Louçã-Passos

Este foi o melhor debate até agora, exclusivo mérito de Louçã que se apresentou com uma novidade absoluta, uma estreia mundial: a sua defesa do PS. Tudo se passou à volta do programa Novas Oportunidades, onde o vimos a desfazer a demagogia desmiolada de Passos e a partilhar testemunhos de pessoas que ele conhece e que muito aproveitaram com a possibilidade de aumentarem a sua escolaridade e formação. O sóbrio entusiasmo com que falava não deixou dúvidas, Louçã estava a enaltecer a necessidade, relevância e bondade de uma das mais importantes bandeiras políticas do PS. E daqui partimos para a seguinte reflexão: caso o BE tivesse seguido este realismo, em vez de diabolizar o PS numa estratégia megalómana e sectária, onde poderíamos hoje estar? Como seria Portugal se BE e PCP aceitassem compromissos com o PS e viabilizassem um amplo e versátil Governo de centro-esquerda?

Passos também esteve bem. Regista-se a sua cada vez mais apurada técnica para imitar Sócrates no modo discursivo, assim simulando uma autoridade que não tem nem vai ter. Como é um líder muito fraco, a máscara de chefe sai-lhe artificial, nada nele convence. Mas tem feito progressos na pose, estando no seu limite de capacidade expressiva. Continua é com o tal problema chato, o ter de dizer coisas. Aí, a sua fragilidade é aflitiva. De tal forma que um seu adversário de debate o poderia levar ao tapete apenas fazendo-lhe perguntas e ficando calado a assistir às respostas.

9 thoughts on “Louçã-Passos”

  1. “Como seria Portugal se BE e PCP aceitassem compromissos com o PS e viabilizassem um amplo e versátil Governo de centro-esquerda?”
    Vermelhão francês, 1789.

  2. Partilho, fiquei bastante surpreendido. O Passos tem ido aos treinos vocais, prevejo um festival de voz grossa e autoritária na Sexta. Esta mania dos gráficozinhos é que já chateia.

  3. Há um contra, Vaupi, um grande e insuperável contra. Se o PC e o BE se tivessem disposto a “pactuar” com o PS, neste momento estariam a ser co-responsabilizados pela “bancarrota” e por uma crise que, infelizmente, na boca deles e da Direita só aconteceu em Portugal e por causa do PS. São estes riscos, de um mundo imprevisivel e do qual se pode dizer que é “casa onde não há pão todos ralham e ninguem tem razào”, que os ditos partidos não querem correr. A sua força e sobrevivência está na oportunidade de protesto. Enquanto houver injustiça e miséria os partidos de protesto continuarão a medrar à sua sombra, parasitando as próprias maleitas da sociedade. Diria que aquilo que mais teme um BE e um PC é a perspectiva da prosperidade universal. É caso para dizer que alimentam da “porca miséria”.

  4. Concordo contigo, Val. Louçã, quando decide ser normal e deixar de lado a carga de inveja, aspirações loucas, moralismo e radicalismo datado e inútil, até é tragável. Mais, até permite que nele se vislumbre um contribuinte sério para uma governação PS. Quando também corrige a voz de diácono e pregador, até soa a político responsável…
    Não estará na hora de outros membros do Bloco deixarem de brincar aos revolucionários de bancada, que só sabem é criticar, e se disporem a vir “sujar” um bocado as mãos, pelo menos para saberem o que é ter de tomar decisões difíceis, fazer face aos mais variados interesses presentes numa sociedade e abandonar de vez a ideia malsã de que há que acabar com o “sistema” não se percebendo bem que “sistema” pretendem? E, já agora, se acham que o “sistema” é injusto, o melhor não seria vir transformá-lo por dentro, já que as revoluções à moda do século passado já não convencem ninguém?

    O Passos, por motivos diferentes das revoluções do século passado, e apesar da pose, definitivamente não convence.

  5. Interessante: por um lado, quando Louçã alinha com Sócrates passa a ser razoável e realista; por outro lado, Passos não tem autoridade nem perfil de chefe. Para pot-pourri ideológico não está nada mal! Complimenti.

  6. «Como seria Portugal se BE e PCP aceitassem compromissos com o PS e viabilizassem um amplo e versátil Governo de centro-esquerda?» é uma pergunta tão boa quanto esta: como seria Portugal se PP e PSD aceitassem compromissos com o PS e viabilizassem um amplo e versátil Governo de centro-direita?

    O que eu penso verdadeiramente, de uma forma realista, é que situações ideais não passam de quimeras e que o que contam mesmo são as realidades objectivas. Objectivamente, há três modos fundamentais de ver a Políitica em Portugal no nosso tempo: o da Direita, assente no CDS e no PSD; o do Centro, corporizado pelo PS, e o da Esquerda, representado pelo PC e o BE. Nuances e zonas de penumbra (ou sobreposição) à parte, é com esta realidade tripartida que temos de contar, não com ilusões.

    O que não quer dizer que não sejam desejáveis compromissos sérios e sólidos entre estas forças, em domínios onde se verifiquem convergências suficientes. PS, PSD e CDS têm mantido esse compromisso muito forte quanto à natureza do regime, democrático e constitucional; PS, PCP e BE têm pontualmente conseguido compromissos profícuos em assuntos ditos “fracturantes” (termo detestável…), ou “de costumes”, mas pouco mais. Na Regionalização, por exemplo, já não podem contar com o BE.

    E para um compromisso sério de Programa de Governo entre o PS e algum dos Partidos à sua Esquerda parece-me que, infelizmente, falta ainda muito caminho. Embora julgue que, com o BE, isso possa vir a ser possível a médio prazo. Veremos.

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