Tragédia em 3 actos

I

Vejo com muita preocupação a situação. O PCP está a dar passos que vão no caminho de uma crepuscularização de tipo marxista-leninista. Esta crescente sectarização, que vai um bocado para a sua redução, significa uma cada vez maior esquerdização burocrática.

Carlos Brito em 2004

II

Carlos Brito defende que o PCP deve liderar uma possível convergência com a esquerda, em particular com o BE, para formar uma alternativa de poder.

Em entrevista à TSF a propósito do 90.º aniversário do PCP, o antigo deputado entende que, com 90 anos de história, o partido devia ter maturidade para ser o primeiro a dar um passo em frente para uma convergência de esquerda.

Carlos Brito manifestou «espanto» por o PCP e o BE não conversarem, sobretudo numa situação tão «complicada» como a actual e tendo em conta que há uma grande convergência programática entre os dois partidos.

Na opinião do antigo deputado comunista, o PCP devia «tomar a iniciativa» e «apresentar-se como uma força que pretende ser governo». Caso contrário, alertou, a «estagnação continuará».

O partido tem de ter uma visão mais alargada da sociedade portuguesa e ser um «partido político», em vez de uma «central sindical», considerou, defendendo que o PCP deve «negociar» propostas.

III

Também em entrevista à TSF, Jerónimo de Sousa respondeu a este apelo afirmando que «o PCP não pode ser cúmplice de uma política que está o levar o país ao estado em que está». Isso «seria desmentir-nos a nós próprios», considerou.

Fonte

8 thoughts on “Tragédia em 3 actos”

  1. Podia ser interessante o que diz, mas, na minha opinião, é ao lado.

    Todos sabemos, e ele devia saber, que a abertura dos partidos comunistas por esta Europa fora levou à sua desintegração/divisão, desaparecimento ou diluição, que é o curso normal da história, depois do fracasso retumbante do comunismo como regime político. Quase se pode dizer que, ao abrirem uma janela (abandonar a ortodoxia), ou apanham uma valente constipação, tendo de aliar-se permanentemente a enfermeiros, ou morrem.
    Por isso, o nosso PCP, para não lhe acontecer nada disso, se transformou na seita que conhecemos. Fechadinhos, agarrados às teses já não sei de que congresso, as mesmas palavras de ordem, as mesmas bandeiras de há décadas. Só mudaram o slogan «contra os fascistas» e «contra a reacção», que deu lugar à luta contra o «grande capital» e a «alta finança».

    Quanto ao entendimento com o BE, não é do interesse deste. Enquanto pairar num limbo indefinido mas irreverente, o Bloco tem adeptos, sobretudo jovens. A partir do momento em que se identifique, minimamente que seja, com os ideais dos comunistas, perde apoiantes e militantes. Neste caso, seria o Bloco a diluir-se.

    Para o PCP ser um partido político de governo, como diz Carlos Brito, e não uma central sindical, teria de transformar-se de tal forma que não teria o que dizer. O comunismo puro e duro que defendem não vende como regime político, mas, se o abandonam, há já outros a ocupar o lugar. De futuro, só lhes resta diluírem-se como tendência dentro de algo mais alargado. Para já, em Portugal, sobrevivem invocando vagamente a quimera da «revolução de Abril», para eles cruelmente interrompida, agregando-se como seita em torno de três ou quatro chavões, que repetem ad nauseam.

  2. O Sérgio Godinho tem um verso numa canção que define bem o problema: «Pode alguém ser quem não é?». De facto já há 45 anos que se fala no «aggiornamento» mas os outros depois de se actualizarem acabam por desaparecer. O que tem de ser tem muita força.

  3. Sem querer polemizar (demasiado), acho que o que diz o Carlos Brito é mesmo o unico caminho a seguir, até na pespectiva da velha guarda.

    Nenhum partido, nenhuma força, nem sequer a da Igreja, se mantém muito tempo numa situação de total desfasamento com a realidade social. O que se passa com os partidos comunistas não escapa à regra e tem graves consequências, a mais obvia das quais eu julgo sobremaneira preocupante : o protesto popular esta a passar progressivamente para a extrema direita.

    Porquê ? Porque são mais espertos ? Porque o mundo mudou ? Porque a mundialização e troca-o-passo ?

    Tretas !

    Unica e exclusivamente porque os partidos de extrema direita são os unicos que podem vangloriar-se de alcançar resultados concretos. Uma Europa fechada sobre si mesma, que vive do preto ao mesmo tempo que faz render, politicamente, economicamente, culturalmente, o medo que tem do preto, eis o que esta à vista. Esta meta, sim, esta a ser atingida, e ultrapassada, todos os dias um pouco mais.

    Portanto estamos mesmo a falar de falta de realismo. Falhanço total e completo dos partidos de esquerda em fazerem com que as pessoas acreditem, um segundo que seja, que eles são mais do que folclore.

    Isto alias, é verdade da esquerda radical, mas a carapuça assenta também muitissimo bem à esquerda reformadora. Pergunta retorica : sera que as duas coisas estão ligadas ?

    Seja como fôr, ha quem ache isso bom.

    Eu, definivamente, não acho…

  4. Penélope, opinião mais esclarecida sobre esta matéria não é possível. Mas como diria Marçalo Grilo: “Difícil é sentá-los”. Para poderem pensar em vez de rezar.

  5. O Sr. deputado Carlos Brito não sabe do que fala. Vive no mundo do sonho, no mundo da ilusão.

    Zeus me livre se algum dia o PCP terá que aproximar-se daquela escumalha do Bloco de Esquerda. Eu abro o meu jogo – eu sou militante do PCP. Antes de me filiar no partido, medi bem a ideologia que defendo. No Bloco de Esquerda tal não acontece. Arrisco-me a perguntar se no partido existe uma ideologia fixa, existem várias ideologias rotativas ou se o mesmo é desprovido de qualquer ideologia que não seja criticar para destruir sem que no entanto se tenha algo para construir a mais do que temas fracturantes da sociedade.
    Um partido, que de facto é actualmente o mais velho em actividade desta nação não pode dar o passo em frente para a união com um partido que é composto por 4 frentes (PSR, UDP, Ruptura\FER e Política XXI) em que todas essas 4 frentes estão unidas num partido único, embora, com a ressalva dessas 4 frentes terem choques ideológicos graves (o exemplo da FER em relação à UDP chega a ser drástico).

    Eu bem vejo os militantes do Bloco de Esquerda que conheço. O Bloco de Esquerda, assumidamente Marxista e Trotskista é um partido que cativa uma massa de apoiantes que não sabem o que é Marx, que não sabem a preponderância que Marx teve para a Economia Política e que jamais leram os pressupostos ideológicos em que assenta o próprio partido. Isso é grave. Filiam-se apenas na ideia que o partido transparece cá para fora: “a gente está aqui para fazer barulho” – e nada mais que isso.

    Por isso, tal desejo desse Sr. deputado é irreal. É completamente irreal. Ainda mais quando o próprio líder desse partido é um economista interessante mas um fraco político – característica que na minha opinião o torna um pouco bipolar.

    Disse.

  6. … “Mas como diria Marçalo Grilo: “Difícil é sentá-los”. Para poderem pensar em vez de rezar”…

    Espantoso Ocasional e marçalo Grilo…

    esta maxima valeu-me o dia, aprendi algo simples, mas “Dificil”…

    abraço

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