Todos os artigos de Valupi

Dominguice

O procurador António Beirão, em tribunal, criou um momento histórico. Com isto: “Ninguém tem dúvida de que José Sócrates foi objecto de uma campanha que constituiu um assassinato de carácter.” Estamos em 2026. Quem antes, na turbamulta dos linchadores, tinha reconhecido tal? Ninguém de ninguém. É uma declaração chocante porque humaniza a vítima. E isso fica como uma chatice do caralho pois a violência política que deu origem e continuidade à Operação Marquês pede que se desumanize constante e totalmente o alvo. Para que seja violentado de forma maximalista. A declaração surpreende também pela honestidade colectiva que assume, o “ninguém tem dúvida”. De facto, como ter dúvida? Seria igual a duvidar da capacidade do Sol para iluminar e aquecer a Terra.

Aqui neste pardieiro, pelo menos desde 2009 (se calhar antes), deu-se e dá-se muito gasto ao conceito. Não há dúvida que subsome mais de vinte anos da práxis da direita decadente.

Concerteza

Fernanda Câncio, em Novembro, expôs uma caluniadora profissional de nome Ana Henriques e o jornal que lhe paga para essa função: “Fernanda Câncio esquivou-se”. A tal Ana Henriques, e o tal jornal, continuam indiferentes a produzir conteúdos para a indústria da calúnia. Veja-se um recente exemplo:

Uma das estratégias de assassinato de carácter de que Sócrates foi alvo, que até hoje tem obsessivo uso no comentariado e no “jornalismo”, a qual teve em Pacheco Pereira e Manuela Moura Guedes dois dos seus mais patéticos cultores, consiste em retratar o alvo como um ser agressivo, iracundo, demoníaco. É o que a Ana caluniadora faz no trecho citado, carimbando como “hostilidade” a forma sentida como um acusado responde em tribunal ao que considera ser a continuação da diminuição e violação dos seus direitos – agora agravada por vir pela boca de juízes. Daí o seu gosto em grafar a oralidade e despachar pontos de exclamação. Mas a senhora faz mais, chega ao ponto de publicar isto: “julgamento em que responde por ter sido corrompido pelo antigo banqueiro Ricardo Salgado e pelo Grupo Lena“. Ou seja, julgamento inútil posto que a Ana caluniadora já deu como transitada em julgado a acusação dos seus amigos no Ministério Público.

No mesmo dia em que saía isto no pasquim, um dos directores assinava o seguinte editorial: Sócrates contra o Estado, o Estado contra si próprio. Tudo espremido, o fulano achou que os leitores precisavam de conhecer o seu estado de azia por haver um cidadão que estava a usar as leis para se defender em tribunal de uma acusação que considera injusta, falsa e politicamente motivada. Como director-adjunto de um pasquim quis justificar o salário, repetiu a difamação de ser Sócrates o principal responsável pela morosidade do processo e pelos atrasos no julgamento. E no final deixou um aviso, uma visão apocalíptica: “Ai de nós se não conseguem engaiolar o homem!”

É caso para repetir a chinelada que a Ana deixou pendurada no texto, e que não incomodou ninguém no jornal: “Sois pulhas? Concerteza que sois.”

A penas

«[...] Sobre o processo Marquês, que a negligência do Ministério Público fará com que a condenação por corrupção de um primeiro-ministro se tenha apenas feito no tribunal da opinião pública?»

Pedro Marques Lopes

Sou fã do Pedro. E continuarei a ser. Se ele vier a entrar na política como candidato partidário, de algum partido existente ou a inventar, essa será uma excelente notícia para a comunidade. Mas aqui está um exemplo onde os pés de barro da sua defesa da liberdade aparecem desnudos. O Pedro, realmente, acha que Sócrates cometeu crimes de corrupção. Quando? Onde? Como? Com quem? A que troco? Isso já não diz nem conseguiria dizer. Está sozinho nesta crença? Não, ao contrário. Não há estudos, que saiba, mas o número de pessoas que se mantém agnóstica quanto à culpa de Sócrates por corrupção face à acusação do MP talvez não chegasse para puxar uma carroça. E há normalidade nisso, é um fenómeno inevitável.

Entretanto, a corrupção institucional do Ministério Público e de alguns juízes é tão grande que talvez já tenha abolido o Estado de direito democrático por inteiro. O sistema político assiste cúmplice aos abusos e crimes de magistrados. O bom povo nem liga pevide. Também muito, se não for decisivamente, pela anfibologia moral que conseguiu envenenar os melhores da cidade. Como o Pedro.

Como o Pedro que participa num programa televisivo de crítica política onde o que se passou nesta semana com Ivo Rosa foi remetido para uma “nota” de um minuto só de um dos participantes. E onde o que se passou com Rosário Teixeira num tribunal e com João Massano num microfone ficou totalmente apagado. Mete pena.

João Cotrim Figueiredo, muito obrigado

Tiago Antunes “não tem capacidade para ser provedor de Justiça”

No final, o jornalista disse-lhe “João Cotrim Figueiredo, muito obrigado. Até para a semana.” Antes, o gratulado tinha iluminado várias e complexas questões, uma delas esta:

"Tiago Antunes fez parte de um conjunto de pessoas que operava nos blogues no início deste século, blogues que, se soube mais tarde na Operação Marquês, que eram financiados por Carlos Santos Silva. Que se dedicavam sistematicamente, não só à protecção de Sócrates, como no caso Freeport ou no caso da licenciatura tirada ao domingo, que se encarregavam de denegrir os adversários, de intoxicar a opinião pública, de devassar a vida privada, de insultar. Portanto, a forma de fazer política de insulto, esta forma baixa de fazer política que hoje nós tanto criticamos noutros quadrantes, nasceu com estas pessoas. [...] Uma pessoa que não percebe o mal que fez, e o mal que fez à democracia, instituindo o hábito de insultar adversários, o hábito de mentir sobre adversários, devassar a vida pessoal de adversários, é alguém que não tem condições para ser Provedor de Justiça."

É muito difícil escolher por onde começar, neste dilúvio de mentiras e calúnias. Talvez começar pelo começo: o que foram os blogues? Hoje, são anacronismos folclóricos. Entre 2005 e 2015, o período de actividade do Câmara Corporativa, os blogues políticos começaram por ser tertúlias que reuniam pessoas com actividade partidária, jornalistas e interessados das mais diversas origens com um nível de educação superior. Ou seja (até 2008 ou 2009), nos blogues conviviam aqueles que na sociedade estavam mais capacitados para o pensamento crítico. Foi a idade de ouro, marcada por estonteante criatividade e socialização entre diferentes. Que audiências geravam? Irrisórias em volume, muito menos de 1% do que possa ser considerado como comunicação social. Com algum poder de influência mediática por via da frequência de jornalistas, mas mesmo por aí sem qualquer poder editorial nas redações profissionais, obviamente.

A partir do 2009, deu-se um duplo fenómeno: (i) o Facebook atinge massa crítica que torna acto contínuo a blogosfera obsoleta; (ii) a direita usa estrategicamente os blogues como instrumento de campanhas negras. Tendo toda a imprensa na mão, a direita passava a usar os seus blogues como espaços de ensaio propagandístico, e passava a usar os blogues que pudessem ser conotados com o PS como alimento de teorias da conspiração que envolviam, na sua origem, a liderança do PSD, a Casa Civil, o Ministério Público e alguns juízes. Pacheco Pereira, na sua soberba encardida, apontou em 2009 os canhões contra três blogues e jurou que eram produzidos pelo Gabinete de Sócrates. Mentiu (ou alucinou) a soldo do esgoto a céu aberto chamado Cofina, nunca pediu desculpa.

Como (infelizmente) não me pagam para estar aqui a teclar, salto para o Figueiredo. Este crápula, 17 anos depois, mente sobre Carlos Santos Silva, mente sobre o blogue Câmara Corporativa, mente sobre os blogues da direita (ou de qualquer outro poiso ideológico), e, acima e antes de tudo, mente sobre Tiago Antunes. O grau e a tipologia das suas mentiras exibem um desplante tal que chegam a despertar simpatia. Porque é preciso ser chanfrado dos cornos, e não ter vergonha dessa condição, para ir largar aquelas bacoradas na TV.

O jornalista ouviu tudo caladinho. E depois fez uma pergunta para mostrar que concordava. No final, agradeceu. E porquê? Porque é para isso que lhe pagam. Para agradecer, agradecido.

Aparições

Há dias, numa aula, o professor perguntou “Sabem quem é o Passos Coelho?”. Um dos alunos respondeu “É o corrupto?”. “Não”, explicou o professor, “esse é o Sócrates.” Ninguém sabia quem era o Passos Coelho. O aluno que apontou ao corrupto tentou de novo com “É do PSD?”. Recebeu os parabéns do professor.

É uma turma com alunos entre os 17 e os 19 anos. Em 2018, quando Passos saiu da liderança do partido, tinham entre 9 e 11 anos. Em aulas anteriores, a turma tinha manifestado o seu apoio generalizado às mensagens do Chega contra os imigrantes e contra os políticos. Quase todos já podem votar.

Isto para dizer que a escola pública é uma linha da frente na defesa do que mais importa.

Nas muralhas da cidade

«Oficialmente, neste como noutros casos, os responsáveis policiais optam quase sempre, por cá e em muitas outras policias mundiais, por fazer avançar a metáfora da maçã podre num cesto de fruta saudável. O caso isolado. Acontece que nos últimos anos assistimos a vários casos isolados com um padrão que, não sendo tão grave, se assemelha na forma de agir. No caso de Alfragide foi provada violência ilegal sob detidos em custódia; no caso Claúdia Simões na Amadora passou-se rapidamente de um caso de uso da força legítima e legal, no momento da detenção, para a violência ilegal enquanto a detida estava em custódia; no caso de Olhão, um imigrante foi espancado sob custódia, ainda algemado, tendo vindo a falecer num hospital em cuidados intensivos; no Alentejo, uma comunidade inteira de imigrantes, na sua maioria timorenses, foi espancada e explorada vivendo em condições de autêntica escravatura durante demasiado tempo por vários polícias da GNR e um outro da PSP.

Vamos elencar só estes para afastar desde já a assunção do caso isolado. No caso do Rato, os deputados ouviram, mas mais nada se passou. Nenhuma iniciativa parlamentar foi tomada, preferindo-se as trocas de bitaites casuísticos e de lugares-comuns.»


Violência policial nas esquadras da PSP, e agora?

Começa a semana com isto

«The deportees were packed into wooden railway carriages that had previously been used for goods, and sometimes livestock. Between 60 and 80 people were forced into each, packed so tightly that they were unable to sit. (When the carriages were used to transport horses, the limit was six animals per carriage.)

“There were no windows, no toilets, no food and water,” says Santerini. “It was a 1,250-kilometer, seven-day journey to Auschwitz, and took seven days. It’s difficult to imagine what they must have experienced.”»


The dark fascist secret hidden beneath one of Europe’s largest railway stations

Revolution through evolution

Your beliefs could add or subtract years to your life
.
Scientists say travel could slow aging and boost your health
.
Scientists say this simple music trick can boost workout endurance by 20%
.
Eating eggs could cut Alzheimer’s risk by 27%
.
This simple amino acid supplement greatly reduces Alzheimer’s damage
.
Evolution isn’t random. Scientists find the same genes used for 120 million years
.
Scientists make stunning discovery that could change our understanding of the Universe
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Dominguice

A violência inaudita, exibicionista, doentia, corporativa que agentes da PSP e militares da GNR cometeram contra os mais fracos dos mais fracos seria possível sem a cumplicidade, quando não celebração, da sociedade com a retórica da violência política de Ventura?

Não, pá. Andaram a chocar o ovo.

Exactissimamente

Isto tem um nome, aliás vários

«Na sua intervenção, voltou a alertar para o problema da sustentabilidade da segurança social que considerou ninguém querer enfrentar, para as dificuldades de integração de muitos imigrantes - que vivem "em servidão" em Portugal - e a criticar o atual modelo de IRS jovem, que classificou como "iníquo", deixando um conselho para que os mais novos tomem conta do seu futuro se querem mudanças reais no país.

"A malta que está na política não tratará. Conheço-os todos. A maior parte da malta que está na política quer estar lá. Quer fazer como o dr. António Costa, gerir o dia-a-dia. Arranjar empregos para os amigos. Colocar os apoiantes. Controlar. Mandar, ser obedecido. Porquê? Porque essa é a natureza do poder", considerou.»

Passos Coelho´

Com Cavaco foi muito pior, no discurso solene da tomada de posse, em 2011. Com Passos foi apenas numa instituição de ensino superior; coisa rasca, portanto. Onde ambos estão em perfeita sintonia é na hipocrisia gongórica com que atacam a classe política que lhes deu tudo, de que se serviram, que fruíram até ao limite das suas possibilidades. E no sonso, cínico, populista apelo aos “jovens” para se levantarem e tomarem a Bastilha (ou será a pastilha?) com a sua pureza. A mesma pureza que Cavaco e Passos ostentam, irradiam, quando chicoteiam a malandragem que só quer mandar para oferecer cargos aos amigos. Como o Dr. António Costa, explicou pedagógico o Pedro. Ou Sócrates, diria Aníbal, o mentiroso (o Sócrates, jamais o Aníbal).

Estes números de circo são, sob qualquer ângulo de análise, paradoxais? Sim, mano, mas não só. Também são caixas de Petri da decadência da direita portuguesa. Que começou em Cavaco, com a sua primeira maioria absoluta, e teve em Passos Coelho o seu apogeu. Apogeu provisório, claro. Estes amigos são capazes de ainda bem pior.

Revolution through evolution

Helping Your Child Befriend an Autistic Peer
.
New Study Finds Link Between Difficulty Identifying Emotions and Higher Chronic Pain Levels
.
Why Is It Hard to Fully Enjoy Positive Moments?
.
This one change to your exercise routine could add years to your life
.
You don’t need intense workouts to build muscle, new study reveals
.
Scientists just discovered what coffee is really doing to your gut and brain
.
Landmark Test of Clinical Reasoning Finds AI Outperformed
.
Continuar a lerRevolution through evolution