Afinal, ainda se fazem*

São 20 minutos. Vais ter ganas de te levantar e bater palmas, como os outros fizeram. Com sorte, terás lágrimas de alegria prontas a saltar ou já no escorrega. Porque presenciaste um milagre. Os milagres dão muita vontade de chover.

*Dedicado ao nosso amigo Z

5 thoughts on “Afinal, ainda se fazem*”

  1. Porreiro, Pá!

    Só tu para me pores a ver tv de manhã, e ainda só consegui ver menos de metade, tenho visita à casa e só logo é que vejo.

    A minha missão foi mais abstracta, foi gritar bem alto esta bela definição do meu professor Azevedo Gomes:

    “…a obra a realizar, visando objectivos múltiplos, é de uso múltiplo, no sentido mais amplo do termo, e concretiza-se consociando funções diversas nas mesmas áreas e compartimentando áreas por funções distintas, ou grupos de funções, sempre num mosaico que garanta o pretendido fluxo sustentável e graduado de bens e de benefícios indirectos.”

    com esta restrição, também dita por ele:

    «Com o advento da Democracia, interesses económicos sem rosto, sem credo e sem baliza, aproveitando-se de uma transição necessariamente difícil promoveram a transmudação do incêndio na floresta de factor ecológico de ocorrência normal em factor de catástrofe nacional: onde ardiam em média e por ano (período de 1968-73) uns 10 mil hectares passaram a arder cerca de 4,5 vezes mais, sem que haja mudado nem o clima nem a floresta. Dos 1,3 milhões de hectares de pinhal bravo existentes em Abril de 1974 arderam em 12 anos uns 500 000 ha!»

    ———

    se só em 2003 arderam 450 000 ha em Portugal que mais hei-de dizer?

    mas é verdade que a sucessão de áreas ardidas no governo PS nestes últimos anos é uma maravilha, e aí perante factos não tenho pudor nenhum em fazer um rasgado elogio público, como fiz. No entanto vinha-se de um patamar facilitado, com muita área ardida acumulada e pouco para arder. O problema é que quanto menos arde mas vai crescendo o risco subsequente. Só a transformação estrutural da floresta em mosaicos é que garante o ordenamento sustentado do fogo.

    andou imensa gente a trabalhar multidimensionalmente para reconverter a coisa, uma data de heróis anónimos, homens e mulheres. Que sejam felizes são os meus votos.

    Vamos a ver este ano, a Australia abriu a matar, e é ano de eleições, mas eu estou atento,

    PS: Os Azevedo Gomes sempre foram aristocratas marcantes mas ostracizados, o pai dele, Mário de Azevedo Gomes, foi despedido da UTL por ter escrito uma coisa nos jornais sobre a participação de Portugal nas Nações Unidas, depois foi reintegrado, deu uma aula e jubilou-se.

  2. Caro Z, se me é permitido, é bom considerar, para alem do que bem afirmou, que os negócios importantes desta desta área estão feitos: “hélis”, transmissões, meios pesados, grupos de elementos profissionalizados etc. Pouco resta para rapar.
    Há mérito do Governo? Sim. Sem dinheiro é muito mais complicado.

    PS. Os BM`s no luxembourg custam metade, é pena, os nossos governantes não se importarem com o “ambiente”.

  3. Ramalho: sinceramente, se um assunto fica resolvido eu bato palmas e bato mesmo, anos a fio. Antes do mais pelas vidas humanas poupadas.

  4. Muito bom Valupi, parabéns, conseguiste por-me a ver 20 minutos de tv! Vou guardar, está muito bem sistematizado – agora achei graça porque ele fez-me lembrar um nadinha o dr. strangelove :) sendo o exemplo oposto, por causa do ritmo e do grr,

    mas entretanto este assunto para mim está tratado a menos de um eventual artigo lá para Maio, agora ando a ver como é que se abre um túnel no espaço-tempo, uma janela de sagrado, para o pessoal respirar melhor espero eu. Uma das componentes da crise, senão a maior, foi a dessacralização da vida no sentido pagão do termo.

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