Nexo e plexo

A Operação Marquês é o maior processo judicial da história da democracia portuguesa. Isto anda a ser repetido desde 2014. Ingénuos (como eu) acreditaram, nos primeiros dias após a detenção de Sócrates no aeroporto, que a Justiça iria mostrar-se capaz de corresponder às suas responsabilidades: apurar a verdade dos factos, impedir a exploração política e não alimentar a indústria da calúnia, decidir com muito maior rapidez do que o seu normal dada a gravidade e consequências do que estava em causa – quer Sócrates viesse a ser acusado e condenado, quer viesse a continuar inocente após ida a tribunal ou por arquivamento. Foi uma ingenuidade que durou dias, não chegou a uma semana.

Desde o princípio, ao se decretar a prisão preventiva, ficámos perante uma inaudita dicotomia que iria sempre ter como desfecho abrir-se uma questão de regime. Ou o PS, partido fundador da democracia e historicamente o mais importante na defesa da liberdade, tinha tido um primeiro-ministro corrupto, e logo aquele que havia conseguido a primeira maioria absoluta para os socialistas; ou o Ministério Público, em conluio com juízes, tinha violado o Estado de direito democrático (cometendo um lençol de crimes) com a intenção de judicializar a política contra o PS. Esta era também uma dicotomia ingénua, abstracta. A realidade, de imediato, tratou de a esfarelar.

O que veio à luz nos 12 anos seguintes mostrou que o MP não conseguiu provar ter existido corrupção, sequer conseguiu propor uma hipótese credível para tal. Ao mesmo tempo, o sistema político, a comunicação social e a sociedade trataram Sócrates como culpado de corrupção, não lhe concedendo presunção de inocência e fazendo campanha pública para que não se conseguisse defender na plena posse dos seus direitos. Pelo meio, aconteceu o dia 9 de Abril de 2021. Foi quando Ivo Rosa reduziu a “especulação e fantasia” uma acusação com mais de 4 000 páginas, para tal lavrando uma decisão instrutória com quase 7 000 páginas. Cheia de erros e escabrosas falácias a coisa? Ao contrário. É um documento tão rigoroso na análise dos materiais apresentados na acusação, e tão exacto na aplicação da lei sobre as acusações, que ninguém de ninguém no editorialismo e no comentariado alguma vez lhe tocou. Minto, algumas peças terão saído a quente nas madraças da indústria da calúnia, mas apenas com pólvora seca. Para ser revertido, outros juízes tiveram posteriormente de perverter ainda mais o processo, perante a cumplicidade e alívio geral.

O que atrás descrevi corresponde a um ciclo, que ainda dura. Nele, instituiu-se como necessidade do regime que Sócrates seja condenado por corrupção. No caso de os tribunais não o conseguirem fazer por falta de tempo ou de racional mínimo para não gerar escândalo internacional, a condenação irá cumprir-se na continuação do assassinato de carácter que dura desde 2004 – e que se faz, inclusive, em órgãos de soberania. Mas em Outubro de 2025 iniciou-se um novo ciclo, quando se ficou a saber da perseguição e devassa do MP a Ivo Rosa, o qual teve em 11 de Maio um ápice na forma de três cartas enviadas ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República e ao Provedor de Justiça pela vítima. 40 páginas de exposição exaustiva e documentada da violência exercida contra si – portanto, contra todos nós. Essa carta, no momento em que teclo, não teve qualquer resposta.

As duas mais altas figuras na hierarquia do Estado são cúmplices do MP contra Ivo Rosa. O Provedor de Justiça é cúmplice do MP contra Ivo Rosa. Os partidos com representação parlamentar, e todos os deputados sem excepção, são cúmplices do MP contra Ivo Rosa. Porque escolhem ser cúmplices? Porque Sócrates. Àquela que já era uma crise do regime onde se cometeram abusos e crimes por magistrados na Operação Marquês, acrescenta-se uma crise constitucional quando os dois mais altos representantes da soberania não querem defender a Constituição e o Estado de direito democrático.

Nada do que se fez a Ivo Rosa se explica sem relação com o que se fez, faz e quer fazer a Sócrates. Não se pode negar o nexo, nem se consegue esconder o plexo.

18 thoughts on “Nexo e plexo”

  1. O designado 44 em LIVRO DE ROSTO.

    Um professor de direito fez um parecer para a minha defesa e para a defesa do meu primo. Pagou o meu primo, que tem recursos, eu não os tenho.
    Mas esta não é a revelação da SIC – a verdadeira revelação é que a informação foi dada à SIC pelo Ministério Público. O que é escabroso é ficarmos a saber que enquanto decorre o julgamento, o ministério público investiga a defesa. Querem saber os planos da defesa, a estratégia da defesa, quem aconselha a defesa.
    Ao fim de treze anos a investigação torna-se perpétua: investigaram no inquérito, investigaram na instrução (mais propriamente, investigaram o juiz de instrução), investigam agora no julgamento. A devassa sempre tem algum ponto mais a explorar. Já investigaram o comprador da minha casa, o empresário que me contratou e agora o Professor de direito que fez um parecer para as defesas.
    No direito democrático investiga-se o crime – não a defesa. A criminalização da defesa é a perversão do processo penal. Nenhum estado de direito transforma a defesa em alvo processual pelo simples exercício das suas prerrogativas. Bem vistas as coisas, não se trata de uma investigação, mas de um ato contínuo e demoníaco de vingança.
    Vingam-se do juiz Ivo Rosa, vingam-se da queixa no tribunal europeu e vingam-se da humilhação do procurador Rosário Teixeira, apanhado a prestar falsas declarações no julgamento da ação extracontratual contra o Estado.
    A revelação da SIC sobre quem pagou o parecer é o eterno retorno da covardia e das sombras.
    A notícia é encomendada pelo ministério público e o segredo de justiça é violado de acordo com o interesse dos procuradores.
    Nunca é culpa de ninguém.
    A violação do segredo de justiça é o crime de ninguém.
    —————————————-
    Outras coisas e loisas que não interessam para nada, analogias.
    1-Há vinte anos, o litoral alentejano entre Tróia e Melides (sim, com a Comporta e o Carvalhal a ocuparem o meio) foi palco de uma operação cuidadosamente planeada para condicionar a fruição destes 40 quilómetros de costa. Sob a bandeira dos PIN (Potencial Interesse Nacional), grandes grupos imobiliários obtiveram de Pinho e de Sócrates a luz verde para urbanizações de enorme dimensão, erguidas numa das mais sensíveis áreas protegidas do país.
    2-Chegámos agora aos chapéus de sol, a propósito dos quais a APA se viu obrigada a emitir uma norma técnica para esclarecer que os banhistas podem colocar o seu próprio chapéu à frente das concessões.
    3-Na Albania há trolha da grossa por causa de um resort do genro do trampa a construir em paisagem protegida.
    4-Há estratégias que se adivinham antes de serem declaradas. Este governo não anunciou que quer privatizar a Segurança Social e o Serviço Nacional de Saúde — anuncia-o por partes, em cada decisão orçamental que retira receita a estas instituições até que a sua alegada falência justifique a solução que sempre esteve em mente.
    A fome dos gárgulas é insaciavel, aqui e além mar em qualquer lado, por isso privatizem tudo em todo o lado, mais a puta que os pariu a todos.

  2. “Ministério Público, em conluio com juízes, tinha violado o Estado de direito democrático”.
    Pois foi!
    Tal como tinha sido em 2003 com a detenção de Paulo Pedroso em direto nas TV´s e o envolvimento de Ferro Rodrigues no processo. As declarações dos jovens sobre estes dois nas supostas orgias são de rir à gargalhada, completamente inverosímeis.
    Estranho foi que todos os politicos acusados nesse processo pertencessem ao PS, falou-se de um outro do CDS mas nunca passou para acusação formal. O PS era a casa dos politicos pedófilos, não havia ninguém assim no CDS, no PPD, ou no PCP.
    Eu acho que essa foi a primeira tentativa de lixar o Partido Socialista, caluniando vários dos seus dirigentes. Não resultou, o PS continua, sobreviveu, mas muitas carreiras politicas foram por torrente abaixo. E o bom nome de casa qual, ainda hoje, e apesar de todas as provas em contrário, os direitolas chamam pedófilos a Pedroso e Rodrigues.
    O que interessa nem é condenar, parece que basta acusar, as têvê fazem o resto.

  3. «1-Há vinte anos, o litoral alentejano entre Tróia e Melides (sim, com a Comporta e o Carvalhal a ocuparem o meio) foi palco de uma operação cuidadosamente planeada para condicionar a fruição destes 40 quilómetros de costa. Sob a bandeira dos PIN (Potencial Interesse Nacional), grandes grupos imobiliários obtiveram de Pinho e de Sócrates a luz verde para urbanizações de enorme dimensão, erguidas numa das mais sensíveis áreas protegidas do país.»

    Como todos aqueles que se julgam espertos únicos e têm acusações a imputar a todos os políticos segundo uma ideia de um imaginário, idealista e hipotético sistema de governo que nunca existiu ou será possível existir entre os sapiens humanos, o “A bem da noção” vem com esta analogia que, tal como as megalómanas e faraónicas obras cometidas por Sócrates na voz popular, “cm”, “eixo do mal”, “fedorentos” e média em geral na realidade nunca viram a luz do dia.
    Os PIN foi uma ideia de Sócrates mas tinha regras e, tal como desde Secretário de Estado, andara a mandar derrubar barracas e edifícios sobre dunas de praias no Algarve e outros lados tais urbanizações PIN tinham exigências de regras rigorosas para salvaguarda ecológica como a obrigação do edificado ficar longe das praias que deveriam ser abertas e livres ao acesso de todos.
    Lembro-me que imediatamente à aprovação desse PIN vários projetos surgiram para construir junto às arribas ao jeito de Vale do Lobo, Albufeira e Armação de Pêra o que de imediato deu aso a uma disputa política entre o governo Sócrates e os empresários; pergunto onde estão esses Pines faraónicos construídos? Nada, e a Comporta foi autorizada muito depois de Sócrates e sob benção do então ddt Salgado.
    Fazer analogias com algo que não passou do papel não traduz inocência mas intenção. A analogia perfeita é meter dois dedos no rabo e cheirar um ou outro é precisamente o mesmo.

  4. O Saramago, tal como o Cunhal e o Staline foram os maiores adeptos da privatização global de tudo que existe sob o sol em nome, proveito e usufruto de um partido único dirigido por eles.

  5. Bom título. Faz lembrar a trilogia de Henry Miller “The Rosy Crucifixion” : Sexus, Plexus and Nexus. Onde mora o Sexus?

    Tudo verdade e é aprova que não existe uma democracia, nem sequer formal, quando basta uma campanha de intoxicação dos media e de juízes do aparelho de Justiça, para perverter o estado de direito. Na cultura Pop ocidental nestas alturas existe uma criação artística e criativa que combate o status quo (não eram uma má banda apesar de tudo) que busca/representa uma certa justiça “alternativa” perante os abusos. A criação de super-herois, a música interventiva, a poesia, graffitis etc .encarregam- se de oferecer uma resistência, nem que seja simbólica através de meros excertos ou exercícios retóricos irónicos. Não existe nada disso em Portugal, houve uma terraplanagem esgaz(e)ante -em que todo o dissidente seria esquecido e votado à derreliclção – de todos os argumentos em prol de um processo justo, que apenas resultou o silêncio público de alguma reinvindicação justa perante o processo kafkiano. Tal como na Alemanha existe uma razão de Estado que impede a distância entre sujeito e conceito, embora funcionem de formas antagónicas. Na Alemanha não se pode condenar Israel em Portugal não se pode ilibar Sócrates. A ironia aqui é ver que Portugal ganhou um lugar no Conselho de Segurança da ONU á custa da Alemanha se ter tornado um Estado que apoia o genocídio israelita, enquanto incumpre os mais básicos direitos de um processo justo. Se não houvesse mais nenhuma forma de como medir a anomalia cívica e democrática que vivemos, um anti-iluminismo irónico e gracejante, é ver a quantidade de megafones humanos que sem qualquer prova continuam a vociferar que alguém é culpado disto e daquilo só porque uma entidade pública lhes disse para o fazer. Na Alemanha a razão de Estado em Portugal o MP, no fundo ambas são mistificações para desculpar o pior que existe em nós, a falta de vergonha e formação cívica. Sociedades de canalhas é o que o Ocidente está a formar, está a tornar aceitável matar alguém só porque não se gosta. Voltamos ao antigo Testamento.

  6. Excelente texto, Sr. Valupi.
    (Olhe que não estou a escrever isto para engraxar – lá por estar a ser sistematicamente censurado num sítio que eu cá sei. Mas isso não vem agora ao caso)

    —————-
    Referiu-se Saramago aqui na caixa. E como hoje só me apetece é morder…
    Não gosto de Saramago. Li três livros dele, gostei de um, ainda que incidindo em tema batido e rebatido na nossa literatura. Mas depois que ele abalou para a Ilha de Lanzarote, Espanha das Nações, gozar da vida….

    ….e como tinha na memória a sua influência no Diário de Notícias no prec, especialmente no mês de maio de 1975, em Lisboa e por esse país fora – safaram-se muitos a fugir pelos telhados –

    Pu-lo, cuidadosa e definitivamente, de parte.
    Não o gramo.

  7. Pois é. Mais um dia, mais um choradinho do 44.

    Mais um relambório, mais uma piaçabada do volupi, a sua viúva nº 1 – ou será a nº 2, após o jose neves? Pouco atrás vêm os restantes fãs e membros deste clube xuxa: Fernando, Lowlander, Cunk, etc. Só o ‘A bem da noção’ parece – em geral – ser imparcial.

    Há acima tantas fantasias e neuroses que se torna penoso indicar todas, mas logo esta é de estalo: «Ou o PS, partido fundador da democracia e historicamente o mais importante na defesa da liberdade tinha tido um primeiro-ministro corrupto»… tanto disparate! O PS é maior máfia do país; só defende pote e tacho; o 44 é só o maior dos seus corruptos e trafulhas.

    A corrupção do 44 era mais que conhecida muito antes de ser PM ou da Operação Marquês. Só os xuxas fingiam não ver. Toda a vida foi corrupto. Toda a vida viveu de esquemas. Os PIN foram uma ínfima parte das suas trafulhices mafiosas e ruinosas, que haviam de ajudar à bancarrota do país… e de financiar o luxo em Paris. E o luxo actual: de onde vem a massa?

    Além de trafulha e coveiro do país, é também um alvo da chula corporação judiciária e um bode expiatório deste regime podre? Sim, provavelmente. Mas a sua culpa está além de qualquer dúvida. E é, além disso, um tipo reles, ordinário, insuportável, execrável.

    Tome e embrulhe: volupi, de onde vem a massa?

  8. Se formos a ler os programas eleitorais do ps, psd ou pcp, encontramos motivos para, de acordo com as perspectivas politicas de cada um, aceitar que estão todos de boas e legitimas intenções, o que não significa que os seus autores, ou elementos que se dizem militantes devotos estejam.
    Por isso, dizer raios e coriscos de um partido, é tão errado como dizer que os seus elementos são todos honestos.
    ————————————-
    SER DE ESQUERDA, É TER UMA POSIÇÃO FILOSOFICA PERANTE A VIDA, ONDE A SOLIDARIEDADE PREVALECE SOBRE O EGOISMO. Pepe Mujica.
    —————————————-
    A mim parece-me bem.
    Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan,
    privatize-se a Capela Sistina,
    privatize-se o Pártenon,
    privatize-se o Nuno Gonçalves,
    privatize-se a Catedral de Chartres,
    privatize-se o Descimento da Cruz,
    de Antonio da Crestalcore,
    privatize-se o Pórtico da Glória
    de Santiago de Compostela,
    privatize-se a Cordilheira dos Andes,
    privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu,
    privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei,
    privatize-se a nuvem que passa,
    privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno
    e de olhos abertos.
    E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar,
    privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez
    a exploração deles a empresas privadas,
    mediante concurso internacional.
    Aí se encontra a salvação do mundo…
    E, já agora, privatize-se também
    a puta que os pariu a todos.
    – José Saramago, em “Cadernos de Lanzarote – Diário III”. Lisboa: Editorial Caminho, 1996.

    “privatizem tudo em todo o lado, mais a puta que os pariu a todos.”
    MOI

  9. BLOG RAQUELCARDEIRAVARELA.WORPRESS.COM

    O PS – quando a revolução, o PREC, em 1974 e 1975, afastou a direita do país, os ricos literalmente fugiram, e cá ficou a autogestão democrática dos trabalhadores – o PS foi o partido que a burguesia usou para se recompor. E voltou a usá-lo na Geringonça, para acalmar as lutas contra Passos Coelho.

  10. JA, muito obrigado pelo teu aviso. E é absolutamente verdade, não consigo perceber a prosa do Cunk. Mas não é por falta de esforço, nota. Desde que a li que não penso noutra coisa. Já li e reli a prosa do Cunk para aí umas trezentas vezes, à-vontadinha. Tudo inútil, continuo a não perceber patavina.

    Não dava para seres tu a explicar? É um grande favor que me fazias.

  11. Valupi, como diria o povo, “com a verdade me enganas”. Mas, deixe lá, não vale a pena esquentar as meninges, que eu, bom coração – e porque me pede – explico-lhe: o que eu li em “Cunk” resume-se à constatação de que a Democracia em que, suponho, V. Exa acreditará, afunda-se a cada dia que passa (“Na Alemanha não se pode condenar Israel em Portugal não se pode ilibar Sócrates”). Eu sei que gosta de intelectualizar as questões, falar, por exemplo, sobre “ovo da serpente”, mas as mais das vezes tergiversa, simplesmente. No seu universo ideológico, constatar que podemos estar a formar “Sociedades de canalhas…” amorfas, sem capacidades criticas, diria eu, nada tem a ver com os silêncios “das duas mais altas figuras na hierarquia do Estado… “, do “Provedor de Justiça…” e dos “partidos com representação parlamentar, e todos os deputados sem excepção…” é só assunto de retórica, que vai bem com o tagarelar político do dia a dia! Queixa-se por Sócrates, como bate palmas pela guerra na Ucrânia ou no Médio Oriente, sem nunca conseguir ligar as coisas! Não sei em que tempo nasceu, mas arrisco que não passará de um diletante que nunca foi posto à prova por dificuldades existenciais de natureza política. Só desejo que não venha a aprender com a eclosão do ovo.

  12. JA agradeço o encómio. Quanto ao Valupi a ironia sobranceira é uma atitude meramente defensiva, nada mais. Ou melhor, não dá para mais.

  13. JA, vou juntar-me ao Cunk no agradecimento. Mas vou um bocadinho mais longe do que ele, pois identifico no que escreveste aquela passagem que me fez admitir estar perante alguém que sabe do que fala, e que fala do que importa saber. Foi esta: “Queixa-se por Sócrates, como bate palmas pela guerra na Ucrânia ou no Médio Oriente, sem nunca conseguir ligar as coisas!”

    É isso mesmo, não tenho como negar. Porque, de facto, o que venho para aqui fazer é só largar queixas por causa do outro e bater palmas às guerras ali e acolá. Nada mais, nada menos. E essa desgraça acontece porque nunca consigo ligar as coisas!

    Ai, se eu conseguisse ligar as coisas… Enfim, grande azar o meu.

  14. Agradeço a resposta e o seu interesse na minha opinião. Mas, Valupi, não há qualquer “desgraça” no modo como lê a realidade, é o seu jeito…

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