De facto é estranho que não haja excepções ao direito de voto, que pessoas dependentes de outros para tomar decisões simples no seu dia-a-dia, ou pessoas cujo comportamento levou a que estejam isoladas, por muitos anos, da sociedade mantenham intacto o seu direito a decidirem quem tem melhores condições para nos governar. Ainda é mais estranho se pensarmos que o direito ao voto em associações, clubes e afins, e até nos próprios partidos, implica condições e deveres que não se exigem ao eleitor, em quase todas é necessário preencher vários requisitos entre os quais, por exemplo, ter as quotas em dia. Imagine-se o que seria se um político se lembrasse de propor como condição para exercer o direito de voto ter os impostos em dia. Caía o Carmo e a Trindade. Já para não falar na dose de coragem necessária para lançar a discussão.
E, apesar de manifestarem alguma preocupação com os valores da abstenção (só no dia das eleições, no dia seguinte já ninguém fala disso), não parecem muito incomodados com a ignorância e o desinteresse pela política, só isso explica que na Escola, onde tanto se investe na formação dos futuros cidadãos, a formação política dos alunos não tenha lugar. A única coisa que ouvem sobre política aos professores são desabafos contra todos os governos, pouco abonatórios para os políticos e a política em geral, que passa facilmente por uma actividade quase marginal, no pior sentido, que só interessa a gente que não interessa. Se se juntar a isto o tratamento que a comunicação social dá ao tema, privilegiando quase sempre a politiquice em vez da discussão séria, estamos conversados. É pena. Mas como tudo evolui, e a democracia não tem sido excepção, talvez num futuro próximo este debate se torne inevitável e os políticos deixem de se preocupar exclusivamente com a quantidade de votos e pensem no que ganharíamos todos com o acréscimo de qualidade dos mesmos.
__
Oferta da nossa amiga guida
