Se isto fosse a Inglaterra

Se isto fosse a Inglaterra, já haveria sacas de carcanhol gasto em apostas quanto ao desfecho da novela Alegre, marcada para amanhã. Vai criar um partido ou ficar como voz solitária e independente? Vai ser outra vez candidato a deputado por um PS que não respeita seja fora ou dentro do Parlamento? Ou nem uma coisa nem outra, antes pelo contrário?

Claro, se isto fosse a Inglaterra, há muito que se teria perdido a pachorra para o aturar.

17 thoughts on “Se isto fosse a Inglaterra”

  1. O Poeta Alegre não faz nem sai de cima, anda a gerir a sua vaidade na política e nas caçadas, sentadinho à espera do porco.
    Mas vai tendo a sua utilidade…

  2. Se isto fosse Inglaterra ninguém perderia tempo a ler o lixo escrito por um boy de segunda escolha……

  3. A utilidade do Pateta Alegre só é sentida à direita e à esquerda do partido dele, e só enquanto estiver a fazer trabalho cisionista. O Pateta não interessa nada ao PS. Se sair, não interessará logicamente a ninguém, nem à esquerda, nem à direita. Todos passarão a adversários dele.

    Deitar-se com a mulher do próximo é sempre uma hipótese para o Pateta, no que dizem que tem já bastante treino. Mas quem o atura já? Ninguém o vai querer como parceiro ou sócio, com toda a sua pesporrência e vaidade. E velho e acabado.

    Os socialistas andam a fazer este joguinho de puta com ele, para ver se o gajo não rouba votos nas próximas eleições. E para ver se o gajo não traz para a praça pública possíveis informações que tenha e que possam ser prejudiciais ao partido que ainda é o dele. E ele a chantagear, que isso sabe fazer.

    Se o Pateta resolver criar um movimento ou partido novo, vai ter que sair amanhã do PS e que se colocar na margem da bancada socialista no parlamento, onde há muito já devia estar.

    Se o odre de vaidade resolver ficar no PS, por amor ao lugar certo de deputado e outras prebendas de “senador”, será muito mau para todos. Para ele, para o PS e para o país. Ele não tem a mínima chance de aspirar a nada dentro do seu actual partido, excepto um retrato na parede do corredor mais escuro do Largo do Rato. Não o estou a ver a contentar-se com isso. A vaidade é muita.

    Mas formar um movimento e concorrer a eleições numa lista autónoma dá uma grande trabalheira – e o ego dele, no final, pode ficar mirrado como um carapau seco. Não tem coragem para isso. Aliás, o modelo perfeito dele, Jean-Pierre Chevènement, quis suceder a Mitterrand, não conseguiu, armou uma barracada semelhante no PS francês, saiu, formou um movimento de merda e hoje ninguém sabe quem ele é. Nem quem ele foi.

    Então?

    Acho que vamos ter mais do mesmo: nem fode nem sai de cima, antes pelo contrário. Vai facturando, enquanto tiver poder de causar dano. Para mais não serve.

    Depois das eleições o PS devia expulsá-lo rapidamente.

  4. Do Manuel Alegre não há nada para esperar e quem ainda não tiver percebido isso só pode vir a ter expectativas defraudadas.

    O Manuel Alegre não sabe perder. Não perdoou a co-incineração em Coimbra, ainda menos a derrota para a direcção do partido e o seu resultado nas presidenciais só serviu para acicatar a sua vontade de vingança. O Manuel Alegre é maior que o PS. Tem mais consideração por si próprio do que por todos os democratas juntos e não está sequer para se maçar a ir a congressos onde não seja o vencedor.

    Há meses que este caramelo anda a acusar o partido de não ter liberdade de expressão, da ascensão nas cúpulas ser feita pelos laços familiares dos autarcas e pelo poder das concelhias, que a governação não serve o interesse geral e defende o poder económico, a educação rebébéu béubéu, a cultura bláblá bláblá.

    Pois… tudo grandes novidades que, não fosse o Manuel Alegre, e nunca teríamos sabido.

    E, por isso é que amanhã ou noutro dia qualquer, lá o teremos a abanar o rabinho, a lembrar que o PS é a sua casa apesar deste não ser o seu PS e que, portanto, está disponível para integrar as listas para as legislativas. Se depois os eleitores lhe mostrarem um cartão amarelo pode ser que o PS aprenda a não pactuar com posturas deste género.

    E pergunta-se: o que é que tínhamos perdido se ele tivesse estado calado? Nada! Pelo contrário, tínhamos ficado a ganhar tudo em coerência se ele tivesse procurado que as suas opiniões e divergências tivessem vingado no interior do partido, ao invés deste folclore político com que nos tem presenteado.

  5. Rodolfo Gomes, se é a mim que te diriges, enganas-te no “boy” porque sou um “man”, e enganas-te na “segunda escolha” porque nem sequer fui escolhido. Mas se sabes de alguma coisa, é contares. Vai na volta, ainda me devem dinheiro e eu não sei.
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    Nik, muito bem. Só vejo problema é no boato acerca da mulher do próximo, o que duvido estejas em condições de confirmar.
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    tra.quinas, exactamente.

  6. O problema do Manuel Alegre é viver neste país de incultos onde, vá lá saber-se porquê, ninguém valoriza o esforço de pessoas com carreiras duplas, neste caso na política e na cultura. O Manuel Alegre é uma espécie de Alberto João do PS. Ambos têm longas carreiras políticas e vidas inteiras dedicadas às suas artes, cada um à sua maneira.

    O Alberto João, sendo Presidente da Madeira, tem mais destaque na política. Na cultura, cultiva a arte popular: carnavais e outros folclores. O Alegre não passa de um deputado de última fila da bancada, mas dedica-se a uma arte mais sofisticada: a poesia. Nos tempos livres tanto um como outro gostam de andar aos tiros aos animais que se cruzam nos seus caminhos. Treinam a pontaria a tentar acertar no PS e no primeiro-ministro, mas especializaram-se ambos em dar tiros nos próprios pés.

    Com tudo isto lá vão sendo notícia constantemente e ainda fazem com que o Sócrates tenha de arranjar tempo e paciência para os aturar. De facto, só neste país.

  7. Boatos são boatos, Val, mas há uns mais persistentes do que outros. Não fui eu quem o inventou, apenas o refiro nesta caixinha de comentários. Num contexto, aliás, de evidente metáfora: deitar-se com mulher alheia significa, pois, andar em conúbios políticos com “meios hostis” – expressão em tempos usada pelo PCP. Esses conúbios são um facto, que para muitos observadores configuram um caso de infidelidade política. A metáfora é, assim, plenamente justificada, tratando-se de alguém que mantém até hoje o nó oficial com o PS.

    Se alguém quiser entender mais do que isso, está por sua conta.

    Os beijos na boca ao BE e a outros “meios hostis” não vão, segundo as notícias de hoje, traduzir-se em partilha de cama, ou seja, em ligações eleitorais com esses meios.

  8. guida, nem mais.
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    Boa justificação, Nik, mas retórica. Seja como for, a referência é um pecadilho de eventual (ou suposta) ambiguidade que fica bem (por associação natural) neste meio da blogosfera (tal como eu o entendo, escusado será dizê-lo).

  9. A ambiguidade está toda do lado do fulano, é-lhe intrínseca. Mesmo que não houvesse boatos, era legítimo interrogarmo-nos sobre se um homem que gosta de estar assim com um pé num lado e com outro pé no outro não ficará indeciso na hora de se deitar.

    Os “boatos” em si só são passíveis de esmiuçamento em privado. Há parâmetros da questão que não devem cair no domínio bloguístico.

  10. Quanto ao Alegre, é claro que o necas só pensa nas próximas presidenciais. Sair do PS significaria hostilizar uma parte importante dos seus potenciais eleitores nessas eleições. Cairia do milhão para 200 ou 300 mil, ele sabe isso.

    Mas não está com sorte, quero crer. Sócrates nunca apoiará o seu nome. Por isso, Alegre precisa que o PS perca as próximas eleições, para afastar Sócrates do seu caminho, que é únicamente o da sua ambição pessoal.

  11. Do Soares há boatos que já pertencem à cultura popular desde o tal número do Tal&Qual nos anos 80, pelo menos. Do Alegre não conhecia. Mas é irrelevante, desse ponto de vista da sátira. E é altamente provável, do ponto de vista antropológico. Apenas será algo que, se num órgão de comunicação social, muito provavelmente não seria referido.

    Alegre ter saído da lista de deputados é uma boa decisão, de resto inevitável segundo meros critérios de honestidade intelectual. Peca só por tardia, pois já se poderia ter ido embora há muito tempo, não tinha de cumprir a legislatura. Quanto a Sócrates apoiar ou não Alegre, é uma incógnita. Sócrates é um pragmático, fará o que o momento indicar como preferível. Por exemplo, apoiou Soares, no que foi uma imbecilidade inacreditável para quem esteve de fora do processo de decisão a esse respeito.

  12. Sócrates fez muito bem em apoiar o fraco candidato Soares contra Alegre, por todas as razões e mais uma: impediu o Pateta de ter muitos mais votos. Mas eu continuo na minha: nas circunstâncias de então, Cavaco era o PR certo para um governo de Sócrates de maioria absoluta. Até hoje, Cavaco não criou dificuldades artificiais ao governo. Muito diferente seria a situação com um Alegre em Belém. Se nas próximas eleições houver um despique Cavaco-Alegre, eu voto Cavaco. Sem hesitar.

  13. Sócrates não poderia ter apoiado Cavaco, como é óbvio. Nesse sentido, talvez o apoio a Alegre, então, tivesse sido a melhor opção. E talvez tivesse evitado o ressentimento transformado em alucinada soberba por causa de ter ficado à frente “do candidato do PS”.

    Cavaco não criou dificuldades artificiais ao Governo? Então, que nome dás ao seu apoio à oposição e ao PSD?

    Jamais votaria Cavaco, um dos principais responsáveis, em democracia, pelo atraso no nosso desenvolvimento cívico.

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