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A fantástica história de Portugal

Infelizmente, temo que, com o aparente ensandecimento de grande parte dos representantes nacionais na negociação, a designada Troika se limite a aplicar as receitas tipo da “cartilha neo-liberal”, provavelmente, muito pouco adequadas à situação específica do País.

Torres Couto – personagem com quem nem simpatizo muito – surpreendeu-me, ontem, pela positiva numa entrevista à SIC Notícias, dando nota da forma como o Governo e as principais confederações patronais e sindicatos prepararam previamente a negociação com o FMI em 1983. É certo que o contexto era muito diferente (Governo do Bloco Central, sem eleições à vista, cenário de guerra fria, possibilidade de desvalorização cambial), mas houve sentido de estado por parte dos diversos intervenientes, consensualizando o que seria ou não aceitável previamente à negociação com o FMI. Depois, nas reuniões de negociação propriamente ditas, a generalidade das autoridades nacionais demonstrou um grande consenso em relação às medidas que haviam sido previamente acordadas ao nível nacional.

Quase trinta anos depois, o FMI regressa e confronta-se com um clima de quase loucura colectiva.
O principal magistrado da nação, depois de ter dado a senha para a operação suicida de 11 de Março de 2011, esconde-se, agora, atrás do facebook do Palácio de Belém, entretendo-se, de vez em quando, a receber Velhos do Restelo pirómanos reconvertidos em bombeiros salvadores da pátria (como António Barreto).

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V9

O que se está a passar no PSD não é normal. Nem para o saco de gatos a que nos habituou. Há qualquer coisa de mais profundo a passar-se, mas que só nos chega através da espuma que provoca.

Quem é que informou a Judite de Sousa acerca da reunião, e porque é que ela faz a pergunta a Passos Coelho, que é claramente apanhado de surpresa (vejam o piscar de olhos compulsivo antes de responder)? Porque é que Ferreira Leite, Marques Mendes e outras figuras do Cavaquismo recusam os convites de maneira tão publica, sabendo bem os danos que provocariam? Porque é que Marques Mendes vem deitar achas para a fogueira de Nobre? Porque é que Pacheco Pereira vem divulgar este SMS, da maneira mais danosa possível, quando ele pode ser explicado de maneira bem mais inocente, como o demonstra o Pedro Marques Lopes? E finalmente, porquê o silêncio ensurdecedor de Cavaco Silva, quando já nos provou que não tem o mínimo pudor em fazer declarações para influenciar a campanha e prejudicar o PS?

Ou seja, porquê a pressão sobre Passos Coelho para provocar eleições, deitando por terra o plano de salvamento já preparado e assegurando a vinda do FMI, para depois lhe tirar o tapete desta maneira?

Para mim, a explicação pode ser esta: Pedro Passos Coelho foi usado para deitar abaixo o governo, na pior altura possível e assegurando-se que não recebia um balão de oxigénio que lhe permitisse recuperar a reputação, mas nunca foi intenção de Cavaco que fosse Passos a ganhar estas eleições. Antes, seria o PS a negociar a ajuda e a arcar com as consequências da sua implementação num primeiro momento, um ano ou dois, permitindo então uma “nova esperança” com um PSD renovado por Rui Rio e uma maioria absoluta. E se o CDS alinhar com o governo, em nome do “interesse nacional”, tomando parte do desgaste, tanto melhor.

Só assim é que me faz algum sentido. Claro isto é especulativo e conspiratório, e que no meio da jogada os interesses do país e dos cidadãos são altamente prejudicados e favor de interesses de poder, mas não espero outra coisa deste presidente.

A ultima jogada do Cavaquismo, a meu ver, está ainda na fase inicial. Uma maioria, um governo, um presidente. Mas não já.
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Oferta do nosso amigo Vega9000

edietora

Tenho de esquecer o que sei do funcionamento da UE, do euro, da zona euro. O Mecanismo de Estabilização do Euro que estava prestes a ser aprovado na última cimeira não ia ter uma notação triplo A, não. Não ia permitir taxas de juro no máximo de 5% a quem a ela recorresse, não. Não estava desde já aberta a Portugal com as medidas do PEC IV que foram aprovadas pela Comissão, BCE e estados-membros da zona euro, não. A sua aprovação não seria a tentativa até agora mais credível de pôr termo à especulção sobre as dívidas dos países da zona euro, e sobre o próprio euro, não. E o facto de Portugal resistir ao FEEF+FMI não significa que contitui um obstáculo ao ataque da próxima vítima – Espanha. Não, nada disto afecta o euro em si, claro que não. Não nada disto aconteceu.

O culpado de tudo e mais um par de botas é o Sócrates. E ele que se cale que já estamos fartos que se vitimize e ainda se permite criticar o PSD por não ter apresentado um grama de programa. Autoritário e arrogante!

Sofia C.

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Manuel Pacheco – Aí vem lobo:

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fado positivo

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Sugestões da nossa amiga edie

V9

Estamos num buraco, mas confesso que estou bem mais optimista do que ontem.

8:15 – Enquanto levo o filho à escola, ouço na TSF que a primeira – a primeira – medida que o PSD propõe é o aumento do IVA. O Partido do “sempre pela despesa, nunca pela receita” propõe, no primeiro dia de pré-campanha, aumentar impostos. Gargalhada matinal, para espanto do miúdo.

11:00 – Em breve viagem a caminho de uma reunião, o patrão, que nunca fala de politica senão um ocasional “todos iguais”, está tão indignado como eu, afirma que Sócrates “ao menos tem tomates” e faz gala em afirmar que vai de votar nele. Grande espanto, desta vez meu.

13:50 – Para espairar, vou a pé almoçar, caminhada de 3 kms. Muita gente à porta dos escritórios, ou em regresso, em pequenos grupos. O assunto é inevitavelmente o mesmo. Nas conversas que vou ouvindo de passagem, o tom é geral: espanto, indignação incipiente, fala-se abertamente de politica, não são propriamente simpáticos para Sócrates, mas muito menos para Passos Coelho.

Tenho a sensação, apenas pelo dia de ontem, que este não está bem a ver no que se meteu. Vamos ver as primeiras sondagens. Se forem más para os laranjas, entram em pânico. And the fun begins.

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Oferta do nosso amigo Vega9000

g point

Um dos mais graves problemas do PSD é mesmo esse do ‘logo se verá’, e já existia bem antes deste PEC. É espantoso que não tenhamos a mais pálida ideia de quais são as alternativas deste partido que não se cansa de repetir que está preparado para tomar as rédeas da governação. Sinceramente, ainda não percebi quais as diferenças entre esta e a última liderança do PSD. A última apostou tudo na ‘política de verdade’, na prática, tratava-se de repetir até à exaustão que Sócrates era mentiroso, quanto ao resto, era o ‘logo se verá’, com os resultados que se viram. Com a nova liderança é exactamente a mesma coisa, o Governo mente em relação a tudo, usa-se e abusa-se da palavra ‘verdade’, e é só isso. Ideias para resolver os problemas do País, ‘logo se verá’.

Desde que assumiu a liderança do partido, e tirando o clamoroso falhanço da revisão constitucional que propôs, de Passos Coelho não se ouviu nada nem uma única ideia. Os seus discursos são tão ou mais ocos do que os da sua antecessora. Deve acreditar que nos bastam, a nós eleitores, aos mercados e às restantes instituições internacionais, os seus lindos olhos. Bem, há uma ideia que tenho ouvido ultimamente, a de que não devemos diabolizar o FMI, diabolizamos antes Sócrates e todas as medidas do Governo, aproveitamos e diabolizamos também todos os resultados da execução orçamental, sobretudo se forem bons, os números das exportações e restantes números positivos, e todos os elogios que as instituições internacionais possam fazer às políticas do Governo. Quer isto dizer que quando for o FMI a ditar as medidas de austeridade as mesmas serão óptimas e necessárias e é óbvio que o povo nessa altura, ao contrário de agora, que não aguenta mais sacrifícios, terá de as aguentar.

Ou será que Passos também bateria o pé a estas medidas do PEC se fossem impostas pelo FMI? A propósito, nas várias peças jornalísticas sobre a entrevista do primeiro-ministro, não vi reproduzir em lado nenhum a parte em que este enumerava algumas dessas prováveis medidas, como o corte do 13º mês, do subsídio de férias, redução do salário mínimo, despedimento de funcionários públicos e por aí fora. Terá sido por serem mais uma mentira de Sócrates ou os nossos jornalistas e comentadores não estão muito interessados em discutir isso agora apostando também no ‘logo se verá’?

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Oferta da nossa amiga guida

V9

As semelhanças com George W. Bush nesse aspecto são espantosas. PPC é um veículo para fazer passar as ideias dos outros, que alguém julgou que venderiam melhor com um packaging “jovem” e “moderno”.

E é neste ponto que é mais espantosa a total e completa falência intelectual de muita direita: alguma elite, encabeçada pelo Pacheco Pereira, entendeu que a melhor maneira de fazer damage control às medidas corajosas do governo e a uma óbvia eficácia do primeiro-ministro era procurar passar a ideia de que seriam apenas propaganda, marketing, era tudo falso, mentira. Invenções para enganar o povo. A ideia pegou em muitos círculos, não só pela nossa ainda enraizada tendência de desconfiar das boas novas, pela quantidade e velocidade de medidas e reformas que foram encetadas (muitas contra corporações que não estavam claramente habituadas a ser confrontadas), o que permitiu passar aquela ideia de “isto não pode ser verdade, devem estar a inventar”, pelo facto de muitas das medidas serem tomadas com horizontes a médio e longo prazo, logo sem resultados imediatos que se vissem, e finalmente, e ironicamente, pela inépcia comunicacional do próprio PS, governo e primeiro-ministro.

Resultado da estratégia: o PSD e a sua “politica da verdade” tiveram praticamente o mesmo resultado que em 2005, tendo o PS perdido a maioria para a esquerda.

Depois deste desastre, acho que houve muita gente na direita que, incapaz de perceber que a “politica da verdade” não passava de uma estratégia rasteira de criticar o governo sem criticar as medidas (a grande maioria das criticas era que as medidas não estavam realmente a ser tomadas, não que eram as medidas erradas), começaram a convencer-se que a ideia da “propaganda” era não só verdade, mas que pelos vistos resultava, que ganhava eleições, que o “propagandista” Sócrates era a prova que não era preciso ter ideias concretas, mas umas vagas, desde que fossem bem vendidas. E chegamos a este ponto, em que temos duas variantes da direita: a cínica que se convenceu que é preciso é enganar o povo, e a burra que se convenceu que o povo quer ser enganado. Spin puro, encarnado em Pedro Passos Coelho. Eis a herança de Pacheco. Espero que esteja orgulhoso.
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Oferta do nosso amigo Vega9000

O.

…e votar Cavaco por via da Esquerda?

Parece um contra-senso, mas o panorama é tão mau que a tal pode obrigar. Seria assim uma espécie de virar do avesso do tecido do espaço-tempo ideológico (como quando se entra num buraco negro). Vejamos:

Não votar Cavaco na primeira volta é alimentar o risco de haver uma segunda e, por via disso, contribuir para uma onda maluka que, por exemplo, permita eleger Alegre. Ora a mediocridade de Cavaco e o seu apetite pelo governo (ocupe que cargo ocupe) tornam-no previsível. E, em cenários de incerteza, a previsibilidade é fundamental, mesmo a má.

Ao contrário, com Alegre na presidência, seria um corre-corre geral de ansiedade matinal até nos apercebermos que lhe segredou ao seu inspirado ouvido a musa que vive no café, como mote para a declamação temerária daquele dia. E bem sabemos que na cabeça dos poetas não há grilos falantes assessores que ombreiem com uma bela duma musa assanhada. Ninguém pode viver assim. Nem governar. Maria de Lurdes e Correia de Campos que o digam.

E esse (o do governo que aí vem) é outro motivo. Cavaco no poder torna mais verosímil o cenário da reeleição de novo governo socialista, e essa é a que verdadeiramente interessa. O eleitorado do centro não gosta dos ovos todos no mesmo saco. Poderá acreditar em Cavaco, quando ele se apresenta como o outro prato da balança democrática. Alegre é uma passadeira para a eleição de Passos Coelho. Por causa dos tais ovos.

Votar Cavaco, a bem da nação. Era o que eu faria se tivesse estômago.

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Oferta do nosso amigo Joaquim O.

Na ara do Araújo

Porque sou doente e cuidadoso, fugi cobardemente ao debate – ver um espertalhão tourear um pateta, esfregar o chão com a cara do poeta, rematar a lide com um par de bandarilhas e sair em ombros pela porta grande, seria tormento penoso que, decerto, me mataria. Para mais, sem o consolo de voltar, por uma segunda vez, a nascer. Porque, nascer segunda vez, para isto, não me parece excessivamente aliciante e, também, porque me não interessa especialmente um concurso de seriedade com o Dr. Cavaco.

Este mito, da seriedade do senhor, é, aliás, assunto francamente menor, sobretudo quando comparado com o outro mito que inventou para consumo dos incautos, de que foi um óptimo, o melhor de todos, primeiro-ministro. Se foi um bom, sequer sofrível, primeiro-ministro ou, como suponho, o pior desastre que nos calhou em sorte, desde o senhor Marquês do Alegrete (não confundir com o senhor poeta Alegre), eis um debate que teria valido, há muito, travar, nem tanto para dizer mal (ou bem) da criatura, mas para entendermos as verdadeiras origens dos males que, inelutavelmente, nos arrastam para as profundas e que, também inelutavelmente e creio que definitivamente, nos impedem de vir a uma superfície no mínimo decente. Assim como as coisas são, ficamos, na melhor das hipóteses, com a sensação, achamos, que o sujeito não terá sido tão bom como o pintam (porque criou o monstro, ou coisa semelhante) e que não é tão sério como teima em pintar-se (o patético caso BPN; o poético negócio da família nas falésias da praia da Oura; a alegre vivenda Mariani e outras ocasionais tropelias).

E o mais grotesco é que a esta extraordinária criatura, a alternativa que nos oferecem é uma amiba intelectual, um oportunista desavergonhado, inventado por outro espertalhão para atirar às canelas do Engº Sócrates, para usar e deitar fora.

Por isso, porque não tenho candidato em quem votar – no actual estado das coisas, teria gostado de ver apresentar-se, ou ser apresentada, a Dra. Isabel Jonet, que não seria outro Dr. Fernando Nobre – abro aqui uma subscrição, estendo a mão à caridosa solidariedade que me financie, em moderado luxo, uma viagem a um qualquer lugar, situado a mais de 12 horas de viagem da minha assembleia de voto e de uma tentação abjecta de colaborar na patuscada ignóbil que se prepara.

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Oferta do nosso amigo Francisco Araújo

O dia nasceu frio

Conto de Natal:

O dia nasceu frio. Quando espreitou pela janela e viu a brancura da neve é que se lembrou que esse dia era o vinte e quatro de Dezembro. João, era assim que se chamava, da véspera de Natal não guardava grandes lembranças. Era um dia igual a tantos outros e como sempre tinha de ir para o monte com o seu rebanho. Por ser véspera de Natal as ovelhas tinham de se alimentar e os pastos dos montes sempre saíam mais baratos que os comprados no Grémio de Lavoura do seu concelho. Uma vez por outra era do pasto comprado que se alimentavam – dia de Páscoa, Natal e nas festas em honra a S. Pedro, padroeiro da sua terra, nunca na véspera de Natal.

Mesmo de férias escolares, primeiro, estavam os afazeres domésticos, os escolares eram feitos enquanto vigiava o rebanho e o dia três de Janeiro estava próximo. Era quando começava o segundo período lectivo. Também beneficiava da ajuda de Mondego, o seu cão, que era um amigo inseparável e que tantas vezes o ajudou quando as ovelhas se tresmalhavam. Nunca por nunca em véspera de Natal deixou de ir ao monte com o rebanho. Também a idade não era muita para ter bastantes recordações. Mas, nos seus dez anos de vida, esta véspera de Natal era a segunda passada no monte com o seu rebanho.

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V9

MA HQ
Lisboa
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CONFIDENTIAL/NOFORN
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Assunto: Briefing debate presidenciais
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Reunião com a presença de AJS, JS, SP e FL, que aprovaram a estratégia em traços gerais. Alguns assuntos foram tratados apenas com FL, ver abaixo.
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Informação preliminar

Foi assumido por todos os presentes que o candidato MA não tem o nível de octanas suficiente para fazer a máquina politica do PS trabalhar acima dos 35% de potência, o que faz com que a produção de cobertura mediática esteja muito baixa. A máquina política do BE não é utilizável, uma vez que o sistema de orientação e escolha de alvo está configurada automaticamente para o PS, e levaria anos a alterar. FL confirma, em privado, esta informação.

AJS concorda que a campanha está a correr mal, e que será necessário uma operação de Shock & Awe no debate para relançar a campanha e aumentar o índice energético de MA para níveis compatíveis uma campanha profissional.

JS não concorda, uma vez que se correr mal e o candidato não for eleito, o que é provável, ele é que tem de conviver com CS. AJS e FL não consideram a objecção válida, o que originou uma violenta troca de argumentos que terminou com JS a acusar AJS de lhe querer “fazer a folha” e a bater com a porta. SP ficou encarregue de o representar.

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Solar

Todo o fenómeno é relativamente novo, a escala a que acontece é nova e desmesurada e não me é fácil situar-me sem ser numa forma de acantonamento prévio, que me pode aliviar os choques, mas não me ajuda a esclarecer de facto. Então, a correr, (e a velocidade transforma a realidade – o que se relaciona com parte do comentário do Vega): como não me parece que seja desta, já agora, imediatamente, que o mundo vai fazer a revolução completa, instantânea, por fora e por dentro do tudo e de cada um, em que tudo se reformula, de modo harmonioso, no sentido do novo que foi surgindo e pensamento, estruturas sociais, modos de vida, culturas, tudo se harmoniza na materialização das novas compreensões e passarinhos a chilrear, estrelinhas a luzir, prados verdes para saltitar, música pimba acabada de morte macaca, gente mal formada transfigurada, a importância do outro na estruturação da identidade de cada um definitiva, impulsos domesticados e vivá cultura etc etc etc, então, enquanto não muda o paradigma, o que vai acontecer, e possivelmente tem de acontecer, são manifestações do piorzinho que há neste paradigma: coscuvilhice, devassa, intriga, deterioração das relações, amuos internacionais, divórcios traumatizantes,… e, como não se aguenta a moinha, dá-se um afrouxamento dos limites de tolerância: por um lado mais repressão, daquela básica e que julgávamos ultrapassada e, por outro lado, um descaso progressivo, cada vez maior, em relação a valores que até agora nos têm identificado. Qualquer dia já não se liga se revelarem que o ligueiro da senhora Merkl é rosa-choque ou que o presidente de um banco era simultaneamente mordomo na casa de um ditador. Assim como o Sporting que foi eliminado da Taça pelo Setúbal e já ninguém faz disso um caso. Onde vamos parar? Não sei. Os cientistas sociais que se cheguem à frente.

Entretanto, a luta pelo PODER mundial é linda de se ver. Na exibição dos destroços da contenda, vem o espírito de chinelo da humanidade todo ao de cima. Assistir às misérias humanas institucionalizadas põe o aconchego simbólico nas ruas da amargura. Também é catita ver que muitos dos que espreitam a possibilidade da grande MUDANÇA se fazer por este lado. Julgarão que, eticamente falando, estamos pior hoje do que há alguns séculos?

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Solar

Os blogs são como uma praça de cidade pequena: onde todos se podem encontrar e onde todos se podem evitar. Há os gregários militantes que se agrupam sempre com os mesmos para terem sempre as mesmas conversas e acabam por afastar registos diferentes; há os gregários soltos que gostam de estar perto dos seus, mas deambulam regularmente pela praça e, não raramente, param para falar com outros; há os institucionais que se agrupam em torno de interesses importantes da vida corrente (puxa-lhes, muito, para o lado agonista); há os que tratando de assuntos da vida corrente são mais desalinhados e vão falando sem grupo certo, mas com ideias definidas; há os errantes e sonhadores que conversam com toda a gente, e em que o fio condutor serão afinidades mais de natureza ética e estética. E há, como em todas as praças, os loucos, fundamentais para a manutenção da sanidade mental dos restantes.

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Oferta da nossa amiga mdsol

V9

Expresso, 6 de Outubro de 2015

O primeiro-ministro Rui Rio desvalorizou hoje as sondagens que dão vantagem ao PS nas próximas legislativas, salientando que os portugueses necessitam ainda de algum tempo para se aperceber das vantagens produzidas pelas reformas do SNS e educação, algo que acredita que poderá acontecer quando forem conhecidos os números da poupança produzida pela privatização destes serviços. Realça também que os problemas com a introdução do “cheque-escola” deverão estar ultrapassados até ao Natal, pondo fim a um episódio que sobressaltou o início do ano escolar e contribuiu para um clima de mal-estar entre os concessionários escolares, que não põem completamente de parte a hipótese de recorrer aos tribunais para reclamar juros sobre os montantes em atraso.

Em clima de crispação mantêm-se no entanto os agentes judiciais, que continuam a contestar o programa de reformas em curso, nomeadamente a introdução dos GTP (Gabinetes de Triagem de Processos), salientando que a atribuição de códigos coloridos aos processos “não dignifica” a justiça, e promove a descriminação entre “juízes brancos”, que julgam os chamados processos prioritários, e “juízes azuis” que se vêm inundados de processos considerados de baixa prioridade, introduzindo um factor de desmotivação entre a classe profissional que terá consequências “imprevisíveis”. Muito contestada continua também a ser a chamada “Via Verde Judicial”, que acusam de gerar graves desigualdades no acesso à justiça por parte dos cidadãos em detrimento das empresas. No entanto, Rio salienta que os valores substancialmente mais elevados pagos nos processos deste sistema são “um factor decisivo” no financiamento da justiça, e são “essenciais” para a rapidez no tratamento de processos que envolvem o sector empresarial, rejeitando que se trate de uma “justiça de luxo” apenas ao alcance de alguns, como acusam os sindicatos e o bastonário da ordem dos Advogados, Garcia Pereira.

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V9

Um blogue serve como palanque. Monta-se no meio da rua, sobe-se lá para cima, e é começar a falar. Se falares bem e disseres coisas interessantes, pode ser que alguém repare, e te comece a ouvir. Uns chamam os outros, e junta-se uma pequena multidão. Se o orador deixar e for um tipo simpático, as pessoas começam a discutir umas com as outras, e cria-se uma comunidade à volta do palanque. Alguns até trazem tenda.

Há também outros blogues que servem para oradores berrarem uns contra os outros, cada um no seu palanque. Por outro lado, os tipos que falavam das tribunas não conseguem esconder a irritação com tanto palanque junto. É uma barulheira, dizem. Mas muitos lá vão montando também o seu palanque.

Agora se a questão for “para que queres tu um palanque”, terás que perguntar ao espelho. Mas gosto muito, mas mesmo muito, deste texto. Está lá tudo.

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Oferta do nosso amigo Vega9000

Os Soldados da Paz

Nunca o fui mas tenho experiência de quando era militar tive a infelicidade de ser obrigado a ir combater um incêndio em Viana do Castelo.

Estava-se no ano de 1970, em Julho ou Agosto, se não fez quarenta anos está quase a fazê-los. Preparávamo-nos para vir de fim-de-semana e à última hora somos informados que o quartel entrava de prevenção por causa do incêndio em Viana do Castelo. De imediato partimos para lá incorporados em pelotões, sobre as ordens de um aspirante, que prática de incêndios tinha a mesma que nós soldados tínhamos, nenhuma.

Fomos para a localidade de Areosa, ali o incêndio era devastador, não nos podíamos aproximar porque era um calor infernal, não tínhamos meios para o combater a não ser ramos de eucaliptos para bater nas labaredas e tentá-las abafar. Era uma missão impossível porque não aguentávamos ali muito tempo e os ramos eram logo incendiados. Andamos assim o resto da tarde e parte da noite. A fome era muita, não tínhamos jantado, e assim passamos a noite sem comer. Ao outro dia de manhã encontramos uma padeira, que andava distribuir o pão, pelos seus clientes, estávamos perto da povoação de Areosa, e a padeira ficou sem pão, compramo-lo todo, ela bem não queria mas a fome era imensa.

Esta situação correu de boca em boca e então começaram a chegar habitantes com leite e café para nos distribuir. Ao meio dia a maioria da população levou-nos batatas, carne e outros géneros e nós em fila indiana lá recebíamos na mão esses alimentos, não havia lugar para pratos ou talheres. Pela volta das dezasseis horas é que chegava a nossa alimentação, ia de Braga para Viana e tinha de percorrer várias localidades, porque estávamos espalhados por elas.

Assim andamos o fim-de-semana todo e fomos rendidos na segunda-feira. Os nossos familiares deslocaram-se para o quartel em Braga a saber informações pois nos órgãos de comunicação social foi dito que alguns militares tinham morrido queimados. No início da semana, terça ou quarta-feira, foi dado como instinto
Quando vejo os incêndios vem-me à memória este acontecimento e lembro-me do trabalho e risco que correm os Soldados da Paz e o que lhes desejo é a maior sorte do mundo.

Também sei que a maioria dos incêndios é por interesse e que os incendiários são uns coitados. Por força da minha ocupação lidei com vários e vi que tipo de pessoas era. Os seus mandantes gozavam com o infortúnio dos donos dessas matas e com o trabalho voluntarioso dos Soldados da Paz.
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Oferta do nosso amigo Manuel Pacheco

Mulher aranha

Não sou jurista, no entanto sei que a melhor garantia de sobrevivência dum estado de direito é a interiorização pelos seus cidadãos (os ditos comuns, como eu) daquilo que são os alicerces desse mesmo estado de direito.

Que significa isto? Que deve soar um alarme nas nossas cabeças quando há fugas de informação numa investigação a decorrer, quando um jornalista que relata factos é simultâneamente assistente no processo que relata e quando um caso é abordado com o objectivo de comprovar uma culpa previamente determinada fruto de convicção pessoal, logo subjectiva.

Tudo isto deverá parecer pelo menos estranho ao cidadão comum dum país onde impera o estado de direito e para que isso aconteça é necessário aprender e amadurecer. Somos os seus primeiros guardiões. Quem ignora ou relega para segundo plano estes factos está indirectamente a assumir a sua visão da justiça e da legalidade. Não admira que alguns aceitem facilmente a suposta “culpa” alheia não comprovada… estão a admitir a sua própria conduta.

Tem por isso toda a razão Fernanda Câncio no que escreve. O estatuto e conduta de Cerejo é estranhíssimo, no mínimo.

Por estes motivos leio o que escreve aqui no Aspirina B, porque a sua bandeira não são primeiramente pessoas, é o princípio em si da presunção de inocência até prova em contrário. Não está isolado nessa posição, somos mais.

A justiça funcionará mal, ou por vezes mal, se nós cidadãos não soubermos exigir dela o necessário. Estas situações também nos permitem amadurecer democraticamente … espero que o tempo venha a permitir isto mesmo.
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Oferta da nossa amiga Sofia

Da Galiza

Faz tempo, achava ter que falar dos anônimos, dos que tanto se está a falar e sempre como argumento comtra o Valupi. Não compreendo muito bem esa teima irem comtra o mensajeiro do que não gostam pelo que di. Aquí so é a palavra, eu leio o texto , gosto ou não gosto, mas não é tão importante saber que é anònimo o Valupi.

Para min todos os comentadores são anònimos e tampouco conhezo os periodistas que escrebem nos jornais de Portugal, mas gosto de alguns, fico com aqueles que me deixam algo nos miolos, leio e apanho as minhas conclusões. Eu não conhezo a Edie e gosto dos seus comentarios e mais ainda dos videos que ela deixa no blog, nem conhezo a Manuel Pacheo e gosto das suas hestorias, e mais outros, nem conhezo o Pacheco Pereira do que tanto se fala e que para mim podia chamarse MIky mouse. Embora de tudos fazemos na nosa testa uma image coa que dialogamos, mas estamos no mundo das ideias exprimidas en palavras escritas. E dizemos para nós iste é um ranhoso, interessante, bom, gosto, que belo….tem razão e tantas coisas mais.
Levo ja algum tempo lendo o Valupi, e não quisser saber quem é, nem que faz na sua vida. Só sei que escreve muito bem, além da forma faz tudo combinado co fundo e co seu argumentario. Concordarasse ou não, o blog permete o diálogo, e permete não volateres a conectar-te. O único que apanhares por cá, se és um ranhoso com mal feitizo e uma “larga o vinho”. Eu so vejo tolerancia, razonamento, ideias, e uma boa escrita.
Além disso o anônimo tem uma coia muito positiva, nem está condicionado ele nem o su leitor. Se eu soupera que o Valupi é um personajem público em Portugal ja o seu caixão de comentarios estaria condicionado pelas deudas que ese homem tem de pagar na sua vida pública, não teria a mesa liberdade, falaira o homem e mai-lo o personajem.
Continuar a lerDa Galiza

Mulher aranha

Pelos vistos anda uma parte (pequena espero) da blogoesfera portuguesa às voltas com a questão dos anónimos. São burros, uns idiotas. O blogue é criado para lá escrever o que bem entende o seu ou seus autores. Até pode nem ter possibilidade de comentários. É uma escolha. Assina-se com o nome que se entende. E escreve-se sobre o que se quer. Inclusive política e defendem-se as ideias que se quer. Que eu saiba concordar ou defender as ideias do governo é tão possível como o seu contrário. E não é ilegal fazê-lo, nem está na clandestinidade quem o faz.
Podemos não gostar de certas ideias. Temos bom remédio: NÃO VAMOS AO DITO BLOGUE. Somos livres de ler ou não, os bloggers são livres de escrever o que quiserem, até podem decidir deixar de escrever.

A menos que o vosso problema seja quererem determinar quem escreve e o quê? Será isso? Se for isso jamais se adaptarão a esta coisa chamada blogoesfera e terão muita acidez de estômago. Tomem umas rennies.
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Oferta da nossa amiga Sofia