Arquivo da Categoria: Valupi

Marcelo, é realmente muito simples

«Questionado pelos jornalistas sobre uma notícia do jornal Sol que refere que Portugal vai ser colocado na lista negra do Qatar, o chefe de Estado afirmou que "uma coisa é aquilo que é uma especulação, outra coisa é a realidade".

"A realidade é muito simples, há um relacionamento diplomático, económico, forte que veio do passado, que não impede que haja pontos de vista diversos, sobre matérias importantes".»

Fonte

Não falha, o que Marcelo acha “muito simples” está associado a uma manifestação da sua incapacidade para exercer as funções de Presidente da República. No caso, trata-se de mais um espantoso episódio de erros crassos na gestão política de uma situação que pedia sentido de Estado.

Atente-se na alucinante sequência: quis passear até ao Qatar por sua alta recreação, disse que a temática dos direitos humanos não era coisa que o impedisse de ir à bola e estar a conviver com a rapaziada, atribuiu a Sócrates e Cavaco a culpa da sua viagem, fez uma cegada no Qatar para meia dúzia de monos só para passar na TV que falou dos direitos humanos algures naquela terra, e conseguiu abrir uma crise diplomática com o Qatar que levou Santos Silva a ser o bombeiro de serviço.

Há sinais de se estar perante um problema psicológico, quiçá de saúde. O Expresso, que é um altifalante de Belém, pela primeira vez atacou Marcelo, no que parece ter sido uma encomenda de alguém na Casa Civil sem outro recurso para conter os danos. E uma novel vedeta do comentariado direitola coloca a hipótese de haver uma renúncia ao mandato. Este não é o usual ressentimento contra Marcelo da direita passista e pulha, isto são sirenes de alarme perante as evidências.

Ora, se o caso for clínico, azar. Acontece a todos. E deve-se fazer o melhor para o interesse nacional. A alternativa é o caso ser moral, o que acabaria por ser ainda mais danoso para o bem comum. A coisa, pois, é muito grave e muito simples.

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Dominguice

Quem é que teria apostado numa vitória da Arábia Saudita, selecção que ocupa a 51ª posição na classificação da FIFA, contra a Argentina, 3ª selecção mundial e vinda de conquistar a Copa América no ano passado? Mas imaginemos que havia um maluco que apostava algo valioso nesse resultado impossível. E que vamos falar com ele ao intervalo, dizendo-lhe “Podes recuar na aposta. A Argentina está a ganhar, tem uma equipa cheia de vedetas que jogam nas melhores equipa internacionais, tem o Messi, e a Arábia Saudita só tem jogadores desconhecidos que jogam na Arábia Saudita, parece uma equipa de amadores. Aceitas desistir?”. Enquanto o maluco ficava pensativo, prestes a resignar-se à bondade oferecida, fazíamos nova proposta: “Que tal trocares essa aposta por outra onde a Alemanha está a ganhar ao intervalo, também por um golo marcado de grande penalidade, e no fim ganha o Japão?” Ao que o maluco, indignado, responderia “Mas vocês pensam que eu sou maluco?!”.

Não sabemos se o maluco realmente desistiu da sua aposta ao intervalo, vendo a Argentina a 45 minutos de despachar um grupo de coxos. Sabemos é que o futebol pode iluminar a essência de existir. Isso de o destino ser uma questão de sorte.

Viva Ronaldo!

Deixei de ligar ao jogador Cristiano Ronaldo em 2003, quando saiu do Sporting. Nos 18 anos seguintes apenas registei das suas façanhas o que calhava aparecer-me à frente. 18 anos em que também cortei relações afectivas com o próprio Sporting, um clube com uma maioria de sócios que considerou Bruno de Carvalho merecedor de inscrever o seu nome junto dos de João Rocha, Amado de Freitas e José Roquette, para dar exemplos da minha predilecção. Sim, a lista também regista os pícaros Jorge Gonçalves e Sousa Sintra, e uma inanidade de apelido Bettencourt, entre outras figuras de duvidoso calibre cívico e/ou profissional, mal tal só reforça o argumento relativo à repulsa pelo populista patarata.

Tudo mudou no Verão de 2021, captando o meu interesse as peripécias de Ronaldo ao sair da Juventus para assinar contrato com o Manchester City. Ao se decidir à última hora pelo regresso ao Manchester United, supostamente em resultado do apelo de Alex Ferguson que lhe disse ser uma facada no seu coração vê-lo no City, fiquei agarrado ao romantismo da situação. Pela primeira vez quis ver um jogo do MU em directo, o primeiro de todos os outros a que assisti devotamente até ao último de Ronaldo, há umas semanas, no clube onde se tornou uma estrela internacional. E esse primeiro jogo da era Ronaldo II, em vários sentidos, corresponde ao momento mais feliz do ciclo terminado há dias. A equipa viria a revelar-se uma valente merda, não tendo ganhado nenhum troféu na época passado nem conseguido entrar na Champions. Dois treinadores foram para o galheiro pelo caminho, e o terceiro conseguiu correr com Ronaldo do MU. Do êxtase ao pesadelo, uma velha história.

Para lá da contagiante paixão dos adeptos no estádio, o que mais me impressionou no seu jogo inaugural da época passada foram os relatos dos jornalistas ingleses a darem conta de que a cidade estava transfigurada pela antecipação do regresso de Ronaldo ao MU. Diziam que há muitos anos não se sentia tamanha agitação e energia nas ruas e nas gentes de Manchester a propósito de um evento desportivo, parecia uma véspera de Natal. Esse relato foi para mim a descoberta da dimensão planetária da marca Cristiano Ronaldo, fenómeno de que estava alheado pelo desprezo na minha atenção a que votava a sua carreira e o futebol em geral. Sim, o futebol profissional é completamente irrelevante quando comparado com qualquer questão de relevância social e política, todavia o futebol profissional tem evidente relevância social e política. Porque milhares de milhões de pessoas dedicam parte relevante dos seus recursos temporais e pecuniários a desfrutar dessa indústria de entretenimento e desse mecanismo identitário. É simples, é lógico.

Ronaldo tem sido uma das celebridades mais conhecidas, adoradas, invejadas e detestadas entre 8 mil milhões de seres humanos. É algo absolutamente extraordinário na sua relação com o país onde calhou nascer, culturalmente avesso aos seus traços de personalidade. Parte do romantismo do seu regresso ao Manchester United vinha do sentimento de filiação, o sonho de recomeçar donde se partiu há muito. Outra parte está ligada com a inevitabilidade do seu declínio físico, quiçá também mental. Os seus detractores apressam-se a declarar o seu funeral a cada jogo em que não marca ou em que não marque o suficiente – no fundo, ironicamente, atribuindo-lhe o superpoder de conseguir vencer sozinho quaisquer 11 adversários à sua volta. E um dia acabarão por ter toda a razão, fatalmente. Resta saber se os deuses concordam com a sua azia ou se, como eu, são agora adeptos do Ronaldo Futebol Clube. E estão dispostos a dar-lhe(-nos) mais uma ou duas épocas de sorte&glória.

A descobrir num Campeonato do Mundo das arábias.

Pináculo do “argumentum ad Socraterum”

Marcelo recorda que Cavaco e Sócrates estavam no poder quando Mundial foi aprovado

Na sequência de anteriores declarações que causaram espanto pela sua estultícia, dada a tarimba e predicados da figura e o seu papel institucional em questão, Marcelo saiu-se com esta imbecilidade: “O Qatar não respeita os direitos humanos […] mas, enfim, esqueçamos isto.” Como diz que disse? Esquecer, é mesmo esse o verbo que colhe usar?

E depois da bacorada, tal como aconteceu no branqueamento das suspeitas de abusos sexuais na Igreja Católica, tratou a comunidade como um aglomerado de calhaus. Não tendo mais nada à mão a que se agarrar, foi parar a Sócrates, a fonte de todo mal no universo. Donde, segue a lógica, a culpa de Marcelo querer ir ao Qatar é de Sócrates, principalmente, e de Cavaco, um bocadinho.

É a definição mesma da decadência moral, o vale tudo para não assumir as suas responsabilidades.

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Dominguice

O meu primo disse-me “Aqui ninguém se entende.” Aqui era ali, para os lados de acolá. Só muito mais tarde consegui compreender o que tinha ouvido. Que era isto: “Ninguém se entende.” Nem ali, a terra dele, nem em nenhures. Nem nas terras dos outros nem nas casas dos mesmos. Nem ontem nem amanhã. A discórdia é o estado natural da política e da sociabilidade. Daí ser preciso recorrer à violência máxima – como as calúnias e campanhas sujas que destroem a reputação, saúde e o futuro dos alvos, ou os assassinatos de opositores e as ditaduras policiais – para tentar reduzir a discórdia à expressão mínima. Apenas para que ela rebente, vingativa ou revolucionária, mais tarde. Inevitavelmente.

A democracia é para heróis. Dos mais valentes, mais belos. Aqueles que estão apaixonados pela alteridade.

Estado da direita: Santana exemplar

Quando Pedro Santana Lopes surge como arauto da decência e do respeito pelas instituições, ou até mesmo como paladino da coesão e integridade da República, sabemos que a decadência da direita há muito que bateu no fundo. E não tem parado de escavar.

Sim, este Pedro, que agora apregoa um nobilíssimo “não gosto de coisas à traição“, foi o mesmo que em 2005 encomendou no Brasil uma campanha negra para lançar o boato de Sócrates ser homossexual, campanha essa que era como a cereja no cimo da outra já a correr sobre o Freeport, lançada esta por elementos do PSD e CDS em trama com agentes da autoridade.

As cãs trazem a sabedoria e a santa amnésia.

Putinismo canino

«“Tenho um amigo de infância e a determinada altura — miúdos de seis, sete anos — ele tinha um cachorrinho. Então a brincadeira que se montou, que era uma coisa completamente absurda, era três crianças que à vez atiçavam o cão. Atiçavam o cão, quando o cão vinha para morder gritavam e o cão, coitado, baixava... A brincadeira era assim. Esse meu amigo, que era o dono do cão, quando foi a vez dele de fazer esse movimento de atiçar o cão, o cão deu-lhe 20 e tal dentadas. Ao dono! E a pergunta é: a culpa é do cão? O cão é culpado desse acto?”, elaborou Paulo Raimundo.»


Fonte

Saliva e desespero

Supondo que o PCP quer aumentar a sua votação nos actos eleitorais futuros, estará então interessado em atrair o interesse e a vontade de quem não pretende actualmente votar nos comunistas portugueses. Nesta lógica, é mais importante aparecer em espaços de comunicação neutros e públicos do que apenas comunicar nos eventos do partido para os militantes. Parece uma evidência.

Ora, esta entrevista a Paulo Raimundo não oferece nenhuma de nenhuma razão para cativar votos extraviados ou novos. Pelo contrário, reforça a percepção de continuar a ser o PCP uma cassete, só que agora com a fita partida. Já não há musiqueta nem folclore, substituídos pelo fedor do putinismo.

Paulo Raimundo é um líder sem carisma, um avatar de Carvalhas no pior sentido da comparação – tal como Jerónimo foi um avatar de Cunhal, no melhor sentido da comparação. Como quase todos os comunistas, transmite a impressão de ser uma excelente pessoa. E teve o condão de apelar à empatia, dando-se a ver como normalzinho da Silva. Veremos se tal imagem se mantém quando estiver no calor da luta.

No discurso da Conferência Nacional, disse que “há quem salive e desespere pelo fim do PCP“. Haverá, com certeza, pois há sempre de tudo. Mas esse grupo é minúsculo e constituído apenas por direitolas fanáticos e broncos. O novo líder do PCP teria feito uma pequena revolução se dissesse exactamente o contrário, que há muitíssimos mais que salivam e desesperam vendo o PCP a desaparecer. Muitíssimos mais, milhões, que estão agradecidos ao PCP pelo seu contributo para a qualidade da democracia até aos idos de Fevereiro deste ano. É para esses que a Soeiro Pereira Gomes deve falar caso o plano seja ter alguma relevância no futuro político de Portugal.

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