Prémio Ranho 2012

O líder parlamentar do PSD acusou o PS de «falta de coragem» em «assumir posições impopulares» e de estar contra medidas que «inscreveu no memorando», afirmando que os socialistas vivem «uma liderança bicéfala» no Rato e em Paris.

Discursando no XXXIV Congresso do PSD, Luís Montenegro fez uma longa intervenção de críticas cerradas à atual liderança do PS, acusando-a de «não cumprir a palavra que deu», de ter «vergonha das suas causas», de estar «contra tudo e contra todos» e ser «pobre e mal agradecida» em áreas como a educação, a administração local ou a saúde.

No entanto, o líder parlamentar do PSD considerou que «há uma atenuante» para estas críticas. «A vida não está fácil no interior do PS, o PS é hoje um partido com duas lideranças, lamentavelmente com duas lideranças, o PS tem uma liderança oficial, com sede no Largo do Rato, e tem depois uma liderança que é mais ou menos clandestina, que parece que não mexe mas mexe, que vem desde Paris com ventos e telefonemas», afirmou.

Fonte

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Montenegro é uma figura que aprecio sobremaneira. Representa o protótipo do político PSD: advogado, carreirista, pândego. Está sempre a sorrir, anunciando ao mundo que a vida lhe corre bem e tenderá a correr cada vez melhor. A sua mensagem calada é a de que a política não passa de um jogo, e bem básico por sinal. Tão básico que até ele o consegue jogar com imperturbável descontracção. Vive agora o seu momento de maior projecção, tendo a magna responsabilidade de chefiar a bancada.

Pois este passarão foi para o congresso no propósito de rivalizar com Menezes na corrida para o Prémio Ranho 2012. E embora os resultados só venham a ser conhecidos no final do ano, há uma alta probabilidade de já ter garantido a vitória. É que o seu material, no que ao ranho diz respeito, parece imbatível. Montenegro resolveu atacar o PS e Seguro recorrendo ao que o Correio da Manhã publicou há poucas semanas, onde demos por nós a descobrir que alguém em Paris tinha violado a privacidade de Sócrates, ou assim se alegava, escutando o que ele dizia ao telefone. Ficámos com um dos mais altos momentos do jornalismo franco-atirador – seja qual for o ponto de vista deontológico, moral, ético, ou tão-somente lógico – mas essa peça estava destinada a um voo ainda mais alto: ser usada num congresso partidário social-democrata, pelo líder parlamentar, para insultar o maior partido da oposição.

A sarjeta que é o Correio da Manhã faz as delícias da elite do PSD. E se eles se permitem esta exibição pública da sua decadência, o que não se passará nos bastidores? Até onde chegará a sua violência? A pulsão caluniosa sistemática e sórdida exibida tanto pela arraia-miúda como pelas figuras gradas do PSD deveria ser suficiente para terem menos intenções de voto do que o PNR. Todavia, estamos em Portugal e a oligarquia conhece este país de ginjeira.

12 thoughts on “Prémio Ranho 2012”

  1. É uma experiência esmagadora, deprimente ouvir a “voz do povo”. Constata-se que não tem o mínimo sentido crítico acerca do que a bendita comunicação social divulga, seja por iliteracia pura e simples, seja por falta de informação, seja por tendencialmente acreditar no que dizem “os que sabem”, que são os senhores dos telejornais e jornais. O assalto aos meios de comunicação foi o golpe de mestre da Direita. Por isso não é de estranhar que o povo mantenha elevadas as intenções de voto no gang que se apossou das instituições da República, apesar de sentir que está a ser arrastado para o empobrecimento calculado e forçado. Aceita, resignado, o retorno à miséria de muitos e fausto de alguns senhores. É uma resignação entranhada, que vem desde a instauração da ditadura da Santa Inquisição. Cinco séculos de cerviz cangada fizeram mirrar a dignidade humana do povo luso. Tres breves décadas de alvoroço parecem não ter sido mais que um raio de luz, um relâmpago na noite escura da secular servidão.
    Quem ouviu a última e deprimente emissão do “prós e contras”, se tinha dúvidas acerca do miserabilismo enraizado na alma lusa, deixou de as ter. Foi a lição de uma meia dúzia de totós e filhos da mamã e da mãe, explicando direitinho como nunca deveriamos ter, sequer, sonhado deixar aquela “vidinha” de antes do 25 de Abril, pobrezinha, de terceira e quarta classe (agora retomou-se sintomaticamente o antigo “exame”- aquilo é que era aprender!”. Diziam, apluandindo-se uns aos outros, que é preciso torcer o pepino aos meninos que “querem tudo”. E lá vinha o grande pedagogo Herman José a dizer quanto teve de penar para o pai lhe dar um carro em segunda mão e o Milton, outra sumidade pedagógica, a contar que fora trabalhar para as obras com treze anos (!!!) para comprar os ténis caros que o pai lhe recusava.
    Aquilo só visto, meus amigos. Era a alma lusa, velha de quinhentos anos, saudosa da sua ainda mais antiga e mísera servidão.
    Merece bem o mísero professor e presidente que elegeu e reelegeu.

  2. Oh Val, classifica lá o que é uma figura politica socialista?? Tenho imensa curiosidade para saber o que é típico socialista dos 7 costados!!

  3. Advogado, carreirista, pândego, medíocre e muitíssimo invejoso. Assim é que o retrato-robô do político do PSD fica completo.

    Quanto ao “Prémio Ranho”, até ao final do ano, com as voltas que isto vai dar no País do lixo, nem sequer vai haver lenços que cheguem para limpar o focinho de tanto concorrente.

    Mas também é verdade que ninguém se vai lembrar de nenhum deles, dentro de poucos meses. E muitos de nós começamos já a deixá-los falar sózinhos e nem sequer lhes concedemos um segundo que seja da nossa atenção…

  4. O que eles consideravam pesado não sei, mas uma boa parte dos portugueses consideraram que o legado socialista foi muito pesado. E parece me que o vão continuar a considerar pesado durante mais alguns anos, é que isto não está para melhoras nos tempos mais próximos.

  5. Pesado e bem pesado vai ser o legado da atual (des)governação, que se irá fazer sentir não apenas por alguns anos, mas talvez por várias gerações, se não lhes puserem cobro a tempo.

    E não serão apenas os portugueses a considerá-lo mais do que pesado, totalmente insuportável: será a própria História, implacável como ela é.

  6. José,

    os socialistas herdaram um país sem dívidas e com défice zero, de Durão Barroso e Santana Lopes, não foi? Ainda te lembras de quanto era o defice? E sem crise! Imagina se fosse ao fim de três anos da crise do século!
    Vocês fazem-se de burros. At’e esquecem em que estado ficaram as contas da Madeira depois de trinta e cinco anos de maioria absoluta PSD e vários perdões de dívida para evitar a bancarrota da Regiâo. Compara com os Açores. Também esqueces, José, que ao fim de quatro anos de governaçâo AD, teve que ser formado um governo de salvação nacional e chamar o FMI para evitar a bancarrota de Portugal. A vossa sorte, José, é teram a comunicação social toda comprada e os magistrados a perseguir o único partido que pode desmascarar a mentira da competencia da direita.
    Pensa nestas coisas.

  7. Completamente de acordo, Val, os ranhosos pingam cada vez mais a lama que têm dentro!
    E para que não se esqueça as verdadeiras razões que os moveram, aqui deixo para memória futura o que um dos poucos jornalistas que dignificam a profissão escreveu – no “Expresso” (Economia), em Janeiro de 2011 – JANEIRO DE 2011(!) – Especial atenção aos dois últimos parágrafos:

    “O turbo-ministro e o candidato”

    O turbo-ministro e o candidato, de Nicolau Santos

    A emissão de dívida pública foi um êxito para o país. Relativo, mas êxito. Negá-lo, só por ódio ao primeiro-ministro ou por jogos eleitorais.

    Qualquer que seja a ótica porque se olhe, a emissão de dívida pública portuguesa na quarta-feira foi um sucesso. Relativo, é certo, mas um sucesso. Estávamos à beira do xeque-mate e fizemos uma jogada que o evitou. Estamos longe de ter ganho o jogo, mas também mais longe de o perder.

    Aliás, não por acaso, a subida das bolsas europeias e americana, as declarações de diversos dirigentes europeus e os títulos da imprensa mundial não deixam margem para dúvidas: Portugal, que estava no centro de todos os holofotes, ultrapassou com sucesso um primeiro e muito difícil obstáculo.

    Três razões essenciais contribuíram para isso. A primeira tem que ver com o trabalho de casa que o Governo tem feito junto de investidores fora da zona euro, aliciando-os a comprar dívida portuguesa. A China já terá adquirido €1,1 mil milhões e pode também ter estado ativa no leilão de quarta-feira. O Brasil está em fila de espera. E os Emirados Árabes são o senhor que se segue. A segunda tem que ver com a jogada de marketing do primeiro-ministro, que na manhã de terça-feira anunciou que o défice de 2010 ficará abaixo dos 7,3%. E a terceira resulta da intervenção agressiva do Banco Central Europeu nos mercados, comprando dívida pública portuguesa e não só.

    Ora, perante os resultados obtidos – mais do triplo da procura e uma taxa de juro para o longo prazo mais baixa do que em novembro e abaixo da fasquia psicológica dos 7%, embora ainda muito elevada – é extraordinário como o turbo-ministro das Finanças, que passou à velocidade do som pelo primeiro Governo de Sócrates, vem declarar que “Portugal ficou mais perto de pedir ajuda ao FMI”; e que o candidato à reeleição presidencial não consiga pronunciar a palavra êxito ou, ao menos, sucesso, ficando-se por um tíbio “vamos ver, vamos ver, este é só o primeiro passo”, ao mesmo tempo que resolve afirmar que não exclui uma crise política no horizonte.

    O primeiro caso resulta do manifesto ódio que o turbo-ministro tem a Sócrates, o que obnubila os raciocínios económicos do professor universitário. Bem melhor esteve António Nogueira Leite ao dizer que o défice de 7,3% está expresso em contabilidade pública e não nacional, que é a que conta, faltando apurar os resultados do SNS, administração local e regional, fundos e serviços autónomos. No segundo caso, o candidato presidencial, que com grande probabilidade será reeleito, está a entrar em jogos políticos perigosos, lançando novas incertezas e fragilizando a nossa posição, num dia em que tínhamos ganho alguns pontos no braço de ferro com os mercados.

    Aliás, a questão do pedido de ajuda do país ao fundo europeu de emergência e ao FMI está a tornar-se uma luta ideológica, em que a direita prefere a vinda dos homens sem rosto do Fundo e a esquerda resiste a esse desiderato.

    Entendamo-nos. Do ponto de vista do interesse das famílias e das empresas portuguesas e da autoestima nacional, é luminosamente evidente que é melhor sermos nós a resolver os problemas que, em grande parte, nós próprios criámos. Querer que o FMI venha para arredar Sócrates do poder pode ser interessante para o partido A ou B, mas não coloca os interesses nacionais acima dos partidários.

    Estamos a caminhar no fio da navalha e falta muito para dizermos que ganhámos a guerra. Mas na quarta-feira vencemos sem dúvida uma batalha.

    tags: cavaco, finanças públicas

  8. “O maior partido da oposição” ?

    Da oposição, Val? Se te estás a referir ao PS será melhor dizeres: O segundo maior partido da Situação.

  9. Onde está o verdadeiro poder, o que induz a hipnose alienante e conduz ao
    estado catatónico da nação? Não procurem muito. Pensem duas vezes quando se sentirem tentados a discutir mais uma vez o «desporto nacional». Se não sabem qual é ou têm dificuldade em perceber a que matéria estranha me estou a referir, liguem o televisor ou rádio, qualquer estação, qualquer hora do dia ou da noite, e se continuarem a não perceber aguardem cinco minutos. O crime perfeito não é aquele que faz uivar toda a gente de indignação; é o que não deixa rastos nem suspeitas. As promessas de «1984» não estão a sair completamente como previsto, apesar das teletelas de sentido inverso, a caminho com algum atraso sobre o calendário, mas no essencial já cá estão, e a sua marca é a alienação em pleno tempo da informação ao alcance de quase todas as bolsas. Nunca tinham pensado nisso? Pensem agora, se ainda conseguirem pensar criticamente sem espumar aos cantos da boca.

  10. Esse Montegrego assim que for necessário vai começar a dizer que abandonou a maçonaria quando descobriu que a partir do grau x se revelava o grande segredo oculto: a adoração de Lúcifer na sua encarnação filosófica de Paris. E o Correio de Sócrates, conhecido tablóide, vai delirar e fazer um dinheirão com o folhetim.

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