Parece-me que a questão talvez seja um pouco mais profunda do que as manigâncias do Pacheco Pereira, embora ele seja talvez dos que mais consciência tem do poder duma cultura de blogs – foi aliás pioneiro em Portugal na forma.
Já discutimos isto muitas vezes, mas a existências destes espaços de opinião livre (e quando digo livre, estou a falar de “livre acesso por quem quiser”, sem passar por nenhuma empresa ou editor) que confrontam, discutem, e muitas vezes desmontam o que vem escrito nos media tradicionais é uma ameaça directa a quem estava habituado a dominar, incontestado, o espaço de opinião neste pais. E agora, em tempo real, quantas doutas opiniões são desmontadas, e muitas vezes ridicularizadas, numa questão de segundos?
A questão é esta: numa cultura de blogs, para onde rapidamente se caminha, cada vez mais pessoas consomem as notícias devidamente explicadas e filtradas por inúmeros autores com os quais as pessoas se identificam, ou respeitam. No fundo, uma imensidão de Professores Marcelos a comentar e contextualizar os acontecimentos em tempo real, à medida que acontecem. Tal como o Val, ou o Manuel Abrantes. Querem-me dizer que quem estava habituado a dominar a capoeira, incontestado (a não ser pelos seus pares), vê com bons olhos o surgimento de uma imensidão de pintos a debicarem as canelas, alguns dos quais atingem já o tamanho de frangos?
Aliás, visto neste contexto, percebe-se melhor a obsessão com o anonimato que para aí grassa: estas pessoas estão habituadas a retorquir e reagir conforme o estatuto que atribuem à pessoa, não estão habituados a discutir directamente as ideias. Que me interessa a mim saber quem é Valupi? interessa-me o que escreve e as ideias que transmite, e o anonimato (perdão: pseudónimo) até ajuda a avaliar a escrita pelo seu verdadeiro valor.
São estes filtros, que esfrangalham uma cultura dominante, que incomodam tanto, inclusive muitos jornalistas, e que interessa por isso atacar. E é o que se passa.
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