O regresso da ingrícola

Caro Adolfo Dias,

então agora a União Europeia não quer a destruição da agricultura portuguesa? O que terá mudado na política agrícola europeia para alterar os factos?

O que a CEE da altura quis, não foi acabar com a agricultura em Portugal, mas acabar com o tipo de agricultura que se praticava.

Ainda hoje, conheço centenas de proprietários que são pagos para não cultivarem, porque será?

Porque é que a agricultura do Thierry Roussel recebeu 1 milhão de contos (5 milhões de Euros) da CEE, a fundo perdido, no tempo do senhor Cavaco, e deu cavaco com a guita deixando centenas no desemprego e milhões em débito à CGD por via do seu projeto agricola?

Onde estará o senhor Cavaco que dizia em 87 que o Alqueva só avançaria se a sua reforma agrária avançasse, e que depois colocou as obras em banho-maria?

Já não quero falar no seu programa de sucesso, lembra-se, o JEEP (Jovens Empresários de Elevado Potencial), que serviu para a compra de jipes Toyota (do apoiante Salvador Caetano) com os dinheiros do FSE e da PAC e de umas obritas em casas que se destinavam a turismo rural mas onde os únicos hóspedes eram os moradores e respetivos familiares e amigalhaços.

A agricultura começou a ser destruida quando não se ouviram as sensatas palavras do Sousa Veloso sobre o associativismo a sério, a mecanização agrícola prudente, o desemparcelamento do minifúndio, as colheitas especializadas, a ordenação das propriedades, a escolha das espécies a produzir, a rede de frio e de silagem equilibrada, a aposta na diversidade e na qualidade.

Onde estão os rebanhos, que é feito da pastorícia, onde está a protecção das espécies nacionais, onde pára o ordenamento florestal, por onde andam os carvalhos nacionais, os castanheiros que dão castanhas, os negrilhos para forragens, as nogueiras que nos dão nozes e bela madeira, os amieiros fixadores de azoto, e toda uma flora diversificada, amiga do ambiente e resistente ao fogo.

Será que o Cavaco se preocupou com isto ou foi a CEE que não deixou?

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Oferta do nosso amigo Teófilo M

10 thoughts on “O regresso da ingrícola”

  1. Estas questões devem ser persistentemente dirigidas ao Venerando,

    se este prometer não vir a pôr processos de investigação aos jornalistas que o façam…

    e assim,

    como a talhe de perguntas

    perguntar tambem do BPN, Coelheira, etc

    Como ainda não nesceu ninguem segunda vez

    as respostas ajudarão amnter a reputação do senhor…

    digo eu…

    abraço

  2. Perguntem ao Cavaco que o homem raramente tem dúvidas e nunca se engana. Engana-nos é a nós mas isso são outras questões que não são para aqui chamadas.
    O Oliveira e Costa ou melhor o BPN parece que tinha uns castanheiros lá para os lados da terra dos Passos. Perguntem-lhe a não ser que isso lhe tenha passado ao lado como quase tudo.

  3. Faz muito tempo que não me passava pelos olhos o “maroto” trocadilho com o AdolfoDias.
    Está bem escolhido para este tópico maior da “lavoura” e para o “papel” do bestunto guarda-livros de Boliqueime.
    Nem f…nem saí de cima.
    Estámos todos f…é o que é.
    Daqui a seis meses falamos.

  4. Sim, sim, estou aqui sentadinha sobre os não sei quantos hectares que me caíram em sortes a ver o que vai dar esta súbita preocupação com a lavoura/agricultura, palpitando-me, no entanto, que não vai haver melhoras nenhumas neste estado de definhamento a que assistimos… Enfim, não ande eu para a frente a ver se Estado, Governo, PAC ou o raio nos vem ajudar aqui no país rural.

  5. “mas convém acrescentar que o gorverno ps nada fez para alterar a situação…”

    e achas que os agricultores deixavam?

  6. então afinal a culpa passou do cavaco para os agricultores na mudança de governo? e para que serve um governo, se ele é impotente, refém de grupos económicos e profissionais? e se for assim, como é que o cavaco tem culpa?

  7. O comandante zarolho já deu posse. O marujo perneta já anunciou medidas. Privatizar a rtp e as águas de portugal.

    À primeira vista parece nonsense. Puro engano.

    Pomos o monóculo e percebe-se logo:
    Primeiro que tudo pagar a quem o ajudou a eleger: a comunicação social;
    Logo de seguida, privatizar o maior negócio do século XXI.

    A troika deve ter logo cerrado os dentes: com estes marmanjos não se pode brincar, perceberam. Eles nem juros nos querem pagar.
    O Durão está há horas ao telefone com a Merkel de calculadora na mão. Isto agora o país é sempre a andar. Na agricultura, na indústria, no turismo, empresas, serviços e o que se quiser vai ser sempre a abrir. Um coelho não engana!

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