Vinte Linhas 327

«Os Galegos nas Letras Portuguesas»

A partir das palavras de Fernando Venâncio no semanário «Expresso» de 1-12-2007 organizou Rodrigues Vaz este livro de 234 páginas que inclui autores tão diversos como Sá de Miranda e Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Teixeira de Pascoaes, Ramalho Ortigão e Miguel Torga, José Rodrigues Miguéis e Francisco José Viegas, Wanda Ramos e Fernando Assis Pacheco.

Escreve Fernando Venâncio no intróito deste livro: «Na península que habitamos, na Europa, mesmo no mundo inteiro, nada nos é mais próximo do que a Galiza, nada deveria ser-nos também, mais caro. Temos ali uma irmã de cultura, no idioma, no modo de ser. Por ali se prolongam tranquilamente as nossas paisagens. Foi dali que, num dia longínquo, nascemos como país, depois de séculos em que o nosso Norte era somente o Sul da Galiza». A edição (Pangeia Editores) conta com ilustrações de Helena Justino e o apoio da Xunta de Galicia.

Fazemos uma única citação breve que pode e deve servir de «apetite» de leitura; eis um excerto do livro «Coisas espantosas» de Camilo Castelo Branco: «Abriu Gregório o seu armazém na travessa de S. Domingos, com uma tabuleta amarela e vermelha, onde se lia este mote em letras verdes O LEÃO DAS ESPANHAS REI DOS PETISCOS. De feito, sobre o dístico, via-se o leão empolgando nas garras um pato assado e um paio de Lamego. Afora este estabelecimento que lavrou créditos não vulgares, Gregório abriu nas hortas de Chelas uma casa chamada RETIRO ADMIRABELE onde os petiscos eram muito melhores que a ortografia».

4 thoughts on “Vinte Linhas 327”

  1. É, Camilo não deixava fugir nenhum pretexto para um giro frásico catita. Esse «admirabele» reproduzia um galego muito autêntico (desde 2003, vale a grafia «admirábel», a par da antiga, castelhanizante «admirable»).

    A citação de FV é só do Expresso. Não escrevo nem uma letra no introito da obra.

    O livro de Rodrigues Vaz (que ainda hoje não conheço) está cheio de achados assim, desencantando passagens sobre a Galiza nos autores mais inesperados. É um livrinho francamente admirabele.

  2. Eu também afirmoque se trata de uma citação de um texto publicado no «Expresso» só que de facto acaba por ser integrada (e muito bem) no corpo do intróito. Mas pronto, está tudo bem. Não há danos colaterais para ninguém… Um abraço daqui da colina de Lisboa

  3. à conta de andares por aqui Fernando, lembro-me logo de ‘unha aperta’, mas depois fico a pensar se já é para pôr as sandálias,

  4. tenho saudades dos nossos irmãos galegos, que são meiguinhos, só depois é que percebi que são tímidos, mas falam tão engraçado,

    nós por cá temos andado entretidos a dar cabo das taxas de juro, mas agora apareceu a dívida externa, nunca mais há sossego,

    bem, vou xonar

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