JPP – o velho bolchevista que renasceu liberal

Com essa acusação, Pacheco, um fulano vulgarmente tido por culto e inteligente, revelou uma vez mais a sua alma de denunciante e provocador policiesco. Teria dado um bom quadro policial, com a sua tendência patológica para a recolha de informação política. Se hoje houvesse uma polícia fascistóide (não estamos livres disso), ele seria o encarregado ideal da vigilância da blogosfera. Daria também um bom analista de escutas telefónicas, para o que já revelou vocação.

Note-se que Pacheco começou a sua carreira de inquiridor e inquisidor como marxista-leninista, e dos mais tinhosos no seu dogmatismo ideológico. Ler hoje os seus virulentos escritos doutrinários da primeira metade dos anos 70 é algo de fantasticamente hilariante, para quem tenha humor e estômago. É conhecido que por esses anos o mangas recomendava que se queimassem certos livros considerados burgueses, como foi o caso de uma obra do professor António José Saraiva. Grande intelectual este Pacheco, guarda-vermelho incendiário nas horas vagas… Nunca lhe passou o tique, diga-se, embora surja agora disfarçado de liberal.

Um dos episódios mais rocambolescos da fase bolchevista do Pacheco, elucidativo do carácter e da mentalidade do indivíduo, foi o ter decidido permanecer na clandestinidade durante meses e meses após a vitória da revolução de Abril. Não se sabe se por saudades do Estado Novo, se por cagaço ou se por ultra-conspirativismo, Pacheco achou melhor manter-se na sombra, tanto mais que o seu principal inimigo era, já então, a esquerda não maoista.

O velho bolchevista é agora “liberal”. Um new born liberal ou coisa parecida. A sua principal luta, desde pelo menos 1987, segundo confessa, é a extinção da RTP (não a privatização, mas a extinção) bem como de toda a comunicação social do Estado, excepto talvez a RTP-África, que, por alguma razão tropical ou colonial, lhe cai no goto. O homem que recomendava a queima de livros quer agora calar a RTP 1 e a Antena 1.

Em 2003, o perigoso esquerdista Durão Barroso, fazendo ouvidos de mercador ao professor Martelo, não extinguiu a RTP. Por causa disso, o velho bolchevista Pacheco caiu-lhe em cima no Público de 3 de Julho passado. O argumento dele contra a comunicação social detida pelo Estado é que ela é “politicamente comandada” (nos exemplos que citou, o Pacheco “esqueceu-se” de citar o único caso claro e óbvio de comando político de um órgão de comunicação governamental, o Jornal da Madeira). O argumento do Pacheco é delirante, pois se alguma televisão é medianamente isenta politicamente, é a RTP. Argumento curioso, porque parece ter implícito que a TVI, a SIC, o Expresso, o Público, o Correio da Manhã, o Sol e outros media pasquinóides não são “politicamente comandados”. Parece ter implícito, mas não tem. Na verdade, o Pacheco acha muito bem que a comunicação social privada seja politicamente comandada, ela está no seu pleno direito. Não é isso que chateia Pacheco. O que lhe faz hemorróidas é que a informação não esteja toda nas mãos de gente de confiança da direita. Isso é que é liberal.

Ora vai lamber sabão, velho bolchevista.

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5 thoughts on “JPP – o velho bolchevista que renasceu liberal”

  1. Sinceramente, acho que já estão a dar importância de mais a este gajo, embora o tema seja inesgotável “in esgoto (ável)”.

  2. Nunca a importância é demasiada quando estão em causa os valores da liberdade.
    Belo texto, bem alicerçado na verdade de factos. E nunca se esqueçam: “eles” são perigosos.

  3. O JPP faz o pleno,
    No 31 anda tudo amargurado, e ranhoso, por causa do Pacheco.
    Na Aspirina arreiam no senhor forte e feio.
    Tenham dó!

  4. “Ora vai lamber sabão, velho bolchevista”.
    Eu mandava-o para outro sítio. À merda? Não! Isso era pouco.
    Levar onde levam as galinhas? Também não! Mais fundo, mais fundo.
    Se existisse um tribunal de justiça popular talvez aí lhe fizessem a cama e se determinasse o que fazer com o Pachecóvio.
    Este país está cheio de bandalhos que andam a comer à nossa conta!

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