Medir o esquerdismo

E infelizmente, pelo que eu posso testemunhar à minha volta, até pessoas crescidas do PS ainda hoje continuam absolutamente convencidas de que “o Sócrates é um corrupto” (e até se abstiveram nas últimas Legislativas, dá para acreditar?)!…

Mas parece-me que a maior gravidade de tudo isto não é já tanto o que fizeram a José Sócrates, bem como a Portugal e, sobretudo, aos portugueses, em especial às gerações que já não conheceram o 25 de Abril, mas sim a real possibilidade de TUDO SE PODER VOLTAR A REPETIR no Futuro, sempre que um Governo afronte os poderosos interesses instalados na Sociedade portuguesa e que, desde há décadas ou mesmo Séculos, lucram com o nosso sub-desenvolvimento económico, político, social e cívico!

As mesmíssimas forças, sob formas históricamente diversas, que pegaram em armas contra D. Pedro por D. Miguel, que sabotaram o funcionamento da 1ª República fora de Lisboa e Porto e que criaram o artifício propagandístico de Fátima, as mesmas forças que ungiram Salazar e benzeram a Colonização, que resistiram quanto puderam ao 25 de Abril e que ainda clamam por “vingança”, são essas as forças que se opuseram aos Governos de Sócrates, não tanto pelo personagem em si (ao contrário do que tão bem tentaram fazer crer à populaça), mas pela única e inquestionável razão que foi ele, Sócrates, e os seus Governos, sobretudo o primeiro, que deram as maiores sapatadas sérias e com efeitos profundos a essas forças invisíveis, mas bem organizadas e estruturadas, de forma muito mais orgânica do que formal, desde os Governos de Vasco Gonçalves e Mário Soares! De formas absolutamente distintas, claro, para alguns será necessário afirmá-lo explícitamente (e mesmo assim muitos não o conseguirão atingir…).

Pois a medida do “esquerdismo” de uma ação política mede-se muito mais pelo que a Direita perde com ela, do que por aquilo que a “Esquerda” ganha, representando e defendendo a Esquerda valores e entidades muito mais complexas e difusas do que as diretamente representadas, com inequívoco imediatismo, pela Direita…

Por isso, exorto todos os que prezam o Estado de Direito e o desenvolvimento político e social (por isso também mental) da Sociedade portuguesa que coloquem em segundo plano a raiva que sentem pelos efeitos diretos do derrube de José Sócrates, que serão muito mais fundos do que os meramente económicos e orçamentais, e centrem as suas preocupações na necessidade de alterar, profundamente e com urgência, as condições concretas que permitiram o que aconteceu no Passado recente e, pior do que isso, voltarão fatalmente a acontecer no dia e com o líder político que encete de novo o caminho do Progresso Social e do desenvolvimento de Portugal de acordo com os padrões civilizacionais europeus. Senão, tudo o que já vimos voltaremos a testemunhar, seja a vítima chamada Assis, como Costa, como até por hipótese académica Alegre, Carrilho, Louçã, até Bruno Dias, o que quiserem…

Oferta do nosso amigo Marco Alberto Alves

14 thoughts on “Medir o esquerdismo”

  1. Nem imagino o que diriam se o homem não tivesse aumentado todos os impostos e mesmo assim ter levado o país a pré-bancarrota. Mas olhem não faz que também há muita gente por ai que defende que isto com o Salazar é que era… por isso bem vistas as coisas a defesa do indefensável não é assim tão descabida.

  2. Grato e honrado pelo destaque, gostaria apenas de ajudar o “jose” (José?) fazendo-lhe notar que a qualidade de uma governação e de um governante não se mede apenas nem sequer sobretudo pelo que faz com as taxas dos Impostos, ou pelo estado em que entrega o País quando sai do Poder. Se assim fosse, Pinto Balsemão e Freitas do Amaral seriam os piores governantes de sempre em Portugal (pré-bancarrota em 1983), seguidos de Mário Soares e Freitas do Amaral (quase pré-bancarrota em 1978), e Marcello Caetano seria, a par de Salazar, o mais competente governante português do Séc. XX, pelo menos.

    Quem fala assim, ó seu José, só pode ser “gago”, mas do raciocínio…

    Quanto ao tópico “indefensável”, quem quiser e souber interpretar o gráfico que vou tentar colocar seguidamente, perceberá por que é que um Piloto de Le Mans que, por exemplo, receba o bólide em penúltimo lugar e o entregue ao Piloto seguinte no meio da tabela é muito mais ás do que aquele que o receba em primeiro, com n voltas de avanço, e o entregue ao seguinte em segundo ou terceiro…

  3. Concordo absolutamente com Dédé: também não acho nada elegante a expressão citada, mas como pai da mesma tenho que encaixar, na certeza porém de que os nossos Filhos não têm de saír “perfeitos” para nós nos orgulharmos deles…

  4. E permitam-me apenas realçar a última frase do Artigo do Prof. Manuel Caldeira Cabral:

    «A verdade sobre as contas públicas está nos números. Estes estão disponíveis no Banco de Portugal, no Eurostat, ou no INE. Se o que aqui foi apresentado não corresponde à ideia que tinha, veja por exemplo em http://www.bportugal.pt e questione-se sobre se os que mais se reclamam do rigor não são, afinal, os que mais contribuíram para o crescimento do monstro».

    “Indefensável”?…

  5. Pois é, mas quando o sr eng pegou no governo já estávamos atrás e mais atrás ficamos. Só para lembrar que a razão porque todos os impostos aumentam, a razão porque são cortados todos os benefícios fiscais ou sociais, que os salários são cortados, que são cortadas as reformas, etc.. etc… é pelo simplesmente o facto da défice público ser astronómico e a divida publica insustentável. E nisso o sr eng foi recordista… quando chegou a divida pública estava na casa dos 60% e por incrível que pareça agora já vai nos 110%. A mim parece me que o sr eng. pegou num carro com muitos problemas mecânicos mas a única coisa que conseguiu foi rebentar o motor.

  6. José, mas já teve tempo de ler o Artigo que eu “linquei”? E de ver o respectivo gráfico? Ou prefere ir consultar o “sítio” do Banco de Portugal (indicado no mesmo Artigo e no meu comentário anterior)?

    “Problemas mecânicos” é uma maneira suave de pôr a questão, mas estamos plenamente de acordo. Agora se o motor “rebentou” e logo por azar no meio da curva mais difícil do circuito, o mais certo é a culpa ter sido dos “mecânicos”, muito em especial do “chefe-de-oficina”, nunca do esforçado piloto, que afinal é que levou com o desespero e até o ódio dos “tiffosi”! Fruto duma eficaz “política de comunicação” da Marca, lá isso sem sombra de dúvida…

  7. Algumas verdades:

    – Empresas
    A grande maioria do tecido empresarial português é constituído por pequenas e micro empresas, no entanto, estas estão sujeitas a impostos elevadíssimos sem terem qualquer contrapartida do Estado: 34,75% (TSU) sobre cada empregado, IRS, IRC, seguros, higiene e segurança no trabalho, etc, etc…
    Para fazer face a estas e outras obrigações correntes e porque não têm junto do poder político quem as represente foram fazendo contas caucionadas ao longo dos anos (há mais de 15 anos) junto dos bancos para pagar estas despesas, é por isso que agora quando os bancos fecharam a “torneira” grande parte das empresas estão a ir à falência (e as que não foram ainda para lá caminham). AS EMPRESAS NÃO INVESTIRAM ao contrário do que nos querem fazer crer (mas não investiram não porque não quisessem mas sim porque não tinham capacidade para isso).
    Por isso de nada serve andar a pedir mais crédito aos bancos porque o verdadeiro problema é a carga fiscal que recai sobre estas empresas assim como o valor das demais despesas correntes (electricidade, telefone, rendas, etc).
    Em contrapartida as grandes empresas que têm junto do poder político a sua “voz” tem recebido subsídios, benefícios, e assim quando pagam os impostos (quando os pagam…) já estão a pagar com uma mão o que receberam com duas.
    Isto não é demagogia, podem ir ter com TODAS as empresas que estão no mercado e fazer um inquérito sobre o que aqui digo, aliás é um bom tema de investigação para o ensino superior.

    – Particulares
    A grande maioria dos portugueses também está com a corda na garganta, principalmente os que recebem até 1000€. Se até aqui os pais (a maioria) tem conseguido ajudar os filhos, dentro de muito pouco tempo isso já não vai ser possível porque:
    – Os mais velhos também estão a ficar desempregados
    – São devedores à banca
    – Os jovens não conseguem arranjar emprego
    etc…

    Infelizmente os Governos não conhecem o País real e por isso acabam por fazer política a partir de pressupostos errados… tomam medidas para as grandes empresas esquecendo a galinha dos ovos de oiro (as que efectivamente pagam tudo e não recebem nada em troca) assim como as Universidades (copia-se dos EUA sem ter a visão do país que temos)…
    Por outro lado não se resolve nada mandando os mais velhos para o desemprego (acima dos 40 anos) ao mesmo tempo que se aumenta a idade da reforma (67 anos) e fazendo leis para pagar entre 50% a 60% dos vencimentos dos mais jovens quando deveriam ser as empresas a ter esse custo (não faz qualquer sentido que seja o dinheiro dos nossos impostos a ir para as empresas (mais uma vez as grandes que são as que podem contratar mais).

    Parte da SOLUÇÃO:
    – A justiça tem de funcionar ( Os Tribunais comuns e não essa “pseudo-justiça dos tribunais arbitrais)
    – Os impostos têm de baixar para as empresas (TSU)
    – Todas as empresas devem pagar a mesma taxa de IRC
    – Criar condições para o aumento do emprego (para todas as faixas etárias)
    – Todos os particulares devem pagar a mesma taxa de IRS de acordo com os vencimentos de cada um, independentemente de ser público ou privado
    – O sistema de saúde deve ser igual para todos
    – Os incentivos às empresas não podem ser no sentido de retirar tudo a uns (aos pequenos) para dar aos grandes
    – Cortar efectivamente nas gorduras do estado
    – Os vencimentos das classes mais altas têm de descer (o País não tem capacidade de pagar vencimentos semelhantes aos países mais ricos)
    – O vencimento mínimo tem de subir (não se admite que alguém que trabalha 8h/dia, tenha de ir à sopa dos pobres)
    – Explicar ao Povo o que se pretende (assim pode ser que todos estejam dispostos a fazer sacrifícios). Etc…

  8. Aconteceu uma coisa extraordinaria.

    Ia eu a caminho de Damasco, onde tinha marcado encontro com alguns séquitos da seita do Louçã, pois haviamos combinado recolher mais umas escutas telefonicas ilicitas (obtidas à traição) que os meus camaradas deviam entregar no dia seguinte a um enviado do nosso correspondente da secção de Aveiro do sindicato dos magistrados do ministério publico (ele, por acaso, é do PSD, mas desde a nossa aliança secreta, tratamo-los a todos como irmãos) quando, de subito, avistei uma luz incandescente no meio da estrada, que quase me cegou, a ponto de ter de travar o carro. Fiquei tonto. Num primeiro momento, perdi por completo a capacidade de ver o que quer que fosse.

    Mas logo a seguir, abri os olhos e vi.

    VI.

    ELE estava envolto numa nuvem de luz divina. Cabelo grisalho, camisa azul clara, umas fotocopias de science-po na mão, olhava para mim com Olhos ternurentos.

    Vi meus amigos, meus irmãos. Vi e nasci para uma Nova Vida.

    Era ele. ELE.

    Soube então, sem que ELE precisasse de o dizer com a sua voz harmoniosa, que ELE haveria de voltar a nos, numa manhã de nevoeiro.

    Irmão Valupi, irmão Marco Alberto. Sei agora que a voz que fala por intermédio da vossa pena é pura e simplesmente o doce mel da Verdade. Da Unica Verdade que a historia do mundo tem de revelar, para a felicidade dos séculos.

    Meus irmãos. Penitencio-me. A minha vida de infame pecador acabou. A Unica Vida, a Verdadeira começou neste instante. Nasci para servir a Verdade, a Luz, a Ciência e a Razão.

    Socrates existe. Hossana. Socrates ha de voltar.

    Apos tamanha revelação, olhei para o lado e sabem o que vi ? Vi um verme informe morto no chão, mistura repugnante de rato e de vibora jazendo na sua peçonha.

    Este animal imundo era tudo o que restava da “raiva que eu sentia, até hoje, e que ainda sentem os infieis, pelos efeitos diretos do derrube de José Sócrates”. Imediatamente deitei-lhe um olhar de desprezo e disse-lhe “passa para segundo plano, raiva nojenta” e tratemos doravante de “centrar as nossas preocupações na necessidade de alterar, profundamente e com urgência, as condições concretas que permitiram o que aconteceu no Passado recente”.

    A paz esteja convosco, meus irmãos, e queira ELE que a luz se faça um dia para os desgraçados que continuam a viver miseravelmente nas trevas.

  9. Para o non believers : é só consultar os dados do INE, BdP , o que quiserem.
    Comparem os dados que lá vêm de há um ano atrás com os deste ultimo trimestre .Depois enrrolem-se num canto e chorem.
    Não precisam de agradecer.
    Se o caos é preferivel ao muito mau? Eu prefiro de longe o muito mau, sempre dá para fazer o esforço de tirar o muito até ficar só mau. Já do caos, não há retorno possivel.

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