trust me?

Diz-me o que lês, dir-te-ei em que me podes ajudar. Por exemplo, se lês o Design Observer podes ajudar-me em tudo e mais alguma coisa, porque estarás com a inteligência muito bem nutrida. Imagina que eu preciso de ajuda para compreender o meu trabalho. Seria a oportunidade para me recomendares este texto de Michael Bierut:

When I do a design project, I begin by listening carefully to you as you talk about your problem and read whatever background material I can find that relates to the issues you face. If you’re lucky, I have also accidentally acquired some firsthand experience with your situation. Somewhere along the way an idea for the design pops into my head from out of the blue. I can’t really explain that part; it’s like magic. Sometimes it even happens before you have a chance to tell me that much about your problem! Now, if it’s a good idea, I try to figure out some strategic justification for the solution so I can explain it to you without relying on good taste you may or may not have. Along the way, I may add some other ideas, either because you made me agree to do so at the outset, or because I’m not sure of the first idea. At any rate, in the earlier phases hopefully I will have gained your trust so that by this point you’re inclined to take my advice. I don’t have any clue how you’d go about proving that my advice is any good except that other people — at least the ones I’ve told you about — have taken my advice in the past and prospered. In other words, could you just sort of, you know… trust me?

Vês? A inteligência mede-se sempre pelas vantagens obtidas. Neste caso, para além de se esclarecer em poucas palavras o processo criativo, ainda se recolhe uma lição sobre relações humanas que tem aplicação para lá do ambiente profissional. Sem confiança o criativo não consegue fazer aprovar a sua promessa; ora, pelas mesmíssimas razões, sem confiança também os filhos não acreditam nos pais, os alunos não aprendem com os professores, os cidadãos não se comprometem com a Cidade. E sem confiança não se ama, pois não? Para que quereria eu (ou tu) entregar a vida a quem não amo? Ou porque dizes tu (ou eu) que não amas a quem entregas a vida? A confiança é uma necessidade de que se pode fugir, mas só para admitir que fomos parar a um deserto.

É disso que nos fala este testemunho do Bierut, escondendo-o na aparente futilidade da aprovação de uma peça de comunicação comercial. Porque também os clientes entregam a sua vida ao comprarem ideias, arriscando a reputação, o emprego e a confiança em si próprios. Tal como um amigo entrega a sua vida quando acredita no que ouve do seu amigo, ou no que o seu amigo lhe mostra, dirias ainda com santa paciência, só para me ajudar. Os amigos arriscam o sentido da sua existência, e o tempo que é cada vez mais precioso, ao confiarem. Achas que se pode ser amigo sem confiar?

E assim, apontando para o que está próximo, continuarias a aumentar o meu entendimento do mundo com farta inteligência, agora mandando-me ler On (Design) Bullshit, um texto que aprofunda o anterior e o leva para os pressupostos filosóficos (mas tão fáceis de perceber que até eu iria perceber o que é tão fácil de perceber). Finalmente, porque sabias que eu já tinha visto 12, ou 13, episódios do Mad Men, oferecias-me este presente.

8 thoughts on “trust me?”

  1. Valupi,
    Entre a leitura sobre a teoria do design, o visionamento de 12 episódios do Mad Men (muito obrigada por nos teres apresentado esses exemplares da natureza humana) e as contínuas reflexões sobre a questão da confiança, desconfio que tens razão em quase tudo. Mas esta noite foi tempo de comentar (com atraso) a tua última e bela cineterapia sobre Mr. Button. Espero voltar.

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