Vamos lá a saber

Nas próximas legislativas, quantos votos a mais irá recolher o partido que prometer revogar o Acordo Ortográfico, ou, pelo menos, levá-lo a referendo?

93 thoughts on “Vamos lá a saber”

  1. quem me dera que fossem muitos, muitos. mas pelo que me tenho apercebido há mais putas do que amantes da língua. e depois há, também, a puta da indiferença. tenho muita, imensa, dificuldade em entender as putas.

    em Haida Gwaii, Canadá, há um homem – um avô de todos – que luta para não deixar morrer a língua Haida original, falada apenas por três habitantes na aldeia. apesar da idade bastante avançada dá aulas em três escolas, inclusivé num jardim de infância, para deixar sucessores da língua-mãe. isto, esta lufada de força e de celebração à vida que sobrevive às intempéries das modas da modernidade, esta bofetada de luva branca em dedos de véu palatino, aos países em conluio de acordo ortográfico, merece uma ovação – a minha.

    (que viva a língua. putas: experimentem adoptar uma só posição, só para quebrarem a rotina)

  2. oh bécula vê lá se acordas! a humanidade quer lá saber se a heidi fala mindrico ou dos teus traumas açordativos, acho que até ressona melhor para esse lado. manda reapertar a junta da cabeça no afromecânico que fazes menos fumo e gastas menos óleo a fritar batatas.

  3. @Olinda: tranquilize-se. apesar de estarmos em (quase) via de extinção com a prestimosa ajuda deste (des)governo, ainda estamos longe de ser só 3…
    dizem os especialistas que todos os dias morrem línguas por esse mundo. não consta que seja culpado nenhum acordo ortográfico.
    muito gostaria de ver as (ou os) Olindas em 1943 a chamar de putas os que impuseram uma nova grafia. isso sim, era coragem!
    escreva como lhe apetecer que não é presa e não chateie.
    prepare-se, contudo, para ver os seus filhos e netos a rir-se e a corrigir os seus desvarios como a minha geração o fez.
    e já agora ponha-se a ler os nossos escritores desde a Idade Média até ao citado acordo de 1943 e escolha usar a ortografia que preferir. a escolha é enorme…

  4. focaste, no meu texto, LG, a tua atenção – não no amor pela língua – na morte por acordo. pois não o disse – se bem que há, sim, uma morte lenta, e implícita, neste acordo que me tem completamente em desacordo. os argumentos, se assim te fizerem falta, poderás analisar num post recente do Vega.

    quanto à coragem, não é para mostrá-la que cá escrevi – escrevi a pornografia do que penso em apoio à língua que amo e estou certa que o faria numa qualquer outra época mesmo correndo o risco de ser queimada.

    a erosão e alteração de uma língua é tão natural como a das rochas e não precisa de artificialidade e de falsos, como os que o acordo por conveniência não evoca, argumentos. a língua precisa de diversidade (viva o mirandês!). e isso é simples.

    (e se te chateio, a ti e a mais outros, tem paciência, come uma boa sopa para aguentares comigo que sou de alma grossa.) :-)

  5. Diz o Lg que “todos os dias morrem línguas”. Diria mais: milhares de línguas, humanas e não só.
    A pobre Olinda anda desvairada com a sua (dela) língua.
    Mesmo assim eu gosto mais do idioma de vaca.

  6. e se comeres muitas línguas de vaca, estufadas, Portuga, podes ter a certeza que te cresce uma opinião. têm é de ser bem escaldadas. :-)

    (pobre porquê, já agora, que fiquei curiosa?)

  7. Caro Valupi,
    Tem visto e ouvido bem as declarações de Cavaco e as de Mário Soares?
    Tem visto bem a actitude de Cavaco-Seguro-outros com a actitude segura, franca, directa, convicta de Mário Soares?
    Na actual situação já pensou bem quanta falta nos faz hoje não ter Mário Soares como Presidente?
    E como foi grande o erro de o tratar como trapo velho (ansião como queria o jmf), recusando-lhe o voto?

  8. jose neves, Soares seria sempre essa voz de senador incomparável da República e um dos pais do regime democrático. Não carecia de concorrer pela terceira vez, e em condições etárias que justificavam as maiores dúvidas quanto à sua resistência para a plena execução das suas funções. Já quando foi Presidente não faltavam as anedotas de dar por si adormecido em ocasiões oficiais, quanto mais 10 anos depois. Acima de tudo, a sua candidatura – nascida apenas do orgulho – impediu outras no PS; e ainda gerou o fenómeno Alegre, que tanto dano causou ao País.

  9. Ai, Olinda – não linda(?) – Olinda
    Uma velha Senhora minha amiga, que tem a mania das rimas, ofendeu-se com isso das ‘putas’ e respode-lhe assim:

    chamar puta a quem tiver
    diferente opinião
    não será – porra, foder! –
    lá muito lindo, pois não?

    a um graça moura qualquer,
    puta pra lá da razão,
    não quer olinda ofender
    que ambos de acordo estão.

    eu não sou puta nenhuma
    e acordos vários passei
    durante a puta da vida.

    nem puto nem puta alguma
    ama mais do que amo e hei
    de amar a língua querida.

  10. pois senhora, velha não que são os trapos de ocasião, senhorinha, agradeço a rima e então: ofendeu-se, porquê, com a palavra puta se escreveu a rima com ela na mão? não chamei puta a quem passa com mera opinião – puta é um estado de sitio, não é um palavrão. :-)

  11. Eu acho que poucos ou nenhum. Já aderi ao acordo (com muito choro e protestos) e agora já me movo dele sem qualquer drama ou dificuldade. O acordo teve esta grande virtude: sensibilizar os falantes para a dimensão mais superficial (e, por isso, menos sensível) da nossa língua – a sua convenção ortográfica. Apregoar o amor à língua pela sua ortografia é um pouco como adorar um iguaria devido à loiça em que a mesmo é servida: faz parte do bouquet, é verdade, mas é secundaríssimo.

  12. secundaríssima só se for para ti – para mim escrever o português correcto, que é o que é a ortografia, que é o de portugal, é uma questão, não superficial, essencial e profunda. e essa comparação que fazes só faria sentido se dissesses que a louça onde comerias, onde só a poderias comer, a tua iguaria seria no prato de um vizinho. ou então em louça de plástico bem à moda do campismo. experimenta comer rojões à moda, não do Minho, do Brasil, num prato de plástico e com talheres de plástico, e diz-me se te sabe ao mesmo – a comida típica e bem feita à portuguesa, João. isto por um lado. pelo outro, é como é o amor e não pode ser de outra maneira: dentro da diversidade de que se faz, cabe-lhe a exclusividade. e só ama e vive o amor, de facto, quem está preparado para se encher de diversidade e exclusividade. (e sem choro nem protestos pela inerente irreversibilidade) :-)

  13. Estamos plenamente de acordo com João Pedro Costa, eu e a velha Senhora, a quem apraz, no entanto, já um pouco bebida que está, continuar na brincadeira da rimalhice com Olinda:

    olinda, jovem olinda,
    que jovem por certo é,
    a palavrar que não finda
    (mais parece um salsifré),
    por mim é sempre bem-vinda
    pra tomar um capilé,
    melhor pra mim verde tinto,
    tinto retinto, não minto,
    no tinto sinto mais fé,
    e òs despois um café.

  14. Ai Jesus, que confusões !

    “para mim escrever o português correcto, que é o que é a ortografia, que é o de portugal, é uma questão, não superficial, essencial e profunda” diz Olinda. Sabera ela quantas, entre as milhares de linguas que ela afirma estarem a desaparecer todos os dias, são linguas não escritas (portanto sem ortografia) ? São Ferdinand de Saussure que lhe acuda.

    “se a ortografia é secundária, porquê o acordo?”. Porque, sendo uma questão secundaria, a existência de um padrão administrativo é considerada (o que é razoavel) como um factor de coesão entre os falantes do Português, quanto mais não seja por facilitar a troca de documentos escritos entre eles. Ja agora, porquê a ortografia, e não simplesmente a grafia ? A resposta a esta pergunta contém 80 % do que é necessario para responder à pergunta do Valupi.

    “Isto não é um acordo porque foi imposto”. Estamos a falar de um tratado (ou acordo) internacional que as partes assinaram livremente, devidamente autorizadas, que foi ratificado e que, por isso, passou a ser vinculativo, nomeadamente na parte em que os Estados signatarios se comprometeram a aplicar um padrão. Isto implica poucas obrigações, mas implica obrigações… obrigatorias. O JCF queria com certeza dizer que não é um acordo porque ele esta a dormir…

    O João Pedro da Costa esta muito bem, ele e mais alguns comentadores anteriores, por exemplo o LG.

    Boas

  15. Estamos plenamente de acordo com João Pedro da Costa, eu e a velha Senhora, a quem apraz, no entanto, já um pouco bebida que está, continuar a brincadeira da rimalhice com Olinda:

    olinda, jovem olinda,
    que jovem por certo é
    a palavrar que não finda
    (mais parece um salsifré),
    por mim é sempre bem-vinda
    pra tomar um capilé,
    melhor pra mim água-pé
    á falta de verde tinto,
    tinto retinto, não minto,
    no tinto sinto mais fé,
    e ós despois um café…

  16. eh olinda! a gente na sabe, a Senhora e eu, mas amodes que nos cheira que com linda(?) olinda era capaz de ser mais divertido, isso dos copos, com qualquer orthographia.

  17. confuso estás tu, joão viegas: se se trata de um acordo ortográfico, a natural correspondência da ortografia e sua importância como argumento- o meu- está perfeita e o santo também gosta. depois, estar a confundir grafia com ortografia parece-me um padrão hortográfico. padrão? quem precisa de padrão? tudo o que não precisamos é de desvios-padrão. e percebo bem o que quer dizer o Zézinho com imposição – talvez quisesse dizer conluio brasileiro ou, talvez, auto-colocação de insígnias.

  18. será que ainda ninguém deu conta que o português estava em extinção e que graças ao acordo passou a existir de novo.

  19. Por causa da a(c)ta e do a(c)to, da conce(p)ção e da concessão, do Egi(p)to e do egi(í)pcio e, sobretudo, por causa do terri(í)vel mau aspe(c)to de certas palavras, como contração, tração, subtração, espetador, heroico, estoico, abril, verão, reta e reto e prospeto e dialeto e há de, acho que nunca irei aderir a um Acordo que não melhora , nem acrescenta nada de nada à Língua Portuguesa. Quem quiser, cadira. Umde ia, inda hadem escrver tods maizou men ozacim, gracezàde Eusse, né?…

  20. :-) divertido com toda a certeza – mais do que com o João é que ja não sei visto que ele, segundo parece, é dono de uma grande profundidade falante. por outro lado, mostra-me cara de aço e ronca-me quando aqui vem. olha, não sei, brrr, terás de lhe perguntar.:-)

  21. “Isto não é um acordo porque foi imposto.”

    os tintins do padre inácio, bronco poeta anal fa beto! imposto foi o confisco do 13º e 14º meses e não te vi ganir um centavo. querias continuar a colonizar, mas isso já foi.

  22. oh alves! é fazeres as contas ou achas que angola é nossa, o brasil ainda não se tornou independente e o resto dos que aderiram à coisa precisavam desesperadamente de ler camões. muita sorte tens tu que a língua ainda se chame português. já entendeste ou queres um boneco?

  23. Por fazer um acordo dous galegos falaram na Asamblea da República representando os que achamos um tesouro na lingua portuguesa . Assim que tudo e preto e branco según seja olhado.

    academia galega da lingua portuguesa

    http://www.youtube.com/watch?v=7TIVeEpAQPQ&feature=related
    http://www.youtube.com/watch?v=OYhq7FNL9kk&feature=player_embedded#!
    http://www.youtube.com/watch?v=Yf74yWreQNs

    A lingua portuguesa e o meu lar perdido e encontrado (Guerra da Cal)

  24. Bom, a primeira vitima, não propriamente do acordo ortografico, mas da polémica estéril em torno dele, é uma vitima colateral : trata-se da propria compreensão do que é a ortografia e daquilo para que ela serve.

    Mas o Marco Alberto tem razão, felizmente, a lingua sobrevive a (quase) tudo…

    Boas

  25. exactamente: a ortografia é a carne da língua, tal e qual como no amor: para que serve um amor, que não é tocado – escrito – sem, e sem o seu, corpo? morre. :-)

  26. joão viegas, que tipo de coesão entre os falantes de português o acordo vai trazer? Espero que detalhes a resposta.

    E que tipo de problemas existem actualmente para a troca de documentos entre esses mesmos falantes? Aqui, basta que deixes dois ou três exemplos.

  27. “que tipo de coesão entre os falantes de português o acordo vai trazer?” : os falantes vão tendencialmente (e progressivamente) passar a escrever com uma ortografia unificada (embora com algumas variantes).

    “que tipo de problemas existem actualmente para a troca de documentos entre esses mesmos falantes” : os documentos não estão escritos de acordo com o mesmo padrão ortografico. Não me lembro de ter dito que isso provocava “problemas”, apenas que a existência de um padrão comum pode ser uma facilidade, por exemplo facilita a utilização de livros editados noutros paises de lingua portuguesa.

    Did I answer yours questions ?

    Boas

  28. na minha opinião não lhe, nos, respondeste a uma sequer. mas com razão porque, de facto, não consegues. trata-se de nem um bem nem um mal necessário – é simplesmente um acordo desnecesário, ineficaz, e ineficiente, apenas proveitoso para os brasileiros. é este o ponto.

  29. joão viegas, se os falantes vão continuar a escrever com variantes, e vão – e não só as já consignadas mas todas as outras por instituir e inventar pois as línguas são organismos vivos e adaptados ao meio – então lá se foi para o galheiro a tua prometida coesão. Quanto à facilitação da troca de documentos, que afinal se parece resumir a facilitação da utilização de livros editados noutros países, é o argumento do facilitismo, justamente.

  30. Tem piada, tanta gente indignada com o acordo e eu acho graça.

    Noutro dia escrevi perspectiva sem cê e deu bronca, é com cê, e espectro também e melhor que tudo estricção idem. Já uma que parece que não é mas eu resistirei até ao fim é facto, mesmo não havendo puro e só interpretados. Fato cá é paletó lá e pior que tudo, Sinhã, imagina, fato lá também é dobrada, não digo à moda do Porto que já não me lembro do sabor, mas é parecido e tem cominhos e tudo. Por falar nisso já comi sarapatel nos goeses, no Alentejo, em Salvador e Fortaleza, em Maputo agora em Timor acho que não. Tenho que arranjar uma receita.

    No jurídico é que não sei, se noutro dia um juiz foi para a rua por ter escrito ré fofinha com minúscula então chamar à liça o barrete como provado é algo que deve lambuzar os desembargadores, on vera.

  31. Que eu saiba, ninguém diz que o acordo era necessario, apenas que foi oportuno, tão oportuno quanto as reformas anteriores, ou mesmo um bocadinho mais, pelo menos para quem acredita, como eu, que o português corresponde a uma lingua cujos traços actuais (entre os quais o facto de ser falada em varios continentes) merecem ser preservados.

    Ineficaz : o futuro dira. Não é garantido, mas eu acredito que vai ser.

    Ineficiente : idem.

    Ganharam os Brasileiros : isto não é por causa do acordo, mas porque jogam melhor à bola. Ja agora, o que é que os Brasileiros te fizeram de mal, a não ser talvez dar à tua lingua uma vitalidade que tu não saberias, nem poderias alias, dar-lhe sozinha ?

    Boas

  32. de facto, $, sei lá eu onde está a tua letra :-), é mesmo isso: uma piada que merece uma tourada típica do final de pasto de um bom fato à moda do porto. :-)

    ui, joão viegas, onde foi que eu disse que me fizeram mal? é que eu quando digo, digo com as letras todas.:-)

  33. Val,

    O Português de Portugal, aquele que tu sacralizas não sei bem porquê, admite variantes (loiça/louça, etc.). Isto não põe em causa a sua coesão.

    As linguas são organismos vivos, mas como para muitos organismos vivos, é possivel auxiliar o seu desenvolvimento com tutores. A ortografia é um deles. Nada menos. Nada mais.

    Boas

  34. pois realmente até eu fiquei tentado a meter esse dólar, Deus te oiça!

    e então o folhoso nem se diga…

    (entretanto deu-me a fome mas foi bifinhos de perú e por cá está um briol do camano, que saudades da brisa de Salvador, a melhor brisa do mundo)

  35. está bem: vou sussurrar-lhe ao ouvido para ele ouvir melhor.:-)

    olha que por cá a brisa não presta – junta-se à via livre.:-)

    (não tens mais pássaros ou outros bichos, dos teus, novos para eu ver?)

  36. hum, não, mas posso fazer mais um, ou melhor: pensar, mas só amanhã ou depois que agora vou xonar, e tou enregelado só de pensar mesmo com o ar condicionado a dar. Já nem me lembro da password do youtube também. Olha lá por causa das rosas e tu tens despacho de empreendedora: eu na Turquia noutros tempos lambuzava-me todo de geleia de rosas que cá não há, que até tinha de sacar do rabo para limpar as vibrissas. Podias fazer uns potinhos e era um sucesso, e digo isto sem segundas intenções…

    Deve ser do frio e também estou ao lado dos pasteis de nata.

  37. são os bigodes dos gatos, das raposas e assim. É fazer geleia das pétalas! Terrível, lá fiquei eu a augar. Já agora também é muito bom nozes verdes, ainda moles, em conserva de xarope de açúcar, ai meu Deus!

    Borboleta não consigo, a não ser a catástrofe da borboleta, porque aquilo é tudo matemática, mas eu vou ver, entretanto :),

    ´té

  38. O acordo é uma fantochada. Nem tem qualquer utilidade em questões de unidade.

    Vamos habituar-nos a ele? Vamos, mas não deixa por isso de ser uma fantochada inútil!

    o que meu gosto mais é o facto de não haver uma regra, temos até um pais que se chama Egito que pelos visto é a terra do egícios.

    Gosto também daquela dupla grafia dependente se se pronunciam ou não as consoantes.

    Fico feliz por não ser linguista ;-)

  39. reis, amigo lusófono

    muito, muito obrigada pelos links… Embora me sinta um pouco triste por terem de ser os galegos a protestar contra as aberrações deste acordo. De FACTO, parece óbvio que as regras ortográficas não são independentes da fonética. A intervenção é um verdadeiro “espetáculo”, na verdadeira “acessão” da palavra.

    Bicos

  40. ó linda, tens cá uma língua putativa até dizer chega!Debulha isso e junta-lhe umas cenouras, vais ver que ficas mais gostosa.

    Ó Val tudo, olha que o marocas, o meu querido Mário, avançou nas penúltimas presidenciais não por “orgulho”, mas para evitar que o Cavaco chegasse onde chegou, capice? ou queres que te faça um boneco?

  41. joão viegas, tu és o mestre do confusionismo. Não me leste a sacralizar porra nenhuma, mas a defender o primado da diversidade, precisamente por não haver nenhuma ameaça ou carência relacionada com a putativa coesão no espaço dos falantes de português. Ao trazeres variantes gráficas da língua tal como se fala em Portugal só me estás a dar razão, mesmo que não percebas nada do sentido das tuas palavras.

  42. anonima, na minha língua – como seve ser – cabe bem o putatismo. só não cabe o petalismo nem o pitiatismo. :-)

    (as cenouras só se forem com casca e tudo, fica tranquila)

  43. Valupi,

    Não preciso de te dar razão, tu tem-la sempre e por sistema. Nos é que nunca conseguimos dar com as palavras que explicam porquê.

    Boas

  44. Cara edie, obrigado.
    Os galegos nem estamos a favor nem em contra do acordo, só gostamos de fazer parte ainda que pequena, seja com acordo o sem acordo. Grazas a fazer um acordo alguém teve à generosidade de pensar que deviamos ter um pequeño lugar, e nada mais.
    Dito isto, chega o desconto. Seria longo e maçado um relatorio da situação das linguas, mas elas são a expresão da política e a hestoria e neste caso também. O Português é grande por os portugueses e a hestoria , abrangindo tambem o Brazil. No entanto se olhamos para a época da dinastía filipina de união com Espanha, há uma evolução da lingua desfavoravel para Portugal e influências do castelhano e um certo número de escritores portugueses que tenhem no castelhano a sua ferramenta literaria.
    NO caso do idioma galego o ficarmos entalados emtre dous estados que não gostam de mexer algumas coisas, tem a sua influência no que podia ser a sua normalização, dentro do Portugês atual. No entanto sempre se dirá que é um problema dos galegos. Pois sim ainda que pecadinhos temos todos. E senão olhemos estes, que paso a relatar, com documentação dp meu amigo Yotubee, para descovrir e pôr como alvo e em questão, no Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros o doutor Pau Portas.
    Iste ilustrado utilizou o seu poder do Estado Português para que a Galiza não formasse parte dos encontros da Lusofonía celebrados recentemente, com ele no poder não sería possivel o video do post anterior da Asamblea da República, pois foi no governo de Sócrates. O Senhor gastou pólvora e canhonaço, mas nem havia inimigo para bater. Quis matar moscas a canhonazos, tal vez.
    Tão mau seria para Portugal que asistisse a Galiza?. Seria que não gostaría a alguem na Espanha e o senhor quis ficar complacente de quem se acha deudor ou inferior?. Haverá um sentido português de não querer irritar a ninguem? (fora o caso do meu admirado José Mourinho). Ë precisso que um alto representante do Estado faga disto uma questão de geopolítica, nos tempos nos que estamos?.
    http://www.youtube.com/watch?v=FfiNjJW1yG8

    http://www.gopetition.com/petitions/peti%C3%A7%C3%A3o-carta-aberta-a-paulo-portas-ministro-dos-neg.html
    http://www.meneame.net/story/chrys-christello-critica-posicion-portugal-respecto-entrada-cplp

    Este mesmo senhor, assistiu há poucos dias o funeral do Manuel Fraga, ministro de Franco de longa data, e presidente da Xunta de Galiza doce anos. Assistiu por que eu o vi nas imagens em directo que dava a televisão, e do que vai um yotubee de monstra . No entanto nem no directo nem mais tarde nenhum jornal, nem televisão, nem mass-meia deixou pegada de estar presente o Representante de Portugal no exterior. Esteve como particular, ouvindo uma missa na catedral de Compostela. Esteve como chefe dum partido amigo do PP ou como ministro de Portugal no estrangeiro?. O Mariano Rajoy esteve como amigo, herdeiro, e como presidente do Governo de Espanha ocupando um lugar destacado no templo. Pode ir a um evento público ainda que seja de forma particular sem ser o ministro de Portugal? Há uma esquizofrenia ou que é o que é. Se um ministro de Portugal está num acto público e ainda mais se é na Galiza, é necessário que seja reconhecido como tal. Porque só por dizer que no único sitio da Espanha em que há gentes com o apelido Portas é na Galiza, será por casualidade.
    Que ocasião tinha também para fazer um protesto, ou uma chamadinha para fazer ver a quem correspondesse que ninguém supo que um ministro de Portugal esteve no funeral do senhor Fraga.
    Para isto já não havia munição?. Faça-se respeitar, pois senão esta direita castelhana sempre o vai ter por menos, senhor Portas
    http://www.youtube.com/watch?v=ZdbzaP214oY
    D. Gregorio Peces Barba é uma pessoa com muita “auctoritas”. É socialista, catedrático de universidade, e um dos relatores ponentes da constituição espanhola. Numa conferência diz que “ESPERO QUE NO TENGAMOS QUE BOMBARDAR OTRA VEZ CATALUÑA “…. Estava-se a referir as revoltas da Catalunha nas s datas nas que o mesmo tempo Portugal racha a sua relação com Espanha , revoltando-se violentamente e negando-se a apoiar na toma e bombardeio de Catalunha. Foi com a chegada da nova dinastia dos Braganças. Peces Barba diz que com os problemas que dão hoje os catalães na convivência espanhola houvesse sido melhor não “dar” a independência a Portugal e deixar daquela livres os catalães.
    Ou seja a quem é dono da história e gosta de conta-la à vontade. Ele da ou quita a independência e revisa a história. E o mesmo tempo menospreza a um povo e nação independente. Ou seja mais ou menos que o Vasconcelos , esbarrou, tropeçou e desapareceu mentres os portugueses estavam a olhar para o céu limpo que aquele dia havia em Lisboa.
    Isto foi muito comentado, muito recentemente, na Espanha, porque falava de Catalunha, embora também de Portugal. As autoridades da Catalunha e os meios de comunicação catalães fizeram muito protestos e o senhor desculpar-se-ía com Catalunha mas não com Portugal.
    Pode ser brincadeira. Mas o senhor ministro tão aprendente de pequenezes também houvesse bem representado a imagem de Portugal. http://www.youtube.com/watch?v=4kvLAac9Esw
    Edie. Saiu um pouco longo, desculpas, mas o computador aguanta o que lhe deitem.
    Beijos e bicos.

  45. Embora eu seja republicano, penso que em materia de ortographia nunca deveriamos ter abandonado a do tempo da Monarchia, egual á que estou usando agora. Fernando Pessoa deu o exemplo, mantendo-se fiel a ella até á morte e recusando-se a acceitar a reforma de 1911. Bem haja elle, como eu o comprehendo agora… Continuou a escrever abysmo, mysterio, mystico, epocha, psychologia, cahir, sahir, fallar, comprehender, affirmar, applicar-se-ha, admittir-se-hia, intellectual, egreja, catholico, attitude, immoral, sciencia, portuguez, inglez, trez, nullo, theoria, theorico, commum, communista, sociaes, taes, anarchista, addição, espirito, phenomeno, Catharina, Alvaro, Sylvia, Ruy, Russia, Italia, etc.

    Os inglezes, esses atrazados, mantiveram até hoje as mesmas regras de transliteração da etymologia grecco-latina e dão-se bem com ellas. O mundo inteiro as usa hoje e, apparentemente, gosta de usal-as.

    Para “simplificar”, a reforma republicana de 1911 cortou umas tantas consoantes, mas criou montes de accentos. Qual a vantagem d’isso? E alguem teve difficuldade em entender o que aqui vae?

  46. nenhuma, só precisamos de boa vontade. parece-me bem razoável, Júlio, que se torça pela ortografia com que se nasce e cresce. a propósito da simplificação e do foneticismo não deixa de ser curiosa a posição do Brasil, nessa época, que ofereceu resistência à reforma e manteve a sua base etimológica – a que deve ser. por essa altura, olhos e barriga estariam bem alinhados. :-)

  47. este nosso Reis sempre tão engraçado! Poça, mas tantos links, eu agora só aguento dois links de cada vez porque vou sempre farejar à volta que não resisto… Pois é que mesquinhice, não não fazia mal nenhum como só fazia bem ter a mãe Galiza na CPLP, afinal Tereza era bastarda do rei de Leão e conseguiu a proeza de ser chamada regina pelo menos por um papa (não se pode é falar do Trava que lá vêm os ciúmes e estraga tudo). Eu agora sou ninguém mas estou ligado à lusofonia, mas prometo que farei lobby pela Galiza ladrando a propósito quando puder. Com que então o Portas é pau! Então se a Galiza entrar um dia na CPLP depois levas um bico numa orelha que te lixas :), lembro que andaste afegão…

    Entretanto à conta dos links do Reis, descobri que afinal somos o , que chatice, espero que se tenham enganado nas áreas algures por causa do noves fora nada.

  48. §

    caro amigo, pequena e engraçada espiral, um dos grandes heterónimos , ti que sempre foste o rei do link não podes ficar maguado por dois ou três mais, pois não.
    há que cortar nas procuras e voltar o rego.
    Não quero ser maçado, mas tu provocaste….. a dona Tereza bastarda era galega mas o seu pãe Afonso VI também era galego e o reino era galego e a sua capital era Leão. Ele foi um grande fodedor mas respeitou sempre as amantes e queridas, até uma moura tinha em Toledo, antes ainda de conquistar a cidade. E a historia continuou…..

    ( o dos bicos ja foi um dia esclarecido aquì, por se houve erros)

    dois mais,
    cara de pau……

    http://www.youtube.com/watch?v=dEUg-IhIrm8&feature=related

    Caetano Veloso, galego.

    http://www.youtube.com/watch?v=dEUg-IhIrm8&feature=related

  49. oh diabos, isso de cortar nas procuras e voltar o rego até corei; eu sei que um bico é um beijoca, vi tu com a Edie, mas também é melhor não aprofundar muito o tema…

    E o dragão? Vocês aí também tinham um dragão como animal mitológico do reino da Galiza/Leão? Ainda não consegui entender quando Portugal foi simbolizado por um dragão e de onde herdou o legado. Ainda por cima é o ano do Dragão. Mas também se era Leão não vejo que possa vir daí o dragão.

    É, noutros tempos apanhei um fartote de links que enjoei, mas ouvi o Caetano, sim.

  50. (entretanto não esqueças que eu sou é o rei do xonanço, portanto se eu desaparecer encontramo-nos em cima de um neutrino no lado de lá; e já agora, tufa cá.)

  51. Caro Val, Mário Soares conhecia muito bem aquela coisa viscosa que ainda ocupa o palácio de Belém, assim como o pavão do Alegre. Soares foi voluntarista, concorreu contra aqueles dois porque os conhecia muito bem de gingeira e não os desejava ver em Belém. O tempo veio dar-lhe razão. O Cavaco está senil e acabado, o Alegre anda ao robalo e o Marocas está aí prás curvas.

    Ai linda, não debulhes tanto senão ficas pilada. Faz como o Júlio e o João Franco, aposta na piolheira. vais ver como é bom virar abécula de braganza.

  52. Ė exatamente pelo fato de a ortografia ser superficial que a mesma é passível de ser regulamentada por decreto ou acordo. Ora tenta lá impor legislativamente aspectos sintáticos ou semânticos do Português e verás o sucesso que irás ter.

  53. essa superficialidade de que falas constitui, por um lado, apenas meia verdade – no sentido que viola a semântica de muitas, como é o exemplo desse fato (trazes gravata?) que acabaste de usar, palavras. por outro, e é o que está aqui em questão, a facilidade que existe em pintar a pele das palavras não constitui argumento para a sua permissividade e o apassivar do seu uso. para quê, mudando, uniformizar a cor da pele se é todos diferentes que somos iguais?

  54. JPC chama “superficial” à ortografia, para sustentar que é fácil impor reformas ortográficas. Ora ele que tente impor uma reforma ortográfica aos ingleses e verá o sucesso que vai ter.

    Os brasileiros rejeitaram a reforma ortográfica de 1911, foi preciso uma ditadura, a de Getúlio, para a impor no Brasil. Em Portugal, estupidamente, a questão politizou-se: os republicanos seguiram de imediato a ortografia republicana, os monárquicos e conservadores continuaram por muito tempo a usar a antiga e os anarquistas até criaram novas ortografias fonéticas, mais radicais (houve jornais anarco-sindicalistas escritos nessas ortografias insólitas). Outra ditadura, a de Salazar, entendeu-se depois com os brasileiros.

    Não se trata de superficialidade da ortografia, trata-se sim de a sociedade ter ou não ter consensos sólidos em coisas básicas da cultura e da vida em comum, regiões onde o sectarismo político habitualmente só faz merda – como é o caso do modo de escrever a língua falada por todos. A febre cabotina de mudar coisas básicas é típica de países atrasados ou sem apego ao seu legado cultural.

    P.S.: não lembra a um careca tirar a letra c a facto, dado que em Portugal ela se pronuncia. Só mesmo um povo que chama terno ao fato se lembraria disso. Ora eu não vou pronunciar facto e escrever fato só para agardar aos brasucas. Para não falar de muitas outras idiotices causadas pela reforma, como essa de corrector passar a corretor. Na TV e rádio já era frequente ouvir ignorantes chamar corrector, com e aberto, ao corretor, com e fechado. A partir de agora é a desbunda.

  55. Júlio: lê o acordo. Se pronuncias o /k/ em “facto” ou “corrector” podes grafá-los dessa forma e não como “fato” ou “corretor”. Já agora, concordo com quase tudo o que dizes, mas, repito, o acordo ortográfico belisca em nada o legado cultural da nossa língua.

  56. Claro que a ortografia pode ser regulamentada por decreto, o ponto é relativo ao interesse de o fazer neste modo e neste tempo. Para mim, o Acordo Ortográfico não nasce de uma carência de solução para algum problema que afecte os falantes, mas de um arbítrio político que, esse sim, afecta os falantes.

  57. tens tanto de curador da videomusicalidade como de indelicadeza, João Pedro da Costa. atrevo-me a chamar-te sexista – e se não és, é o que mostras ser.

    (como lamento quando vejo um par de tomates com potencialidade virarem ketchup. uma infelicidade.)

  58. e… porque não se calam e passam a outro assunto? este já cheira a… ketchup.
    congratulem-se os inimigos do acordo… no ccb o acordo será proíbido em breve!

  59. Por outro lado, caro LG, vamos sempre aprendendo algo sobre os nossos compatriotas. Por exemplo a ultima La Palhaçada do Valupi é um verdadeiro poema…

    Olha, Valupi, isto vai com certeza fazer desmoronar os principios em que assentam as tuas certezas, mas fica sabendo que existem decretos às carradas, e mesmo leis, calcula, que nascem do arbitrio politico…

    Em contrapartida, são rarissimos os decretos (ou as leis) que se impõem a nos como forma necessaria de resolver graves dificuldades de elocução ou no manuseamento da lingua.

    Isto é assim em Portugal como na boa centena e meia de paises que existem à face da terra, onde as “carências de solução” que te inquietam são mais frequentemente tratadas por médicos, terapeutas da fala, e assim…

    Boas

  60. Sim desculpa o sarcasmo, porque até tens razão. Eu escrevi um comentario no post “bem haja elle…” com o qual (julgo) vais concordar.

    Boas

  61. Que se lixe, o comentario foi-se. Dizia nele que o comentario do Julio põe realmente o dedo na ferida e é uma forma engraçada mas eficaz de ir ao essencial.

    Penso que as reformas ortograficas portuguesas do século XX são um caso invulgar de eficacia (um linguista ou um historiador das linguas podera talvez dar-nos elementos).

    No caso da acentuação fonética, que penso corresponde ao intuito de simplificar fazendo corresponder traços graficos e traços fonéticos, podemos de facto levantar algumas duvidas :

    1. O português fonético de hoje (em Portugal) teria chegado até nos sem as reformas do século XX ?

    2. Sem a acentuação fonética, um estrangeiro que não fosse a Carolina Michaëlis de Vasconcelos teria alguma hipotese de aprender o português fonético ?

    3. Se tivéssemos continuado a escrever com a ortografia usada no comentario, entre os Portugueses, quem teria ficado prejudicado, e quem teria saido beneficiado ?

    4. nas perguntas acima, assume-se que nem a lingua nem a ortografia teriam evoluido sem as reformas do século XX, mas isto esta errado. O mais provavel é que teriam evoluido e que os académicos teriam criado instrumentos para registar esta evolução. As coisas ter-se-iam passado mais ou menos como nos paises que não remetem o problema para decisões politicas. Ora bem, então a questão passa a ser : que hipoteses haveria de vermos uma reforma como a da nossa acentuação grafica adoptada pela população, ainda que fosse provado que ela é cientificamente rigorosa, que é comoda, que facilita o acesso de uma larga camada da população à leitura e à escrita ? Em Portugal, estas hipoteses seriam quanto a mim nenhumas. Haveria sempre um Graça Moura a impedir…

    Boas e desculpem a maçada, mas eu acho o assunto interessante (que é que posso fazer ?).

  62. LG, isso é bom mas pouco – não enche as minhas medidas. :-)

    o assunto é muito interessante, joão viegas, mas os argumentos – os que fundamentam o meu não – já foram expostos e não perceber que é no porquê implicito, de decisões políticas manhosas, onde reside a base da questão é andar a chover no molhado. que queiram acatar com indiferença e caiam nos argumentos dos bandidos, cada um é livre de fazer o que quer. mas eu não pertenço a um rebanho e não costumo preferir a sopa passada mandada fazer pelo vizinho à de feijão vermelho com tronchuda portuguesa feita na minha casa e com legumes da minha horta. :-)

  63. Cara Olinda,

    O problema que tu levantas é o da feijoada. Presumo que defendes que sempre foi Portuguesa, e nunca Brasileira. Calculo também que me vais encontrar receitas de feijoada que datam de época anterior à importação do feijão…

    Numa coisa pelo menos penso que todos concordarão contigo : nem os negros nem os indios se lembraram sozinhos de começar a falar português, de maneira que é inegavel que houve uma forma de esbulho. E o facto de haver degenerados que, como eu, defendem o acordo ortografico com a manha propria do escravo, é o principio do fim da macacada, la nisso tens toda a razão.

    Descança que ainda esta para vir o dia em que terão desaparecido os Graças Mouras e Sousas Tavares que por ca andam a defender a tradição (vocabulo curioso, cuja raiz latina com certeza conheces).

    Seja como fôr, nenhum acordo te pode impedir de resistir…

    Alias eu proprio, que estou aqui a brincar, ainda não cheguei ao juizo do João Pedro da Costa, portanto enquanto ha esperança, ha vida…

    Boas

    PS : Mas por falar em Graças Mouras, Sousas Tavares e outros paladinos do patrimonio lingusitico, por onde é que eles andam quando as nossas universidades admitem, ou obrigam, a que as teses de doutramento sejam escritas e defendidas… em inglês ? Isto não os apavora mais do que o Acordo Ortografico ? Porra, quanto a mim, temos ai uma investida muito mais preocupante e, que eu veja, ninguém levanta pio. Ou não ?

  64. essa teoria do mais vale pouquinho mas bom são tretas dos afinadores de verdades e de vontades, LG, a qualidade pode muito bem ser quantidade – dá é trabalho e custa tempo. e verborreirar pode ser, sim, muito e muito bom. :-)

    olha, joão viegas, parece-me bem mais pertinente falarmos em flatulência já que estás a ir à lógica do passado em que já todas as partes fizeram o quilo. cada um que se ajeite na sua casa, pois há coisas que não se partilham.

    quanto às teses de doutoramento, não me aquecem nem arrefecem. mas se me aquecesse por algum motivo directo, não descansaria enquanto não tentasse alterar o regulamento interno da universidade em questão – isto porque presumo que estejas a atacar universidades de ensino particular.

  65. “há coisas que não se partilham”. Bom, por definição, a ortografia não sera uma delas.

    Quanto ao resto, estou a falar de universidades publicas, claro, por exemplo em economia (sei de um exemplo por ser um familiar, mas julgo ter lido que era frequente).

    Boas

  66. no sentido de paridade absoluta a língua, e neste caso o acordo ortográfico, como esqueleto da identidade de um país não pode, mutilada e adulterada, ser partilhada. o conceito de nação, por si mesmo, não admite partilha da sua castidade: ou deixa de o ser.

    não estou por dentro do assunto dessa frequência – apenas da frequência, amiúde, nas privadas.

  67. para mim o acordo ortográfico é uma das poucas coisas divertidas da atualidade, dá para uma salsa que não digo nada, a modos que induzida. Portanto, João Pedro, se eu bem percebo é-se livre de pôr ou não as consoantes duplas se se pronunciam, mas isso sem data? A sopa da(s) lusofonia(s). Ainda há o problema teórico se não deveríamos dizer: a língua portuguesa, ou galaico-portuguesa, e as lusofonias.

  68. vector é que ando com dúvidas, vetor faz-me lembrar vedor, mas depois também é verdade que ele anda de pau guia…

    vetorização?, mas dantes também se dizia que as consoantes duplas serviam para acentuar a vogal anterior e portanto sem c diz-se ‘vêtorização’

    e portanto lá em cima ficava ‘vêtor’?

  69. não é bem ‘vêtor’, o som quero dizer, mas não sei qual é a sinalefa para dizê-lo,

    de qualquer modo houve ali um objectivo alcançado :)!

  70. Caro Ampersand tiroliano esperlueta,

    Como estas ?

    Repara que existe uma convenção bem aceite (pelo menos nos paises ocidentais), correntemente utilizada pelos linguistas e nos dicionarios, para representar os traços propriamente fonéticos das palavras. Por isso mesmo, quando tens uma duvida sobre a forma de pronunciar uma palavra, podes socorrer-te de um (bom) dicionario.

    Mas a ortografia não pode ser simplesmente isso, de contrario estariamos todos, nos diversos continentes, a escrever com signos exclusivamente fonéticos. Uma fantasia tão impossivel como a pratica generalizada do Esperanto…

    Portanto a ortografia carrega com ela mais do que a simples a anotação de uma realidade fonética. Por isso mesmo muitos ressentem a perda de uma letra muda como o “c” de “acto” como uma verdadeira violação.

    Agora uma curiosidade. Como evolui a nossa relação à ortografia ? A mania que dar um erro a escrever é uma falta grave, que nos vem dos ditados da escola mas também do facto da escrita ter passado a fazer parte das boas maneiras, data de quando ao certo ?

    Os historiadores que investiguem, mas eu tenho a minha pequena ideia. Penso que data do século XX e, mais concretamente, da idade em que a aprendizagem da leitura e da escrita se generalizou. Tanto quanto consigo ver, a ortografia era, ainda no século XIX (veja-se por exemplo os rascunhos de alguns dos nossos grandes escritores) uma coisa deixada ao critério do impressor, um pouco como hoje a tipografia. Tratava-se de uma questão técnica, um problema de artesãos. Para saber se alguém dominava a lingua, não se olhava principalmente para esta questão, mas antes para a gramatica, para a capacidade de expressão, etc.

    E, quem sabe, se calhar amanhã, os nossos filhos vão levar com a palmatoria porque se terão esquecido de colocar o espaço requerido entre a palavra e o ponto e virgula. Teremos então um Novo Acordo Tipografico, com intelectuais saudosistas a protestar porque estamos a ceder a regras africanas…

    Sela como fôr, julgo que a historia da atenção à ortografia (ou seja da ortogrtafia propriamente dita) ainda esta por fazer.

    Boas

  71. a data não interessa nada, joão viegas, mas sei que a minha relação com a língua é uma história de lambedelas: lambemo-nos, em verdadeira adulação, uma à outra . :-)

  72. Caramba, se é assim tão indiferente e superficial e apolítica , a questão da ortografia, porque é que os brasileiros apenas abdicaram de 5% das suas regras? E mesmo assim, não aplicam???

    (sempre os bons alunos, já me dá nojo)

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