Arquivo da Categoria: Valupi

Pensar na Ana Gomes

"Não tenho pressa. As eleições são daqui a 8 meses, estou a pensar."

Ana Gomes

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Ana Gomes está a pensar nas presidenciais. Em que pensará Ana Gomes quando pensa nas próximas presidenciais? Pensa que poderá ganhá-las? Pensa que não as poderá ganhar mas que isso não é importante, o importante é fingir que sim e saltar para o palco? Ou o seu pensamento limita-se ao gozo de nos deixar a pensar no que pensa? Enigmas de arrebimbomalho.

Onde não há enigma é no que se pode pensar de Ana Gomes candidata presidencial. Ver esse acto eleitoral transformado num circo com 4 cavaleiros do Apocalipse populista a disputarem os 4 primeiros lugares é desolador para os apaixonados pela cidade. Esta figura socialista que justifica aplausos incondicionais pela procura incessante de justiça, seja onde for e doa a quem doer, pelos mesmíssimos critérios justifica crítica e até repulsa.

Não conheço caso algum onde uma denúncia de corrupção vocalizada por Ana Gomes tenha dado origem a factual descoberta criminal, sequer terá acertado num qualquer processo judicial transitado em julgado, conforme ao teor do seu alarmismo. Se existe, agradeço penhorado que me tragam essa informação para minha ilustração e eventual correcção. Se não existe, então as suas boas intenções podem – e devem – ir para o diabo que a carregue.

Ver um pulha, ou um bronco, a caluniar é triste. Ver quem se concebe como decente a usar a sua publicitada integridade para fazer o mesmo a cidadãos avulsos, inclusive a camaradas de partido que lhe deram poder político no passado quando ela o pediu e até rogou, é pior que triste, é vexante. Ana Gomes, no tanto que é e poderá ser, não honra nem defende o Estado de direito democrático. Isso, pelo menos, é certo a respeito do seu valor como candidata presidencial.

Não vale tudo contra aqueles para quem vale tudo.

Ventura, aprendiz de feiticeiro

"Nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos: Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro", afirmou Pedro Passos Coelho, no encerramento do fórum de discussão "Mais Sociedade", no Centro de Congressos de Lisboa.

"O PEC IV chumbou porque não servia e não respondia a nenhum dos problemas importantes que Portugal tem à sua frente. Se ele tivesse sido aprovado no Parlamento, hoje a sua certidão de óbito já tinha sido passada por um PEC V e já íamos a caminho de um PEC VI", sustentou. Para Passos Coelho, a solução é "austeridade para o Estado" e quem lidera deve dar o exemplo, "porque isso tem um efeito multiplicador muito importante em toda a sociedade", o que só pode ser feito "mudando a liderança em Portugal".

"E os que estão abaixo desses, nos institutos públicos, nas fundações públicas, nos serviços do Estado perceberão que se o que está em cima na hierarquia é mais frugal, percebe que não pode andar a gastar o dinheiro do sacrifício dos cidadãos sem ter um assomo de consciência, nesse dia esses também vão gastar menos, vão poupar mais e vão fazer melhor com menos. E é isso que vale na nossa sociedade. Esse é o poder do exemplo", reforçou.

O presidente do PSD afirmou ainda que recusa ser "primeiro-ministro a qualquer preço" e aconselhou quem quiser "TGV, mais autoestradas, mais amiguismo e mais batota" a votar no PS de José Sócrates.


30_Abril_2011

O deputado do Chega, André Ventura, manifestou-se esta terça-feira "preocupado" e "desiludido" com a atuação do Governo face à crise do país, dizendo que o desemprego pode atingir 10% e que o Estado tem de cortar "despesa supérflua".

Num contexto de "enorme redução da receita fiscal, com aumento da despesa social", o deputado do Chega defendeu depois um caminho de "apoio robusto à economia e de corte nas despesas necessárias". "Temos de evitar mergulhar numa crise financeira", declarou, antes de avisar que não aceitará que o investimento público que o Governo se prepara para fazer "acabe nas malhas da burocracia e da corrupção".

Questionado sobre que despesas o Governo deve cortar na máquina do Estado, André Ventura destacou o futuro observatório contra a discriminação e contra o racismo "na área da ministra Mariana Vieira da Silva". Para André Ventura, "em Portugal, nesta altura, esse observatório não se justifica".

"Nas regiões autónomas, já identificámos vários organismos que podem ser extintos. O mesmo em relação a institutos públicos que têm uma atividade completamente dependente do Governo. Estamos a ter uma despesa muito grande com fundações, observatórios e institutos", acrescentou.


26_Maio_2020

*_*

O Chega nasceu no PSD. Não se trata de insulto, ainda menos difamação, mas de um facto. Ainda Ventura era militante laranja, e a estrela mediática que o partido tinha ido buscar ao esgoto a céu aberto para atacar os esquerdalhos em Loures, quando surgiu a intenção, o manifesto e a marca. O contexto era o da contestação celerada e acelerada a Rui Rio na tentativa de colocar no seu lugar um clone ou discípulo de Passos. E era também o da criação do Aliança por Santana Lopes; outra vedeta mediática, mas essa com história no partido e no Estado, que apostava na implosão do PSD procurando ficar com um dos restos.

Ventura tinha visto como era canja ter um ex-primeiro-ministro a promover e defender a sua retórica populista, racista, xenófoba. Do alto do poderio da Cofina, sentiu que canja seria capturar uma fatia da sua vastíssima audiência com uma receita que esta já conhecia de ginjeira, e que papava de manhã à noite: reduzir a actividade cognitiva à lógica sensacionalista; desumanizar bodes expiatórios ao sabor das crises e episódios sociais; diabolizar os políticos em geral, e os socialistas em especial, e os “socráticos” com fúria e êxtase; imitar Passos Coelho na irracionalidade fanática e demagógica das soluções agitadas. Assim fez e entrou no Parlamento à primeira, passando a ser temido pela direita decadente que o vê a imitar as suas fórmulas com muito maior eficácia manipuladora e violência moral.

Nada em Ventura é estranho ao rumo que a direita partidária tem seguido desde que deu um chuto nos cueiros a Luís Filipe Menezes em meados de 2008. Ferreira Leite sugeriu ter o telemóvel sob escuta em campanha para as legislativas de 2009 e manifestou conhecer o conteúdo da espionagem feita a Sócrates nesse mesmo ano. Cavaco lançou (ou não impediu, ou dela se fez cúmplice) uma conspiração com o mesmo argumento das escutas pelo Governo, para o mesmo efeito de manipulação eleitoral, a partir da Casa Civil. Passos defendeu que se poderiam prender políticos por razões estritamente políticas. É escusado dar mais exemplos dos milhentos espalhados pelos seus tenentes e arraia-miúda. Aquilo que o regime e a sociedade têm aceitado à direita partidária e governativa, consistindo no emporcalhamento e profanação do Estado de direito democrático, é exactamente o mesmo que Ventura faz. Este apenas aumentou a temperatura ao vulcão.

Alguns taralhoucos viram no despedimento de Ventura pela Cofina uma troca, ou cedência, pelo dinheiro que o Governo socialista vai meter em órgãos de comunicação social. Como se ao PS fosse doloroso ver um traste daquele calibre a fragmentar uma direita decadente e a radicalizá-la ainda mais, dessa forma tornando facílimo manter e consolidar nas próximas legislaturas a governação no centro-esquerda. A explicação para o fenómeno já parece encontrar grão para moer se olharmos para Belém. A exploração política dos incêndios e respectivos mortos e destruição em 2017, a oferta do 10 de Junho a um caluniador profissional, e a irresponsabilidade e pusilanimidade revelada no início da epidemia do coronavírus em Portugal, tudo isto e o resto expõe Marcelo como um Presidente da República onde a soberba ególatra é mais forte do que o sentido de Estado. A sua fragilidade deixou a oligarquia em pânico na rábula em que se embrulhou com Costa numa cena triste onde revelaram ambos a sua real mediocridade, na tal recente e inesquecível visita à Autoeuropa. De repente, Ventura aparecia às inteligências dos impérios mediáticos direitolas como sendo capaz não só de extinguir o CDS como inclusive de comer eleitorado significativo ao Marcelo, saindo das presidenciais com a perspectiva de competir com o PSD nas próximas legislativas.

A Cofina lançou e usou o Ventura até ao ponto em que o próprio se convenceu que já sabia mais do que os mestres. Os ataques chungosos a Marcelo e a sua demente colagem a Fátima, para além de exibirem um talento estratégico daninho, deixaram-no com o alvo marcado na testa – era o sinal que mostrava estar o seu oportunismo debochado em avançada metamorfose para se tornar imprestável, tóxico. A oligarquia começou a tratar do assunto.

Paulo Pedroso e o 21 de maio

«Nesta semana fez 17 anos sobre a detenção de Paulo Pedroso em plena Assembleia da República. O ex-deputado esteve preso preventivamente indiciado por um crime hediondo. Foi libertado, uns meses depois, por nem sequer os indícios terem qualquer fundamento.

Ia agora escrever que entretanto foi caluniado, ofendido de todas as formas e feitios, a sua carreira política promissora destruída e ele olhado de lado em todos os sítios onde se dirigia. Mas não é entretanto, dezassete anos depois, ainda há muito miserável que continua a fomentar a mais nojenta calúnia que um homem pode sofrer.

Não consigo imaginar aquilo por que Paulo Pedroso passou, mas sei que só alguém muito forte e de muito bem com a vida consegue sobreviver a um inferno daqueles.

Deixa-me sempre entre o espantado e o comovido ele não aparentar guardar rancores e ter ultrapassado a ignomínia que lhe fizeram. Mais do que isso, ele querer lembrar o seu exemplo não para se vingar mas para que outras pessoas não passem o que ele passou.

Fica aqui o que ele escreveu no seu Facebook, uma lição de vida de um homem bom: "Continuar-me-á sempre a incomodar a ideia de que hoje mesmo alguém pode estar a passar por um absurdo semelhante e não tenho a certeza de que na justiça tenhamos dado passos decisivos para prevenir tais erros fatais e suas monstruosas consequências. Assim como não estou convencido de que a justiça portuguesa esteja hoje mais disponível para a autocrítica dos seus erros grosseiros do que estava há uns anos. O meu pesadelo acabou. Mas suspeito que o de alguém, que não sei quem é, pode estar a começar hoje e fizemos pouco para evitar que assim seja. Achamos ainda que o inferno destes erros é para os outros e a justiça não sente os seus erros com o peso que a sua centralidade numa sociedade livre exige."»


Pedro Marques Lopes

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Quem tramou Armando Vara? Nós todos (Ep5)

«Um homem que não se lembra de ter assumido tão solenes e graves decisões não pode suscitar-nos compreensão e complacência, antes a penalização e o desprezo.

Enquanto jornal empenhado na defesa do interesse público, o que sabemos permite-nos desde já estabelecer a sua responsabilidade e a sua culpa profissional e ética. Mas não basta: exigimos também que a Justiça se envolva para que, como cidadãos, nos seja possível viver de cabeça levantada por termos sido capazes de ajustar as contas com esse passado trágico e vergonhoso.»


Manuel Carvalho_7_Junho_2019

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Em 86 palavras, o actual director do Público conseguiu sintetizar 13 anos de violência e decadência política onde a Justiça foi usada como arma de perseguição para a devassa, usada como técnica de devassa para a perseguição. A novidade do método no Portugal democrático exigiu circunstâncias igualmente inauditas, uma conjugação do cataclismo financeiro nos bastiões bancários da oligarquia pelas crises no BCP, BPN e BPP à mistura com a perspectiva de afastamento do poder político durante muitos anos dada a popularidade da primeira maioria do PS e a perspectiva de Sócrates repetir a longevidade governativa de Cavaco, ou até superá-la. A resposta levou ao bombardeamento diário de campanhas negras a partir da indústria da calúnia, à espionagem de um primeiro-ministro em funções, ao lançamento de uma golpada mediática a partir da Presidência da República para corromper actos eleitorais, à escolha de uma comissária política para deixar o Ministério Público violar a Lei e o seu espírito, e ao uso de tribunais para linchar socialmente e castigar politicamente quem pudesse “servir de exemplo” na caça aos bruxos. Na citação acima, temos um “jornalista de referência” a declarar que já tratou de apurar com os seus colegas de pasquinagem, ou talvez sozinho a boiar no esgoto a céu aberto, que um certo ex-governador do Banco de Portugal tem “culpa profissional e ética”. Mas não só, nem principalmente, pois o objectivo supremo do editorial – portanto, do acto discursivo em nome do proprietário do título – foi o de publicitar uma sentença transitada em julgado na comarca da Sonae: Vítor Constâncio pertence à quadrilha que roubou centenas de milhões de euros ao Estado para assaltar o BCP e deixar que Vara lá entrasse a mando de Sócrates.

Por mais estrambólica que esta teoria da conspiração à volta da CGD e do Banco de Portugal pareça, e tal ficou demonstrado dias depois da pulhice do Carvalho nas exaustivas e factuais explicações de Constâncio à prova de estúpidos, ela é apenas parte da conspiração maior, aquela onde ouvimos políticos e jornalistas vedetas a espalharem febris e babados no espaço público a imagem de ter sido Portugal sob a governação de Sócrates uma república das bananas à beira-mar plantada onde um tiranete corrupto e corruptor, simultaneamente muito canhestro e muito diabólico, tentou controlar sozinho a finança, a comunicação social, a Justiça e o Estado e, apesar da sua impulsividade e megalomania criminosa, conseguia passar impune por entre deputados, procuradores, juízes, polícias e um Presidente da República que, coitado, dependia da ameaçada e rarefeita “imprensa livre” para ir descobrindo do que era capaz o mal-encarado e mefistofélico inquilino de S. Bento. Como é que esta aberração lógica se espalhou e conserva em 2020, prevendo-se que persista entre nós para além do coronavírus? Como é que é possível olhar para a CGD, o Banco de Portugal, a Assembleia da República, a Presidência da República, a Procuradoria-Geral da República, o Ministério Público, o Conselho Superior do Ministério Público e o Conselho da Magistratura, instituições onde existiam e coexistem decisores e executantes das principais forças políticas em representação estatística da enorme maioria da população, e vender o peixe de que não importa para nada ninguém nesses órgãos ter sido capaz de arranjar uma singular prova que dê para ser embrulhada na bandeira do “passado trágico e vergonhoso” que os fanáticos, os broncos e os canalhas agitam, importa é odiar o fabuloso inimigo? Na verdade, o mecanismo usado é simples.

Como se vê ao longo dos 35 minutos da primeira inquirição de Cecília Meireles (Ep4), reina a boa disposição no face a face com bandido tão gigante como o Vara. A deputada do CDS parece gozar com indisfarçável satisfação o poder de brincar aos interrogatórios policiais com um desgraçado. Iria finalmente confrontar o monstro com a gravidade dos seus actos? Exactamente ao contrário, a sua opção foi a de simular uma pesquisa. No caso, escolheu a cagada chamada “Comissão de Risco”, uma entidade criada pela própria equipa do Vara para… fazer avaliações ao risco. Algo que ao tempo foi vanguardista na banca portuguesa. Naturalmente, este grupo de pessoas tinha como mandato levar ao extremo a percepção de risco nas decisões de empréstimo e investimento da CGD. Donde, haver pareceres negativos ou condicionados da comissão de risco era o mais provável, e até inevitável, calhando haver a possibilidade de a CGD obter lucros significativos ou acima da média da concorrência – pois esse crescimento só seria obtido correndo riscos, os quais teriam de ser assumidos numa trindade que também implicava o departamento jurídico e uma decisão final do colégio administrativo onde o presidente era quem mandava. Este modelo tem algo de errado? Se tiver, não existe nenhum banco na galáxia que se salve. Pois foi apontando à mais básica normalidade da actividade na Caixa que as perguntas da deputada tentaram inscrever a percepção de haver processos irregulares – leia-se, criminosos, posto que o subtexto é o das calúnias espalhadas no espaço público. Devido à presença de Celeste Cardona na equipa administrativa de Vara, e tendo em conta que Cardona ilibou Vara de qualquer ilícito naquela mesma comissão de inquérito, o CDS teve de fazer o trabalho sujo sem meter muito as mãos na merda que queria espalhar pela sala. Bastou servir palha aos borregos. A realidade a ser ocultada, as suspeições a serem ateadas. Simples.

Daniel Oliveira e o mais valia

«Com centenas de milhares de crianças em casa, é impossível não recordar o projeto e-escolinha e o Magalhães. Os arquivos desse tempo são um retrato do nosso debate político. Casos, casos, casos. Fora isso, a reação geral da nossa elite foi a de ridicularizar.»

DO in Expresso Diário de 18.05.2020

Sobre o computador “Magalhães” este ‘tudo-em-um’ foi vasculhar o que se disse nesse tempo da ”e-escolinha”, contudo, ele que é homem que fala sobre tudo com opiniões fortes, não nos presenteou uma única opinião sua desse tempo sobre tal assunto.
Esconde-se atrás de palavras sem sujeito para esconder os autores da ideia e não cita uma única “autoridade” intelectual que fez tudo para destruir o facto para desse modo desconstruir e ridicularizar a ideia e maldizer dos seus autores.
E tinha à mão de imediato duas grandes figuras da altura feitas figurões especialistas em “autoridade” intelectual; os cientistas de laboratório infalíveis Pacheco Pereira e o elogiado e propagandeado grande sociólogo Barreto. Um, o PP, grande técnico informático, ridicularizou o animal dizendo que afinal tal bicho não era português porque lá dentro a maior parte do material era de fabrico Intel (será que tal sábio de computadores depois disso alguma vez abriu o seu próprio computador?) e o grande sociólogo-psicólogo informou o povo de pais e mães em título monumental (no “público” do outro sábio JMF) que o computador estragava a cabeça das criancinhas e por outras coisas como a proibição de fumar em recintos fechados (na altura este sábio tal como Miguel Tavares fidalgote ainda fumavam gostosamente) nesse mesmo artigo, antológico da parvoíce, apelidou Sócrates de fascista.
Ainda a memória desses tempos vai na praça e já se ouvem os rumores da falta do “megalómano” novo aeroporto, do faraónico TGV (sobre este o DO um dia destes, devido à crise do transporte aéreo, virá falar também em abstracto na ideia para encobrir a visão política do autor), do Simplex que Costa retomou e da Mobilidade Eléctrica (Aerogeradores, Alqueva, Centrais Hídricas, fábrica de baterias, carros eléctricos e carregadores) coisas que os parvinhos sábios apelidaram de “ventoinhas”, “carregadores de telemóveis ou isqueiros” e outros epítetos de verdadeiros reles sábios de sarjeta.
Também o DO se refere à existência de uma tal ideia feita facto, a ‘e-escolinha’, uma Fundação criada para apoiar o dito programa do ‘Magalhães’ a qual também foi o meio pelo qual o governo foi sacar a massa, milhões, devidos ao Estado pelo Belmiro e outros a quem tinha sido concedida o direito de exploração das redes telemóveis; tinham a massa há anos em dívida sob a vista grossa do PSD que Sócrates não perdoou; o mau olhado e olhados de esguelha contra o PM aumentaram de grau e intensidade logo aí.


[…]
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Oferta do nosso amigo jose neves

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ADENDA

[…] Com centenas de milhares de crianças em casa, é impossível não recordar o projeto e-escolinha e o Magalhães. Os arquivos desse tempo são um retrato do nosso debate político. Casos, casos, casos. A reação geral da nossa elite foi a de ridicularizar. Do alto de um conservadorismo arrogante, que tendo a modernidade garantida em casa acha que aos mais pobres bastará a ardósia e os cursos profissionais para serem canalizadores competentes, aquilo parecia-lhe uma bizarria. A superficialidade da crítica, que se concentrou nos escândalos e em episódios, foi acompanhada por um discurso modernizador simplista e deslumbrado, habitual em José Sócrates. […]

Daniel Oliveira

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Quem ficar curioso a respeito da passagem “discurso modernizador simplista e deslumbrado, habitual em José Sócrates“, interrogando-se sobre a sua origem e conteúdo, não vai encontrar respostas neste seu texto. Falta de tempo, falta de espaço? Desconfio que o problema é mais profundo, porque o rol habitual de insultos, difamações e algumas calúnias deste comentador profissional contra Sócrates não encontra substanciação em nenhum dos inúmeros actos de fala pública de que é autor.

Que será, para o Daniel Oliveira, um discurso modernizador não simplista e não deslumbrado? E a ser alguma coisa que conseguisse verbalizar com sentido passível de discussão, seria ele capaz de dar algum exemplo de algum político, vivo ou morto, que representasse o seu estimado ideal?

A explicação para esta atitude concomitantemente pedante e imbecil do articulista pede uma leitura marxista. Temos de ir à economia e olhar para o que lá se passa. E o que se passa é que os rendimentos do sr. Oliveira virão, na sua maior parte (presumo à toa), de um patrão que não gosta do Sócrates nem curte preferencialmente o PS (nada contra, apenas constato). Esse patrão não está disponível para ver diminuir a sua mais-valia, a qual no seu negócio se mede pela influência mediático-política que consegue alcançar. Ter um comentador regular no seu jornal ou na sua televisão a defender um Governo socrático seria completamente impensável para o capitalista em causa e demais companhia directiva. Isto não carece de experiências em laboratório para ser dado como evidência.

Ora, como é que é possível despachar uma crónica diária com um tema meritório por várias razões, o do projecto Magalhães, sem com isso deixar o patrão e capatazes com a pulga atrás da orelha? Pois há que ser superficial, banal, irrelevante e… malhar no Sócrates. Porque a não ser assim, imaginando que o propósito era a objectividade e a isenção, então falar do Magalhães implicaria falar dos outros projectos de modernização que foram lançados pelo único Governo maioritário do PS. Projectos esses, incluindo o do TGV e o do novo aeroporto, mas não só, que nasciam da mesma visão e força política que nada tinham de simplista nem eram deslumbradas, antes se propunham aproveitar uma conjuntura de estabilidade parlamentar para, de facto, modificar o País não só para melhor como para muito melhor – com a mais genuína social-democracia. E não tivesse tal ímpeto reformador e inovador sido interrompido pela crise económica internacional de 2008, talvez a maioria absoluta se tivesse repetido.

O Daniel Oliveira, ensina Marx, está alienado quando trabalha para aqueles que reduzem a política ao poder pelo poder. Mais valia, já que não quer abdicar do proveito e da fama (nada contra, apenas constato), que se calasse sobre Sócrates.

4º e 5º segredos de Fátima: Nossa Senhora aprova o aborto e a eutanásia

Quando André Ventura achava bem legalizar a eutanásia e o aborto
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NOTA

Para lá do óbvio interesse jornalístico e político em mostrar o percurso intelectual (axiológico, para ser mais preciso) da arma secreta que Passos descobriu, promoveu e defendeu para se ensaiar em 2017 uma retórica violentamente populista sob a chancela do PSD, neste tipo de levantamento podemos explorar outras questões conexas da maior importância. Uma delas remete para o escrúpulo que algumas vedetas da nossa opinião profissional declaram ter em discutir certos assuntos com certas figuras duvidosas ou abertamente nefastas. Figuras que ameaçam explícita ou implicitamente o núcleo de princípios que sustenta e enforma o Estado de direito democrático. Exemplos mais óbvios, discutir racismo com racistas ou nazismo com nazis é visto como promoção desses valores que atacam a liberdade e teme-se pela validação ou normalização dos seus propagandistas.

É fácil concordar com o argumento mas não parece a melhor solução. Da micro-nano-nada-experiência aqui no blogue, constato que quem se dá ao trabalho de comentar para dizer que fulano X e assunto Y não merecem ser referidos não está motivado para a resolução ou esclarecimento de qualquer problema – nem sequer quando a intenção do discurso em causa é a de repudiá-los abertamente. De igual modo, não considero que esse gesto de criticar uma opinião alegando que o assunto não merece destaque equivalha à manifestação de um desejo de censura. Antes vejo nesse comportamento a expressão de um genuíno desconforto cognitivo que resulta da dificuldade – a qual pode chegar ao nível do sofrimento – em pensar. É difícil pensar, eis algo que podia constituir a essência do programa do Ministério da Educação para a escolaridade obrigatória.

Emerge instintivo, para a enorme maioria, a recusa das mensagens racistas, nazis, xenófobas, populistas. Todavia, pode aos mesmos aparecer como missão impossível elaborar um discurso analítico onde se explicite porquê. Sujeitos à presença no espaço mediático daquilo que sentem dever combater e que sabem não conseguir desmontar racionalmente, uma das formas de o ego se defender é enfiando a cabeça num buraco onde não se veja nem oiça aquilo que o vexa. Resultado, se levado ao extremo na comunidade: os que ameaçam a liberdade ficam sem contraditório, e essa ausência de confronto deixa os segmentos eleitorais iletrados e indecisos completamente à mercê da demagogia mais manipuladora do pior que a natureza humana transporta desde a animalidade – Homo homini lupus.

Ventura devia ser convidado para debates. Muitos, quantos mais melhor. Devia ser escutado com toda a atenção, com a melhor atenção, com uma atenção implacável. E depois ouvir das boas – das boas ideias, bem apresentadas e explicadas. Os racistas e os nazis, idem aspas. Os xenófobos da ciganada, os especialistas em corrupção que nem sequer conhecem os números do tópico que lhes enche os bolsos, os cruzados contra o “marxismo cultural”, bute, bute e bute. Esta gente vive da ignorância alheia, seja por ignorância própria, ressabiamento, arrivismo ou pura pulhice. Ao serem deixados sozinhos no palco a berrar que “arrasaram” com a competição, os broncos vão acreditar e aderir pois a biologia é o que é. Ora, os broncos não têm culpa. E estão a precisar muito de ajuda.

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Quem tramou Armando Vara? Nós todos (Ep4)

Apesar de Rui Rio – alguém que já tinha começado a revelar a natureza do bluff de que é feito aquando da pulhémica à volta do fim do mandato de Joana Marques Vidal, mas que então ainda prometia bater-se por um oásis de decência e responsabilidade na direita partidária (algo de que parece ter desistido, como a vocalização para a demissão de Centeno consagra) – o contexto que dá origem à criação da II comissão de inquérito parlamentar à recapitalização CGD envolve a Cofina, uma ex-vedeta do BE que se transformou numa caluniadora profissional, a direita decadente em ano eleitoral e um ecossistema mediático onde medra uma legião de “jornalistas de referência” cuja missão diária é a de arrotarem postas de pescada ao serviço da agenda político-financeira de quem lhes paga (pista: ninguém do PS ou simpatizante dos socialistas lhes paga). A desculpa para este circo foi encontrada numa duvidosa auditoria da Ernst & Young aos “Actos de Gestão praticados entre 2000 e 2015”, tendo dela sido retiradas passagens que serviram para voltar a incendiar o espaço público com o auto-de-fé contra Armando Vara.

A existência de “campanhas negras” para derrubar políticos com difamações e calúnias não é um exclusivo português nem sequer começou na política americana no século XX, antes pode remontar ao que gerou o julgamento de Péricles, senão antes. Provavelmente, o modelo democrático jamais deixará de ter caluniadores no activo por pulsões antropológicas e limitações cognitivas inerentes a escolhas que se fazem colectivamente a partir de percepções individuais desvairadamente aleatórias. Dados os mecanismos evolutivos de protecção contra estranhos e doenças, conseguir associar a um adversário a imagem de não ser um dos “nossos” e a de ser “perigoso” traz vantagens altamente eficazes para as disputas eleitorais onde as emoções tóxicas superam as razões analíticas na enorme maioria dos votantes. É o caso, paradigmático, com a pessoa pública e civil de Vara, transformado pela elite política e mediática num símbolo da corrupção após ter entrado no BCP e dada a sua proximidade relacional privada com Sócrates. O poder da aldrabice posta a circular é avassalador, até conseguindo recrutar para a sua propagação a esquerda; incluindo figuras gradas no PS e comentadores que se julgam muito espertos e outros que o são realmente. Porém, contudo, no entanto, a patranha do “assalto ao BCP” e do “regabofe na CGD”, tudo isto orquestrado e dirigido por um primeiro-ministro em funções, exige que se suspenda a actividade neuronal para ser aceite.

Mariana Mortágua chegou a esta farsa com o perfume da fama obtido na comissão parlamentar de inquérito ao caso Espírito Santo. Infelizmente, logo na segunda pergunta da sua primeira inquirição (Ep3) podemos inferir que a deputada é profundamente ignorante do que importa discernir em nome da República acerca da CGD. Ou melhor, a sua preparação para a comissão em causa consistiu tão-somente na leitura e visionamento de peças “jornalísticas” que já estavam na posse do nome dos culpados e da tipologia dos seus crimes. Daí o enviesamento e a irrelevância das suas perguntas, e daí a sua incapacidade para se relacionar dialogicamente com as extensas, detalhadas e curiais respostas que ia obtendo.

Vara deixa testemunhos memoráveis, tal a transparência profissional com que se expõe e o sentimento de orgulho com que defende a instituição Caixa Geral de Depósitos e o bom nome de todos com quem lá trabalhou. Pensar que o Ministério Público usou o empréstimo a Vale do Lobo para conseguir enfiar na “Operação Marquês” mais um popularíssimo alvo do ódio político e da indústria da calúnia revela, de facto, um polvo – um polvo à moda de Aveiro.

Começa a semana com isto

In this episode you will hear about:

– Why our identities often differ from how others perceive us
– How most of our people-perception happens unconsciously
– Some of the agendas/lenses we use during people-perception
– How introverts and shy people get misunderstood more often and what they can do about it
– How we form a concept of our self identity reflectively (via the eyes of others)
– The “If I didn’t know you better, I’d think you were ___” exercise
– Two phases of thinking
– How our minds are miserly and like to jump to conclusions
– How we tend to speak when we want to appear warm vs. intelligent
– Promotion vs. prevention motivational styles
– Defensive pessimism
– How willpower is not a good approach to habit change
– Forming new habits and circumventing temptations

How to Be Understood and Reach Your Goals with Dr. Heidi Grant Halvorson

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Evidence that human brains replay our waking experiences while we sleep
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More berries, apples and tea may have protective benefits against Alzheimer’s
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We believe we’re less likely than others are to fall for online scams
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Robot vacuum cleaner conveys seven dwarf personalities by movement alone
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Loneliness in Times of Isolation
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Study finds that uploading photos to social media leaves self-image starving
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Workers happy despite crisis and uncertainty
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Quem tramou Armando Vara? Nós todos (Ep3)

A imagem dos deputados sentados no hemiciclo a ouvir alguém a falar, outro deputado ou governante, como se nada mais tivessem de fazer durante o dia para sacar o seu ao fim do mês e viverem à grande e à de-putedo, corresponde a uma das caricaturas favoritas tanto dos broncos como dos pulhas. Estes dois grupos convivem em simbiose, os pulhas exploram os broncos e os broncos aplaudem os pulhas. Mas há diferenças radicais entre eles: o bronco teve azar, o pulha acha-se com sorte. Quer dizer que é mais provável um bronco deixar de o ser do que um pulha largar o osso. Se a matéria for atinente ao que seja o Estado de direito democrático, o bronco começa o lento processo de resgate da inteligência própria quando se permite aumentar o seu conhecimento acerca dos princípios republicanos, da teoria e prática democrática, da lógica das instituições públicas, das condições e circunstâncias em que se produz, valida e estabelece a legislação. O pulha já passou pelo mesmo descobrimento, conhece de ginjeira o que a casa gasta, mas agora escolhe utilizar a sua inteligência para se aproveitar da falta dela nas suas vítimas.

As comissões de inquérito parlamentar são tratadas com os pés na imprensa portuguesa. O editorialismo e o comentariado são unânimes no cinismo, e até desprezo, com que reduzem as CPI a pouco mais do que comícios para historiador rever e para a indústria da calúnia e o sensacionalismo lá irem buscar lenha para queimar os alvos. Culpa primeira na ordem do tempo? A dos deputados, será a conclusão inevitável. Tanto nas intervenções como no desfecho, a elaboração e aprovação dos relatórios finais, o drama é invariavelmente tribal com os partidos a vestirem a camisola da interpretação sectária dos factos apurados. O que nos leva para a culpa segunda, a da comunidade. A quase totalidade dos cidadãos, num cálculo para mim impossível de fazer mas que não me surpreenderia se excedesse os 99% da população, não liga pevide ao que se passa realmente nas comissões de inquérito. Por razões óbvias: tal exigiria literacias e conhecimentos especializados em Direito, Economia e Finanças (pelo menos, mas há mais e muito mais) que não possuem nem consideram necessário, sequer importante, virem a obter. Donde, basta-lhes a versão espectacular, redutora e descontextualizada que a comunicação social oferece de acordo com a vulgata populista reinante e os oportunismos de ocasião.

Ora, as CPI, como consta do Artigo 1.º do Regime Jurídico dos Inquéritos Parlamentares, “têm por função vigiar pelo cumprimento da Constituição e das leis e apreciar os atos do Governo e da Administração“. Esta responsabilidade, no plano formal, é levada a sério, conferindo-se às CPI os mesmo poderes de investigação das autoridades judiciais. Isto significa, pragmaticamente, “podemos ter acesso à papelada que quisermos” e “podemos chamar, interrogar e deixar com a imagem em risco quem nos apetecer”. Havendo alguém seriamente preocupado com as temáticas da fiscalização das autoridades e do combate à corrupção em Portugal, essa ave rara iria fazer da ARTV – Canal Parlamento a sua fonte principal de informação. Porque estão lá os conteúdos mais completos e detalhados, e suficientes, para se chegarem às melhores hipóteses acerca dessas temáticas. Só que ninguém os utiliza, nem sequer os jornalistas – ou principalmente os jornalistas, os quais não se concebem como investigadores isentos, na sua enorme maioria, antes como advogados das causas e dos interesses dos seus patrões. Exagero? É averiguar quantos viram todas as sessões da II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco. E se não viram, melhor se entende como é tão fácil ajudar a esconder o que se passou nas quase seis horas em que Vara foi interrogado – pela segunda vez – no mesmo local e sobre o mesmo assunto.

A partir do minuto 14.30 da inquirição de Constança Urbano de Sousa (Ep2) podemos testemunhar um dos momentos mais clarividentes sobre o que esteve em causa no modo como se usou Vara para atacar Sócrates e o PS – portanto, para judicializar a política; por tanto, para violentar e emporcalhar o Estado de direito. A deputada, irritada com a franqueza na resposta que tinha acabado de ouvir, e para a qual não encontrou nada de válido para ripostar a não ser recorrer à difamação, avançou a direito para os terrenos da calúnia usando um dos sofismas que tinham sido explorados insistentemente pelos deputados do PSD e CDS noutras audições a diferentes protagonistas das decisões na CGD à época na berlinda. A resposta de Vara, indignada, é transparente. O que estava em causa era absolutamente irrelevante, ridículo, e nem isso a deputada sabia. Ainda mais grave, a deputada, do PS, não foi capaz de assumir a sua tão alta responsabilidade naquela comissão e naquele papel outorgado pela liberdade dos restantes concidadãos. Essa ausência de respeito pelo respeito que Vara estava a demonstrar possuir pela Assembleia da República foi uma exuberante manifestação da pior corrupção que nos pode atingir: vermos os representantes do Soberano enterrados na ignorância e na cobardia.

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