Uma revolução não apaga a PIDE, não é, senhor bastonário?

Não é novidade alguma dizer-se que não somos apenas produto de uma realidade recente. Lembro-me de ser muito nova e ouvir de uma professora que sabia muito de história para andar em diante, como num carro, mas sempre espreitando o espelho retrovisor. Somos o que fomos, o que somos e o que vamos ser.
Compreender, por exemplo, o nosso sistema constitucional sem ler todas as constituições – e a carta constitucional – desde 1822 até agora é impossível. No texto actual da lei fundamental há influências de todas as que lhe precederam, donde o título da tese do Professor José de Melo Alexandrino – “A estruturação do sistema de direitos, liberdades e garantias na Constituição portuguesa – queira significar, no que ao conceito de Constituição diz respeito, uma análise que começa em 1822 e no que, até 1976, e após as suas revisões, há de continuidade e descontinuidade.
É bom, claro, ver uma revolução acabar com décadas de ditadura e com a sua polícia política, depositária de métodos documentados de abate de pessoas, sendo que aqui, abate, quer dizer muitas coisas. É bom saber que se conseguiu, que somos, claro, sem dúvida, um Estado democrático. Mas, contrariando o conceito útil lançado por José Gil de “não inscrição”, ou talvez antes alinhando com ele, a democracia não apaga a memória do quero, posso e mando, nem apaga a memória dos métodos de vencer uma batalha pessoal infame recorrendo à distorção do Estado de direito.
É o caso do bastonário da Ordem dos Advogados (BOA), sujeito que odeia quem discorde dele, que odeia a magistratura em geral, que adere apaixonadamente ao corporativismo e que se vinga, pela calúnia, de quem se atreve a responder-lhe.
Estamos perante uma varinha mágica a funcionar em velocidade máxima, mas sem recipiente. Por isso, a porcaria toca todos os assuntos, toca tudo e todos, o que lhe permite a bateria de ter razão aqui e ali para poder continuar a manchar a Ordem e o Estado.
Lança-se sobre todos os magistrados, lança-se, sem dizer nomes, sobre todos os Deputados que são advogados – automaticamente ladrões e patifes envolvidos em negociatas com o Estado -, lança-se sobre os jovens licenciados, negando-lhes o acesso à profissão, por reglamento interno, questionando-os sobre o que já foi objecto de certificação universitária – que importa a autonomia universitária? – e triplicando os chumbos para que o “mercado” dos advogados não cresça.
O opinador mais inflamado da sociedade portuguesa, que “acha” que Duarte Lima “deve” aos portugueses uma explicação nos “media”, ofendeu repetidamente a Ministra da Justiça. Durante meses, a última manteve-se calada e, no congresso da Ordem, fez um discurso institucional sobre todos os assuntos que teve por pertinentes, acabando por declarar a lealdade ao parceiro OA “mesmo quando ela não era recíproca”. Depois saiu porque tinha de fazer. Logo seu ouviu o grito: – “só PR fala em último lugar!!!”
No lugar da Ministra, confesso que teria sido mais dura. Mas tive a certeza absoluta de que no dia seguinte o BOA teria revelações “chocantes” sobre a atrevida e assim foi: nomeou este e aquele que ainda lhe são chegados assim e assim.
Pide. Isto é a Pide. Um ar venenoso do nosso passado invade as páginas dos jornais quando este pidesco reage no dia seguinte a ser incomodado com tentativas de destruição de carácter que, apesar de “criminosas”, ele guarda preventivamente na gaveta para o caso de ser ser atacado (coisa maravilhosa que desmente a veracidade de todas as suas acusações, ou o senhor não sabe o que é a obstrução à justiça?).
Uma revolução não apaga a Pide, não.
Acaba com ela, felizmente, mas são décadas de métodos enraizados numa memória coletiva, a qual, felizmente, a repudia. Mas como na banda desenhada, há sempre aldeias resistentes, e cá vamos vivendo com o BOA, que larga o veneno a conta gotas, esquecendo-se, talvez, que o seu recurso ao método salazarista de contar com o analfabetismo dos portugueses é, para sua imensa infelicidade, anacrónico.

56 thoughts on “Uma revolução não apaga a PIDE, não é, senhor bastonário?”

  1. Já se percebeu que a Isabel não gosta do Marinho Pinto, mas chame-lhe outro nome, porque “inflamado” é este ataque você lhe faz.
    Ele é bastonário da Ordem dos Advogados e homem com opinião, como todos os que o precederam. Só que gosto mais das opiniões deste do que dos que o precederam.

  2. A Isabel não gosta do BOA. Ok, já percebemos. Eu, por acaso, não sendo advogada, e nem sempre concordando com ele, aprecio o seu modo (de disparar contra todos os lados, se quiser). E, pelos vistos, uma parte significativa dos advogados também, já que votaram nele. Quanto à audiência de que dispõe entre a generalidade dos portugueses, conto apenas o seguinte: no dia em que Duarte Lima foi preso, e a RTP fez um debate depois do Telejornal, no restaurante mais ou menos popular onde, por acaso, eu estava a jantar, toda, mas toda a gente (incluindo os empregados) se calava quando falava o BOA. Pois, era um restaurante mais ou menos popular: mas não me parece ter comido (e bem, por acaso) no meio de analfabetos. Portanto, mais do que discutir matérias de facto, a Isabel dispara (tem disparado) contra o estilo. Ok, mas em matéria de gostos epidérmicos não seria preciso ir buscar a Constituição de 1822, parece-me. (PS: de resto, gostaria de acrescentar, para não achar que este meu comentário é agora um disparo contra si, que apreciei bastante a sua posição na votação do Orçamento)

  3. Oh, Isabel, destilar tanto ódio com esta força contra o actual Bastonário da OA só reverte em seu demérito, porque este seu texto é apenas um pretexto para mais uma vez vir dizer-nos o quanto o odeia. Afinal a Isabel também está carregada de “corporativismo parlamentar”…E vir defender a indefensável Ministra da Justiça, que diabo…! Ela é que não está a dignificar a instituição que representa…

    Eu gosto do senhor. Acho que o Dr. Marinho Pinto é um herói na actual cena pública. É que chama os bois pelos nomes – na maioria das vezes de forma “bombástica”, admito – mas ao menos abana as estruturas dos vários poderes instalados e que, por serem poderes, ninguém ousa afrontar por medo de ficar eventualmente prejudicado na contenda.

  4. A opinadora mais inflamada do Aspirina B volta a atacar! Já estou demasiado velho para tentar compreender as mulheres, mas tenho idade suficiente para saber quando encontro uma que se julga detentora da única e universal verdade.
    A Isabel Moreira nunca pensou em fundar uma Igreja?

  5. Excelentes comentários.
    Glória ao Marinho Pinto e que a voz não lhe feneça.
    Gosto da Isabelinha mas, desta vez, pela forma e pelo conteúdo, perdeu uma boa ocasião de estar calada.
    O preconceito de classe que revelou é preocupante e a precisar de análise psicanalítica.
    Como também o caso da chamada Ministra da Justiça, que , por muito mais grave, já parece incurável.

  6. Há uma diferença entre ser da PIDE ou terrorista Isabel;
    O BOA só poderia ser acusado de ser terrorista; o Estado ainda é o único detentor da força, ou não?
    A ministra é, para mim, uma reles canalha: ouvi-a bastas vezes na SIC N, na “porqueira” do crespo, como lhe chama o valupi, a ofender a honra do Engº José Sócrates.
    Não se lembra da visita do Sócrates à madeira, depois da intempérie? da forma civilizada como se comportou na presença de alguém que o insultara dezenas de vezes? das relações institucionais que devem ser preservadas? até as direcções de clubes de futebol convivem civilizadamente quando estão em “casa” do adversário”….
    Nunca ouvi o bastonário descer a esse nível.
    Já agora: o tal juíz de alenquer que adiou processos por causa da redução de vencimentos?
    Como deputada poderia explicar o que aconteceu? pedir explicações? saber do paradeiro, agora que lhe vão cortar dois salários? já emigrou? é que eu também pago impostos.
    e os procuradores do freeport? e os centenas demilhões de euros de impostos que prescreveram?
    e a guerra das escutas? e os sindicatos de magistrados e juízes? são politicamente neutros?
    Marinho Pinto enganou alguém? mudou o discurso por ser BOA? tem interesses partidarios?

    é corporativista? acredito bem que sim. que comete erros? não tenho dúvidas..

    tenho que para mim, um cirurgião não se pode desculpar que errar é humano com a mesma ligeireza que o BOA…nem um magistrado…nem um juíz….nem um ministro…

    é o que penso de tudo isto…

  7. Grande Bastonário.
    Até hoje só o vi defender a justiça e o país.
    As armas são o ataque. Ainda bem.
    Os adversários não olham a meios. A resposta tem que ser imediata.
    Chamar os ditos pelo nome, não me parece reprovável nem pidesco.
    Espero que continue com a mesma força.

    Cara Isabel.
    Aprecio a sua actuação como deputada.
    Hoje, parece-me que falhou o alvo.
    Mas espero que continue, mesmo quando não estou de acordo consigo.
    Precisamos de deputados que ajam em consciência.
    A inconstitucionalidade tem que ser declarada.
    Deputados podem juntar-se nesse desígnio.
    Continue a lutar pela dignidade dos portugueses.

    O país precisa de ambos.
    Não gastem energia entre vós.
    Por favor! É que isto está quase Tudo Dominado.

  8. Na diferença havemos de nos (re)encontrar TODOS. Porque mesmo muitos que sejamos vamos ter que inventar forças para derrubar a canalha (des)governativa. Todos temos direito à opinião e as figuras públicas, como o Bastonário da OA, não pode ser excepção. Mas quais são os resultados PRÁTICOS deste post?

  9. Cara Isabel,
    discordando bastante da sua professora de história, pois apenas somos o que fomos e só seremos o que soubermos ser e não o que agora somos, também não estou muito convencido que uma revolução tenha acabo com com décadas de ditadura (pois muitos resquícios ainda vogam por aqui e por ali) e que a polícia política tenha acabado. Se calhar mudou apenas de roupagem e nome, mas guarda ainda dentro de si os ensinamentos de antanho que muitos se encarregam de zelosamente alimentar.
    Posso entender que não goste do bastonário da ordem dos advogados, da mesma maneira que percebo que haja quem não goste do azul, de arroz de bróculos, de vinho tinto à temperatura ambiente, de corruptos (sejam eles políticos ou não), de arrivistas, de conservadores, etc., etc..
    Que a partir daí se esqueça que a sua discordância de Marinho Pinto parece caucionar atitudes de compadrio, prepotência, incapacidades no ensino superior e na do ensino da magistratura, amoralidades, complôs e muitos outros factos que ele denuncia, subjaz do texto acima, o que me surpreende, parece que merece a sua melhor atenção.
    A “sua” ministra, que defende, que aproveitou a sua posição institucional para poder falar numa ocasião em que não tinha direito como mera advogada, foi um abuso que deve ser condenado, pois a deixarmos passar coisas como esta caucionaremos o direito dos ministros e outras figuras institucionais, em cerimónia para o qual são convidados não pelas suas qualidades cívicas, científicas ou morais, mas e apenas pelo lugar que desempenham derivado dos cargos que representam possam opinar liuvremente como não estando ligados a tais cargos e/ou responsabilidades.
    Mais, fazer um discurso e sair sem querer ouvir a resposta que suscitou com a sua intervenção é pior, é demonstração de frio calculismo e medo do contraditório, o que em certas profissões é considerado de menor importância mas que num advogado deve ser uma obrigação a respeitar porque faz parte do múnus profissional.
    A Isabel, lança-se de cabeça num corporativismo sem sentido quando apenas refere a Ordem dos Advogados como sendo “a” que se lança “… sobre os jovens licenciados, negando-lhes o acesso à profissão, por reglamento interno, questionando-os sobre o que já foi objecto de certificação universitária…”!
    Terá porventura esquecido o processo de Bolonha ou outras Ordens que submetem a exame quem pretende exercer a profissão que tutelam e ainda outras que ponderam começar a exigir exames a quem se inicie na carreira?
    Chamar pide a Marinho Pinto, também não a dignifica, pois se não sabe o que foi a pide, e tem obrigação de saber, pois tem quem lhe explique isso muito bem próximo de si e que eu saiba não nutria grande simpatia (se é que sentia alguma) por essa malfadada polícia, também não lhe fica muito bem pese a sua juventude e arrebatamento.
    Cara Isabel, nem sempre é bom deixarmos que os sentidos perturbem a sensatez a que estamos obrigados, principalmente quando escolhemos ser intérpretes da suprema lei que nos rege e mais ainda quando nos foi permitido privar com gente que tem da democracia uma visão magnânima.
    Marinho Pinto poderá não ser um modelo de virtudes a seguir, mas que é uma pedrada no charco do imobilismo e servilismo político não tenha dúvidas.

  10. Comparar Marinho Pinto a um pide, é uma infâmia que só o ódio pode “justificar”.

    É assim que os anjos começam a perder as penas.

  11. Francamente, Isabel! Fiquei sem palavras. Não sei se pela defesa que faz de uma ministra da justiça do mais desclassificado que tenho visto à frente daquela pasta, se pelo ataque desbragado a um dos poucos portugueses capaz de colocar o dedo na ferida horrorosa que é a nossa magistratura. Esta, sim, que tem ido além dos piores processos pidescos, perseguindo os que não são da sua “cor”e deixando impunes os piores crápulas dese país.
    O seu, Isabel, foi um discurso desatinado. Estou desiludido consigo. Tanta cegueira numa deputada em que me habituara a confiar faz-me temer cada vez mais pelo futuro desta democracia.
    A quem nós entregamos o voto!!!

  12. Cara Isabel!
    Como já lhe disse anteriormente, sou Advogado há mais de 25 anos, licenciado pela FDL onde actualmente dá aulas Ainda não há muito tempo lhe respondi com solidariedade sobre uns queixumes relativos ao Paulo Otero, alarve com quem também me cruzei no estágio para a Advocacia. Aliás cruzei-me na FDL com muitos alarves em como escrevi, alguns que se auto-denominavam de arianos. Em certa altura surpreendi uma conversa em que um deles justificava uma nota de 17 em avaliação continua a outro apaniguado militante do CDS com a frase “Mas ele é ariano!”. Ou seja de direita do CDS.
    Curiosamente a Isabel atira-se agora ao Marinho Pinto, ao que parece por ele referir que ser Advogado é incompatível com ser Deputado! E que isso gera promiscuidade da politica e do parlamento com interesses pessoais defendidos nos escritórios dos ditos deputados/advogados. Mas isso é a verdade! Pura e simples ! Há bem pouco tempo até vi o Deputado/Advogado, Morais Sarmento, da PLMJ, a representar como Advogado no Parlamento um individuo que estava a ser ouvido numa comissão de Inquérito! Será isto admissível? Não existe vergonha, para não falar em incompatibilidade? Será Admissível que um deputado esteja no parlamento a defender outros interesses que não os daqueles que o elegeram? Pois, estou certo que concorda comigo e se sente envergonhada com comportamentos destes! Já agora, acha natural que a Paulinha encha o gabinete do MJ com colegas de escritório do seu marido/companheiro! Que ainda por cima fazem parte da oposição vencida nas eleições para a OA? Sinceramente, também não me revejo nalgumas actuações mais truculentas do BOA mas, cumpre reconhecer que, até hoje, as palmadinhas nas costas e sorrisos sacanas apenas fizeram á Justiça um mau trabalho. Veja-se a vergonha que grassa pelos nossos tribunais onde o compadrio, o amiguismo e, em suma, a corrupção moral é um dos maiores problemas, além da manifesta incompetência! Vá mais vezes aos tribunais, a defender ou representar meros cidadãos que apenas esperam justiça e vai ver que me dá razão de imediato e até começa a concordar e a gostar do BOA.
    Já agora, parabéns pela recusa em alinhar na palhaçada orquestrada pelo Seguro!

  13. “…recurso ao método salazarista de contar com o analfabetismo dos portugueses…”
    É engraçado ver este tipo de análise a um homem que foi eleito democraticamente pelos seus pares, e que de quando em vez, diz umas verdades. E não ver esta mesma indignação a um homem que também foi eleito democraticamente, mas com base na mentira, e que andava de vespa, mas que agora já conseguiu roubar dinheiro suficiente para andar de audi A7.
    Este não só tem o método salazarista de contar com o analfabetismo dos portugueses, como também deve achar que os portugueses são estúpidos.
    A não ser que você também ache que está tudo bem na magistratura, e que a ministra está a fazer um bom trabalho.

  14. Cara Drª Isabel Moreira
    Não a conhecendo, fui-me habituando a apreciar as suas intervenções públicas e a clareza de muitas das suas posições ideológicas e civilizacionais, com as quais, na maioria das vezes, sempre estive de acordo.
    Foi com muito agrado que acolhi a sua escolha para deputada pelo PS, pois inspirou-me confiança a sua clarividência e a firmeza que usa na defesa dos seus principios e valores, como já disse, em muito coincidentes com os meus.
    Quanto a este ataque que ora faz ao BOA, foi para mim uma enorme surpresa, não pelo modo, mas pelo conteúdo, pois ao atacá-lo, defendendo à outrance uma figura como a actual Ministra da Justiça, deixou-me estarrecido.
    Concordo consigo na análise que faz quanto à forma de intervir do BAO. Mas a realidade é que o senhor navega entre um meio cheio de podridão, compadrio e cinismo, como é o actual da magistratura portuguesa, e é um homem directo, frontal e sem papas na língua para desmascarar toda essa situação. Às vezes, é um pouco desbragado, reconheço, mas a realidade é que raramente não tem razão quando denuncia situações escabrosas que com tanta frequência acontecem na vida política e judiciária portuguesa.
    As suas frequentes pedradas no charco têm, modo geral, acertado sempre no alvo e, daí, o enorme grupo de visados que se sentem atingidos e não lhe perdoam pelo facto.
    Sendo frontal, directo e sem papas na lingua, o BAO muito tem contribuido para a denúncia de factos graves e condenáveis e que nos média são, regra geral, sempre tratados com imensa parcimónia e tolerância. Aprecio, por isso a coragem e frontalidade deste senhor, sendo minha convicção que esta minha apreciação é igualmente apreciada pela grande maioria dos portugueses.
    Daí a minha surpresa e não concordância com esta sua posição que acho injusta e reveladora dum qualquer ódiozinho de estimação que tenha para com o senhor.

  15. Marinho Pinto, diz o post,

    “lança-se sobre os jovens licenciados, negando-lhes o acesso à profissão, por regulamento interno, questionando-os sobre o que já foi objecto de certificação universitária – que importa a autonomia universitária? – e triplicando os chumbos para que o “mercado” dos advogados não cresça.”

    – Triplica em relação a quê?
    – E há razões para chumbar esses candidatos ao exercício da advocacia ou não há?

    Agora um pouco de história, que não se encontra na “história” que se está no site da Ordem dos Advogados. Lá o que nos contam é que o “impulso decisivo” para a criação da dita Ordem partiu do ministro Manuel Rodrigues, em Junho de 1926, logo nas primeiras semanas da Ditadura saída do 28 de Maio. Pode ficar a ideia de que a inspiração da criação da Ordem é corporativista, se não mesmo fascista. A verdade é outra.

    A ideia da criação de uma Ordem dos Advogados, com esse preciso nome e com fins em muito idênticos à que hoje existe, partiu, de facto, de um distinto jurista, professor da Faculdade de Direito de Lisboa. Chamava-se Abranches Ferrão e era ministro da Justiça da Primeira República, quando elaborou, em 1923, as Bases da Ordem dos Advogados que foram propostas à Câmara dos Deputados. Era pai de outro Abranches Ferrão, que foi, sob o Estado Novo, um dos mais notáveis advogados portugueses e que, entre outras coisas, defendeu muitos réus do fascismo salazarista.

    Nas Bases propostas pelo ministro Abranches Ferrão lá estavam os fins que são hoje os principais fins da Ordem. Lá estava, também, a regulamentação do acesso à profissão dos jovens licenciados, lá estavam as normas sobre o tirocínio dos advogados, lá estavam as provas que os tirocinantes tinham que prestar sobre as matérias que já tinham sido “objecto de certificação universitária”, como diz Isabel Moreira.

    Cito um parágrafo das Bases: “Terminado o período de tirocínio (de 18 meses), o candidato demonstrará a sua aptidão para o exercício de advocacia por meio de duas provas escritas, uma versando sobre uma consulta ou questão de direito civil, comercial ou penal, outra sobre a redacção de uma peça de processo”.

    A rapaziada de Direito, claro, começou logo a protestar. Veio logo também um jurista, de cujo nome não reza a história, que elaborou um parecer negativo. E a criação da Ordem foi pelo cano abaixo, chumbada no Parlamento. Os deputados do Partido Democrático rejeitaram-na com argumentos muito semelhantes aos de Isabel Moreira, acima citados. O jornal A Capital, fazendo eco desses protestos, perguntava-se dias antes: “Mas então para que servem os cinco anos de curso numa Faculdade com mestres notáveis, com exercícios de toda a ordem e com provas de toda a espécie?” E o jornalista apelava à revolta da rapaziada: “Os alunos de Direito que respondam a esta cláusula”.

    Três anitos depois, diga-se, Portugal entrava em Ditadura. Muitos dirigentes do Partido Democrático partiram para o exílio, outros ficaram sem os seus empregos no Estado ou nas universidades.

    A ideia de criação da Ordem e da regulamentação do acesso ao exercício da advocacia surgiu num regime de democracia liberal e numa época em que ainda não havia dúzias de Universidades a despejar multidões de licenciados no mercado, como hoje.

  16. O que haveria a dizer do mau momento, mau,não, péssimo momento de Isabel Moreira está exaustivamente dito em tudo quanto me antecede. Queria apenas deixar aqui que a incomprensível atitude de Isabel Moreira só poderá ser entendida à luz de um abstruso corporativismo de classe – a intocável “gente do Direito” – de que a não julgava capaz, especialmente depois da posição independente que foi tomou na questão da votação do Orçamento.
    Todavia, isto pouco ou nada seria, se não nos aparecesse a terçar armas pela actual Ministra da Justiça que é, no meu entender, do mais reles e nojento e vil que em política se pode ver. Lamentável!
    Claro que não espero ver Isabel Moreira retratar-se deste seu triste momento. Que ao menos o faça na sua consciência.

  17. Habituei-me ler tudo o que me é possível ler da Dra. Isabel Moreira e tenho-a (espero continuar a poder empregar o presente…) em boa conta, mas fiquei triste. Muito triste, porque não tanto pelo facto de zurzir forte e feio no Dr. Marinho e Pinto, mas por vir dar a mão angélica à “satânica” figura da actual Ministra, que vai, por certo, numa qualquer altura das sua intervenções utilizar estas palavras para uma qualquer “defesa” a um ataque provindo da bancada do PS. Não julgava ser possível ver a Dra. Isabel Moreira ser uma defensora (à revelia de tudo quanto tem sido dito na oposição sobre a o a tal sujeita (não) fez).
    Espero não ter de vir a ler qualquer resposta do Dr. Marinho e Pinto sobre o que escreveu, porque se ele leu este seu post, por certo a Senhora não ficará sem resposta e, acreditando na sua habitual verbe, deverá ter de comprar muito pó de arroz para tapar a vermelhidão das faces…

  18. Não sendo a minha formação na área da jurisprudência, ao ler a sua entrada tive um impulso imediato em ‘atirar-me’ à sua (in)razoabilidade ditada, pensei logo, por sentimentos mesquinhos, logo não objectivos. Contive-me e…fiz bem, pois ao ler este acervo de extraordinários, fundamentados e bem urdidos comentários elaborados por pessoas com a competência de que eu não disponho, fiquei inibido de escrever qualquer coisa que os pudesse valorizar. Assim se, apesar de tudo, escrevo é porque, por razões de elevada consideração (leio, de momento,…«A espuma do tempo…») venho acompanhando, com agrado, as suas intervenções cívicas. É por isso que, com sinceridade, atribuo o seu escrito a um simples acaso de uma ligeira indisposição psicológica que a levou a ter pouca ‘jus’ e menos ‘prudência’. Mas… só os comentários valeram-na.

  19. Habituado a desconfiar de populistas, concordo com parte do que escreveu.

    Só espero que não tenha dado à caneta apenas por ele achar que ser advogado e deputado são actividades imcompatíveis.

    Percebe-se que o tipo é ordinário e espertalhaço. Diz o que o povo quer ouvir, como convém.

    Talvez esteja já a fazer campanha para Belém.

  20. Marinho Pinto é uma trincheira de lucidez e sanidade mental e tem razão em 99% das situações em que se pronuncia sobre a justiça portuguesa. Discordando embora pontualmente da posição que tomou sobre o caso Duarte Lima, também eu fico de boca aberta com o aproveitamento que a Isabel Moreira faz dessa falha para continuar a atirar-se às canelas do homem, ainda para mais denegrindo-o face aos até aqui insuspeitados méritos da ministra da justiça, criatura malcriada, zangada e arrogante que comentadores anteriores já analisaram o suficiente.
    Comparar o Marinho Pinto com a Paula Teixeira da Cruz é, como se diz no Alentejo, o mesmo que comparar a Feira de Borba com o olho do cu! Mas comparar a actuação de Marinho Pinto com a da PIDE consegue, lamento dizê-lo, ganhar o lamentável galardão de “Vómito do Dia”, ao nível de comportamento em tudo semelhante de uma Manuela Moura Guedes quando, armada ao pingarelho, lhe chamou bufo em directo, na TVI! A Guedes teve, na altura, a resposta merecida. Quanto a si, Isabel Moreira, receio que a via que escolheu só suscite respostas de espantadas criaturas como eu, nesta caixa de comentários, gente que, até agora, se tinha habituado a respeitá-la. O Marinho Pinto terá, certamente, mais que fazer.

  21. Isabel, como é possível a srª. escrever o que escreveu do bastonário? Posso acreditar que não simpatiza com ele mas daí a chamar-lhe os nomes que chamou vai uma grande distância. Até será para duvidar se a srª. não estará a dizer o que diz por ter sido de alguma maneira prejudicada pela Ordem, pelo bastonário, enfim, interesses! Percebe, não percebe?
    Gostei da sua intervenção e votação na Assembleia sobre o orçamento. Não pode ter sido a mesma mulher que assim procedeu a escrever este péssimo post.
    No primeiro caso: 20 valores. Neste : zero ou melhor, se tal for possível abaixo de zero.
    O Marinho pode ter errado muitas vezes. Até eu, veja lá, já errei. E a srª.? Já errou muitas vezes? Esta foi uma delas.
    O Marinho foi a única pessoa que vi a defender na TVI contra a Bocarras, com unhas e dentes, o Sócrates, não por ser o Sócrates mas por defender um cidadão que era diariamente injustamente atacado.
    Pense antes de escrever e já agora diga à gente onde é que o Marinho a prejudicou na sua profissão enquanto advogada.

  22. Tomara a Dra Isabel Moreira chegar aos calcanhares do Dr. Marinho Pinto!
    E mais não digo porque me sinto indignado!

  23. Exmª. Senhora
    Pertenço à casa situada em frente a outra em que V. Exª. tão brilhantemente obteve os seus títulos académicos, daí a minha relutância em tomar parte nas vossas discussões corporativas. No entanto, penso que esta as transcende. O BOA, acrónimo que V. Exª usa para designar o seu Bastonário afirmando que o mesmo pinga veneno, devo lembrar-lhe todavia que a boa é uma serpente constrictora, está erradamente apliacado e a ser assim o seu uso e a animosidade daí decorrente só se explica por talvez…o mesmo vos estar a apertar os calos.
    Eu que constato, pelo que já vi que V. Exª. é boa (bastante original e assertiva) e jovem, perdoo-lhe a diatribre contra o seu Bastonário. Compará-lo com a Exmª Senhora Ministra da Justiça, antiga animadora de programas de televisão nos quais procurava o seu espaço ( V. Exª. não se deve recordar porque com toda a certeza nessa altura brincava com os seus Barriguitas, penteava as suas Barbies, ou quiçá assistia sentada de perninhas à chinês em frente à sua TV ao Clube Mickey ) é como dizem lá pelos lados da sua bancada, por vezes com muito acerto, “pura chicana política”.
    O seu Bastonário, alvo preferido das grandes sociedades de advogados e dos interesses instalados, transcende em muito o papel de representante, para o qual foi eleito, de uma classe profissional.
    Ele, goste-se ou não do estilo e eu por vezes não gosto, é uma voz lúcida, interventiva e necessária a este país.
    Respeitosos cumprimentos

  24. Como diria Sir Humphrey, ou aliás o seu Ministro, «- ESTOU SIDERADO!».

    Este mesquinho, totalmente inesperado (no conteúdo e na forma) e profundamente deplorável texto, provindo de uma individualidade que, apesar de desconhecer em absoluto, bastante admiro, prova cristalinamente duas coisas terríveis:

    1ª) A “élite” jurídica portuguesa atual, formada pelas escolas superiores privadas e públicas (olha o pide Suarez Martinez a rir-se no retrovisor!), vive e, ainda pior, labora envolta numa carapaça de formalidade oca e de tal modo blindada, que a tornou inumanamente insensível a todo e qualquer vestígio de materialidade e essencialidade no exercício do Direito – e só isto já é absolutamente DRAMÁTICO!

    2ª) A Isabel Moreira representa, nem bem nem mal, uma geração de mentes jovens completamente enoveladas e desprovidas de estrutura mental, filosófica e ética, fruto do Ensino nacional pós-Veiga Simão e à qual, mesmo até quando individualmente se detetam elevadas qualidades intelectuais e morais, como indiscutívelmente é o caso desta Autora, escasseia a capacidade de entender a sua intervenção cívica e política no contexto social e histórico que vivemos, resultando numa “praxis” irrelevante e estéril, sem pedagogia, sem consequências, sem “inscrições” e sem quaisquer frutos na mentalidade coletiva – e o presente estado anómico da opinião pública nacional é bem o espelho dos resultados da ação “concertada” de Jornalistas, Comentadores, Intelectuais, Políticos, Académicos e outras Pessoas Socialmente Influentes, desta mesma geração, ao longo dos últimos dez ou quinze anos, pelo menos (com louváveis mas diminutas exceções)!

    Digo tudo isto com bastante mágoa, depois de há poucos dias ter aqui confessado que a minha única e honrosa representante na atual Assembleia da República era (e ainda é, não sei agora é por quanto tempo mais…) a Deputada Isabel Moreira. Muito desanimador.

    _______________________________________

    Não vou aqui opinar sobre o BOA – o acrónimo porventura mais infeliz e debilóide da última centúria na Política portuguesa… -, que me parece apenas ser alguém que pretende “escrever direito”, ainda que por linhas eventualmente “tortas”.

    Sei apenas que quem não demonstra capacidade para ler e compreender o que se escreve direito, apenas por as linhas estarem tortas, acabará sempre a “escrever torto”, ainda que por linhas impecavelmente… Direitas!

    Mas desses não rezará o retrovisor.

  25. Isabelinha
    Limpe a boquinha a estes guardanapos!
    Para a próxima pense antes de escrever e não se deixe iludir por modelos execráveis (o daquela a que chamam ministra).

  26. Pergunta (bastante) perturbadora: acaso este artigo teria visto a luz do dia se fosse, ao invés, “o Ministro Paulo Teixeira da Cruz” e “a Bastonária Antónia Marinho Pinto”? Estará porventura aqui a “causa” para este texto tão desconcertante?

  27. no fim destes comentários só te resta fazeres as malas e mudares de mansinho para um blogue de apoio ao regime, o basófias do amorim não era má ideia.

  28. Mas onde é que o bastonário — e verdadeiro baluarte da defesa das liberdades e garantias neste país — usou de «calúnias»? Desde quando é que o direito à opção pela vida em comum sem matrimónio oficial se tornou condenável ou vergonhoso? Dadas as campanhas da autora do post, será possível que ela não reconheça esse direito apenas às ligações heterosexuais? «Calúnias» porquê?!

  29. Ao usar a fórmula «nomeou este e aquele que ainda lhe são chegados assim e assim» para designar as relações da ministra, a autora do post não faz mais do que sublinhar a dificuldade de designar a relação familiar, e indirectamente a correcção do bastonário ao usar a simples palavra «cunhado».

    Como é que queria que ele designasse o «assim e assim»?

    «Irmão do amante»? Ridículo. «Irmão do namorado»? Pior ainda. «Irmão do homem com quem mantém uma relação de vida em comum publicamente assumida»? Comprido e tendente a desviar do único ponto de interesse que era a proximidade familiar e não o modo conjugal ou as opções de vida da ministra.

    É óbvio que a melhor e mais bem educada fórmula se resume à palavra «cunhado». Onde é que está o escândalo «pidesco», uma vez que a relação conjugal de facto é pública?

  30. Assino por baixo do que disse, Isabel. É curioso verificar que os principais apoiantes de Marinho Pinto não são de Direito. Quanto ao estilo do mesmo dir-se-á, muito simplesmente, que num Estado de Direito é inadmissível que se calunie tudo e todos. Muitas das situações que o Bastonário diariamente descreve são passíveis de enquadramento criminal. Se assim é porque será que o mesmo não as denuncia aos órgãos competentes?
    A única explicação que encontro para o apoio ao Bastonário é a profunda desilusão das massas com a política que temos, bem como a falta de acesso à informação. Assim, quando um qualquer populista serve de caixa de ressonância de soundbytes, “As universidades não prestam, os licenciados são lixos, os grandes escritórios estão pejados de mafiosos”, as pessoas aplaudem sem sequer se preocuparem com saber se há, ou não, um mínimo de sustentação fáctica, se há provas para as acusações.
    Quando Marinho manda as pessoas, de forma elegante, iodarem-se e ataca juízes, procuradores, advogados, estudantes, as pessoas gostam. Não lhes interessa a justeza das acusações, o facto é que se sentem a descarregar as suas frustrações “ex vi” do Bastonário e isso sabe-lhes bem. Ora, nao haveria mal nenhum se não houvesse terceiros atingidos na sua honra e dignidade, mas havendo só posso qualificar como preocupante o apoio prestado a Marinho. Mas claro que enquanto um dos Ilustres comentadores não for vítima do Bastonário, para quê preocuparem-se, não é?

  31. “É curioso verificar que os principais apoiantes de Marinho Pinto não são de Direito.”

    se calhar queriasdizer de direita. topa-se à distância que foi apoiado pelos enfermeiros, electricistas, estivadores e polícias, caso contrário não conseguia votos suficientes para ser eleito.

    “Muitas das situações que o Bastonário diariamente descreve são passíveis de enquadramento criminal. Se assim é porque será que o mesmo não as denuncia aos órgãos competentes?”

    a pergunta correcta deveria ser: porque é que o bastonário não é processado?

    “Mas claro que enquanto um dos Ilustres comentadores não for vítima do Bastonário, para quê preocuparem-se, não é?”

    os comentadores são vítimas da justiça, se queres mudar o bastonário paga as cotas e organiza-te.

  32. Eu respondo-lhe caro anónimo.
    1º Eu não sou de direita, nunca votei num partido de direita mas isso de apoiar determinadas pessoas só porque estão conotadas com uma determinada força política não me convence. Reconheço valor a pessoas que não são do meu quadrante político e não o reconheço a pessoas que são. Há alguma contradição aqui? Nao me parece.
    E isso dos votos suficientes não procede porque Marinho Pinto foi eleito com 30% dos votos dos Advogados. Ou seja, nem teve uma maioria absoluta (considerando só os advogados) e que eu saiba, os demais licenciados em Direito não votaram (juristas, procuradores, juízes)…
    2º Porque é que o Bastonario não é processado? Muito simples, por força das generalizações que faz, ser-lhe-ia muito fácil dizer que não tinha atingido especificamente a honra da pessoa X e assim seria absolvido. De facto, é muito mais fácil generalizar sem referir situações concretas. Nunca disse que o Bastonário era parvo.
    3º para pagar as cotas tinha de estar inscrita na Ordem. Ora, nunca disse que estava e isso dos comentadores serem vítimas da justiça não deveria contribuir para apoiarem alguém que sistematicamente insulta os outros. Com o devido respeito, faz-me lembrar aquelas pessoas que depois do trabalho vão ao supermercado e descarregam as frustrações no caixa.
    4º Naturalmente os comentadores têm direito a propugnar a opinião que bem entenderem. Pela minha parte, só gostava que houvesse uma análise fria à conduta do Bastonário e independente de simpatias partidárias.

  33. oh minha! isso é uma resposta que não responde, se não vejamos:

    1 – afinal os resultados são ilegais e o gajo não foi eleito. era escusada a vitimização direitola.

    2 – foste tu que disseste que havia enquadramento criminal, mas ninguém pega nisso porque se podem queimar e assim como assim é melhor ficarmos nas generalizações do que aprofundar os casos. o mundo não acaba hoje e amanhã voltará a haver eleições para bastonário, afinal a democracia ainda é um mal menor.

    3 – olha, se quiseres votar tens de te inscrever e pagar as cotas, aquilo não é bem como no futebol ou nos partidos de direita. para frustrações na caixa aconselho-te as peixeiradas da ministra.

    4 – vais ter de esperar por novas eleições na ordem, em democracia é assim. entretanto pode ser que pingue algum golpe de estado e o bastonário passe a ser nomeado pelo escritório do cunhado.

  34. Caro anónimo,

    Quando alguém é tão eloquente como o caro anónimo é deixo de responder. Nem todos gostamos de discutir no lamaçal…

  35. oh das elequências! os corajosos lutam na lama e os cobardes despejam lama na ventoínha. por acaso viste por aí a intrépide dótoura isabel a defender o que escreveu?

  36. Só acho curioso a Ana afirmar logo de entrada que a maioria dos que estão a favor do Bastonário não são de Direito!?! Como é que sabe???
    Não vou entrar em mais comentários, pois sobre o texto da Isabel já tudo foi dito, mas quero apenas informar a Ana de que sou “de direito” da “Clássica” e suspeito – suspeito precisamente ao contrário de si – que muitos dos que aqui “comentaram” a favor de Marinho Pinto também têm essa formação.

  37. Duas atitudes exemplares:

    Ministra da Justiça:
    http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2161617&page=1

    «… questão do ónus da prova, como se isso não sucedesse ao pontapé no que respeita aos crimes no âmbito fiscal. Aí nunca houve vozes a levantarem-se contra o ónus da prova…».

    Bastonário Marinho e Pinto:
    http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=2044679&opiniao=Ant%F3nio%20Marinho%20Pinto

    «Quando num estado de direito democrático ouço proclamações de juízes de direito contra o que apelidam de «excesso de garantismo» processual em direito penal; quando ouço juízes de direito a reivindicar publicamente – sem corarem – o direito de condenarem arguidos em julgamento com base em confissões prestadas a outros magistrados noutras fases processuais; quando vejo essa aberração que é o sindicato de juízes portugueses atacar publicamente advogados que no exercício dos deveres do mandato exigem o respeito dos direitos dos seus constituintes; quando vejo o Parlamento da República legislar a reboque de um tablóide sensacionalista de Lisboa e do seu cortejo de magistrados fundamentalistas, de políticos oportunistas, de advogados sequiosos de exibição mediática e da turba de justiceiros ignorantes que exigem sempre leis mais duras e penas mais pesadas para todos os crimes; quando, nessas circunstâncias, vejo o Parlamento da República aprovar a criação de um novo tipo legal de crime, o enriquecimento ilícito, cuja única novidade consiste em eliminar as garantias processuais que distinguem o processo penal de um estado moderno do da Inquisição – quando vejo tudo isso no meu país já não tenho dúvidas de que estamos à beira de transformar o direito penal num instrumento de terror ao serviço de objectivos que nada têm a ver com as finalidades específicas do direito em geral. Infelizmente, em matéria de justiça, já não estamos muito longe dos períodos mais obscurantistas da nossa história.»

  38. Isabel,
    Um post lamentável, conteúdo reles e intenção que transparece canalha, pleno de ressaibo e absolutamente indigno de si, na minha opinião… uma coisa tão mazinha do princípio ao fim que vejo difícil apontar com segurança o ponto alto da baixaria. O paralelo com a PIDE é particularmente patético,é certo, quer pelo absoluto despropósito quer pela ignorância histórica que revela, mas como esquecer a presunção de cátedra (‘Compreender, por exemplo, o nosso sistema constitucional sem ler todas as constituições – e a carta constitucional – desde 1822 até agora é impossível.’ ) ou a triste, confrangedora, defesa da ministra? Como esquecer não sei, mas sei que tudo isto é para esquecer – e suspeito mais: que você própria, a Isabel Moreira a sério, vai um destes dias olhar para o que aqui escreveu e ver clara a infâmia que agora lhe escapa, desejando muito lá por dentro não ter ido por aí.
    Não vejo necessidade de bater mais no ceguinho, afinal todos temos direito aos nossos momentos infelizes e quem nunca fez figuras tristes que atire a primeira pedra.
    Aceite os meus cumprimentos, Isabel. Sinceros.

  39. A leitura do poste da Ana, levou-me a ir à procura do seu. De há muito sabia a animosidade que a anima ‘deixe lá o pleonasmo’ em relação a AMP. Também de há muito me habituei a concordar consigo na ordem dos 60/70%, ainda agora na votação do orçamento de estado, me senti altamente representado na sua pessoa. Mas deixe-me dizer-lhe, este poste não é digno de si. AMP, com os defeitos que eventualmente terá, é o solo a clamar no pântano em que paulatina mas perseverantemente vamos submergindo.

  40. quando gentes se sentem iluminados

    sabe-se lá como e porquê…

    e se pensam projectados a mudar o mundo às suas mãos, pensamentos,
    substancialmente vazios

    então

    o disparate, o exibicionismo, a idiotia
    estão ali à esquina

    esperando, afagando, o ego enorme
    de gente em mera incubação de personalidade, caracter

    que são coisas só tempo e experiencias de vida permitem, fazem, moldam

    MPinto terá defeitos…

    mas quem, nestes tempos recentes, mais lutou com coragem
    de cara e peito feitos
    contra injustiças protagonizadas pelso grandes tubarões desta nossa sociedade

    a começar pelos grandes escritorios de advogados????

    Ana? Isabel?

    se calhar sim

    e eu que não dei por nada…

    defeito meu

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.