Arquivo da Categoria: Valupi

Rosário Teixeira, afinal, também se preocupa com o que fazem certos jornalistas

O juiz Ivo Rosa decidiu impedir o acesso à sala onde decorrem os interrogatórios da fase de instrução da Operação Marquês aos jornalistas que se tinham constituído assistentes do processo. A decisão foi tomada no dia 12 de Março. De lá para cá, quais foram as reacções das “partes interessadas” no espectáculo? O esgoto a céu aberto fez primeiras páginas e editoriais a queixar-se de ter sido amordaçado? A madraça lançou os talibãs contra o juiz? O caluniador profissional pago pelo Público garantiu que era desta que o povo devia pegar em armas? O império do militante nº 1 do PSD usou o episódio para nos dizer que os socráticos são uma ameaça que urge exterminar? O consiglieri de Estado conseguiu relacionar Ivo Rosa com o todo-poderoso Armando Vara? Manuela Moura Guedes, coiso? Nada de nadinha disso. Reina o mais seráfico dos silêncios. E a explicação é esta:

«A presença de jornalistas na sala de audiência onde os acusados e as testemunhas são ouvidas nesta fase do processo – o momento em que os arguidos apresentam as suas alegações contra os argumentos da acusação de forma a tentarem não ser levados a julgamento – foi questionada pelo Ministério Público que alertou para a postura dos assistentes “que exercem a profissão de jornalistas e que não tiveram, ao longo dos autos e até ao presente, qualquer intervenção na conformação do seu objeto, como se têm feito valer dessa mesma qualidade para terem acesso privilegiado à atividade desenvolvida pelos demais intervenientes processuais que de outro modo lhes estaria vedado, com o único propósito de desenvolver peças jornalísticas acerca dos factos em causa nos mesmos e dos atos processuais aqui praticados”.

Perante esta questão a equipa liderada pelo procurador Rosário Teixeira frisa que “importa, pelo menos, vedar o exercício de uma faculdade processual inerente a esse estatuto de assistente, a de assistir a atos de produção de prova, uma vez que se mostra estar a ser exercida de forma manifestamente desviante da função que lhe é inerente em violação dos normativos processuais penais aplicáveis”.»

Fonte

Recapitulemos. O mesmo procurador, e respectiva equipa, que em Julho de 2014 – sem arguidos constituídos, sem prévia notícia pública de sequer existir tal investigação judicial – teve engenho e arte para colocar na Cofina informações que pretendiam influenciar a votação para secretário-geral do PS e que se revelariam ser o núcleo principal das suspeitas da Operação Marquês à altura da detenção de Sócrates, ou que teve arte e engenho para não o ter impedido, e que meses depois teve engenho e arte para colocar em diversos órgãos de comunicação social informações a respeito da iminente detenção de Sócrates no aeroporto e sobre os argumentos que seriam usados para o prender, ou que teve arte e engenho para não o ter impedido, e que nos dias, semanas, meses e anos após a detenção de Sócrates teve o engenho e arte de cometer caudalosos e sistemáticos crimes de violação do segredo de justiça, ou que teve a arte e o engenho para não o ter impedido, é a mesma equipa e o mesmo procurador que em Março de 2019 quer impedir os jornalistas de relatarem o modo como Ivo Rosa interroga acusados e testemunhas, e o que testemunhas e acusados declaram no tribunal face a face com o juiz. Estamos perante um fenómeno do Entroncamento?

Estamos perante um fenómeno do emporcalhamento. A fazer fé na lógica, parece lógico que a fantástica equipa do procurador-herói terá ficado muito, mas mesmo muito, desagradada com algumas notícias saídas a respeito do que se está a passar na instrução da Operação Marquês. Mas que terá sido? Por exemplo, terá algo a ver com o testemunho de Vasco d’Orey? Ou com as declarações das testemunhas de Sofia Fava? Ou com a descrição de como Ivo Rosa é exaustivo nos interrogatórios? Ou até do que virá aí a caminho e que pode, finalmente, começar a contar uma outra história sobre o que realmente tem estado em causa neste processo infame? Realmente, para quem passou os últimos anos a ter um serviço editorial onde apenas certas informações, tratadas de certa maneira, apareciam no espaço público, ainda por cima embrulhadas numa campanha de judicialização da política e de politização da Justiça onde se faz o culto de personalidade e o messianismo de certos magistrados vedetas, qualquer brecha na condenação já transitada em julgado é fonte de pânico para quem construiu o primeiro julgamento político após o 25 de Abril.

E a Cofina et alia? Agradecem, penhorados. É assim que esses bravos “jornalistas” gostam de “investigar”, em monopólio e desfrutando de uma intimidade amorosa com alguns agentes ou funcionários da Justiça (provavelmente, empregados da limpeza) que conseguem entrar nas salas dos impolutos e vigilantes procuradores e depois, com as lanternas dos seus telemóveis baratuchos, darem com aquela papelada (ou já serão disquetes de 3,5 polegadas com estupendos 1.44MB cada?) onde estão as “verdades” sobre esses “corruptos” socialistas que há que denunciar, perseguir, achincalhar e enviar para Évora.

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Immigration Is Beneficial to Economies, Even After 100 Years
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Is the US democracy in peril? If only we could agree
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Lapidar

Elas não sabem o que querem

De repente, por magia, apresentam-se soluções judiciais com as quais se propõe resolver?, impedir?, ou atenuar? a violência doméstica. Uma, afigura-se particularmente perversa, apontando mais uma vez a culpa às mulheres/vítimas pela inépcia da justiça.

É recorrente que juízes e procuradores imputem a uma pretensa postura errática daquelas a continuada absolvição dos arguidos. Diz-se que, prestando declarações na fase de inquérito sobre os factos, se remetem ao silêncio na fase de julgamento, o que inviabilizará a produção de prova sobre os mesmos. Para obviar a essa situação, seria de recorrer a uma audição antecipada da mulher/vítima perante o juiz, ainda em fase de inquérito (declarações para memória futura), de modo a tornar irrelevante qualquer silêncio posterior.

Trata-se de uma menorização da mulher, bem próxima daquela expressão discriminatória elas não sabem o que querem. O que importa analisar/compreender são as razões que levam tantas mulheres a preferirem o silêncio em sede de julgamento; em que medida esse silêncio não será gerado pela própria máquina judicial, essa sim tantas vezes errática no tempo e no modo.

A.R.

10 euros para quem explicar o que este juiz quer dizer

No entender do vice-presidente do CSM "qualquer intervenção esclarecedora será utilizada como mais um pretexto para denegrir a imagem dos Juízes e para alimentar um ambiente propício para romper com o paradigma constitucional vigente em matéria de separação de poderes e (auto)governo judicial, como muitos setores assumidamente pretendem".

Reconhecendo a sensibilidade desta questão, acusa: "O despudorado aproveitamento de casos isolados, dirigido a pôr em causa equilíbrios e soluções institucionais que no essencial estão a produzir resultados muito positivos, evidencia bem a sensibilidade da atual conjuntura."

“Limites da censura pública” estão a ser ultrapassados, acusa juiz Mário Morgado

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i – Como é que seria possível “romper com o paradigma constitucional vigente em matéria de separação de poderes e (auto)governo judicial”?

ii – Que “setores” pretendem tal? Onde o assumiram?

iii – A que “equilíbrios e soluções institucionais” se refere?

iv – A que “resultados muito positivos” se refere?

v – Pretende denunciar junto do Presidente da República o que declara, enquanto juiz e responsável judicial superior, ser (ou alguém pretender que o seja) um irregular funcionamento das instituições?

vi – Por que razão não nomeia quem pretende, segundo declara enquanto juiz e responsável judicial superior, acabar com o Estado de direito democrático?

vii – Para quem fala, e o que pretende, com este registo críptico, nebuloso, difamatório e alarmista?

Perguntas simples – Edição especial

«Livro de recitações

“Há mais políticos com contratos permanentes nos media do que lugares na maior bancada parlamentar da Assembleia da República”
Rosa Pedroso Lima, in Expresso, 2/3/2019

Estes números confirmam a existência de uma nova classe que, na linguagem dos seus detractores, é a classe político-mediática. Evidentemente, ela também supõe a reversibilidade: a classe mediático-política. Quando já não houver mais nada para além da lei deste hífen, teremos atingido um estado homogéneo que se configura como uma nova versão do fim da História, isto é, do fim da política e do fim do jornalismo. O processo não se deu por invasão, mas por hospitalidade, o que o tornou mais sereno e eficaz. A pouco e pouco, os media transformaram-se em rampas de lançamento para políticos voadores, ou em estâncias de retiro para engordar reformas e cultivar prestígios de políticos opulentos. O espaço público mediático povoado por uma tagarelice política que funciona em circuito fechado, eis o nosso destino. A esta classe hifenizada devemos fazer a pergunta: quem são os políticos e quem são os jornalistas?»


António Guerreiro

Afinal, aquilo da asfixia democrática… não é que os cabrões tinham razão?!


in Os políticos invadiram os media portugueses

Estamos perante o mais interessante artigo publicado num jornal desde o começo do milénio. Aleluia, alguém se deu ao trabalho de esboçar um retrato do sectarismo que estrutura a comunicação social portuguesa há décadas, o qual continua a aumentar. Como tem a chancela do Expresso, à surpresa junta-se a certeza de ser um exemplo daquilo que está a retratar.

Rosa Pedroso Lima fez as contas e compôs o quadro que se pode ver acima. Trata-se do mínimo garantido no que respeita ao começo da contabilidade partidária, a qual, contendo erros e não disponibilizando os critérios, oferece o seguinte resultado: Esquerda – 47,4%; Direita – 52,6%. Retrato do País? De um certo país, o dos accionistas e directores dos órgãos onde vamos buscar as notícias e o entretenimento. É o país onde o PSD lidera com mais de 35%, onde o CDS aparece à frente da perigosa esquerdalha com 12%, onde até o Aliança e o Chega, sem terem ainda recebido um singelo voto, já dominam 3% do espaço mediático ocupado por políticos profissionais. Apesar disso, se perguntarmos ao Henrique Raposo, à Helena Matos e ao João Miguel Tavares se serve assim ou ainda estão asfixiados, sabemos bem qual é a resposta. Um fanático não se rende por menos de 99%. Pois já lá chegaremos.

O artigo oferece um esboço de análise qualitativa sobre os números, dando a ver uma segunda perspectiva onde as assimetrias face à realidade eleitoral e sociológica se radicalizam de forma absoluta. Como admite a autora, só dois políticos conseguem ocupar os palcos dos canais televisivos generalistas: Marques Mendes e Paulo Portas. Consequências? O que eles dizem, e tanto que eles dizem, chega a muito mais gente. Justiça seja feita à sua honestidade intelectual, ainda conseguiu referir o ubíquo protagonismo de Paulo Rangel, Pacheco Pereira e Francisco Louçã (grandes inteligências que, fui investigar no Google, têm em comum uma incurável alergia ao PS). Ou seja, se compuséssemos um novo gráfico da ocupação partidária do espaço mediático tendo também em conta o alcance respectivo, a vantagem da direita passaria para algo como 70-30% (sei lá nem se pode saber ao certo, mas aposto os 10 euros no bolso como é à volta disso). Altura de avançarmos, ou descermos, para a parte submersa na peça de RPL.

Portugal é o tal território europeu que tem em comum com os EUA ter um Presidente que foi eleito depois (e por causa) de passar anos em campanha na TV como celebridade do espectáculo. Esse legado também faz parte integrante destes cálculos, da nossa História. Mas o cálculo, e a História feita quotidianamente sob a influência dos órgãos de comunicação profissionais, só se deixa ver na sua completude quando somamos a influência de todos aqueles que não se podem etiquetar como políticos – embora seja política o que fazem adentro dos seus papéis mediáticos. Nesta mole de gente entram os comentadores, os jornalistas, os editores, os directores e os convidados avulsos, todos a opinarem frenética e caudalosamente no espaço mediático. Talvez baste dar o exemplo da RTP para se contemplar o essencial do que está em causa. Judite de Sousa, José Rodrigues dos Santos, Adelino Faria e Vítor Gonçalves são quatro nomes associados a uma prática ideológica e partidariamente marcada naquilo que deveria ser um exercício de pura isenção e idoneidade jornalística. O facto de trabalharem na RTP, estação pública, nunca os inibiu de tomarem posição – mais ou menos sonsa, mais ou menos indecente – nas conjunturas e disputas políticas do tempo. Como quantificar a influência de que dispunham, uns, e ainda dispõem, outros? Ora, se isto é assim na RTP, escusado será listar exemplos do Grupo Impresa, da TVI, até da Global Media et tutti quanti. Contudo, há que referir o exemplo incontornável do Governo Sombra, cujos méritos comunicacionais dos participantes seguramente que justificam a popularidade atingida mas onde o sectarismo dos perfis e da praxis produz um espaço de notável influência antiPS. Não errarei por muito se actualizar o nosso gráfico imaginário para uma relação 90-10 a favor da direita.

Finalmente, o factor Cofina. Trata-se de um grupo de comunicação cujo sucesso é incomparável e cuja agenda política implica o recurso a crimes e a perseguições fulanizadas. Na Cofina utilizam-se as mais apuradas técnicas de sensacionalismo para gerar um clima de constante ataque ao PS e à esquerda em geral, e ainda de degradação das instituições da República. Também aqui é desconhecida a real influência da manipulação constante, bastando referir o caso da promoção mediática de André Ventura para se poder observar o processo onde a meta é o crescimento de um eleitorado disponível para as propostas da extrema-direita. Como não existe nada de nada em Portugal comparável à Cofina que tenha o mais ténue vestígio de ligação a uma agenda de esquerda, qualquer tipo de esquerda, é já cheio de confiança que faço a última alteração no gráfico da influência política na comunicação social portuguesa: Direita – 99%; Esquerda – 1%.

Ventinhas e a sorte de não existir imprensa em Portugal

Existe imprensa em Portugal? Existem jornalistas, alguns que honram exemplarmente a profissão no seu código deontológico e ideal, mas não existe imprensa. E essa ausência tem vastas consequências, tanto no espaço público como nos órgãos de soberania. Se existisse, não seria possível assistir a isto: “Decisão sobre estrutura do Ministério Público condiciona combate à corrupção”

De um lado, um magistrado do Ministério Público que acumula em estatuto e responsabilidade ao aparecer como presidente do sindicato. Do outro, dois jornalistas, um deles premiado e considerado um príncipe da elite mediática, social e cultural do País. Dir-se-ia estarem reunidas as condições para que o primeiro conseguisse passar a sua mensagem e que os segundos a conseguissem esclarecer e criticar com objectividade, idoneidade e coragem cidadã. Eis o que aconteceu:

– O magistrado sindicalista nunca referiu – nem sobre tal foi questionado – os objectivos principais, primeiros e últimos, que o SMMP pretende atingir no seu combate contra o actual Governo, contra a Assembleia da República e contra o sistema partidário. Nomeadamente, o aumento da remuneração, a falsa avaliação das carreiras e a protecção disciplinar absoluta, já para não falar na possibilidade de recusarem ordens e transferências de tribunal.

– O magistrado sindicalista repetiu a cassete onde agita a bandeira da “corrupção” como técnica falaciosa para manipular, difamar, caluniar e alarmar.

– O príncipe dos jornalistas não conseguiu desmontar a retórica do magistrado sindicalista, tendo chegado ao ponto de o interromper quando ele se estava a afundar a pique nas suas distorções só para lhe dar uma bóia de salvação na forma de uma questão mal colocada.

Quem usa as palavras “Justiça” e “corrupção” como tropos para ganhar dinheiro, seja o caso deste Ventinhas ou dos caluniadores profissionais na indústria da mesma, exibe uma característica comum: nunca apresentam dados mensuráveis e fidedignos que permitam validar as suas declarações, conclusões e profecias. Como não se ancora em qualquer realidade passível de ser identificada e partilhada com isenção, o discurso destas personagens é desvairadamente hiperbólico e catastrofista. Estamos perante um clássico registo panfletário com séculos de uso, se não forem milénios. Funciona porque antropológica e cognitivamente fomos seleccionados para dar atenção a quem nos avisa de perigos, mas é essa nossa resposta instintiva e automática perante um qualquer alarme lançado no meio social que igualmente nos faz sermos presas destes predadores que nos enganam vezes sem conta, tantas quanto deixarmos. Como curiosidade, convido à visita ao canal digital do SMMP, e peço a algum bravo que tente lá descobrir dados objectivos e comparativos sobre a corrupção em Portugal (se existirem, por favor mostrem onde).

António Ventinhas é um cidadão que nos pretende enganar. Representa e chefia um sindicato que nos pretende enganar. A estratégia que seguem é a de usarem o tema da “corrupção” como forma de chantagem sobre a classe política que nos representa, que elegemos com o nosso voto. Nessa lógica, assumem a posição oficial de considerarem que os políticos por atacado são corruptos – e dizem-no oficialmente porque se sentem, e se sabem, blindados contra qualquer poder da República. Cá fora, órgãos de comunicação que lucram com os crimes cometidos no Ministério Público fazem coro na calúnia de estarmos infestados por políticos corruptos, os quais só recentemente, graças a Joana Marques Vidal e Carlos Alexandre, começaram a ser investigados e punidos, repetem diariamente. Este clima populista, justiceiro e linchador é usado pelo SMMP como trunfo negocial no que não passa da tentativa de manter o controlo corporativo mais completo e feroz que for possível, impedindo uma abertura democrática do Ministério Público em nome da transparência e da liberdade. Em nome da justiça para todos. Por vontade do Soberano.

Se existisse imprensa em Portugal, se o Miguel Sousa Tavares tivesse sido um bocadinho esperto, Ventinhas teria continuado a explanar a sua analogia entre o combate à corrupção no MP e o futebol para nossa educação. Recordemos a maravilha:

PP - Permita-me citar uma frase do sindicato quanto a uma eventual mudança na composição do conselho superior, não querem "entregar o País àqueles que beneficiaram com a corrupção ao longo de décadas". Isso foi dito pelo próprio sindicato. Alterar a composição do conselho é defender a impunidade da corrupção?

AV - [...] Muitas vezes gosto de dar o exemplo do futebol pa que as pessoas lá em casa percebam, que às vezes interpretam mas não percebem. Era como se disséssemos assim: a administração de um clube, se escolher o treinador e os jogadores, determina o resultado final da equipa ou não determina? Eu diria afirmativamente que sim. Se escolher um bom treinador, experiente, que conhece os meandros do futebol, se escolher os jogadores certos para as posições certas, poderá condicionar, e...

MST - Desculpe que o interrompa, [...]

E interrompeu mesmo. O exercício teria tido continuação, talvez chegando ao ponto de nos ter explicado o papel dos árbitros, das claques profissionais e dos vendedores de couratos no combate à corrupção. A ideia, todavia, ficou bem explícita. Implica ter reconhecido que o Ministério Público é composto por dois grupos de procuradores: o grupo dos competentes e o grupo dos incompetentes. Toda a gente sabe quem é quem. Assim, o Ventinhas sabe quem são os magistrados ganhadores, com experiência e conhecimentos nos meandros da corrupção, e quem são os nabos, os verdinhos. Se ele sabe, os corruptos dos políticos também, pelo que nos tenta assustar com um futuro onde esses políticos corruptos, a partir do Conselho Superior do Ministério Público, coloquem os incompetentes à frente das investigações e se safem com os milhões no bolso. É esta a imagem que o sindicalista está a passar, a qual não é só alucinada, é para todos os efeitos ofensiva da honra de um número indeterminado de representantes políticos democraticamente eleitos ou meros cidadãos escolhidos democraticamente, e com mandatos democraticamente limitados, igualmente ofendendo a honra e o prestígio de um número indeterminado de magistrados do Ministério Público. Calhando ter estado um elemento da imprensa à sua frente ao largar estas atoardas inaceitáveis, pérfidas e escandalosas, de imediato seria atingido por perguntas implacáveis a exigir que provasse as colossalmente gravíssimas denúncias ou que admitisse não passar de um agitador indecente e indigno do poder que o Estado lhe confiava.

A verdade é a de António Ventinhas ser, com obra feita, um caluniador triunfante e impunível. Em 2015, disse publicamente que “o principal responsável pela existência do processo Operação Marquês se chama José Sócrates, porque, se não tivesse praticado os factos ilícitos, este processo não teria acontecido”. Embalado, acrescentou que os portugueses tinham de decidir se querem “perseguir políticos corruptos, se querem acreditar nos polícias ou nos ladrões”. Em 2015, a investigação ainda decorria, saltando de hipótese para hipótese sem provas de corrupção encontradas. Não havia sequer acusação, quanto mais condenações com trânsito em julgado, pois. Isso não impediu um magistrado de violar alguns dos direitos mais valiosos de um cidadão e, portanto, do próprio Estado de direito democrático. Seguiu-se um festival de cumplicidades institucionais com esta violência criminosa. O Conselho Superior do Ministério Público arquivou a queixa de Sócrates, o Tribunal da Relação de Lisboa recusou julgar o crime de Ventinhas, e o Supremo Tribunal de Justiça idem e aspas. Quem se quiser rir a bom rir, mas também chorar, ide ler a argumentação fabulosamente contorcionista e ofuscantemente pífia que protegeu Ventinhas de ser julgado e inevitavelmente condenado por um crime evidente.

Não admira que este senhor veja corruptos em todo o lado. É que ele sabe muito bem, por experiência pessoal, do que fala.

O Sr. Araújo e as suas merdas

Ricardo Araújo Pereira, com a estupenda equipa que faz o Gente Que Não Sabe Estar, teve de recorrer ao arsenal do humor mais básico para tentar insultar Neto de Moura. O uso de humor anal é não só infantilóide e chungoso, implicando uma idade mental inferior a 12 anos ou um estado de intoxicação alcoólica pré-coma para provocar hilaridade. No caso tem a vexante ironia de perpetuar o preconceito que aparenta combater: na representação da violação anal do seu alvo, o genial RAP está a celebrar o falocentrismo que, muito provavelmente, molda a mentalidade e racionalizações morais desse magistrado. Chegou ao ponto de ilustrar que o resultado da violação poderia provocar prazer, assim fechando o ciclo do seu subtexto onde em simultâneo sugere haver algo de inerentemente violento e grotesco no sexo anal – que o sexo anal gera prazer humilhante no parceiro passivo como consequência da brutalidade do parceiro activo. Last but not least, obrigou uma criança a ser parte da chachada dos cus e dos cagalhões. A plateia riu com risos de um amarelo alvar.

Surpresa? Nenhuma. Antes, no Governo Sombra, tinha alvitrado gostar de espancar o tal juiz, ele que pratica uma arte marcial qualquer e é muito mais alto do que a média dos seus concidadãos. Este é o mesmo espaço onde há anos apregoa a sua homérica capacidade sexual, não perdendo uma oportunidade, quando os seus colegas estão felizes e nervosos a mandar bocas primárias sobre pilas e o que dá para fazer com elas, para informar a audiência do seu gosto por mamas femininas. Nada contra, ao contrário, mas significativo e já não abonatório ao passar a ideia de que pretende cultivar a imagem de ter um desejo lúbrico insaciável; embora só na reinação, claro, porque ele está sempre a brincar, né? A questão não é a de se descobrir o mínimo que for acerca da sua real vida sexual, pagaria para não saber. A questão é outra, é a de ter chegado a um ponto de alienação onde precisa de se agarrar a esse modelo de masculinidade pacóvia para (também) construir a sua popularidade. Quer dizer que o seu ganha-pão já não tem graça, desconsolo agravado ao dar por si cercado pelo politicamente correcto que o impede de saborear a vida. Só anda nisto pelo dinheiro e para se vingar de quem lhe ficou com a massa no BES. E daí ter-se tornado na coqueluche dos direitolas ressabiados e rancorosos, ficaram loucos de paixão por finalmente terem cómicos a trabalhar para meter mais xuxas nos calaboiços alentejanos. Eis uma explicação para a queda abrupta na qualidade da sua criatividade.

Há algo que se salva no espectáculo de merda servido na TVI. Algo escatológico, de facto. Isto: agora que a sociedade acordou para a possibilidade de um juiz ser incompetente na sua função de juiz e, mesmo assim, constatarmos não haver autoridade na República que lhe tire o seu poder, queremos mesmo restringir o problema à temática da violência doméstica e fazer de Neto de Moura o bode expiatório que permite esconder o que outros juízes fazem noutras áreas onde confiamos o nosso destino individual e comunitário à Justiça?

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