A Rússia é aliada do Irão (e da China e da Coreia do Norte). Apoiam-se uns aos outros. Donald Trump é aliado objectivo da Rússia no que respeita à subjugação da Ucrânia (e não só). Mas, aparentemente, não no que respeita ao Irão, um dos aliados da Rússia. Ao atacar o Irão, principalmente por interesse de Israel, Trump confronta indirectamente a Rússia. A pressão de Moscovo para que a guerra no Irão não prossiga já se faz, entretanto, sentir e a mão do Kremlin nas respostas de Teerão também. Certo é que, neste momento, os bombardeamentos pararam e os bloqueios estão congelados (o que não interessa nada à China, nem a Israel). É evidente que a Rússia está a beneficiar com o bloqueio à exportação de petróleo e gás do Golfo, caso contrário já teria forçado um desbloqueio. Cinismo, um condimento indispensável neste jogo.
O que resta saber? Resta saber como vai o Trump sair desta, se não quiser perder ainda mais popularidade “em casa” (havendo sempre a hipótese de arranjar maneira de não realizar eleições intercalares – ou outras, enterrando de vez a democracia).
Os iranianos têm todo o interesse em que o ocupante da casa Branca saia de cena o mais rapidamente possível. Ou tinham até agora (vamos ver o que os russos conseguem fazer à mioleira do agente laranja, em contraponto com os israelitas e os amigos e familiares judeus de Trump). Mas os russos têm o máximo interesse em que Trump por lá continue, agora que conseguiram a vitória máxima de o instalar e de assumir o controlo da Casa Branca (um enredo digno do mais ousado thriller político). Ainda iremos ver o Irão a elogiar Trump? Não perca as cenas dos próximos capítulos. Em termos práticos, para o resto do mundo, este filme não é entretenimento.

