Loucos do meu país

Desde que comecei a escrever neste blogue, em 2005, que imagino estar a ser lido por não mais do que vinte pessoas. Sei bem que há outros números, mas para mim são simbolicamente vinte aqueles que escolhem gastar por aqui o seu tempo, tal como o poderiam fazer num café ou tasca. E, tal como numa tasca ou café, bar ou adega, os vinte espalham-se pela sala; uns nas mesas, outros ao balcão, uns jogando às cartas, outros na conversa, uns a sonharem acordados, outros sem conseguirem acordar dos pesadelos que trazem. Pois bem, vou pedir um momento de atenção geral para me ajudarem. Preciso de saber se ainda conservo a sanidade mental ou se enlouqueci. Ora, leia-se esta transcrição do interrogatório que o inspector Marcelino fez ao suspeito Noronha do Nascimento:

As escutas foram destruídas, de facto?

Isso agora escapa-me. O juiz de instrução criminal de Aveiro, daquilo que vi no processo, é um juiz tecnicamente muito bom. Mandou destruir três lotes que lhe chegaram. O último [lote] já não foi com ele. Não sei se foram destruídas, não faço ideia. As de Aveiro foram destruídas, tanto quanto sei. Já ouvi dizer entretanto que, depois disso, haverá outras cópias perdidas. O que é uma história mal contada, como é óbvio.

Mal contada porque não será verdade ou mal contada porque será mesmo verdade? Porque admito que seja verdade…

Mas não acredito que tenham sido encontradas meio perdidas. Porque é que há, constantemente, violações de segredo de justiça? Porque há coisas que ficam escondidas ou que ficam retidas.

E porque a justiça não cuida bem dos segredos que tem também a seu cargo…?

Provavelmente. Agora, porque é que nunca veio para a opinião pública o conteúdo das escutas, que, afinal, se descobriu agora que têm duplicados? Porque, provavelmente, não interessa. Aliás, é talvez a demonstração, digamos, da irrelevância delas, e esse foi um dos fundamentos para ter mandado destruir imediatamente as escutas.

Sente-se completamente confortável e à-vontade com as decisões que produziu?

Nunca tive problema de consciência em relação a isso.

*

Perante estas declarações, das duas uma. Se estiver louco, não há nada nelas de incrível ou, para sermos exactos, de impossível. Nem sequer serão graves, podendo ser ignoradas por todas as autoridades nacionais, todos os deputados, todos os magistrados, todos os partidos, todos os jornalistas, todos os cidadãos. E se não estiver louco? Nessa eventualidade, o que aqui temos é isto, senhoras e senhores: o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o Juiz-Conselheiro Dr. Luís António Noronha do Nascimento, do alto dos seus 50 anos dedicados à Justiça, afirma ser prática corrente o desvio de documentação processual por parte de magistrados e/ou funcionários judiciais para efeitos de violação do segredo de Justiça ou perfídias obscuras – e, acto contínuo, invoca essa realidade como prova suprema da bondade da destruição das escutas por si ordenada. Repare-se como a menção à estrita legalidade do seu acto não foi suficiente, teve de se apoiar na violação da Lei para demonstrar a licitude da sua decisão.

Se não estiver louco, então, o que Noronha nos está a dizer é que isto onde pagamos impostos pode ter muitos nomes, mas Estado de direito não é um deles.

E há mais. E pior.

O artigo da lei que dá competência ao presidente do Supremo nas escutas ao primeiro-ministro, Presidente da República e presidente da Assembleia, na sua opinião, está bem redigido? A lei diz “escutas em que intervenham”. Deveria precisar que o presidente do Supremo só intervém quando aquelas três figuras forem alvo de escuta e não apanhadas em escuta?

Está bem redigida. Num despacho, refiro-me a isso. Uma interpretação mais restritiva, como se quis fazer, do artigo, pode levar a um caso de fraude à lei. Imagine que se quer pôr sob escuta o Presidente da República, o presidente da Assembleia ou o primeiro-ministro, mas sem que o presidente do Supremo intervenha. É muito simples: põe sob escuta toda a gente com quem ele contacta, os familiares, os amigos, os assessores…

É a forma segura de chegar a ele…

Exatamente, põe sob escuta todo o seu círculo de amigos. Isto é uma fraude à lei. A lei, a meu ver, está bem redigida.

Podemos pensar nós, cidadãos, que algures no interior do edifício da Justiça alguém pode pensar num esquema desses?

A fraude à lei é um conceito que existe porque ela existe. Os conceitos jurídicos existem, os institutos jurídicos existem porque as coisas existem.

Desabafou uma vez que lhe daria muito prazer que todas as escutas que envolviam o ex-primeiro-ministro fossem conhecidas. Porque é que disse isso? E mantém?

São completamente irrelevantes! Primeiro, são completamente irrelevantes! Segundo, acabava-se o romance. Aliás, penso que o próprio procurador-geral disse isto.

*

Até a malta que teve o infortúnio de já não apanhar o exame da 4ª classe conseguirá, sem dificuldades de maior, perceber este naco de prosa. Nele se diz que quem disparou contra a lei, e contra a decisão de destruir as escutas, estava do lado da ilegalidade. E nele se descreve o que esse lado pretendia: uma conspiração para escutar um primeiro-ministro, usando essas escutas para assassinatos de carácter, derrube político e tentativa de criminalização. Em suma, um golpe de Estado através da Judiciária, do Ministério Público e do Tribunal. Se estiver louco, Noronha está a referir-se a uma situação abstracta, aqui descrita por casualidade temática. Contudo, se não estiver louco, Noronha está a explicitar a mecânica da operação levada a cabo em Aveiro para benefício dos interesses políticos do PSD e da oligarquia – os quais exploraram das formas mais soezes e degradantes os materiais obtidos e as situações provocadas. Chega ao ponto de referir que também o Procurador-Geral da República, outro alvo dos mesmíssimos ataques contra a sua honra, tinha deixado claro que este caso não passava de uma gigantesca fraude com vista a obter dividendos políticos.

Tendo em conta a passividade, a inércia, o estado comatoso das figuras de referência moral da República, as quais se calaram e calam perante as evidências. Tendo em conta a legião de pulhas e cínicos que domina a comunicação social e os partidos, cúmplices desta operação inaudita na democracia portuguesa. Tendo em conta que a politização da Justiça e a judicialização da política funciona só numa direcção, bastando olhar para o correctissimo e exemplar silêncio à volta do poço sem fundo BPN, o qual teria dado um festival de manchetes e programas especiais de informação caso se tratasse de um banco rosa-choque. Tendo em conta que nem no PS, a vítima, se encontra um qualquer laivo de resposta para a magnitude sísmica destas afirmações que põem a nu a podridão das fundações do regime. Tendo em conta tudo isto, queridos amigos, estou em crer que teremos de ser nós os vinte, ou só dez, ou tu e eu se mais ninguém se quiser juntar, a descobrir se estamos loucos ou se é de loucos o país onde estamos.

123 thoughts on “Loucos do meu país”

  1. És completamente louco, Val. E eu também. Os outros 19 que se pronunciem, porque, efectivamente, à volta, é só silêncio. Não é so um país sem Estado de Direito, é um país que não se importa de não o ter.

  2. Efectivamente – Lyrics Letra

    Adoro o campo, as árvores, as flores
    jarros e perpétuos amores
    que fiquem perto da esplanada de um bar
    com os pássaros estúpidos a esvoaçar

    adoro as pulgas dos cães
    todos os bichos do mato
    o riso das crianças dos outros
    cágados de pernas para o ar

    efectivamente escuto as conversas
    importantes ou ambíguas
    aparentemente sem moralizar

    adoro as pegas e os pederastas que passam
    (finjo nem reparar)
    na atitude tão clara e tão óbvia de quem anda a engatar
    adoro esses ratos de esgoto
    que disfarçam ao dealar
    como se fossem mafiosos convictos habituados a controlar

    efectivamente gosto de aparências
    imponentes ou equívocas
    aparentemente sem moralizar

    http://www.youtube.com/watch?v=pb5rX8iVTdo

  3. Até há pouco tempo atrás, 4 dos 7 membros do Supremo Tribunal, eram da maçonaria. Eu cá não acredito em bruxas, mas que elas existem…

  4. Há uma explicação para isto tudo: Noronha do Nascimento é uma das temíveis viúvas socráticas.

    É claro que esta não é a minha opinião mas digo já isto para levar a taça. É que não vão tardar aí os direitolos a exprimir esta opinião.

    E faz-me o favor de não contar espingardas, que às vezes só tenho paciência para ler e não para me misturar com uns gajos que cá aparecem a babar de peçonha direitola este nosso espaço.

  5. oh bécula! tou contigo na cena do orategal, entrada directa no miguel bombarda sem necessitar de observação prévia.

  6. olha, grande novidade: essa explicação vem toda no folheto do disco…
    tell me something I don’t know (boa deixa esta…)

  7. tell me something I don’t know (boa deixa esta…)

    porra que a gaja levanta-se cedo para ler o guardian. armei-me em simpático e levo roda de ignorante, não levas mais música enquanto estivar a amarrar o burro.

  8. Sempre gostei muito, efectivamente, da Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta.
    It was twenty years ago today
    Sgt. Pepper taught the band to play
    They’ve been going in and out of style
    But they’re guaranteed to raise a smile
    So may I introduce to you
    the act you’ve know for all these years
    Sgt. Pepper’s Lonely Heart’s Club Band

    We’re Sgt. Pepper’s Lonely Heart’s Club Band
    We hope you will enjoy the show
    Sgt. Pepper’s Lonely Heart’s Club Band
    Sit back and let the evening go
    Sgt. Pepper’s Lonely, Sgt. Pepper’s Lonely
    Sgt. Pepper’s Lonely Heart’s Club Band
    It’s wonderful to be here
    It’s certainly a thrill
    You’re such a lovely audience
    We’d like to take you home with us
    We’d love to take you home

    I don’t really want to stop the show
    But I thought you might like to know
    that the singers going to sing a some
    And he wants you all the sing along
    So may I introduce to you
    The one and only Billy Shears
    Sgt. Pepper’s Lonely Heart’s Club Band

    E COMO JUNTASTE (e bem) A REPRISE(isto sem ser aos gritos):
    We’re Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band
    We hope you have enjoyed the show
    Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band
    We’re sorry but its time to go.
    Sergeant Pepper’s lonely.
    Sergeant Pepper’s lonely.
    Sergeant Pepper’s lonely.
    Sergeant Pepper’s lonely.
    Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band
    We’d like to thank you once again,
    Sergeant Pepper’s one and only lonely hearts club band,
    It’s getting very near the end,
    Sergeant Pepper’s lonely.
    Sergeant Pepper’s lonely.
    Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band.
    WWWWWWWWWWWOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!
    We’re Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band
    We hope you have enjoyed the show
    Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band
    We’re sorry but its time to go.
    (depois há aqui uma ligação – cortada no bidio – a um dia na vida…video original, com a tecnologia possível…tá tudo bastante alucinado, desde o mick à marianne)

    http://www.youtube.com/watch?v=4xljFT44Y1Y

    Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band
    We’d like to thank you once again,
    Sergeant Pepper’s one and only lonely hearts club band,
    It’s getting very near the end,
    Sergeant Pepper’s lonely.
    Sergeant Pepper’s lonely.
    Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band.
    WWWWWWWWWWWOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!

  9. Francamente, senhores comentadores, acham que este assunto é para brincadeiras?
    A democracia agoniza nas mãos de elites apodrecidas, silenciosas, cumplices da infâmia, abandalhadas e nós assistimos impotentes, acobardados, de orelha caída e tão murchos como vidas secas.
    Eu tenho insistido no silêncio, que agora vou dizer criminoso para com a República, depois desta inaudita entrevista, dos ex-presidentes da república, dos lideres partidários, dos conselheiros de Estado, do governo e da presidencia. E dos “homens bons”.
    Não se erguendo uma voz que seja, de entre as instituições e figuras referidas, depois desta entrevista do PSTJ, resta-nos registar como como facto indesmentivel que Portugal desceu aos infernos.
    Somos bem os filhos da puta da Santa Inquisição. Quem sai aos seus não degenera!
    E eu nâo me excluo destes degenerados, votando neles, resignadamente, há mais de trinta anos.

  10. Pronto. Já não me ralo que seja anónima. A sua é uma voz muito necessária, Valupi. E, nos tempos que correm, é melhor que ninguém saiba quem você é ou a sua fotografia ainda é pendurada no cadafalso de algum pasquim.

  11. efectivamente já passou 1/2 hora e assim sendo vou efectivar uma ressonância da pesada

  12. Nuno Gaspar,
    ora aí está, mais val o conteúdo, não é?(há tantos identificados que nos ararstam para o lodo…preferia nem saber os nomes deles)

  13. Todos os atentados à Justiça são atentados à Democracia, tenham eles como alvo o primeiro ministro ou o Joaquim Cigano e aflige-me ter sido preciso atingirem-se extremos impensáveis para alguns paladinos começarem a gritar que o rei vai nu. Não há Justiça de 1ª e de 3ª. Ou há ou não há.
    Não há. E sim, já ninguém estranha. Ou só os loucos é que estranham.

  14. Tudo isto é um completo susto. :o/,
    Se um dia aparecer alguém com JUÍZO neste País, vai tudo preso.

  15. Louco serás, vem com a lucidez e daí não vem mal ao mundo. Mas entristece-me, mesmo que não chegue a desencorajar-me, que alguns convivas que na tua sala me habituei a apreciar não encontrem nada de melhor para fazer, perante a tua (nossa) perplexidade, do que entregar-se a frivolidades deslocadas de diletantes ociosos, em “desgarrada” interminável que afasta da sala quem partilha as tuas preocupações. Até parece que o tsunami de merda que nos afoga não tem importância nenhuma, respostas não são necessárias e o melhor mesmo é falar de brócolos e deixar o campo livre à cambada.
    Fui ao jardim da Celeste, giroflé, flé, flá, vamos todos cantar e dançar, que importância tem que nos estejam a empalar?

  16. pois é.

    (…)

    A vida é feita de nadas:
    De grandes serras paradas
    À espera de movimento;
    De searas onduladas
    Pelo vento;
    De casas de moradia
    Caídas e com sinais
    De ninhos que outrora havia
    Nos beirais;
    De poeira;
    De sombra de uma figueira:
    Meu pai a erguer uma videira
    Como uma mãe que faz a trança à filha.

    Miguel Torga

  17. (aqui da mesa do Canto: substituir por favor o meu comentário anteior, feito ao balcão; obrigado…)

    Acordai!

    Acordai, Homens que dormis

    A embalar a dor dos silêncios vis,

    Vinde no clamor das Almas viris

    Arrancar a flor que dorme na raíz!

    ACORDAI!

    Acordai, raios e tufões que dormis no ar

    E nas multidões. Vinde incendiar de astros e canções

    As trevas, o Mar, o Mundo e os corações.

    ACORDAI!

    ACENDEI, DE ALMAS E DE SÓIS

    ESTE MAR SEM CAIS, NEM LUZ DE FARÓIS,

    E ACORDAI, DEPOIS DAS LUTAS FINAIS,

    OS NOSSOS HERÓIS QUE DORMEM NOS COVAIS.

    A C O R D A i !

    (José Gomes-Ferreira)

  18. oh escalrracho! não sei o que polui mais uma caixa de comentários, se um link musical ou 10 linhas de inanidades que não acrescentam nada ao processo. escusas de abanar a cauda que só levas mais biscoito quando parires uma ideia de jeito e já que estamos a falar no assumpto, encontrei a janis joplin no metro que te manda afectuosamente pró caralho.

  19. A maior poluição desta caixa de comentários és tu. És tão burro e inútil que ainda não percebeste isso?

    Fica lá no caralho que te foda mais à cona da puta que te pariu e diverte-te com a Joplin lá debaixo dos torrões, que é já onde devias estar há muito tempo, javardão

  20. pois, mas eu ainda não tive que mudar de nome para cá entrar, enquanto que tu já deste duas voltas à lista telefónica e pelos vistos ainda recorres à contrafacção.

  21. (Marco Alberto Alves…xiuuu…não ouviste o que disse o sr. jaquim, gente séria? que a cantiga não é arma nenhuma, nem forma de expressão, é antes uma coisa que o entristece e afugenta as pessoas aqui do blogue?)

  22. Parece-me que está a ser mal interpretada a seguinte declaração de Noronha do Nascimento:

    «(…) porque é que nunca veio para a opinião pública o conteúdo das escutas, que, afinal, se descobriu agora que têm duplicados? Porque, provavelmente, não interessa. Aliás, é talvez a demonstração, digamos, da irrelevância delas, e esse foi um dos fundamentos para ter mandado destruir imediatamente as escutas».

    Se bem percebo, na interpretação de Val, o que Noronha do Nascimento está a dizer é que o facto de as escutas jamais terem vindo a público, apesar de terem sido feitas cópias clandestinas, foi um dos fundamentos em que se baseou para a sua decisão.

    Ora, o que me parece que Noronha do Nascimento está a dizer é diferente. A saber, que o fundamento foi a *irrelevância* das escutas. Diz mais: diz que a não publicação das escutas de que se sabe existirem cópias confirma a justeza da base da sua decisão, que consiste na *irrelevância* das escutas, mas não considera essa não publicação em si mesma como um fundamento da decisão.

    Talvez o José «Orelhas» Pacheco Pereira possa finalmente ajudar a deslindar esta questão, fornecendo-nos as suas razões privadas para a não divulgação das escutas que teve oportunidade de espiar em nosso nome — legalmente e a bem da nação, como os antigos bufos da PIDE — e considerou, com grande fanfarra, devastadoras para Sócrates, ao contrário do seu colega escutador (do partido comunista, insuspeito em matéria de socratismo) que, tal como o presidente do Supremo, achou que não estava lá nada de relevante.

    Por que razão não nos informa o Pacheco? Esqueceu-se de tomar notas? Não memorizou nada? Teve algum ataque de amnésia parcial? Continuemos a aguardar…

  23. Note-se que, quando Noronha do Nascimento aprecia a não publicação das cópias clandestinas admitindo que é «porque, provavelmente, não interessa», o que está a apontar como «provável», ao invés de «certo», não é a relevância ou irrelevância das escutas (que conhece, porque as ouviu pessoalmente), e sim o simples facto de — agora sim, «provavelmente» — o interesse dos copistas clandestinos na divulgação de um ou outro trecho menos abonatório para a imagem de Sócrates, mas totalmente irrelevante como indícios dos crimes de que ininterruptamente têm sido levantadas suspeitas (pela jornalha e pelo PSD e CDS, acrescento eu), ser diminuto em relação ao proveito tirado da ocultação do que realmente foi dito.

  24. Ouvi a entrevista e li o seu texto aqui, num cantinho do café.
    Creio que conserva a sua sanidade mental.

  25. no entanto o noronha permite o regabofe e limita-se a relatar a sua interpretação dos acontecimentos para alijar responsabilidades na coisa. se o papel do gajo se resume ao embrulho, porque é que agora desembrulha?

  26. Nuno Gaspar, o facto de tu não saberes a biografia, morada, local de trabalho, número de identificação fiscal e número de BI do sujeito que assina Valupi não faz de mim um anónimo. Um anónimo é alguém que se furta à identificação. Eu, para além das variadíssimas informações pessoais que já tornei públicas neste blogue, sou alguém que não se furta à identificação. Por isso, há dezenas, ou até centenas, de pessoas que conhecem o nome de baptismo do indivíduo que utiliza o pseudónimo Valupi, onde se incluem familiares, amigos, colegas de trabalho e outros bloggers.

    Repara: não faço ideia de quem seja a pessoa que assina “Nuno Gaspar”, nem perco uma caloria a pensar nisso, pelo simples facto de as identidades em ambiente digital informal, como este, não serem passíveis de garantia efectiva, cada um podendo simular a identidade que quiser.
    __

    Gungunhana Meirelles, a minha interpretação é exactamente igual à tua – e espero que seja a de todos. Para o que chamei a atenção foi para o facto de Noronha ter de recorrer a esse argumento para responder à suspeição de ter protegido Sócrates, livrando-o de uma acusação certa em tribunal, ou, pelo menos, de uma ida a tribunal. Noronha estava a ser interrogado pelo Marcelino, um dos agentes da campanha de difamação sistemática ao serviço do PSD de Passos e serventuário da oligarquia. Mesmo depois desta lancinante justificação que teve de se apoiar na violação da lei, o Marcelino ainda pergunta ao Noronha se ele tem problemas de consciência, se está mesmo convencido do que anda para aí a dizer…

  27. Já agora: «jornalha» como em «journaille», neologismo francês que rima com «canaille». Uso o galicismo de forma alargada para designar todo um conjunto de entidades mediáticas que, para mim, vai desde o ordinário e desbragado Correio da Manha (sem til fica melhor) até a comentadores mediáticos que, nunca como tal se apresentando, colaboram em campanhas de opróbrio com presunção de culpa através da insinuação (vêm à mente as referências oblíquas, claras na intenção mas sempre sem identificação com todas as letras, de Medina Carreira em relação a Sócrates).

  28. VaL: «Para o que chamei a atenção foi para o facto de Noronha ter de recorrer a esse argumento [o da não vinda a público das cópias clandestinas das escutas] para responder à suspeição de ter protegido Sócrates, livrando-o de uma acusação certa em tribunal, ou, pelo menos, de uma ida a tribunal».

    Sim, claro que concordo com isso, mas não me parece loucura nenhuma por parte de Noronha de Nascimento. O que ele está a dizer é quase um desabafo, qualquer coisa como: «vejam só onde as coisas chegaram!». Ou seja, está a exibir sintomas claros de sanidade mental e não do contrário; está consciente, e deseja que outros estejam, do estado de coisas a que as campanhas de mentiras infamantes nos conduziram.

    Não é por acaso que também Noronha do Nascimento, à semelhança de gente do calibre dos actuais bastonário dos advogados e procurador geral da república, é frequentemente reduzido, minimizado e condenado como «amigo de Sócrates» pela (infelizmente grande) parte da opinião pública deste país semi-alfabetizado que forma a sua opinião no refugo da jornalha.

  29. Gungunhana Meirelles, a mim também não me parece loucura nenhuma, é até uma injecção de racionalidade para combater a calúnia imparável. O que é de loucos é o cerco ao Presidente do Supremo Tribunal, mais a campanha contra o Procurador-Geral, que foi feito pelo PSD, pelos cavaquistas e pela oligarquia em geral, a qual domina a comunicação social, acontecer perante a passividade do PS e das supostas figuras de referência da República, onde se contam ex-presidentes, ex-primeiros-ministros, ex-presidentes da Assembleia, ex-deputados e actuais personalidades que povoam o espaço público de múltiplas maneiras.

  30. Muito bem. E não me parece de todo despropositado comparar esta situação que atualmente vivemos em Portugal com a demissão cobarde e desonrosa de todas as élites jurídicas, sociais e políticas da desenvolvida e (aparentemente) tão civilizada Alemanha da República de Weimar, que permitiu não apenas a ascenção do Nazismo, como a sua consolidação institucional e mental, no subconsciente coletivo do Povo alemão, durante mais de dez anos.

    O Eduardo J pode, infelizmente, estar a caminho de ter completamente razão.

  31. Val, é verdade que até uma parte do PS — que na melhor das hipóteses (a não-anal) emprenha pelos ouvidos de luminárias como Carrilho — está sinceramente (?) disposta a trazer lenha para a fogueira de Sócrates.

    Pela minha parte, tendo, sem nunca votar, desejado a existência de vida política activa durante o salazarismo, tendo desejado votar no Partido Liberal em 1974 (a frente MFA-PCP-PS não me deixou, graças à primeira das inventonas, a de 28 de Setembro, raíz dos nossos males, hoje caída no esquecimento), tendo votado CDS ou Aliança Democrática nos velhos tempos da restauração da liberdade, e tendo finalmente deixado de votar nas últimas décadas sem problemas de maior, limito-me a constatar que estarei disposto a voltar a votar — e pela primeira vez no PS — se o PS dito socrático não sucumbir ao canto das sereias. Não por estar convencido que os socratistas fizeram, ou virão a fazer, muito menos (ou mais) asneiras que os outros, mas porque «a verdade está a passar por aí», para parafrasear a outra cançoneta…

    :^D

  32. E eu nessa altura militava imberbemente no Movimento Federalista Português-Partido do Progresso, outro dos muitos ilegalizados com o infausto 28 de Setembro. Que, porém, só pode considerar-se “a raíz dos nossos males” se esquecermos tudo o que vinha de trás e que era tanto, que até se compreende o esquecimento a que justamente foi votado esse episódio (que, por sua vez, foi a causa do 11 de Março, que foi a causa do 25 de Novembro, etc.)…

    Contudo, só votei na AD até 79. Entretanto também cresci e aprendi algumas coisas. E uma delas é a consciência de que o voto pode servir para escolher políticas, pessoas e programas, mas esperar que ele reponha a verdade, ou traga de volta a decência, é esperar demais. Este tipo de combates, pela decência, pela verdade e pela Justiça, é prévio às disputas eleitorais livres e, sobretudo, com “fair-play” democrático. Votar como se vota na Rússia, ou como se votou em Portugal em 2009 e 2011 é uma afronta à própria ideia de Democracia!

    Agora, só já uma nova refundação pode regenerar-nos.

  33. Ó Baltazão, votar na AD até 79 é obra! Que me lembre, e assim de repente, a AD só se apresentou a eleições em 79 mas conseguiu, em menos de um ano, trazer o circo para a cidade e fazer passar por eleitoral uma campanha publicitária. A AD, com os seus famosos chapéuzinhos de palha com fita azul, ia conseguindo vender a um país atordoado o candidato Freitas do Amaral. Esteve por pouco, perdeu para o animal político por excelência, mas nunca mais voltámos a ter uma verdadeira campanha eleitoral centrada na política, o folclore tinha chegado e nunca mais nos largou.

  34. Baltazar:

    Céus! Um progressista daqueles que achavam que Angola tinha sido dada por deus ao Adão português, como pensava o salazar-caetanismo de má memória. Não faltava mais nada, uma discussão sobre o «destino manifesto» lusitano no campo de honra fornecido pelos (relativamente) arrependidos esquerdalhisto-inconsequentistas!

    O pior é que se calhar vamos mesmo voltar a isso, depois do fim da UE e da nossa estreia como objecto do «destino manifesto» das nossas ex-colónias. Que Zeus nos proteja, e o melhor é falarmos de outra coisa.

    Cá por mim, acho que o nosso maior problema actual ainda resolúvel é o do envenamento da vida política pelas campanhas reducionistas dos fascistas, falsos liberais e arrivistas sem ideologia do PSD – CDS.

    Mas por hoje calo-me.

  35. Val, mais um louco. aponta aí sff. agora, este material, pode e deve servir para uma queixa no ministério público contra quem sabemos por tentativa de derrube do estado de direito. ou não?

  36. Noronha do Nascimento é uma lufada de decência e sanidade neste chiqueiro malcheiroso. Um senhor. Ainda bem que resta alguém como ele entre as principais figuras do Estado. Ao seu lado, gentalha como Cavaco dá vómitos. É alguém como Noronha do Nascimento que é necessário colocar em Belém, depois de lá se varrer o actual inquilino e se desinfectar as instalações.

    Ainda recordo a entrevista safada a que em Fevereiro de 2010 Noronha do Nascimento se submeteu na RTP, conduzida pela ordinária Judite de Sousa. A ordinaríssima Judite que por essa época se permitiu dizer: “Sou levada a crer que Sócrates emprenha pelos ouvidos”. E que largou também da boca fora, como uma regateira de baixo coturno: “Sócrates é agressivo comigo por causa do meu marido”.

    Pois essa gajolas permitiu-se na referida entrevista acusar directamente o presidente do Supremo de estar a “lavar as mãos como Pilatos” (na questão das escutas que Noronha tinha mandado destruir e alguém se recusava a cumprir) e acusá-lo, assim como ao procurador-geral da República, de “parcialidade política e negligência”. Para cúmulo da provocação e da degradação de uma profissional da TV pública, a reles Judite chegou a perguntar ao presidente do STJ se ele achava que ainda tinha condições para continuar exercer o cargo…

    A tipa não só revelou nessa inesquecível entrevista todo o seu partidarismo político, toda a sua histeria anti-Sócrates e anti-governo, como mostrou ostensivo desrespeito por uma alta figura do Estado. E tudo isso porque o presidente do STJ tinha frustrado os interesses políticos golpistas de que ela e a Moura Guedes eram militantes e o pasquim Sol o órgão oficial.

    Pois o olímpico Noronha do Nascimento lidou pacatamente com a ofensiva provocadora da reles, calando-a, ponto por ponto, apenas com a sua serena razão e a sua consciência tranquila. Domou a besta e desarmou-a sem levantar a voz nem precisar de se indignar.

  37. 20 -2 = 18…

    ~~~ >:^@

    Mas, Paulo Nobre, está hoje provado que Sócrates nunca tentou derrubar o estado de direito, até porque quem o tentou e praticamente conseguiu foi quem conduziu as vergonhosas barragens de mentiras infamantes apadrinhadas pelo zombi presidencial.

  38. Imagine lá o Val que só agora é que li com a merecida atenção a frase «Se não estiver louco, então, o que Noronha nos está a dizer é que…» e me apercebi que a hipotética loucura seria a dele, Val, e não de Noronha!

    Mea culpa. É o que faz estar a acompanhar 235 blogs em 6 línguas diferentes, procurando espalhar a boa nova em todos eles sob 38 pseudónimos, todos eles autênticos.

    A propósito de loucuras, e sem ofensa à simpática classe dos retornados, contra a qual nada me move, já alguém reparou que temos um governo de retornados? Passos Coelho, Miguel Relvas, Paula Teixeira da Cruz, Assunção Cristas, é um nunca mais acabar. Haverá alguma explicação sociológica?

  39. correndo o risco de – mais uma vez – ofender algumas almas mais profundas que por aqui aparecem apenas para dizer que o são (o que muito enriqueceu o debate), pergunto: já repararam que o povo se está cagando para o estado de direito e não só os seus dirigentes? Ora querem lá saber, se lhe servissem a cabeça do Sócrates numa travessa apanhavam um orgasmo maior que o da Salomé e por minutos esqueceriam a miséria – moral, sobretudo – em que o estão a instalar, por via das outras misérias todas. O empobrecimento preconizado pelos bruto-liberais europeus e nacionais tem um objectivo ideológico – a anulação de valores como o da dignidade humana. A subversão é uma saída, a choraminguice não. Isto é apenas um desenvolvimento do primeiro comentário deste post ( para quem estava distraído, frivolamnete, a ver quem mandava mais cantigas. Pois que nessa cantiga não vou, por causa das teias de aranha. Mas nestas vou (quem sofrer com estes desvios, tem bom remédio, não vê).

    http://www.youtube.com/watch?v=olAOazHmn7I

    PS: peço desculpa pelo teor insuficientemente revolucionário do tema

  40. Edie, o uso do plural quando referi “alguns convivas que me habituei a apreciar” foi um exagero. O único de quem tinha fixado o nick eras tu (as bactérias não contam) e o breve “diálogo” que há algumas semanas travei contigo, com música à mistura, devia chegar para perceberes que caem ao lado as indirectas que atiras. Nada que me faça perder o respeito que me mereces e o gozo que me dá a frescura bem-disposta da maior parte do que aqui escreves. E não conseguiria, mesmo que quisesse, levar a mal a bonomia e a ironia avessa a insultos com que te referes aqui ao jaquim.
    Para que saibas, os Beatles, que para ti serão História, são para mim quase ADN partilhado, o seu tempo é o meu, não havia música deles que eu não cantasse e acompanhasse à viola (agora chamam guitarra a tudo) em rodas de amigos, quando os dinossauros ainda povoavam o planeta e o flower power nos fazia sonhar a todos. E já antes dos Beatles navegava em Shadows, tal como mais tarde me arrepiava com Hendrix e outros. Digo-te, Edie, que ainda me lembro (tanto quanto a Alzheimer me permite) do dia em que caiu o meteorito que (quase) nos extinguiu a todos, mas garanto-te que não há meteorito nem Alzheimer que mate a música que impregna as moleculazinhas de que sou feito.
    O post do Valupi levou-me a procurar os contributos que ele geralmente aqui desperta, e o que aconteceu foi que quando cheguei àquele pinguepongue interminável em que mergulhaste receei que se perdesse o fio à meada. Lamento, não leves a mal, mas a época desgraçada que vivemos, com os destinos controlados por sacanas cuja única ocupação é encontrar, diariamente, novas formas de nos inseminar o coirão, dá-me cabo do juízo. Salva-me o meu desporto favorito, que é gostar de pessoas, e tu continuas a ser uma delas, coisa completamente diferente de uma ou outra bactéria amarga e malcriada que, zangada consigo própria, mais não sabe fazer do que poluir freneticamente a pradaria.

  41. Joaquim Camacho,

    o teu comentário tem três partes distintas, mas eu vou responder em partes misturadas. Registo o exagero do plural, mas não deixa de ser verdade que estavas receoso de que no meio do tal pinguepongue em que mergulhei (devo ter mergulhado a fundo, porque não me dei conta de ser interminável), se perdesse o fio à meada do assunto principal. Só te peço que tenhas um pouco mais de confiança (tolerância) face às dinâmicas que se criam aqui no café-concerto do Val e Cª. A malta não se perde, pode parecer que estou distraída, mas não estou. E se acho justíssimo ver dezenas de comentários a confirmar o que o Val disse e a mostrar o seu apoio – eu própria comecei por fazê-lo- se não se acrescenta nada, além do ámen, também a mim a coisa começa a parecer interminável, aborreço-me, bocejo e truca, lá vai música.

    Agora reparo que também eu já acuso algum alzheimer, tenho uma vaga ideia, mas quando se deu esse nosso pinguepongue musical? Gostava de rever…
    Para mim, os Beatles serão História, mas também são “ADN”: apanhei a doença aos 14 anos, por aí, já os rapazes se tinham separado, mas deu-me forte e nunca mais parou.

    Portanto, e para concluir, para mim, a música é uma forma de manter a sanidade mental (estou dentro do assunto do post, ainda?). Gosto de ter companheiros na jornada da música e do amor (sounds familiar?). Por isso, come together, Joaquim :)

  42. “Edie & Jaquim”, ainda bem que vos vejo reconciliados…

    Atenta Teresa, votar até 79 na AD não “é obra” não senhora, é a mais pura verdade. Mas, então, só votei neles uma vez? Conclusão óbvia, sim senhora, mas nem por isso menos factual! O que só prova, afinal, que a atenta Teresa até sabe de Aritmética, mas deixa ainda algo a desejar em termos de Lógica (e olhe que não, olhe que não, no tempo do “Freitas a Presidente” já não havia AD, lamento).

    Gungas Meirelles, tem dó! O que é que tu querias, antes do “28 de Setembro” eu só tinha ainda 14 anos, seis dos quais passados a “lavar o cérebro” na hirta Escola Primária e no ríspido Ciclo Preparatório do então já velho e esclerótico Estado Novo (e outros três a descobrir a verdade, aos poucos e poucos, nos pátios e nas conversas discretas dos balneários dos Ginásios dos Liceus Nacionais de P.e Ant.º Vieira, em Alvalade, e de D. Dinis, em Chelas, onde ouvi pela primeira vez falar do livro do Spínola e da intentona das Caldas, a 16 de Março, ensaio geral do então inimaginável 25 de Abril…).

    E o tal aspecto sociológico que apontas é certeiro e pertinente: claro que não será sómente por acaso que temos um Governo de “retornados”. Há também aí muita matéria para burilar a narrativa superficial e mediática que domina por ora o espaço mental, enquanto a narrativa Histórica não vier, lenta mas inexorávelmente, tomar-lhe o lugar.

    Basta andar na rua para ver a influência da “mentalidade retornista” na nossa Sociedade atual. Desde a preponderância de fenómenos publicitário-propagandísticos como o Mário Crespo, até às banais opiniões que se ouvem no autocarro e no hipermercado sobre os “pretos” e a “terra deles”. Sei bem do que falo, o meu Sogro também…

  43. Não há ninguém com tomates neste blogue para proibir a barulheira pseudo-musical, o futebol e as restantes batucadas alienantes? Se calhar o governo é que tem razão: o melhor é retornarmos aos tráficos africanos que tanto nos enobreceram e desprezarmos esses godos malfazejos [*] que nos criticam a venda do país aos subsaarianos…

    [*] Como aquele senhor do grupo socialista do parlamento europeu.

  44. Para quem ainda não percebeu a estranha relação do actual governo português com os poderes europeus que contam só digo: «não olhem para o que diz, olhem para o que faz».

    Quanto aos Josés Mários, Beattles e não sei que mais fabricantes de ruídos ofensivos, cá por mim podem metê-los todos onde o Saraiva de Carvalho dos Alunos de Apolo recomendava:
    http://www.youtube.com/watch?v=EY_uH7ia2n0

  45. embora partilhe, só para dizer que Krazy Kat acima não era eu a fazer de Krazy Kat, como fiz no outro post, no outro dia (noite) …é outrem.

    (o outro bronco sabe pôr dois “ll” no apelido, mas não sabe escrever beatles…)

    …a (meio) despropósito, lembrei-me: quando andava no secundário, os betinhos eram aqueles com quem se gozava; entretanto, ficaram abestalhados, agressivos, mal educados e arrogantes. Já nem dá pica gozar, só com tijolo, de forma a que entendam alguma coisita).

  46. Edie: «(o outro bronco sabe pôr dois “ll” no apelido, mas não sabe escrever beatles…)».

    Oops, sorry. Edie. Sei, mas enganei-me; sou um bocado disdigiléxico (sim, dis-digi-léxico).

  47. Edie: «Krazy Kat acima não era eu a fazer de Krazy Kat».

    Isso era eu a darle cum tijolo pla estória do «1/2 relles».

  48. andas a escrever a estória ao kuntrário, o rato amanda tijóis e o híbrido agradece declarações d’amor, problemas comunicacionais como se diz agora.

  49. Sim, meu bom Ignatz, Mas aqui quem manda os tijolos é ele, de modo que vamos lá mas é a retirar o híbrido antes que apareça por aí alguém a defender os casamentos especiais…

  50. offissa bull pupp é como se chama o cão, tens um problema qualquer com a dobragem das consoantes. olha que o felino é de sexo indefinido, tens de ler umas bandas para entrar no espírito da coisa.

  51. Sim, Ignatz, eu sei e até tenho este ( http://en.wikipedia.org/wiki/Krazy_Kat#A_.22Kounterfeit_Krazy.22 ) designado na contra-capa frontal como nº 1 da série da Dell em formato comic book, dos anos 50, algo diferente do feeling original do Herriman, mas igualmente muito divertida. E em “mint condition” desde essa época, coisa que atesta o meu extremo cuidado com estas coisas desde longa data. Nessa série o Offissa Bull Pupp é geralmente designado por Offissa Pupp. O problema com a dobragem das consoantes e outros parecidos não é intrínseco, é da falta de tempo.

  52. fui devorador de krazy cat, tenho alguns por aí, outros voaram como entraram. não sou coleccionista e tão pouco especialista, guardo memórias do que me soube bem.

  53. uf, a harmonia voltou ao bar, ainda dizem mal das artes neste blogue, como pode?
    (embora, devo adiantar, me pareça muito estranha esta passividade do rato Inácio)

  54. Edie, a minha querida madrinha Madame Von Alzheimer recusa-me autorização para recordar a data exacta, mas acho que foi há algumas semanas, tal como também pode ter sido há um ou dois meses. Foi um pinguepongue curto, menos de meia dúzia de toques, e começou com uma bolada tua para a Kate Bush. Com o auxílio de sofisticadas técnicas CSI, procurei pistas na pasta “Música” dos meus favoritos e julgo ter encontrado impressões digitais tuas nesta:

    http://www.youtube.com/watch?v=ot3cVY1JESQ&feature=player_embedded

    a que respondi com esta, penso eu de que:

    http://www.youtube.com/watch?v=1kF7jM4VU2Y&feature=related

    Já que hoje estou numa de te dar música, toma lá esta:

    http://www.youtube.com/watch?v=ACg4OxVDr_w&feature=related

    e mais esta:

    http://www.youtube.com/watch?v=QOZAC2Mkoo8

    e esta, para voltar às coisas sérias:

    http://www.youtube.com/watch?v=r_YDx1UZg7Y

  55. Amigo Baltazar Garção, apesar de incurável ateu, graças a Deus, sou grande adepto de algumas receitas do seu desgraçado filho, como o conhecido e salutar “Paz na Terra aos homens (e mulheres, claro) de boa vontade”. A Edie já provou há muito que, nas praias onde gosta de surfar, uma das suas ondas preferidas também desliza para esse lado, e daí nós gostarmos dela.
    “Portantos”, está tudo nos conforme.
    Isto quanto a homens e mulheres de boa vontade. A coisa é diferente quando toca a lidar com o chihuahua bully de bexiga destravada cuja única (má) vontade, para se vingar dos enxertos que leva do doberman lá do bairro, é gastar o seu valioso tempo a chamar (ou ladrar) nomes a toda a gente e a tentar freneticamente mijar-me as pantalonas.
    Além de que um chihuahua bully é uma incongruência, uma contradição nos termos, um erro da Natureza.
    Bendita seja a Edie e sua santa bonomia. Ao contrário de mim, tem, de certeza, lugar assegurado à direita de Deus pai, que Alá (seu infame clone) esteja com ele, e bardamerda tanto para um como para o outro, espero que a Edie os afogue aos dois em música de demónios sortidos.

  56. Ai, Joaquim, tu não me puxes pela inspiração, que me ocorreram já três ou quatro demónios – dos bons – mas agora tenho de fazer intervalo, porque tenho de ir produzir para a economia, coitadinha, depois volto.

    santa bonomia…tem dias. Mas lá que gostei de rever aquelas primeiras duas magníficas peças musicais e visuais, lá isso… (já vou ver o resto).

    PS: prevejo que isto ainda vai passar dos 100 comentos, não tarda nada…

  57. oh escalracho! essa cena da troca das musiquetas foi com a bécula, até lá foste a casa e ficaste impressionado com o papel de parede. tamém gostei muito dos entubados, mas era melhor chamar o canalizador porque a voz da primeira tá muito parecida com a última. não te esqueças de tomar as pílulas e de caminho vai ler o último epitáfio do teu amigo da benedita, declamado pela bécula e acompanhado à viola por ti dáva 1/2 de encores e várias orelhas.

    ps – já tinha escrito isto antes mas não publiquei por respeito à santinha da bonomia

  58. Edie, lembraste-me que o George Harrison é mais uma prova de que os deuses, nos intervalos de suas ganzas, bacanais e ociosidades, lá se lembram, de vez em quando, de fazer qualquer coisa de jeito, juntando na mesma chávena, para nosso deleite, alguns dos seus melhores filhos. Depois é só mexer, não é preciso acrescentar açúcar, nem canela, nem sequer aspartame – já lá está tudo. Os Beatles só podem ser fruto de um desses momentos.
    Também me fizeste ir à procura de um fóssil quase jurássico que tenho aqui em casa e para o qual não olhava há anos: “Nunsexmonkrock”, LP de 1982 da Nina Hagen, em vinil. Uma busca na “Estralinética” deu-me depois algumas reproduções online da capa do fóssil e respectivo recheio. Aqui vão duas bem demoníacas, para ajudar a liquefazer a mona do Alquimista Supremo e sua merdosa… perdão: sua santa família:

    http://www.youtube.com/watch?v=yHvJAT_Qvi4&feature=related

    http://www.youtube.com/watch?v=6mnmiANZlqE

    Uma das minhas preferidas dos Bitoles é esta, e agora ainda mais, julgo que por culpa da PDI e de Frau von Alzheimer:

    http://www.youtube.com/watch?v=rO0fiR0oRP8

    E aqui vai esta para rematar:

    http://www.youtube.com/watch?v=4HfC2gEYvWs&feature=related

    Há anos deu-me um amoque que me fez andar de gravador em punho, encostado às árvores, às três, quatro e cinco da manhã, a gravar e a maravilhar-me com os melros de Lisboa. Melros? Aquilo são elfos, Senhor! Não é possível explicar de outro modo a capacidade para inventar, todas as noites, centenas de canções diferentes. E de novo na noite seguinte, e na outra, e na outra, sem que o bico lhes doa.

    Chega de intervalo, agora vou preocupar-me com os problemas do país, com o parvalhão do Totó Seguro, com o aldrabão de Massamá, com o cabrão do efeito de estufa e com a fusão entre Andrómeda e a Via Láctea. Para esta última já reservei bilhete na primeira fila do balcão…

  59. (com uma redundância que devia ser eliminada, mas ainda assim convenhamos que isto dos fusos trocados afinal dá um jeitão ! :)

  60. oh escarachito! agora que já ninguém lê esta merda, explica lá esses teus gostos musicais que pela amostragem vão da bush aos melros dos beatles, passando pela cabra visigótica. deves querer impressionar o pessoal com as tuas modernidades estilo manelinho, da mafalda, tás a ver?… o merceeiro, escritas em gótico com banda sonora tirada do espólio dum filho criado ao som da cabritinha* do quim barreiros ou seja, o que proíbias ao puto serve agora para te promoveres. frequentas lupanares de terceira idade e depois vens cá para fora gabar-te do combíbio com os deuses, ganzas e órgias, tá mal, as memórias do elefante branco não se apagam com doenças do parque mayer, tu sofres é de piroseira cerebral e isso é difícil de disfarçar. já agora, essas preocupações com o 1/2 ambiente cheiram a vendedor de deodorizantes depois duma noite androide na via lactea**. o bilhete na primeira fila, não tou a ver, só se for para o espectáculo da edie star*** e do vasenol, link patrocinador.

    http://www.youtube.com/watch?v=wFpbhooe6Ns
    http://pt-br.facebook.com/pages/Discoteca-Via-Lactea/125213857548182
    http://www.g-sat.net/fofocas-319/edite-estrela-diverte-se-na-praia-com-os-netos-e-o-marido-353785.html

  61. vocês não fazem ideia da falta que me está a fazer o youtube para dar respostas em liguagem musical. De qualquer modo, gosto de ver aqui reunidos os meus três diabinhos preferidos, pronto, tem um anjo no meio, mas não digo qual é.
    Apanhei os primeiros segudos de cada link musical (para mais não dá,, por enquanto), e apanhei a mensagem, thank you all, mesmo ao ignatz, que se arma em duro e espeta com a edite estrela (bem visto) só para desestabilizar.

    Mas tenho uma nota em especial para os melros que o Joaquim escutou: grandes compositores e intérpretes,não são? Já me tinha dado conta várias vezes sobre a imaginação criativa da passarada. O Blackbird é uma homenagem de alguém que se deu ao trabalho de os ouvir e desenvolver o tema.

    Sobre tudo isto tenho uma playlist de 4 temas, mas têm de ficar em banho maria.

    É um privilégio dialogar convosco.

    O intervalo de que fala o Millor é precioso, embora tenhamos de ocupá-lo, por vezes, com Carrilhos, Seguros, Ervas (ai, Relvas) e lixos afim.
    (Goodnight, sleep tight)

  62. Quando tiveres YouTube e puderes ouvir de novo o “Blackbird” até ao fim, Edie, experimenta a seguir ouvir um melro portuga na madrugada lisboeta. Hás-de reparar que os melros portugueses e ingleses falam exactamente a mesma língua, apesar da diversidade criativa que permite a cada um deles inventar centenas de canções diferentes todas as noites. Quando vou correr, a horas mortas, dou comigo a cumprimentá-los, mas os gajos não me ligam ponta de corno. A sério, digo-lhes parvoeiras simplórias como “Olá passaroco”, “Olá pássaro preto” ou “Olá amiguito” e rio da parvoíce. Nunca lhes chamo “melro”, suspeito que a coisa lhes soa mal, não sei bem porquê, “merlo” soa talvez melhor aos ouvidos de um pássaro. Quero que se lixe que pareça ridículo, faço-o sempre a horas mortas, não está ninguém a ver.

  63. oh escalrracho! e se… em vez de andares a fazer figuras rídiculas às escondidas e a espantar melros, às 5 da matina, com semântica de aproximação duvidosa, emborcasses uns metasulfitos ao som disto http://youtu.be/Nzic2vUjddg e viesses cantar prá varanda, ainda te faziam uma estátua no bairro.

  64. “… que se arma em duro e espeta com a edite estrela (bem visto) só para desestabilizar.”

    erro de paralaxe, textura rude com interior bué flexível, tipo abana-mas-não-cai. as armações podem ficar para o visigótico da haagen dáss. a estrela faz parte da constelação que cintila no ombro do escalracho, tipo emplastro ideológico, tás a ver a cena… não, acordaste sem som e numa de apaziguamento mundial.

    http://youtu.be/MYFgzQCci8Y

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