A caminho dos 1000 milhões na Betesga

Cada manifestação tem de ser sempre maior do que a passada. Caso contrário, é um fracasso que o narcisismo dos produtores e acólitos não suportará. Pelo que se trata de mandar números para o ar, na falta do contador de cabeças oficial. Hoje, num espectáculo que foi promovido dias a fio pela comunicação social como se fosse uma final da Selecção, contando com o apoio explícito do Presidente da República dado no Parlamento no mais solene dos seus actos, com o combustível emocional do anúncio governativo de novas medidas de austeridade no dia imediatamente anterior, onde os organizadores se multiplicaram em convites a qualquer ser humano residente em Portugal que ainda não tivesse atingido o Nirvana, há quem esteja embriagado com o número 200 mil, enquanto outros, que acreditaram na promessa de ter 1 milhão, não se contentam com menos de 500 mil.

Creio que com este crescimento geométrico dos manifestantes estamos a poucos protestos de impor ao Mundo a paz eterna.

28 thoughts on “A caminho dos 1000 milhões na Betesga”

  1. Se quem se embriaga (reiteradamente) com alcóol é alcoólico…

    Quem se embriaga com números será numerólogo?!!! :):):)

  2. Só e não sou. (um gajo põe-se a investir horas em busca de um só indivíduo que fale do que irá acontecer a seguir, a substância da contestação popular em torno de projectos de futuro, e depois fica-se assim, com as letras trocadas. Nem um assumiu qualquer compromisso político ou outro. Só queixinhas e lugares comuns em que até a menina estás à janela serviu de canção revolucionária…)

  3. Pois eu gostava de ver por lá um jornalista da escola do BB a fazer a pergunta que se impunha: ” onde é que você estava no 23 Janeiro de 2011?, ou no 27 de Setembro de 2009?, ou no 13 de Junho de 2004?” Ou, ou, ou, que parece que eram várias as gerações, se bem que à última pergunta eu acho que consigo adivinhar a maioria das respostas. Parece que estava Sol e tudo…

  4. Curiosamente, hoje, no decorrer do meu “passeio dos tristes”, passei pelo Guincho. Tarde amena, soalheira, ondas fabulosas, certinhas, daquelas que, suponho, fazem as delícias da rapaziada do surf. Em tardes idênticas, tenho visto o local com muito mais de uma centena de surfistas. Hoje não se viam mais de de três ou quatro!

    Quer isto dizer que a fina flor dos “queques da Linha” trocou de bom grado umas excelentes “surfadas” para ir até Lisboa “malhar” no Sócrates. Sim, porque foi disso e não mais do que disso, que se tratou.

    Infelizmente esta malta cuja arte e engenho, pelos vistos, se esgota nas surfadas nas salsas ondas oceânicas, ainda não percebeu que o tempo em que podia contar com a sombra tutelar dos paizinhos tende a aproximar-se rapidamente do seu fim.

    Ou, se calhar, percebeu e é isso que os deixa desorientados porque são incapazes de entender que com Sócrates ou sem Sócrates os tempos estão a mudar, de forma cada vez mais acelerada e não há nada nem ninguém capaz de deter essa mudança. Os tempos em que a Europa e a América do Norte se podiam dar ao luxo de viver padrões de vida muito acima dos que suportava o resto do mundo, passaram à história. Grande parte desse mundo resolveu dizer: CHEGA! TAMBÉM QUEREMOS! E passou à acção e de que maneira.

    Portanto, os “meninos da Linha” não tem outro remédio senão adaptar-se, começando a aprender a desenrrascar-se (já que se dizem geração à rasca) e a fazer pela vida que, pouco e pouco, lhes irá sendo cada vez mais difícil. Para falar a sua linguagem têm que fazer apelo a todo seu engenho e arte e tratar de aprender a “surfar” em mares bem diferentes daqueles a que estão habituados.

    Que a esta malta se junte, despudoradamente, o PCP (do BE já nem merece a pena falar) diz bem da raiva cega que o move e que, ao longo da história, o tem levado a não hesitar em aliar-se ao diabo para fazer frente ao PS.

    Dizem-me ter estado na tal “mega” manifestação, figuras como Vitorino, Fernando Tordo, Rui Veloso, gente que me habituei a respeitar como artistas e como homens. Gostaria de pensar que o não fizeram apenas por terem pressentido que “remar-contra-a-corrente” do momento (e que corrente!) não seria útil aos seus interesses materiais!

  5. :)
    Foi muito lindo. Tudo com um ar muitàrasca, muitas vezes sem saber explicar porquê. Até o caso da que não está em trabalho precário, mas sabe que a qualquer momento pode vir a estar…(hello…sec. XXI, Planeta Terra, não estudaram na Universidade que emprego para a vida já era e o Sócrates, incompetente, não contribuiu em nada para isso?).

    (shark, é isso, não há propostas: segundo o manifesto, só há uma lista de coisas que têm de acabar: a classe política, o emprego precário, os emigrantes, os estágios e empregos mal remunerados…). Acho que a nova classe de emigrantes não concorda nada com isto…

  6. Pois é, shark, não me lembro de tal ter acontecido noutra manifestação, foram mesmo horas de transmissão em directo e, apesar dos milhões de participantes e do vazio dos seus comentários, parece que as jornalistas estavam dispostas a entrevistá-los todos. Gostei muito de um que disse que depois disto esperava a queda do Estado, quem não pede não ouve Deus. Quanto às canções revolucionárias, não ouvi a menina estás à janela, mas apanhei a música do Pingo Doce com uma letra adaptada, o que também não está nada mal. E quando pensei que já tinha a minha dose de directos televisivos eis que passam o discurso do Passos Coelho também em directo não sei de onde… tiveram de me acordar. :)

  7. Val, era para enviar este texto para o Aspirina B, no dia 14 de Março, mas como hoje houve a manifestação da geração à rasca, não me contive e é esse o motivo porque o faço. Sabem lá eles o que é viver.
    Em 1973 tínhamos a mesma idade de muitos que hoje desfilaram. A nossa geração não era à rasca mas sim desenrascada ou tinha-se que se desenrascar se queria fazer parte dos vivos. É um insulto que se fez hoje à minha geração. As televisões e órgãos de informação devem-nos um pedido de desculpa.
    Quem tinha papás desenrascava-se mas a maioria de nós éramos filhos de gente humilde que só tinham as lágrimas para verter com a nossa partida.

    As Sete Curvas e o catorze de Março:

    Dois itinerários principais atravessavam os Dembos. A partir do Caxito, que era a porta de entrada da guerra a Norte, pois a partir dali só se podia viajar com escolta militar. Um partia em direcção a Quicabo e Balacende. O outro itinerário era a “estrada do café” para o Úcua, Piri, Quibaxe, Quitexe e Carmona (Uíge). Nessa altura só passavam a tropa, algumas viaturas civis protegidas por essa mesma tropa e o inimigo mas, este nunca o avistávamos, caso contrário tínhamos luta pela certa.
    O Quartel de Balacende ficava situado entre Quicabo e Beira Baixa, um lugar isolado, não tinha população, tinha próximo a Fazenda Margarido e Maria Fernanda, era servido como ponto de passagem pelas famosas sete curvas. Sete curvas, como eram apelidadas, pelas tantas curvas existentes num raio de poucos metros, com uns morros altos, que faziam perder a respiração a quem lá passasse.
    Por essa altura a JAEA, Junta Autónoma de Estradas de Angola, laborava na construção da estrada que mais tarde ia ligar Caxito a Zala, estava próximo da Beira Baixa. As sete curvas deixaram de ser uma picada e passou a ser uma estrada asfaltada mas sempre um local de respeito. Deixou de haver as sete curvas, o traçado agora era em linha recta, os seus morros se eram altos, altos continuaram com o rompimento da dita estrada. Sempre que ali se passava, lembrava-nos das sete curvas que tanto sofrimento causou à tropa.
    O dia catorze de Março de mil novecentos e setenta e três nasceu como tantos outros. De manhã levantei-me, tomei o pequeno-almoço no refeitório do Quartel, dirigi-me para o Posto de Rádio, como era costume. Não estava de serviço, só fazia serviço nocturno, que era das zero horas às oito da manhã. Como era habitual e dado vivermos isolados, a nossa distracção era ir até ao Posto de Rádio, falarmos das nossas venturas e desventuras, ajudar caso fosse preciso o nosso colega de transmissões, nesse dia quem estava de serviço diurno era o soldado Alves.
    Estávamos a conversar quando de repente se ouve no rádio, Racal 422, que era o instrumento que nos ligava aos outros Postos de Transmissões e colunas que andavam por fora dos quartéis, estes pertencentes ao Batalhão de Caçadores 3838, que era o meu, a pedir socorro. O sinal auditivo era bastante baixo o que me levou a dizer ao soldado Alves que estava algum posto transmissor a pedir ajuda. Disse que não ouvia.
    De imediato, peguei no microfone e comecei a chamar. Ao posto que se encontra no ar informe o seu indicativo pausadamente condições audíveis bastantes difíceis. De repente ouvi melhor, pedia ajuda rápida, tinham caído numa emboscada. Perguntei-lhe qual a localização em que se encontravam ao que respondeu entre Quicabo e Balacende, na zona das antigas sete curvas.

    Estava um pelotão prestes a partir com os trabalhadores da J.A.E.A., disse ao furriel que comandava o pelotão para irem em auxílio de uma coluna de soldados que tinham caído numa emboscada. Para irem com cuidado que não sabia a localização ao certo. Disse ao rádio telefonista para levar o rádio em escuta permanente para saber o que se ia passando.

    O meu posto rádio continuou a fazer “de posto rádio em trânsito” uma vez que o posto director era Quicabo e, como não havia condições climatéricas, competíamo-nos tomar esse lugar. De manhã quase sempre nos víamos com estas dificuldades, diziam os entendidos, que eram devido a ser zona de minério. As condições tinham melhorado, o nosso pelotão tinha chegado à zona da emboscada e tinha disparado uns morteiros tendo-se o inimigo retirado.
    Fez-se o balanço. Do nosso lado, tinham morrido um furriel, três soldados e dois civis e o soldado condutor auto-rodas, Damas, dado como desaparecido. Era uma coluna que ia para a J.A.E.A., com funcionários da mesma, para fazer pagamentos aos trabalhadores. Do lado do inimigo, mais tarde soubemos, que foi para comemorar o aniversário da U.P.A. (União Povos Africanos) “catorze de Março” tiveram várias baixas.

    Foi pedido ao comando em Luanda, meios aéreos, que prontamente bateu toda a área mas não se encontrou nenhuma vivalma parecia que havia esconderijos subterrâneos. Viemos a verificar que a emboscada tinha sido bem planeada. Na entrada e saída tinham metralhadoras, à medida que as nossas viaturas iam entrando nessa zona, era feito fogo cruzado. O furriel foi o primeiro a tombar, seguia na primeira viatura. Os soldados que compunham essa viatura assim como outras que também entraram nessa zona, saltaram das viaturas para as valetas da estrada cobertas de ervas e arbustos. Quando ali chegavam estava um grupo de assalto com catanas. Foi morto um soldado à catanada.
    Além do azar, podemo-nos dar por felizes porque as viaturas não entraram todas na zona da emboscada e assim puderam repostar ao fogo do inimigo e comunicar via rádio a pedir auxilio.
    Não tínhamos conhecimento, nós soldados, desta data e celebração, quando assim é consiste em dia de festa, ou seja quase um dia de feriado e não um dia de luta. Foi terrível. Nunca supúnhamos tal tragédia uma vez que a nossa missão naquela zona estava a findar. No dia dezasseis partia de Balacende para o Grafanil, Luanda, o primeiro contingente de tropa no qual me incluía para aguardar embarque, dia três de Abril, para a Metrópole como era usual dizer-se. Fez no dia quatro de Março de mil novecentos e setenta e três, vinte e dois meses, que para ali fomos.
    Tínhamos sido referenciados num programa de rádio, chamado Maria Turra, como um Batalhão que cumpriu o seu dever nunca abusando dos direitos consagrados dos grupos de guerrilha, assim como deixávamos obra feita, as estradas asfaltadas, um aldeamento com cerca de duas mil pessoas, com habitação própria, umas capturadas, outras entregaram-se voluntariamente.
    Por isso não éramos merecedores e não contávamos com este acontecimento. A guerrilha não se compadece com este estado de coisas. Todos os anos me lembro do catorze de Março de mil novecentos e setenta e três e das sete curvas. Faço-o em memória dos que tombaram e respeito pelos que foram feridos e em especial pelo Soldado Condutor Auto-rodas, Damas, que foi dado como desaparecido.
    Mais tarde com a descolonização foi trocado como prisioneiro de guerra. Nunca mais o encontrei. Também sinto vergonha de o encontrar e ser-me dito que nada fizemos por ele. Pela minha parte vou-o lembrando e admirando o seu passado que deve ter sido horrível.
    Por isso o lembrar do dia catorze de Março de mil novecentos e setenta e três. Um dia triste na minha memória.

  8. è verdade, houve jornalista que chegou a perguntar se não era um segundo 25 de Abril ( o povo todo na rua, topam?). Ao que o entrevistado respondeu que apenas havia a diferença de não haver o apoio do exército. Curti.

  9. duzentos mil ???? é pouco, há muita mais gosmistas em lisboa, para não falar em espectadores de marchas populares.

  10. O plano da geração à Rasca, pelo que percebi até agora, em 3 sucintos pontos:

    1 – manifestação, fazer barulho

    2 – ?????????

    3 – Problema resolvido

  11. Coitadinhos dos socretinos… Cada vez mais isolados, cada vez mais sozinhos, cada vez mais autistas, têm aquele discurso típico dos aparelhistas que estão sempre prontos para defender o chefe e para atacarem e desvalorizarem os protestos dos outros. É aquele discurso típico da propaganda socretina que vê «privilegiados», ou «corporativos», ou «betinhos», ou «irresponsáveis», ou «radicais» em todos aqueles que não alinham com a governação de um aldrabão que aprova PECs atrás de PECs e ao arrepio das suas promessas eleitorais (mas, diga-se a verdade, que isso também não é novidade nenhuma). Antes diziam que eram os comunistas, o Nogueira ou o Carvalho da Silva, que estavam por detrás destas manifs; agora como não podem recorrer a essa conversa da treta lá descobriram nas suas cabecinhas mais uns inimigos de estimação.
    Sim, porque como dizia o Valupetas, há uns dias atrás, os «inteligentes», «decentes» e «produtivos» deste país têm que fazer ouvir a sua voz contra estes «decadentes intelectuais», «acríticos» e «raivosos» que se andam a manifestar. Assim, para organizador de uma contra-manifestação eu sugiro que se convide a Cancro, que já têm a experiência nas manifs de apoio à rebelião no longínquo Irão. Para porta-voz dos «decentes» eu sugiro que se convide o Vara, que em 1994 mostrou (a buzinar) como nos devemos comportar «correctamente» quando são aumentadas as portagens, assim como nos devemos comportar «correctamente» quando fazemos negócios com sucateiros. Para porta-voz dos «produtivos» sugiro que se convide o Rui Pedro Soares, pois este tipo é alguém que, depois de concluir(?) um qualquer curseco, não esteve à espera de subsídios do Estado nem de empregos para a vida, mas filiou-se no PS e conseguiu chegar a um lugar de topo da PT, única e exclusivamente devido à sua «competência» profissional. Para porta-voz dos «inteligentes» sugiro que se convide o Valupetas que, como profissional da publicidade e da propaganda socretina, já demonstrou inúmeras vezes que é o maior especialista em manipulação que por aqui anda, só ficando atrás do seu mestre, o Pinto de Sousa. Claro que fazer a cabeça dos socretinos não é uma tarefa muito exigente, mas mesmo assim deve-se reconhecer que o Valupetas tem a «inteligência» necessária e suficiente para adormecer e anestesiar o rebanho em causa, como as várias respostas a este post demonstram.
    Portanto, já sabem socretinos: apareçam todos no Largo do Rato e mostrem a vocês mesmos como vocês são poucos, mas são bons! Não se mostrem é ao resto do país, porque o vosso ridículo ainda acaba por matar o resto do país de riso.

  12. Val, acho que te estás a esquecer do outro lado de ver a coisa. Gritou-se contra o Sócrates, gritou-se contra o Passos, gritou-se contra políticos, mas a grande maioria estava lá por uma coisa diferente. Quer fazer algo e não sabe como. Não sei se cabe aos políticos, aos pais, aos seus gurus espirituais ou a sociólogos explicarem como o podem fazer. Mas havia muita gente disposta a descobrir por si própria.

    Não senti que o espírito da manifestação fosse anti-partidos, nem anti-PS. Era mais anti-estado-a-que-isto-chegou-e-já-agora-estamos-aqui-e-a-malta-até-pode-começar-a-pensar-em-fazer-política-um-dia. E isso não é bom?

    http://preque.blogspot.com/2011/03/juventude-apolitica.html

  13. eu não te percebo. retórica e não sei quê da alma da polis , polítiica que diz respeito a todos , não há ninguém que se safe ao adjectivo político . posts xpto sobre o assunto. depois o cavaco é retórico , mobiliza gente : o cavaco é um merdas ; agora há prái gente que lhe deu prá política : essa gente é uma merda manipulada pela comunicação social.
    vê lá se te arrumas , pá.

  14. Caro Manuel Pacheco,
    Do Caxito também parte a estrada(no meu tempo picada) para Ambriz junto à costa. Do Ambriz partiu a minha Unidade com destino a Nambuangongo onde chegou horas depois do Maçanita. No dia seguinte partimos para abrir a picada e retomar Zala. Depois ainda fomos ajudar na Pedra verde e por fim voltámos ao Caxito onde permanecemos dez meses.
    A partir do Caxito passámos dezenas de vezes pela célebres sete-curvas onde, um tal Fernandes da UPA (antigo enfermeiro no Ambriz), muitas vezes abatia um militar. Nessa altura já tinhamos 4 mortos e cerca de 40 feridos entre eles 6 evacuados.
    Ainda neste período fomos abrir e reocupar as fazendas Margarido e Maria Fernanda a partir de Balacende. Fizemos uma ponte provisória de paus e tábuas para atravessar o Lifune, que mais tarde o Jardim Gonçalves foi, com nossa protecção, fazer uma ponte sobre os pilares que haviam resistido de pé. Eram 4H da madrugada e chovia só como em Angola chove quando chove, e no dia seguinte deparámos na Roça Margarido com dezenas de corpos em putefracção dentro do depósito da água. Na Maria Fernanda as hienas já haviam comido os corpos todos.
    Mais tarde fomos para o Mucondo, em completo isolamento no meio da mata e do inimigo, onde perdemos mais um soldado com um tiro dirigido a mim que ia ao lado do condutor e eles sabiam que era o graduado do jipão.
    Bem, resumindo, só para lembrar que foram 41 meses de tropa dos quais 28 sempre em zona de guerra e sob perigo de morte 24H sobre 24H e alimentado grande parte a ração de combate.
    Era o que nós, a nossa juventude, tinha pela frente ainda antes de poder terminar qualquer curso. E por acaso alguém pensava em manifestar-se, protestar ou exigir algo ou podia fazê-lo? E chegados ao “Puto” a grande maioria dos combatentes tiveram de emigrar a salto para França, atravessando a Espanha a pé por vales e montanhas à noite, sem sequer poderem fumar para não serem denunciados pelo fogo do cigarro.
    Isto foi a vida da nossa geração. Mas isto diz tanto aos jovens de hoje como D. Afonso Henriques prender a Mãe: serve para fazer anedotas ou um drama. Contudo a vida hoje não vai no sentido de, como antigamente, o papá ou um amigo do papá conhecer alguém que mete uma cunha a um amigo de outro amigo para meter o filho na empresa ou no Estado. Os tempos estão duros e ter um curso serve para começar qualquer coisa de trabalho e depois quem tem unhas toca viola, quem não tem fica caixa ou no call center do senhor Pingo Doce. É chato mas o canudo deixou de ser passaporte para ser director de qualquer coisa. É a vida.

  15. e se queres que te diga , gostei sobretudo de os mimados enganados disney ( o vpv disse tudo o que penso na crónica do sabado ) terem dito que não têm partido , mas que são políticos. alguma coisa aprenderam apesar da escola de caca massificada que tiveram de gramar.

  16. Das duas três, ou há por aqui quem veja muito à frente ou então não passam de uns tolinhos invejosos e com problemas de consciência pela merda de mundo que ajudaram(mos) a construir.

    Valupi, sossega, a manifestação não era com o Sócrates, alguns estariam lá contra ele, afinal, ele é o rosto visível da governação em PT, outros estavam contra o BPN e afins, outros ….. Cada um teria a suas motivações essa é, para mim, a beleza da coisa.

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