Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

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Research Highlights Potential Benefits of Vibrators on Women’s Pelvic Health
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More gender segregation in jobs means more harassment, lower pay
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Social media break improves mental health, study suggests
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Video games can help boost children’s intelligence
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Copying others to dare
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How sleep helps to process emotions
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What Spotify and Tinder aren’t telling us
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Dominguice

O que vemos do mundo é um fragmento. Esse fragmento está em devir, condenado a desaparecer no instante mesmo em que aparece. Mas quem testemunha o fragmento destinado ao desaparecimento é também apenas e só um fragmento de si próprio. Não sabe de onde veio, para onde vai, porque devém aqui e agora. As profundezas caóticas de nós próprios são-nos inacessíveis, fatalmente fantasiadas com histórias e delírios, som e fúria.

Os deuses choram de inveja desta liberdade, desta alegria.

Sem o Zelensky era tudo mais fácil

«No mesmo dia 9 de Maio, Zelensky resolveu responder à parada da Praça Vermelha desfilando sozinho numa das principais avenidas de Kiev. A cena foi patética: vestido com o habitual uniforme militar, o herói de nenhuma batalha travada, o Churchill da Ucrânia, pop star de todos os Parlamentos e descrito como um génio da comunicação, dizia a Putin que em breve iria ter dois dias da vitória para celebrar contra nenhum do russo. Há um mês, Zelensky desdobrava-se em ofertas de negociações, dizia já ter abdicado da Crimeia e da NATO e acusava o Ocidente de estar a prolongar a guerra à custa da destruição da Ucrânia. Hoje mudou radicalmente: diz que não cederá nem um centímetro de território, que está a lutar contra nazis e que só a vitória lhe interessa. O que mudou, entretanto, foi que a NATO o convenceu de que, com o apoio que não lhe faltaria, ele iria derrotar os russos e entrar para a História como o homem que venceu o Exército Vermelho, mesmo que à custa da destruição da Ucrânia.»


Os bem informados

Prefere ser cúmplice de racistas, xenófobos e salazaristas

«O candidato à liderança do PSD Luís Montenegro promete não descaracterizar o partido ou ultrapassar “linhas nucleares” em relação ao Chega, mas avisa que não será “cúmplice da perpetuação do PS no poder”.

Na proposta de estratégia global entregue esta quinta-feira na sede nacional, intitulada “Acreditar”, o antigo líder parlamentar do PSD refere-se expressamente ao partido Chega no capítulo dedicado ao posicionamento político do PSD.

“Nesse trabalho, de ampliação da nossa base eleitoral, nunca ultrapassaremos as linhas nucleares dos nossos valores e princípios. Mas não contem connosco para distrair o PSD com discussões estéreis a propósito de um imaginário e extemporâneo diálogo com partidos como o Chega. Fazê-lo é fazer um frete ao PS”, afirmou, na única passagem da moção de 66 páginas em que se refere expressamente ao partido liderado por André Ventura.»


Montenegro sobre Chega: “Não vou ser cúmplice da perpetuação do PS no poder”

Negociações à moda de Estaline

Porquê dar importância ao que na Soeiro Pereira Gomes se vai pensando e dizendo acerca da invasão da Ucrânia pela Rússia? Por duas principais razões: (i) o PCP é um partido que já contribuiu e pode (potencialmente) continuar a contribuir para a qualidade da democracia e (ii) porque qualquer manifestação de fanatismo por um partido com representação parlamentar deve ser criticada e combatida.

Neste comunicado – Nos 77 anos da Vitória sobre o Nazi-fascismo – Pela Paz! Não à escalada de confrontação! Não à guerra! – tropeçamos em 15 parágrafos que narram o (quase solitário) triunfo da União Soviética contra os nazis, os quais (ficamos a saber) tinham sido apoiados pelo Reino Unido, França e Estados Unidos da América em ordem a que acontecesse o “ascenso do fascismo, que os grandes grupos económicos e financeiros viam como um instrumento para levar mais longe a sua política de exploração, opressão e domínio.” e também para que Hitler acabasse com a URSS, garante o PCP. 77 anos depois, os comunistas portugueses olham para a Ucrânia e vêem a repetição da História: eis os capitalistas-fascistas ocidentais a apoiar os nazis ucranianos com vista a conseguir destruir a Rússia, a qual tem então de se defender recorrendo a uma “intervenção militar” preventiva em nome da luta contra o imperialismo.

Obviamente, é inútil tentar discutir com quem exibe este grau de delírio. O interesse está antes em aprendermos como pensam os actuais dirigentes do PCP. E eles pensam, e proclamam, que as democracias que ajudem a Ucrânia a defender-se do invasor e a cuidar da sua população massacrada, oprimida e em fuga são – exactamente por isso – entidades que devem ser catalogadas como “nazi-fascistas“. Daí, apesar de não gramarem o Putin, ficarem de peito cheio ao lado do agressor da soberania ucraniana pois a sua violência destrutiva e inumana está dirigida contra o inimigo comum, o “imperialismo“. Os fins a justificarem os meios, portanto.

O PCP não perde uma caloria a lamentar que a Rússia de Putin não tenha optado por negociações e apelos à paz em vez de ter começado os bombardeamentos e mandado avançar os tanques. Pelos vistos, compreende e aceita que Moscovo tenha cagado d’alto nos “princípios da Carta das Nações Unidas e da Acta Final da Conferência de Helsínquia“, coisa só para ocidental cumprir. E agora, já que os russos estão lá dentro, o PCP faz claque para que a malta aceite o facto consumado e ofereça o que der na gana de Putin reclamar. São as “negociações” à moda de Estaline, um dos bravos que manteve uma parte do Mundo a salvo do “imperialismo“.

Como seria um Governo português só com ministros deste PCP? Quantas horas levariam, após a tomada de posse, a ameaçar os “nazi-fascistas” da União Europeia e dos EUA com “intervenções militares” preventivas em nome da “cooperação e amizade entre todos os povos do mundo“?

Linchamento de regime

«Igualmente indiciado está, para o Tribunal da Relação de Lisboa, que foi por solicitação de Carlos Alexandre que Maria Teresa Santos fora transferida para o "Ticão", por ter mais experiência e não por, como alega José Sócrates, ser "próxima" daquele juiz.

Para Jorge Antunes, nada mais ficou indiciado, incluindo uma "atuação dolosa" e o alegado"conluio" entre os arguidos com "a intenção de prejudicar" o antigo primeiro-ministro. "A versão do assistente [José Sócrates] não se mostra minimamente fundada, sendo aliás incongruente e inconciliável [com o que foi apurado]", acrescentou o magistrado.

O juiz desembargador decidiu, por isso, não mandar Carlos Alexandre e Maria Teresa Santos para um julgamento, que, no seu entender, só poderia culminar numa "absolvição". "Perante o acervo probatório recolhido, não é de todo provável que o tribunal de julgamento se convença, para além de toda a dúvida razoável, dos factos imputados pelo assistente aos arguidos", concluiu Jorge Antunes.»

Tribunal rejeita pedido de Sócrates para Carlos Alexandre ser julgado

Para este juiz, Jorge Antunes, é irrazoável admitir que pudesse existir em Carlos Alexandre uma “intenção de prejudicar” José Sócrates, mesmo apesar de ser factual, extenso, profundo e ostensivo o real prejuízo causado por Carlos Alexandre a José Sócrates, assim violando o seu dever, a deontologia e o Estado de direito.

Já com Sócrates, todo o sistema judicial, todo o sistema político e toda a comunidade considera razoável a violação dos seu direitos e a sua condenação na praça pública por corrupção quando ninguém de ninguém é capaz de provar o mínimo acto de corrupção.

O silêncio de chumbo que se impõe na comunicação social sobre esta parte da Operação Marquês, em que se expõe um dos mecanismos pelos quais a Justiça foi fonte de injustiça, inscreve na História que se fez de Sócrates o alvo de um linchamento de regime.

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Cutting calories and eating at the right time of day leads to longer life in mice
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Researchers’ tools show who is most easily duped by “financial bullshit”
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Skeptics of welfare schemes don’t increase with more immigrants
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There’s a reason why aliens haven’t visited Earth yet, say scientists
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Putin’s invasion miscalculation could result in a coup
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Dominguice

A escola ensina-nos a ser inteligentes? A família ensina-nos a ser inteligentes? As empresas ensinam os trabalhadores a serem inteligentes? Não, não e não, apesar do sim, sim e sim. Sim, porque qualquer forma de socialização é ao mesmo tempo um processo de aquisição de informação e treino de comportamentos adaptativos, factores que aprofundam e aumentam a inteligência. Mas não porque a inteligência não equivale exactamente ao acrescento de informação e à adaptação a um qualquer meio. Informação errada não gera conhecimentos válidos, por exemplo. Informação correcta não gera conhecimentos aplicáveis, sem método. E conseguirmo-nos adaptar a um meio racista, xenófobo e fanático implica a destruição da inteligência própria.

O que nos ensina a ser inteligentes é a inteligência – ou seja, a consciência da nossa insidiosa e tirânica ignorância.

Beliscões

«“De repente, passamos a viver em troika?” A pergunta é do Presidente da República, foi proferida esta semana, em conversa com jornalistas no Palácio de Belém, e não saiu por acaso. Depois de ter aproveitado a guerra na Europa para assumir, como Chefe Supremo das Forças Armadas, as dores do sector da Defesa que há muito se arrastam e que escolheu para tema único no 25 de Abril, Marcelo Rebelo de Sousa sabe que a frase que libertou a propósito das promoções dos militares não só se ajusta como uma luva a outros sectores da Administração Pública como belisca o Governo de António Costa, que anda há semanas a fugir da palavra “austeridade”.»

Ângela Silva

Temos um Presidente da República que recorre a jornalistas para “beliscar” o Governo de António Costa, garante uma consagrada especialista nessa mesmíssima função: servir de altifalante para os beliscões, empurrões, caneladas, sopapos, cabeçadas e/ou apalpões de qualquer direitola que ocupe o Palácio de Belém.

Deve ser uma vida santa esta que a Ângela leva. Vai ao chá com bolachinhas na Casa Civil e despacha os recados marcelistas em 20 minutos (ou menos) a teclar. Depois, no resto do tempo livre, pode usufruir do circuito artístico da Velha Lísbia e descontrair da feérica profissão de “jornalista” nas esplanadas da Marginal. Enquanto não a chamam de volta ao chá com bolachinhas para mais uma encomenda, coitada.

Belisco-me de inveja.

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Study finds that males are represented four times more than females in literature
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How your breath could reveal your sexual attraction
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Seven hours of sleep is optimal in middle and old age, say researchers
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Home sweet home: Pet cats rarely stray far
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Educate to Indoctrinate: Education Systems Were First Designed to Suppress Dissent
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Mais putinistas que o Putin

A guerra dura há mais de dois meses. Indiferentes às suas consequências devastadoras, aparentemente, nada comove os putinistas, que para todas as atrocidades encontram desculpa. As imagens da destruição das cidades são manipuladas e pura propaganda dos ucranianos. Como se os mísseis russos carregassem flores e borboletas e as imagens que a comunicação social deveria estar a passar era a de uma Ucrânia mais bonita a cada dia de guerra que passa. Depois vem o Putin gabar-se dos seus feitos e confirmar a destruição de alvos no país invadido. Nada que atrapalhe os nossos putinistas. Se há baixas entre os civis, a culpa é dos ucranianos que têm armamento nas cidades e usam a população como escudo. Ora, a guerra trava-se onde os civis vivem, queriam que os ucranianos se defendessem estendendo passadeiras vermelhas para os russos entrarem? 

Os putinistas até podem admitir a existência de baixas entre os civis, mas nem um é uma vítima inocente. Os putinistas olham para os ucranianos e só vêem nazis. Assim como o Ventura só vê bandidos quando olha para negros, ciganos ou imigrantes. Para os putinistas, os ucranianos são o povo mais politizado do mundo. Todos, incluindo as crianças, são especialistas em geopolítica, estando mais do que a par das tramóias dos americanos, das intenções da NATO e de outras trafulhices levadas a cabo pelos países ocidentais. Portanto, todos se puseram a jeito, conscientes do risco que corriam. Só se perdem as que caem ao lado. Não sei como não acusam o Governo de estar a colocar-nos a todos em perigo ao permitir a vinda de milhares desses nazis para o nosso país. 

Os putinistas travam ainda uma luta sem tréguas contra quem se indigna com esta barbaridade. Sempre munidos das citações dos seus ídolos, seres superiores detentores da verdade absoluta, acusam quem não os acompanha de serem uma cambada de hipócritas que nunca se indignaram contra outras barbaridades, passadas e presentes. Ainda que tivessem toda a razão, já houve no passado coisas que não indignavam quase ninguém, que eram a normalidade, e passaram a indignar a maioria. Prova de que a Civilização evolui. E não há putinista que a consiga travar!

Dominguice

Nenhum de nós saberá o que é ter o poder de acabar com as vidas de milhares de pessoas, de um dia para o outro. Milhares? Podem ser imprevisíveis milhões. Dos outros, dos seus. E de caminho destruir cidades, sistemas de protecção e cuidado das populações, obras de arte, partes da cultura humana e suas memórias. Nenhum de nós se irá deitar, e conseguir dormir, na véspera de tomar tal decisão.

A banalidade protege-nos do grau último da desumanização.