Sali Berisha, chateado com a decisão do Tribunal Constitucional português, reage com determinação e audácia.
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Virose da verdade
Judite, antropologia e eleições no Benfica
A Polícia Judiciária de Braga apanhou um homem que em 1993 trocou a prisão por um cárcere paleolítico. Durante 16 anos foragido ao cumprimento da pena de 10 anos, viveu em buracos nos montes. Familiares e vizinhos davam-lhe alimentos, roupas, bens variados. Talvez caçasse. Talvez fizesse fogueiras para se aquecer e iluminar. Talvez preferisse a companhia das aves, das nuvens e das estrelas, seres das alturas, à dos humanos, seres das baixezas. Talvez se tenha genuinamente arrependido do crime que cometeu, qual anacoreta que expia o pecado do mundo no deserto onde recusa esse mesmo mundo. Terá sido uma existência de contemplação focada no sempiterno mistério de tudo e de todos — a que uma arma por perto garantia a necessária segurança para não ser devorado pelos monstros filosóficos que pudessem surgir nessa noite da Razão.
O que é a mística?
Miscelânea
Fighting Groupthink With Dissent *
What If I’d Never Met My Husband
Depression Happens to Successful People
Laid Off? It’s Good for You and Good for the Tech Industry
Stop And Smell The Flowers — The Scent Really Can Soothe Stress
Coping with a Dysfunctional Family?
Do Wealthy Men Give More Orgasms? **
Good Sex Is Good for Relationships
Personality Traits Linked To Artistic Taste
Hydrocarbons In The Deep Earth?
The Tragedy of the Commons ***
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* Viva lá revoluciòn!
** Fui recentemente aumentado, alembrou-me agora…
*** Para quem quiser começar a fazer política que não é da esquerda imbecil nem da direita ranhosa
Conselho para António Costa
António, não voltes a interromper o Santana. Seja o que for que vejas o Santana fazer, por mais esquisito que seja, não o interrompas. Porque é certo ele estar a fazer uma merda qualquer. Pelo que não a deves pisar. Afasta-te da merda do Santana, por favor. Esta regra aplica-se ao próximo debate, se o houver. Deixa-o falar, dizer o que tiver a dizer, e depois, na tua vez, fala connosco. Desvela a Lisboa que merecemos, e pela qual estamos dispostos a ajudar-te a ajudar-nos. Agora, cagadas com o Santana é que não. Porque interromperes para mandar a tua boquinha, e depois ficarem a medir a piça, leva a que te esqueças de nós, que não queremos ver-te a perder tempo com merdas. Especialmente, com merdas destas.
Bem me parecia
Que o Henrique Fialho ia apenas descansar um bocadito. Voltou com a ANTOLOGIA DO ESQUECIMENTO. Os tempos de cusentadismo frente ao monitor vão aumentar.
Obrigado Bibliotecário.
Louçã tem Dias
O caso do convite a Joana Amaral Dias para integrar a lista do PS é paradigmático da miséria ética e intelectual da oposição. E ter Louçã como seu protagonista, até agora sempre a somar vitórias populistas, é um bónus que vem mesmo a calhar. Visto ser ele quem está em causa, não a Joana ou Sócrates.
Sócrates já falou, e só voltará a falar se a Joana revelar quem lhe fez o convite. Porque ninguém duvida da existência do convite, o qual é tão lógico como legítimo. Duvida-se é que o PS, nas pessoas do Secretário-Geral, do ministro Vieira da Silva e do porta-voz do partido, os três e mais aqueles com quem se aconselham e decidem, todos tenham resolvido perder as eleições por causa de uma vaidosa boazuda e muito, muito, mas mesmo muito insuportável. Porque não há cenário mais previsível: se a Joana confirmar que Sócrates a convidou, provando-o, Sócrates acabou. E com ele o PS nestas eleições. Logo, os desmentidos do PS, tão rápidos e taxativos que foram, significam que a sua posição é intocável. Bola para o lado de lá.
Do lado de lá, Louçã engoliu e calou. Disse uma imbecilidade de quem está encostado à parede: que os desmentidos eram prova de culpa de quem desmente. O ping-pong ocorre enquanto a Joana continua desaparecida. Isto é patético e não tem escapatória. Caso a versão da senhora seja algo de equívoco, apostando na ambiguidade de repetir que foi convidada mas sem revelar por quem, estaremos perante um acto de insídia, de pulhice em último grau.
Louçã não vê Sócrates como um competidor, mas como inimigo. E o desvario com que lhe lançou este ataque diz bem do impacto da decisão de Miguel Vale de Almeida, cuja coragem é verdadeiramente notável e exemplar. De um inimigo esperam-se os golpes mais baixos, e, por isso, a um inimigo aplicam-se os golpes mais baixos. Foi o que Louçã fez, cego de ódio e medo. É um tiranete que se espalhou ao comprido, mordeu a língua e ainda pode morrer envenenado. Tem Dias para se salvar.
Coisas que se podem dizer
Nova estirpe suína junta-se à gripe A
Foi detectado o primeiro caso de gripe M, uma gripe que se caracteriza por impossibilitar viagens à Madeira por pessoas cujo primeiro nome comece por M. Os investigadores estão perplexos com a sofisticação deste vírus, capaz de cruzar factores geográficos com alfabéticos. Teme-se o pior, podendo chegar ao ponto de se desenvolverem variantes com outras letras, estando já as companhias de aviação e agências de viagens em negociações com milhares de destinos para se adoptar uma nomenclatura numérica. Recorrendo a este estratagema, esperam baralhar o vírus de modo a que nunca mais se repita a infelicidade de vermos um presidente do PSD impossibilitado de assistir in louco ao tiro ao zeppelin, isto é, à bebedeira da Lagoa. Aliás, para a Madeira já há proposta de nova designação: 1978.
i aprendeu a lição

Depois do i ter cedido ao Pacheco, não publicando uma entrevista que tinha em seu legítimo poder, interiorizou a censura. Neste caso, alteraram o original santanete para uma versão sem graça, insossa, da qual fizeram uma parangona à prova de indignações de loiras, morenas ou ruivas. Eis o que Santana afirmou e que não se encontra na entrevista:
De mim nunca disseram que namorava com o Diogo Infante, como ouvi dizer em 2005 e depois até repeti com pessoas amigas, porque era realmente uma história muito interessante. Quem diria, logo com o Diogo, um excelente rapaz. E também falei muito nisso por ter aparecido em período eleitoral, uma coincidência bem engraçada. O que nós nos rimos lá no PSD com o timing da saída do armário, o destino tem cada coisa. Aliás, nunca vi a história desmentida, fosse por um, fosse por outro. Portanto… votem em mim para a Câmara de Lisboa.
Nikadas
Laranjadas ácidas, corrosivas, venenosas. Se és um daqueles que ainda não sabe que a política de verdade foi uma estratégia inventada em Belém para afastar os socialistas corruptos (que andaram a encher-se com envelopes castanhos, 3 mil euros em cada um, à pala do Freeport) e proteger as pessoas decentes como o Dr. Dias Loureiro, prestigiado ex-conselheiro de Estado por escolha pessoal do Presidente (e consta haver 3 doentes nessas condições de ignorância em Portugal, dois deles por transmissão secundária), entra por tua conta e risco. Pode ser desconfortável, até causar um curto-circuito neuronal.
Ranhoso
João Pereira Coutinho é um dos mais histéricos representantes da direita ranhosa. Leia-se:
Tempos houve em que os intelectuais eram verdadeiros contra-poderes. Hoje, e depois da ‘traição’ de que falava Julien Benda, os intelectuais servem apenas para enfeitar os poderes. Basta olhar para o caso Miguel Vale de Almeida. Nos últimos anos, Vale de Almeida foi um crítico feroz do PS e da mediocridade dos seus deputados.
Agora, Vale de Almeida é candidato a deputado pelo partido que publicamente execrava. Como explicar a metamorfose? Alguns líricos garantem que o PS é tão pluralista que até convida quem violentamente o critica. Outros, mais cínicos, afirmam que é sempre bom ter um conhecido activista gay para contentar a esquerda e as minorias que tradicionalmente votam Bloco. Pessoalmente, é-me indiferente: na sua edificante amnésia, Vale de Almeida é sobretudo o exemplo do intelectual doméstico que o poder usa e abusa como adorno.
Não sei como irá evoluir a carreira deste publicista, mas sei que nele se encontra uma concepção decadente, mesmo antidemocrática, da cidadania. A sua cobardia não lhe permite assumir o cinismo bronco que exalta salivando. E acaba por ficar ainda mais transparente: Pessoalmente, é-me indiferente. Acredito.
Esta ideia, típica da direita ranhosa e da esquerda imbecil, de que não se pode pensar, só obedecer aos partidos outrora frequentados e aos seus actuais controleiros, causou reacções odiosas à corajosa decisão de Miguel Vale de Almeida. É ler o fel dos tiranetes e dos psicopatas, sempre prontos a castigar os que escolhem a liberdade.
A oposição é tão miserável que se criou uma situação inédita em Portugal: ser-se politicamente incorrecto, ser-se inovador, ser-se vanguardista equivale a apoiar o PS nas Legislativas para que se mantenha, prolongue, repita a actual liderança de Sócrates. Isto é, a continuidade é agora a única fonte de progresso por ausência de qualquer alternativa. É incrível, é verdadeiro e acabrunhante. E a situação só não se torna perigosa porque o PS é um sólido bastião do bom-senso político e do Estado de direito.
Portugal, como qualquer democracia, precisa de uma oposição ética e intelectualmente condigna com as suas responsabilidades governativas. Mas para tal tem de conseguir afastar os ranhosos e os imbecis. E isso parece cada vez mais improvável.
Caloteiro
Carolas da RTP, vamos lá marcar uma reunião e resolver este problema
A série Mad Men estreou ontem, sexta, na RTP 2. Há uns meses falei nela. Duas vezes.
Pois bem, há um problema grave na RTP e eu, magnânimo, estou disposto a reunir-me com os carolas. Alguém que tenha poder para dar um murro na mesa, um pontapé na cadeira, uma cabeçada na porta. Porque temos de resolver o problema. A série Mad Men é das melhores coisinhas que 3,7 mil milhões de anos de evolução criaram neste planeta. Apela a homens e mulheres por igual, conhecedores do meio ou ignorantes, cultos ou a caminho. É uma série que merece o horário nobre, seja lá o que for que isso ainda queira dizer. É prazer que não se quer mais largar, que dá que falar, que chama anunciantes, que dá dinheiro a ganhar a quem gastou dinheiro a comprar. E que fizeram os carolas da RTP? Estrearam-na no canal 2 na pior altura do ano. Na altura do refugo, das séries requentadas, dos enlatados fora de prazo, o mês de Julho. E nem sequer repetem durante a semana, quem não viu um episódio não o volta a ver. Mais valia que estreasse directamente na RTP Memória, sempre teria alguma dignidade. Que se passa? Quem é esta gente? Que cigarrinhos para rir, marados, andam a fumar? Estamos perante o equivalente a usar o space shutlle para viagens entre Lisboa e Almada. Se o Obama sabe disto deixa de nos falar. É a decisão mais estúpida na televisão portuguesa desde a interrupção do Pato com Laranja em 1983.
Marquem a reunião e eu prometo ajudar-vos a dar valor ao que trazem do estrangeiro, mas tem de ser à tarde. Nós, os autênticos mad men, raramente conseguimos ligar sujeitos à sua falta de predicados antes do meio-dia.
Flutuações do vácuo (o vácuo de quem estou a falar és tu, Pacheco)
Vou continuar a partir da Palmira: vazio absoluto. Ora, o vazio, mesmo se absoluto, não equivale ao nada. E é inegável que o Ponto Contraponto será alguma coisa. Mas o quê? Vácuo, a única realidade conforme ao conteúdo. Dois factos concorrem para a evidência: (i) a Física ensina existirem flutuações do vácuo, em que do nada surgem manifestações de energia; (ii) o autor é o mais entusiasta defensor da mais vácua liderança no PSD desde que há PSD ou memória das suas lideranças (até o Menezes conseguia ter superior densidade mental). Assim se desvenda a enigmática transmissão semanal de 15 a 20 minutos de inanidade quântica.
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Sermão da Campanha
Louçã disse que a crise consiste na existência do PS e PSD, responsáveis pelo situacionismo porque incapazes de governar. Disse que estes dois partidos são iguais nisso de não conhecerem o País. Disse que Sócrates agravou as condições da crise, aumentando o desemprego por ter reduzido o investimento público. Disse que o PS pratica um poder tentacular, dando como exemplo o contrato com a Mota-Engil para o terminal de Alcântara, o qual terá sido feito por influência de Jorge Coelho, e referindo uma cláusula relativa a fenómenos meteorológicos como prova de sua imoralidade, corrupção ou ilicitude. Disse que o PS ofendeu muitos eleitores socialistas quando atacou a escola pública, os trabalhadores e os funcionários públicos, tornando-se num partido irrecuperável. Disse que o PS ofereceu 70 milhões de euros à Mota-Engil só por causa da influência de Jorge Coelho. Disse que Portugal deve sair da Nato para acabar com a sua participação em assassinatos de inocentes. Disse que o Tratado de Lisboa é mau para a Europa. Disse três vezes que Sócrates disse estar contente consigo próprio. Disse que não se deve comprar armamento para as Forças Armadas. Disse que a política não se faz com negociações. Disse que António Costa quer a pobreza da cidade. Disse que o contrato com a Mota-Engil é parasitagem dos dinheiros públicos com a cumplicidade de António Costa. Disse que Jorge Coelho é igual a Dias Loureiro, Oliveira Costa e João Rendeiro. Disse que está preparado para ser primeiro-ministro, e que vê essa possibilidade crescer a cada acto eleitoral.
Louçã é o genuíno herdeiro de Cunhal, exibindo a mesma alucinação messiânica. Como Cunhal, não tem quem lhe possa suceder. Carvalhas provou isso espectacularmente. Porque os líderes que respiram fanatismo não se substituem, apodrecem ou tombam. Os serventuários apenas conseguem imitar, com resultados pífios, quando não trágicos. Mas Louçã é mais guloso do que Cunhal, o qual estava satisfeito com o impasse da Guerra Fria, com o adiamento da revolução sine die. Bastava-lhe assistir às paradas militares, contemplar os exércitos a desfilar com cartazes e palavras de ordem. Para Louçã é outro campeonato, o vento está de feição para a demagogia Pop, altamente sofisticada, que o BE aprendeu a fazer cada vez melhor. Ele vai tentar acabar com o capitalismo a partir de Portugal ou encher o papo a tentá-lo. Daí a sintonia com Alegre, outro messias da nova esquerda anti-Sócrates, o qual não descansa enquanto não percorrer o País vendo as estradas cheias de povo agitando bandeirinhas à sua passagem e agradecendo, humilde, o pleno emprego garantido pelo Estado.
Regrettable, luck is like life: it only lasts so long…
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O futuro do cinema está nisto: jogos digitais. Cada vez mais complexos, envolventes e artísticos. Não? Sim. Os filmes dos Lumière também nos parecem toscos, mas ao tempo já estavam cheios de promessas. E as palhaçadas que corriam nas nickelodeon não permitiam adivinhar o que se faria na Europa e Hollywood pouquíssimos anos depois. Começar com coboiadas não envergonha ninguém, como os franceses explicaram aos americanos nos anos 50.
Jamais
A direita* lançou um blogue colectivo para fazer campanha: Jamais. Reúne uma juliana de figuras do meio blogosférico, até lá está o Pacheco, e o primeiro texto podia ser o último. Porque aposto que ninguém será mais claro do que João Gonçalves, o qual revela só haver uma entidade que os liga: Sócrates. O projecto deste blogue começa e acaba em Sócrates, não tem mais nada no saco para vender.
Eles estão ali sem saberem quem devem defender, ou o quê, ou porquê, ou para quê. Eles estão ali apenas e só para falarem de Sócrates, do Governo, do PS e de uma legislatura histórica por méritos próprios e desafios extraordinários. No fundo, todos eles invejam o que foi alcançado, mesmo aquilo com o que não concordam, ou que não têm coragem de apoiar, sequer aceitar, publicamente. No fundo, eles adorariam que o chefe da direita em Portugal fosse Sócrates, e que no PS estivesse o abalozinho Manela a envergonhar o partido. Como o destino é madrasto, só lhes resta a coligação negativa. Até o PCP e BE seriam melhores do que Sócrates, dizem. E PCP e BE fazem coro: até a Manela e o Portas seriam preferíveis ao PS. Eis uma das maiores tragédias nacionais: a oposição ética e intelectualmente paupérrima que temos de suportar. É nosso dever castigá-la, sempre.
* Apoiante do PSD


