35 thoughts on “Coisas que se podem dizer”

  1. tive um mestre, enquanto caloiro universitário, o saudoso Daciano Costa, a quem ouvi dizer por várias vezes “a arte são 10% de inspiração e 90% de transpiração”. é capaz de fazer sentido para quem não se enquadra na categoria de génio.

  2. tra.quinas, também sempre ouvi dizer isso na faculdade. A inspiração ou a ideia são necessárias, mas olha que a questão da transpiração não me parece certa porque se fazemos as coisas por gosto, nada nos custa. Faz parte de nós.

  3. claudia, de acordo, se calhar maior parte das vezes é. mas os 90% de transpiração são independentes disso. na minha opinião.

  4. tra.quinas, tenho de concordar. Retomando a citação “a arte são 10% de inspiração e 90% de transpiração”, que proporções darias então para um génio? Se ainda não acrescentarias mais outra categoria.

  5. claudio, um génio – por mim falo – necessita de apenas 5% de inspiração e 95% de transpiração.

    tra.quinas, o Daciano deixou saudade. E uma Obra.

  6. cláudia, palpita-me que esta conversa daria pano para várias jaquetas completas.
    eu não conheço génios e não sei se me dou com algum. o que tenho lido e estudado de algumas personalidades que considero geniais não me faz duvidar daquelas percentagens. quem vê, estuda e analisa o trabalho dos outros nunca tem verdadeira noção dos processos envolvidos. dizem que o nosso cérebro consome uma parte significativa da energia que despendemos. não é tudo suor.
    até já fui capaz de acreditar em concepções que apresentam as ideias que temos como dádivas, algo incandescente que nos ilumina (e normalmente convém que nos portemos bem e… blá, blá, blá). cheguei até a propor e defender que não existem ideias novas. elas estão todas num local algures a que os designados ou escolhidos conseguem ter acesso. daí resultariam os génios, os visionários e restante cambada que consegue andar décadas, às vezes séculos e até milénios à frente do seu tempo. ele há ideias para tudo!
    mas eu, na minha actividade quotidiana, sou confrontado demasiadas vezes com a chamada “angústia da folha de papel em branco” para poder ter uma postura lírica. E, se for honesto e realista, só posso constatar que, por regra, resolvo a tal angústia com trabalho e mais trabalho. muito trabalho.
    convém é que haja. algo que não está fácil nos dias que correm :)

  7. Zeca Diabo, um porreiraço do melhor. uma grande obra feita de grandes e de pequenas coisas a que nem damos valor no dia a dia.

  8. Recordaste-me um escritor: o Balzac. A tua postura parece a dele. Aquele perdulário generoso, com a mania das partículas distintivas, passava noites em branco, bebendo cafés a fio, para cumprir prazos e, acima de tudo, para ganhar a vida. Ainda vá lá, tinha trabalho… :-D

  9. E os ditos génios são trabalhadores incansáveis. Por vezes, deparando-me com obras de um só autor, penso: “Mas ele passou a vida a escrever? Mas ele comia, dormia, tinha uma vida familiar?” É cada produção catedrática, monumental, que é de ficar de olhos em bico.

  10. claudia, é como digo.
    Picasso foi um moiro de trabalho;
    Balzac foi um moiro de trabalho;
    Leonardo foi um moiro de trabalho;
    Eu, o jinn das berças, sou um moiro de trabalho.
    A inspiração acontece depois de muito trabalho.

  11. claudia, se disseres que somos capazes de não aprender mais nada hoje com a conversa sou o primeiro a concordar contigo. a não ser que o Zeca Diabo nos queira aturar.

    Zeca, e porque é que te esqueceste do desgraçadinho do miguel ângelo?

  12. Não, a conversa ainda daria pano um milhão de jaquetas completas, mas acontece que tenho uma tradução pela noite fora.
    O Zeca saiu-se com uma frase bíblica que muito me tentou.

  13. cláudia, voltando ao contexto do poste, só posso perguntar-te se as traduções também exigem muito esforço? Calculo que “not often enough” :) bom trabalho pela noite fora :) ou pela noite dentro. nunca sei.

  14. Voltando do antro tradutor, respondo ao tra.quinas: Não exigem esforço, gosto de traduzir, só que deixo sempre isto para o fim, bem à moda portuguesa. Não me emendo.
    Zeca Diabo, não vou contradizer…

  15. tra.quinas, escolhi 3 exemplos. Se tivesse optado por 4 exemplos talvez tivesse acrescentado o Buonarroti.

  16. claudia, não me importo que me contradigam.
    Estou como tu, espero um cliente pela manhã e ando a arrastar a finalização do trabalho. Parece que dá mais pica trabalhar sob pressão.

  17. algumas simples banalidades

    “Se as pessoas ao menos soubessem o quão duro trabalho para ser mestre no que faço, não lhes pareceria tão maravilhoso.”
    “Para nos tornarmos pessoas de mérito e de valor, o que há de mais certo em nós é confiarmos em nós mesmos.”
    “O homem pinta com o cérebro e não com as mãos.”
    “A beleza é a purificação da abundância.”

    do Michelangelo Buonarroti, pois claro

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