Todos os artigos de Valupi

Revolution through evolution

Financial Abuse of Older Adults by Family Members More Common Than Scams by Strangers
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Dietary choline associates with reduced risk of dementia
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Flavonoid-rich diet protects against cancer and heart disease, study finds
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Societies that favor generalists are less well-connected than those societies that favor specialists
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Individuals are swayed by their peers, leading to more severe punishments
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Testosterone has a complicated relationship with moral reasoning, study finds
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Winning Coaches’ Locker Room Secret
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Os cínicos e os demagogos nunca se enganam e raramente têm dúvidas

É hoje claro que o Governo tinha suspeitas vindas dos serviços de informação do Estado que davam como provável, num qualquer grau, um cenário de greve dos motoristas com graves episódios de insubordinação, boicotes e alteração da ordem pública. Isto com o País literalmente em trânsito por causa das férias. Neste cenário, os fenómenos de pânico social poderiam ser devastadores e sistémicos. Algo aproximado a um ataque terrorista de grande escala ou cataclismo natural.

Os cínicos e os demagogos fazem o que podem, dizem que a dramatização dos governantes foi artificial, excessiva e até desejada ou mesmo planeada para obter ganhos políticos (parece que tal preocupação com a segurança e qualidade de vida de milhões de pessoas provoca “maiorias absolutas”, garantem essas grandes inteligências). O facto é que ninguém se atreve a sugerir o que deveria o Governo ter feito que fosse substantivamente diferente, apenas querem morder na canela da perna a que se agarram desesperados com medo de ficar para trás.

Quanto a problemáticas conexas, como a lei da requisição civil e a justiça que assiste aos motoristas nas suas reivindicações, ainda bem que se discutem. Não consta é que os cínicos e os demagogos pretendam dar-lhes palco.

Será desta que vamos acabar com a asfixia democrática?

O tema da “asfixia democrática” – lançado por Paulo Rangel no discurso do 25 de Abril de 2007 na Assembleia da República e tendo usado originalmente a expressão “claustrofobia democrática” para se referir à nomeação de Pina Moura para a Prisa, esse tal perigoso socrático que viria a dar a TVI ao casal Moniz para lançarem desde o Verão de 2008 um festim de calúnias a partir do Freeport até às eleições legislativas de 2009 – teve um sucesso que se prolonga pelos nossos dias. Para isso muito contribuiu o apelo de supina beleza poética, a real embriaguez mística, de imaginar que no país do grupo Renascença, do grupo Impresa, do grupo Cofina, da Newshold, da Media Capital e da Sonae, a que se veio juntar o Observador, os meios de comunicação e os jornalistas estavam (ou poderiam ficar) controlados, dominados, asfixiados por um grupo de socialistas fechados em S. Bento ou escondidos numa cave do Rato. Foi neste estado alterado de consciência que o Rangel foi para Estrasburgo berrar no Parlamento Europeu que Portugal deixara de ser um Estado de direito porque o Mário Crespo tinha visto um texto seu ser recusado pelo editor do JN. Um texto calunioso e odiento, recusado por uma entidade privada. Culpado? Sócrates, garantiu ao tempo esse paradigma da honestidade intelectual que vem de fazer uma campanha para as Europeias inspirada na sua vocação mais querida, a qual teve os lindos resultados que se conhecem. Pacheco Pereira viria a superar Rangel na campo da exploração política e comercial da “asfixia democrática”, tendo acabado fechado numa saleta da Assembleia da República a chafurdar na privacidade de um concidadão que odiava.

Agora, a Cofina vai comprar a TVI. E os cidadãos preocupados perguntam se chegará para começar a romper a asfixia, a deixar entrar o puro ar da liberdade como só a indústria da calúnia consegue fornecer. Não será melhor entregar também a RTP a alguém sério e isento, como o José Rodrigues dos Santos ou o Adelino Faria, ou mesmo o casal Moniz que conhece de ginjeira a casa, ou pedir à Cofina se faz a gentileza, o esforço, de pôr a estação pública na ordem, desinfestando-a dos perigosos socráticos, essa peste rosa?

É que já chega de asfixia democrática, fosga-se. Um gajo abre o Diário da República e está sempre a levar com os socialistas aqui e ali, por causa disto e daquilo. Que sufoco.

Referência de merda

O editorial de Ana Sá Lopes – Agit-prop sem vergonha nenhuma – podia ter sido escrito pelo Manuel Carvalho, sem tirar nem pôr. Por aqui, o editorial faz sentido ao manter a coerência ideológica do jornal num exercício de mimetismo. Não sugiro que a senhora imitou o senhor intencionalmente, antes que ela foi escolhida por ele para a sua equipa directiva por se saberem siameses no sectarismo enchouriçado e na mediocridade intelectual.

Nada mais faz sentido nos cinco parágrafos despachados com desleixo e broncoconfusão. Desde a premissa alucinada, de que o Governo está a lidar com a ameaça de paralisação económica e social do País como se estivesse numa arruada no Chiado, passando pela redução da dimensão política e estatal à sua transformação em conteúdos mediáticos avulsos, até ao uso de Sócrates como argumentum ad Hitlerum. O desvairo é tamanho, a estupidez é tanta, a pulsão do ódio atinge tal nível, que chega a fazer de Pedro Silva Pereira, tranquilamente um dos mais bem preparados políticos da história da democracia portuguesa, uma caricatura onde apenas se reconhece a impotência e putrefacção da própria autora.

Dentro de umas horas, o escrito irá desaparecer da atenção do público. Amanhã, só com esforço alguém recordará a coisa. Daqui a uma semana, ninguém será capaz de lembrar seja o que for que lá tenha ficado pespegado. Contudo, dizer que é inócuo será errar. O que sobressai no exercício é a involuntária exposição de uma concepção do jornalismo que é tóxica, corrosiva e poluente para a cidade. O problema nem sequer está no estilo e no conteúdo deste editorial, o qual passaria sem a mínima estranheza se fosse mais uma opinião no Observador, no esgoto a céu aberto, na Sábado ou até no Expresso. O problema está na antinomia entre os estatutos do Público e a prática começada por José Manuel Fernandes num certo dia após uma certa OPA. De lá para cá, e através dos sucessivos directores e conjunturas, pode-se dizer que este jornal continua a ser uma referência – só que passou a ser uma referência da decadência deontológica e do culto da irracionalidade no afã de querer influenciar o jogo político.

O jornalismo que vai sobreviver será o exacto oposto do chiqueiro em que o Público se alimenta e dá a comer.

Revolution through evolution

Music was form of resistance for women during Civil Rights Movement
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Warning to adults: Children notice everything
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Older adults more likely to condemn even accidental harm
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Why stress and anxiety aren’t always bad
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Optimistic people sleep better, longer, study finds
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Dirty laundry: Over-sensationalized scandal can actually be a job saver for strong performing leaders
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Many Post on Social Media Under the Influence of Drugs – and Regret It
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#com-pressa

Usar as primeiras semanas de Agosto para mostrar ao eleitorado o que dá para fazer com um suporte de comunicação que no século XIX já era considerado antigo, eis o que a Iniciativa Liberal conseguiu produzir para animar os jornalistas que nos ajudam a entender o quotidiano enquanto os seus colegas estão a banhos e passeios. A acção deu direito a aparecer nos jornais e nas televisões embrulhada em elogios. Mais um grande triunfo para a IL.

É facto que, na campanha para as Europeias, este ousado partido fez cartazes giríssimos, a anos-luz da concorrência quanto à sua qualidade, quanto à sua pugnacidade, quanto à sua tão sua. Se as minhas palavras a respeito não forem credíveis, basta ler o que os autores apregoam:

Nas Eleições Europeias fizemos uma das campanhas mais inovadoras e elogiadas dos últimos anos. Nas próximas pode ser…

Publicado por Iniciativa Liberal em Sábado, 27 de julho de 2019

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Alcançou tanta criatividade, brilhantismo, estupenda genialidade 8×3 alguma conquista política? Sim, claro, raios parta a pergunta a cheirar a socialismo. Por exemplo, tiveram mais 1898 votos do que o PCTP/MRPP, assim afastando esse monstro vermelho dos centros de poder na Europa e garantindo novo ciclo de liberdade para o Ocidente. E ficaram a uns míseros 139 382 votos de ultrapassarem o PAN e meterem o Arroja em Bruxelas; registe-se e compare-se com o Movimento Alternativa Socialista que para tal (mas sem a parte do magnífico Arroja) precisaria de 161 861 votos… Inchem, porcos socialistas!

Na verdade, acreditando no que dizem em público, é possível que este inovador partido não queira eleger ninguém. Talvez tudo se resuma a “dar que falar”, como publicitam para uma audiência de mediático-dependentes. Nesta hipótese, “chegar mais longe” significa tão-somente “dar mais que falar”. O ser-se falado ficaria como critério único da realização política deste grupo de cidadãos que parecem estar a lixar-se para as eleições. Daí pedirem dinheiro ao bom povo amante de um cartaz de arrebimbomalho logo pela fresca a caminho do trabalho, não andam a pedir dinheiro ao outro povo aborrecido que prefere partidos com ideias, soluções e projectos que digam respeito às actividades legislativas e executivas. Com mais pilim a IL irá fazer “outdoors” ainda mais espectaculares, uma coisa nunca vista, hipnótica. Em vez de política e de futebol vamos todos ter de andar a falar das brincadeiras dos liberais à portuguesa, e será impossível acabar com o palratório dada a espectacularidade das peças erguidas aqui e ali. Venha o carcanhol, portanto e rápido, pois este é o partido que se especializou em cartazes à beira da estrada.

Desfrute-se deste atordoante exemplo:

À cabeça, um golpe sofisticadíssimo de psicologia invertida. É inevitável tropeçarmos nesta técnica no YouTube quando se procura por “puto não quer comer a sopa” mas desafio a malta a descobrir um vídeo desses com um fundo azul tão bonito como o deste cartaz. Ah, pois é, bebé… o marketing político desta gente está muito acima do que se fez por cá nos últimos 200 anos a mando dos socialistas. Num país sem socialistas, a IL poderia ter ficado apenas pelo cabeçalho, um homérico “NÃO VOTES INICIATIVA LIBERAL” a ocupar toda a mancha disponível. Quem não é socialista de imediato percebe o que lhe estão a pedir e desata a correr para uma assembleia de voto. Todavia, com os socialistas as coisas são mais complicadas, precisamente por causa do socialismo que lhes foi colocado nos cérebros com uma seringa espetada atrás da orelha. O socialismo injectado chega aos neurónios em poucos segundos e bloqueia as sinapses, tornando as vítimas incapazes de reagir perante um espampanante “não” na via pública tal como reagem as crianças não contaminadas pelo socialismo. Daí o “subheadline” explicativo, no caso uma premissa ligada aos gostos dos socialistas e suas doenças ideológicas. Este complemento é igualmente uma manobra de psicologia invertida, levando o incauto socialista que chegue ao fim da leitura a ficar apanhado num vórtex de radicais inversões. Será que gosta de esperar meses por consultas? Não, acaba por admitir em esforço. Devo, então, não votar na Iniciativa Liberal, como o cartaz indica, pergunta-se o infeliz do socialista com temor e tremor depois da confissão inicial. Súbito, a epifania cartazista. Não ao não por causa do outro não que é afinal um sim mas ao contrário do seu próprio contrário, eis o percurso lógico construído pelos engenheiros das campanhas da IL para libertar o socialista do socialismo. Uma complexidade argumentativa nunca antes vista em cartazes por esse mundo fora mas necessária para lidar com a ruindade dos socialistas em Portugal.

A minha vizinha do 4º andar fez notar que a mensagem da IL não se compromete com nada. Nem com a diminuição do tempo de espera das consultas, nem com a manutenção do calendário aludido, nem com o seu aumento. Nada prometendo, nada têm de explicar. O mecanismo de persuasão é estritamente subjectivo, uma questão de falta de gosto. Não gostas de não sei quê, então dá cá o voto e fica caladinho. Querendo impressionar a minha vizinha, saquei de uma análise que faria a delícia de um vero liberal. Mostrei-lhe que a IL estava a ser discriminatória para com aqueles que gostam de esperar meses por uma consulta e que, contra as expectativas do senso comum e em nome da liberdade, ainda assim gostariam de votar neste avançadíssimo partido. Eleitores que agora ficaram oprimidos por um cartaz que lhes proíbe tal gostinho. Uma (provável) minoria desprezada pelos (supostos) herdeiros da filosofia política cuja essência é precisamente a defesa absoluta das minorias e da individualidade contra todas as formas de discriminação, contra as tiranias. Passámos o resto da noite a calcular o número dos atingidos pelo ostracismo em cartaz, fazendo contas aos pressupostos não desvendados – onze meses de espera, dois, algo pelo meio?; haveria variação de gosto por especialidade da consulta?; e se a consulta fosse para cravar um atestado médico daqueles que permite ficar em casa a sacar do belo sem fazer nenhum, a utopia do socialista português, quantos é que esperariam meses, e até anos, no maior contentamento tendo em conta o prémio em causa? Quando a aurora de rosáceos dedos nos separou estávamos exaustos e felizes. Afinal, era mesmo como a IL tinha dito. Apetecia ficar a botar discurso sobre os seus cartazes durante toda a eternidade e mais um quarto de hora.

Mas já chega de falar desse cartaz da IL, falemos antes deste:

Aqui temos a IL a escrever novos capítulos na história da propaganda política, neste caso inventando o que ficará conhecido como a “campanha do emplastro”. É só vantagens: não é preciso pensar em mensagens originais, não é preciso criar uma linguagem visual própria e distintiva da concorrência, nem sequer é preciso fritar os miolos à procura da localização mais vantajosa para as peças de comunicação. Para quê o gasto, em tempo e recursos, se os malandros dos socialistas já trataram de tudo? Pelo que só resta imitá-los, concluíram os crânios da IL mais vocacionados para a economia de esforço. Porém, e apesar da diabólica tentação para colocar um cartaz exactamente igual cuja única diferença seria um autocolante da IL pespegado na parte de trás da estrutura, era preciso introduzir algumas diferenças sob pena de serem apanhados a trabalhar para a duplicação dos cartazes socialistas. Que poderia ser? Tinha de ser algo que desse para rir, quanto a isso não havia dúvidas. Foi assim que chegaram a uma lista hilária: fantasma do nepotismo, flagelo dos fogos, doentes falecidos, aumento da riqueza e defesa do Estado. Como resistir à gargalhada? Quem é que se aguenta sem se cuspir e rebolar no chão agarrado à barriga com a imagem dos socialistas a chamar os primos para incendiar florestas e impedir os bombeiros de actuar, com a imagem dos socialistas a marcarem doentes em listas de espera para impedir que sejam tratados, com a imagem dos bravos da IL a recusarem receber impostos que resultam de haver menos desemprego e mais actividade económica, com a imagem dos heróicos liberais da libérrima IL a pedirem mais e melhores serviços públicos? Estamos perante um exercício de humor que, finalmente, supera a mortal “The Funniest Joke in the World” dos Monty Python. Genocídio da honestidade intelectual e da decência.

Esta acção posiciona a IL como uma jota. A sua menoridade e irresponsabilidade não é apenas assumida, é celebrada pelos próprios. Na pressa de quererem parecer adultos, o que apenas almejam colocar no espaço público é uma compressa que de imediato se ensopa na sangria intelectual e moral em que se encontra a decadente direita portuguesa.

O ridículo não mata, fica definitivamente provado

«Já agora, aproveito eu para deixar uma sugestão de leitura a Mariana Mortágua: The Believing Brain – From ghosts and gods to politics and conspiracies, how we construct beliefs and reinforce them as truths, de Michael Shermer. A tese do livro pode ser resumida assim: primeiro, nós formamos as nossas convicções; depois, vamos à procura dos argumentos que as sustentem. O nosso cérebro é uma máquina de produzir crenças (por uma excelente razão biológica e antropológica — é aquilo que nos permite viver em comunidade com milhões de pessoas que nunca vimos mais gordas), às quais nos afeiçoamos tanto que temos dificuldades em abandoná-las mesmo quando há evidências gritantes de que estão erradas (Galileu que o diga). É de tal forma forte a ligação emocional que nós estabelecemos com certas ideias, que o nosso cérebro distorce o mundo, se necessário for, só para proteger aquilo que tem como as suas crenças mais profundas.

É importante ter consciência deste mecanismo para que, imbuídos do melhor espírito científico, nos esforcemos por corrigir o excesso de crendice que de forma despercebida vamos impondo a nós próprios. O curioso nas escolhas de Mariana Mortágua é elas revelarem um desejo evidente de reforçar as próprias crenças e um manifesto desinteresse em contactar com ideias fora do seu quadro mental. Por isso, até podendo ser bons livros, são más sugestões de leitura para férias.»


As leituras para férias de Mariana Mortágua

Silly party

No campo das mensagens disparatadas, no caso completamente avariadas dos cornos, que quer isto dizer? Que a outrora estrela de Passos Coelho, enviada para Loures para correr com os esquerdalhos com promessas racistas e xenófobas numa campanha que apelou ao medo, quer transformar Portugal num país onde só existem patrões?

Revolution through evolution

Marital infidelity and professional misconduct linked, study shows
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Infants expect leaders to right wrongs
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‘Tickle’ therapy could help slow aging, research suggests
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Socially active 60-year-olds face lower dementia risk
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People who eat dark chocolate less likely to be depressed
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Cheater, cheater: Human Behavior Lab studies cheating as innate trait
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The language of leaving: Brexit, war and cultural trauma
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Costa nas muralhas da cidade

António Costa regressou ao convívio com os seus grandes amigos da política-espectáculo, Lobo Xavier e Pacheco Pereira: Circulatura do Quadrado – 11 de Julho. O evento não teve qualquer repercussão no comentariado que a minha distracção tenha apanhado. No entanto, e a vários níveis, é mais uma peça notável deste trio onde se pode ver o invisível da política nacional.

A chegar ao minuto 40, o Pacheco avança para a grande paixão da sua vida, entretanto amainada dado estar satisfeito com o auto-de-fé em curso mas ainda viva dado o investimento emocional e afectivo. Eis como ele apresenta a acusação:

«O PS permitiu, durante muito anos, o ascenso político no seu interior de pessoas... e aqui não é um problema de saber se foram julgadas ou não foram julgadas, isso é um problema da lei; é um problema de comportamentos. Quando o antigo primeiro-ministro diz que não usa dinheiro, que não usa cheques e que pretende pagar tudo com dinheiro vivo, quando coloca bens em sítios terceiros, quando vive de rendimentos não conhecidos por favores de amigos, há uma enorme obrigação, há muito tempo, de haver um corte, muito sério, no Partido Socialista em relação ao antigo primeiro-ministro José Sócrates. O antigo primeiro-ministro José Sócrates teve casos durante todo o tempo em que esteve dentro no PS. Como tinha poder, ninguém ligou nenhuma. Ou então remete para uma falsa ideia de que a ética republicana tem a ver apenas com os julgamentos e com o comportamento da Justiça. Não. Uma das razões porque o populismo cresce em Portugal é porque os dirigentes partidários mostram uma considerável indiferença em relação à corrupção no interior dos seus partidos, e permitem que pessoas façam carreiras quando toda a gente sabe que aquilo não é certo; e toda a gente sabe. [...] A gente dava um pontapé numa pedra e saía o Engenheiro Sócrates debaixo da pedra, em praticamente todas as coisas. Eu só estou a falar de coisas que ele admitiu fazer, nem sequer estou a falar das coisas que têm a ver com a "Operação Marquês" e com as conclusões. Portanto, se há um aumento do populismo em Portugal isso tem muito a ver com o facto de os partidos não serem muito duros com a corrupção no seu interior. E Isso significa que não podem permitir no seu interior carreiras de pessoas que se percebe que eram pobres e passam a ricos. E isso não depende apenas da investigação do Ministério Público ou dos julgamentos, depende também da nossa obrigação de saber o que se está a passar. Porque nós sabemos o que se está a passar. Dentro dos partidos, um dirigente sabe o que se está a passar, conhece o que se está a passar. Sabe que há práticas admitidas que são inaceitáveis. E, por isso, se há responsabilidade no crescimento do populismo em Portugal, passa muito pelo Partido Socialista, porque o caso do Partido Socialista é muito mais grave do que é no PSD. No PSD há o caso do Duarte Lima. [...] No PS, há um conjunto de pessoas que puderam fazer carreira no partido sem que nunca tivessem sido prejudicados pela circunstância de haver comportamentos que são absolutamente inaceitáveis

Trata-se de uma juliana de porcarias. O Pacheco não preparou a intervenção, ficou evidente. Entrou no estúdio para literalmente falar de cor, para virar mais um frango no seu ganha-pão, a indústria da calúnia. Saiu-lhe o discurso atabalhoado e repetitivo mas cumpriu o objectivo de se fantasiar de paladino da moral e da virtude enquanto continuava a perseguir Sócrates. Por saber que não seria contraditado, que nada teria de justificar, a displicência do seu argumentário espelha a obesa impunidade em que enche os bolsos. Mas olhemos para o subtexto, de que está a falar o Pacheco?

A ideia principal, de manual de retórica, consiste em apelar à identificação da audiência. O que o marmeleiro está a dizer é tão-só o que “toda a gente sabe“. Logo, o seu lugar de partida institui-se como indiscutível na economia do seu discurso, é aquilo a que os ingleses (os cultos, os que tinham aprendido latim) chamaram “vox populi”. Ora, o bom povo está farto de saber que os políticos são corruptos, que os partidos são escolas e antros de corrupção, que isto acontece assim desde que a água dos rios corre para o mar. O bom povo já julgou, condenou e transitou em linchado Sócrates. Apesar da falta de novidade, este número em que aparece alguém a tocar a mesma cassete populista pela enojéssima vez funciona e permite viver à pala disso calhando ter-se um descaramento debochado. É o caso do Pacheco.

Ir buscar informações vindas a público em 2014 e 2015 – as quais, nesta altura pelo menos, apenas são factuais para a esfera privada e pessoal de Sócrates e que não permitem estabelecer uma culpabilidade de corrupção por si só – para castigar um partido de poder e seus dirigentes e responsáveis é sofística, é demagogia, é pulhice. Antes da investigação do Ministério Público era impossível ter ostracizado politicamente Sócrates dentro do PS pela simples e evidente razão de não haver razões para tal. A esta falácia junta-se a outra de se apelar ao critério do boato para abater políticos. O Pacheco jamais aceitaria tal se estivesse activamente em funções no PSD, de imediato denunciando a baixa política indecente do intento, mas eis que, como profissional da calúnia, o está a reclamar para os outros, os alvos da sua agenda. Uma campanha de insinuações, ter órgãos de comunicação social engajados, está aqui a fórmula para decapitar a liderança de um partido e de um Governo, aparece em 2019 a defender para epater les burgessos.

Acima e antes de tudo, no fundo do fundo, a principal mensagem que a vedeta do comentariado nacional espalhou foi esta: “Eu sei que nos partidos andam todos a roubar, por actos e omissões, e que a elite governante medra neste meio.” Dito de outra forma, para este ilustre membro da Ordem da Liberdade o Estado de direito não se aplica dentro dos partidos e, por inerência, aos seus dirigentes, mais os actuais e futuros membros da Assembleia da República, Governo e Tribunais. “E toda a gente sabe“. Toda a gente sabe e concorda, pois a eficácia deste número de revista depende de não haver qualquer consequência na plateia e nos camarotes. A indústria da calúnia precisa de “moralistas” como o Pacheco, alguém que passou pelo Cavaquismo só para conseguir desenvolver teorias e lançar atoardas acerca da corrupção dos socialistas. Daí nunca ter partilhado connosco a logística do Cavaquistão de que foi cúmplice nesse tempo em que o Estado era 100 vezes mais fraco para sequer detectar a alta corrupção, quanto mais combatê-la e puni-la, do que actualmente alcança após as mudanças legislativas precisamente protagonizadas pelo PS e por Sócrates.

Nas duas últimas intervenções de Costa, das melhores de sempre da sua parte, vemos um Lobo Xavier exposto como cavalheiro de indústria e um Pacheco Pereira estatelado ao comprido com um golpe de judo. Imperdível o espectáculo em que a política rechaça nas muralhas da cidade quem vive de assaltar a democracia.

Marcelino pan y vino

O caluniador pago pelo Observador escolheu como 2º convidado da sua 2ª rubrica radiofónica na madraça o João Marcelino. Mais uma vez, do que o caluniador queria falar era de Sócrates. E, mais uma vez, o que o seu convidado lhe disse explica o silêncio da pulharia e das alimárias.

Ouvir Marcelino a oferecer porrada ao palerma do Henrique Monteiro não chega a ter graça. É que esse grupo de vedetas do editorialismo onde também cabem o mano Costa e o poeta-Guerreiro, o David Dinis e o Manuel Carvalho entre outros, os quais estiveram em rotatividade à frente dos poucos órgãos que constituem a nossa comunicação social, são uma presença tóxica, fétida, no espaço público. No caso da “Inventona de Belém”, o Marcelino expõe o Monteiro de uma forma que revela a putrefecção fulanizada do meio. Ao mesmo tempo, o sistema, a estrutura e os poderes fácticos são abafados no seu discurso. Ele nada tem a dizer sobre Cavaco, sobre o PSD, sobre o Grupo Impresa, sobre Balsemão, sobre o Estado de direito, sobre o regime, sobre a comunidade. E o que tem a dizer sobre a Cofina é elogioso, porque gostavam muito dele lá ao ponto de o terem metido em tribunal por ter saído, partilha cândido e soberbo.

O jornalismo português tem alguns profissionais que podemos admirar, incluindo no jornalismo de opinião. Mas a decadência da direita nacional, uma falência no campo financeiro e intelectual, deixou os títeres que moldaram durante décadas a opinião pública com uma agenda de direita reduzidos à sua farronca e fel.

Perguntas simples

Tendo em conta que Costa não consegue controlar golas kitadas e filhos de secretários de Estado, não seria melhor voltar a entregar o País ao Passos, ao Relvas, ao Portas, à Maria Luís e à Assunção Cristas, mas agora reforçados pelo Duarte Marques, Nuno Melo e a equipa que produz, realiza e traz até nós o “Governo Sombra”?