Um livro por semana 222

«Espuma dos dias úteis – Talvez diário (1979-2009)» de Cristino Cortes

Cristino Cortes (n. 1953) é conhecido como autor de dez livros de poemas mas a sua obra engloba também quatro livros de prosa e duas antologias. Nestas páginas de memórias «fala de si, dos seus próprios dias de amigo e cultor da Poesia, das experiências, dos pensamentos e factos no corre-corre do tempo» como refere Vítor Wladimiro Ferreira no prefácio. O ponto de partida é a aldeia: «Muito cedo daqui abalei, ou em rigor me levaram, como a Bernardim, em busca de melhores dias – e foi o melhor que fizeram os meus pais». O ponto de chegada é a cidade de Lisboa: «De repente acho-me perante um jardim público, rodeado de casinhas baixas mais ou menos recuperadas, um largo central chamado Rossio (de Palma), equipado com estendais públicos, a ausência de tráfego automóvel e meia dúzia de estabelecimentos comerciais, alguns fechados». Entre a aldeia e a cidade, surge a Poesia: «Não há aqui lugar para o mesquinho cálculo, o esperto esquema, a meia intenção, a reserva mental. A Poesia é outra coisa» Para conhecer a Literatura ao autor, na Biblioteca Nacional, recorda: «Foi no espólio de Casais Monteiro que li, pela primeira vez, uma carta de João Gaspar Simões». Mas nem tudo são rosas e, na casa da memória, há coisas erradas: «Começo a desconfiar que esta mediocridade, este provincianismo saloio mal disfarçado, nos está na massa do sangue e, se calhar, muito dificilmente poderá ser extirpado». Fica uma nota final afirmativa: «Hoje a individualidade de um povo é sobretudo a língua e a forma suprema e última por que ela se manifesta e transcende é a Poesia.»

(Editora: Papiro, Capa: Graça Rita, Prefácio: Vítor Wladimiro Ferreira)

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