Amicus Sócrates

Devemos enfrentar a possibilidade de Sócrates ser culpado de tudo ou de parte. E quão mais cedo o fizermos melhor, sendo que neste plural estou a incluir qualquer um que seja defensor do Estado de direito e tenha aversão à calúnia, seja lá qual for a sua preferência partidária ou ideológica. Creio poder contribuir para o exercício posto que tenho 7 anos, pelo menos, de treino na matéria.

Por estes dias de Novembro cumpriram-se 9 anos desde que o Aspirina B foi criado. Os seus fundadores estavam muito longe de imaginar no que um blogue conotado com a esquerda à esquerda do PS se viria a tornar a partir de 2007: um dos mais notáveis antros do socratismo militante neste cu do mundo que é, ou foi, a “blogosfera política”. Quem conhecer o Luis Rainha, o mentor primeiro deste espaço, sabe que tal destino teria sido uma aberração impossível de concretizar caso ele se mantivesse na equipa, e basta olhar para a lista de autores para o confirmar. Nos começos de 2006, Daniel Oliveira e Rui Tavares chegaram a passar por aqui. O Nuno Ramos de Almeida, um dos fundadores e comunista de lei, viria a ser um dos mais ferozes jornalistas da equipa da Moura Guedes no auge da exploração do caso Freeport. Outros nem sequer escreviam sobre política, e calhando escrever talvez se revelassem algo muito diferente de um apoiante do PS ou de Sócrates. Então, que se passou? O normal em blogues colectivos, as saídas dos que entraram. No Verão de 2006, o blogue esteve para acabar por desistências várias e fiquei como o único dos restantes e pouquíssimos autores a ter gosto pelos temas políticos. Logo eu que tinha entrado nisto apenas para me divertir com o que me desse na real gana escrever, não estando a política corrente no topo dos meus assuntos favoritos para tratar de forma sistemática. Porém, a natureza originária do blogue era essa e considerei que, à falta de melhor, pelo menos iria existir um palonço dedicado a acompanhar a actualidade política e a dizer muitas banalidades e alguns disparates a respeito (ou vice-versa). Ainda por cima, tinha já recebido uma menção honrosa acerca da figura que justifica esta prosa. In illo tempore, o Pacheco não estava alucinado pelo ódio.

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Em 2010, na ressaca do fracasso eleitoral de 2009 e numa explosão de ressentimento e velhacaria, o mesmo Pacheco elevou o Aspirina B ao estrelato na célebre patifaria da “frente da calúnia“. Para além do texto ser uma projecção exacta do seu método de ataque político a Sócrates, o que há nele de espectacular, do meu ponto de vista, é ter saído na revista Sábado. Isso significa que recebeu dinheiro para transmitir ao público que nos três blogues referidos escreviam “empregados do governo” e “às vezes mais acima“. Acima do empregado está o empregador, pelo que o Pacheco resolveu caluniar um número indefinido de pessoas, onde se incluem governantes, e ainda encheu o bolso com a mentira. É que não posso garantir se no Jugular e no CC escreviam estes ou aqueles, mas sabia o que se passava dentro desta casa. Como o Pacheco afiançava que conseguia detectar empregados e patrões só pelo cheiro do HTML, fiquei a possuir um conhecimento que não teria sem essa cena burlesca: o Pacheco era, e é, um dos mais poderosos caluniadores em Portugal – dada a sua influência e auto-inimputabilidade.

Que se passou para chegarmos a um estado demente na relação com Sócrates e fosse com quem fosse que se atrevesse a não o perseguir com forquilhas e chicotes? O meu caso poderá ser uma ajuda para essa compreensão. Todos os textos que escrevi sobre o homem estão disponíveis, e se algum maluco quisesse perder tempo a lê-los veria que não encontra neles qualquer apoio, ou tão-só meramente marginal e avulso, às suas políticas. Aliás, regularmente fui anunciando que não votei PS em 2005, nem em 2009. O que lá está à prova de estúpidos é antes uma reacção contra a estratégia dos assassinatos de carácter, das campanhas negras, das golpadas judicial-mediáticas, das inventonas. E por esta singela razão: qualquer partido, qualquer agente político, que vá por esse caminho estará a prejudicar-me e a prejudicar aqueles a quem quero bem – seja quem for o seu alvo. Ora, sendo Sócrates a personalidade mais polémica da história da democracia portuguesa, quiçá do século XXI lusitano pois custa a admitir que se volte a ver fenómeno igual, esta tomada de defesa da cidade seria inevitavelmente considerada pelos canalhas como uma defesa a soldo daquele que pretendiam destruir. E entendendo eu os inevitáveis mecanismos psicológicos da confusão, também sei que há milhares de anos e milhões de vítimas na tentativa civilizacional de fugir dessa pulsão animal onde a democracia é esmagada pela oligarquia ou pelo tribalismo. Eis o belo combate.

Pois bem. As anteriores suspeitas sobre Sócrates foram de arrebimbomalho. Em todas elas me interroguei com radicalidade acerca da sua veracidade. Ver uma televisão validar institucionalmente uma peça onde aparece um fulano a dizer que o primeiro-ministro é corrupto cria um desafio cognitivo altamente custoso, dado que a reacção normal será a de ceder perante a “evidência”. Nós estamos geneticamente condicionados para seguir o grupo, trata-se do instinto de sobrevivência donde vem a segurança e a aprendizagem. Não acompanhar a multidão requer um esforço intelectual e volitivo muito maior que, amiúde, se consubstancia em actos de coragem. Mas recusar a pressão do grupo só por filiação afectiva ou identitária também pode ser fatal. É desta complexidade que vem a eficácia das calúnias, um recurso político tão mais usado quão mais livre e democrática for uma sociedade. Estando a autoridade política sustentada pela integridade moral, mais uma vez num nexo de raiz biológica, tal leva políticos sem qualidades de liderança a usarem a calúnia como o seu principal recurso na luta pelo poder. De usar a calúnia ninguém poderá acusar Sócrates, mas de tudo o resto foi acusado. O meu critério foi sempre o de esperar pela intervenção do Estado de direito. Se há um bife na TV a dizer que entregou envelopes castanhos a um chefe de Governo e, simultaneamente, não se ouvem sirenes da polícia nem porta-vozes dos partidos a chamar pela bófia, então não passa de pulhice. Algo (muito) mais fácil de explicar do que de fazer.

Em Novembro de 2014, tivemos carros da polícia sem sirenes mas com câmaras televisivas. O critério, mantendo-se o mesmo, implica outra conclusão: Sócrates poderá ser culpado. Se for a tribunal, e se for culpado de corrupção com prova material – e não apenas por fezada do juiz – estaremos perante um caso de repercussão mundial que se oferece para inúmeros estudos académicos em todos os continentes. Não tanto pela corrupção em si, um acontecimento socialmente banal, nem pela novidade histórica no contexto nacional, mas pela manipulação gigantesca, monstruosa, que tal configuraria. Sabemos da existência de assassinos psicopatas cujos vizinhos ou colegas de trabalho nunca desconfiaram que estivesse ali mais do que uma pessoa educada ou normal. A realidade de termos um Sócrates corrupto é dessa ordem mas elevado a uma magnitude colectiva, um choque que poria em causa a racionalidade de milhões. Se Sócrates for apenas acusado e declarado culpado de fuga ao fisco, por exemplo, a tragédia ficaria circunscrita ao PS. Nesse eventual cenário, partindo do princípio de que a sua culpabilidade fosse inquestionável, a sua conduta teria de ser considerada imperdoável. O grau de irresponsabilidade que resulta de se estar a prejudicar o PS e o País por venalidade não é sequer compatível com declarações de amizade pessoal. Qualquer um dos seus actuais amigos seria obrigado a refundar esse laço caso o quisesse manter tamanho o prejuízo causado. O seu papel na comunidade é maior do que ele próprio, resultado do seu trajecto e decisões.

Não se concebe que Sócrates seja este super-criminoso – ou este bronco que outrora chegou a usar “técnicas dos serviços secretos”, segundo denúncia do Pacheco, mas que agora se tinha dado à morte por causa de uns trocos – tal como retratado na acção da Justiça contra si. E igualmente não se concebe que Rosário Teixeira, Carlos Alexandre e Joana Marques Vidal tenham enlouquecido ao mesmo tempo. A situação é equivalente às das suspeições anteriores, mas com esta diferença: desta vez, vai acabar sem elas. Ou Sócrates perde ou perde o Estado de direito. Em ambos os casos, vamos ter muito para reconstruir e recriar.

77 thoughts on “Amicus Sócrates”

  1. “Devemos enfrentar a possibilidade de Sócrates ser culpado de tudo ou de parte.”

    o mais certo é não ser culpado de nada e o processo ser arquivado daqui a dez anos com uma lista de perguntas que os procuradores naõ tiveram tempo de fazer.

    ps – desculpa lá estar a condionar os comentários ao lençol onde esfregas o umbigo, mas não resisto.

  2. “E quão mais cedo o fizermos melhor, sendo que neste plural estou a incluir qualquer um que seja defensor do Estado de direito e tenha aversão à calúnia, seja lá qual for a sua preferência partidária ou ideológica. ”

    bora lá fazer uma petição para o sócras se declarar culpado, ficamos com o problema resolvido e poupa-se nas ajudas de custo do rosário.

  3. “E igualmente não se concebe que Rosário Teixeira, Carlos Alexandre e Joana Marques Vidal tenham enlouquecido ao mesmo tempo.”

    não se trata de um problema conceptual, é a lógica do poder a funceminar, o ar-de-busto presidêncial tem uma vagalidade, o lima sugere, a vidaleira dá ordem, o super-alex coordena e o rosário executa, no fim não foi ninguém, não há papéis e foram denúncias da cgd, motivadas pelo bes e que já andavam a ser investigadas por causa dumas certidões que foram tiradas dum processo falhado. quem disser o contrário pode ser acusado de fuga ao segredo de justiça ou difamação dos difamadores. espero que o sócras com ou sem razão formal, quero dizer recorrendo de todos os meios, lhes dê cabo do juízo e que ponha a justiça de cuecas.

  4. Também pode não perder nenhum dos lados e sair um empate: arquivamento ao fim de alguns anos (um jurista-comentador avançou com hipótese de 10 !). Neste país de brandos costumes com horror a radicalismos afigura-se-me a hipótese mais provável, caso Sócrates esteja totalmente inocente, como acredito, depois de sabermos pelas felicias cabritas de que todo o dinheiro das investigações não pertence a Sócrates mas à mãe e ao amigo de infância, apresentados como “testas de ferro” do ex-PM. Também pode acontecer uma sentença à moda do “Casa Pia”: ressonância de verdade. Uma coisa parece garantida: o sistema judicial em causa, nunca, jamais! E nisto vão estar e já estão de acordo todos os partidos políticos representados na AR. Nâo posso tirar outra conclusão, depois de ouvir toda a gente afirmar, desde o PR até ao último deputado, e sem pestanejar, que a “justiça funciona”, apesar da violação grosseira, repetida em cada dia e em todos os órgãos da CS. O homem já foi julgado e linchado e chamam a isto a justiça a funcionar! Gostava de ver cada um dos que fazem esta afirmação no lugar de Sócrates. Foi preciso vir um velho de 90 anos dar o nome à grande porca: infâmia!

  5. Ainda ha menos de um mês tive a impressão de teres aqui mostrado a tua indignação pelo distanciamento de Antonio Costa por este não assumir por inteiro e, sòmente de uma forma tímida, a herança dos governos de Socrates. Anda por aqui muita confusão. Adeus, rapaz!

  6. Quis dizer: violação do segredo de justiça. Claro que o “empate” é derrota de Sócrates, mas isso já pouco interessa porque já está aniquilado.

  7. Protesto! Estou tão inocente como o “chefe que a direita sempre quis ter”. Isto é uma campanha de juízes vingativos e invejosos, contra a democracia e contra as pessoas honestas e com sucesso na vida.
    Nos próximos dias vou escrever uma carta a desmentir todas as acusações que me fizeram, e vou mostrar como a minha condenação não passou de uma farsa e de um processo político. Espero que o rebanho socrático me defenda e que acredite na minha inocência.
    Eu vou andar por aí…

  8. ignatz, percebo o teu problema, mas tens de aguentar.
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    Maria Abril, esse cenários do 10 anos e depois arquivamento poderá acontecer, sei lá, mas a questão moral ficará resolvida muito mais cedo. De facto, assim que Sócrates quiser – e estando inocente – poderá contar a sua versão publicamente. Ao sermos confrontados com as suas explicações, ficaremos com uma ideia suficiente para podermos avaliar o caso, não precisamos de esperar pela decisão judicial.
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    pedro, não sei do que falas, mas concordo contigo: Costa é demasiado tímido na relação com os Governos de Sócrates.

  9. “De facto, assim que Sócrates quiser – e estando inocente – poderá contar a sua versão publicamente.”

    versão de quê? das histórias em que a felícia cabrita se contradiz todos os dias ou de uma acusação que não existe para que não possa ser contestada? gaja juízo pá, o que os gajos querem é peixeirada para manter clima ao banho maria. neste momento o sócras deve lutar pelo levantamento do segredo de justiça e contestar públicamente aquilo que justiça o acusa. a cabrita, a guedes e os difamadores habituais não autoridade de coisa alguma e se sobrar para eles, serão processos de difamação ou se calhar nem isso valem.

  10. Ó Val, como é que podes acreditar numa justiça que uns dias antes viu o SIS destruir provas do processo labirinto e não fez nada.
    Quem é que manda no SIS não é o governo?
    Como é que podes acreditar numa justiça que se cala perante o processo Tecnoforma?
    Como é que podes acreditar numa justiça que no processo dos vistos gold incrimina os sócios, incrimina a secretária, mas não vê nada no Macedo?
    Como é que podes acreditar numa justiça que ainda não encontrou o corrompido no caso dos submarinos.
    Eu não sei se eles enlouqueceram todos ao mesmo tempo, o que eu sei é que estamos a ser governados por uma cambada de loucos, o que nos vale é que temos gajas boas, cavalos e aviões para vender.

  11. em aveiro também enlouqueceram ao mesmo tempo o crachá de ouro, o outro marques vidal e o juiz. na casa pia também enlouqueceram o juiz rui teixeira e o rosário teixeira (repetente).
    os fenómenos coletivos estão muito longe se ser apenas a soma das partes independentes. e se houver aspectos comuns nas partes isso é amplificado.
    espero, que haja alguma coisa com o socras, porque se não houver nada de substancial isso só confirma apolitização dos actores da justiça e isso ditará o fim do sistema de justiça tal como o temos agora. Chega de casos à beira das eleições.

  12. este gajo é maluco. oh pázinho qual era a tua versão se te acusassem de viveres acima das tuas possibilidades, de branqueamento e fuga de capitais porque um suposto amigo de bibe ter supostamente uma conta bancária, um apartamento em paris e se calhar tamém tem um telemóvel ou usa cuecas com motivos tropicais.

  13. agora na rtp, a mãe vendeu ao amigo em 2011, 3 apartamentos t3, com 80 m2, no cacém, por 100.000 euros cada, um preço muito superior ao valor de mercado e por isso suspeito.
    hoje, 3 anos depois, pedem o mesmo por um apartamento com as mesmas características. atendendo a que a economia melhorou e o imobiliário valorizou desde que o sócras saiu do governo tem de haver marosca, foi sobreavaliado para pagar favores.

    http://casa.sapo.pt/Apartamento-T3-Venda-Sintra-Cacem-e-Sao-Marcos-Centro-%28Cacem%29-tem.Varandas,Varanda-b50f3a87-a084-45a4-8c86-90f75943f608.html?pn=1

  14. palminhas! sinto-me em conchinha de opinião. e é bom, sabe bem.

    podia ter havido salgadinhos e pé de dança aqui, caramba. nove anos já é uma história muito longa neste tempo que corre parado. :-)

  15. … e se o gajo for culpado de alguma dessas merdas, o que é altamente provável, tu vais ter uma crise existencial e se calhar nem a camisa de forças te salva ! Eu cá por mim quero que esse cabrao palhaço do Socras se FODA ao comprido e coza em lume brando ! E isto só para entrada … nada de pessoal!

  16. Caro Valupi, mais uma vez os parabéns por outro belíssimo texto, confronto-te por isto e pelo respeito que me foste conquistando desde que descobri este blog pela mão do Roteia, com uma idêntica “realidade”.

    Há uns meses atrás um desses bancos que abandonou o país, tinha as seguintes palavras escritas na Avenida da República – “Não é reconstruir, é fazer melhor”.

    De facto, parece que nós e o PS ainda não integrámos uma coisa, a realidade mudou e não tornará a repetir-se nos próximos anos. Por melhor ou pior que António Costa seja, o país não voltará a acreditar ou melhor, a renovar a esperança tão cedo.

    O que vou compreendendo desta realidade, diz-me que o discurso do PS precisa de ser urgentemente actualizado, mas tenho duvidas que isso aconteça. Mesmo acontecendo, acredito que a “realidade” esmagará o sonho de uma maioria absoluta. Eventualmente o PS será obrigado a aliar-se ao PSD, para gáudio da direita no verdadeiro poder.

    Entenda-se, isto é o que acredito que tende a acontecer. Não que me agrade a ideia…

    Como podem então o PS e os partidos da esquerda democrática integrarem as mudanças e recuperarem a esperança no país? Tenho dificuldade em encontrar uma resposta, mas para aqueles que ainda acreditam na democracia, não será a vender ilusões.

  17. Quando o Ratupi diz que nos seus textos não se encontra qualquer apoio às políticas do grande trafulha, estamos perante a confirmação de que os ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio.
    Durante anos esteve na linha da frente da defesa das políticas “centristas” e “modernas” do grande impostor, e agora vem dizer, sem corar, que só lhe interessava a defesa do Estado de direito contra os seus inimigos. Só que se há coisa que se encontra em grande quantidade neste blogue são textos a defender as políticas “reformistas” do melhor PM de sempre, onde se destaca a defesa do PECIV (e do I, II e III) contra os imbecis e ranhosos.
    Mas verdade é que ficamos agora a saber o que desde sempre era conhecido: que os maiores imbecis são os socratinos, por serem incapazes de se aperceber que andavam a aplaudir um trafulha, oportunista e manipulador de massas; e que os maiores ranhosos são também os socratinos, pois continuam a aplaudir e a apoiar um trafulha, oportunista e manipulador de massas. O Ratupi não quer ser confundido com este rebanho de carneiros (imbecis e ranhosos), e por isso prefere assumir-se como o grande rato que sempre foi, isto é, como trafulha, oportunista e manipulador de massas.
    A sua devoção pelo preso nº44 está, portanto, explicada, e consistia apenas numa adoração narcisista da sua própria personalidade e imagem.

  18. ignatz, dá-me ideia de que tu ainda não percebeste onde é que Sócrates está metido, mas chama-se prisão. Uma prisão em sentido literal e figurado. Para sair dela a bem, terá de se explicar.

    Caso nada queira explicar, creio que o outro lado ficará muito agradecido.
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    Carlos Sousa, se tens provas do que dizes por que é que ainda não as foste entregar ao Ministério Público, à Judiciária ou à PSP em vez de estares aqui a empatar a Justiça?
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    assis, exactissimamente. E repara que ninguém protestou contra o que aconteceu em Aveiro ao sucateiro e a Vara, apenas se fizeram uns remoques quanto ao peso da pena. No entanto, não se provou sequer que Vara recebeu o suposto dinheiro da quilometragem.

    É por poderem existir disfunções, erros e conspirações na Justiça que importa estar disposto a ir até ao fim das consequências a tirar. No caso de Sócrates estar inocente de tudo, a magnitude dessa situação raia o potencial para uma guerra civil.

  19. “ignatz, dá-me ideia de que tu ainda não percebes onde é que Sócrates está metido, mas chama-se prisão.”

    está preso ilegalmente.

    chega ou quer com mais palavras? se for preciso chamo o nhanha para te explicar

  20. Ó Val, só não vou entregar as provas porque tenho um T2 à venda na Portela, por 125 mil euros. Só espero é que não soe algum alarme no Banco de Portugal. Ó Val, não digas nada tá bem?

  21. Mister H, levantas excelentes questões. O desafio que Costa tem é homérico. De facto, não se imagina como é que ele vai conseguir recuperar a confiança no PS e conseguir manter as bandeiras que se ligavam aos Governos de Sócrates, em especial a leitura dos idos de Março de 2011.

    A seu favor, o facto de inspirar confiança à prova de bala caluniosa e o facto de haver um rebanho que precisa urgentemente de pastor pois os lobos fecharam o cerco.
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    Carlos Sousa, larga o tintol.

  22. por acaso o duarte lima teve de provar onde é que arranjou dinheiro para comprar esta casa ou foi acusado de corrupção? não consta, o que consta é ter matado uma velhinha que se atravessou à sua frente com uma fortuna colossal e que ele, qual bom escuteiro, se ofereceu não para atravessar a zebra, mas para ir comer uns mindúins a maricá. depois foi autorizado pelo ministério público a vender o chateaux, para abater à dívida do bpn, tá bom de ver. preço de mercado 10 milhões, venda 6,5 milhões, tudo fixe subavaliação autorizada pela justiça.
    http://www.lux.iol.pt/nacionais/duarte-lima-vende-luxuosa-mansao-no-algarve-duarte-lima-casa-venda-algarve-mansao/1399410-4996.html

  23. … pareces ingénuo, Val! olha que há quem tenha observado no DCIAP profissionais a trabalhar ao abrigo do” Estado de direito” de forma obscura. parece que ali encontra-se de tudo, como na farmácia: o bom, o mau e o assim-assim. portantes, acredita, se quiseres…

  24. É precisa uma grande lata para agora vires dizer que não apoiaste Sócrates, pá. Já é tarde para isso, homem, assume, Valupi, és um grande tarado.

  25. Val,

    Gostei do teu texto.

    Tenho lido as fontes de veneno do costume e a fotografia começa a ficar mais clara para mim. A técnica é a mesma: pegar num amontoado de factos mais ou menos suspeitos e colocá-los perto de Sócrates. Espera-se que Sócrates absorva as suspeitas por osmose e passem a fazer parte dele.

    Neste caso concreto acho que a “justiça” queria muito, muito, muito demonstrar o seu poder e eficácia e engaiolar Sócrates. o troféu maior.
    No entanto, ao contrário do que pareces pensar a “justiça” para se safar da sacanagem não precisa que o que se tem dito se verifique.
    Basta que o condenem por qualquer coisa. Qualquer coisa e tudo será branqueado. Por isso acredito que tenha nas mãos provas de um delito qualquer.
    Agora se lermos com atenção as acusações da Cabrita e do Damaso…percebemos que os 20 milhoes nao são dele, que são legais, que a CGD parece ter reportado operações financeiras perfeitamente legais e justificadas, que os pagamentos da OctaPharma eram normais, que os prblemas da Octapharma no Brasil (!!!!) aconteceram muitos anos antes de Sócrates ter qualquer relaçã com eles, etc, etc..

    Mas tudo isso será irrelevante. Este amontoado de cenas serviram para o espectáculo e para o destruirem de vez e apenas têm de o condenar por qq coisa, mesmo que menor para tudo ser justificado.

    Alem disso este processo serviu de justificação para o escutarem durante 11 meses. Em 11 meses deve ter dito muita coisa e falado com muita gente. è a mesma táctica que usaram no processo do sucateiro…mas agora Sócrates já não é PM…está á sua mercê.

    Em resumo, Sócrates está fodido. Eu estou fodido com ele, porque tinha obrigação de estar 200% limpo, porque sabia que era perseguido.

    E os pulhas ganham. Esta merda não é um filme da Disney.

    ab,
    miguel

  26. ahh.. ia-me esquecendo do detalhe de serem movimentaçõe suspeitas retirar uma parte do dinheiro do BES e espalha-lo por outras contas quando o banco começou a dar raia e noutras versões o dinheiro estána suiça e noutras são 25 milhoes, noutras 20, noutras gastou 2 milhoes na sua vida luxuosa (mais os 25k/mês das avenças e malas), noutras o dinheiro ainda lá está e foi arrestado, só faltando o dinheiro do apartamento…é só ir tendo atenção aso detalhes das noticias sucessivas, que t~em origem an investigação da policia e em informação das “autoridades suiças”…mas nem acertam duas vezes seguidas no montante. Bonito.
    Mas irrelevante.

    está fodido.

    Miguel

  27. No momento decisivo, Valupi titubeia. Ignatz é que segura as rédeas do cavalo louco.
    A novela da Felícia não tem pés nem cabeça. É de loucos ter um país inteiro a acreditar numa fantasia assim. A fazer uma cabala que seja bem feita. Alguma vez um fulano com uma fortuna roubada de 20 milhões de euros se sujeitaria a, toda as semanas, pôr a cabeça em frente a tamanha corja de invejosos? Antes acreditar no Pai Natal. A história é ridícula e é bem provável que não seja outra melhor contada a estar no processo; a Felícia teria conhecimento disso. Tudo o que saiu documentado, até agora, coincide com o que JS sempre disse. Estão por chegar os factos que façam desconfiar mais da seriedade de JS do que do procurador. Pode haver alguma pentelhice fiscal, mas se fosse nítida e estivesse provada, já cá estaria fora há muito tempo. Aconteceu um golpe de estado.

  28. Já não se sabe se a Justiça se baseou em segredos do jornalismo se o jornalismo se baseou no segredo de Justiça.

    Felícia Cabrita ainda mete a Justiça em Tribunal!

  29. ignatzia, não pareço, sou. Mas não sei do que estás a falar. Do que sei é que não encontro muitos para quem o Estado de direito seja a causa primeira.
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    Mário Gomes, onde é que disse que não apoiei o homem? Chegaste a concluir a 4ª classe?
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    Miguel, se for ficando claro que tudo isto não passa de uma invenção, então esse será um resultado que levará o PS para a maioria absoluta.
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    Lucas Galuxo, tu também ainda não percebeste que Sócrates está preso e não é nos braços da Felícia. E se isso vai acabar por ser como dizes, então dentro de muito pouco tempo teremos o caso resolvido. Não creio é que uma pintelhice fiscal seja uma questão de pintelhos quando está em causa a figura de Sócrates e a sua responsabilidade.

  30. Entre sisas e irs quem é que não tem pentelhices fiscais? O actual Presidente da Republica? O actual primeiro ministro?

  31. Lucas Galuxo, e o que é que importa que este ou aquele tenha feito não sei o quê? Imaginando que Sócrates cometeu alguma ilegalidade que permita a Operação Marquês, como é que avalias o prejuízo que vem daí para o PS e para António Costa a menos de 1 ano das eleições?

  32. Não é o que mais me preocupa, Val. Neste momento, o que tenho à minha frente é um indivíduo que, racionalizando todos os elementos disponíveis, alguém tramou por querer sujeitar a voto ideias diferentes das suas. Como tu, nunca votei nele. Discordo politicamente de muitos actos da sua governação. Mas, como acho tu, não conheci fenómeno mais nefasto na democracia portuguesa recente do que esta expiação colectiva concentrada na sua figura mais exposta. Acho que o espaço político que se identifica com muito do que JS fez no governo e disse nos últimos 2 anos ainda vale muitos votos, com ele dentro ou fora da prisão. Se o PS tratar esses votos como lepra afasta-se do centro.

  33. Lucas Galuxo, votei nele em 2011. E com a noção de que iria abandonar o PS, muito provavelmente. Na verdade, votei nos deputados socialistas prevendo que viria aí o pior.

    Quanto aos votos que Sócrates representa, esse Sócrates pré-prisão, é óbvio que estão todos garantidos para Costa. E mesmo no pior cenário não deixarão de ir para o PS, pois quem continuava a apoiar as políticas de Sócrates estava imune à propaganda e às calúnias. Costa não iria cometer a loucura de ostracizar esse grupo, obviamente.

  34. Valupi, as cadeias não se fizeram para os ratos e os grandes homens, ou melhor, os Homens invulgares muito acima da vulgaridade e mediocridade reinante são invariavelmente rejeitados por, precisamente, constituírem uma anormalidade ainda desconhecida da normalidade dominante no tempo.
    A grande massa do povo que vive agarrada á superfície dos trabalhos do dia a dia jamais pode perceber, no mesmo tempo, uma figura que fala, pensa e actua de forma diferente, com uma verdade complexa e incomum, com base em valores e éticas ainda não perceptíveis ao comum mortal.
    Não compreende a grande massa do povo e as elites medíocres são broncos que também não estão à altura de compreender, e por tal se sentem ameaçadas nos seus postos de pequenos reis. E, evidentemente, reagem para extirpar do corpo da sociedade os novos valores e visões tomados como uma possível contaminação perigosa.
    Sócrates é um desses tais Homens que vieram ao mundo prematuramente. E, precisamente por isso Val, não te percas ou amofines porque Sócrates sairá sempre vitorioso desta contenda entre o novo e o velho, entre o futuro e o passado.
    Nenhum cavaco, vidal, alexandre ou rosário ficarão vencedores pese embora vençam este round.
    Pela carta enviada há dias e agora com o telefonema para o expresso vê-se, claramente, que Sócrates não teme absolutamente nada do que lhe possa acontecer e sabe, certamente sabe, que a emboscada que lhe montaram não é para jogar a brincar e, inevitavelmente, dado que face à sua própria contestação taco a taco, não terão recuo e tornar-se-á inevitável calá-lo na cadeia.
    A cadeia também se fez, quase sempre, para os Homens Grandes que não são ratos ou ratazanas com figura humana. Estes ficarão eternamente assinalados como ratazanas de sargeta enquanto Sócrates restará, mais tarde ou mais cedo, um Homem Histórico desta actualidade portuguesa.
    Não é preciso chorar Sócrates, nem ele quer nem ele precisa.

  35. Das maravilhas do Google:

    ANTES

    ignatz
    3 DE SETEMBRO DE 2013 ÀS 20:29
    oh rodrigues! eu explico: se o parolo de massamá não concorda, deve dizer porque é que não concorda e não reagir com considerações palermas sobre o bom senso dos juízes

    AGORA

    ignatz
    28 DE NOVEMBRO DE 2014 ÀS 21:48
    “ignatz, dá-me ideia de que tu ainda não percebes onde é que Sócrates está metido, mas chama-se prisão.”

    está preso ilegalmente.

    chega ou quer com mais palavras? se for preciso chamo o nhanha para te explicar

  36. Que saudades de ver esta gente a apelar ao respeito pelas decisões judiciais.
    Agora a justiça já não presta.

    A prisão preventiva não se decreta com leviandade (para mais neste caso). É necessário que os indícios sejam fortes:

    Artigo 202.º
    Prisão preventiva

    1 – Se considerar inadequadas ou insuficientes, no caso, as medidas referidas nos artigos anteriores, o juiz pode impor ao arguido a prisão preventiva quando:
    a) Houver fortes indícios de prática de crime doloso punível com pena de prisão de máximo superior a 5 anos;
    b) Houver fortes indícios de prática de crime doloso que corresponda a criminalidade violenta;
    c) Houver fortes indícios de prática de crime doloso de terrorismo ou que corresponda a criminalidade altamente organizada punível com pena de prisão de máximo superior a 3 anos;
    d) Houver fortes indícios de prática de crime doloso de ofensa à integridade física qualificada, furto qualificado, dano qualificado, burla informática e nas comunicações, receptação, falsificação ou contrafacção de documento, atentado à segurança de transporte rodoviário, puníveis com pena de prisão de máximo superior a 3 anos;
    e) Houver fortes indícios da prática de crime doloso de detenção de arma proibida, detenção de armas e outros dispositivos, produtos ou substâncias em locais proibidos ou crime cometido com arma, nos termos do regime jurídico das armas e suas munições, puníveis com pena de prisão de máximo superior a 3 anos;

    (Código de Processo Penal)

    A determinação da medida de coacção deve ser fundamentada e dada a conhecer ao arguido e defensor:

    Artigo 194.º
    Audição do arguido e despacho de aplicação

    (…)
    6 – A fundamentação do despacho que aplicar qualquer medida de coacção ou de garantia patrimonial, à excepção do termo de identidade e residência, contém, sob pena de nulidade:
    a) A descrição dos factos concretamente imputados ao arguido, incluindo, sempre que forem conhecidas, as circunstâncias de tempo, lugar e modo;
    b) A enunciação dos elementos do processo que indiciam os factos imputados, sempre que a sua comunicação não puser gravemente em causa a investigação, impossibilitar a descoberta da verdade ou criar perigo para a vida, a integridade física ou psíquica ou a liberdade dos participantes processuais ou das vítimas do crime;
    c) A qualificação jurídica dos factos imputados;
    d) A referência aos factos concretos que preenchem os pressupostos de aplicação da medida, incluindo os previstos nos artigos 193.º e 204.º
    7 – Sem prejuízo do disposto na alínea b) do número anterior, não podem ser considerados para fundamentar a aplicação ao arguido de medida de coacção ou de garantia patrimonial, à excepção do termo de identidade e residência, quaisquer factos ou elementos do processo que lhe não tenham sido comunicados durante a audição a que se refere o n.º 3.
    8 – Sem prejuízo do disposto na alínea b) do n.º 6, o arguido e o seu defensor podem consultar os elementos do processo determinantes da aplicação da medida de coação ou de garantia patrimonial, à exceção do termo de identidade e residência, durante o interrogatório judicial e no prazo previsto para a interposição de recurso.
    9 – O despacho referido no n.º 1, com a advertência das consequências do incumprimento das obrigações impostas, é notificado ao arguido.
    10 – No caso de prisão preventiva, o despacho é comunicado de imediato ao defensor e, sempre que o arguido o pretenda, a parente ou a pessoa da sua confiança.

    (Código de Processo Penal)

    Querem ver que o juiz se esqueceu de obedecer a estas normas básicas e logo com o arguido que é? Tretas.

  37. Sempre háverá indefectíveis de Isaltino e Vale Azevedo, e até do eterno irresponsável Mário Soares.

    «Xemos axim, paxiênxia»

  38. “Como é sabido, o PCTP/MRPP nunca morreu de simpatias por José Sócrates e pelo seu governo, um dos piores que o país teve.
    Mas não é isso que agora está em causa, quando a Polícia Judiciária, pela mão de famigerados justiceiros como Rosário Teixeira, com a cobertura de agentes do Ministério Público e de juízes como Carlos Alexandre, depois de ter abortado prematuramente a Operação Labirinto no caso dos vistos gold, permitindo que Miguel Macedo e outros altos quadros do Estado, do governo e do PSD pudessem escapar à prisão; depois de deixar à solta Ricardo Salgado, chefe do maior gang de gatunos e financiador das campanhas eleitorais de Cavaco e do PSD, e de não tocar em Paulo Portas e Durão Barroso, a mesma PJ e ministério público decidem precisamente prender uma importante figura do Partido Socialista, com quem os actuais dirigentes do PS mais se identificam politicamente.

    Correcção
    As referências feitas ao envolvimento directo da Polícia Judiciária na prisão de José Sócrates devem ter-se como sendo da Autoridade Tributária e Aduaneira, lapso que, obviamente, em nada altera as considerações de fundo feitas nesta nota.”

    António Garcia Pereira, Facebook, 22/11/2014

    http://pctpmrpp.org/index.php?option=com_content&view=article&id=688:sobre-a-prisao-de-socrates-contra-revolucao-em-marcha&catid=95:artigos-de-destaque&Itemid=435

  39. oh hipótese de churrasco! já ouviste falar disto? então prepara-te para o que aí vem. não sei quem botou o joker, mas suspeito que a direta começou a fazer marcha-à-ré com medo de ficar soterrada nos escombros da justiça.
    “a detenção ser motivada por fato pelo qual a lei a não permite deter ” -(cpp artº.220 -2003)

  40. oh projecto de frango!

    antes – houve uma decisão de um colectivo de juízes, aparentemente com bom senso, daí só ter sido contestada, imprópriamente, com bocas, de um palerma que foi eleito por um embuste patrocinado por belém.

    agora – houve uma prisão ilegal, de um ex-primeiro ministro, cujos fundamentos são desconhecidos e todos duvidam.

    depois – não vejo qualquer contradição entre as duas citações e a uma associação que se pode fazer é que o palerma, ainda primeiro ministro, mandou umas bocas foleiras sobre uma decisão do tribunal constitucional e agora diz que não comenta decisões judiciais.

    depois de amanhã – quando libertarem o sócras, voltam a dizer que a justiça funcemina, que afinal isto é um estádio da direita e o super-alex depois de bem esturricado e com os molhos todos a que tem direito, é exportado em missão de soberania ou cooperação para bem longe daqui, como aconteceu ao polícia que foi para paris, se calhar investigar o sócras, digo eu. só não sei se o xalana aceita o melro, mas isso será outro folhetim.

    tem um bom fim de semana e não deixes que aquilo que escrevo te perturbe o sono. um gand’avé pra ti e para o resto do poleiro.

  41. “Uma vez, fui a um debate em Peniche, conhecia o Sócrates de vista. Isto antes do Governo Guterres. Não sabia muito de ambiente, mas tinha lido umas coisas, tinha formado a minha opinião. O Sócrates começou a falar e pensei: ‘Este gajo não percebe nada disto’. Mas ele falava com aquela propriedade com que ainda hoje fala, sobre aquilo de que não sabe. Eu, que nunca tinha ouvido o homem falar, pensei: ‘Este gajo é um aldrabão, é um vendedor de automóveis’. Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis”.

    “Quando se pôs a hipótese de ele vir a ser secretário-geral do PS, achei uma coisa indescritível. Era a selecção pela falta de qualidade. O PS tem muita gente de qualidade.Sempre achei que o PS entregue a um tipo como o Sócrates só podia dar asneira”.

    “Gosto muito de Portugal – se tiver uma paixão é Portugal – e não gosto de ninguém que dê cabo dele. O Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto. Entre o mal que faz e o bem que faz, com o Sócrates, a relação é desastrada”.

    “Há caras de que gostamos mais e outras menos, mas não me pesa assim tanto. Além do facto de que estou convencido de que ele não é sério, também noutros campos. Conheci a vida privada do Sócrates, ele casou com uma moça de Leiria, de quem conheço a família. Sou amigo do pai dela, que foi o meu arquitecto para a casa de São Pedro de Moel. Esta pequena decoração que vê aqui [em casa] foi feita pela cunhada do Sócrates. Às vezes compro umas pinturas que a mãe delas faz. Nunca fui próximo da família, mas tenho boas relações. Não mereciam o Sócrates. Portanto, sei quem é o Sócrates num ambiente familiar. Sei que é um indivíduo que teve uma infância complicada, que é inseguro por força disso, que cobre a sua insegurança com a arrogância e com aquelas crispações. Mas um País não pode sofrer de coisas dessas”.

  42. Escrevi uma carta ao Guterres, que foi publicada, em que lhe disse coisas que digo do Sócrates. Era deputado quando escrevi a carta, era da comissão política do Partido Socialista. Foi na fase de Pina Moura e daqueles descalabros todos. Na comissão política, estão publicadas algumas dessas coisas, [sobre] os negócios do Jorge Coelho e do Pina Moura. Depois de ter falado disso tudo em duas ou três reuniões e não ter acontecido nada, escrevi uma carta e mandei ao Guterres. Ele distribuiu a carta. No outro dia veio nos jornais. Era uma carta duríssima. Os problemas eram os mesmos, estávamos a caminhar mal, estávamos a enganar os portugueses, a dizer que a economia estava na maior, quando não era verdade. Na altura já falava com o Medina Carreira e ele já falava comigo”.

    “Quando o Pina Moura foi ministro das Finanças, uma senhora das Finanças instalou-se lá na empresa. Nunca contei isto. Encontrava-a no elevador, nunca falei com ela, ‘bom dia sra. Dra’. Mas os meus homens contavam-me. Andou à procura, à procura, à procura como uma doida. Esteve lá alguns dois anos. As coisas não são impunes, a gente paga-as neste mundo. Disse o que quis do Pina Moura, da maioria desses gajos; era natural que se defendessem. Os seus colegas jornalistas muitas vezes foram ao Pina Moura com o que eu disse; e ele: ‘Não comento’. O Guterres também não comentava, e o Sócrates também não comenta. Aliás, quando faço uma intervenção ao pé dele fica histérico, não me pergunte porquê”.

  43. “Estudei um pouco da história portuguesa, nomeadamente dos Descobrimentos; fizemos erros absurdos. Um dos erros é deixarmo-nos enganar, ou pelos interesses, ou pela burrice. O poder, os interesses e a burrice é explosivo. Descambámos no Sócrates, que tem exactamente estas três qualidades, ou defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira. Somos um País que devia usar a inteligência e o debate para resolver os problemas, e temos dirigentes que utilizam a mentira e evitam o debate”.

    “A última comissão política do PS foi feita no dia em que o Sócrates anunciou estas medidas todas. Convocou a comissão política depois de sair da conferência de imprensa, para o mesmo dia, à última da hora, para ninguém ir preparado – primeira questão. Segunda questão, organizou o grupo dos seus fiéis para fazer intervenções umas a seguir às outras, a apoiar, para que não houvesse vozes discordantes. A ideia dele era que o Partido Socialista apoiasse as medidas. Fez medidas tramadas, toda a gente sabe. O mínimo era que o partido as apoiasse. Mas não falou antes.Depois o Almeida Santos fez aquilo que faz sempre: uma pessoa pode inscrever-se primeiro, mas o Almeida Santos só dá a palavra a quem acha. Os que acha que vão dizer o que não quer que digam, só vêm no fim. E no fim: ‘Isto está tarde, está na hora de jantar’. Isto é uma máfia que ganhou experiência na maçonaria. O Arq. Fava é maçónico, o Sócrates entrou por essa via, e os outros todos. Até o Procurador-Geral da República. Utiliza-se depois as técnicas da maçonaria – não é a maçonaria – para controlar a sua verdade. Os sucessivos governos, este em particular, pintam uma imagem cor-de-rosa da economia portuguesa. Isto é enganar as pessoas sistematicamente.

  44. Depois aparecem críticos como o Medina Carreira ou eu a chamar a atenção para a realidade do País – chamam-nos miserabilistas! E quando podem exercem pressão nos lugares onde estão esses críticos e se puderem impedir a sua promoção ou acesso aos meios de informação, não hesitam.Isto era o que se passava antes do 25 de Abril, agora passa-se em liberdade, condicionando as pessoas, e usando o medo que têm de perder o emprego. José Sócrates, na última Comissão Política do PS, defendeu a necessidade das severas medidas assumidas pelo Governo, mas também disse que era muito difícil cortar na despesa do Estado porque a base de apoio do PS está na Administração Pública. Disse-o lá, e pediu para isso a compreensão dos presentes. Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis, ser-me ia indiferente. Mas ele é o primeiro-ministro e está a dar cabo do meu País. Não é o único, mas é o mais importante de todos”. (entrevista de Henrique Neto a Anabela Mota Ribeiro no”Jornal Económico”

  45. Pergunta retórica : porque é que o Socras foi apanhado e metido no xilindró ?

    Ouvi dizer que se esqueceu de pagar o IUC a horas. Atrasou-se dois dias.

    Bem, mas ele sabe porque é que foi preso. Quanto aos restantes curiosos, vão ter de esperar conforme as regras do direito.

  46. “não votei PS em 2005, nem em 2009”
    Tendo em conta a quantidade de vezes que tens desancado neles, também não acredito que tivesses votado nos comunas ou no bloco.
    Os da direita são, para ti (e para mim) uma cambada de pulhas indecentes, não terão, por isso , merecido a tua cruz.
    Com o orgulho que tens na cidade também não deves ter ficado no campo em dia de dever cívico.
    Estás como os melosos comentadores e politólogos “independentes” que não declaram os seus interesses antes de opinar que à esquerda do PSD é tudo uma merda lunática?
    Ou não? Nesse caso quando é que nos vais dizer em quem é que porra costumas votar?

  47. Pandil, não tenho por costume votar sem pensar. Por isso, em cada eleição sinto-me livre para escolher a melhor proposta. O que considere a melhor proposta depende do cruzamento das promessas dos partidos com a conjuntura.

    Por exemplo, em 2011 votei PS mas por razões que não resultavam de uma adesão ao programa. Como sempre por aqui disse, há 9 anos de textos para o comprovar, não entendo como é que o PS não faz, nem fez, do problema da Justiça uma das suas principais bandeiras. Logo, não poderia votar num partido com a responsabilidade que tem o PS na nossa democracia sem que essa questão fosse assumida como prioritária.

    Em 2005 votei Bloco, e em 2009 votei Partido da Terra. Em 2005 o Bloco era uma coisa muito diferente do que se veio a revelar em 2009.

  48. Valupi
    Não precisavas de explicar o voto no bloco mas, já que o fizeste, permite-me que te diga que me admiro por alguém com a tua perspicácia não ter percebido, no ido de 2005, que o BE já era o que sempre tinha sido, foi e será: uma inutilidade .
    De qualquer maneira agradeço-te a resposta, estou esclarecido.

  49. Pandil, nos idos de 2005 ainda não tinha visto o que o Bloco faria a um Governo socialista apostado na defesa do Estado social sem com isso esmagar a liberdade económica, bem pelo contrário, e nem me tinha apercebido da aliança do Bloco ao casal Passos-Relvas para afundar o País.

    Falhas que atribuo ao facto de não ter a tua perspicácia, vai sem discussão.

  50. os gajos que lêem os pugramas partidários são aquela cambada de otários que fica a reflectir 48 horas antes do acto eleitoral. país d’artistas, contorsionistas, malabaristas e palhaços, nem percebo como é que o cardinali ainda não de candidatou.

  51. “Quanto aos restantes curiosos, vão ter de esperar conforme as regras do direito.”

    podes crer, meu nabo. vai ver o espesso da 1/2 noite antes que se acabe, o sebento do observador, que tu decoras, já admitia que tudo era normal, incluíndo a libertação do sócras sem explicações, porque os processos no mundo civilizado e mediatizado são assim.

  52. Para te situar, informo-te que tirei o curso de filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa. Provavelmente somos, academicamente, gémeos. Tenho lido textos teus, ao longo do tempo. São textos admiráveis. Alguns, são textos perfeitos. São textos que cabem na dimensão poeticamente indecifrável de que a estética será a ética do futuro. Essa era a tua morada, a morada da tua lucidez. E agora, Valupi? Vou-te mostrar. «Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura , corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor.»Vês, Valupi? És um anjo caído.
    Viva o José Sócrates. Viva incondicionalmente o José Sócrates.

  53. Valupi ja começaste a elogiar o A Costa pela sua proposta de criar a figura de Secretário geral adjunto. Também concordo, mas, perante os teus zigue zagues dos ultimos dias, em que Sócrates está condenado e ponto final, vamos fugir dele e viva o estado de direito, cabe-me legitimamente perguntar-te. Será q este apoio a Costa durará o tempo de uma noite até que o galo cante por tres vezes? Ou calar-se-à perante qualquer manchete inventada pela Cabrita ou outros exemplares do jornalismo perfeito? Todos sabemos que num processo judicial tudo pode acontecer (caso Casa Pia, Caso Madie, Caso Joanaetcetcetc). Ninguem de bom senso está a ilibar o socrates, mas o bom senso tb aconselha que se respeite o principio que tanto invocas do estado de direito: a presunção da inocência ate que o processo transite em julgado. Tu sabe-lo. E, das duas uma: ou acreditas muito na justiça q temos bem como no CM e no jornalismo de merda que vamos tendo, ou sabes mais do processo e da culpabilidade de Socrates do que a propria investigação!

  54. li artigo de fernanda câncio com o titulo “aproximadamente” quem não conhece a felicia cabritinha,fica a conhecer,com a sua excelente narrativa!parece que duas das bazucas atiradas a socrates não acertaram no alvo.a casa em paris não é dele,e as duas casa em lisboa,a dele e a da mãe foram compradas em 1995.

  55. pedro, onde foi que escrevi isso que, aparentemente, dizes ter lido no que escrevi? Como é que Sócrates já está condenado se ele até poderá nem ir a julgamento?

  56. “E em que é que isso invalida com o que escrevi?”

    é que vai ser exactamente ao contrário dos desejos do oleoso e daquilo que decoraste no pasquim online. não é que o oleoso não se tenha esforçado, mas para quem rejubilava com a prisão do ganda criminoso, a admissão de libertação já dá para antever o que vai acontecer aos fortes indícios e ao recolher o cavalinho da chuva. percebes ou queres que pinte outro boneco?

  57. Estou quase a ser grosseiro contigo, Valupi. Não quero sê-lo. Não te lembras do que dizia Hegel sobre a possibilidade de um homem dialogar com uma pedra? Então tu respondes com abstrações? «Viva incondicionalmente a liberdade?» O que é a liberdade, Valupi? O meu papagaio, que é um ser limitado, e, por isso mesmo, oportunista, dá vivas à liberdade para eu o premiar com sementes de girassol. Mas o meu papagaio é mais profundo do que tu: ele sabe que a liberdade é a consciência da necessidade. Não queres perceber que no caso concreto da prisão preventiva do JOSÉ SÓCRATES, o princípio que assegura a liberdade do acusado é o princípio da presunçâo da inocência? Não queres perceber que as fugas ao segredo de justiça violam a liberdade de quem é acusado? A tua noção de liberdade é a noção de liberdade que abre caminho aos algozes. Assim sendo, Frei Luís de Sousa: Quem és tu, Valupi? Ninguém!
    Já te chamei anjo caído a partir de um texto de Ezequiel, já te chamei pedra, agarrando-me a Hegel, agora digo que és ninguém. Honestamente, e tu sabes que é honestamente, peço-te desculpa.
    Agora, ironizando, com amizade: também queres que eu te peça desculpa, quando tu, que já foste um leão político, dizes que votaste no Partido da Terra?

  58. Ó ignatz, é óbvio que a libertação é sempre admissível. O juiz tem, inclusive, de rever a medida de coacção de três em três meses. E obviamente que pode vir a ser alterada essa medida. Mas isso é a justiça a funcionar normalmente.
    Se o José Sócrates for absolvido em tribunal porque entretanto surgiram factos novos isso não invalida que a justiça esteve mal. Para se perceber se o juiz apreciou bem ou mal deve-se analisar os indícios que ele tinha na altura da apreciação e verificar se a medida foi bem escolhida. Isso é o normal funcionamento da justiça. E tanto o é que – pasme-se – quando um preso preventivo é absolvido não tem direito a qualquer indemnização (a menos que fique provado que o juiz de instrução na altura da apreciação dos factos cometeu erros grosseiros). Nem aqui nem em nenhum país.
    Perceber isto requer alguns anos de estudo e não meia dúzia de troca de ideias.

  59. José,
    ele sabe que a liberdade é a consciência da necessidade
    ??????????

    Não queres perceber que no caso concreto da prisão preventiva do JOSÉ SÓCRATES, o princípio que assegura a liberdade do acusado é o princípio da presunçâo da inocência?
    Todos os presos preventivos se presumem inocentes. Está a criticar esta decisão em concreto ou a existência de prisão preventiva?

    Não queres perceber que as fugas ao segredo de justiça violam a liberdade de quem é acusado?
    Falso. O segredo de justiça existe para assegurar o sucesso da investigação criminal e de toda a fase instrutória do processo.

    José, mande agora uns palpites de astronomia. Pode ser que acerte mais.

  60. Queria aqui destacar a expressão “neste cu do mundo”, utilizada pelo Val em referência à blogosfera política, num sentido que, segundo se infere, é próximo de cloaca ou esgoto. Nesse sentido, caro Val, a expressão será um neologismo, pois o seu significado ancestral é bem outro.

    Além de ânus e rabo, a palavra cu (culo, cul, etc.) também quer dizer cabo, fim, extremo, extremidade, fundo. Ora a expresão “cu do mundo”, antiquíssima, com o sentido de “cabo do mundo” ou “fim do mundo”, foi aplicada durante séculos por geógrafos e viajantes europeus aos pontos extremos da Europa. Também há Finisterra, derivada do latim finis terrae, mas não me vou ocupar agora desse tema, sobretudo porque não sei nada sobre ele.

    Na primeira metado do séc. XVI, o monge cisterciense Claude de Bronseval, em visita à Península Ibérica, utilizou a expressão “neste cu do mundo”, em latim, referida nada mais nada menos do que a Portugal. Essa é que é essa! Portugal = cu do mundo.

    No séc. XV, o mercador e navegador veneziano Pietro Querini, que escreveu um notável diário das suas viagens, chamou “culo mundi” às ilhas do Norte da Noruega, no extremo septentrional da Europa, de cujas aldeias de pescadores o mesmo Querini trouxe em 1432 para Veneza uma grande novidade gastronómica que nós ainda hoje apreciamos – o bacalhau seco, que depois alguém se lembrou de salgar. Foram os pescadores noruegueses que inventaram o bacalhau seco e os mercadores venezianos que no-lo deram a conhecer.

    Chamou-se também “cu do mundo” a vários pontos no Sul da Sicília e no Sul de Creta, igualmente visitados por monges de Cister.

    A nossa expressão “cu de Judas” refere-se a um lugar muito remoto e não ao ânus do apóstolo Judas Iscariotes, que não deveria ter nada de notável. Um dicionário define mesmo “cu de judas” como um lugar “no fim do mundo”.

    E aqui termina esta pequena charla de cul-tura.

  61. José, e também já votei no PPM, no MRPP e no CDS. É no que dá a fartura. Mas creio que nesse zoológico donde teclas, repleto de papagaios e leões, quiçá de camelos e ursos, esteja em curso um mui pouco hegeliano equívoco: é que o José Sócrates declarou que nunca se sentiu tão livre como agora que o encafuaram numa prisão alentejana.

    Se isto não é a dialéctica, onde está a dialéctica?

  62. Prof. Pardal, agradeço-te a lição erudita. Contudo, fazes algumas afirmações ousadas que não posso deixar sem reparo. A primeira é a inferência de que o meu cu do mundo seja diferente do de antanho. Se tivesses de explicar o teu corolário ficarias sem saber para onde te virar. Depois não te deste ao trabalho de trazer a afirmação em latim supostamente usada pelo Claude de Bronseval. Pouco científico. Continuas declarando que “alguém” se terá lembrado de salgar o bacalhau seco, sem identificares quem. Isso só contribui para a especulação e boataria. Se não sabes quem o salgou, declara que apareceu salgado. Vai na volta, salgou-se. Por fim, desvalorizas o ânus de Judas Iscariotes. Isso faz de ti um homem de pouca fé, está claro.

    Tirando estes pequenos nadas, tens aí um bom trabalho.

  63. encontrei isto há pouco no ladrar à lua

    “As cadeias não se fizeram para os ratos e os grandes homens, ou melhor, os Homens invulgares muito acima da vulgaridade e mediocridade reinante são invariavelmente rejeitados por, precisamente, constituírem uma anormalidade ainda desconhecida da normalidade dominante no tempo.
    A grande massa do povo que vive agarrada á superfície dos trabalhos do dia a dia jamais pode perceber, no mesmo tempo, uma figura que fala, pensa e actua de forma diferente, com uma verdade complexa e incomum, com base em valores e éticas ainda não perceptíveis ao comum mortal.
    Não compreende a grande massa do povo e as elites medíocres são broncos que também não estão à altura de compreender, e por tal se sentem ameaçadas nos seus postos de pequenos reis. E, evidentemente, reagem para extirpar do corpo da sociedade os novos valores e visões tomados como uma possível contaminação perigosa.
    Sócrates é um desses tais Homens que vieram ao mundo prematuramente. E, precisamente por isso não te percas ou amofines porque Sócrates sairá sempre vitorioso desta contenda entre o novo e o velho, entre o futuro e o passado.
    Nenhum cavaco, vidal, alexandre ou rosário ficarão vencedores pese embora vençam este round.
    Pela carta enviada há dias e agora com o telefonema para o expresso vê-se, claramente, que Sócrates não teme absolutamente nada do que lhe possa acontecer e sabe, certamente sabe, que a emboscada que lhe montaram não é para jogar a brincar e, inevitavelmente, dado que face à sua própria contestação taco a taco, não terão recuo e tornar-se-á inevitável calá-lo na cadeia.
    A cadeia também se fez, quase sempre, para os Homens Grandes que não são ratos ou ratazanas com figura humana. Estes ficarão eternamente assinalados como ratazanas de sargeta enquanto Sócrates restará, mais tarde ou mais cedo, um Homem Histórico desta actualidade portuguesa.
    Não é preciso chorar Sócrates, nem ele quer nem ele precisa.”

  64. Confesso debilidades insanáveis, caro Val, em matéria de cu-rolários, mas não vais ficar sem esclarecimento científico quanto ao latim de frei Cláudio e, por tabela, quanto a saber se, semanticamente, o cu do mundo de antanho diferia ou não do actual – momentosa questão que levantaste e em que devo dar benevolamente alguma mão á palmatória da tua sábia intuição. Com efeito, Frère Claude, depois de ouvir o coro das freiras de Odivelas, escreveu no seu diário, no dia 5 de Agosto de 1532, que tinha ficado encantado por, neste cu do mundo, ouvir tanta consonância: “Unde gavisus sum in culo illo mundi tantam audire consonantiam”. O monge francês estaria, pois, longe de imaginar que neste cu do mundo se cantasse tão maravilhosamente – o que me leva a admitir que a expressão em causa, além de uma mera localização geográfica, continha implícita uma subtil apreciação pejorativa destas paragens. Já a tua observação de crítica hermenêutica sobre a salga do bacalhau me parece algo forçada, sobretudo quando pareces aceitar como hipótese de trabalho que o peixe, depois de morto, se pudesse salgar a si próprio. Para não falar da insinuação que fazes acerca da minha fé, por suposta desconsideração do ânus do apóstolo. Ora Judas era tão mal visto pela Inquisição, essa indiscutível guardiã da fé, que os inquisidores até inventaram um instrumento de tortura, a “cadeira de Judas”, para empalar as suas vítimas. Facto que vem inquestionavelmente lançar uma nova luz sobre o conceito de “cu de Judas”, tão mal compreendido ainda em Portugal neste início do séc. XXI.

  65. Prof. Pardal, muito obrigado. Agora, sim, a ciência pode ser feita.

    Creio que o gáudio revelado pelo franciú não pode ser explicado sem a referência às freiras de Odivelas. É uma fama que vem de muito longe.

    Fico é desconcertado pelo teu cepticismo acerca das propriedades auto-salgantes do peixe morto. Corre desenfreada em ti a heresia ou a apostasia, o que chegar primeiro. Qualquer dia estarás por aqui a escrever que aquilo da multiplicação dos peixes só foi possível com o patrocínio do Pingo Doce.

    Termino numa nota de acordo, e acorde, perfeito, assim fechando o ciclo aberto pelo irmão Claude. O conceito de “cu de Judas” não poderá ser compreendido em Portugal sem antes se fazer o completo levantamento do que se passou em Cascais entre 1993 e 2001.

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