É o mínimo

Tendo andado por aqui a vasculhar nos meus papéis, e a rever todas as entrevistas que dei ao Mário Crespo, e não encontro provas, ou meros indícios, de ser eu o responsável por termos os intragáveis candidatos presidenciais que temos. Há rumores, certamente, boataria que deposita em mim essa culpa, mas vou fingir que sou sério e não dar ouvidos.

Excelentes pessoas têm excelentes razões para votar neste ou naquele. Os restantes, um grupo de tamanho indefinido, estão completamente à nora. Apenas uma certeza os une: não votariam Cavaco nem que nascessem duas vezes. Pois para esses é tempo de dar uma palavra de esperança: queridos amigos, tanto faz onde acabemos por votar, já que vai dar tudo ao mesmo – contribuir para que haja uma 2ª volta seja lá com quem for. Não votar, votar em branco ou nulo é estar a contribuir para a vitória de Cavaco logo à primeira, coisa que a acontecer seria um atestado de menoridade cívica que teríamos de carregar durante 5 anos. A 2ª volta sempre viria dar alguma racionalidade ao panorama político nacional, onde Cavaco se revelou o pior Presidente da República desde o 25 de Abril; para além de ser política e moralmente responsável por uma tentativa criminosa de interferência nas eleições legislativas e autárquicas.

Se fosse eu a mandar nisto, a 2ª volta seria disputada entre Defensor de Moura e José Manuel Coelho, de longe os candidatos que estão melhor preparados para o cargo. Mas só voto no Defensor, uma eventual 2ª volta sem ele será uma roleta russa que não contará com a minha cruz.

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Adenda: acabo de ler o texto do Rui Tavares que diz exactamente o mesmo no essencial, mas com uma muito maior riqueza de conteúdo.

18 thoughts on “É o mínimo”

  1. Valupi, a culpa não é tua a culpa é dos do costume, dos americanos, pois claro. Quando tivemos um bom candidato, um candidato que uniu a grande maioria dos portugueses, um candidato em quem todos queríamos votar, não nos deixaram, agora trazem-nos o refugo e dizem que temos de lá ir pôr a cruzinha. E o mais estranho ainda é que as últimas eleições presidenciais foram há menos de 5 anos portanto não se percebe que raio de voltas deram para termos outra vez de escolher um presidente. Não sei como é com o resto mas para mim o meu último presidente eleito ainda está em funções e com esse empenhei-me bastante na campanha, ouvi-lhe os discursos, acompanhei os debates, identifiquei-me com as propostas, aprovei-lhe as políticas, torci os dedos no dia das eleições, fiquei acordada para seguir os resultados, festejei-lhe a vitória como se fosse um pouco minha também.
    Se Portugal inteiro se uniu à volta do Obama há tão pouco tempo, se ele foi o candidato de luxo, o presidente de todos nós, que raio passou nas cabeças dos deuses para nos mandarem agora estes cinco e pedirem-nos para lhes devotarmos o mesmo entusiasmo? Caramba, acenaram-nos com filet mignon e agora querem convencer-nos que pão bolorento é que é bom para a nossa saúde? Eu sei que somos pobrezinhos mas também não era preciso exagerar e é demasiado cruel mostrarem-nos o bem bom, deixarem-nos brincar um bocadinho e depois dizerem que o brinquedo não é nosso e mandarem-nos escolher um reles jogo com tanta falta de peças que não serve para nada e ainda por cima vem embrulhado em papel de jornal velho e rasgado.

  2. Concordo absoluta e desesperadamente com tudo, divergindo apenas na expectativa: já que escolhi para mim o Nobre calvário na primeira volta, rogo aos Céus de toda a Galáxia que me seja possível votar em Defensor de Moura logo na segunda (senão, ficarei desde logo em ânsias, à espera da terceira!)…

  3. …e votar Cavaco por via da Esquerda?

    Parece um contra-senso, mas o panorama é tão mau que a tal pode obrigar. Seria assim uma espécie de virar do avesso do tecido do espaço tempo ideológico (como quando se entra num buraco negro). Vejamos:

    Não votar Cavaco na primeira volta é alimentar o risco de haver uma segunda e, por via disso contribuir para uma onda maluka que, por exemplo permita eleger Alegre. Ora a mediocridade de Cavaco e o seu apetite pelo governo (ocupe que cargo ocupe) tornam-no previsível. E, em cenários de incerteza, a previsibilidade é fundamental, mesmo a má.

    Ao contrário, com Alegre na presidência, seria um corre-corre geral de ansiedade matinal até nos apercebermos que lhe segredou ao seu inspirado ouvido a musa que vive no café, como mote para a declamação temerária daquele dia. E bem sabemos que na cabeça dos poetas não há grilos falantes assessores que ombreiem com uma bela duma musa assanhada. Ninguém pode viver assim. Nem governar. Maria de Lurdes e Correia de Campos que o digam

    E esse (o do governo que aí vem) é outro motivo. Cavaco no poder torna mais verosímil o cenário da reeleição de novo governo socialista, e essa é a que verdadeiramente interessa. O eleitorado do centro não gosta dos ovos todos no mesmo saco. Poderá acreditar em Cavaco, quando ele se apresenta como o outro prato da balança democrática. Alegre é uma passadeira para a eleição de Passos Coelho. Por causa dos tais ovos.

    Votar Cavaco, a bem da nação. Era o que eu faria se tivesse estômago.

  4. Teresa, muito bem. A vantagem que a campanha de Obama teve, para mim, foi o de mostrar o que a política pode ser. Quanto aos Deuses, diz-se que Deus ajuda quem se ajuda a si próprio. Queremos um Obama, temos que proporcionar as condições para que possa surgir. Cabe-nos a nós. Como, não sei bem, mas estou disposto a aprender.
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    Val, tens toda a razão. Defensor de Moura, então.

  5. Eu vou no Nobre. Nobre povo, nação valente…O Lula também não percebia nada de politica e foi o que se viu. O Defensor Moura também é boa pessoa e também é médico.
    Vou acender uma velinha por Nobre.

    Se for eleito, à segunda, vai ser chamado O «Curador».
    depois de
    Eanes, o Militar
    Soares, o Republicano
    Sampaio, o Intelectual
    Cavaco, o Sonso

    Espero não o ver fazer-se de sonso, nunca mais.

  6. Então isto não era muito mais bonito no tempo do Salazar? Claro que era. E romântico. Ninguém tinha dores de cabeça para escolher entre os oportunistas sazonais e não se dizia tanta asneira misturada com choro. Além disso, o bem-amado “corporativista” da Loja muita hermética de Coimbra não enganava ninguém e morreu sem um tostão. Beat that, Maçonaria hodierna.

    Pai Nosso que estais no céu…

  7. Portanto, Defensor de Moura à primeira, para reduzir o inchaço do Cavaco; e Defensor de Moura à segunda, para evitar que o Alegre estrague o que resta. É isto? Parece-me fazer sentido. É um verdadeiro voto à defesa.

  8. Eu até podia concordar letra, por letra.
    Assim “em abstracto2 o Valupi diz tudo certo. Diz tudo o que é preciso.

    Só lhe escapou um pormenor…Se alguem passar á segunda volta, o mais provavel é ser o Poeta-traidor.

    E depois? O que é que eu faço depois?
    Voto no poeta-ganzador? Nunca!!
    Voto em branco ou fico em casa arriscando-me a ter o Poeta-Aviador para presidente?

    naa..acabava por ter de engolir o sapão e votar no Cavacão. Ia chorar prai 6 meses seguidos. Sem parar.

    Por isso o melhor é o Caccoilas ganhar já e poupar-me a essa humilhação de contribuir para o eleger.

    Poeta-lambedor? Nunca!! Pim!

    miguel

  9. Miguel, agora que eu estava toda contente com a solução deensiva do Defensor, voltei a ficar baralhada com os teus argumentos. É um cenário assutador, o que colocas, mas como vais fazer para o Cavaco ganhar na primeira volta?

  10. Votar Alegre, Nobre, Defensor de Moura ou no madeirense é para mim neste momento irrelevante. Qualquer voto num destes é um voto que pode obrigar Cavaco a ir a uma 2ª volta, o que para o homem (com letra pequena), deve ser insuportavelmente humilhante, pois seria a primeira vez desde o 25 de Abril que um Presidente não era reeleito.
    Se tal acontecer o homem vai ranger os dentes de raiva e talvez aí aprenda (duvido) que a sua arrogância, presunção e mediocridade foram comprendidas pelos portugueses.

  11. era só o que me faltava , já não tenho idade para fazer fretes. dever cívico é abster-se , ou votar branco ou nulo , e mostrar claramente que não participamos em palhaçadas. e que não gostamos de amibas parasitas a governar. encontrem outro hospedeiro ( em áfrica , ou no qatar ou assim ), a gente está a ficar sem paciência.

  12. Edie,

    Digo aos amigos que se querem votar em alguem, Votem no Sr. Coelho.

    Isto ajuda..uma parte desmobiliza (ajuda o Cavacoilo, sem ajudar..) e a outra vota no Coelho, para humilhar o poeta-lambedor.

    Claro, depois há aqueles que não me ligam pevas.

    miguel

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