Gorjeios

Meu caro, “bom rapaz” eu? Ora bem, o nosso amigo Ibn Erriq, e os da sua espécie, via visão marxista da realidade, são adeptos da suspeição generalizada. Vejamos: o marxismo contém uma teoria sobre a consciência do seu opositor (qualquer que seja); esta encontra-se necessariamente eivada de erro, uma vez que a sua situação de classe o condiciona no sentido de pensar como um capitalista. Até aí tudo bem. É capitalista! Ou seja, a consciência não passa de uma máscara de interesses. Ora, com o marxista passa-se precisamente o mesmo, com a diferença de que os seus interesses coincidem com os da própria humanidade. Onde vai isto parar? A consciência do marxista é a que está certa. Vai daí, quem tem a consciência errada, os não marxistas, torna-se culpado. Isso faz do esclarecimento um dever sagrado do marxista, no que não difere assim tanto do fundamentalista islâmico. Mas vejamos mais de perto. No marxismo dialéctico, a ideologia equivale invariavelmente a uma consciência errada, pelo que, está ao nível da moral e não da ideologia. É uma espécie de jogo onde diz o Ibn Erriq ao parceiro: – “vejo uma coisa que tu não vês, a saber, as estruturas que tens nas costas e que condicionam o teu pensamento”. Agora, não fora tudo isto assentar num período histórico desfasado destas construções ainda passaria despercebido. Precisando, o Ibn Erriq, qual bardo incansável da mensagem, com a sua harpa, vai dedilhando um compasso roufenho, em que, lendo os elogios ao Sócrates e os seus admiradores, do seu aparente distanciamento, isto é, perspectivando a cidade num todo, consegue imaginar quão tolhidos estamos todos nós. Estamos portanto cegos da proximidade do movimento alternativo, porque se quer uma cidade diferente, alternativa. Bom, o pior, é que não passa de um desejo piedoso. Ibn Erriq, a sociedade machadiana que o menino tão bem vê, é demasiado complexa para a podermos alterar a nosso bel-prazer. Se porventura acredita nessa possibilidade, isso deve-se ao facto de ainda se orientar pelas revoluções ocorridas na transição da sociedade tradicional para a moderna e pensar que pode tratar a sociedade moderna, ou, pós-moderna (segundo alguns) como se fosse tradicional. Assim confunde tudo e não se entende a si próprio. Perdoe a simplificação, mas não precisava é de vir para aqui fingir-se do partido socialista, afinal, sempre tem o seu “arrastão” para arrotar postas de pescada requentadas.

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Oferta do nosso amigo Paulo Gorjão

7 thoughts on “Gorjeios”

  1. Genial desmontagem Paulo Gorjão.
    S.Exa o Erriq é que lá vai chamar-lhe nomes, tipo, homenzinho, mandatário do Valupi e outros… e, à mistura, se falar do Sócrates tem de o diferenciar do filósofo, tratando-o pelos apelidos ou aplicando-lhe o s em vez do S a que tem direito. Mentes…Ele só não entende é como é que há pessoas que podem estar de bem com o político objecto do seu ódio! Mas, está tudo explicadinho, aí acima!

  2. este paulo gorjão é o mesmo da bloga? é homónimo? de qualquer forma bela desmontagem da “superioridade moral” que já esteve no poder e que deu no que deu (ok, a coreia do norte ainda subsiste).

  3. Gorjão era nome de família importante (era arrolado como pagador de imposto ao rei) do sec.xv que existia no meu Lugar e que, segundo os académicos, deu nome a este meu Lugar de GORJÕES, donde estou escrevendo.
    Tenho declarado que foi ao contrário, que foi o nome do Lugar “Gorjões” que deu nome à tal família, para dar mais nobreza rural ao nome do rico proprietário. E advogo que o nome “Gorjões” é muito mais antigo e provém dos pássaros que ali haveriam e grandes gorjeadores, devido ao qual as pessoas passaram a chamar ao Lugar o “Sítio dos Gorjões.
    Falo nisto porque, vejo que o Valupi, desconhecedor disto, institivamente associou o nome de Gorjão ( de Paulo Gorjão), a “gorjeios”, indo ao encontro da minha proposição.
    De resto estou de acordo totalmente com PG. Aliás é de mais sabido que “Ideia Marxista” levada para o campo da acção política, já há muito se transformou numa atitude religiosa.

  4. LOL!

    Eu são marxista, mas tão marxista, que Vexas não imaginam.
    Alias, eu não sou marxista, sou mesmo estalinista.

    LOL!

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