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Rui Rio e a lama

*_*

Alguém se recorda de ler ou ouvir Rui Rio a insurgir-se furibundo contra o “jornalismo na lama” e contra o “abandalhamento dos mais elementares princípios de relacionamento humano” numa qualquer outra altura ou a propósito de um qualquer outro assunto? Ninguém, nem o próprio. De certezinha absoluta, tal não se encontra no seu canal Twitter e nas suas declarações públicas desde que se tornou candidato a presidente do PSD e até à actualidade. Mas esteve próximo em 2014 – Rui Rio confessa-se “em choque” com a prisão de Sócrates – embora nem aí tenha chegado à ira dos idos de Novembro de 2019. Motivo para a explosão twittada? É ver, ver a parvoeira em questão, e pensar no que isso diz de Rio.

Umas beiçolas à mostra deixam um candidato a primeiro-ministro pronto para defender com a vida os mais elementares princípios de relacionamento humano. Então, como explicar que esse mesmo candidato a primeiro-ministro tenha feito uma campanha eleitoral onde traiu os mais elementares princípios do respeito pelo Estado de direito, da presunção de inocência, da separação de poderes, da ética republicana, da honestidade intelectual e da integridade de carácter? Como explicar que esse mesmíssimo candidato aceite conviver calado com uma indústria da calúnia onde foi buscar munição assim que desistiu de brincar aos políticos decentes e corajosos?

Causticar o jornalismo por causa de um inane exercício de pulhice do Expresso que só rebaixa quem o fez e encher aí a boca com a grandiloquência dos “princípios de relacionamento humano” quando temos uma indústria da calúnia que diariamente amplifica crimes e disfunções de magistrados ao serviço do comércio e da agenda política da oligarquia, que trata como criminosos sem defesa possível cidadãos inocentes até prova em contrário, muitos nem sequer ainda acusados nem se sabendo se alguma vez o serão, que devassa e explora a privacidade até de testemunhas em processos, eis o retrato de um chefe político impotente. Impotente para defender a cidade.

Não admira que o Twitter de Rui Rio seja um espectáculo de amadorismo bacoco e egocentrismo transparente. Ele dá muito mais valor à sua imagem, tal como a concebe no mundo pequenino que habita, do que aos mais elementares princípios da vida em comunidade num Estado de direito democrático. Foi exactamente por isso que resolveu encher de lama as legislativas de 2019.

Lapidar

«[…]

Nisso não se diferencia da política, atividade a que João Vasconcelos também dedicou uma parte da sua vida. Não é possível estabelecer qualquer ligação direta entre o modo como saiu do Governo e a sua morte. Mas, em nome da cínica doutrina que domina as relações entre a política e a justiça em Portugal, bastou a suspeita, uma simples constituição de arguido, para que a experiência política de João Vasconcelos e dois outros colegas terminasse, eles se sentissem compelidos a abandonar os seus lugares no governo e o chefe do dito aceitasse a sua saída, sucumbindo a uma máxima de que à justiça o que é da justiça, que tendo sido boa quando referindo-se à separação de poderes, hoje apenas esconde a cobardia dos políticos face ao frequente conluio em fases processuais precoces entre acusação e media.

A saída de João Vasconcelos do governo merecia ser ensinada em cursos de política e faculdades de direito, porque consuma a inversão total da separação de poderes em que vivemos. O estatuto de arguido, justamente criado para proteger um suspeito, foi aceite como fundamento suficiente por um governo para perda de condições de exercício de funções. Sem cuidar sequer de analisar dos méritos da causa da parte acusadora - e chamo-lhe assim porque já vi o Ministério Público em ação vezes suficientes para saber que não busca a verdade, como magistratura independente, mas a demonstração das suas teses, mesmo que sejam só hipóteses, meras conjeturas ou até raciocínios contaminados por imaginações que mereciam análise de como se formam.


[…]»

Paulo Pedroso

Revolution through evolution

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The truth about misinformation
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Daniel Oliveira, do instinto ao mercado

O “Sem Moderação”, nascido no canal Q e daí tendo também chegado à TSF, é um programa de debate político que estará no fim da tabela quanto a notoriedade e audiências (mas agradecerei ser corrigido, ignorante dos números ao teclar). Será preciso gostar muito de política, mas bué da muito, para lhe dar atenção. Apesar do seu estatuto a raiar a invisibilidade, é possível ficarmos a conhecer melhor este Portugal onde viemos parar na roleta ontológica observando o comportamento dos bípedes implumes que lá se exibem. Dado que o Zeitgeist arrasta esses protagonistas para contumazes automutilações cívicas e éticas quando botam faladura sobre Sócrates, a observação é rica de aprendizagens. Como na última emissão.

Ausente Pedro Delgado Alves, os restantes companheiros quiseram voltar a sentir a excitação da caçada pela enésima vez; posto que não se esgota o vício com a repetição do disparo, só aumenta, como sabe o caçador. Eles não têm dúvidas: Sócrates deixou de ser uma pessoa, nunca teve nem terá família e amigos, perdeu o direito a ser condenado de acordo com a Lei apenas e só se existirem provas julgadas em tribunal. Transformou-se no bode expiatório do regime e cada um quer reclamar um pedaço do seu corpo abatido. Sócrates é presa de montaria. Daí, a baba caudalosa a escorrer das favolas, os rostos hieráticos ou ferozes, as vozes esganiçadas e o palavrório soberbo.

Este frenesim significa – porque só assim se explica a energia que convoca e por ele se espalha no éter intersubjectivo – que cada um dos caçadores socráticos vivencia o processo judicial e respectivas peripécias da “Operação Marquês” como a continuação da luta política, da agonia inerente à conquista ou perda do poder. Logo, ter-se prendido um cidadão para ser investigado, ter estado preso por suspeitas entretanto desaparecidas do processo, ter a sua privacidade devassada e achincalhada mediaticamente, e assistir a violações grosseiras dos deveres de magistrados e do juiz que supostamente seria o garante dos seus direitos, isto – mais a práxis criminosa à solta no Ministério Público e na comunicação social – se aceita, se explora, se celebra porque faz parte do arsenal necessário ao combate a um inimigo formidável contra quem vale tudo. Até vale despachar convicções de culpabilidade ao mesmo tempo que se reconhece não ter aparecido até hoje qualquer nexo factual com um qualquer crime de corrupção, que é para a fajardice destes três tristes trastes ser ainda mais cínica e debochada.

José Eduardo Martins é sócio na Abreu Advogados, o mesmo escritório onde Paulo Teixeira Pinto e Marques Mendes são consultores. Francisco Mendes da Silva é advogado sénior na Morais Leitão, o mesmo escritório onde Lobo Xavier é sócio. O primeiro é militante do PSD, o segundo do CDS. Sonham com cargos políticos dirigentes e governativos, o comentariado poderá ser escadote ou atalho. Perceber, entender e compreender as motivações de ambos para usarem a sua competência académica e profissional em ordem a se constituírem oficiosamente como coadjuvantes do Ministério Público e das polícias não gasta meia caloria. O linchamento de Sócrates é para eles uma extasiante festa. Mas como dar sentido ao papel do Daniel Oliveira na cegada? O suposto representante da esquerda naquela Troika justicialista, o qual se concebe como modelo de integridade intelectual e cívica enquanto artista da política-espectáculo, estava feliz da vida por poder juntar-se aos outros dois colegas de corricão. E trazia munição grossa: “parece-me haver matéria clara, sólida, para acusação de branqueamento e fuga ao fisco” + “José Sócrates é corrupto, o dinheiro que gastou veio da corrupção”. Estas afirmações peremptórias, pela boca de um pulha, seriam sempre dignas de nota tamanha a sua estupidez e indecência. Vindo de quem se vende (literalmente) como paladino da inteligência e da decência é de arrebimbomalho.

Achar que algum tribunal irá condenar um réu por branqueamento de capitais sem, concomitantemente, estabelecer que o dinheiro em causa resultou de um ilícito é a vanguardista jurisprudência elaborada pelo magnífico pensador Daniel Oliveira. Vou atribuir à influência do Dr. Martins, o qual fez uma caótica declaração inicial no programa cujo singular objectivo foi o de promover a redução dos direitos e garantias dos cidadãos perante a Justiça, a himalaica calinada. Achar que se pode agitar a bandeira da convicção de culpabilidade num caso onde estabelecer a posse do dinheiro é fulcral, e onde ainda nem sequer o principal acusado a esse respeito se pôde defender nesta fase, Carlos Santos Silva, já não remete para a estupidez. Aqui estamos realmente no vórtex da indecência, onde uma figura pública que ganha muito dinheiro como opinador não hesita em desprezar o Estado de direito democrático e as mais básicas noções de respeito pelos direitos de pessoas inocentes até prova em contrário devidamente transitada em julgado – ou seja, o Sr. Oliveira está-se a cagar para o que venha a ser apresentado pela defesa de Carlos Santos Silva, registe-se para memória futura.

O pior, infelizmente, nem é esta exibição de crassa ignorância e violência persecutória cruenta por parte do risonho Daniel sem vestígios de humanidade para gastar com o miserável Sócrates. O pior é ver como o nosso valente esquerdista alinha com os métodos de levar para o despique político as escutas policiais, a obscenidade da exploração deturpada, agendada, sensacionalista, torpe da privacidade do alvo e de quem mais se apanhar no seu círculo de relações íntimas. Na sua fúria de atingir Sócrates por onde puder, anula-se a separação de poderes e mergulha-se de cabeça na judicialização da política, como se fosse normal poder espiar adversários políticos por atacado e deixar a “gente séria” da Justiça escolher aqueles que serão expostos nas suas vergonhas ocultas. Vê-lo a cuspir-se de satisfação por ter conseguido descobrir que Sócrates gastou uns trocos aqui e ali em banalidades cuja soma nos deixa perante um valor ridículo (as férias, os jantares, os fatos, os hotéis, com que se atiça a inveja mais reles da populaça, a inveja de todos nós pobretanas, inveja submissa e reverente à gargalhada olímpica da oligarquia), tendo à sua frente dois colegas da indústria da calúnia que se passeiam nos corredores alcatifados onde a real história da corrupção e tráfico de influências à portuguesa está silenciada desde o Plistoceno e com a qual se poderia levantar uma torre de capas de jornal que daria a volta à Lua, faz de Daniel Oliveira um animal social que só pretende adaptar-se ao grupo onde come a ração. A coragem de defender a cidade pode esperar para quando – e só se – acontecer o mesmo a alguém de quem ele goste ou alguém que lhe possa dar alguma coisa em troca.

É instintivo. E é o mercado.

Sócrates? O Zé Manel explica

Excluindo o próprio e os seus advogados, não se conhece uma única figura pública que defenda Sócrates em relação às acusações judiciais de que é alvo. Não se conhece uma única figura pública que julgue moralmente aceitável o seu passado financeiro privado descoberto pela “Operação Marquês”. Não se conhece uma única figura pública que antecipe qualquer futuro político, sequer profissional, para Sócrates. Apesar de se encontrar num efectivo estado de desgraça, sem prazo conhecido para acabar e com alta probabilidade de ainda vermos aumentar a duração e magnitude da mesma, é diariamente perseguido, atacado, linchado pela turbamulta e pelos algozes que a atiçam. Não existe maior homenagem ao seu carisma político do que este fenómeno de continuar a deixar raivosa e apavorada a direita decadente depois da colossal violência policial e mediática já exercida sobre ele.

José Manuel Fernandes representa paradigmaticamente a direita do poder pelo poder, a qual actua como braço armado da oligarquia (não a oligarquia de que fala o Rui Ramos assanhada e retoricamente, antes a oligarquia que paga ao Rui Ramos em numerário e abundantemente). O Zé Manel não aguentaria 24 horas na arena política, dado ser falho das condições intelectuais mínimas para liderar partidos e projectos de interesse comunitário, pelo que fez a sua carreira de pulha na comunicação social. Nela teve sucesso e, no início de 2007, esteve à beira de ter grande sucesso pois seria um dos beneficiários da eventual compra da PT pela Sonae ao acumular a direcção do Público com a posição de administrador no grupo accionista. A OPA falhou e de imediato, um ou dois dias depois, o jornal da família Azevedo iniciou uma campanha negra contra Sócrates – a qual tem durado ininterruptamente até hoje. Dificilmente esse pasquim conseguirá ultrapassar o nível de subversão constitucional e indecência cívica atingido na “Inventona da Belém”, quando a 1 mês do início da campanha eleitoral para as legislativas de 2009 o nosso admirável Zé Manel foi cúmplice activo e interessado de uma espantosa e sórdida golpada lançada pela Casa Civil da Presidência da República com vista a perverter os resultados eleitorais, a qual chegou a eleições com o apoio declarado do Presidente da República de então. Será este Zé uma figura com credibilidade, ou que fosse módica vergonha na cara, para fustigar supostas mentiras e supostos mentirosos?

Aqui o temos agarrado à sua paixão – Sócrates: mentir não custa, basta ter esse hábito – e tudo o que despeja é útil para se tirar a fotografia à pulsão assassina que o anima e à vingança em curso:

– Começa por se queixar de Ivo Rosa ter dificultado o acesso aos interrogatórios a Sócrates mas depois fala das suas declarações ao juiz como se as tivesse ouvido na íntegra e presencialmente.

– Pinta Sócrates como mentiroso mas não identifica qualquer das aludidas e copiosas mentiras de forma objectiva e factual.

– Goza com a quantidade de dinheiro gasto por Sócrates em diferentes situações e circunstâncias para o difamar, promovendo o sofisma de serem os seus gastos anómalos e ilícitos só por serem inalcançáveis para os rendimentos do português médio. Nada contextualiza nem justifica, esgota-se no sarcasmo o chiste.

– Acha impossível que exista um “cofre” (material, metafórico?) na posse da mãe de Sócrates com dinheiro vindo de uma herança. Contudo, apenas possui como informação a respeito desse tema o que acabou de ser espalhado em violação do sigilo judicial e está a apagar a ideia, com décadas, de realmente ter existido tal herança.

– Descreve Sócrates como o político mais bem preparado que conheceu, com domínio absoluto sobre os temas que discutia em público. Não se interroga se tal perfil é conforme à imagem de corrupto incontrolado que promove na comunicação social há anos.

– Descreve Sócrates como “grande actor”. Na aparência, está a sugerir que é hipócrita, mentiroso. No fundo, está a deixar-lhe outro elogio, pois não há política sem teatro, sem actores, sem palco, sem assistência.

– Regozija-se por o “animal feroz” estar “ferido”, contudo ainda não está morto, daí continuar a ser “perigoso”. O exemplo que dá do “perigo” é delicioso de perfídia.

– Para combater o suposto “risco de populismo” que uns ingleses antevêem caso se leve Sócrates a tribunal, o Zé Manel considera que os bifes não percebem nada do que se está a passar. E explica: “os portugueses já têm bem consciente que houve corrupção, gestão danosa e que muita gente enriqueceu com custos pesados para o País, sobre isso não há dúvidas”, portanto, “Sócrates tem mesmo de se sentar no banco dos réus para se fazer justiça” – ou seja, o julgamento de Sócrates já foi feito nos esgotos a céu aberto, tendo sido declarado culpado pela corrupção de tudo e de todos, estando só a faltar a formalidade de cumprir com a burocracia num tribunal disponível para ser despachado na ramona até ao calaboiço.

O Zé Manel não tem disponibilidade mental, nem estofo moral, para tentar descobrir se o dinheiro usado por Sócrates veio da corrupção, da mãe ou do amigo. Para ele é exactamente igual ao litro, e quanto menos se falar disso melhor. O processo resume-se a cumprir com um julgamento que é, primeiro e acima de tudo, político. E, sendo político, não há perdão nem misericórdia. Não há justiça, é matar ou morrer. Daí a desumanização extrema a que se entrega, encharcado de adrenalina e dopamina no antegozo de ver as labaredas a devorarem a sua némesis.

Bestas quadradas

Ser (muito bem) pago para estar num canal televisivo a despejar opiniões é um raro privilégio, ainda mais raro e de mais alto privilégio quando do programa em causa saiu um primeiro-ministro. A pose, os maneirismos, na “Circulatura do Quadrado” transportam-nos para um microsenado onde os participantes cultivam uma gravitas de estufa. Não sei se a influência que alcançam iguala aquela onde se embrulham na vaidade respectiva, mas sei que representam tipos socialmente influentes na comunidade que somos.

Lobo Xavier é a voz da oligarquia económico-política, actuando literalmente como advogado dos interesses de quem tem o poder financeiro e estrutural (empresas, advogados, institutos de educação, a Igreja Católica, e, claro, os órgãos de comunicação e partidos da direita que servem os mesmos interesses). Pacheco Pereira é um parasita do sistema político que usa ao serviço da sua remuneração mensal e da fantasia ego-melancólica com que se vê ao espelho. E Jorge Coelho não é nada, por nada conseguirmos fixar das banalidades que lhe enchem as intervenções.

Ora, num caso com as ondas de choque e espectacularidade da “Operação Marquês”, um verdadeiro caso de regime aconteça o que acontecer, o que estes protagonistas mediáticos digam no espaço público ganha conotações que ultrapassam inevitavelmente o âmbito das suas individualidades. Vejamos dois significativos exemplos do programa de 30 de Outubro.

Pacheco Pereira - Eu não quero participar nesta onda de hipocrisia do "alegadamente" culpado. A minha convicção é a de que é culpado. Pelo que eu conheço. Pelas declarações que ele fez. Pelo que eu conheço das mentiras compulsivas que eu conheço directamente. As declarações dele, eu não preciso de mais nada para ter esta convicção.

Eis um argumento ad hominem na sua pureza. Esta pessoa declara outra merecedora de uma pesadíssima pena de prisão a partir de uma convicção estritamente subjectiva a respeito da imagem construída no passado e não a partir dos factos na berlinda no processo judicial presente, convicção essa formada a partir da interpretação de afirmações avulsas sem qualquer assunção de culpabilidade criminal – isto é, Sócrates sempre negou ter cometido crimes de corrupção, o que de arrasto equivale a negar o branqueamento de capitais. Que leva o Pacheco a querer ser visto, ou a não se importar com tal, como alguém que despreza o Estado de direito e qualquer noção de Justiça? Qual a motivação que o faz passar por potencial e horrendo criminoso, posto que foi contra tiranos que faziam justiça pelas próprias mãos que a Civilização – na sua essência – se criou e tem vindo a desenvolver?

Há várias hipóteses possíveis, obviamente, optando por iluminar esta: o Pacheco é profundamente ignorante. A sua ignorância não está no recurso automático aos universais mecanismos de diabolização, onde um adversário se pinta como inimigo desumanizado, os quais explicam a repetição maníaca do assassinato simbólico de Sócrates que faz desde 2009. De cada vez que repete a acusação, o bibliotecário da Marmeleira está a reactualizar o confronto político em que foi derrotado pelo Engenheiro, servindo-lhe o ressentimento e o rancor como combustível inesgotável para o desforço. A sua ignorância está na incapacidade para ser crítico de si próprio, e essa incapacidade nasce de ser ignorante nos terrenos da psicologia.

O Pacheco largaria gargalhadas soberbas perante a sugestão de ser ignorante a respeito da psicologia, ele que se considera um especialista na natureza humana, dando caudalosas e semanais provas disso mesmo quando explica enfastiado a história contemporânea do rectângulo aos leitores e telespectadores não tão afortunados como ele em leituras e experiência de vida. Porém, se, por milagre, algum dia fosse confrontado com uma pergunta a respeito de Fritz Heider, dobrado contra singelo como ficaria à nora. Igual resultado para a tentativa de descobrir o que conhece a respeito do conceito de “enviesamento correspondente” ou “erro fundamental de atribuição” e para as teorias da Atribuição Causal e das inferências espontâneas de traços. E não há enigma nenhum nesta previsão, basta reconhecer que o Pacheco não discursa como um filósofo ou cientista (leia-se “investigador”), antes como um moralista. Todo o moralista é uma besta que prefere o egocentrismo à curiosidade. Todo o moralista é, tem de ser, profundamente ignorante.

Outro galo canta, em harmonia, pelo bico de Lobo Xavier. Vejamos:

Lobo Xavier - [quando Pacheco realçava a fragilidade da acusação] Mas é muita matéria, é muita matéria. Esteja descansado, Pacheco Pereira, esteja descansado...

Lobo Xavier - [para Jorge Coelho, o qual realçava a gravidade da situação caso não existam provas de corrupção contra Sócrates] Não se aflija, não se aflija, não se aflija...

Este passarão não se contém, não resiste a pavonear-se com o poder que usufrui ocultamente. Aqui aparece a garantir que Sócrates vai mesmo ser condenado, de uma forma que salvará a “Operação Marquês” de qualquer suspeita de manipulação política. E prevê que vamos ter muitos anos de processo. Não custa a descodificar a mensagem. Lobo Xavier está a profetizar que, na eventualidade de Ivo Rosa ilibar Sócrates ou apenas o mandar para tribunal pela acusação fiscal, o Ministério Público irá recorrer e, nas instâncias seguintes, Sócrates será triturado por juízes sem as manias garantistas desse que actualmente está com a coisa nas mãos. Daí o seu júbilo ao referir a quantidade de pontas por onde se pegar e dar a Sócrates o tratamento que o regime precisa que seja dado. O tratamento que já foi dado a Armando Vara e que correu tão bem.

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“Enquanto do lado da acusação há um deserto” – diz este ridículo

A propósito da advertência do juiz Ivo Rosa aos advogados sobre a utilização dos telemóveis nesta fase de instrução do processo Marquês, o Tavares, João, do Público, não perde tempo a extrapolar e diz hoje que o Sócrates andou estes cinco anos a ser defendido em tudo o que era órgão de comunicação social por ambiciosos advogados, os autores indiscutíveis das fugas de informação, e que, da parte da acusação … nada. Nada, ouviram? E insurge-se e delira. Como é que a acusação se deixou comer assim? É que nem ele próprio, João Miguel, disse nada este tempo todo, porque, coitado, só dispunha das versões dos advogados.

Mas como é que esta criatura escreve num jornal que se quer sério? (É verdade que já anda com uma perna, ou as duas, no Observador)

 

Ler para crer:

 

“Como os advogados não têm grandes limitações para discutir processos na televisão — ao contrário dos juízes ou dos magistrados do Ministério Público —, a paisagem mediática está empapada de gente que ganha a vida a defender acusados (e a autopromover-se dessa forma), enquanto do lado da acusação há um deserto. Isso produz um enorme viés quanto às responsabilidades pelas fugas de informação, invariavelmente retratadas como maldades cometidas por polícias ou magistrados que querem fazer justiça nos jornais (porque lhes faltam provas em tribunal, claro), como se os advogados não se fartassem de furar o segredo de justiça e os seus deveres de sigilo.

Espero que a sabatina do juiz Ivo Rosa tenha tido ao menos o mérito de mostrar que os advogados de defesa, sobretudo em casos desta importância, são os primeiros interessados na manipulação da opinião pública.”

 

O felizardo do Sócrates. Tanta gente a defendê-lo. Ficou com uma imagem óptima e nem ele sabia. Pasquins em Portugal? Programas de humor? Hã, surpreende-se o Tavares. Mas que pasquins? Que programas de humor? Que Tânia, que Felícia? Elas nem estão agora nos interrogatórios! Mas que farsante.

 

Já agora, só para esclarecer: procuro ser objectiva em relação à questão Sócrates, de cujo governo fui apoiante, e por isso me tenho mantido calada. Não gostei, e não gostei mesmo nada, das entregas de dinheiro vivo, que ele não negou, e que eu gostaria de ver justificadas, nem que fosse com candura, o que não tem de todo acontecido, mas, quanto ao resto, nomeadamente as luvas mirabolantes que o procurador diz que ele recebeu do Ricardo Salgado, ou por via dos negócios da CGD, da PT, ou do grupo Lena, gostaria que quem acusa provasse o que diz, porque são acusações demasiado graves. Até agora, não consta que o tenham feito. Não basta uma narrativa fazer sentido, até porque esse é, entre outros, o trabalho de romancistas, não de agentes judiciários. E por acaso até penso que a narrativa da acusação não faz muito sentido, porque há nesta história um amigo que é, e já era, objectivamente rico mas cuja riqueza, por algum passe de mágica, passou a ser do Sócrates, o que o deixa sem nada. Eventualmente um caso de maus romancistas. Haveremos de saber.

Se se quer mandar um indivíduo para a cadeia, convém que se demonstre a prática de crimes. Pode até ser que sim, que o Sócrates fosse mesmo um génio e conseguisse habilidosamente conjugar as funções de primeiro-ministro, ainda por cima em período muito conturbado, com a de inventor de esquemas complicadíssimos de circulação e ocultação de dinheiro e a toda a hora e com cumplicidades em todo o lado. Parece-me difícil, mas, lá está, há pessoas geniais e sobredotadas. O juiz Ivo Rosa tem “o bicho” à frente e a papelada toda. Tem muito que avaliar. Eu fico à espera. O Tavares devia fazer o mesmo. Só que lhe pagam para fazer o contrário. Conspurcar. E depois são os advogados.

 

 

Ricardo Costa na casa de banho

João Miguel Tavares não é politicamente relevante pelo que diz em público ou fará em privado. Não tem qualquer mérito académico, artístico, científico, cívico, desportivo, intelectual, militar ou profissional que possamos identificar. Nem a sua perseguição ao PS e a exploração da judicialização da política e da politização da Justiça mereceriam atenção se ele fosse apenas mais um João Pereira Coutinho ou um Henrique Raposo, entre tantos outros exemplos de fanatismo folclórico no comentariado da direita decadente. Ele é politicamente importante, até crucial para se descobrir a seiva do regime, única e exclusivamente graças à importância política de quem lhe dá dinheiro e de quem o usa. Quando um jornal dito de referência lhe paga para difamar e caluniar, e ainda o tem como referência editorial, quando uma rádio e uma TV lhe pagam para promover crimes no Ministério Público e violentar as vítimas que viram os seus direitos violados por quem devia ter sido o seu invencível guardião, quando um primeiro-ministro monta uma inaudita e inacreditável operação de relações públicas que implicou levar três menores para as instalações do Governo, onde ficaram retidos durante horas com o entusiasmado consentimento dos pais, e quando um Presidente da República junta escandalosamente a uma lista de personalidades com obra ao serviço da comunidade ao longo de décadas o nome de um caluniador profissional à beira de ser internado por obsessão, ainda por cima justificando tal vexante escolha em nome da “defesa do jornalismo”, então o tópico João Miguel Tavares é de indiscutível dimensão política por razões que ultrapassam a sua arrivista figura pública.

Na série de entrevistas para o Observador, Artigo 38, encontramos um JMT regressado da 1ª Grande Guerra Socrática. Para prolongar a consagração divina recebida no templo republicano de Portalegre pelo sacerdote-mor, organizou um cortejo triunfal onde obrigou 12 marmanjões a irem ao beija-mão (consta que 5 se recusaram dos 17 inicialmente convidados). E eles foram, felizes da vida por receberem rapapés da vedeta guerreira. Um deles foi Ricardo Costa, escolhido por ser um dos rostos da resistência aos bárbaros socráticos e também por ser alguém que ainda poderá vir a dar dinheiro ao entrevistador (embora não necessariamente por esta ordem). De acordo com o objectivo pouco ou nada secreto destas entrevistas, JMT passou a maior parte do tempo a puxar pelas memórias e emoções dos convidados acerca do monstro Sócrates. É de esperar que o material recolhido venha a aparecer numa monografia que se roga, com ansiedade, esteja para breve.

No meio do falatório destes dois gigantes da luta contra a tirania e a corrupção, o mano Costa saiu-se com um retrato cristalino acerca dos bastidores do regime:

Ricardo Costa - [...] Eu fui chamado à ERC quando foi aquela coisa das "pressões do Sócrates". E eu achei aquele processo ridículo. Porque é que achei aquele processo ridículo? Eu tive imensos telefonemas do Sócrates. Eu conheço o Sócrates desde 1991, eu era um jornalista júnior do Expresso. Ele sentava-se na última fila. E eu, esses tipos da última fila, dessa altura, trato quase todos por tu. Ele é um deles. E trato por tu. Não o vejo há muitos anos; se calhar, felizmente, porque agora acho provavelmente que nem nos tratamos, de maneira nenhuma, nem por tu nem por outra coisa qualquer. Duvido que ele me fale e também não tenho interesse em lhe falar. Mas isso é outra questão. Mas eu, ao longo da vida, porque o conhecia, recebi imensos telefonemas do Sócrates pelos temas mais estapafúrdios. E, eu, entrava-me pelo ouvido e saía-me pelo outro. Ou então mandava-o passear quando ele não tinha razão (e não me lembro de alguma vez que tivesse, mas admito que houvesse alguma que tivesse razão). E, nesse processo, havia alguns colegas meus que se queixavam de coisas, pá, que eram completamente normais. O problema é que depois havia outras que provavelmente eram anormais. Comigo não se passou nenhuma anormal. Ele ligava, porque não sei quê. Telefonemas alguns que demoravam não sei quanto tempo. Ouve um que eu lembro, uma vez que estava-me a arranjar, tinha acabado de tomar banho. Tive tempo de me vestir, de fazer a barba, de tomar o pequeno-almoço, e o Sócrates continuava a falar. Já não me lembro porque era, provavelmente alguma coisa por causa da licenciatura, ou uma coisa qualquer. O tipo ia no carro, então ia com tempo, e ficou para ali a debitar não sei quantas coisas. E disse "'Tá bem, 'tá bem", desliguei o telefone e fui à minha vida, nunca mais me lembrei do Sócrates. It comes with the job. Quando uma pessoa é director de informação às vezes leva com telefonemas de um primeiro-ministro zangado, de um líder da oposição, de um empresário, do que seja, de um sindicalista. Pode haver telefonemas de várias pessoas. [...] Nem todos os telefonema são pressões, e nem todas as pressões são pressões violentas ou graves. Porque eu acho que, no caso, essas coisas na SIC ou no Expresso é muito difícil que tenham qualquer efeito, qualquer efeito.

Fonte

Antes de irmos às declarações do director-geral de informação do grupo Impresa, há que anotar o contexto em que foram proferidas. JMT tinha acabado de se babar para cima do Ricardo, reclamando ter sido o mais valente dos valentes na 1ª GGS e dizendo-lhe para se ajoelhar aos seus pés. Este número era um dos mais delirantemente desejados pelo autor do “Artigo 38”, aquela cena em que ele olharia nos olhos de alguns reputadíssimos passarões da indústria jornaleira e perguntaria mavioso “Como é que foi possível não teres visto o que eu vi?”. Obviamente, a única resposta permitida por essa lógica caluniadora fica logo dada ainda antes de se chegar ao ponto de interrogação – não era possível, eles viram o mesmo, mas calaram-se porque andaram a mamar, ou são cobardes, ou ambas as opções. O Costa mais pequeno não teve dificuldade em descodificar o subtexto, e para sua defesa barricou-se na casa de banho.

Ninguém se lembra de um texto do Ricardo Costa, ou sua declaração televisiva ou radiofónica, onde ele tenha desmontado a campanha negra relativa às “pressões do Sócrates” (se existe, aguardo penhorado que me digam onde) tal como faz nesta passagem citada. O que nela vemos descrito fica com perfume de verdade pois é conforme ao senso comum, ao bom senso e a qualquer outro critério que possamos ir buscar à psicologia, à sociologia, à antropologia, a qualquer domínio do saber e da experiência humana. Políticos e jornalistas não só comunicam constantemente como o fazem em situações privadas. Políticos e jornalistas convivem regularmente, frequentemente, intensamente. Políticos e jornalistas estabelecem laços de proximidade pessoal, afectiva, relacional pelas mais diversas e desvairadas razões, incluindo os benefícios mútuos ou a enigmática preferência subjectiva – como sempre, como acontece e acontecerá até ao fim dos tempos com todos nós. Os telefonemas de Sócrates não passavam disto, algo que o tonto do Henrique Monteiro ou o sonso do David Dinis poderiam confirmar se quisessem ser honestos. Conversas sem a menor capacidade para violarem o código deontológico, o estatuto e a consciência dos jornalistas que nelas participavam livremente. Malta que vivia do mesmo, a política, a interagir como parceiros e rivais num apaixonante e magnífico jogo de riscos e atracções imarcescíveis.

Acossado pelo borra-botas armado aos cágados, o mano Costa partiu para a exibição dos seus galões e superioridade de caserna. Pois era, afinal o JMT tinha ali à sua frente quem despachava pela matina primeiros-ministros desesperados para falar com ele, aos quais ele fazia o especial favor de fingir que os estava a ouvir enquanto desmanchava a barba e estava a cagar, literal e peristalticamente a cagar. No final, depois de encher o bandulho com um galão e olímpicas torradas mergulhadas em manteiga, dizia para o infeliz governante “‘Tá bem, ’tá bem” e ia sorridente e relaxado para o império do Balsemão dar ordens e continuar a curtir a sua dolce vita. Quer-se dizer, é um bocadinho diferente de ter de andar a ganhar a vida como palhaço para todo o serviço, devolveu o mano Costa num subtexto que nada garante ter sido descodificado pelos neurónios do entrevistador.

O melhor da entrevista, porém, estava guardado para uma singela afirmação:

João Miguel Tavares - Ficaste surpreendido quando ele [Sócrates] foi preso?

Ricardo Costa - Só não fiquei surpreendido porque uns dias antes já alguns colegas meus bem informados já estavam na pista disso [...]

Uns dias antes, o Ministério Público de Joana Marques Vidal tinha garantido que a comunicação social aliada estaria a postos para a cobertura mediática do século, estando no Governo Passos Coelho e em Belém Cavaco Silva, garante o irmão do actual primeiro-ministro. E se tal aconteceu foi porque para o Ministério Público seria completamente indiferente que a informação chegasse a Sócrates e demais visados no processo nesses dias que antecediam a cena no aeroporto – ou seja, os procuradores estavam-se a marimbar para a eventual destruição ou ocultação de supostas provas, para o eventual contacto entre futuros arguidos para combinarem supostas versões enganadoras. Surpresa? Nenhuma. Meses antes, a mesma PGR tinha lançado uma campanha de apoio a Seguro nas eleições no PS que implicou anunciar publicamente que se estava a fazer uma investigação contra Sócrates e apresentando-se os principais argumentos do que viria a ser invocado para a sua detenção e prisão. E tudo isto faz sentido porque, chegados a 2019, o quadro acusatório que justificou a prisão preventiva de 9 meses está completamente desactualizado. Prendeu-se para investigar, é uma das conclusões da “Operação Marquês” com implicações para a própria viabilidade do Estado de direito em Portugal. A anomia inerente a este quadro de fúria e adrenalina na caçada a Sócrates faz lembrar o caso da invasão do Iraque e o método do “Shock and Awe”. Também nesse processo se inventaram umas supostas armas químicas e biológicas que nunca ninguém veio a descobrir, nem depois de terem morrido milhares e milhares de iraquianos e de se ter destruído esse país à bomba – mas que se foram exibir em papel na ONU para justificar a espantosa violência que se iria seguir a uma celebérrima reunião nos Açores. O mesmo se fez na “Operação Marquês”, e já se tinha tentado no “Face Oculta” (aqui, tendo-se conseguido apanhar Vara sem provas): usar a Justiça, o aparelho do Estado, para vinganças e perfídias políticas.

Temos de concordar, dá muito jeito ter colegas “bem informados”. Viva o Artigo 38, viva a liberdade de expressão!

Conhecendo quem é o Dr. João Miguel Tavares

«Existem suspeitas fundamentadas que José Sócrates possa ter utilizado os serviços de informação durante o tempo em que ele lá esteve, e utilizar os serviços de informação para informação própria. Quer dizer que não é uma coisa, conhecendo quem é José Sócrates, seja propriamente uma coisa muito suspeita.»

Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de junho de 2019, 25 de Outubro

No último Governo Sombra, o Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019, deu uma abébia ao Nuno Artur Silva e conteve os revoltos ácidos que lhe invadiram o estômago ao topar com o caso da venda das Produções Fictícias a um sobrinho, uma típica manobra dos corruptos socialistas que o Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019, estuda com fervor 25 a 48 horas por dia. Contudo, o Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019, não chegou onde chegou a cometer erros de neófito, como sejam os de dizer sempre o que pensa em público ou os de ser coerente com os princípios que apregoa na feira. Acima e antes de tudo, o Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019, tem de fazer uma gestão exímia da pulhice com que enche os bolsos, o que implica ter uma sensibilidade apuradíssima para a escolha dos alvos da mesma, não vá a carteira ressentir-se com o entusiasmo torquemadiano. Pelo que era modicamente evidente ser o espectáculo onde actuavam Ricardo Araújo Pereira e Pedro Mexia uma situação incompatível com a exposição de mais um socialista arrastado pelo heróico Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019, até ao pelourinho onde o nosso defensor, salvador e libertador vende a caça, por atacado ou a retalho. Impossível tal acto ecológico e higiénico calhando esse socialista corrupto e socrático (passe a tripla tautologia) ser um independente de nome Nuno Artur Silva que acumula com o estatuto de figura com fulcral importância nas indústrias do audiovisual e dos conteúdos mediáticos cá da aldeia, assim como na carreira de muita e boa gente onde a estrela maior é precisamente o Sr. Araújo e parceiros. Calou-se bem calado, pois, o Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019, mas tendo recebido o bónus de testemunhar que os seus colegas de espectáculo não gastaram uma caloria na denúncia da campanha contra o Nuno. Já não foi mau, ao menos não fico associado a qualquer deselegância contra a Cofina, pensou misericordioso e resignado o Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019.

Usar a TVI, num programa com a popularidade e influência do Governo Sombra, para declarar que existiu um primeiro-ministro que conseguiu “utilizar” os “serviços de informação” para uma qualquer actividade ilícita desconhecida – descrita com a enigmática expressão “informação própria” – não está ao alcance de quase ninguém em Portugal. Tal afirmação implica assinar por baixo aquilo que se regista objectivamente, o facto de a acusação não conter um único dado que permita aferir da sua verosimilhança sequer ao nível dos indícios (daí se esgotar no intento e efeito calunioso), e implica deixar transparente o que se infere subjectivamente, a necessidade de se estar num estado cognitivo e moral “sui generis” para assumir a respeito de terceiros tais imputações num caso onde nada se testemunhou. Ora, o Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019, é essa entidade com poderes únicos na sociedade portuguesa. Ele, tal como Trump no outro lado do Atlântico, pode dar vazão no espaço público a qualquer bacorada que lhe atravesse o bestunto sem recear a mínima das consequências. Aliás, ele deseja ardentemente que alguém repita o que fez Sócrates quando este esgotou os recursos legais para tentar processar o Dr. João Miguel Tavares, então ainda não Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019. Daí nasceu esta gloriosa carreira de caluniador profissional que tanto conforto e segurança introduziu na vida profissional e pessoal do Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019.

Podemos ter poucas certezas na vida, duvidando de tudo e de todos se a sorte for madrasta, mas podíamos vender os móveis e os talheres para apostar com absoluta ausência de risco em como nunca, nunca e nunca o Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019, será confrontado no espaço mediático com um singelo pedido de explicações sobre o que ele imagina acerca do modo como “Sócrates utilizou os serviços de informação para informação própria” [sick]. Que diria o nosso genial “jornalista”? Por exemplo, será que admitiria ter ouvido essa teoria da boca do Zé Manel, o tal que se agarrou a ela assim que a “Inventona de Belém” foi desmascarada? Será que lhe colava a teoria do Cavaco sobre o espião socrático na Madeira, a tal que, precisamente, serviu de desculpa e droga psicadélica para lançar a partir da Casa Civil, e em conluio com a Sonae pela mão do Zé Manel, uma operação de perversão de dois actos eleitorais; no que fica como o mais grave atentado contra o Estado de direito ocorrido no regime democrático desde o 25 de Novembro e até à data? Não, pá. Foda-se, pá. O mundo mental do caluniador profissional de maior sucesso na Grei é regido pelo pensamento mágico. E não é por mal, é só porque é disso que as audiências papam e ele está ali para as entreter e deixar os seus patrões de bom humor. Assim, não importa para nada ao Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019, tentar perceber como é que um primeiro-ministro em funções consegue violar a lei com gravidade máxima logo com aqueles que têm tudo para se defenderem de tais riscos e tudo para os denunciar com provas. Na mesma lógica, ainda menos lhe importa que não exista – sequer na “Operação Marquês”, o mais exaustivo e dispendioso levantamento da vida de um cidadão que alguma vez se fez na República Portuguesa – qualquer sinal de ter existido a mais incipiente investigação a esse respeito. Finalmente, o Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019, caga d’alto em cima das instituições públicas e de quem as representa ao pintar os serviços de informação portugueses como um grupo de sabujos sem honra que se deixariam corromper por um político apenas por este lhes fazer cara de mau e falar aos berros, rodeados por trastes ainda mais miseráveis que, representando a Assembleia da República (portanto, eleitos por todos os partidos) para fiscalizar os serviços de informação, igualmente teriam alinhado e abafado a incursão criminosa do Engenheiro no feérico e fantástico universo dos espiões portugueses. Será verdade? Que teriam a dizer esses profissionais caso pudessem exprimir livremente a sua opinião sobre as acusações à sua honra e bom nome de que são alvo pelo Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019?

Compreende-se, sem esforço, que este retrato infantilóide e paranóide sirva a retórica primária com que diaboliza Sócrates, esse monstro com capacidades sobrenaturais para espalhar o mal e devorar as almas dos puros e inocentes, a vaca que ele mungirá até à última gota. E compreende-se, tristemente, o sucesso que o regime resolveu oferecer a um canalha sem qualquer préstimo para a resolução dos problemas que afligem a comunidade, o Dr. João Miguel Tavares, Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019 e tudo.

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Lapidar

«Anos de atentados ao Estado de direito, de mentiras berradas em primeiras páginas, de difamações, de injúrias, de factos distorcidos à medida, de um absoluto desprezo pela privacidade das pessoas, de voyeurismo, de divulgação de peças em segredo de Justiça, da exibição de interrogatórios judiciais, de manipulações, resultaram.

São vitórias em cima de vitórias. Conseguem condicionar o poder judicial (sabendo-se que algum desse poder colabora ativamente na atividade desse grupo de media) através de julgamentos populares prévios num jornal e numa televisão, ter políticos a escrever numa página quando na seguinte aparece uma escuta sobre a vida privada de alguém, entrevistam um primeiro-ministro no mesmo estúdio onde exibem interrogatórios de ex-ministros, fazem e desfazem reputações, elegem um populista xenófobo e agora a vitória final: a compra de um canal em sinal aberto que foi líder de audiências durante 19 anos e que tem milhões de pessoas a vê-lo todos os dias.

No novo cenário da nossa comunicação social, o grupo Cofina pode aplicar o modelo de negócio do Correio da Manhã e da CMTV de uma forma muitíssimo mais amplificada. Destruir a reputação de um ódio de estimação do diretor-geral, passar um interrogatório de um criminoso de delito comum ou mesmo de uma testemunha qualquer que não goste da forma de atuar da Cofina, mostrar uma rapariga a ser violentada, dar voz a um comentador preocupadíssimo com a invasão de imigrantes e com os assaltos por todo o lado.

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Uma empresa com uma licença de canal generalista no cabo (CMTV) compra outra com um canal de informação (TVI24) e outro também generalista (TVI) transformando um mercado - por circunstâncias de mercado e legais - de pequeno em minúsculo, não merece uma linhazinha dos nossos especialistas em media e dos inúmeros colunistas (sei de um artigo) e comentadores?

Um mercado publicitário a níveis de há 30 anos é ainda mais esmagado e não há um analista económico que diga o óbvio? Todos os dias vemos gente a chamar a atenção para a brutal crise dos media, algo está para acontecer que vai aumentá-la ainda mais e assobia-se para o lado? Já está tudo esquecido do brutal perigo para a democracia que é a morte lenta dos media tradicionais?

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O silêncio sepulcral sobre este negócio diz tudo sobre o poder da Cofina e a cobardia e a apatia de uma comunidade inteira. Nem sequer aspetos evidentes de regulação de mercado, que obstariam a que este negócio fosse sequer tentado, são referidos.

Não há, porém, maior cobardia e cinismo do que os dos nossos políticos, aquela gente que deve velar pelo bem comum e o interesse público.

Será que o medo de uma primeira página do Correio da Manhã ou de um alerta CM os faz esquecer dos seus deveres para a comunidade? A perspetiva de ter a equipa da Cofina a gerir um canal de televisão com a dimensão da TVI é um evidente assunto político.»

Pedro Marques Lopes