pois

pois. o deus da bíblia não é de fiar. palminhas, saramago.
o deus da bíblia é um autoritário: criou o homem e exigiu-lhe que dominasse os peixes do mar, as aves do céu e os animais que se arrastam na terra

(e ordenou que os comesse quando a fome apertasse, claro).

mas esse deus também é sexista: criou um homem e depois decidiu que o homem que andava nu precisava de uma companhia – criou a mulher e vestiu-os de peles, claro

(alguém teria, depois, de passá-las a ferro).

ai. o deusinho da bíblia andava preocupado com a performance sexual, com a carne do prepúcio, daquele que criou à sua semelhança

(de outra forma, para que mandou circuncidar os meninos de treze anos?)
palminhas saramago: esse deus ordenava homicídios e proclamava as concubinas

(e os guisados).
pronto. não vos chateio mais, seguidores fieis, leitores de palas sem tempo. urge, agora, perguntar: não terão tanta credibilidade esses textos escritos – talvez sobre efeito de marijuana, quem sabe, ou ópio – como os de luz, mais luz, ainda mais luz da alexandra solnado que jura, a pés juntos, receber as mensagens que escreve desse mesmo deus?
o único deus que existe é aquele que sentimos. a força que nos grita para continuar; o sorriso que damos quando, a chover cá dentro, nos olhamos ao espelho; o que nos faz ter prazer em oferecer comida a alguém; o que nos dá alegria em levar, para casa, um cão. esse não precisa de evidências escritas para mostrar qualidade e, perdoem-me, serem alvo de não conformidades explicitas.

pois. o deus da bíblia não é de fiar. palminhas, saramaguinhõ. :-)

*

Oferta da nossa amiga Sinhã

32 thoughts on “pois”

  1. Há é muitas pessoas que não são de fiar. De certeza que qualquer estudioso da Bíblia te diz que estás a fazer interpretações literais, que há enquadramentos históricos, e mais um sem número de coisas a ter em conta. Concordo. Mas quando vejo os mesmos estudiosos em Fátima, por exemplo, fico muito confusa com o que serão interpretações literais. O milagre parece-me fraquito para crentes tão sábios. Como é que aquilo se interpreta? :)

  2. Sinhã, deus criou-me para passar as camisas a ferro? Mas porque deus me fez tão estúpida a ponto de não conseguir passar as mangas das camisas, que me vejo obrigada a arregaçá-las para ninguém se aperceber da minha falta de jeito?

    Agradeço de antemão a resposta.

  3. olha, claudinha, eu deixei de passar a ferro faz agora…nove anos. enjoei. :-) e só compro roupa que depois de secar goste de gaveta. porque não fazes igual? :-)

  4. Pois… que ousadia!
    Expressar-mo-nos assim ou em termos semelhantes aos do Zé Saramago.
    É de facto ousado… Ui! Trazer à discussão pública, nesta pequena nação, o deus bíblico (o meu corrector dá erro na palavra deus ;p), acrescentando uns piropos a algumas organizações religiosas que ao longo dos séculos nos têm levado com historias… é de Homem. Com a devida e enorme diferença, eu lembro-me de uma aula de História no secundário em que eu fui o único a afirmar que Deus é uma invenção dos Homens, que achava, não ser descendente de Adão e Eva, mas sim, ser fruto de uma evolução das espécies ao longo do tempo.
    Além disso, que melhor promoção o livro pode ter.
    Saramago é um notável intelectual Ibérico, quer se goste ou não do seu pensamento.

  5. pois, Ele disse através do seu amado Filho: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é (será) o reino dos céus”.
    Quem escreveu isto foi o S. Mateus, não fui eu JJ Grade.

  6. “o único deus que existe é aquele que sentimos. a força que nos grita para continuar; o sorriso que damos quando, a chover cá dentro, nos olhamos ao espelho; o que nos faz ter prazer em oferecer comida a alguém; o que nos dá alegria em levar, para casa, um cão. esse não precisa de evidências escritas para mostrar qualidade e, perdoem-me, serem alvo de não conformidades explicitas”.

    Maravilha tudo, mas este ponto final é um assombro!!!

    abraço!

  7. Boa, Sinhãzinha! É assim que se fala. Completas o que falta às palestras de Saramago. O Deus da bíblia, além daquilo… cruel, ciumento, desajeitado, vingativo, genocida etc etc., é também o beijo, o sorriso, o amor, o cão e a comida pra ele. O grande erro do Saramago foi só ter mostrado metade do Deus que os homens vão fazendo ao longos dos milénios. E logo a metade má. E ainda por cima sem referir que esse Deus da biblia e todos os outros são feitos por estes macacos inteligentes que a gente pensa que somos. Cá por mim prefiro dizer «Deus amor est». Saramago que se entretenha com os Deuses maus de que ouviu falar e que ele vem lembrar só para chatear o sr prior! Não é assim, Sinhã?

  8. Sinhã
    “aqui há riqueza, chess. e voos nos céus. :-)

    (s. mateus havia, estou certa, de gostar).:-)”

    sabes se nos céus se joga zadrez? e se sim a TAP tem voos para lá?
    Rgds

  9. pergunta-lhe, mário, e, in loco, liga-me, por favor, para eu lhe dar uma palavrinha sobre o “acontece” de 1988 e mais coisas do “agora eu quero que aconteça, 2009”. sim?:-)

  10. eu só lido com cápsulas, chess vb, à moda do “espaço 1999”.:-)

    nos meus céus, joga-se ao osso de ferro e a viagem é feita de sofá.:-)

    (TAP? a TAP não faz viagens divertidas.) :-)

  11. O momento errado e a palavra incerta. Temos de viver com isso. Eu consigo e é bom, quando estamos acompanhados. E então, se deixarmos o olhar perder-se no horizonte, raiz de outros, quase somos felizes…não fosse o minuto seguinte matar este momento!

  12. Mais ou menos isso, Sinhã. Nascemos e morremos na sucessão dos minutos… E quando não houver mais minutos para viver é porque nos eternizamos de vez. E, nesse caso, tanto faz ser calhau como gente. Ou destroço debaixo dos carris.

  13. Tão pobre o texto como os comentários subsequentes.

    Carreira da Neves, um homem honesto, não foi capaz de encontrar um argumento mais forte do que a irracionalidade para explicar a fé. Ora, contra a irracionalidade não há argumentos.

  14. Por mais que queira, o JCV não consegue ser pobre. Já nasceu rico, como há-de ir. Nós, miseráveis, pouco mais somos que pó da terra. Não te esqueças, JCV, de limpar os sapatos quando entrares em casa.

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