Louçã, o incompreendido

Essa coisa de o Bloco ter perdido metade dos deputados por Louçã não ter reunido com a troika é uma conveniente história da carochinha com que o próprio Louçã tenta agora deseperadamente “explicar” o seu fiasco político. Como se isso tivesse sido uma mera decisão “incompreendida” pelo eleitorado, uma pequena falha de comunicação, um erro de public relations.

A Louçã não convém nada que se investiguem e apontem as verdadeiras razões do fiasco do Bloco, como o facto de se ter unido à direita para derrubar o governo socialista e de ter trabalhado incansavelmente durante seis anos para voltar a pôr a direita no poder. Foi para isso que o Bloco de Louçã serviu, não tendo tido qualquer outra utilidade prática. Para, juntamente com os comunistas, ajudar a direita em sujos ataques pessoais (como se viu em sucessivos inquéritos pidescos no parlamento) e em campanhas de descrédito contra o governo socialista.

Durante seis anos, os bloquistas de Louçã “correram por fora”, isto é, cativaram os votos que os eleitores lhes deram para rejeitarem qualquer compromisso ou responsabilidade de governo, para atiçarem o descontentamento contra Sócrates e para conduzirem uma guerra sectária contra o PS, à custa do qual pensavam que podiam crescer como partido político. Apostaram na destruição do PS e na sua substituição pelo Bloco. Era este o sonho de Louçã, nem sempre inconfessado: chegou a proclamar em 2009 que em Portugal os verdadeiros socialistas eram eles, os bloquistas de Louçã, como se o PS fosse uma mentira que lhes estivesse a usurpar o território.

Viu-se o resultado deste sonho destrambelhado. O desastre eleitoral do Bloco põe em causa toda a orientação de Louçã e não apenas a simples decisão de não ter querido reunir durante duas horas com a troika – uma decisão aliás perfeitamente previsível e coerente com a estratégia e a prática política do Bloco desde 2005.

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2 thoughts on “Louçã, o incompreendido”

  1. Hoje Sócrates estará calado e não lerá o teleponto.
    Hoje Sócrates olhará para todos como um derrotado.
    Hoje Sócrates não ouvirá nada porque estará em Off.
    Hoje Sócrates será de novo uma figura de TV, porque nunca foi mais do um personagem de TV.
    Hoje a TV perguntará a Sócrates aquilo que ele nunca responderá.
    Hoje olharemos para ele como um aluno reprovado.

    Hoje ia a sair de casa, vi o Sócrates no café.
    Hoje à noite sonhei que o Sócrates estava na minha sala a ver um dvd.
    Ontem antes de me deitar rezei para que o Sócrates fizesse boa viagem até Paris.
    Ontem à tarde vi um documentário que me fez lembrar o Sócrates de perfil.
    Antes de ontem fui à praia e, ao mergulhar, lembrei-me que podia ter trazido os meus pés de pato, os quais carinhosamente denomino de pés de Sócrates.
    Enfim, hoje estou triste e muito deprimida sem ele…

  2. (e Amanhã vais-te lamentar ainda mais e ter saudades do tempo dele, pintelhosa)

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    Excelente síntese! A história do Bloco de Esquerda vai deixar de ser a da Carochinha. A partir de agora é a do Lobo Mau. E, ao contrário das estorietas de cachopos, a destes vai acabar devagar e mal.

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