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Pergunta do dia seguinte ao da “morte da civilização iraniana”: o homem quer é dinheiro e os iranianos pagaram, para já dividindo os proventos da cobrança ilegal?

O novo Eixo do Mal parece precisar desta guerra para acabar de se construir, ganhando um novo membro (membros actuais: Rússia, Irão, Coreia do Norte, quem sabe a China?). A “civilização iraniana” afinal não morreu hoje e parece que o estreito de Ormuz vai reabrir, agora com cobrança de portagens. Mas eis o modo como o “showman” resolveu o assunto: “Ai vocês agora fazem-se pagar pela passagem do estreito (recorde-se, uma via internacional natural)? “Clever guys”. Pois eu não vos arraso e a gente partilha o dinheiro da cobrança.” Nas suas palavras “Vamos gerir o escoamento dos navios “em conjunto””. É ilegal? É. Mas a corrupção e a ilegalidade nunca atrapalharam o Donald. Sabe que ninguém vai fazer nada contra isso, como ninguém tem feito nada quanto aos seus restantes crimes a nível interno, alguns bem mais graves e que o confinariam à prisão até ao fim dos seus dias. Prevejo mais: que ou o regime do Irão aceita partilhar as receitas da venda de petróleo e gás ou a guerra continua. O homem nem disfarça:

Take the oil because it’s there for the taking,” Trump said. “There’s not a thing they can do about it. Unfortunately, the American people would like to see us come home. If it were up to me, I’d take the oil. I’d keep the oil. I would make plenty of money.” Quer isto dizer que talvez não fique com o petróleo todo, apenas com parte dele.

Como também disse na inenarrável conferência de imprensa de segunda-feira, “I’m a business man”. Leia-se, está na Casa Branca para lucrar. Tudo o que vá além disso não sabe o que é nem lhe interessa. Acrescentou ainda que quem ganha as guerras tem direito a ficar com tudo.

O Netanyahu puxa-lhe a manga e lembra-lhe que, no acordo, tem que ficar escrito que não haverá mais financiamento dos “proxies”, Hamas, Hezbollah e Houthis. Vamos ver.

A paz no mundo está, pois, nas mãos desta criatura sórdida, sem moral, sem princípios, sem respeito, sem conhecimentos básicos de História e de política, sem nada a não ser a vontade de enriquecimento pessoal e dos amigos. Pode ter sido levado a esta guerra por pressão de Netanyahu, mas, agora que ali está e com dificuldades em sair, não se importa nada de se juntar aos sinistros ayatollahs e guardas revolucionários e fazer dinheiro. Afinal já fez o mesmo com a Rússia (O assassino Putin? Um amigo para a vida, enquanto vende armamento aos europeus e, na prática, lhe vai entregando a Ucrânia). A verdade é que, se os ditos ayatollahs decidirem fazer-lhe uns elogios, até passará a chamar-lhes gajos porreiros como o Kim Jong Un.

Nero da Flórida

Trump gostaria de estar numa conferência de imprensa, na Casa Branca, e responder aos jornalistas que fazem jornalismo baixando as calças, virando-se de costas, curvando-se para dar protagonismo ao traseiro desnudo, e depois mijar para cima do palco e da assistência. A avaliar pelo que vai escrevendo e dizendo por causa do Irão, é cada vez mais provável que o faça. Ficaria como a prova final de estar demente? Nada disso. Continuaria a colocar-se como interrogação se tal não seria mais uma aplicação magistral do “art of the deal”.

Quem não se bolçou quando Trump, logo em 2015, atacou cobarde e vilmente John McCain, e quem depois continuou a apoiar a decadência moral celerada que se seguiu vinda daquela cabeça despótica, é igual a ele. Pode ser numa pequenina parte, minúscula, mas nessa parte é igual a ele. Um ser humano abjecto.

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Dominguice

A peça “Senhor Engenheiro” será, se não me falham as contas, a terceira tentativa de explorar comercialmente a Operação Marquês no campo da ficção. Já se fizeram duas séries televisivas, na RTP e na SIC, agora vem o teatro (caso alguém conheça outros exemplos, agradeço a correcção). Ouvindo o autor e o encenador na promoção da coisa, fica patente que são dois broncos. Donde, a única finalidade do seu projecto consiste em tentar atrair público que sinta o desejo irresistível de ir até ao Tivoli participar no bacanal do linchamento de um cidadão a quem se dá muita importância – um ser fascinante, sobrenatural, que desperta o ódio febril e a pulsão da morte.

O cavaquismo do BPN, o Portas dos submarinos e quejandos, a Troika do Passos, o BES da direita toda, os crimes dos procuradores e jornalistas, as injustiças dos juízes, o Ventura fascistóide, o Marcelo patareco, o Montenegro dos negócios em família e a violência de uma sociedade cúmplice com este rol de misérias não são material ficcionável. Não dão vontade de rir alarvemente, pois é só gente séria e portugueses de bem. Rir a bom rir é com um tipo que está há 12 anos na arena do coliseu.

É só cultura

Francisco José Viegas vai ser o consultor de cultura do Presidente da República

Marcelo tinha escolhido Pedro Mexia para consultor de cultura. Percebe-se à primeira porquê. Mexia reúne todas as características para ser a escolha de um Presidente que gosta mais da televisão do que da cultura. Ou melhor, cuja cultura favorita é a da intriga, da futilidade, da leviandade deslumbrada. Vai daí, Mexia, cujo contributo maior para a cultura pátria é ser um profissional da calúnia (por alguns actos e milhares de omissões). Que fez Mexia na função ao longo dos dois mandatos? Ninguém sabe nem pergunta. Mas o seu bolso ficou ainda mais aconchegado, isso é certo.

Eis que chega Seguro, um homem das esquerdas, consta. Também ele precisa de um consultor na área da cultura, obviamente. Alguém com uma visão da cultura na qual ele se reveja, e que considere ser exemplo para dar ao povo. Vai daí, o Viegas, um tipo que escreve livros e que poderia ter sido a escolha de Marcelo caso o Mexia recusasse. Que vai ele fazer na função durante, pelo menos, os próximos 5 anos? Ninguém sabe nem pergunta. Mas o seu bolso não se irá queixar, isso é certo.

Seguro é uma nódoa. Vai ser isto, e bem pior, até ao fim.

“Vão a Ormuz buscar o petróleo”*. Obsceno

O estreito de Ormuz estava aberto há um par de meses. Agora está fechado. Antes o petróleo circulava e agora não circula. Falta flagrante de previsão/conhecimento/objectivo? Ou acção deliberada do americano laranja para obrigar os países a comprarem americano (e russo)? Não sabemos, as decisões erráticas parecem ser a norma, mas ambas as hipóteses são possíveis. Muita arrogância e vontade de abuso de força não faltam (não fosse o homem um abusador, desprovido de empatia, obcecado com a riqueza, além de um completo ignorante e Hegseth um belicoso, possivelmente fanático de videojogos).

Caramba, eu não sou dos que acham que antes dos ataques ao Irão estava tudo bem. Não estava. O Irão é, de facto, o grande financiador do terrorismo islâmico a nível internacional, os seus líderes são fanáticos perigosos e facínoras para com a própria população iraniana que deles discorda, em nome da religião poderão usar o nuclear para fins extremos e, actor determinante neste conflito, Israel não pode viver eternamente sob disparos de mísseis e sujeito a bombistas suicidas nem desistir de si próprio. E não, no que toca a Israel, está mais do que visto que nada se pacificaria se os israelitas decidissem fazer a sua vida dentro das fronteiras de 1967 e deixassem de controlar Gaza. Pelo menos não enquanto no Irão e em Gaza (e no Líbano) se gritar “morte a Israel” e se gastar o dinheiro todo a escavar túneis para atacar o vizinho. O objectivo é o extermínio, não é a convivência pacífica nem a aceitação de um estado de confissão não muçulmana, bem comportado, ali na zona.

Dito isto, uma vez começadas as hostilidades, bem planeadas ou mal planeadas, se Israel e os EUA não conseguirem instalar em Teerão um governo mais moderado que abdique do terrorismo, estabeleça relações civilizadas (como, enfim, os Estados do Golfo) com um Israel definitivamente contido no que toca à Cisjordânia (por negociações) e abra o estreito, a situação ficará mil vezes pior, não só para Israel, mas também para o resto do mundo, agora sem acesso ao petróleo ou com um acesso futuro muito mais caro. E a teocracia iraniana declarar-se-á vitoriosa. Só piora as coisas ouvir Trump dizer que quer ficar com o petróleo iraniano. Penso que nem os revoltados jovens que protestavam nas ruas do Irão aceitarão o declarado confisco.

Atoleiro, portanto. O Estado de Israel não ficará nada satisfeito se os americanos se retirarem, como já equacionam, agora que não sabem o que fazer e começam a disparar verbalmente para todos os lados contra o Ocidente e os países da NATO, que não foram nem tidos nem achados para esta operação.

Completamente nas mãos dos russos (é ver a bonomia com que o petroleiro russo é autorizado em Cuba), Trump pode até ter tido o aval de Putin para esta intervenção, uma vez que a Rússia está a beneficiar com o conflito. E não nos deve surpreender que os americanos se mostrem indiferentes à ajuda que os russos estão a dar ao Irão nesta guerra, nomeadamente na definição dos alvos. Americanos. Tudo encaixa. Manipulação mais escandalosa não há.

*https://www.bbc.com/news/live/c8jke9v9xv9t


 

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Dominguice

Trump, Netanyahu e Putin são um problema para o mundo. Mas Trump é um problema dos americanos, Netanyahu um problema dos israelitas e Putin um problema dos russos. Todos eles são criminosos. E todos eles recebem aprovação das suas populações, dos seus militares, dos seus sistemas de Justiça.

O futuro não lhes pertence, todavia. Porque se o futuro consistisse na desumanização passaria a ser o passado.

Nas muralhas da cidade

«Quero sinceramente acreditar que este escrutínio, e os meios judiciais e policiais aplicados no caso de Albufeira, não está ligado ao facto de se tratar de uma autarquia liderada pelo Chega. Quero sinceramente acreditar que a generalizada ausência de reações de responsáveis políticos, e de outros comentadores, também aconteceria se estivessem em causa outros autarcas e outras autarquias lideradas pelo PS, PSD, PCP ou outro partido. Quero sinceramente acreditar que as operações de busca não foram pensadas pelo legislador para aplicar em guerras políticas. E quero sinceramente acreditar que não deve ser apenas o líder do Chega, André Ventura, a pedir explicações ao MP por usar "poderes policiais e coercivos para intimidar um representante do povo".»»


E porque não escutas para o presidente de Albufeira?

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