Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Entre o FSB e a Mossad, Trump patina face ao Irão? Considerações minhas, também elas mirabolantes como certas revelações nos States.

Ataca? Não ataca? Mudança de regime? Destruição do programa nuclear? Pois é. Por que razão se mandam os maiores porta-aviões para as imediações do Irão, se mobilizam as bases militares, se chegam a fechar aeroportos de vários países do Médio Oriente e depois… nada?

Tenho que chamar para a conversa o depravado Epstein. As suas ligações e de muitos do seu círculo de “amigos” à Rússia de Putin são agora mais do que evidentes. Diz-se que era um agente, pago a peso de outro. As fotos e os vídeos chocantes, os e-mails e os telefonemas mais do que comprometedores constantes dos ficheiros, apesar de todas as ocultações, tornam tudo bem claro. O FSB, através de Epstein, gizou um plano mirabolante de controlo dos políticos e empresários americanos (e não só) que vai ficar nos anais da História. Para já, pelo silêncio que suscita, mais tarde se verá se os efeitos da chantagem perduram e o mundo se torna num lugar sinistro e aterrador, controlado por uma seita de criaturas malévolas e dementes.

Penso que ninguém a não ser uns milhares de alheados ou fanáticos americanos duvida das ligações de Donald Trump a Epstein e deste, e dos dois, ao Kremlin. Todos os sinais estavam lá. Agora apenas se confirma. Portanto, o presidente dos EUA está nas mãos do presidente russo e foi eleito duas vezes graças à sua ajuda, no culminar de um plano urdido a longo prazo.

Falemos agora no Irão. Grande aliado da Rússia. Para a guerra na Ucrânia, os Ayatollahs fornecem milhares de drones e mísseis. O eixo Rússia-Irão-China-Coreia do Norte está sólido. Dir-se-ia que a Rússia jamais permitiria que Trump tentasse depor os Ayatollahs com o fim de instalar no poder um governo pró-ocidental (e sobretudo anti-russo). Não é? É… mas pode não ser. A conjuntura é mais complicada do que parece: neste momento, não podemos afirmar que os Estados Unidos façam parte do chamado “mundo ocidental”, que inclui democracias como o Japão, a Austrália ou a Coreia do Sul. Para Trump e o seu bando de poderosos malfeitores, tal não existe. É um conceito que não lhes diz nada, se é que entendem sequer a palavra “conceito”. O mundo ocidental, democrático, versus os regimes ditatoriais (chinês, russo, etc.) do resto do planeta é uma divisão sem sentido para os mentores do movimento MAGA e adeptos de ditaduras. Sendo assim, tal como na Venezuela se manteve o regime pró-russo do Maduro, agora sem Maduro, com certeza depois de negociações com o Kremlin, também no Irão talvez se possa fazer algum negócio com os russos de modo a tirar de lá os sinistros líderes para aliviar as tensões sociais. Como Trump hesita… quem sabe as negociações estão difíceis? É melhor talvez tratar da ameaça nuclear e o regime fica para um dia, quem sabe. No final de contas, também não deve interessar aos russos um Irão com armas nucleares e esse é um ponto comum. Tudo patina quanto à mudança de regime, portanto.

Mas e os israelitas? Não se livram do Hamas, do Hezbollah, dos Houthis?

Israel tem todo o interesse em que os Ayatollahs sejam corridos e que o regime respectivo deixe de financiar os movimentos islamistas terroristas seus vizinhos e inimigos. Israel tem todo o interesse em que os Estados Unidos ataquem o Irão com eficácia. Entretanto, corre a teoria também de que o Epstein agiria a soldo da Mossad (afinal o seu “sogro” e iniciador Robert Maxwell está sepultado no cemitério do Monte das Oliveiras em Jerusalém) e que o material comprometedor de que esta organização dispunha por via do Epstein implicava uma defesa incondicional do Estado de Israel por parte de Trump. Daí os recentes avanços da tropa. Depois da carnificina de civis aquando dos protestos no Irão, Trump declara que vai atacar. Monta o cenário para tal. Apesar disso, até agora, nada. Dá vontade de perguntar “qual é a dele afinal”?

Podem dizer que não é fácil, porque o regime iraniano está bem armado e pode causar danos graves em Israel. É verdade. Mas os trumpistas não sabem disso? Não sabem que não há alternativa viável para já aos Ayatollahs e que, da última vez que ripostaram, não foram meigos? Então porquê as movimentações? É só pela questão nuclear? E os milhares de iranianos assassinados? E o Nobel da Paz? (não vale rir)

Os interesses da Rússia e de Israel são neste momento incompatíveis no que toca ao Irão, actualmente um aliado da Rússia. Se Epstein trabalhava para o FSB e ao mesmo tempo para a Mossad e estas duas organizações têm Trump e a sua pandilha na mão, temos aqui um imbróglio. Aqui e no mar de Oman.

Faço conjecturas, sim, mas avisei que ia fazer. As relações internacionais estão a modos que caóticas desde que um desvairado ignorante e em declínio mental chegou ao poder nos States, sendo irresistíveis as especulações.

O Seguro já ganhou?

Dominguice

Creio que a arte, literatura e cinema/TV no caso, não concebeu um uso do poder político como aquele que Trump está a exibir no seu segundo mandato. Porque não estamos perante um exemplo de um líder fascista, ou de um grupo que esteja interessado em montar um Estado totalitário e policial no sentido orwellinano (pese algumas parecenças). Aquilo a que assistimos é uma outra coisa, original, ainda sem nome nem sólida conceptualização. Trump usa os instrumentos da constituição americana para instaurar um regime de sectarismo absoluto. Neste modelo, a justiça não só pode como deve perseguir adversários políticos ou meros obstáculo às suas decisões políticas. As informações e ligações relacionais que a função presidencial disponibiliza podem ser usadas para obter lucros privados. E um presidente dos EUA, enquanto presidente, pode promover o racismo. Fora o resto, que a violência do ICE representa e consubstancia com desumanidade e assassínios.

O Supremo Tribunal alinha nisto. Os empresários fazem fila aos seus pés. Os militares comem e calam. O povo americano divide-se entre os cúmplices e os atarantados. A realidade, mais uma vez, dá lições a ficção.

Dia de reflexão

Hoje é um bom dia para se reflectir sobre a ligação do Chega ao nazismo. É sabido que há elementos do Chega com esse gostinho pelos nazis e nazis com igual gostinho pelo Chega. É também sabido que Putin só invadiu a Ucrânia para se entreter a matar nazis, tarefa em que já leva 4 anos com óptimos resultados. Têm sido assassinados nazis à bala e à bomba por toda a Ucrânia, muitos deles em casa ou em cafés, outros a caminho do trabalho e da escola.

A reflexão que faço é a seguinte: seria de avisar o Putin que também temos nazis em Portugal? Ou isso poderia ser algo exagerado, tendo em conta que, afinal, ninguém nesta santa terra se importa com a ligação do Chega aos nazis, talvez até haja muito boa gente (e gente boa) que ache graça?

Visto a resposta não ser evidente é que faz sentido reflectir sobre isto no dia de hoje.

Ventura, o adivinho

Apesar de saber que a lei não permite o adiamento das eleições, em todo o país, Ventura continua a insistir que deviam realizar-se na semana seguinte. Em que se terá baseado para fazer esta proposta? Obteve alguma garantia dos responsáveis do IPMA, ou da Protecção Civil, de que as condições meteorológicas vão melhorar nos próximos dias? Impossível. As previsões indicam mais adversidade. Ou seja, apesar de ser o líder do segundo maior partido, comporta-se como qualquer outro taralhouco, nas redes sociais, adivinha. Fundamentar as decisões que toma é coisa que não lhe assiste.

Vai terminar a campanha em Alcácer do Sal. Será que vai garantir àquelas populações que no dia 15 o território já se encontrará sequinho? Claro que não. Mas acusar os imigrantes e os ciganos de, em conluio com os socialistas, terem raptado o anticiclone dos Açores, e de serem os responsáveis por tudo o que estamos a viver, não me espantaria rigorosamente nada.

Exactissimamente

«De resto, o Chega é sistematicamente apanhado a votar contra, a favor e a abster-se no mesmo assunto — ou seja, destituído de convicções, a não ser uma: a de que tudo, incluindo todas as piruetas, vale para chegar ao poder. Se há algo que distingue André Ventura, algo em que é realmente exímio, é em não ter qualquer outra convicção a não ser a de que tem de fazer tudo o que for preciso, por mais repugnante e por mais vil, para chegar onde quer.

Não pode haver ninguém com o mínimo de cultura política e histórica que não veja e não saiba isso — pelo que todos os que, de forma mais ou menos sonsa, tentam articular defesas intelectuais do voto em Ventura são, como ele, meros oportunistas que ou pretendem uma boleia para o que esperam seja o seu destino ou sonham poder usá-lo.»


Manifesto dos mais-ou-menos-assumidos por Ventura

Declaração de voto

Estas presidenciais são uma desgraça. Se Ventura tiver tantos ou mais votos do que a AD, transformam-se num pesadelo. Só não chegam a ser uma tragédia porque Seguro vai ganhar.

O clima foi a interferência externa que condicionou imprevisivelmente a segunda volta. Mas mesmo sem ele, nada garante que Seguro tivesse tido a capacidade de suscitar entusiasmo abrangente, popular. Porque o homem nunca foi capaz de o fazer, desde os tempos da JS, e porque ele se convenceu que a sua mediocridade contentinha e soberba é, afinal, o que tem de melhor. Dá para o gasto face a um opositor abjecto. Promete 5 a 10 anos de penoso aborrecimento e inutilidade em Belém.

Mas Seguro não será um Cavaco, Seguro não será um Marcelo. Isso é uma evidência que, em boa justiça, justifica ir votar convictamente em quem não se revelou um patriota ao ter concorrido.

Introdução ao Estado de direito

«Marcelo Neves tem um nome para este mecanismo: constitucionalização simbólica. A Constituição serve de álibi. É invocada, citada, exibida como ornamento discursivo, enquanto os compromissos materiais que consagra não se concretizam. O direito existe no papel para legitimar uma realidade que o contradiz, reinterpretada como inevitável.

A distância entre o constitucionalismo normativo e o constitucionalismo real não é um acidente. É o resultado de escolhas políticas sustentadas por uma retórica que usa a Constituição para legitimar aquilo que ela deveria impedir. O Estado de direito, no sentido substantivo proposto por Gowder, exige mais do que a conformidade formal. Exige que o Estado trate os cidadãos como pessoas cujas necessidades importam, e não como incómodos a minimizar.

A segurança que o Estado de direito promete não é apenas proteção contra a arbitrariedade do poder. É também proteção contra a precariedade. Um Estado que deixa os seus cidadãos expostos à contingência, que os obriga a negociar o acesso a direitos que deviam ser certos, falha a sua promessa básica. A grávida que não sabe se terá um hospital disponível, uma equipa médica de prevenção ou sequer uma ambulância a tempo não vive sob um Estado de direito. Vive sob um estado de álea, ou situação de risco.»


Isto é Estado de direito?

O Ventura salvou a Luzinha e ninguém comenta?

Não costumo acompanhar as redes sociais do Ventura,  mas nesta campanha tenho estado atenta. Estou estupefacta com o silêncio da comunicação social e do comentariado relativamente a um vídeo que o artista em questão publicou hoje. Então o tipo salva um cão abandonado, filma-se com ele ao colo à porta dos novos donos, no caso uma deputada do Chega, e ninguém tem nada a dizer?!

Qual seria o tema do dia,  na badalada bolha mediática, se o protagonista do tal vídeo fosse o líder do PS, por exemplo? Ou o Seguro? Passaria despercebido? O silêncio da comunicação social, perante este tipo de acções do líder da oposição, seria grave em qualquer altura, mas no meio do que o país está a viver é muito revelador.

Não espanta que muitos comentadores, mesmo os que o criticam, façam questão de salientar a espectacular inteligência deste artista. Pois, assim é fácil. Omitem-se episódios como este e destaca-se com medalhas de louvor a sua magnífica eficiência. Com esta benevolência qualquer outro líder partidário faria sombra ao Einstein.

Isto aconteceu no dia em que Ventura apareceu a criticar o Marcelo por se ter ausentado do País. Diz o roto ao nu. Mas diz porque pode,  porque o deixam.

A três voltas

Concordo muito com a Penélope nisto: “Estas eleições presidenciais foram, bem vistas as coisas, uma espécie de armadilha em que Ventura se quis meter.” Porém, a armadilha que está montada com a presa no seu centro poderá não funcionar. Por exemplo, se a percentagem de votos for menor do que 70% para Seguro, não se fechou ou abriu (cada um que imagine o mecanismo da armadilha adequada ao bicho).

70-30 é o mínimo para se dizer que há ferida. 80-20 deixaria Ventura moribundo. 90-10 levaria a uma festança no Marquês e demais poisos de farra pelo País afora. Que está em causa nestas percentagens? O julgamento moral. Seguro ganhar por 1 voto é um triunfo político equivalente a ganhar por 5 milhões de votos. Os seus poderes presidenciais não sofreriam qualquer alteração, é indiferente a contagem das cruzes para o que será o seu primeiro mandato. Ventura perder por números que nunca antes se registaram seria uma estreia no campo da decência comunitária. Pela primeira vez, a comunidade estaria a dizer ao pulha que o seu projecto de violência social e política não era aceitável.

Quem primeiro o devia ter dito não o fez. Esse ser dá pelo nome de Pedro Passos Coelho. Ao ver o CDS a respeitar-se como partido então defensor da democracia, do humanismo e de uma moral do bem comum, nos idos de 2017, o Pedro correu para o palco com Ventura e crismou o candidato a Loures como o primeiro político com a chancela do PSD a poder oficialmente usar a xenofobia e o racismo na retórica e peças de campanha. Nascia o Chega.

A direita, de Passos a Cavaco, passando por Ferreira Leite e Rui Rio, viu o Chega como o aliado imprescindível para denegrir um Costa que parecia imbatível e abocanhar o poder. Ventura podia dizer as maiores alarvidades circenses, havia um mercado crescente na abstenção à sua espera. A estratégia era a de engordar o Chega até ao ponto de desequilibrar o Parlamento para a direita. Daí o processo de normalização de broncos proto-fascistas a reboque do populismo internacional que a direita política e mediática levou a cabo com um sucesso estrondoso. Pensavam que iriam sempre poder controlar a serpente, porque ela era gulosa e celerada. Não iria criar músculo, só banha da cobra.

Temos visto parte desta direita, parte dos seus impérios da comunicação, a castigarem Ventura e a terem brios de pessoas que conseguem reconhecer a miséria moral e o culto do ódio. Vieram tarde mas sempre a tempo. Agora, resta cumprir a originalidade destas eleições presidenciais. Estamos na segunda volta e, a partir das 20h do dia 8 de Fevereiro, também ficaremos a saber qual o resultado da terceira volta, concomitante com a segunda. Na terceira volta está em causa eleger um País capaz de preferir resolver os seus problemas com a inteligência em vez de os agravar com o medo. Será eleito?

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NOTA

Depois de escrever o texto calhou ler Uma votação reforçada em Seguro serve para quê ao certo?, de Ana Sá Lopes (que acho uma lástima como jornalista política, cúmplice dos populismos alarves), que diz, mutatis mutandis, exactamente o mesmo acima escarrapachado.

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Dominguice

Leitão Amaro declarou que o tal vídeo onde é protagonista de actos heróicos, vídeo que apareceu na sua conta do Instagram, “não devia ter sido publicado“. Mais esclareceu que ele foi retirado por ter sido “entendido de uma forma que não era a forma pretendida“, causando “más interpretações e sentimentos de incompreensão“. Ou seja, um problema de hermenêutica levou ao apagamento chocantemente prematuro de uma obra que foi criada com o talento e empenho de vários profissionais da imagem e do som. Estamos perante duas justificações que não aparentam ter conexão entre si. Por um lado, há a reacção infeliz do público, manifestamente incapaz de atingir a sofisticação e beleza da narrativa e suas ponderosas mensagens. Por outro, fica o enigma a respeito de quem terá violado a conta de Instagram do ministro, indo lá colocar cinema de autor com nenhum apelo comercial. Ainda mais intrigante é a seguinte hipótese, suscitada pelas ambíguas palavras de Leitão Amaro: a de que a intenção original talvez fosse a de nunca publicar o vídeo, ficando a peça para fruição privada no seu círculo familiar e de amigos. Seriam os únicos a poder aplaudir a estrela em mangas de camisa. Projecto boicotado com a publicação.

Tenho uma outra hipótese explicativa, que me parece muito mais realista dada a reconhecida seriedade, honestidade e coragem do senhor em causa. Que é esta: Leitão Amaro não fazia a menor ideia de que estavam a produzir o tal vídeo acerca da sua pessoa ao leme da governação no meio da tempestade, ele nem sequer conhecia o marmanjo que estava a filmar com o telemóvel. E daí o seu nervosismo, as unhacas roídas, os telefonemas para este e aquele na ânsia de querer saber quem era o gajo do telemóvel que não o largava e que raio fazia ele no seu gabinete. Acima de tudo, uma dúvida dilacerante atormentava o seu espírito e enchia-lhe de aflição o peito, como as imagens captadas exibem com impressionante comoção. Esta: “Se isto é mesmo para um vídeo catita, será que vou aparecer a cores ou a preto e branco?”

Bons e xenerosos

«Quer isso dizer que ninguém à direita te mereceria admiração moral? É só uma curiosidade.»

Agradeço a pergunta. Cingindo-me só a Galiza : Gostaria muito que assim fosse. Pois uma direita organizada e moral para o conceito de nação política galega é imprescindível. Houve e há uma grande tradição de nomes que cumprem esse requisito, mas estão já na história. No caso de valorizar a uma pessoa política pela sua moral, acho que não sou sectário, pois ainda que pareça virar, e vire, para a esquerda, não tenho, ataduras nem reparos em admirar, seja quem for, o bom fazer e estou co olho posto nos personagens da direita ou do centro. No caso de desejar o melhor para Galiza no desenvolvimento de nação política e cultural qualquer que ararar com esses bois, é prá mim, um dos “bons e xenerosos”, conceito moi usado no nacionalismo e galeguismo histórico para definir as pessoas com “moral”.

Postos assim, ainda a risco de ser um pouco maçado no relato, citarei :
Afonso Daniel Rodriguez Castelao: pai do nacionalismo moderno. Médico, artista pintor, saltou a areia política como necessidade de mudar as condições de Galiza e os seus cidadãos. Na procura dum mundo próprio para os galegos, dentro de Espanha, era um homem de centro e mais tarde de centro esquerda que liderou o ressurgimento galego nos tempo da República e que ninguém discute hoje, desde a direita a extrema esquerda, a sua liderança, luta e moral pelos ideais de todos os galegos. Ministro da vencida República, era pragmático, possibilista e homem de paz. Morreu no exílio em Argentina depois duma vida cheia de moral, laica, social, respeito os direitos mais fundamentais das nações e das pessoas.

Ramón Otero Pedraio: católico, fidalgo, intelectual, professor. Companheiro de Castelao no partido galeguista da época republicana, respeitado como figura emblemática, honesta, com uma moral católica e profundo sonhador e activista duma Galiza dono de se mesma. Ninguém hoje duvidaria do seu magistério, liderança para o nosso país e respeitado por todas as camadas sociais.

Manuel Fraga Iribarne: Ora essa. A quem me chame contraditório, palerma, pateta, andar na bebedeira ou algum dos muitos adjectivos tão sonoros e habituais neste blog, produto da variedade e riqueza da língua portuguesa. Será compreensível, e tal vez acho que apropriado, no entanto, seria mui injusto receber o apelativo de sectário. Este homem ( para dar contexto) foi ministro com Franco. Mente privilegiada, catedrático, homem de acção, visceral nas formas, era todo o contrario do estereotipo que os espanhóis têm de nós os galegos ( estereótipos nada positivos, mas essa é outra história). Foi o grande líder da direita espanhola depois da morte de Franco, ainda que o Rei não contou com ele para dirigir a transição, mais tarde fundaria o actual partido da direita o PP, actualmente na oposição. De família humilde, emigrante durante a sua infância na Cuba, foi um avançado e reformador na ditadura ( do pouco que se podia). Depois de dois intentos para atingir o poder para Presidente do Governo de Espanha, desistiu da liderança da direita espanhola e apresentou-se na Galiza para ser presidente da Xunta de Galiza. Foi Presidente quatro legislaturas. Tinha, política mente, essa dupla personalidade de ser para uns o grande líder espanhol e para outros, os galegos, um homem que representou a Galiza dentro de Espanha com personalidade e valentia que nos entendia, que sintonizava co país, que era um dos nossos. Tal vez fosse populismo e tactismo, no entanto o coração não engana. Nos seus governos havia nacionalistas ou galeguistas de direita e dentro deste jogo fez políticas avançadas e manifestou-se ele, de forma supressiva, como um líder da ideia da Galiza, da língua, do ser, e da gestão dos nossos recursos. Essa é a parte positiva além de que no plano moral, e de honestidade pessoal e política ninguém duvidava. Nunca tive, nos muitos anos de actividade política, suspeita de corrupção. Conseguiu boas relações com a esquerda nacionalista, coas elites económicas e culturais, e pode-se dizer que atingiu ser respeitado moralmente pela sociedade em geral. A sua figura era moi respeitada tanto na Galiza como em Espanha e isso dava sempre um plus de categoría a Galiza.

Depois a parte negativa, dizer que gostava do culto a sua personalidade o que fazia que misturada a sua grande vocação política e o seu narcisismo, fizera políticas populistas e mentíreis por vezes. Que não fiz reformas profundas e que o seu lado cresceu o clientelismo e o caciquismo secular. Que havia um partido nacionalista de direitas galego que ele conseguiu atrair para si e pouco a pouco ficarão mergulhados no seu grande partido. Foi isto uma grande mágoa para a política galega, pois um partido nacionalista como têm bascos e catalães e necessaario. Embora o seu poder atraente ganhou e os parvos perderam, eis a questão da vida. Depois, perdeu uma legislatura e deixou Galiza. Os seus voltaram a ganhar com Nuñez Feijoo a Xunta e até de agora. Neste caso calha a perfeição, o dito popular de quem melhor era o mão conhecido pelo bom por conhecer. Deixou um baleeiro grande na política galega e chegou a vacuidade, a indigência intelectual e a pilhéria de quem hoje pretende, desde a oposição ser presidente do governo de Espanha.

Todos mortinhos, mágoa. Hoje ando a buscar em Galiza, e não encontro. Depois de Fraga os medíocres e ordinários ocuparam e ocupam o poder “daquela maneira” que não seja prioridade nenhuma Galiza como ente política e a defensa da língua, a economía e a cultura galegas. São mandados, gestores de alguém, e obedintes as consignas do seu partido em Madrid. Priorizam políticas populistas para a sua clientela e o mantenham-se no poder controlando como seja os meios de comunicação, públicos e privados. Pouca moral. Eles não têm toda a culpa.
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Oferta do nosso amigo reis. Para entender o contexto, ler este seu primeiro comentário.

Os gatafunhos da Clara Ferreira Alves e coleguinhas

Para esta ilustre intelectual da nossa praça, o impacto da tempestade Kristin foi maior na região de Leiria do que em Lisboa e no Porto porque Leiria é uma cidade pobre. Ficámos, portanto, a saber que as árvores da região centro tombaram por serem pobrezinhas e que as de Lisboa e do Porto se mantiveram de pé por pertencerem a outra classe, são árvores ricas. Pedir a esta senhora para falar sobre o fenómeno que atingiu o País é pior do que pedir a um analfabeto que pegue numa caneta e escreva um poema,  é que o analfabeto pode ter alma de poeta.

Os colegas de programa revelaram, igualmente, que não gastaram um minuto a prepararem-se para falarem sobre este fenómeno. Caso contrário, podiam ter explicado à Clara que o impacto foi maior na região de Leiria porque foi por aí que passou o núcleo da tempestade e que se o mesmo tivesse passado por Lisboa ou Porto, muito provavelmente, estaríamos perante uma catástrofe ainda maior.  Não só por haver mais edifícios e estruturas para destruir como muito mais pessoas a circularem na rua àquela hora. Em vez disso, tentaram convencê-la, sem sucesso, de que Leiria não é uma cidade pobre…

Isto fez-me pensar na mensagem que a Protecção Civil enviou à população. Perante este nível de ignorância e iliteracia, que é generalizado, será suficiente avisar que se aproximam ventos de 140 Km/h, como se a população soubesse o que isso significa?

 

 

Obrigado, Leitão Amaro

Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro. Obrigado, Leitão Amaro. Muito obrigado, Leitão Amaro. Obrigadíssimo, Leitão Amaro.

Santa hipocrisia

«Antes da primeira volta já eu tinha escrito um artigo em que dizia que não iria votar em André Ventura “porque sou um cristão substancial e não um cristão cultural". O cristão substancial sabe que as interpretações das Escrituras dão para quase tudo, excepto para isto: fingir que não se tem de amar o próximo como a si mesmo. O cristão substancial é simplesmente aquele que leva a sério a crença de que todo o ser humano tem em si uma centelha de divino – e por isso não pode ser humilhado, maltratado, desprezado.»

Caluniador profissional pago pelo Público

Se a pulhice pagasse imposto, teríamos o salário mínimo nos cinco mil euros, todas as escolas públicas com piscina e um hospital em cada bairro. Este fulano tornou-se numa estrela da indústria da calúnia precisamente porque escolheu a violência – muitíssimo bem paga – de atentar contra os direitos de personalidade, e outros, dos alvos políticos que lhe apareciam na mira. Para tal, foi explorador e amplificador de crimes cometidos por magistrados e jornalistas. Com isso provocou sofrimentos incomensuráveis nas pessoas que perseguia directamente, e que continua obsessiva e venalmente a perseguir, assim como nos seus familiares e amigos.

O exercício da difamação e da calúnia é permitido pelo Deus dos “cristãos substanciais”? A César o que é de César, pelo que se pode pecar à-vontadinha nos jornais e televisões e depois papar a hóstia e curar a diabolização em curso?

Na origem do Estado de direito democrático está o liberalismo como filosofia. Neste, nas suas origens, Deus é convocado para fundamentar os direitos inalienáveis de cada um, os direitos naturais. O que até então tinha sido um exclusivo privilégio de sacerdotes e reis passava a poder ser apanágio do mais miserável à nascença. Não é preciso acreditar em qualquer entidade divina para aceitar que o humanismo consiste em não fazer ao outro o que não queremos que nos façam a nós, por um lado, e em fazer ao outro o que queremos que nos façam a nós no plano dos direitos e garantias, a dimensão da liberdade, pelo outro. É o amor à lei, como expressão da civilização onde queremos viver juntos.

Ventura não tem hipóteses nem como PR nem como primeiro-ministro e, com o exemplo do Trump, o Chega só se desvanece

Se considerarmos o número significativo de notáveis e não notáveis que votaram em candidatos da direita democrática nas eleições presidenciais e o número de notáveis e simples votantes que vão mais uma vez rejeitar André Ventura (antigo comentador de futebol) liminarmente na segunda volta, é lógico apostar em que, numas legislativas, nem que os líderes dos partidos de direita sejam o equivalente à Miss Piggy os eleitores de direita irão votar no Ventura. Estas eleições presidenciais foram, bem vistas as coisas, uma espécie de armadilha em que Ventura se quis meter. Não presta para as instituições e demasiada gente vê, e viu, que não presta. E expressa-o nas urnas. Ventura vai para o palco e para todos os palcos para onde puder ir. No entanto, apenas mostra que o que quer é ludibriar, insultar, desestabilizar e utilizar a violência. E, pessoalmente, tornar-se ditador como o Salazar, esse indefectível das missas e da tortura aos contestatários. Voltar aos tempos do cardeal Cerejeira. Benzeduras por um lado e repressão e prisões por outro. Será isto um transtorno? Não sei. Ventura é um charlatão. Mas não vai ter sorte nenhuma.

Ao contrário do que se lê de vez em quando em escritos de pessoas muito sérias que acham que há razões políticas e sociais ponderáveis para muitos cidadãos apoiarem um aldrabão daquele calibre e que, se forem corrigidas as desigualdades o problema do populismo desaparece, os eleitores do Chega não são os ressentidos do sistema. Ressentimentos toda a gente mais ou menos tem e não é por isso que se olha para o autointitulado “quarto pastorinho” e se vê nele um personagem promissor enquanto primeiro-ministro, capaz de melhorar a vida de quem quer que seja. O mais provável é que, quem olha para ele com interesse, ache que ele é um justiceiro a puxar para o carniceiro e isso é bom (há muito sádico), ou que terá um emprego garantido ou lucros chorudos (ver o que se passa com Trump e os seus financiadores) ao apoiar a criatura e ao ser visto a berrar ao lado dele. Ventura e os seus equivalentes noutros países dedicam-se à venda de banha da cobra e encontraram na questão da imigração (que tem algo que se lhe diga, na verdade, tendo sido levianamente tratada em muitos países) e nos casos de transgressões de alguns políticos uma oportunidade para dizerem que são diferentes para melhor (mas na verdade para pior) da chamada “corja que nos governa desde o 25 de Abril”, prometerem o paraíso (militarizado), suscitarem raivas e ódios, despertarem o pior de cada um, e conquistarem votos entre os mais desinformados. Isto apesar de um olhar atento ao séquito do grande chefe não poder tranquilizar ninguém quanto à lisura dos respectivos comportamentos nem quanto às suas qualidades intelectuais e humanas. São maus e qual deles o pior. As redes sociais ajudam estes populistas por serem as plataformas de excelência para o escárnio e maldizer e por terem trazido à tona, e dado voz, a todo o lixo humano e ignorância que sabíamos existir.

Quanto lixo existe em Portugal além de 23% não sabemos ainda, mas diria que não haverá muito mais. A tal Miss Piggy da direita portuguesa coligada ganhará sempre ao Ventura. Como a possibilidade de aparecer na direita tradicional um Ventura dissimulado e com boas maneiras é remota (para já porque não teria a sua audiência, que gosta da má-criação) e, mesmo que surgisse, seria muito mal recebido pelo já declarado candidato a ditador, o Ventura estará condenado a liderar o Chega e a sonhar com a ditadura enquanto o problema da imigração se vai resolvendo. Os “ressentidos”, já agora, incluem muitos bolsonaristas brasileiros, como a advogada do grupo 1143.

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