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À política o que é da justiça!

Não há nada como acusar socialistas para animar as hostes social-democratas. O Rui Rio, que estava a levar os apoiantes ao desespero, tão mortiça andava a sua campanha, parece outro desde que se agarrou ao caso Tancos para atacar o Governo. Se calhar, para alguns, foi um bocadinho longe de mais, mas nada que tenha atrapalhado outros que acham que o caso tem mesmo de ser discutido na campanha. E não vale a pena virem cá com o “à política o que é da política e à justiça o que é da justiça” que isso não passa de “conversa estafada”, como nos avisa o Pedro Marques Lopes.

Mas estou aqui com uma dúvida. Como é que se discute este caso na campanha? Decide-se primeiro quem são os culpados com voto de braço no ar nos comícios? E discute-se a coisa com base nos resultados obtidos? Ninguém poderia acusar o Rui Rio de incoerência, afinal os comícios não são tabacarias. Mas infelizmente isto só é válido para os outros partidos. O líder do PSD não perdeu tempo, anunciou logo de caras quem são os culpados neste caso. Mas pode aproveitar o resto da campanha para informar os eleitores acerca do que fará a estes clones do Sócrates caso ganhe as eleições. Aposto que vai anunciar a construção de prisões em número suficiente para os encarcerar todos, estimulando dessa forma a economia, criando um número espectacular de empregos directos e indirectos, ao mesmo tempo que cuida do ambiente.

O Rui Rio e a Cristas têm a certeza de que querem governar este povo?

Para a direita, nós devemos ser o pior povo do Mundo. Se não, vejamos: em 2008, não precisámos da maior crise mundial das últimas décadas para nada para arrasar a economia do País. É perguntar-lhes que a resposta sai pronta: foi Sócrates, com a nossa prestimosa ajuda, claro. Todos a estroinarmos as riquezas que os Centenos do Durão Barroso e do Santana Lopes tinham amealhado e deixado nos cofres do Estado. Como se não bastasse, a maioria voltou a eleger aquele monstro em 2009. E lá teve de vir a direita salvar-nos de nós próprios e da queda que temos para levar o País à ruína. De seguida, ingratos, em vez de mantermos a direita no poder para todo o sempre, apoiámos um dos piores governos que se pode imaginar. Um que até mete comunistas e bloquistas. Esquerdas unidas, ou lá o que é. Um nojo. E um perigo para as riquezas deixadas pelos Centenos do Passos e do Portas, lá está.

Entretanto, a conjuntura externa melhorou. Sem surpresa, a interna piorou. E muito. É o que a direita repete incansável. Mas em vão, pois já se sabe como são os portugueses. É os empresários a investirem e a contratarem gente como se não houvesse amanhã. É os que saíram danadinhos para voltarem para a sua zona de conforto. Enfim, o costume, todos a gastarem acima das possibilidades. Mas com que dinheiro, senhores, se vai todo para os impostos?! E lá fora também parece estar tudo doido. Não ouvem a direita? Não deviam estar já a cobrar-nos juros mais altos? E as agências de rating, estão à espera de quê para nos aplicarem o devido castigo?

A verdade é que não merecemos que a direita nos governe. É um desperdício de Centenos. E basta olhar para as sondagens actuais para ver que estes verdadeiros magos das contas só se enganaram numa. Não é preciso vir nenhum Diabo de fora. Sempre cá esteve, somos nós.

Se calhar, a roupa cresce nas prateleiras das lojas

A decisão da Universidade de Coimbra de proibir a carne de vaca nas suas cantinas entusiasmou e de que maneira o líder do PAN. Política com coragem foi como classificou a medida. Vi todos os debates televisivos em que participou o André Silva e, de facto, deu para perceber que “proibir” é um verbo com muita saída no seu partido, mais ainda se o assunto for o da produção de comida, tanto de origem vegetal como animal. Deve ser por isso que se esquece que entre proibir e produzir de forma sustentável há, por exemplo, o investimento em ciência e tecnologia. Algo que não o vi sugerir de forma enfática nos debates. Não deve querer ser confundido com o Sócrates, esse é que tinha a mania de investir nessa área. Mas faz mal, é graças à parceria entre agricultores e universidades que, por exemplo, a Holanda, apesar da área disponível e do clima, se tornou um dos maiores produtores mundiais de hortícolas. E já que está preocupado, e bem, com a alimentação nas escolas porque não propõe a plantação de árvores de fruto nos seus recintos? É verdade que não é uma proibição, mas seria uma excelente alternativa às guloseimas oferecidas nos bares. Teria um lado pedagógico, muitas crianças e jovens não distinguem uma nespereira de um pessegueiro. Contribuiria para a descarbonização da atmosfera, diz que essa é uma das especialidades das árvores, apesar de também não ouvir o PAN apelar à sua multiplicação. E ainda seria benéfico para as abelhas, outra preocupação deste partido, que lamentavelmente ainda não reparou na dificuldade que elas têm em encontrar alimento nas cidades já que não se alimentam de relva.

Mas o que estranho mesmo é que alguém tão preocupado com a pegada ecológica do sector alimentar, aparentemente, nada tenha a dizer acerca de um outro, o da indústria têxtil, que envolve igualmente produção agrícola e ainda uma indústria altamente poluente ligada às tintas usadas, para não falar das fibras de plástico e, em muitos casos, da mão-de-obra escrava para a produzir.

Não tem nada a dizer acerca do consumo excessivo de roupa de usar e deitar fora importada de países longínquos? Vive bem com esta pegada? Deve viver. Falta de “Política com coragem” é que não é com toda a certeza.

O que é mais perigoso, a crise ou o Pardal Henriques?

Depois de rios de tinta gastos por pessoas a defenderem os motoristas das artimanhas dos patrões que passam por pagarem em subsídios em vez de lhes aumentarem o vencimento base, eis que os motoristas marcam nova greve porque os patrões não aceitam o aumento de mais 50 euros no… novo subsídio de operações. Pasme-se, para o sindicato, o problema não é haver subsídios a mais, é exactamente o contrário.

Parece que o subsídio em causa é relativo ao manuseamento das matérias perigosas. Mas quão perigosas são as tais matérias, afinal? É que, bem vistas as coisas, todos as manuseamos sempre que vamos abastecer, e sem nunca termos tido qualquer formação para tal. Muitos, para se precaverem dos efeitos da greve, não só manusearam como transportaram grandes quantidades dessas matérias, e não o fizeram em camiões sofisticadíssimos que respeitam todas as regras de segurança, transportaram-nas em recipientes de plástico na bagageira das viaturas. Falou-se muito no açambarcamento, mas ninguém alertou para a perigosidade deste comportamento. Será que as matérias só são perigosas se transportadas pelos motoristas ou pelos militares?

Por fim, na comunicação social, ao mesmo tempo que se critica o Governo por estar do lado dos patrões, são cada vez mais os artigos a anunciarem a próxima crise económica. Veja-se, por exemplo, este título – Quem tem medo da crise? – e a forma como o texto começa. O Expresso não tem dúvidas, é como se a crise já estivesse instalada. Isto não parece mesmo um alerta para os patrões? Lendo estes títulos, que empresário é que fica com vontade de negociar aumentos?

Por que razão apoiaram Rui Rio?

Tem sido muito interessante acompanhar o que se diz e escreve acerca da falta de liderança de Rui Rio, dentro do PSD e por essa comunicação social fora. Uns estão desiludidos, outros arrependidos do apoio que lhe deram e todos pasmam com a sua falta de ideias, quer para fazer oposição ao Governo, quer para liderar o País. Mas afinal o que aconteceu às ideias de Rui Rio? Ele tinha ideias, foi por isso que decidiram apoiá-lo, certo? Será que ficou amnésico e se esqueceu delas? Ou apoiaram-no porque bastava ser alguém que parecesse o exacto oposto de Sócrates? Lembro-me de, na altura da sua candidatura à liderança do partido, a honestidade ser o grande argumento a seu favor. Um argumento extraordinário e revelador do que pensam uns dos outros naquele partido. Imaginaram-no nos cartazes de campanha e ficava bem, nem era preciso legenda. Só se fosse uma a lembrar o seu jeito para as contas.

E foram basicamente estas as razões para ter sido eleito por uns e elogiado por outros. Nem uns nem outros lhe exigiram quaisquer ideias para desenvolver um projecto credível e alternativo ao do Governo. Portanto, agora, queixam-se de quê? Só se for de si próprios.

Quanto ao Rui Rio, até pode saber fazer algumas contas, mas tendo em conta o imbróglio em que está metido, claramente não sabe fazer as necessárias para liderar com sucesso um partido e muito menos um País. Resta-lhe a honestidade. Mas perante alguém que se propõe liderar o que quer que seja sem qualquer ideia, confesso que “honesto” não é a primeira palavra que me ocorre.

Só encontraram poliéster nas golas?!

Estou impressionada com esta nova polémica. Houve um génio que olhou para uma etiqueta e viu ali material do melhor para atingir o Governo. E resultou. Agora estou à espera que os seguidores deste génio, jornalistas, comentadores e membros da oposição, olhem com a mesma atenção para as etiquetas da roupa que têm vestida enquanto bradam aos céus por tanta incompetência dos governantes. Se calhar vão ficar espantados com a quantidade de poliéster que vão encontrar. O problema é que as roupas das pessoas a quem foram distribuídas as tais golas não são diferentes. Ou seja, para o tal génio, e seus seguidores, o perigo está unicamente nas golas e é um escândalo se não forem imediatamente substituídas. Já se forem as blusas, as calças ou qualquer outra peça de vestuário a pegar fogo… é azar.

Uma vez que o que os move é com toda a certeza a segurança,  e só a segurança, das populações que habitam em zonas de risco, não será melhor exigirem ao Governo que lhes substitua também o guarda-roupa altamente inflamável?

Um programa que não faz nada bem à saúde

O que estava anunciado para ir a debate, no último Expresso da Meia Noite, era o estado dos serviços públicos, um anúncio enganador. Sem surpresa, o que se pretendia era falar das filas para tratar de assuntos relacionados com o Cartão do Cidadão e, sobretudo, dos “casos” que vão surgindo semanalmente no SNS, especialmente do “caso” das urgências obstétricas, em Lisboa. Tendo em conta que o programa é moderado por profissionais competentíssimos, cujo único objectivo é esclarecer-nos com a máxima isenção, e que o Grupo Impresa não é um organismo público tutelado por um qualquer socialista incompetente, seria de esperar que viessem munidos, eles e os convidados, com novos dados que sustentem o alarmismo que têm alimentado nas últimas semanas. Por exemplo, dados que sugiram que os portugueses já não têm ou vão deixar de ter acesso a cuidados médicos ao nível do melhor que se pratica no Mundo. Que, graças à incompetência do Governo, a nossa  longevidade está a diminuir. Ou ainda que se prevê que comecem a morrer pessoas por falta de assistência.

Mas não aconteceu, pelo que temos de ficar pelos tais casos que anunciam horrorizados. Como é óbvio, o ideal seria que não acontecessem, mas fazendo as contas e tendo em consideração a dimensão do SNS e os milhares de utentes atendidos diariamente, conclui-se que a percentagem dos tais casos, face ao total, é muito baixa. Também se conclui que para estes profissionais competentíssimos, que sabem imensos números de cor, mas só quando lhes convém, a matemática não é uma ciência lá muito exacta. E não é só a matemática, afinal, são os mesmos que não conseguem evitar, pelo menos, na versão digital do jornal onde trabalham, a publicação de textos com erros e gralhas, por vezes até nos títulos. Se calhar, é mais difícil rever um texto do que gerir o SNS, um hospital ou fazer determinados diagnósticos médicos.

Quanto à rotatividade das urgências obstétricas, em Lisboa, fiquei sem saber qual é exactamente o problema de uma grávida ter de se dirigir a um hospital e não a outro. No resto do país, é comum as grávidas deslocarem-se vários quilómetros para chegarem à urgência obstétrica mais próxima e, lá está, não é por isso que deixam de receber os melhores cuidados que a Medicina actual permite. O mesmo para os filhos após o nascimento. Assim os pais pudessem confiar num outro serviço público, o da Educação. Terem a garantia de que, no mínimo, os filhos saem da escola a saber pensar. Curiosamente, este serviço público não foi debatido no programa. Não devem ter sido detectados quaisquer problemas. E percebe-se, afinal, quem é que está interessado em que os miúdos aprendam a pensar? Estes profissionais é que não, com toda a certeza. Lá teriam de ir exibir o seu competentíssimo profissionalismo, mas ao volante dos respectivos táxis. Pelo menos, no discurso não teriam de mudar nada.

Antes fossem todos primos

No meu tempo de escola primária, havia umas brincadeiras que tinham época. Embora não houvesse datas oficiais de abertura, de repente todos brincavam à brincadeira do momento. A coisa durava umas semanas e passava-se à brincadeira seguinte. Porém, nenhuma dessas brincadeiras cíclicas impedia que simultaneamente se continuasse a brincar a outras coisas.

Já os nossos comentadores de política profissionais, salvo raras excepções, só conseguem brincar a uma coisa de cada vez. Apesar de estarmos em pleno ano eleitoral, a maioria só opina acerca do caso do momento e de mais nadinha até que surja o caso seguinte. E ainda por cima para não acrescentarem nada de novo. Limitam-se a repetir o que todos os outros já disseram. Papagaios, portanto.

Não creio que sejam familiares dos donos, ou directores, dos órgãos de comunicação social onde ganham a vida, mas antes fossem.  Percebia-se melhor o facto de aparentemente serem insubstituíveis, de serem os mesmos, há anos e anos, a poluírem o espaço mediático. Os políticos passam, mas eles ficam. Vá lá saber-se porquê.

O António Costa é parente de algum dos seus ministros?

Um extraterrestre que aterrasse em Portugal, por estes dias, ficaria muito surpreso com o facto de não constarem, na lista dos actuais ministros, os nomes da mulher e dos filhos de António Costa. O escândalo é tal que é o que parece. E parece mais. Parece que, desta vez, não foi o primeiro-ministro a convidar todos os membros do Governo, como sempre sucede, mas sim que foram os ministros que se convidaram uns aos outros, tendo aproveitado a oportunidade para convidarem membros da família.

A mim espanta-me que os escandalizados, e são tantos, não busquem argumentos que justifiquem a dimensão do escândalo. Por exemplo, por que raio não investigam os Orçamentos de Estado? Será que o Centeno beneficiou algum destes ministérios por pressão dos familiares? Ou, valha-me Deus, será que foram alvo de menos cativações?!

E, já agora, se a coisa é tão grave, porque é que não há ninguém na oposição que se chegue à frente e peça a demissão destes ministros? Aqui a resposta parece-me óbvia. O Verão pode não ser muito quente, nem muito seco.

Uma espécie de Quim Barreiros da política

Talvez por falta de outro assunto, por estes dias, aconteceu ouvirem-se algumas críticas ao Presidente a propósito das suas férias. Não se percebe muito bem porquê, afinal não fez nada que não seja comum fazer durante o ano inteiro: andar com jornalistas e câmaras atrás para todo o lado, falar acerca de tudo e de nada, ser filmado em calções a mergulhar ali e acolá, nomeadamente, em visitas de Estado. Tudo normal. Só se a estranheza foi vê-lo ao volante, mas mesmo isso não foi inédito.

Seja como for, levou a que alguns comentadores se pronunciassem. Destaco o Pedro Adão e Silva que chama a atenção para os riscos que o sucessor de Marcelo poderá correr, graças a este novo estilo presidencial, mas não sem antes elogiar “a sua capacidade de aproximar as pessoas da coisa pública”. Parece que é este o grande legado de Marcelo. E são com certeza muitos os que concordam.

Mas, na prática, no que se traduz essa alegada aproximação? Será que as pessoas passaram a interessar-se mais por política? Num tempo em que tudo deve ser sustentado por números e factos, há dados que revelem, por exemplo, que o número de leitores de jornais aumentou? Subiram as audiências das entrevistas e debates políticos? Será que, graças a Marcelo, a abstenção vai diminuir nos próximos actos eleitorais?

Se calhar, para que tal acontecesse seria preciso mais do que a febre das selfies e os de milhões beijos e abraços. Assim, o que se vê é uma espécie de artista (de gosto duvidoso, diga-se) que nem nas férias deixa de tudo fazer para aumentar o seu número de fãs.

Alguém sabe?

O ano lectivo já vai adiantado, estou aqui com umas dúvidas, quando é que o Professor Passos vai começar a abrilhantar a vida dos seus pupilos?

E o pin, é desta que se livra daquela lapela ou, pelo contrário, vai também ele iniciar novas funções, desta vez como útil distracção na sala de aula?

 

 

Marcelo, um católico 2.0

Espanta-me a falta de curiosidade dos nossos jornalistas. De todos os que costumam seguir o nosso Presidente para todo o lado, aparentemente, nem um se lembrou de lhe perguntar o que pensa acerca do conselho do cardeal patriarca aos católicos recasados. Mas espanta-me ainda mais que o próprio não se tenha pronunciado de livre vontade. É que para além de ser católico, tudo indica que não só concorda como pratica os ensinamentos de D. Manuel Clemente.

Depois de uma semana a ser brindado com mimos de toda a espécie, aposto que o cardeal não se teria importado de receber um pouco do afecto que o seu amigo tem para dar e vender a toda a gente.

Coisas que me intrigam

O Ministério Público decidiu arquivar o processo que resolveu instaurar ao Ministro das Finanças. Muito bem. Mas estou aqui com uma dúvida: o que está previsto na Lei relativamente ao material entretanto recolhido pelos Magistrados da 9.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal nos computadores, mesas, gavetas e, muito provavelmente, atrás dos vasos espalhados por todo o Ministério das Finanças? Lembrar que o referido Ministério se relaciona com todos os outros e com toda a certeza com inúmeras entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais.

A Lei prevê que se destruam os documentos ou que se arquivem? Na segunda hipótese (e também na primeira), pode a Procuradora-Geral da República garantir que não acabam por ir parar à redacção do Correio da Manhã? Que o mais certo é encarregar-se de os esmiuçar e decidir que certidões vale a pena extrair e escarrapachar nas suas primeiras páginas para gáudio dos restantes pasquins.

Nunca ouviram falar em infecções hospitalares?

Uma coisa é ver o Hugo Soares, cuja única especialidade é a de usar vítimas mortais como arma de arremesso político, a culpar o Estado pelo surto de Legionella. Outra coisa é ver os jornalistas a mostrarem a sua ignorância em relação às infecções hospitalares. O Paulo Tavares, por exemplo, que até critica o PSD por estar a “cavalgar o momento”, faz igual ou pior. Para este jornalista, é incompreensível que os cidadãos que procuram tratamentos de rotina num hospital público acabem infectados com uma bactéria potencialmente mortal. Compreende-se, ainda por cima, como revela aos leitores, esteve há dias com o filho num grande hospital público. Aparentemente, o que o choca é que este surto tenha surgido num hospital, como se nunca tivesse ouvido falar em infecções hospitalares. Mas elas existem, são um gravíssimo problema, são causadas por inúmeras bactérias, algumas resistentes aos antibióticos, e são responsáveis por milhares de mortes por ano. Em 2013, por dia, 12 pessoas morreram com infecções hospitalares. Um número sete vezes superior ao das vítimas de acidentes de viação. Não se percebe, portanto, por que raio os jornalistas só se preocupam com a Legionella.

Mas se é para provar que, mais uma vez, o Governo está a falhar, façam-no em grande. Ponham-se à porta dos hospitais e abram os noticiários diariamente com o número de vítimas e o nome das bactérias responsáveis pelas infecções. De caminho, chamam a atenção para um problema que é global e cuja resolução, nada fácil, depende de todos. E talvez deixem de pensar que sem Legionella os hospitais são locais seguros para levarmos os nossos filhos.

A direita não sai do seu velho ciclo

Para desespero da direita, ainda não foi desta que Bloco e PCP roeram a corda do Orçamento. O resultado das Autárquicas alimentou-lhes a esperança da vinda do tão esperado novo ciclo, como não aconteceu, alguns atacam o documento agora aprovado, enquanto outros usam como única arma de arremesso político a tragédia dos incêndios. E há ainda os que misturam tudo como faz o Pedro Marques Lopes, esta semana, na sua crónica no DN.

Diz ele que “o Orçamento do Estado para 2018 é uma espécie de documento de “depois logo se vê”.” Confesso que demorei um bocadinho, mas acabei por concordar. Afinal, há aqui uma diferença, os orçamentos da direita eram mais do tipo “vê-se logo”. Via-se logo que eram inconstitucionais, via-se logo que as contas estavam aldrabadas e que seriam necessários vários orçamentos rectificativos e, sobretudo, via-se logo que o País continuaria a marcar passo. Mas fiquei a pensar e o “depois logo se vê” deve ter sido inspirado na campanha dos candidatos à liderança do PSD. É que, tirando o campeonato dos afectos, não se lhes conhece ideia alguma para o futuro do País. Aliás, “depois logo se vê” podia ser o lema do velho ciclo da direita. Adiante.

Mais abaixo, o Pedro Marques Lopes, informa-nos que “a grande questão é que este Orçamento revela o labirinto sem saída desta solução governativa”, e que “o Orçamento grita isso, está bem à vista que os entendimentos em aspectos fulcrais para o país são impossíveis com esta solução governativa”. Até aqui, os aspectos fulcrais para o País têm sido o défice, a dívida, o crescimento da economia, o desemprego, etc.. Como esses aspectos estão bem encaminhados, e o Orçamento assim o prova, no entender de PML, e se calhar bem, os aspectos fulcrais passaram a ser “as mudanças na Segurança Social, prioridades para o investimento público, reformas no ordenamento do território, acordos para reformar a Justiça, entre outros.” E que os mesmos “são impossíveis de obter no quadro da geringonça.” Não sei se é impossível o Governo realizar essas reformas com o apoio do BE e do PCP, mas sei, e o PML também, que sem o acordo do PSD, pelo menos, são reformas com muito pouco alcance. Ou seja, não são reformas, são apenas umas medidas que o governo seguinte revogará assim que tiver oportunidade.

O que me leva ao tal labirinto. Ao contrário do que diz o PML, os labirintos normalmente têm uma saída e o PS, o BE e o PCP têm conseguido encontrá-la. Já no PSD não se movem num labirinto, isso implica percorrer caminhos, sendo que alguns até os poderiam levar ao entendimento com a esquerda para os tais aspectos fulcrais. Movem-se em campo aberto, mas, tendo em conta as coisas sem nexo que gritam, devem andar todos de olhos vendados.

O Trump não faria pior

Os cientistas alertam há anos para o facto de a Península Ibérica ser, na Europa, a região onde os efeitos das alterações climáticas se farão sentir em primeiro lugar e com maior intensidade. Ora perante a situação que o País atravessa, em termos climatéricos, seria de esperar que se iniciasse um debate sério sobre esta problemática. Mas não, parece que o que está a acontecer ainda não é suficiente. É verdade que ninguém nega as alterações climáticas, mas são frequentemente desvalorizadas. Se o assunto em discussão for o da seca prolongada que afecta todo o País, relaciona-se o fenómeno com as alterações climáticas, mas se o tema for o da tragédia dos incêndios, consequência directa da seca, aí é quase proibido fazer essa relação e quem o fizer corre o risco de ser acusado de estar simplesmente a desvalorizar a incompetência do Governo. Aliás, só falta vir um Hugo Soares qualquer garantir que a culpa da seca e das sucessivas ondas de calor é dos malvados dos socialistas, em conluio com os comunistas e bloquistas, que com a sua lendária sede de poder sugam a humidade do ar e impedem a chuva de cair.

O que vale é que temos um Presidente da República cujo nome não é Trump, nunca ninguém o ouviu negar as alterações climáticas. Mas quantas vezes o ouvimos alertar para o problema? E se esta não é uma boa altura para chamar a atenção para um dos desafios mais complicados que o País terá de enfrentar, não sei qual será. Parece que o compromisso que tem com os portugueses tem limitações e a prioridade é vigiar o Governo e não largar as zonas afectadas pelos incêndios. Mas e as vítimas que estão à espera de o serem? Pode Marcelo garantir que com a fiscalização que fará à actuação do Governo a tragédia não se repetirá? E se as previsões de mais um Inverno seco se confirmarem, quantas aldeias correm o risco de serem as próximas a arder? E que tal parar em algumas dessas aldeias e usar a sua popularidade, poder e vontade de mandar para chamar a atenção para este problema, apontar o que está mal e alertar as populações para o que também têm de fazer sob pena de nada servirem as medidas do Governo, deste ou de outro? Isso é que era! E no fim até podia prometer voltar para os cobrir de beijos e abraços.

Os sms do Centeno devem ser mesmo suculentos

Que a direita, e a comunicação social, já agora, não esteja muito interessada em discutir os números revelados pelo INE, relativos ao crescimento da economia, ou às previsões de Bruxelas, percebe-se. São números muito chatinhos para quem dizia que só havia um caminho para nos levar a bom porto.

Mas e o novo aeroporto? Então o Governo quer avançar com essa obra e a direita só quer saber dos sms do Centeno? Mas isso não era uma daquelas loucuras do Sócrates, uma obra megalómana e totalmente desnecessária?

O que diria Jesus Cristo?

Esta visita papal, agendada para Maio, intriga-me. Portugal deve ser um dos países mais católicos do Mundo, contudo o papa Francisco embirrou que só visitará Fátima, só quer ver a Senhora. É estranho, pelo menos para mim, que aquele que diz representar Deus na Terra só queira visitar uma… estátua. No fundo, está a borrifar-se para todas as outras senhoras e senhores que, não podendo estar em Fátima nesse dia, gostariam de o ver em Lisboa, por exemplo. E muitos não podem porque os preços pedidos por um quarto em Fátima por esses dias são, como dizer, obscenos.

Quando visitei Fátima pela primeira vez fiquei chocada. Aquilo parecia mais uma feira do que um local sagrado. Se calhar, o negócio tem estado fraquito e esta visita é só para dar-lhe um empurrãozinho.

Mas isto sou eu que não sou nada católica.

Abençoado Trump

Imagine-se o que seria por essa imprensa fora se o PS estivesse, nesta altura do campeonato, sem candidato à maior Câmara do País? E não se percebe, afinal, e até nova contagem, o PSD continua a ser o maior partido. É perguntarem-lhes.

Ainda bem que o Trump existe e que todos os santos dias mantém ocupadíssimos todos os jornalistas e comentadores. Mas, por este andar, ainda chegamos ao dia das eleições autárquicas e ninguém dá pela falta do tal candidato do PSD.