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“As Tascas” por Chico Mota

É compreensível que Rui Rio se revolte com as sistemáticas violações do segredo de justiça e a lentidão nos casos mediáticos e associe esse fenómeno ao Ministério Público. É também sabido que o Ministério Público e a Judiciária alimentam regularmente alguns órgãos de comunicação com informações sob segredo de justiça, mas a forma de acabar com isso não é punir mais os jornalistas mas sim, dentro das corporações, criar uma mentalidade e uma prática mais rigorosas e respeitadoras da lei e menos permeáveis a "amiguismos" ou "clubismos". Não é fácil, diga-se. O que não é possível, em democracia, é impedir a imprensa de dar notícias sobre processos judiciais. Alguém admite que sobre a Operação Marquês só tivéssemos tomado conhecimento dos factos a que a mesma se reporta quando foi divulgada a acusação, quase três anos após a prisão do ex-primeiro-ministro José Sócrates? Alguém admite que não soubéssemos que o ex-banqueiro Ricardo Salgado está em liberdade por ter prestado uma avultada caução?


“As Tabacarias” por Rui Rio

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Neste singelo parágrafo, o ladino Chico Mota consegue subsumir tudo o que está em causa na questão de Estado, e de soberania, chamada “violação do segredo de justiça”. Eis o que nos diz, do alto de ser advogado e jornalista, o especialista do Público para as temáticas ligadas à Justiça:

– Que Rui Rio está autorizado a falar na Justiça sem passar acto contínuo por corrupto nas bocas dos donos da opinião pública pois não é socialista; sendo só de lamentar que Rui Rio, na sua ingenuidade e estultícia, esteja a querer ajudar os corruptos do PS.

– Que o Ministério Público e a Judiciária cometem crimes sistematicamente, impunemente, publicamente, e que tal tem de ser protegido, a começar pela protecção dos cúmplices nos órgãos de comunicação social que concretizam as intenções dos criminosos no MP e PJ, e lhes aumentam o alcance e a gravidade quando não mudam a tipologia do dano.

– Que o paleio de se ir resolver o problema criando «uma mentalidade e uma prática mais rigorosas e respeitadoras da lei e menos permeáveis a “amiguismos” ou clubismos”» só serve para um gajo se mijar a rir; e é precisamente por isso que essa cassete tem de tocar sem parar até abafar toda e qualquer tentativa de combate ao deboche que enche bolsos e agendas secretas.

– Que a “imprensa”, desde que controlada pela “gente séria”, pode despejar as informações que lhe apetecer no espaço público sem qualquer controlo pelo Estado nem pela sociedade, servindo essa violação do código deontológico do jornalismo e da Lei portuguesa para ilimitados objectivos imorais e ilícitos a coberto de serem alegadas “notícias”.

– Que a Operação Marquês é o exemplo perfeito, paradigmático, inexcedível na sua pulhice pelas décadas ou séculos afora, do quanto se pode ganhar em dinheiro e em influência sobre o jogo político, ao mesmo tempo alimentando o voyeurismo e sordidez quotidiana, ao se dispor do incomensurável poder das polícias, procuradores e juízes para diabolizar politicamente e assassinar moralmente alvos selectos.

– Que depois de tanto abuso da Justiça e da indústria da calúnia, depois de tanta “investigação” ao longo de tantos anos por tantos profissionais da investigação estatal e privada, não há ninguém em Portugal que possua um único facto relativo ao que supostamente estava na origem do processo e das draconianas medidas tomadas: um acto de corrupção, passiva ou activa, do cidadão José Sócrates. Daí ter de se ir buscar o Salgado sempre que Sócrates vier à baila para que o auto-de-fé não tenha falta de lenha junto do bom povo que grita por “justiça”.

– Que o Chico Mota defende crimes de agentes das polícias e da Justiça recorrendo ao argumento de que esses crimes lhe oferecem algo que curte bué desfrutar enquanto se ri à gargalhada do Estado de direito.

Estamos perante alguém que se anula como autoridade do que reclama como estatuto de superioridade e especialização. Alguém que se entrega às paixões onde chafurda agarrado a quem lhe permite despejar o seu ódio contra aqueles que detesta por razões que não explica por não terem explicação. Um taberneiro ilustrado.

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Kindness is a top priority in a long-term partner
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Females tend to take risk more seriously, but their voices often go unheard
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Married CEOs are more committed to social issues than non-married peers
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How happy couples argue: Focus on solvable issues first
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Advice for introverts: Fake it, and you’ll be happier
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Inequality: What we’ve learned from the ‘Robots of the late Neolithic’
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The Amazon and You
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CostaxRio: que ganhámos nós?

O jornalismo político tornou-se num antro de bimbalhada, fenómeno que acompanha simetricamente a decadência da direita portuguesa (a qual domina a comunicação social a toda a extensão). Os comentários ao debate entre Costa e Rio soam penosos de tão inanes – exemplo – e a obsessão com o resultado desportivo, dizer quem ganhou e quem perdeu e quem empatou, anuncia estarmos em presença de um adepto a espalhar a sua disfunção cognitiva preponderante e a aproveitar para falar de si próprio.

Entretanto, o espectáculo teve os seus momentos de interesse:

Rio - E se nós olharmos, por exemplo, àquela velha... velha, não, recente máxima das "contas certas"... o PS, conseguiu, finalmente!, na sua vida, uma vez, fazer as "contas certas"... Nós temos de ver o que é que são as "contas certas"...

Foi logo ao princípio. Um lapso freudiano. A máxima das contas certas é velha, sim senhor. É uma cassete que a direita tocou desde Cavaco, que Ferreira Leite agitou como bandeira, que Passos usou grotescamente para embrulhar um projecto de reengenharia social baseado no empobrecimento generalizado da população em Portugal. Só que “contas certas” era o que havia, juntamente com uma visão modernizadora e ambiciosa, no Governo de Sócrates até à Grande Recessão. Contas certas foi o que voltámos a ter com um Governo minoritário que estreou o apoio do PCP e do BE a políticas de centro-esquerda que efectivamente melhoraram a vida de milhões de portugueses. Contas certas não é um balanço de merceeiro pois a economia de um Estado é um bocadinho diferente do deve e haver de um negócio ou das despesas caseiras. Contas certas é o que acontece quando a maioria concorda com as opções dos Governos, mais nada.

Rui Rio disse umas banalidades irrelevantes sobre as contas do actual Governo, porque é um automatismo da mediocridade política dizer que algo falha nas contas dos Estados que não tenham ainda garantido a felicidade plena, sem ter de trabalhar nem pagar impostos, a todos os cidadãos. No seu subtexto, sem disso ter consciência, estava a apagar a cassete laranja.

Costa - Há uma coisa que é consensual, é que os números que há 9 anos se dizia que eram megalómanos, quanto ao crescimento do tráfego aéreo, foram todos ultrapassados... Portanto, sabemos que não são megalómanos..

Rio - Sim, sim, sim... [continuando a acenar afirmativamente ao longo da exposição do argumento de Costa]

Costa - Felizmente para o País, a procura aumentou muito mais. Agora, o que significa que, neste momento, nós estamos já a correr atrás do prejuízo. Todos os nossos aeroportos, designadamente aqui o de Lisboa, está neste momento com a sua capacidade para além do limite. E mesmo com todas as medidas de optimização do aeroporto, a realização do Montijo já vai chegar atrasada. Se tivermos de voltar tudo atrás, e agora a reconsiderar Alcochete, bom, não só teremos de dar uma indemnização muito significativa à ANA, como atrasaremos muito significativamente o desenvolvimento do País. E, de facto, não podemos comprometer mais o desenvolvimento do País.

Se recordarmos o que se dizia do novo aeroporto em 2009 e 2010, assim como do investimento do TGV, arrisca-se a considerar a democracia o instrumento favorito de uma conspiração dos estúpidos. Na sua fúria de conquistar o poder pelo poder, e de acordo com o instinto assassino que nos habita, a direita decadente preferiu a política da terra queimada ao interesse nacional. Também por aqui, Rui Rio passou ao lado de uma oportunidade histórica para refundar a direita.

Costa - No conceito "carga fiscal" estão os impostos mas estão também as contribuições para a Segurança Social...

Rio - Sim...

Costa - Portanto, nos números que tem para a carga fiscal estão também essas contribuições para a Segurança Social... Estão ou não estão?...

Rio - Estão...

Costa - Pronto, muito bem.

Cristas e Rio, e seus tenentes e arraia-miúda, andaram meses e meses a martelar no bordão do “maior aumento da carga fiscal de sempre”. A opção tinha algo de inacreditável pois o actual Governo baixou os impostos e, antes e acima de tudo, ficava com uma plataforma para destacar os seus triunfos: a carga fiscal é a receita fiscal + esta aumenta porque a economia melhora, porque há mais portugueses com mais dinheiro.

É encantador ver como a honestidade intelectual de Rio acaba por se sobrepor à hipocrisia e bronca demagogia dessa converseta.

Rio - Comecei na política, ainda antes do 25 de Abril, a lutar pela democracia. Tenho agora um país em que os julgamentos em vez de se fazerem no tribunal, muitos eles, fazem-se nas tabacarias e nos ecrãs de televisão. Isto é absolutamente inadmissível. [...] As pessoas não podem ser penduradas na praça pública da forma como têm sido. [...] Quase que volto a ter 17 anos ou 16 anos, quando entrei na política, justamente para combater isto.

A Justiça, por todas as razões e mais alguma, teria sido o território perfeito para Rio salvar a direita da decadência e realmente superar Costa em autoridade política. Lembre-se que a marca Rio, antes de se ter lançado à conquista da presidência do PSD, o posicionava como um “alemão”, alguém que viria salvar os portugueses de si próprios graças a uma vontade inflexível que nos daria ordem e disciplina como nunca se tinha visto nesta terra de madraços e estróinas. Rapidamente se viu que essa máscara parecia carnavalesca perante o crescimento da importância política de Centeno. Restava a Justiça para Rio exibir um fulgor visionário disruptivo e fundador. Infelizmente, não passava de uma exibição narcísica.

O homem que ontem deixou estas admiráveis e corajosas palavras acima citadas, que atingem em cheio a putrefacção moral e perversão do código deontológico do jornalista características da legião dos pulhas, é o mesmo que se entrega à mais básica calúnia mediático-judicial no tribalismo selvagem da disputa eleitoral, assim vaporizando a sua credibilidade e integridade:

Um jornalismo político que perante o debate entre dois candidatos a primeiro-ministro continua a bater punhetas a grilos num berreiro de vacuidades merece desaparecer. Venha aquele que se concentre em responder a esta pergunta: que ganhámos nós?

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Patients are significantly less likely to receive life-saving treatments if they are not currently married
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What multilingual nuns can tell us about dementia
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Drinking tea improves brain health, study suggests
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Heterogeneity in the workplace: ‘Diversity is very important to us – but not in my team’
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“Does Science Advance one Funeral at a Time?”
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How the Justice System Can Affect Physical, Mental Health
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Because we are better than you. We pay our taxes.
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O transe e o cisma: aquém e além de Sócrates

O Público, um jornal que assumiu o estatuto de pasquim como destino e a pulhice como modelo de negócio, voltou a fazer uma manchete com uma notícia falsa:

A notícia é falsa quanto à matéria de facto, o processo em causa não é da “Operação Marquês”, e é falsíssima no seu sensacionalismo, pois Rangel não tem permissão superior para ajuizar em matérias ligadas à “Operação Marquês”; o que faz do sorteio que lhe deu um processo lateral isso mesmo, uma aleatoriedade a ser eventualmente corrigida pela repetição e sem qualquer consequência prática no campo do “risco” e do “escândalo”. A indústria da calúnia, porém, agarrou-se ao osso com raiva, e aí temos os cães de fila do costume felizes da vida por terem mais uma oportunidade para mostrarem as favolas e despacharem serviço. Como escreveu o mais célebre dos caluniadores profissionais, é de muito mau gosto encher os bolsos à conta do Salazar, coitado do dedicado e bondoso senhor que merece descansar em paz – já ter uma carreira milionária e receber honras de Estado graças à perseguição maníaca a Sócrates e ao achincalhamento do Estado de direito é a prova provada da esperteza que o assiste.

Entretanto, o nosso amigo Eremita voltou a disparar (e disparatar) nesta direcção por causa de Sócrates, são assim as paixões, e vou aproveitar a deixa para recomendar a leitura do seu O transe e o cisma: aquém e além de sanitas e urinóis. Trata-se de um ensaio que terá muito poucos leitores, dada a sua extensão e complexidade da temática. Porém, o seu campeonato não é o da quantidade, antes o da qualidade. Quem mergulhar no exercício vai sair de lá com a consciência de ter aumentado a sua inteligência sobre variados assuntos ligados às polémicas do género e da construção da identidade sexual, mesmo que não concorde com tudo ou com quase nada.

Realço um aspecto que me fascina antropologicamente, o das diferenças biológicas nos cérebros das mulheres e dos homens. O meu fascínio não está na constatação científica de que elas existem, está na sua negação por parte de quem considera que tal reconhecimento é contrário à defesa dos direitos da mulher ou de qualquer outra causa que se considere feminista. Até agora, apenas registei mulheres a insurgirem-se contra essas diferenças no plano biológico, e para mim está aí o fascínio. É que consigo perceber, entender e compreender como é que uma mulher se sente ameaçada por esse discurso biológico que aparenta legitimar os preconceitos e as discriminações. Afinal, as mulheres são exactamente iguais aos homens no plano mental: são seres egocêntricos. Logo, imaginam que os homens pensam como as mulheres, que desejam como as mulheres, que amam como as mulheres, apenas não foram dotados de personalidades agradáveis, interessantes e sensatas como as delas. Não ironizo, acho que o egocentrismo é uma característica inerente a todos os sistemas de consciência, animais incluídos (é evidente) e futuras consciências criadas artificialmente (daí o seu potencial perigo que muitos antecipam). Talvez haja uma cósmica e quântica analogia entre a consciência e a força da gravidade.

É o egocentrismo, e sua Torre de Babel de disfunções e vieses cognitivos, que explica a hipocrisia, o fanatismo, a canalhice. Veja-se como os hipócritas, os fanáticos e os canalhas rejubilam com um juiz que foi para a televisão declarar que um cidadão à sua guarda judicial era criminoso quando ainda nem sequer tinha sido acusado. São esses hipócritas, fanáticos e canalhas que nos vão salvar do perigosíssimo Rangel e resgatar o Estado de direito? Eis aqui, pois então, o meu egocentrismo a colar num non sequitur à pressão a tonteira e a sapiência do nosso amigo Eremita.

Debates que pagaria para ver

Jerónimo de Sousa-Zita Seabra

Por razões óbvias, por tantas histórias que teriam para contar do tanto que sabem a respeito um do outro, ficaria como um debate histórico.

Assunção Cristas-André Ventura

A verdadeira líder da oposição contra um dos verdadeiros líderes da verdadeira direita. Histórico para o futuro da nossa vera direita decadente.

Rui Rio-Passos Coelho

Um debate teológico entre dois colossos da estratégia política – “O Diabo, afinal, sempre chega no dia 6 de Outubro pelas oito da noite, como anunciam as sondagens?”. Histórico para presentes e futuros cientistas políticos.

Catarina Martins-Pedro Nuno Santos

A esquerda da social-democracia e a social-democracia da esquerda. Histórico para se consolidar Portugal como o bastião da social-democracia europeia.

André Silva-António Marinho e Pinto

Dois animais políticos à solta. Histórico para quem gosta da natureza da democracia.

Rui Tavares-Santana Lopes

Uma estrela cadente há anos e anos versus uma estrela decadente há anos e anos. Oportunidade histórica para relançarem as suas carreiras.

Mendo Castro Henriques-José Pinto Coelho

Tendo sido aluno do primeiro, sei bem que ele – e sem se esforçar – poderia reduzir o segundo a um britado de ódio cujo único destino seria um aterro sanitário. Que pena não podermos vir a contar essa história.

A solução à espanhola que nos teria salvado da destruição insana

«A Espanha não teve o chumbo do PEC 4, e, portanto, pôde evitar o resgate; e, por isso, nunca teve a sua credibilidade internacional tão afectada como Portugal teve.»


Primeiro-Ministro de Portugal, Setembro de 2019

*_*

Não é possível encontrar, em toda a Internet, uma referência que seja a esta declaração de Costa lançada para o éter mediático na sua última entrevista à SIC (se existe, rogo que me indiquem onde para corrigir). Suponho que também não existam referências indirectas no comentariado (mas sei lá). No entanto, contudo, todavia, esta é só a declaração política mais importante em Portugal desde [é favor preencher a gosto – ou seja, com desgosto].

O momento que leva ao atrasadíssimo reconhecimento público por parte de Costa do que foi a defesa do interesse nacional e do bem comum por parte de Sócrates e de quem com ele estava nesse Governo – até aos limites do imaginável e até mesmo uma beca para além – começa no minuto 16 da entrevista. Bernardo Ferrão, uma infeliz e incompetente escolha para o jornalismo político que só se justifica pela sua disponibilidade para o sectarismo rasteiro, achou que ia entalar o entrevistado com a comparação entre Portugal e Espanha. Costa agradeceu a benesse e limpou o rabinho ao entrevistador. Como o Ferrão não parava de escavar o buraco onde se enfiou voluntariamente, o actual secretário-geral do PS e primeiro-ministro em funções ia ficando saturado e, na procura de ainda mais argumentos na categoria do “isto é óbvio, pá”, cometeu o deslize de ir parar aos idos de Março de 2011. Rapidamente o assunto ibérico na berlinda deixou de estimular a perseguição canina do “jornalista”.

Aqueles que espatifarem o seu rico tempo a ouvir esse trecho da entrevista ficam autorizados a tirar umas ilações correspondentes sem o mínimo risco de errar. Por exemplo, passa a ser inevitável ver em António Costa um alto responsável político que teria tentado, com o máximo das suas forças, evitar que o PEC 4 fosse chumbado usando exactamente o mesmo racional dos governantes ao tempo. E, num outro exemplo, é fatal ver em António Costa um cidadão que consegue calcular o valor da pérfida e estupidamente colossal destruição em capital financeiro, estrutura económica, tecido social, qualidade e segurança da vida pessoal – a que se soma o número de vidas que se desgraçaram e perderam em doenças e suicídios em consequência das decisões tomadas pelos partidos que chumbaram o PEC e impuseram o resgate de uma Troika fanática da “austeridade salvífica” que encontrou em Passos o carrasco guloso para cumprir as ordens e embriagado de desprezo para aumentar a devastação – num fenómeno de anos que, como também referiu na entrevista, só agora começa a permitir a recuperação dos instrumentos internacionais e estatuto do País para conseguir ter acesso a capitais necessários à boa gestão das contas públicas e à promoção dos investimentos estruturais por fazer há uma década.

Houve quem, para além de Sócrates e do PS ao tempo, tivesse antecipado o que iria acontecer se o PEC 4 fosse chumbado. Eram umas raríssimas e rarefeitas vozes, inaudíveis no berreiro furioso que queria sangue numa estratégia de terra queimada, vingança rancorosa contra aquele perante o qual se sentiam e sabiam inferiores e a captura do poder pelo poder. Infelizmente, tragicamente, em 2011 não pudemos ter uma solução à espanhola; confirmou Costa e confirma o silêncio cúmplice que abafou a sua extraordinária e fundamental recordação.

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Many older adults aren’t fully prepared for emergency situations, poll finds
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Hardship during the Great Recession linked with lasting mental health declines
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Furry friends ease depression, loneliness after spousal loss
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Squirrels listen in to birds’ conversations as signal of safety
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Study shows the social benefits of political incorrectness
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Developing a richer understanding of natural sciences critical to making better policy decisions
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‘Mental rigidity’ at root of intense political partisanship on both left and right, study finds
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Lapidar

«Uma coisa que agradeço é que não me contem historietas. Pois em relação à proposta do autarca de Santa Comba Dão para a criação de um “centro interpretativo” dedicado a Salazar, na terra natal do ditador, sintomaticamente a situar na cantina-escola Salazar, convenientemente sediada na avenida dr. António de Oliveira Salazar, não só nos querem contar uma historieta como, enquanto o fazem, tomam-nos por parvos.

Não faltam bons motivos para promover exercícios interpretativos do Estado Novo. Na transição para a democracia, descurou-se esta vertente, perpetuando uma certa invisibilidade da natureza ditatorial do regime, explicável pela ausência de um movimento social fascista e por uma passividade bucólica, traço marcante da sociedade. Até com uma rutura política seguida de revolução social, o país preferiu não interpretar o passado, remetendo-o para o mesmo lugar silencioso.

De certa forma, o museu Salazar, proposta que afinal nunca existiu, representa o regresso desta invisibilidade crónica do salazarismo enquanto regime repressivo e autocrático. Sintomaticamente, num artigo trôpego, o historiador Luís Reis Torgal – a quem é atribuída alguma responsabilidade científica na proposta autárquica – tentou promover uma “reflexão séria e calma” sobre o tema. E o que nos propõe (enquanto referenciava um rol de dissertações que orientou sobre os mais diversos assuntos)? Que ajudemos a autarquia a resolver o problema que é “manter em ruínas” a casa do ditador, garantindo que o que está em causa é a criação de um centro interpretativo, a partir do “espólio” de Salazar, articulando-o com outros projetos de musealização a criar na região (António José de Almeida em Penacova; Tomás da Fonseca em Mortágua; Afonso Costa em Seia e, cereja no topo do bolo, Aristides de Sousa Mendes em Carregal do Sal).

Quanto mais se sabe, pior se torna o cenário. Só uma exorbitante neutralidade axiológica e uma fúria normalizadora podem levar a que se pondere juntar, na mesma rede, republicanos insignes, figuras de cultura, democratas corajosos e referências morais absolutas com um ditador abjeto e de baixa estirpe.

Fica demonstrado que temos, como comunidade, um problema com o legado do Estado Novo. O que torna imperioso que se multipliquem centros interpretativos: nos tribunais plenários, nas antigas prisões políticas, nas fábricas, nas faculdades onde a PIDE entrou ou nas escolas onde professores foram expulsos. Em todos os lugares menos na aldeia natal do ditador.

A ideia é uma afronta à memória e, pior, adensa um espetro que paira sobre o futuro. Não sei se os historiadores de Coimbra têm dado conta, mas o regresso do fascismo não se fará de botas cardadas, com marchas militares e mecanismos repressivos como os do passado. É precisamente pela forma sonambúlica como se deixa entrever que o fascismo de hoje é assustador. Não ajudemos, por isso, a promover um voyeurismo mórbido em torno do “espólio” de um tirano.»


O museu Salazar nunca existiu

Catarina Martins pede para ser ouvida por Ivo Rosa

O nosso amigo MRocha chamou-nos a atenção para um momento no debate Assunção-Catarina onde a Coordenadora Nacional do Bloco de Esquerda diz em público que Paulo Núncio inventou a mielas com Passos Coelho uma marosca em ordem a permitir que Sócrates trouxesse para Portugal o dinheiro da corrupção que andou a branquear na estranja. Não foram exactamente estas as palavras usadas, pois teve o cuidado de diminuir na medida do possível o choque que a coitada da Cristas iria ter com a bombástica revelação, mas as palavras registadas ao vivo oferecem às orelhas exactamente a mesma conotação:

"Era bom lembrar o seguinte. No tempo do Governo PSD-CDS, no tempo dos maiores cortes, em que as pessoas mais sofreram, Paulo Núncio, secretário de Estado do CDS, fez uma amnistia fiscal que permitiu a Ricardo Salgado, a Zeinal Bava, a José Sócrates, outros, não só trazerem o dinheiro para Portugal sem pagar imposto, como lhes permitiu amnistia sobre os seus crimes de fraude, de evasão fiscal, de branqueamento de capitais, e temos hoje a Autoridade Tributária a ter dificuldades de agir. Portanto, nós temos de escolher de que lado estamos."

minuto 17

Donde, é de caretas e aleluia, a “Operação Marquês” acaba de dar um salto quântico. Catarina, a Grande Procuradora, já chegou onde nem Rosário, nem o esgoto a céu aberto, nem o mano Costa e o poeta-Guerreiro, nem os talibãs da madraça, ousaram entrar – daí esta incansável gente séria estar em campanha pelo recurso às “provas indirectas” de forma a que a vingança seja implacável e maximalista. Já esta pessoa extraordinária que concorre para deputada sabe – sem margem para a mínima dúvida – que Sócrates trouxe dinheiro para Portugal (i) oriundo de crimes vários (ii) e, especialmente, do crime de corrupção (pelo branqueamento) (iii). Dinheirinho bacano que ficou à sua disposição à pala do Núncio e do Passos, vai sem discussão; mas talvez o grupo de comparsas desse Governo, onde também aparecia a Assunção quando a obrigavam a largar a piscina, seja bem maior. De forma miraculosa, nem o jornalista presente (consta que houve um tempo em que os jornalistas eram formados com a missão profissional de fazer perguntas, que saudades) nem o alvo da calúnia lhe perguntaram como sabia tanta e tão maravilhosa coisa a respeito de tanta gente. E a Catarina, logicamente, terá depreendido que o assunto era de uma evidência com a qual todos concordavam, daí a ausência de questionamento e de contraditório, e não perdeu mais tempo a explicar como descobriu a colossal tratantada.

Da minha parte, abdico daquela que será uma encantadora justificação para a inexistência de qualquer capital em nome de Sócrates que possa ser associado ao que garante ter acontecido e fico particularmente curioso a respeito das provas que a Coordenadora do Bloco recolheu sobre a corrupção que tanto dinheiro deu ao diabólico corrupto. Deve ter sido bonita a roubalheira, deve. Acima e antes de tudo, adorava ouvir o relato sobre o episódio, ou episódios, em que um primeiro-ministro conseguiu esse feito de enganar, ou aliciar, o restante Governo e demais entidades públicas e privadas necessárias para levar a cabo e encobrir tamanha operação ou operações tão lucrativas. Alguns desses cúmplices transitaram para um outro Governo com o qual o BE fez acordos históricos, para dar mais tempero à história que lhe vai garantir um Pulitzer vitalício. Contudo, forço-me a ter a humildade suficiente para reconhecer que não serei eu o primeiro cidadão com quem a Dona Martins deve ir falar. Essa pessoa no topo das prioridades responde pelo nome de Ivo Rosa e terá o maior interesse em receber as provas até agora em falta no processo. Como sou leigo em Direito, ignoro se é possível bater à porta do tribunal e pedir para entregar umas papeladas ao magistrado que tem entre mãos o processo judicial mais importante da democracia portuguesa. Seja como for, vale bem a pena tentar. A Catarina que diga que é uma pessoa que costuma ir à TV repetir o que papou na Cofina – não foi outro o critério para montar a acusação da “Operação Marquês” pelo que deverá conseguir entrar sem dificuldade.

A direita vítima de congestão socrática

Perante o risco de desaparecimento do poder estruturante da direita no Parlamento – “Maioria — que percentagem?” -, principalmente pelo esperado aumento da abstenção, votos brancos e nulos à direita dada a desmobilização e confusão nesse eleitorado, fica mais claro um dos factores que contribui para esse fenómeno de consequências imprevisíveis; posto que, como refere Rui Oliveira e Costa, poderá ocorrer uma inaudita transformação no regime desde 1974. Esse factor chama-se Sócrates.

Apesar de já ter saído do PS, e de não ser verosímil que venha a ter capital político para funções de representação do voto popular após a “Operação Marquês” estar arquivada seja lá quando e qual for o seu desfecho, apesar de não existir ninguém que seja “socrático” no sentido de aparecer no espaço público como paladino, sequer teórico, de um qualquer projecto ou legado herdeiro dessa ex-liderança do PS e do Governo, os discursos da direita triunfante (aquela que, há décadas, ocupa PSD, CDS e impérios mediáticos engajados e congéneres, onde se inclui destacadamente a Cofina e a Impresa) são obsessiva e fanaticamente socráticos – no sentido em que a figura, a memória, a expectativa, o mero nome de Sócrates, criaram um vórtex que devorou a inteligência, sentido comunitário e talento político na direita decadente. Decadente não por causa de Sócrates mas decadente por Sócrates ser a sua principal (única?) causa.

Exemplo na berlinda onde acabo de tropeçar, o de João Marques de Almeida. Se sairmos à rua com a intenção de sabermos quem é a personagem através de perguntas ao bom povo que passa nada iremos descobrir. É um ilustre desconhecido com a sua fama circunscrita ao mundo da madraça e corredores alcatifados da oligarquia. E é um exemplo folclórico do direitolas ressabiado e rancoroso para quem Sócrates é o maná e o oxigénio dos seus neurónios a agonizar num deserto intelectual.

Desfrute-se:

«A propaganda benfiquista é o resultado de uma estratégia do clube desde que contratou o mesmo director de comunicação que trabalhou para o governo de Sócrates. Lembram-se da estratégia de comunicação dos governos socialistas de Sócrates para intimidar os seus adversários? O Benfica de Luís Filipe Vieira segue a mesma estratégia. A propaganda benfiquista tentou, ainda antes do início do campeonato, criar um facto consumado, “o Benfica será inevitavelmente campeão”, para intimidar os seus adversários. Tal como nos tempos de Sócrates, no caso com o PS, quem se mete com o Benfica leva.»

Fonte

A temática geral do texto remete para não sei quê do Porto e do Benfica, consta que há uns que não gramam os outros e vice-versa. Apesar da irracionalidade a pedir medicação, isso de se pretender enfiar Sócrates numa querela destas, o facto é que este Almeida ficou feliz da vida por vislumbrar a enésima oportunidade para se lambuzar no objecto que o fascina. Ora, fascinado fiquei igualmente eu com o grau zero de contacto com a realidade a que este fulano chegou publicamente. De que raio estará ele a falar quando invoca uma “estratégia de comunicação” para “intimidar adversários”? Quais eram os “órgãos de comunicação” que estavam ao serviço “dos governos socialistas de Sócrates” (para além do Corporações, esse temível blogue) e quem foram os adversários que se sentiram “intimidados” (queremos os nomes desses cagarolas)? Ele não explica, em vez disso recorre a uma maravilha retórica: “Lembram-se daquilo que não vos estou a dizer o que seja?” Silêncio em frente dos monitores… Claro que sim, pá, quem é que pode esquecer isso de que não faz ponta de um corno ideia do que seja?!… Eis uma técnica sofística genial. Infelizmente, para a qualidade do debate político ou outro em Portugal, estamos perante a escola retórica da Feira da Malveira.

A direita decadente, na verdade, não o podia ter evitado. É como uma cobra que engoliu um mamute congelado e agora não o consegue digerir nem se consegue mover. Está a agonizar, vendo o seu corpo a romper-se e desfazer-se em pedaços, mas até ao fim em êxtase hipnótico com o espectáculo da cabeça de Sócrates pousada numa bandeja.

Revolution through evolution

Changing partners doesn’t change relationship dynamics
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Quest for new cancer treatment crosses milestone
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New evidence that optimists live longer
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Exercise is good for the aging brain
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It’s never too late to start exercising, new study shows
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America is built on cheating — and the fight against it
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Chance, not ideology, drives political polarization
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