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Exactissimamente

Devemos deixar falar aqueles que querem acabar connosco?

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NOTA

O texto de Miguel Romão problematiza a questão – aliás, núcleo de questões até bem diferentes – do convite a Marine Le Pen para participar no Web Summit como oradora. Nesse seu questionamento deixa uma visão na qual me revejo, a de que a força da democracia está na sua fraqueza extrema, na sua permissibilidade para ser atacada a partir do seu seio libertador. Nesse risco máximo encontramos a sua mais funda razão de ser, a sua glória, ao acabar por derrotar os inimigos da liberdade apenas recorrendo à liberdade. Algo tão difícil, e tão belo.

Apesar de concordar com o autor, e de preferir ver a senhora confrontada com argumentos perante os quais tivesse de responder, concordo igualmente com aqueles que querem boicotar o convite invocando o apoio do Estado ao evento e o direito a recusar tal associação em nome dos valores constitucionais que perfilhamos em Portugal e sua interpretação por parte de quem se insurge politicamente contra Marine Le Pen. Esse activismo, esse combate, é igualmente uma manifestação essencialmente democrática.

Bué da bom

Um bom artigo jornalístico não é aquele onde se mastiga a realidade para a servir numa papa insossa e liquefeita ao leitor, ouvinte ou espectador concebido como alimária a ter de ser alimentada à força. Um bom artigo jornalístico não é aquele onde o pavio é tão curto que apenas ilumina a jactância dos autores e a agenda editorial. O jornalismo, concebido como referência, não almeja contar a “verdade” – como aqui se vende ao patego – dado que o preço a pagar por se agarrar a “verdade” numa mão é invariavelmente usar a outra para a violência; recordando a sapiência do futurista Agostinho da Silva.

O jornalismo enquanto ideal de intervenção cívica que desperta vocações apaixonadas é sempre, e para sempre, um exercício que acrescenta inteligência especializada à inteligência generalizada. Na sua forma mais básica confunde-se com a informação, a mera transmissão de um facto bruto, imediato, literal e, portanto, inevitavelmente parcial e ambivalente na sua veracidade relatada. Nos seus modos desenvolvidos, o jornalismo é testemunho, enquadramento, reportagem, investigação e opinião. Pelo meio, pode assumir formas híbridas, onde se reúna na mesma peça o rigor da objectividade com a criatividade da subjectividade. O que nasce das idiossincrasias autorais, desde que respeitando a deontologia da profissão, continua a ser um exercício de puro jornalismo ao trazer para o espaço público acrescentos de inteligência acessíveis a diferentes literacias e com potencial para estimularem outros exercícios congéneres entre o público.

Eis um exemplo, onde temáticas complexas e melindrosas aparecem tratadas com a profundidade facilitada que só o bom jornalismo é capaz de produzir: Madonna crucificada: feminista mártir ou martírio do feminismo?

Revolution through evolution

Men are still more likely than women to be perceived as leaders, study finds
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Men take care of their spouses just as well as women (new research suggests)
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Do mothers’ parenting attitudes & behaviors change with their first- and second-born?
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Chemists discover how blue light from digital devices speeds blindness
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Exercise linked to improved mental health, but more may not always be better
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Differences in social status and politics encourage paranoid thinking
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Pass the salt: Study finds average consumption safe for heart health
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Bronquite crónica

«Também compreendo que pessoas mais ligadas a Passos Coelho se irritem por Rio parecer não contar, ou mesmo renegar, o legado do anterior líder. Talvez seja essa a pior coisa que faz. Porque, se formos ver com alguma calma, a ação deste Governo, apesar da sua popularidade e do clima de otimismo e confiança que provocou, é, em si mesmo, uma homenagem aos esforços do Governo anterior.»


Henrique Monteiro

Revolution through evolution

You are more motivated to improve yourself when you give others advice
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Kissing up to the boss can increase employees’ bad behavior in the workplace, study shows
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Eating crickets can be good for your gut, according to new clinical trial
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Whales use song as sonar, psychologist proposes
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Great tit birds have as much impulse control as chimpanzees
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Are caries linked to political regime?
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Baby talk words build infants’ language skills
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Levem mais vezes o Soeiro à rua, por favor

«Estes episódios ensinam-nos por isso também alguma coisa sobre dirigentes políticos e colunistas cuja indignação é seletiva e cujo duplo padrão em termos de exigência é uma máscara para o oportunismo. A política não pode, evidentemente, ser um exercício de clubismo ou de lealdades afetivas: é curiosidade, humildade, capacidade de aprender com o que fazemos. Mas a política é combate. E não nos deixemos distrair: ele está aí – e em força.»


José Soeiro

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Este senhor é licenciado e doutorado em Sociologia. Este senhor é deputado desde 2005. Este senhor tem uma página na Wikipédia com a sua biografia (e foto). Porém, contudo, todavia, chegou ao Verão de 2018 a precisar de uma inaudita e pícara crise no seu partido para aprender “alguma coisa sobre dirigentes políticos e colunistas cuja indignação é selectiva e cujo duplo padrão em termos de exigência é uma máscara para o oportunismo.” Que se passará com este senhor?

Uma hipótese é a de estarmos perante um perfeito e acabado taralhouco. Embora a coloque em último lugar na lista das possíveis explicações, não a vou descartar até prova em contrário. Outra hipótese remete para a sua faceta artística e a proverbial distracção dos mesmos. Pode ser que a vida no palco o tenha isolado numa bolha impermeável à cruel realidade dos padrões dúplices. E por último, dado o adiantado do termómetro, podemos ainda conceber a hipótese de ser esta denúncia contra o oportunismo o exercício de um oportunismo ainda mais agudo. Ver um deputado do BE, um doutorado em sociologia, um político profissional a agitar a bandeira da “curiosidade” e da “humildade” contra o “clubismo” e as “lealdades afectivas” como práxis política não permite sequer que nos comecemos a rir. Ficamos logo no estado preconizado pelo autor acima citado: prontos para o combate contra a sonsaria de todas as cores e densidades.

Mas não dá mesmo para o levares contigo, David?

David Dinis escreveu o seu último editorial no PúblicoO que aqui vos deixo – e os leitores interessados no destino desse jornal têm boas razões para festejar. Ao contrário do que o seu paupérrimo auto-elogio intenta, este director só poderá reclamar louros pelas “newsletters personalizadas” (sic). O resto foi a tentativa, infelizmente conseguida, de continuar a linha editorial do José Manuel Fernandes na fase da vingança contra Sócrates e o PS. Um Observador disfarçado de “jornalismo de referência” para cobrir mais uma área de pretensa influência social e política a favor do PSD e restante malta, terá parecido boa ideia à Sonae em 2016 depois da impotência de Bárbara Reis para salvar o projecto. Ideias com eficácia para conquistar leitores dispostos a pagar pelo serviço é que nicles batatóides. Pelos vistos, fartaram-se da receita. Uma receita onde o sectarismo e a cultura da calúnia, ora de forma sonsa no registo do David Dinis ou descarada e sistemática pelo teclado dos caluniadores profissionais, foram o que de mais memorável se regista nestes quase dois anos.

Assim, parabéns a quem compôs a página da edição digital onde podemos descobrir o que é que o Sr. Dinis realmente deixa no jornal. Até para um mau entendedor esta sintaxe gráfica não oferece qualquer dúvida.

És tão bronco, Monteiro

[...]

Recapitulemos: desapareceu uma quantidade apreciável de material. Foram demitidos temporariamente (cito, porque não sei que figura é esta) seis comandantes, aliás de forma canhestra. O ministro duvidou que fosse um roubo. Diversos conhecedores destes meandros colocaram a hipótese de o material ir desaparecendo aos poucos, até chegar o momento do inventário, perante o qual se ‘inventava’ um roubo. Mais tarde, o material aparece, não muito longe, na Chamusca, e entre ele está uma caixa a mais. Uma pessoa com alguma responsabilidade ou um sentido próximo de responsabilidade, neste ponto já acharia que andavam – literalmente – a gozar com a tropa. Mas manteve-se tudo sereno. Até que há semanas este mesmo jornal noticiou que continua a faltar material. Perante isto, o Parlamento quis, de novo, ouvir o Chefe do Estado Maior do Exército (CEME) que lá foi mostrar a sua perplexidade. Nada tem a acrescentar ao que já tinha dito há meses, disse.

[...]

O nosso Comandante Supremo, o Presidente da República, tem, de quando em vez, dito que quer tudo esclarecido. Talvez seja altura de dar um murro na mesa. Ou, em alternativa, deixar passar mais um ano. Pode ser que apareçam outras caixas de que ninguém estava à espera. Pode bem acontecer que, antes de um inventário qualquer lá ponham o que falta ou outra coisa qualquer inesperada. E, se assim, for, tudo pode ficar na mesma. Afinal para que queremos material militar? Agora andamos preocupados com outras coisas. Com o turismo e o calor, por exemplo…


Tancos: uma história de impunidade

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É o pacote completo. Sensacionalismo, mentira, chicana. O Monteiro também tem de preencher a página. Então, prefere teclar para os seus amigos de jantas e almoçaradas. Raios, estamos no Expresso, o jornalismo pode esperar e as opiniões fluem melhor com sabor a laranja.

Tal como Pedro Mexia no “Governo Sombra”, no que reforça a candidatura a bronco ilustrado, este infeliz não resiste a martelar na pulhice de que o ministro da Defesa teria duvidado que se estivesse perante um roubo. É ainda, e para sempre, a exploração da deturpação feito pelo DN na famosa entrevista onde Azeredo Lopes se esforçou com zelo cirúrgico para explicar que não era ele quem estava a investigar o caso – donde, por inerência, e por absurdo, admitir qualquer desfecho da investigação, inclusive esse de se concluir por outra explicação para o desaparecimento do armamento que não implicasse furto.

O Monteiro abomina a serenidade, prefere a algazarra, o enforcamento de um bode expiatório qualquer, murros na mesa. A culpa não é de Marcelo nem da Joana, coitados, a culpa é dos socialistas que se limitam a deixar a Justiça agir sem qualquer interferência do poder político. Que pena o bondoso Passos já não estar no Governo para o bronco do Monteiro nos poder ensinar as virtudes da separação de poderes e da santa paciência perante um caso tão complexo como este.

Revolution through evolution

Despite Negative Consequences, Benevolent Sexism Helps in Search for Mate
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Making love can make men sad too
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Empathetic dogs lend a helping paw
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The Scream: What were those colorful, wavy clouds in Edvard Munch’s famous painting?
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Adherence to healthy diets associated with lower cancer risk
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Artificial Intelligence Can Predict Your Personality… Simply by Tracking Your Eyes
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Why People Vote Against Their Interests: The Government-Citizen Disconnect
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Daniel Oliveira e Rui Rio, a mesma tropa-fandanga

Daniel Oliveira e Rui Rio fazem uma mui improvável parelha, mas a política junta estranhos parceiros de cama, como (não) disse o bardo inglês. No caso, falamos de beliches em camaratas militares. Falamos de Tancos, esse outro incêndio de 2017.

Saímos do texto Quem tem medo da verdade de Tancos? sem ter acrescentado qualquer inteligência, sequer qualquer informação, ao que calhe cada um saber do caso do armamento desaparecido, devolvido e supostamente ainda em falta no depósito de Tancos. É um texto nascido da obrigação contratual do Daniel, imagino, o qual cumpre a função principal de encher a página. Todavia, para os apaixonados pela política, o exercício tem algo digno de registo. O modo como, do princípio ao fim, o autor alega existir uma qualquer responsabilidade do Ministro da Defesa, portanto do Governo, pela situação nunca aparece fundamentado. Aliás, não é possível saber a que se refere apenas lendo o artigo e desconfio que não conseguiria responder se lhe perguntassem ao vivo. Num publicista, esta superficialidade demagoga e a raiar o calunioso é totalmente irrelevante. Estamos no reino da política-espectáculo e o povo não se importa com a palhaçada ou até a prefere. E num político?

Nestas declarações – Tancos: Rui Rio não exclui eventual comissão parlamentar de inquérito – aparece-nos o líder da oposição a apontar para o Ministro da Defesa na véspera da sua audição no Parlamento. O presidente do PSD não diz nada de nadinha de nada que permita acrescentar inteligência, sequer qualquer informação, ao que calhe cada um saber sobre o caso. Em vez disso, arma-se em fanfarrão, recorre à baixa política e continua a atirar areia para os olhos do patego. O dia passou, Azeredo Lopes foi repetir pela quinta vez aos deputados que não trabalha no Ministério Público e estes agitaram uma folha do Expresso como se o Ministro da Defesa fosse um assalariado de Balsemão e tivesse responsabilidades na estratégia de desgaste e ataque políticos contra o Governo e o PS seguida pelo mano Costa a mielas com o poeta-Guerreiro. E prontos, assim se gastaram mais umas horas na Assembleia da República.

A profunda e táctica relação de Tancos com os incêndios de 2017 é fácil de estabelecer. Após a gafe de Marcelo em Pedrógão e o estado de ebulição da direita decadente, o caso do armamento desaparecido permitiu apontar todas as baterias partidárias e mediáticas contra Azeredo Lopes, assim aliviando a tensão na direita oferecendo-lhe uma vítima sacrificial que, em simultâneo, permitia usar os mortos de Pedrógão para a chicana e para a violência sectária através da figura da “falência do Estado”. Tancos aumentava a fúria dos comentadores e representantes partidários do PSD e CDS, juntamente com vários imbecis que entraram nesse comboio, os quais através da algazarra persecutória conseguiram esconder que o caso do armamento roubado era, desde o início, uma pasta directamente ligada a Marcelo Rebelo de Sousa e a Joana Marques Vidal. Tudo o que se tem vindo a saber do episódio, com especial enfoque na disfunção e desconfiança institucional entre a Judiciária civil e militar, só reforça a primeira responsabilidade desses dois protagonistas; um porque é o Comandante Supremo das Forças Armadas, a outra porque lidera a Procuradoria-Geral da República. Este contexto tem especial importância quando nos recordamos que a direita decadente dispõe de impérios mediáticos que cometem sistemáticos crimes através de cúmplices no Ministério Público, e ainda por esta mesma indústria da calúnia estar em campanha alegre pela anómala recondução da santa Joana.

Rui Rio e Daniel Oliveira têm em comum uma imagem de integridade. Não duvido dela, no sentido em que acredito que nenhum é hipócrita. Ambos pretendem dar o seu melhor nos diferentes papéis que assumem, vai sem discussão para mim. Mas, então, foda-se, caralho, como é que se permitem alinhar com uma deturpação tão cavilosa como esta de se estar a exigir ao Ministro da Defesa aquilo que nenhum órgão de investigação, militar ou civil, conseguiu ainda apurar? É só por estupidez? Quem me dera que fosse, porque as alternativas são muito mais sinistras.