Infelizmente, temo que, com o aparente ensandecimento de grande parte dos representantes nacionais na negociação, a designada Troika se limite a aplicar as receitas tipo da “cartilha neo-liberal”, provavelmente, muito pouco adequadas à situação específica do País.
Torres Couto – personagem com quem nem simpatizo muito – surpreendeu-me, ontem, pela positiva numa entrevista à SIC Notícias, dando nota da forma como o Governo e as principais confederações patronais e sindicatos prepararam previamente a negociação com o FMI em 1983. É certo que o contexto era muito diferente (Governo do Bloco Central, sem eleições à vista, cenário de guerra fria, possibilidade de desvalorização cambial), mas houve sentido de estado por parte dos diversos intervenientes, consensualizando o que seria ou não aceitável previamente à negociação com o FMI. Depois, nas reuniões de negociação propriamente ditas, a generalidade das autoridades nacionais demonstrou um grande consenso em relação às medidas que haviam sido previamente acordadas ao nível nacional.
Quase trinta anos depois, o FMI regressa e confronta-se com um clima de quase loucura colectiva.
O principal magistrado da nação, depois de ter dado a senha para a operação suicida de 11 de Março de 2011, esconde-se, agora, atrás do facebook do Palácio de Belém, entretendo-se, de vez em quando, a receber Velhos do Restelo pirómanos reconvertidos em bombeiros salvadores da pátria (como António Barreto).
