Monocultura do descontentamento

O PCP e a CGTP são, de facto, farinha do mesmo saco. É a eles que assenta como uma luva a imagem farinácea com que costumam atacar e difamar os outros.

Farinha do mesmo saco e infestada pelo mesmo gorgulho. PCP e CGTP vivem ambos da exploração em monocultura do descontentamento. É exclusivamente com as ferramentas do protesto, da reclamação e da obstrução que mantêm o funcionamento da máquina. Não sabem fazer outra coisa senão explorar politicamente em seu proveito os problemas, carências e misérias dos trabalhadores, se exceptuarmos as lambidelas no cu do Estaline, os beijos na boca do Brejnev e os preparativos de guerra civil em 1974-1975.

O PCP é um partido sindical, mas no pior sentido do termo: egoísmo sectário, irresponsabilidade social, maquiavelismo político, desprezo pelas necessidades reais daqueles cujo descontentamento explora e chula.

Um sindicato tem, num país normal, funções e objectivos úteis, como a prestação de diversos serviços aos trabalhadores e a prossecução de uma estratégia de criação de emprego. Quando assim é, a taxa de sindicalização é alta e toda a gente entende para que existe uma organização sindical. No Norte da Europa, os sindicatos sabem o que é negociação construtiva, ajudam eficazmente a resolver os mais diversos problemas individuais e colectivos dos trabalhadores e batem-se todos os dias nos terrenos político e económico pela criação de postos de trabalho. Os sindicatos têm vida própria, força na sociedade e na economia e poder autónomo dentro dos partidos.

Aqui não. Os sindicatos, que no sector privado raramente atingem os 10% de taxa de sindicalização, são meras agências da seita partidária a que pertencem. O partido, com 7% dos votos, é uma máquina de protesto moldada pela pior filosofia sindical, apenas preocupada em chular os descontentamentos em proveito próprio. São a imagem um do outro.

Restam-lhes as manifestações e as “greves gerais” para dar a ilusão de que têm força, atraindo para isso tolos de várias procedências que só sabem reclamar, protestar e votar com os pés.

Há porém duas coisas em que esses tais tolos não são tolos: não lhes dão a quotização sindical nem o voto. É só fazer as contas, como dizia o Guterres.

Oferta do nosso amigo Júlio

3 thoughts on “Monocultura do descontentamento”

  1. Há muito que este gentalha se está a marimbar – para não dizer palavrões – para o povo com que tanto gostam de encher a boca nojenta.
    Este bando minoritário lembra as testemunhas de Jeová – poucos, convencidos que muitos, pregando “verdades” que até eles sabem que são rematadas mentiras.
    A ultima foi “alargar” a área do Terreiro do Paço por forma a caberem 300.000 pessoas sem terem sido compelidas mais de 2/3 a iniciar, a nado, a travessia para Cacilhas. Esta gente não tem pudor de manipular números de forma tão grosseira que chega a cheirar a insulto a quem AINDA lhes dá ouvidos.
    Raios os partam!!!

  2. Depois da entrada em estado vegetativo da UGT após o último acordo na concertação (!) social, a CGTP ficou com o caminho livre para a instrumentalização coletiva.
    Sabendo que tem nos transportes um dos mais fiéis suportes e na função pública uma arma de arremesso de peso, face aos tristes sindicalistas que se arrastam na maioria das empresas e graças também à cegueira dos que preferem ficar de fora dos sindicatos porque assim ficam com mais uns cobres para as férias com tudo incluído e para as voltitas de fim-de-semana, resta-nos apenas esperar que a turba desordenada atinja o poto de rebuçado e façla alguma asneira onde um desgraçado qualquer ainda se aleije a sério mesmo que a sua culpa seja diminuta face à reação excessiva.
    Para isso contribuiram todos os partidos políticos, pois partidarizaram a vida sindicval até ao absurdo sendo apenas veios de transmissão dos partidos na luta eterna pelo poder.
    Ou os trabalhadores pegam nos sindicalistas da treta e dão-lhes o pontapé no local certo e atempadam,ente ou desconfio que o patronato vai, mais uma vez, sair a rir do meio desta mixórdia toda, salovo se entretanto não aparecerem para aí algumas chaimites remodeladas em noite de confusão.

  3. “Restam-lhes as manifestações e as “greves gerais” para dar a ilusão de que têm força, atraindo para isso tolos de várias procedências que só sabem reclamar, protestar e votar com os pés.”

    Caro Júlio, acuso-me já como tola que participei mas que sei fazer mais coisas do que protestar, reclamar e votar com os pés, embora não veja o que pode ser tão irritante na reclamação e no protesto: não é isso que fazes aqui? E quem me garante que não votaste com os pés?

    Sabes uma coisa? Esse teu discurso maniqueísta e panfletário sobre os tolos fez-me lembrar imediatamente os discursos do Jerónimo, Arménio, e Cª…De tanto te quereres demarcar, ficaste igual…Tolo.

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