Só nos saem duques

João Duque foi hoje sovado no Fórum da TSF e saiu de lá prostrado em maca. Nuno Santos, pela RTP, levou-o ao tapete. E depois apareceu António Pedro Vasconcelos para um exercício de pura carnificina. Mas o espantoso é que Duque merecia levar mais, muito mais. Esta figura que se notabilizou na SIC por difamar o Governo anterior, fazendo parte da legião de comentadores cuja única agenda era espalhar o pânico e promover o ódio, aceitou liderar um grupo de trabalho numa área em que não percebe patavina de nada. Está ao nível de qualquer outro cidadão que se limite a consumir televisão desde que nasceu. Todavia, foi para a cabeça deste grupo apenas munido dos seus preconceitos e raivas de estimação para despachar um documento onde a ignorância compete com o delírio.

O que tresanda no Relatório é o asco à possibilidade de existir um espaço informativo imune às escolhas dos donos dos grupos de comunicação social. Pelos exemplos dados na TVI do casal Moniz e na SIC de Balsemão, onde se fez e faz manipulação da informação ao serviço de interesses partidários, fica claríssimo o intento de entregar aos critérios privados de conjuntura a ocupação do espaço noticioso e opinativo. Isso choca tanto com a percepção da genérica isenção da informação na RTP e RDP como com os benefícios sociais e culturais que essas empresas também geram naquilo que é um verdadeiro serviço público especificamente pelos produtos jornalísticos os mais relevantes e eclécticos.

Toda a actividade deste grupo de reflexão, começando na escolha do elenco e acabando na sua desautorização ministerial ainda antes de ter terminado o trabalho, é um exemplo crasso da anedota em que consiste a elite intelectual da actual direita partidária.

20 thoughts on “Só nos saem duques”

  1. “é um exemplo crasso da anedota em que consiste a elite intelectual da actual direita partidária”

    Nada mais verdadeiro. A maior escumalha deste país!

  2. este pelotão de fuzilamento da rtp, como alguém os apelidou, ilustram bem a desgraça intelectual que nos governa actualmente. foram escolhidos a dedo pelo relvas para tratarem de meter no papel aquilo que ele, relvas, queria. mas não chegou esta sabujisse destes desgraçados ‘sábios’. deixaram-se ainda pisar pelo relvas ao serem ultrapassados pelo anúncio do plano para a rtp proposto recentemente (com a excepção de 3 dos membros iniciais desta comissão que acharam que isso já era um pouco de mais). tudo isto ilustra bem o nível desta gente. no fundo isto já era de esperar de gente do calibre do dito duque, de um zé manel, de um cintra torres, gente que medrou no ambiente de pocilga que se instalou na comunicação social portuguesa nos ultimos anos.
    só espero que o corpo docente do iseg veja isto e acabe com a publicidade negativa que é ter o duque a conduzir o seu destino (a par dessa boçalidade que é o cantiga).

  3. Parabens Val, eu não diria melhor.
    João Duque, o Inquisidor-mor, mais os Torquemadas Cintra Torres e Zé Manuel Fernandes fizeram o papel de lacaios do Ministro da Propaganda, mas como este já tinha decidido o que ia fazer com a Rêtepê, recebeu o relatório e lançou-o no lixo.

  4. Para completar o belo ramalhate com as flores do entulho podem ver o título do C.M. hoje – «comissão fecha canais da RTP». Óbvia mentira – a comissão apenas recomenda; não pode fechar nada…

  5. excelente post, mas eu terminaria com ” é um exemplo crasso da anedota em que consiste a elite intelectual que tem voz nos MCS.” O Duque é uma anedota, subscrevo, palavra a palavra, mas a elite pensante do PS, pelo menos a que tem voz, tornou-se de tal forma um vazio ideológico, igualmente anedótico, que permitiu que as aberrações dos Duques e LDA, tenham tribuna.

  6. RR, qual é a elite intelectual do PSD? Duarte Lima, Dias Loureiro, valentim Loureiro, Oliveira e Costa, Cavaco, Mira Amaral, Santana Lopes, Marques Mendes, Menezes…Queres que continue?

  7. passaroika e dai? 4 são, o resto não. Isso faz por acaso do vara , godinho,paulo campos, carlos melancia, jorge coelho, vitalino canas pessoas honestas e limpas?

  8. João Duque queria um tachinho e Relvas deu-lhe um para se entreter durante uns mesistos. Qualquer outra conclusão é pura fantasia.

  9. …bater no duque é só isso …seja de copas ou de paus não passa de um «duque» e foleiro…o que é necessário e importante é desmascarar a operação montada pela direitola sarronca à pala dos «troikanos»…a imposição da cartilha «pontal » à revelia da constituição…e não se pode contar com o tipo da coelha para vetos…espero que a oposição pelo menos e uma vez e ao menos sirva o país…é imperioso solicitar a fiscalização de toda esta trama esquemática que tem como único objectivo desmantelar o Estado…vingar a morte do velho «estado novo»…impor-nos o «eixo»…

  10. Olha ó rr, na lista da idiota intelectualidade psd podem e devem meter-se à frente o ppc, o relvas, o bacoco alvaro, os alarve macedo das polícias e o alarve pedante ministro dos militares, a louraça estalinista da justiça, e quase todos os outros fadistas gingões do actual governo sem qualquer qualidade quanto mais intelectual.
    Basta ouvir o ppc a explicar qualquer assunto vulgar: um verdadeiro mestre-escola a explicar a crianças deixando-as ainda mais baralhadas que antes. Um patareta que só num país de reerres conseguem atingir democráticamente o poder.

  11. A importância de um serviço público de televisão, devidamente supervisionado por instituições credíveis e que de alguma forma tenham alguma legitimidade democrática, devia ser evidente nos dias de hoje. É pensar no poder sobre a opinião pública exercido pelo grupo de Murdoch e pelo grupo de Berlusconi.

    Achar que o privado pode fazer tudo melhor que o público é o que se espera de um Duque e, neste momento, de muita gente em Portugal – de tal forma que o serviço público em geral tem sido difamado. É um dogma que está presente na cabeça do nosso 1o minsitro e dos seus jovens turcos – se um privado consegue ser mais eficiente a fabricar sapatos, também vai ser mais eficiente a produzir saúde, educação e informação.

    Questionar se os meios de comunicação de massas não devem ser exclusivamente privados, muito provavelmente nas mãos de 2 ou 3 grupos que assim controlarão a opinião pública a seu belo prazer, não é dúvida que apoquente a fé dos nossos liberais.Se o mercado assim o desejar, porque o mercado tem sempre razão, que venha mais um Berlusconi.

  12. Quanto à limitação da informação nos meios públicos “ao essencial”, para evitar “a intervenção ilegítima ou eticamente reprovável dos diferentes poderes na informação da rádio, TV e agência do Estado”, considero uma ideia absurda, porque significa um atestado de incompetência às direcções editoriais dos meios de comunicação públicos e prenuncia o fim do serviço público de informação. Basicamente é isto: se um meio de comunicação estatal só difunde as inócuas notícias de agência limitadas o mínimo, deixa de ter razões para existir. Donde, é o fim do serviço público de informação.

  13. O que eu acho mais obsceno no relatório desta canalha, pomposamente intitulada “Grupo de trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social” é o quererem justificar a redução ao silêncio do serviço público de comunicação social, e muito particularmente da vertente informação, com o sofisma de que “não há ditadura – a começar pela portuguesa (1926-1974) – que não tenha desenvolvido aparelhos de comunicação e propaganda financiados pelo Estado”.

    Pois, como o Hitler fez auto-estradas, uma democracia liberal não deve fazê-las. Como o Mussolini fez a Cinecittà (ainda hoje propriedade do ministério da Economia italiano), o regime democrático italiano deveria tê-la fechado.

    Essa canalha abjecta, apostada em calar a informação mais isenta que há em Portugal, vem com o argumento de que os ditadores se serviram da comunicação social para a propaganda!

    Argumento igualmente falacioso, ignorante e imbecil é o de que “o chamado ‘serviço público’ de comunicação social, maxime de televisão, cujo modelo se desenvolveu na Europa ocidental depois da 2.ª Guerra Mundial, é um fenómeno histórico que se deve essencialmente à escassez de meios financeiros e tecnológicos privados”.

    O modelo é posterior à 2.ª Guerra? Grandes imbecis! Então e a BBC, criada em 1927, verdadeiro modelo mundial, então e ainda hoje, do serviço público de comunicação social?

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