Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Dominguice

Não podemos impedir o crime nem adivinhar quem vai ser criminoso antes deste o ser. Não conseguimos impedir as alterações climáticas nem sequer sabemos o que as causa. Não temos o poder de evitar doenças incuráveis nem o envelhecimento. Não há nada que possamos fazer contra o azar nem a favor da sorte.

Apesar disso, somos a inveja de todos os deuses criados e por criar.

O João Miguel não odeia, ama

«Esta mistura despudorada de futebol, jornalismo e política só serve para uma coisa: agravar uma cultura de ódio que envenena há décadas este país.»

Caluniador profissional pago pelo Público

A pulhice resulta quase sempre em quase todas as situações onde o pulha procura obter um ganho ou manter uma posição vantajosa. Porquê? Porque a pulhice consiste em usar o instinto gregário de terceiros, e seus inerentes vieses cognitivos, com vista a recolher proveitos individuais ou tribais.

Como neste caso deste famosíssimo caluniador. Ele não nasceu assim, com fulgurante consciência infantil e adolescente de poder ser a calúnia uma carreira milionária. Mas as circunstâncias abriram-lhe esse caminho, em 2009, o qual de imediato lhe pareceu a sorte grande. De lá para cá, o que a citação ilustra corresponde ao seu modus operandi. Faz o mal e a caramunha, como qualquer hipócrita típico.

Não sabemos o que entende por “cultura de ódio”, nem sequer a que correspondem as “décadas” aludidas (20 anos? 90?), mas dá para perceber que o autor não se considera parte da maleita que denuncia. Ou seja, quem usa poderosos veículos de comunicação social para andar há anos a fazer campanha pela prisão sem provas nem julgamento de certos cidadãos não está a “odiar”. Quem usa poderosos veículos de comunicação social para perseguir difamando certos cidadãos que a Justiça portuguesa não condenou não está a “odiar”. Quem usa poderosos veículos de comunicação social para alimentar as pulsões populistas contra os governantes e a classe política em geral, incluindo as instituições pilares da República, não está a “odiar”. Que estará a fazer, então?

Vou apostar os 10 euros que tenho no bolso nesta resposta: está a amar. Ele ama ser esta versão de si mesmo. Ama ter quem lhe pague pelos serviços prestados.

Proto-fachos e neopassistas, eis o futuro da direita

O presidente do Chega afirmou, esta tarde, que foi concertado com Luís Montenegro o apelo, feito pelo líder parlamentar do PSD, Joaquim Miranda Sarmento, para que os deputados do partido aprovassem o candidato do Chega à vice-presidência da Assembleia da República, Rui Paulo Sousa.

O líder do Chega agradeceu ao PSD o gesto e, em declarações aos jornalistas, antes da votação, na Assembleia da República, declarou que tem existido um trabalho de aproximação com o PSD e a Iniciativa Liberal, para que possa haver uma alternativa de direita - um caminho que, defendeu, é possível agora com Luís Montenegro, e que não o tinha sido com Rui Rio.

"É evidente que esta normalização era o caminho que Rui Rio nunca aceitou fazer e era o caminho que tinha de ser feito para que se possa haver aquilo se chama, minimamente, uma alternativa", atirou André Ventura

"Rui Rio ficou calado na eleição do vice-presidente da Assembleia da República, Montenegro está a ter uma atitude diferente", notou. "Ainda há pouco, eu via notícias que deixavam claro que esta posição de Joaquim Miranda Sarmento foi concertada com Luís Montenegro - e foi mesmo, concertada com Luís Montenegro e comigo", adiantou.


Fonte

"Não houve concertação nenhuma", respondeu Montenegro quando confrontado, pela TSF, com as declarações do líder do Chega de que teria, precisamente, concertado com o homólogo social-democrata o apoio à candidatura de Rui Paulo Sousa.

"As declarações que li dizem precisamente o contrário, que não houve concertação nem reunião comigo, nem com o PSD, a nossa posição é institucional", garantiu Montenegro, antes de acrescentar aos jornalistas no local que o caso "não tem significado político" e que a situação é "muito clara" para o partido que lidera.


Fonte

Burros a cavalo

A Coreia do Norte, salvo melhor opinião do Bernardino Soares, é uma tirania nepotista que coloca as fichas todas na chantagem nuclear para conseguir sobreviver. Terá Kim Jong Un um vasto arsenal nuclear à disposição? Não, basta-lhe apregoar que tem um singular míssil atómico capaz de atingir a Coreia do Sul ou não sei onde para conseguir o efeito desejado. Imaginemos agora que o fulano resolvia mesmo disparar a coisa nalguma direcção, que aconteceria a seguir? Dá ideia que a resposta do país atingido e dos seus aliados viesse a ser algo prejudicial para o nosso Kim, familiares e amigos. O fulano, portanto, ou está na reinação ou é suicida.

Quem também ou está na reinação ou é suicida é o fantástico Putin. Logo no início da invasão da Ucrânia fez ameaças de guerra nuclear através de terceiros do seu círculo e agora deu-lhes voz própria. Putin, portanto, acaba a sua carreira política a nivelar-se pelo líder da Coreia do Norte, ambos com perfil de criminosos capazes de tudo para manterem o poder. Donde, pode ser que a Rússia resolva tentar acabar com a Humanidade lançando o seu vasto arsenal atómico com vista a provocar um “inverno nuclear” em nome da desnazificação da Ucrânia. Não sei exactamente qual será a opinião da China e da Índia a esse respeito mas em tal cenário uma coisinha parece certa: o próprio Putin, amigos e familiares não teriam tempo para se ficarem a rir.

Putin não é, neste momento, apenas uma ameaça para a civilização em geral. Ele também ameaça a vida de quem com ele desfruta de um regime criminoso. São esses que precisam de resolver o problema de terem um burro perto do botão da demência.

Jogos de paz

No dia 28 de Agosto, dois navios de guerra norte-americanos atravessaram o estreito de Taiwan. Ontem, um navio de guerra norte-americano e outro canadiano repetiram essa travessia, e por lá voltarão a passar nos próximos meses e anos como o têm feito desde sempre. Trata-se de um nico de águas a separar a China da ilha rebelde, 180 quilómetros. Águas que a China considera suas na totalidade e que os diabólicos americanos acham que devem permanecer internacionais num filetezinho que permita o trânsito livre.

Qual a importância disto? Não teríamos tempo, muito menos conhecimentos, para começar a desenvolver o assunto. Pelo que o melhor é saltarmos para 2 de Agosto, altura em que Nancy Pelosi aterrou em Taiwan. A resposta da milenar China ao avistar a líder do Congresso norte-americano ali tão perto da Grande Muralha foi espectacular. Durante dias e dias gastaram combustível e munições como se quisessem mesmo iniciar a invasão ainda a tempo de acertarem com uma chuva de misseis na cabeça da senhora. E depois recolheram o material e o pessoal quando se fartaram.

Ora, se um singelo fato cor-de-rosa desperta a fúria do magnífico exército comunista-capitalista, e muito bem pois há limites, como explicar que os mesmos implacáveis generais fiquem imóveis e calados ao ver passar nas suas (realmente suas, como apregoam sem vacilar) águas soberanas cruzadores estrangeiros cheios de armamento e militares que não lhes pediram licença nem mostram ter medo?

Parecendo confuso é simples. Os navios de guerra dos EUA e dos seus aliados que desafiam as pretensões da China não prejudicam nenhum dos seus interesses presentes, apenas alguns dos seus interesses futuros. Compete à China ponderar se vale a pena prejudicar muitos dos seus interesses futuros por causa de um específico interesse presente. Se achar que sim, escolhe iniciar uma guerra de destruição incalculável. Se achar que não, são os americanos e seus aliados quem está a garantir a liberdade e a paz.

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Dominguice

Este estudo – Losing Sight of Piecemeal Progress: People Lump and Dismiss Improvement Efforts That Fall Short of Categorical Change — Despite Improving – abrange observações feitas a 10 556 adultos e obteve a seguinte informação: achamos que menos do que 100% na resolução de problemas públicos (mas não só) equivale a 0% nos resultados obtidos pelas soluções adoptadas. Isto é, não conseguimos reconhecer melhorias numa dada situação colectiva quando a dificuldade inicial persiste após a tentativa para a erradicar. Trata-se de um viés especialmente destrutivo nas democracias, onde as oposições e a imprensa exploram este efeito ad nauseam de acordo com as suas agendas sensacionalistas e políticas – causando um permanente desgaste nos Governos ao arrepio do seu grau de sucesso relativo na administração da coisa pública. Se o fenómeno parece desesperantemente estúpido é porque o é realmente.

Continuam a ter razão os medievais, pois, quando avisavam que a fundamental diferença entre a esfera humana e o reino animal não consiste na capacidade de distinguir entre o bom e o mau. Antes, no conseguir escolher entre o mau e o pior, entre o bom e o melhor, eis a realização da mais alta inteligência.

Pastéis de Belém

«Quanto ao facto de os partidos da oposição não reconhecerem os resultados eleitorais e de o líder do maior partido da oposição (UNITA), faltar à investidura, entende que o importante é que haja maturidade, "independentemente do debate sobre a legitimidade", e que isso não afete o funcionamento das instituições.

"Nós tivemos um debate sobre legitimidade em Portugal em 2015/2016 quando eu assumi funções, discutia-se sobre a legitimidade das forças que iam exercer governo, uns diziam que deviam ser uns, outros que deviam ser outros, de acordo com a leitura diversa das eleições", lembrou a propósito da "geringonça" formada após as eleições legislativas de 2015.»


Fonte

Após ter papado o 10 de Junho, fortíssimo candidato ao Prémio Pessoa

«“Oh, não, lá vem ele outra vez”, suspiram os leitores mais enfadados sempre que recordo as ligações dos actuais membros do governo, ou do presidente da Assembleia da República, ou de vários eurodeputados, aos tristíssimos tempos em que José Sócrates envenenava o país.

Tenho uma profunda falta de respeito intelectual e político por todos aqueles que andaram de braço dado com José Sócrates durante anos a fio e nunca conseguiram perceber quem ele era. Ou eram corruptos, ou eram burros, ou eram cegos, e mesmo que escolhamos a mais bondosa das opções – a cegueira –, ela só se pode explicar por tribalismo, partidarite, espírito de claque e cultura apparatchik. Será com este tipo de gente que se vai salvar o SNS em Portugal?»

Caluniador profissional pago pelo Público

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