edietora

Tenho de esquecer o que sei do funcionamento da UE, do euro, da zona euro. O Mecanismo de Estabilização do Euro que estava prestes a ser aprovado na última cimeira não ia ter uma notação triplo A, não. Não ia permitir taxas de juro no máximo de 5% a quem a ela recorresse, não. Não estava desde já aberta a Portugal com as medidas do PEC IV que foram aprovadas pela Comissão, BCE e estados-membros da zona euro, não. A sua aprovação não seria a tentativa até agora mais credível de pôr termo à especulção sobre as dívidas dos países da zona euro, e sobre o próprio euro, não. E o facto de Portugal resistir ao FEEF+FMI não significa que contitui um obstáculo ao ataque da próxima vítima – Espanha. Não, nada disto afecta o euro em si, claro que não. Não nada disto aconteceu.

O culpado de tudo e mais um par de botas é o Sócrates. E ele que se cale que já estamos fartos que se vitimize e ainda se permite criticar o PSD por não ter apresentado um grama de programa. Autoritário e arrogante!

Sofia C.

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Manuel Pacheco – Aí vem lobo:

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fado positivo

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Sugestões da nossa amiga edie

6 thoughts on “edietora”

  1. Val:
    Obrigado pela consideração. Envio mais um texo.

    Despedida triste:

    Faz hoje, dia 14 de Abril, quarenta anos, que meu pai me acompanhou, juntamente com um meu tio e um meu primo, de táxi, à estação da CP em Campanhã, com a finalidade de me deslocar para S. Margarida, para no dia dezassete embarcar para Angola, o meu primo para Moçambique. Nesse tempo, o meio de transporte era de táxi, ou carreiras diárias mas, como na província a partir de uma certa hora já não circulavam, era o táxi ou o favor de um amigo que tivesse carro, nessa altura contava-se pelos dedos das mãos as pessoas que os tinham.
    Em Campanhã, Porto, era um mar de gente vestida de verde à espera de embarcar num comboio especial, para militares, que nos levaria até ao Entroncamento, depois para Constância e dali seguíamos para S. Margarida, numas viaturas militares. Quando nos atrasávamos esse itinerário era feito a pé, cerca de três quilómetros a subir.
    Mas, como estava dizendo em Campanhã era um mar de gente, desde militares, seus familiares e alguns amigos que nesta altura gostavam de mostrar a sua amizade. Ao despedir-me de meu pai, no abraço, senti que ele estava a pensar o mesmo que eu: será este o último?
    Quando o comboio deu o último apito e começou a sua marcha lenta, era um mar de lenços brancos a voarem, despedindo-se de nós, muitas lágrimas a brotar de parte a parte. Para nós nortenhos a despedida era na estação de Campanhã, já tinha vertido algumas em casa, na despedida de minha mãe e de meus irmãos.
    Era para partir sem lhe dizer nada, ou seja, não dizer à minha mãe que ia para Angola. Em conversa com meu pai, ele desaconselhou-me, dizendo que ia ser mais doloroso para ela se me acontecesse qualquer fatalidade. Assim, contei a minha mãe da minha ida para Angola. Depois de me despedir dela verifiquei que o meu pai tinha razão. Senti um alívio. Mesmo com as lágrimas brotadas.
    Chegado a S. Margarida, os nossos semblantes estavam carregados de tristeza. Antes de me apresentar, ainda pensei fugir para França, nesse tempo, muitos Portugueses o faziam, uns para fugirem ao serviço militar, outros, para melhorarem o seu nível de vida. Não possuía o espírito aventureiro, talvez por isso, a não inclinação para essa aventura. Também idealizava constituir família, – casar – se fugisse a minha namorada, hoje minha esposa, se não ouvir o sino da terra, morre de saudades. Por esse motivo me apresentei em S. Margarida.
    No dia 16 à noitinha, lá partimos para Lisboa, para no outro dia embarcamos para Angola. Passei a viagem a dormir. De manhã, dia 17, era um sábado, deram-nos o pequeno-almoço ao ar livre, parecia um piquenique, depois fizemos um desfile onde nos foi desejado muitas felicidades e a oferta de aerogramas e outras bugigangas. As senhoras do Movimento Nacional Feminino, sempre sorridentes – julgo que não deviam ter filhos – senão não se comportavam assim, sentiam como nós, as amarguras, por termos de deixar os nossos familiares.
    Como disse era um sábado, o cais de Alcântara estava à pinha de familiares e amigos e alguns mirones. Eram tantos os lenços que me fez lembrar o adeus que os crentes prestam no recinto de Fátima, à Nossa Senhora de Fátima. Não tinha ali nenhum familiar, nós nortenhos, derivado à longitude, não tínhamos esse prazer ou sorte, – para mim, sorte – se já tinha sido custosa a despedida mais uma mexia ainda mais com os meus sentimentos. Mas, senti na mesma ao ver aquela multidão a despedir-se de nós. De alguns, para sempre.
    Fiz uma viagem maravilhosa, enjoos não tive, ao contrário da maioria dos meus colegas. Vi coisas que nunca sonhei ver, desde peixes voadores a Golfinhos, Baleias e um pôr-do-sol deslumbrante. Os dias foram passando até que nos aproximamos de Luanda. Chegamos no Domingo, dia 25 de Abril, nunca pensei que este dia mais tarde ia ficar na história. Só desembarcamos no dia 26.
    Quando nos sentimos em terra notamos uma certa diferença. Ali, ao contrário do cais de Alcântara, era uma variedade de pessoas, desde brancos, mestiços e negros. Não havia como hoje, cá no Continente, principalmente na província, mestiços ou negros, a não ser algum jogador de futebol e aquilo metia-me alguma desconfiança. Com o passar do tempo, granjeei bastantes amigos e era respeitado por todos eles, assim como os respeitava.
    Fomos para o Grafanil, um campo militar, num comboio que os vagões mais pareciam de transportar gado. No dia 4 de Maio fomos transportados numas viaturas, camionetas de carga, para Quicabo e dali para Balacende, caso da minha companhia, 3341. Passaram-se bons e maus bocados. Os bons lembram mais. Estivemos quase 23 meses isolados. Não havia população, era só o quartel. De vez em quando vínhamos ao Caxito, era uma vila pequena, hoje cidade e capital da província do Bengo. No canal de televisão de Angola, – TPA – de vez em quando aparecem notícias sobre o Caxito e fico radiante de ver paisagens que me são familiares. Anseio por ver notícias sobre Balacende mas o que consegui saber é que é um estaleiro de obras.
    Se tivesse possibilidades já lá tinha ido. Era um deserto. Só arame farpado. Se estivéssemos virados para a porta de “armas” na direcção da pista de aviação, – se àquilo se podia chamar pista – deparávamos com a floresta do Quifusse, se nos virássemos para a nossa direita os morros Palacaças na direcção à Beira Baixa, à nossa esquerda as famosas Sete Curvas.
    A esse deserto ganhei muito carinho! Não gosto de ouvir falar mal de Balacende, para mim, com todos os defeitos e necessidades é um lugar que trago na memória e no coração. Pudera. Foi lá que vivi durante 23 meses. Com sangue, suor e lágrimas.
    Viva Balacende.

  2. Val,
    Bom dia!
    Obrigada também pela consideração. Estes são tempos difíceis para quem deseja uma outra UE, como é o meu caso. Resta a esperança que da crise saia algo de bom. Mas parece-me que a crise na UE ainda está para durar…

  3. A vossa tentativa de branquear os erros da governação de Sócrates é notável e admirável e agora que descobriram um blog só com notícias positivas já não se calam. Temos uma porrada de desempregados, mas já são um pouco menos que em 2010. Espectacular! Os outros 600 mil ficam contentes por saber. Não tenho problemas nenhuns em reconhecer que houve iniciativas reformistas positivas durantes estes 6 anos, nem tudo foi mau. Aliás, já o tinha dito aqui há uns tempos. Mas houve coisas demasiado más. Sócrates é um pouco como o Roberto do Benfica: consegue fazer grandes defesas, mas compromete mais do que o que devia e custa demasiados pontos no final do campeonato.

    Além do mais, vejo a vossa atenção demasiado focada na economia. É raro ver por aqui palavras sobre, por exemplo, a Justiça. Talvez não seja por acaso, as coisas não correram nada bem. As reformas falhadas, a medida patética e demagógica da diminuição das férias judiciais (tão absurda que até o obstinado Sócrates teve que voltar atrás), a gestão ruinosa. Vejam, por exemplo, esta entrevista que de boa nova não tem nada:

    Há gestão danosa no Ministério da Justiça
    05-Nov-2010
    António José Morais, Ex-presidente do Instituto de Gestão Financeira e Infra-Estruturas da Justiça e Professor de Sócrates considera a política de arrendamentos usada na Justiça um “roubo legal”, e diz que por causa disso lhe prepararam uma armadilha. Para o calarem.

    Em entrevista ao DN, em 2007, disse que não podia falar sobre os motivos que levaram o então secretário da Justiça, Conde Rodrigues, a pedir que se demitisse do Instituto de Gestão Financeira e das Infra-estruturas da Justiça (IGFIJ). Agora, pode?
    Fui muito pressionado para sair do IGFIJ porque os modelos de gestão que preconizava não eram os que interessavam à tutela.

    Quais eram os seus modelos?
    Quando assumi o IGFIJ, Conde Rodrigues sugeriu que a melhor forma de conseguir os edifícios para instalar os serviços do MJ seria através das parcerias público-privadas (PPP). Pede-se aos privados que construam, arrendando depois os edifícios ao ministério, que paga por isso um montante mensal. Ao fim de um período, os privados ficam proprietários dos imóveis. Este modelo estava instalado no IGFIJ, mas é pernicioso, altamente ruinoso. Um roubo.

    Porquê?
    Ao optar por este modelo, o IGFIJ está a contratar dois serviços: a construção e o empréstimo do dinheiro. Quem constrói quer lucro. A banca associada ao construtor também quer o seu lucro. Nesta modalidade, o Estado assume uma remuneração do capital investido pelo privado (juros) de oito por cento, no mínimo.

    Qual o modelo que defendeu quando dirigiu o IGFIJ?
    Notei que era a Caixa Geral de Depósitos (CGD) quem tinha o monopólio da recolha de todas as receitas geradas pelos serviços do MJ. Eram milhões de euros quase todos os dias. Então sugeri ao banco: “Eu preciso de construir edifícios; vocês podem emprestar o dinheiro à taxa Euribor. Só temos de negociar o spread, contando com o privilégio que tem o banco na recolha das receitas da Justiça.” Consegui um spread de 0,35.

    Isso significa…
    A Euribor hoje está em 1,2. Ora, 1,2 + 0,35, dá 1,55. Mais pó menos pó, podemos fixar-nos em 1,8%. O IGFPJ poderia fazer todas as obras necessárias ao MJ pagando um juro de 1,8%. Compare isto com os 8% que paga nas PPP. São cinco vezes mais.

    Nesse modelo, o Campus da Justiça de Lisboa seria mais barato?
    No caso do Campus da Justiça do Porto, se ele for construído, o Estado vai pagar 157 milhões de euros a mais. É chocante. No caso do Campus da Justiça de Lisboa, o Estado vai pagar a mais 204 milhões de euros. Eu sei que os números assustam. Mas está a ver onde está a diferença: é entre o 1,8% que era possível negociar com a CGD, ficando os imóveis para o Estado, e os 8% que estão a ser pagos nas PPP, ficando os imóveis para os privados. Em Lisboa pagam de renda 1,15 milhões de euros por mês, mais um milhão por ano por gestão de condomínio, que eu não sei bem o que é. Não estava no contrato.

    Propôs esse seu modelo à tutela?
    Conde Rodrigues e o outro membro do conselho, Feliciano Martins, sabiam disso, mas após a minha saída rasgaram a negociação com a CGD, e optaram pelas PPP. Acho um roubo. Para mim é gestão danosa. Para além de outras coisas…

    Que outras coisas?
    Não quero falar de outras coisas. O que acho é que é urgente nacionalizar as PPP. São uma ruína para os portugueses.

    Licínio Lima | Diário de Notícias | 05.11.2010

    Alguém se lembra desta entrevista ter tido destaque? Eu não. Sabem o que se passa com o Tribunal das Varas Mistas de Guimarães? Vão procurar, mas apenas vos adianto o arrendamento de 10 anos do edifício custará mais do dobro do valor do prédio. E como este há muitos casos. E depois digam-me que o aumento do défice foi só causado pela necessidade de aumentar a despesa pública para fazer face à crise. Talvez o vosso Fishman não esteja assim tão atento ao que se passa cá.

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