À espera de Louçã

Louçã, quando decide ser normal e deixar de lado a carga de inveja, aspirações loucas, moralismo e radicalismo datado e inútil, até é tragável. Mais, até permite que nele se vislumbre um contribuinte sério para uma governação PS. Quando também corrige a voz de diácono e pregador, até soa a político responsável…

Não estará na hora de outros membros do Bloco deixarem de brincar aos revolucionários de bancada, que só sabem é criticar, e se disporem a vir “sujar” um bocado as mãos, pelo menos para saberem o que é ter de tomar decisões difíceis, fazer face aos mais variados interesses presentes numa sociedade e abandonar de vez a ideia malsã de que há que acabar com o “sistema” não se percebendo bem que “sistema” pretendem? E, já agora, se acham que o “sistema” é injusto, o melhor não seria vir transformá-lo por dentro, já que as revoluções à moda do século passado já não convencem ninguém?

O Passos, por motivos diferentes das revoluções do século passado, e apesar da pose, definitivamente não convence.

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Oferta da nossa amiga Penélope

10 thoughts on “À espera de Louçã”

  1. OK. Não ha nenhuma modificação que não se faça por dentro e as proprias revoluções so são bem sucedidas quando o fruto esta maduro, o que resulta sempre de um processo interno.

    (Por isso mesmo, alias, é que ninguém pode, à esquerda, temer a revolução. O que as pessoas de esquerda devem recear, antes, é a revolta vã e contra-producente, a birra inconsequente e oca. Normalmente, esse receio é sobretudo difundido entre os membros radicais da esquerda, que se construiram, com realismo, CONTRA os idealistas patetas e lunaticos. Mas os mais moderados sabem, também eles, que a revolta futil e estéril apenas empurra as coisas, mais um bocado, para o status quo…)

  2. Potpourri ideológico, parte II (ou como o Louçã até é tragável e, vá lá, responsável quando concorda com o PS)

  3. o louceiro é intragável e o que parece bom é sedução dos momentos depressivos. esta gente não presta e quem não entende isso vai ao embarretanço.

  4. Val, obrigada pelo destaque!

    Anonimo, a realidade não é imutável. Cansados de nada fazerem de útil e de apenas protestarem agarrados a ideologias passadistas, e com o partido a perder expressão eleitoral, há-de chegar um tempo em que alguns elementos do Bloco, evidentemente não todos, queiram contribuir positivamente para o país. Para isso, é preciso (e não me parece impossível) que aceitem a sociedade tal como está organizada e se disponham a assumir responsabilidades, começando por não hostilizar quem não tem nem pratica uma visão radical da política, mas que mesmo assim tem preocupações de transparência e de justiça na distribuição da riqueza, com as empresas e empresários que temos, mais as empresas que descubram bons nichos de negócio, os banqueiros que temos, a geografia que temos, as relações internacionais que temos, o contexto europeu que temos, etc. (apesar de nada disto também ser imutável). É facílimo a Louçã clamar pela reestruturação da dívida quando sabe que não vai ser ele a responsabilizar-se por tal nem a assumir as consequências. O PCP é uma seita e não tem solução, mas, no Bloco, penso que há pessoas que não são completamente alucinadas.

  5. “no Bloco, penso que há pessoas que não são completamente alucinadas”

    Tipo eleitores de esquerda e assim ? Eu também tenho essa impressão…

    Se soubesse como, punha aqui um daqueles bonecos amarelos com sorriso aparvalhado.

    Boas.

  6. Acho que podemos esperar sentados pelo Louçã, Penélope.
    No primeiro Governo de Sócrates o grande combate de Louçã era o de pôr fim à maioria absoluta, criando expectativas nos seus eleitores de que se o Governo fosse minoritário o Bloco até poderia colaborar de algum modo na governação. Mas atingido esse objectivo, aquilo a que assistimos, durante a última legislatura, foi ao boicote puro e simples de todas as medidas propostas pelo Governo. Vimos o Bloco aliar-se à direita como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ao apresentar a moção de censura e ao chumbar o PEC, Louçã sabia muito bem que estava a ser muleta do PSD para este chegar ao pote. Apesar de as sondagens indicarem que esta opção não foi bem aceite pelos seus eleitores, que talvez esperassem uma atitude mais responsável do partido, penso que continua a não ter vontade nenhuma de assumir responsabilidades governativas de espécie nenhuma. Espera isso sim que com a direita no poder venham as tão esperadas convulsões sociais à boleia das quais pensa poder recuperar o terreno entretanto perdido.

    Claro que nem todos no Bloco devem ser completamente alucinados (embora disfarcem bem), mas o Bloco é o Louçã e o resto é paisagem.

  7. Guida, depois das próximas legislativas, talvez o Louçã deixe de ser o Bloco e o Bloco deixe de ser o Louçã. Ou o Louçã deixe de ser o Louçã (aparentemente é capaz). Ou até talvez o Bloco deixe de ser, ponto.
    Sem querer falar em nome dos portugueses como fazem muitos comentadores, parecer-me-ia natural que neste momento muitos dos votantes BE comecem a estar fartos de muita conversa e pouca prática de esquerda, porque o que vêem é muita conversa e muita acção concertada com a direita, o que é verdade, como dizes e nós todos observámos.

  8. Penélope, pois, parece um facto que muita gente se fartou da conversa dele, e se apercebeu da inutilidade de votar no partido. Apesar disso, ainda não vi o suficiente para poder afirmar que o Louçã consegue deixar de ser o mesmo Louçã de sempre.
    Mas, enfim, os resultados eleitorais podem mudar muita coisa e o futuro pode muito bem vir a dar-te razão. :)

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