As raízes do ódio

No fundo, quer para a extrema-esquerda, quer para a direita que temos, trata-se de voltar a pôr as coisas nos eixos, cada macaco em seu galho. Ambas conviveram, e convivem, mal com o pós 25 de Abril.

A extrema-esquerda, falhado que foi o PREC, teve que tolerar a democracia, embora a contragosto, pois sempre soube que não era a votos que chegava ao poder. Na versão mais “moderna” transformou-se em organizações de protesto, onde tudo entrou, inimigos figadais da véspera, verdadeiros sacos de gatos sem vocação para poder. Para essa esquerda, convicta do quanto pior melhor, o centro-esquerda, representado em Portugal pelo PS é, naturalmente, o inimigo a abater, porque só perante um governo de direita, de preferência ditatorial, encontrará o terreno que lhe verdadeiramente é familiar para preparar a revolução, única forma que vislumbra para alcançar o poder. Diga-se que, neste aspecto, as notícias da Grécia agradarão porventura à extrema-esquerda, nomeadamente se se confirmar a lunática intenção de ser o trio FMI/BCE/Comissão a coordenar a cobrança de impostos e o programa de privatizações, com a consequente não descartável hipótese de uma intervenção militar, previsivelmente de direita.

Já para a direita portuguesa, o PS representa aquilo que ela sabe que foi a verdadeira conquista – e, até ver, o maior sucesso – do 25 de Abril e que visceralmente abomina: a possibilidade de, sem nacionalizações ou amanhãs cantantes, se criarem mecanismos, democráticos, sobretudo ao nível do ensino, de mobilidade social e de rotura com auto-atribuídos privilégios de classe. E mesmo se esses mecanismos são ainda incipientes em Portugal, o certo é que para a direita portuguesa, que na sua maioria, e tal como a extrema-esquerda, não se entusiasma com o regime democrático, a mera possibilidade de aqueles mecanismos serem aprofundados é manifestamente intolerável. A direita não tem ilusões: em democracia é, obviamente, do PS que vem o verdadeiro perigo de esvaziamento da cultura de privilégios que a direita portuguesa sempre assumiu. Daí o ódio.

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Oferta do nosso amigo José Pires

11 thoughts on “As raízes do ódio”

  1. Ora cá está um ‘post’ de respeito. Como eu entendo o raciocínio do José Pires. Trata-se na verdade de uma pura demonstração de ódio perante alguém que ousou mexer nos privilégios de castas que se enquistaram no tecido social português.
    Ninguém ataca as políticas em si, nem tampouco louva o que muito foi melhorado, limitam-se a atacar o homem como se este fosse o culpado por tudo o que acontece de mal, desde o professor que não ensina, ao médico que não trabalha, ao banqueiro que engorda, ao técnico que erra, ao polícia que não protege, ao juiz que injustiça, ao autarca que corrompe, ao funcionário que não funciona, ao empreiteiro que trafulha, ao jornalista que falseia, ao comentador que deforma, ao lavrador que não lavra…
    Nem no tempo do Salazar vi tamanho unanimismo!
    O que está em causa no próximo domingo não é a eleição de Sócrates, mem tão-pouco a neutralização do PS, é a própria essência da democracia que rapidamente se vem transformando numa oligarquia onde o capital domina na sombra como titereiros de um vistosamente apresentado conjunto de marionetas que manejam a seu bel-prazer.

  2. a pergunta era sobre o ódio ao pm. que eu saiba , ninguém odeia o ps. faz favor de responder outra vez.

  3. O ódio a José Sócrates radica em duas coisas muito óbvias:

    1ª) por ele fazer o PS ganhar como nunca antes tinha ganho;

    2ª) com ele, os ideais do PS são postos em prática, ao contrário dos governantes socialistas anteriores, que em boa verdade sempre se agacharam à Direita do ódio.

    E agora, ladecos, a resposta já entrou mesmo no centro do teu buraco?

  4. Vocês são mesmo engraçados e têm uma imaginação estonteante. O que é que andam a tomar que eu também quero? ;)

  5. Durante décadas a lamúria foi a nota dominante do discurso dos governantes, das oposições e das elites em geral. Parecíamos estar irremediavelmente condenados ao fracasso. Até nos podíamos esforçar, mas devido aos fracos recursos do País e à ignorância da maioria da população seria praticamente impossível recuperarmos o atraso de décadas que tínhamos em relação aos países mais desenvolvidos. Era o peixe que incansavelmente nos vendiam, não havia volta a dar, mesmo sendo ‘os melhores alunos’, nunca sairíamos da ‘cauda da Europa’.

    De repente, aparece Sócrates com um discurso completamente diferente, que afinal éramos tão bons como os outros, que tínhamos bons e abundantes recursos e que com investimento nas áreas certas poderíamos rapidamente recuperar o tal atraso crónico. Meteu mãos à obra e provou-o.

    Em pouco tempo o investimento em ciência e tecnologia deu frutos. São os próprios investigadores que o dizem, Portugal saiu do marasmo a que parecia condenado. E esse investimento não tardou em reflectir-se no aparecimento de novas empresas com uma capacidade de inovação e exportação que até ali parecia fora do alcance dos empresários portugueses. Com a aposta nas energias renováveis provou igualmente que é possível, mesmo num país ‘atrasadinho’, começar do zero e rapidamente tornar-se líder a nível mundial.

    Nada poderia ser mais assustador e gerador de ódio para os que sempre lucraram com o atraso do País, tanto da direita como da esquerda. Não esquecendo a raiva e inveja dos que gostariam de ter sido os autores de tamanhas reformas.

  6. não , senhor marcos , não tem firmeza suficiente. muito andropáusica a resposta. começou bem (1º), mas depois murchou.

  7. Ladecos, outro tiro ao centro do alvo: a Direita do ódio é a majestática Corporação dos boavidas, dos altamiras, dos cristóvãos (novos e velhos) e dos javardolas em geral. Decifra e engole, se fizer o teu género. Descansa, que ainda não é andropausa (há-de ser, um dia). Se a segunda réplica te pareceu murcha, é só porque o estímulo do aparceiramento é fracote e só dá para respostas a 45º.

  8. bem me parecia que sem estímulos continuados não ia lá. e não há paciência para óleos jonhson. e é grave , se não está na andropausa. essa mistura de impotência com ejaculação precoce não vai ser nada fácil de resolver. se quiser dou-lhe o telefone do allen gomes.

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