Encafuados na toca

A entrevista de Passos Coelho confirmou a percepção que se tem dele desde que foi considerado persona non grata pela iluminada Ferreira Leite: existem mais espaços vazios entre as suas duas orelhas do que entre a Lua e a constelação de Centauro*. Com regular cadência, objectos variados atravessam esses espaços. O último foi a ideia de que o Banco Central Europeu, afinal, e evidentemente, se calhar, pois é, até devia ser mais interventivo. Mas não se espere que Passos saiba donde vêm esses objectos, sequer para onde vão, porque o seu vácuo espacial é demasiado extenso e tenebroso para que ele consiga descobrir a direcção destes corpos velozes.

Já a discussão posterior na SIC Notícias confirmou que David Dinis, editor de política no DN, é um fanático laranja. Não que precisássemos dessa confirmação para alguma coisa, posto que o jornal do Marcelino foi transformado num pasquim ao serviço do PSD durante a campanha eleitoral para as legislativas. O que tem interesse é observar como os patrões da imprensa se deixam afundar num sectarismo político que só piora a crise em que estão mergulhados por díspares e complexos factores. Pois que se fodam todos juntos.

Finalmente, também ficámos a saber que a deliciosa Ana Lourenço acha que o anterior Governo devia ter chamado a Troika muito mais cedo. Aqui, tenho um conselho a dar: Ana, cuidado com as companhias, especialmente as de televisão.

22 thoughts on “Encafuados na toca”

  1. E o entrevistador.

    “Foi bem claro”
    “Viu o conflito interno no PS”
    “Vai consegui-lo a médio ou longo prazo”
    “Isso foi feito, sim”
    “Redistribuindo esses sacrifícios”
    “Foi bem claro”
    “Foi bem claro”
    “Não há folga neste orçamento”
    “Foi bem claro”.
    “Muito bem”
    “Tem que ser”
    “Muito bem, foi bem claro”
    “E o presidente, se …já será um problema”
    “E (o presidente) não atrasou algumas coisas?”
    “Com o devido respeito”
    “Sim, claro, claro”
    “Muito bem, foi bem claro”
    “Traduza lá isso para os portugueses”
    “Vai cortar a direito nessa área”
    “Foi bem claro”
    “Muito bem”
    “Foi bem claro”

    Perceberam telespectadores, o primeiro fala claro.
    Muito bem, digo eu, tudo muito claro.
    Tudo Dominado.

  2. Caro Valupi,
    Não vi a entrevista do pm embora tivesse passado pela estação e visse que estava a ser entrevistado. Não vi deliberadamente pelo mesmo motivo que deixei completamente de comprar ou ler jornais: porque não acredito neles.
    Quando concluo que um jornal ou um tipo é aldrabão deixo de confiar e portanto não me interesso mais por tais jornais ou gente que aldraba. Com os jornais e tv só ficamos desinformados com a contra informação e manipulação metida pela rapaziada do relvas e seus muchachos através dos “sovietes” que introduziram nos media.
    Esse dinis do “dn”é um exemplo exemplar. Exemplar de fretista à cata de obter umas migalhas que caiam da mesa do orçamento, como o ratinho jgf, o camilo dos gráficos à medina carreira, o marcelino janota afadistado, o macedo e quase todos os comentadores que nos impingem, e todo o quadro do “cm” e quase tudo que por lá usa a caneta.
    Quando uma das senhoras fazia afirmações menos abonatórias dos elementos do governo o dinis até mordia os lábios de raiva. Quando a da direita, vista do lado do espectador, cascou no paulinho das feiras, agora promovido a paulinho das feiras internacionais, pela sua política de vendedor mundial em vez de, neste momento crucial em que tudo se joga na política em Bruxelas, estar fazendo diplomacia junto dos parceiros europeus próximos ou com afinidades de problemas connosco, no sentido de fazer vingar soluções boas para o país. E citava Luis Amado que fazia esse trabalho de forma inpecável e conseguia ser ouvido e mudar opiniões e obter votos favoráveis.
    O dinis retorcia-se na cadeira e, muito mais se retorceria se ela lhe dissesse, o que provavelmente sabe bem, que o paulinho é todo ele palavras e “truques” em quem ninguém acredita ou confia, muito menos para fazer negócios sérios. Que vai, isso sim, fazer novos negócios por corrupção como todos os que fez no anterior governo onde esteve. Até a compra das “pandur” já estão como os submarinos afundados na corrupção pelo modo das “compensações”.
    Quanto ao pm, coitado, não tem cabeça para mais, então é guiado ideologicamente pelo gasparatroika e na acção pelo guerrilheiro relvas. Um pau mandado que pode tornar-se perigoso: todo bronco no poder tende um dia a mostrar aos pajens quem manda e aí o perigo da estarolice rebentar com o país será maior ainda.

  3. Leitor dedicado dos textos de Val, mas embirrento com estas pequenas distrações como sou, não posso deixar de assinalar que uma constelação não é mais que uma área delimitada da esfera celeste, logo não faz sentido falar da distância da Lua a uma constelação (excepto num sentido angular, num determinado momento). Um planeta é um corpo com uma determinada posição; uma constelação é uma convenção para delimitar direcções no espaço. Pode por exemplo dizer-se: «o planeta X está neste momento a passar pela constelação Y da eclíptica».

  4. Risos! “Pois que se fodam todos juntos.” Belo mote para um discurso mobilizador (lembram-se do que era isso?). Thanks, Val.

  5. David Dinis foi de jornalista para ser assessor de imprensa de Durão Barroso, primeiro-ministro.

    Nada contra, um tipo pode ser jornalista e ter tendências políticas. O pior é o ódespois.

    Quando Barroso foi para a Comissão Europeia, David Dinis assentou arraiais como editor de política do Diário Económico e estreou-se menos de uma semana depois com uma entrevista cheia de recados a Morais Sarmento, ministro da Presidência.

    Entretanto, resvalou dali para editor de política no DN, já não sei com que director.

    Pelo caminho, não me lembro dos contornos entregou o cargo por Marcelino discordar da publicação de algo em que Sócrates apanhava, e andou por esse movimento Informação é Liberdade que fez frente à criação da ERC, integrava gente vária, quase toda bem pouco recomendável enquanto jornalista e mais fadada para o comissariado político e umas boas centenas de idiotas úteis convencidos que a auto-regulação da corporação é panaceia dos males de que sofrem

  6. se o david dinis fosse um agitador rosa ai se calhar já o sectarismo seria visto com os olhos diferentes, mais benevolentes ahaha

  7. ERT, Parece-me que teu o problema é que achas que um jornalista deve ser um comissário político. O bom jornalista é o que te faz fretes bem como aos teus.

  8. Val, cada vez reajo menos porque já tudo foi dito sobre esta corja de ladrões agora no poder!
    Mas não resisto a corroborar o comentário maioritário de “Que se fodam todos!”. Havemos de resistir, mas vai correr muito suor e lágrimas, lá isso vai, até que a esquerda TODA perceba que deve ser o reformismo essencial a unir-nos e não o permanente folclore revolucionário com amanhãs impossíveis a dividirnos…!

  9. “até que a esquerda TODA perceba que deve ser o reformismo essencial a unir-nos e não o permanente folclore revolucionário com amanhãs impossíveis a dividirnos…!”

    Pois, o drama é que para mal dos pecados da social-democracia nos últimos anos a História não tem parado de dar razão aos revolucionários que anunciaram o que aí anda em toda a Europa e as eleições não têm parado de dar razão aos adeptos francos (e não envergonhados) do neo-liberalismo.

  10. É aliás óbvio, M.G.P. Mendes, que a falência sistémica de todo o sistema não se resolve já com virtuosas reformas. Só com uma mudança generalizada que recoloque a democracia nos comandos dos mercados e o poder financeiro bem controlado quando for caso disso ou na cadeia, nos muitos casos em que a merecem.

  11. não nm,. interpretaste mal o meu comentario. Sendo que o post sublinhava que o david dinis era um alegado comissario politico alaranjado, e sendo que sou a favor do jornalismo imparcial e informativo, estava a perguntar se o valupi iria-se peixar do partidarismo dele caso o david dinis fosse “rosado” ou fazendo frente ao ps.

  12. Talvez tenha percebido, mas pode retirar o “alegado” à vontade.

    Tudo que apresento mais acima sobre Dinis é factual.

    Agora, na minha opinião, e vinco na minha opinião, David Dinis, Paulo Pinto Mascarenhas (no CM) ou António Ribeiro Ferreira (jornal i) não andam pelo jornalismo para fazer jornalismo, mas sim para formatar leitores e orientações editoriais trazendo-as para próximo do PSD e do CDS-PP. Não por acaso é tudo gente forjada em centros de spin como O Independente e em assessorias políticas. Bruno Proença que é chefia de um qualquer económico e presença frequente no comentário também teve a experiência de ser porta-voz salvo erro de Amílcar Theias.

    O que faz a qualidade do jornalismo não é fazer fretes ao partido do que gosto mas a tentativa de alcançar a verdade. Nos anos mais recentes, o socialismo não tem tido propriamente jornalistas ao seu serviço, saídos de assessorias de imprensa. Há gente próxima, como Fernanda Câncio, Sousa Tavares mas expressam mais uma visão individual e assinada do que geram uma lógica disseminada assente nas escolhas editoriais.

    E se durante muito tempo Marcelino andou próximo de Sócrates isso deveu-se mais à sua lógica de semear para colher, embora tenha estado muito bem em casos como o das escutas de Cavaco.

  13. O melhor ainda foi aquela pseudo jornalista MJ Avilez a traduzir para os pobres de espirito a entrevista do Coelho, o presidente do conselho!! Mas como está há 48 horas a olhar para um computador a probabilidade de dizer merda sobe exponencialmente! Só possível mesmo na esterqueira do crespo!!

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