeiro.

Pensei o mesmo quando vi

«Ao longo de demasiados anos as pessoas com experiência de doença mental ou défice cognitivo deparam-se com estereótipos e preconceitos que condicionam a sua integração social. O impacto do estigma na vida da pessoa com experiência de doença mental pode ser tão prejudicial quanto os efeitos diretos da própria doença. Muitas formas de os discriminar têm sido usadas, incluindo frases pejorativas, abundantemente também usadas para insultar quem tem ideias e comportamentos diferentes.

Estigmatizar não esclarece, não protege e não transforma. Pelo contrário, afasta, silencia e perpetua o sofrimento. Se queremos sociedades mais saudáveis e justas, é preciso acabar com este tipo de campanhas, substituir o rótulo pelo encontro e o preconceito por responsabilidade coletiva. Combater o estigma é, em última análise, um exercício de humanidade, a favor da causa ambiental e da saúde mental.»

“Atrasados ambientais”: quando a linguagem adoece

Estranho

Pode não ser estranho aparecer uma denúncia de assédio sexual contra um candidato presidencial em cima da votação. São inúmeras as possibilidades que levam a tal, para todos os gostos. O que acho real e profundamente estranho é o baixíssimo, residual, número de denúncias de assédio sexual face ao total da população e contando as últimas décadas de democracia e legislação para o efeito.

Ou melhor, esse encobrimento não tem nada de estranho. É bem portuguesinho da Silva.

Revolution through evolution

Nearly all women in STEM secretly feel like impostors
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The simplest way teens can protect their mental health
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A daily fish oil supplement slashed serious heart risks in dialysis patients
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Scientists find exercise rivals therapy for depression
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Just 10 minutes of exercise can trigger powerful anti-cancer effects
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Swearing may unlock hidden strength, study finds
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Socializing Alone: The Downside of Communication Technology
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Dominguice

Adorava que Corina Machado desse o seu Nobel da Paz a Trump. Seria um dos momentos mais efusivos da minha vida, não tenho pejo em admitir. Explico. O Nobel da Paz, para lá do prémio em dinheiro, materializa-se numa medalha de ouro e num diploma artístico. A haver uma entrega da coisa, seria então a medalha e o diploma. Medalha e diploma personalizados para a real vencedora, a senhora venezuelana. Ora, parece que Trump aceitaria ficar com esses recuerdos de Oslo grafados com o nome Corina Machado e passar a dizer que o prémio Nobel da Paz era afinal e mui justamente seu. Mas que faria a seguir? Creio que de imediato escreveria por cima do nome dela o seu, e trataria de martelar a medalha com igual intenção. E esta operação seria realizada na Sala Oval, com solenidade e cobertura mediática.

O meu entusiasmo com essa hipótese vai parar aos romanos. Poder descobrir o que terão sentido e pensado enquanto Nero foi o maior artista na capital do império.

A democracia tem de ter inimigos, bué deles

Na procura de uma qualquer racionalidade, ou intencionalidade substantiva, nas decisões de Trump 2º, não é possível a quem estiver fora do círculo relacional mais próximo saber se ele decide por capricho ou como marioneta de terceiros. Como neste caso da Venezuela, qual poderá ser o seu interesse pessoal? Podemos oscilar entre a aparente megalomania criminosa e os milhares de milhões de dólares de lucro rapace para empresas e pessoas americanas caso se cumpra o propósito de abarbatar o petróleo. Donde, sendo impossível discernir a lógica causal, resulta desinteressante prosseguir essa via de investigação. Historiadores no futuro desenvolverão as suas teses a partir dos documentos e testemunhos recolhidos. O que tem real interesse é a reflexão sobre a evolução da democracia nos EUA. Trump foi reeleito não apesar de ser um criminoso condenado, depois de uma longa vida de abusos éticos, indecências e deboche, mas precisamente por assumir ser esse ogre infame, sórdido, ignóbil. O eleitorado deu-lhe a vitória no colégio eleitoral e no voto popular. Donde, um democrata tem de aceitar que foi a democracia que tornou possível colocar no poder o inimigo da mesma. E esta característica das democracias não é um erro – antes, e paradoxalmente, consiste na sua maior virtude. Hitler não provou a fraqueza ou disfuncionalidade das democracias, apenas a capacidade para as perverter e aniquilar.

A democracia é o melhor dos regimes porque na sua essência é ingénua e optimista, esperançosa. Os seus inimigos não sabem o que estão a perder, os miseráveis.

Revolution through evolution

Researchers find ADHD strengths linked to better mental health
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Scientists tested intermittent fasting without eating less and found no metabolic benefit
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Why your vitamin D supplements might not be working
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This 100-year-old teaching method is beating modern preschools
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Scientists replayed evolution and found a surprise
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Myth busted: Your body isn’t canceling out your workout
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How Doubting Your Doubts May Increase Commitment to Goals
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Nas muralhas da cidade

«O dever de sigilo que o MP invocou para vedar o acesso aos autos só vale para as averiguações preventivas ainda não encerradas. Compreende-se que, enquanto se está a procurar evitar a concretização de crimes futuros, numa averiguação preventiva, haja segredo. Encerrada essa fase de prevenção, desaparece a razão de ser do segredo —, e, a partir daí, proibir o acesso aos autos revela um problema estrutural de falta de transparência.

Pior: chamar averiguação preventiva à investigação da denúncia de factos passados para evitar todo e qualquer controlo, é aceitar que mudar o nome das coisas é quanto basta para apagar os mecanismos próprios de um Estado de direito. Mas não pode ser.»


O Nome das Coisas, Montenegro e o Ministério Público

Vai ser o melhor 2026 de sempre

Garantido. Até porque não há notícia de algum outro 2026 ter corrido mal. Correm invariavelmente bem, este dando-se o caso de ser ainda melhor do que os restantes.

Não, pá, não é possível adivinhar o que vai acontecer, sendo certo que desgraças antigas e desgraças novas vão marcar presença. Putin e Trump poderão não ser os piores facínoras da História, apenas acontecendo que são os piores das nossas histórias. Muito provavelmente, se viverem o suficiente, continuarão a sê-lo chegados a 31 de Dezembro deste novo ano.

Por cá, temos uma eleição presidencial desgraçada. Só há um cadidato que permite alimentar alguma esperança, não se sabendo se sequer chega à segunda volta, e não existindo forma de fundamentar essa esperança em alguma prova tangível.

O que se passa no Ministério Público não começou no ano passado, nem no anterior, nem no anterior. Começou, exuberantemente, em 2009. De lá para cá, tem sido aproveitado pela direita, depois pela extrema-direita. A avaliar pelas sondagens, uma parte cada vez maior da sociedade aprova os atentados contra a democracia, as violações do Estado de direito e os crimes cometidos por magistrados. Parte maior desta gente já existia, outra acaba de chegar à idade adulta sem perceber nada de nada de coisa alguma. Perderam a vergonha, foram normalizados por quem faz da política o vale tudo. Para quem só conta o poder pelo poder.

Não escolhemos passar por isto. Mas podemos escolher tentar passar disto.

O parto continua

Não fazemos puto ideia. Do porquê disto e daquilo. Do que aquele fez, do que o outro disse. Não sabemos. Mesmo que eles expliquem, como por vezes explicam, ficamos sem saber. Mas fingimos saber. Deixamos que as opiniões sobre tudo e mais alguma coisa se sirvam de nós para nascerem e se reproduzirem. Somos bácoros presos no frenesim da manjedoura.

Mas sempre foi assim. E foi sempre a coragem que nos puxou da animalidade.

Lapidar

Conjeturas

NOTA

Na prática, a juíza está a demonstrar, mutatis mutandis, que o perigo de fuga invocado para se ter prendido Sócrates em Évora foi completamente infundado. Ou seja, foi uma opção injustificada do Ministério Público e de Carlos Alexandre, violando os direitos e garantias de Sócrates e confirmando que se estava perante um processo político.