Não estamos na época do tomate?

Este homem arrisca-se a engolir a “intensificação do debate democrático” da pior maneira.

Primeiro abre um buraco orçamental gigantesco, por sua própria responsabilidade, quando era suposto começar pelo menos a equilibrar as contas, depois responde a uma tríade de olhos esbugalhados, que, com o ar do tempo, mostra maior razoabilidade, que não precisa de mais dinheiro, apenas de meio ponto percentual de flexibilização da meta do défice (enquanto esconde do pagode o valor real do mesmo), de seguida, em vez de aliviar, agrava as medidas de austeridade de um modo jamais visto, a mais importante das quais, a descida da TSU, uma autêntica provocação a quem trabalha e vê o seu salário reduzido, e, ainda não satisfeito, responsabiliza agora os que se lhe opõem pelos “riscos catastróficos” da instabilidade política causada pelo não acatamento dos seus alucinados ditames. É obra.

“Aqueles que tornarem cumprimento do programa mais difícil estão a trabalhar para que estes mecanismo [ajuda que pode ser dada pelo BCE e apoio parceiros europeus] não protejam a economia e sociedade de risco potencialmente catastrófico”.

E continou: “quebras na unidade estão a enfraquecer a posição Portugal e aumentar probabilidade dos riscos catastróficos. Concluímos o quinto exame e o debate democrático itensificou-se”.

Para o caso de encontrarem o Seguro no elevador

Descartando a forte possibilidade de o encontro entre Passos e Seguro, ocorrido a 30 de Agosto, ter sido única e exclusivamente para discutirem o grave problema da falta de avançados no Sporting, então Seguro ouviu de Passos a boa nova de que daí por uma semana estaria de novo a chicotear a populaça, e que três dias depois Gaspar nos ia empalar em nome da cooperação entre empregados e seus carentes patrões.

Seguro teve uma semana para preparar a resposta a este tsunami de empobrecimento sobre o empobrecimento, a este espectáculo de descalabro político em queda-livre. E que fez? O que melhor sabe fazer, citando o Vega9000: calou-se e anda agora a fingir que vai fazer alguma coisa. Se ao menos lhe conseguissem marcar a consulta com o outro mestre da sonsice, sempre obteria umas fotos para mostrar ao País o que é um secretário-geral do PS sério, transparente e responsável. Até lá, há que esperar. Esperar violentamente.

Por favor, haja alguém que apanhe o Seguro no elevador e lhe diga que para ser responsável tem de começar por assumir as suas responsabilidades – sendo a primeira delas a de liderar a oposição.

“Que se lixem as eleições”?

Não foi há muito tempo que Passos nos procurou seduzir com tal desprendimento. Asneira dupla, pouco surpreendente vinda de quem vem. Não só as eleições são uma ocasião para aproximar as políticas dos desejos das populações, pelo que não lhes atribuir importância é governar potencialmente contra o país, como também o facto de a frase ser proferida por alguém que chegou ao poder através de eleições encerra em si uma contradição. Na realidade, o homem está a lixar-se para tudo menos para as eleições. Este violento pacote de austeridade, segundo o DN superior em seis vezes ao que é necessário para cumprir a nova meta do défice, mais não é do que uma tentativa desesperada de “despachar depressa este assunto do empobrecimento” para em 2015 haver margem para a propaganda. Pena que a burrice não pague imposto. Não só tudo isto está a ser um escândalo com consequências imprevisíveis, como também o resultado em termos de finanças públicas e de economia vai ser ainda pior do que o alcançado este ano com medidas, apesar de tudo, menos gravosas. Esta gente deve ser corrida quanto antes. Quanto foi afinal o défice deste ano? Não será que a Troika está a dar cobertura a uma fraude?

Não penses com os pés, faz caminho na tua cabeça

A 9 de Março de 2011, Aníbal António Cavaco Silva, discursando solenemente no lugar de honra da Mesa da Assembleia da República, pediu um sobressalto cívico na sociedade e que os jovens fizessem ouvir a sua voz. Disse que a política devia ser mais sadia, mais limpa, mais digna. Exortou os portugueses a despertarem e a fazerem uma grande mobilização.

Três dias depois iria realizar-se uma manifestação que começou por ser de jovens à rasca e que cresceu desmesuradamente por impulso das agendas partidárias para se transformar num Woodstock da oposição. Milhares e milhares de pessoas declaravam a sua intenção de participar pela primeira vez numa coisa dessas, milhares e milhares de profissionais dessas coisas preparavam as máquinas para encher a Avenida da Liberdade. Eis o que declarou um dos organizadores da coisa acerca do empurrão do coiso:

Alexandre Sousa Carvalho, um dos organizadores do protesto da “Geração à Rasca” convocado para o próximo sábado, ouviu “com agrado” o discurso presidencial.

As palavras de Cavaco, diz o jovem licenciado em Relações Internacionais são “um apelo” mas que é coerente com “aquilo que o próprio Presidente da República tem vindo a fazer desde o seu primeiro mandato”. Ou seja, o apelo de Cavaco a uma participação da sociedade civil na vida política nacional não é novidade mas, dado o actual contexto, é “com agrado que vemos que as pessoas – de esquerda ou de direita – se identificam com os motivos do nosso protesto”.

Continuar a lerNão penses com os pés, faz caminho na tua cabeça

As comunicações do Governo seguem a agenda futebolística?

Depois da conferência de imprensa de Vítor Gaspar, cada vez mais o cavaleiro de triste figura, e perante o coro de protestos e críticas, Jorge Moreira da Silva montou no seu burro e saiu em defesa de D. Quixote. E fê-lo da maneira mais delirante, ao jeito do seu cavaleiro. Que lhe ocorreu dizer? Que esta foi a quinta avaliação da Troika, a mais importante, aquela em que, lembram-se?, na Grécia, o programa foi considerado ter falhado. Ora, em Portugal não! Com grande orgulho o disse, em Portugal a Troika considerou a aplicação do programa um sucesso. Só isso já era um importantíssimo sinal de confiança. E porque não falhámos nós? Segundo se depreende das palavras do ministro horas antes, porque a derrapagem orçamental foi de 5000 M€, não se cumpriu a meta do défice, aumentou-se a dívida, empobreceram-se os portugueses, agravou-se a recessão, destruíram-se empresas, desagregaram-se famílias e os sacrifícios de nada serviram. Simples, portanto, não falhámos! Um autêntico sucesso. Falhanço, falhanço seria ter de anunciar um novo pacote de agravamento fiscal do mais violento e incompreensível de que há memória.

“A Comissão política nacional do PSD congratula-se com a quinta avaliação da troika. Foi precisamente na quinta avaliação da troika que a Grécia falhou. Por isso é uma boa notícia”, sublinhou o vice-presidente do PSD, acrescentando: “gostava que as pessoas soubessem que se assim não fosse teria acontecido a Portugal o que aconteceu à Grécia”.

Jorge, homem, o que é que aconteceu à Grécia? Uma bem-vinda reestruração da dívida e um reforço das medidas de austeridade uma e outra e outra vez… Nada a ver.

Cada um tem a coligação que merece

Houve um tempo, que parece ter sido há décadas, em que todos eram unânimes em considerar o consenso político entre os maiores partidos indispensável para que o País ultrapassasse a difícil situação em que se encontrava. Paulo Portas teve até a brilhante ideia de sugerir um governo de coligação entre PSD, CDS e PS. A coisa aparecia como uma solução mágica que resolveria todos os problemas. É claro que nesse tempo a resolução dos problemas era facílima e dependia só dos políticos portugueses já que não existia qualquer crise internacional, isso era só mais uma invenção de Sócrates, a verdadeira crise internacional só começou em Junho de 2011, como toda a gente sabe. Deve ter sido por causa dessa e de outras invenções ainda piores que Portas declarou que havia um grande obstáculo que impedia a execução desse plano milagroso: Sócrates. Mas Portas não se atrapalhou e vai daí sugeriu ao PS que mudasse de líder, o que no seu entender deve ter sido uma sugestão normalíssima. Afinal, estava em causa a salvação do País e governar o País a dois ou a três seria canja desde que, lá está, Sócrates saísse de cena. Isto apesar de Portas conhecer o PSD de ginjeira.

Entretanto, correu-lhe tudo de feição, chegou ao poder numa coligação não a três, como havia sugerido, mas a dois e meio, já que Seguro é o líder da oposição mais meiguinho de que há memória em Portugal e arredores, mas que mesmo assim não salva o PS de ser maltratado pelo Governo dia sim, dia sim, o que prova que a conversa do consenso político praticamente morreu no dia seguinte ao das eleições. E o que se tem visto de Portas neste quase ano e meio? O costume. Um parceiro de coligação do mais esquivo que se pode imaginar, a fazer o que já tinha feito no outro governo de coligação de que tinha feito parte, nunca dando a cara pelas medidas impopulares que os seus governos adoptam, aparecendo só quando lhe parece que pode tirar proveito, para ele ou para o partido, ou seja, é de uma deslealdade à prova de tudo.

Portanto, Portas tinha toda a razão, pelo que pudemos observar nos seis anos de governação socialista e pela lealdade que sempre existiu entre Sócrates e os seus ministros, de facto, aquele líder do PS não tinha lugar num governo de coligação com Portas, onde a incompetência está sempre garantida e em que a hipocrisia e a deslealdade são imagem de marca.

Banqueiro laranja foge aos impostos e ameaça pirar-se

Atenção Direcção-Geral de Impostos! Nogueira Leite acaba de confessar que do dia 1 de Agosto até 31 de Dezembro de 2012 foge totalmente aos impostos. Num texto publicado no Facebook, o ex-conselheiro de Passos Coelho, que fez um sacrifício enorme em ir para administrador da Caixa, confessa que durante os últimos cinco meses do ano corrente não paga impostos:

 “Em 2012 o meu dia de libertação de impostos foi 1 de Agosto. Ou seja, até esse dia tudo o que ganhei entreguei ao Estado.”

Solicito à DGI que verifique a veracidade desta alegação e que tome providências urgentes, pois no mesmo texto do Facebook o banqueiro ameaça pirar-se, não sabemos se da Caixa Geral de Depósitos se do país:

“Se em 2013 me obrigarem a trabalhar mais de 7 meses só para o Estado, palavra de honra que me piro, uma vez que imagino que quando chegar a altura de me reformar já nada haverá para distribuir, sendo que preciso de me acautelar.”

E porque não se pira já?

Comentando esta tomada de posição, Francisco Louçã escreveu, também no Facebook:

“Eu fico. Porque é preciso enfrentar o governo, correr com a troika, não desistir de recuperar os salários e as pensões.”

Afinal sempre fica. Já avisou o Semedo e a Catarina?

O inexistente

O que o governo se prepara para fazer com a TSU, mais do que tudo o que já tem feito até agora, do “ir além da Troika” que nos conduziu aos resultados desastrosos que estão à vista, entra já no domínio da engenharia social pura, do experimentalismo sobre uma população vulnerável, do testar de teorias académicas em ratinhos de laboratório, na certeira expressão do João Pinto e Castro. É talvez a medida mais grave que foi tomada até agora, já que propõe uma hipótese teórica e fantasiosa, incompleta, mal pensada, mal preparada e que vai afectar o equilíbrio do país nas próximas décadas como um facto consumado, algo que se apresenta de surpresa numa breve e atabalhoada comunicação. Confrontado com o falhanço da sua governação, governo e troika resolveram fazer um double-down da aposta para ver se desta vez é que é. Os americanos chamam a isto um “Hail-Mary pass”, uma jogada improvável nascida do desespero. Acontece que nesta jogada, nesta aposta muito, muito arriscada, as fichas de casino somos nós.

Desde a comunicação na última sexta-feira que um país completamente apanhado de surpresa entrou num debate (por assim dizer) como já não via há muito tempo, parecendo despertar do torpor do último ano. É uma questão que, por uma vez, uniu todos os sectores da sociedade na discussão furiosa e na rejeição quase unânime. Todas as forças vivas da sociedade, de constitucionalistas a sindicatos, de associações empresariais às pessoas na rua, todos têm alguma coisa a dizer, a criticar, a perguntar, a contribuir, numa dinâmica que tão depressa não se deverá esgotar.

E perante uma situação desta dimensão e gravidade, que faz António José Seguro, líder do principal partido da oposição? Aquilo que faz melhor: desaparece num passe mágico de irrelevância.

Continuar a lerO inexistente

Quem nos dera estarmos na situação que herdaste, Pedrinho

Não usaremos nunca a situação que herdámos como desculpa.

Passos, Junho de 2011

=

Confrontado com a posição do PS de que as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro ultrapassam todos os limites do admissível, Miguel Frasquilho disse ficar «espantado com essa posição».

«O PS parece esquecer-se que quem conduziu o país à situação de emergência financeira, económica e social foram os seus governos».

«Estas decisões foram tomadas entre o Governo e os representantes da ‘troika’ (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia). Portanto, ao PS ficaria bem um pouco de modéstia e que reconhecesse os erros que cometeu no passado», acrescentou.

Setembro, 2012

+

O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, disse hoje estar “espantado” com o “ataque cerrado” feito pelo PS ao Governo, afirmando que todos os portugueses estão à espera de “um pedido de desculpas” pela anterior governação socialista.

O ministro afirmou que, “ao longo deste ano”, o Governo da coligação PSD/CDS-PP “tem cuidado de salvar” o país e lançou uma crítica ao líder do PS: “Estranha-se agora que a cumplicidade que hoje não deseja ter com o Governo que luta para salvar Portugal tenha existido em relação a um Governo que em seis anos conduziu o país à bancarrota”.

Setembro, 2012

+

“Nenhum Governo gosta de dar más notícias, mas é da responsabilidade de um Governo que tem legitimidade, conferida pelos portugueses. E essa legitimidade também é da oposição, em particular do maior partido de oposição, que governou o país por seis anos”, reforçou Relvas.

O ministro Ajunto e dos Assuntos Parlamentares acrescentou que o actual Governo assumiu o país em crise, herdando uma situação gerada em anos anteriores pelos executivos PS. “Não nos peçam para fazer num ano aquilo que outros estragaram em seis”, completou.

Setembro, 2012

Revolution through evolution

That Giant Tarantula Is Terrifying, but I’ll Touch It: Expressing Your Emotions Can Reduce Fear
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Smokers Who Value the Future Are More Likely to Quit
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Brainy Beverage: Study Reveals How Green Tea Boosts Brain Cell Production to Aid Memory
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When Do We Lie? When We’re Short On Time and Long On Reasons
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Climate Change Attitudes Depend More on Ideology Than Education
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New Research: Overconfident CEOs Are Better Innovators
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Treatment With Fungi Makes a Modern Violin Sound Like a Stradivarius
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Exceptional Upward Mobility In The U.S. Is A Myth, International Studies Show
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Creativity Predicts a Longer Life

Borges, a eminência parva

Estamos de joelhos face ao BCE.

António Borges, Outubro de 2010

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Passos é verdadeiramente tonto. Por isso se presta a ser uma marioneta de Borges. Repete-lhe a cassete. Por isso andou pimpão a recusar qualquer ajuda do BCE na resolução da crise europeia só para vir agora reconhecer que a decisão de Draghi para a compra de dívida soberana é benéfica. E este Borges, em 2010, fazia activamente campanha pela capitulação de Portugal perante a lógica dos mercados. A direita partidária portuguesa alinhou com todas as suas forças neste propósito, sabendo que a ruína do País seria a salvação dos seus interesses.

Este general de uma ideologia onde reina a abstracção financeira não pode ter empatia, sequer simpatia, pelas consequências concretas dos ajustamentos económicos feitos a mata-cavalos. Nada do que venha a afligir as populações o irá afectar. No ecossistema protegido onde está e ficará, aconteça o que acontecer, o seu mérito mede-se pela violência com que conseguir atingir os objectivos numéricos. Quão mais rápido, mais violento. Quão mais profundo, mais violento. Quão mais violento, maior a glória.

Estar de joelhos face ao BCE ou estar de joelhos face ao Borges. É escolher de olhos abertos.

Anti-histamínico precisa-se com urgência

Os eleitores portugueses, e por inerência todos os cidadãos maiores de idade tivessem ou não votado, escolheram livremente ter na Presidência da República e no Governo fulanos que os enganaram à doida desde 2008 no acto mesmo de reclamarem a posse da “verdade”. Manuela Ferreira Leite transformou a maior crise económica internacional dos últimos 80 anos num “abalozinho”, o PSD reduziu a política ao abate de um homem enquanto enchia a opinião pública com uma avalanche de difamações e calúnias e Cavaco Silva, autor moral de uma inaudita e filha-da-puta conspiração gizada na Casa Civil contra um Governo, até 5 de Junho de 2011 desconhecia oficialmente a existência de qualquer problema na Europa e apelava a que se satisfizessem as exigências dos sábios e justos mercados. O plano resultou em pleno, tendo sido a dupla Passos-Relvas a realizar o sonho de Sá Carneiro: um Presidente, um Governo e uma Maioria para o laranjal. Assim que tomou posse, o Coelho saltou da toca cheio de raiva e desatou a fazer literalmente o oposto do que prometeu em campanha e no programa eleitoral. Perante a crescente devastação causada pelas suas favolas sôfregas, o povo foi calando e o Presidente da República foi consentindo. Como é que este fenómeno colectivo de inércia, masoquismo e falta de amor-próprio se explica? Que leva a que os portugueses prefiram ser enganados desta forma tão básica e tão obscena?

Se nos recordarmos do que aconteceu com Sócrates e seu Governo desde meados de 2007, constatamos que existiu uma santa aliança entre os partidos da oposição à direita e à esquerda e o Presidente da República, a que se juntaram feéricas a imprensa e a oligarquia. Isso levou a uma partilha de estratégias, todas equivalentes na intenção de explorarem o moralismo populista e não assumirem o papel do contexto económico e financeiro internacional. Os processos emocionais agressivos assim promovidos e deixados ao abandono levaram a situações de permanente violência mental (constantes campanhas de suspeições e deturpações na comunicação social, golpadas político-judiciais, hostilidade aberta de jornalistas sem ligação assumida a forças partidárias, incontáveis pregações de incontáveis profetas apocalípticos) e até alguma violência física (agressões a governantes à porta de escolas e não só, perturbação e boicote de acções partidárias socialistas). A mobilização conseguida não tem paralelo na história da democracia, tendo resultado em gigantescas manifestações de rua e no ódio dirigido ao bode expiatório perfeito, fetiche favorito de impotentes e decadentes, a causa de todo e qualquer mal sobre a terra: Sócrates, o guerreiro sanguíneo que apavorava os seus inimigos.

Os factos são os factos são os factos. Vivemos em democracia. Todos temos Internet no telemóvel, no emprego, nas universidades ou na casa do vizinho. A informação abunda, circula, é grátis. Existe liberdade de expressão. O PCP pode distribuir milhões de panfletos à porta do Metro que ninguém se intromete. O BE pode convocar uma ranchada de jornalistas para dizer o que lhe der na veneta. Qualquer cidadão pode fundar um novo partido. Qualquer macaco pode encher o Twitter, o Facebook, o seu blogue ou a parede de uma casa de banho pública com aquelas verdades que vão mudar o mundo. Não é, pois, por qualquer limitação à nossa liberdade que gostamos de ser enganados. Que preferimos ser enganados e explorados e gozados. É mesmo porque somos alérgicos à inteligência.

O estranho caso do parque de campismo

Recomendo por variadíssimos motivos, entre os quais a ousadia, o estoicismo e, apesar de tudo, o bom humor do jornalista Paulo Moura, a leitura desta reportagem publicada na revista do Público há mais de um mês e agora disponibilizada online. O jornalista foi desvendar os mistérios – a organização, as pessoas, as tendas, o aluguer dos espaços, os esquemas, as regras e tudo o resto – que se escondem por trás das grades do parque de campismo da Costa da Caparica, um espaço enorme e em local privilegiado, cuja frequência e acesso, falta de privacidade visível a olho nu, degradação e estranha perenidade sempre me intrigaram, a mim e tenho a certeza que a muitos lisboetas e turistas que por ali passam a caminho de outras praias, agora finalmente trazidos à luz do dia graças a este trabalho. Curiosidade satisfeita, obrigada ao jornalista pela belíssima reportagem.

É fácil de perceber a raiva que este PGR desperta nos pulhas

Com a algazarra do Processo da Roubalheira Em Curso, nem sequer houve cabeça para dar atenção a estas palavritas sem qualquer importância para a responsabilização política, a salubridade do espaço público e a defesa do Estado de direito:

Fernando Pinto Monteiro afirmou que, nos seis anos de mandato como procurador-geral da República (PGR), “nunca nenhum governante sugeriu o que quer que fosse” à Procuradoria, garantindo que “nunca houve pressão”.

“Desafio qualquer pessoa que diga o contrário. Nunca houve pressão”, assegurou Pinto Monteiro, em entrevista ao jornal “Advocatus” cuja próxima edição sai na segunda-feira.

Quanto ao facto de as pessoas falarem frequentemente da existência de pressões, o PGR justificou esses “rumores” com o facto de, em Portugal, se pretender “resolver problemas políticos através de processos judiciais”.

“Ações tão discutidas como a do Freeport, por exemplo, são processos políticos. Foi um processo que começou a partir de uma carta anónima fabricada, mas foi sempre político. Eu nunca mexi no processo e a única vez que falei com os investigadores foi para lhes dizer ‘investiguem tudo'”.

Segundo Pinto Monteiro, basta um órgão de comunicação social dizer que “este ministro é culpado” e “não adianta nada ir aos tribunais”, porque se os tribunais entenderem que o ministro não é culpado, é “porque houve pressão”, e se “a investigação não descobriu qualquer ilícito, é porque o Ministério Público [MP] é ineficiente”.~

“A conclusão tem de ser da comunicação social, mesmo que não tenha pés, nem cabeça. É tão simples como isto”, criticou Pinto Monteiro, observando que, se mandasse investigar todos os políticos sobre os quais recebeu queixas, “muito pouca gente em Portugal escapava”.

Pinto Monteiro frisa porém que “todo aquele que comete ilícito, seja governante ou não, deve ser responsabilizado”, mas o que não se pode é responsabilizar por decisões políticas, porque “senão é o fim da democracia”.

Depois de a ministra da Justiça ter dito à agência Lusa que o próximo PGR deve ser alguém que “ame o MP”, Pinto Monteiro disse à “Advocatus”: “Será que se pede ao PGR que ame o MP como se ama um filho ou uma mulher, que desculpe ao MP as asneiras como se desculpam a um filho ou a uma mulher? Se é assim, é mau”.

Na entrevista, Pinto Monteiro lamentou ainda que não haja respeito pelo segredo de justiça, enfatizando que, “enquanto os intervenientes da justiça telefonarem para os jornalistas e os jornalistas para eles, não há lei que valha”.

Pinto Monteiro nega que alguma vez tenha sido pressionado

A responsabilidade, segundo o PSD

O social-democrata Jorge Moreira da Silva desafiou o PS a apresentar «alternativas» que permitam a obtenção de dois milhões de euros ou então a ficar ao «lado do Governo». Em declarações à TSF, Jorge Moreira da Silva questionou se a alternativa do PS será o «aumento do IVA ou do IRS, a criação de uma sobretaxa, cortar o SNS ou atacar a escola pública».

«Há um outro caminho que é dizer que, sendo autores do memorando de entendimento das metas de consolidação orçamental, embora preferíssemos outro caminho, neste contexto estaremos ao lado do Governo», afirmou este vice-presidente social-democrata, numa referência aos socialistas. Com esta via, concluiu Moreira da Silva, o PS estaria a «assumir um sentido de responsabilidade, tal como, no passado, o PSD o fez».

Fonte

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Em conferência de imprensa, e depois da conferência de líderes parlamentares ter agendado para esta quarta-feira a discussão do PEC 4, Francisco Assis lançou um apelo ao PSD.

«O que se exige a um partido como o PSD, que legitimamente aspira a ser uma alternativa política de Governo, é que apresente no debate de amanhã as suas linhas de orientação alternativas», desafiou Francisco Assis. «E, para além disso, e a partir dessas linhas, se disponha a dialogar com o Governo tendo em vista a obtenção de um consenso que nos permita ter em Abril um PEC em condições de ser definitivamente apresentado às autoridades europeias», justificou.

Fonte

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José Sócrates e Angela Merkel pedem a PSD para “mostrar alternativas”, ao PEC que chumbaram, para que Portugal possa atingir as metas orçamentais com que se comprometeu, “acalmar os mercados e restaurar a confiança”.

No final da cimeira da União Europeia, Angela Merkel afirmou que tanto o Governo, como a oposição “devem tornar claro publicamente que medidas propõem implementar para que os objectivos sejam atingidos de forma diferente”.

José Sócrates acrescentou que “os partidos têm de apresentar alternativas e esta é a hora de o fazer. Só assim contribuem para a credibilidade do País”. Chumbar o PEC sem mostrar alternativas “Não basta”.

Fonte

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Para melhor se perceber o que significa no discurso deste PSD a palavra “responsabilidade”, tomai e lede:

escrito no pedro (memória da memória)

O enterro de Portugal

Uma cegada tradicional portuguesa organizada em Agosto em Guimarães, berço da nacionalidade, acabou na demissão do comandante da GNR de Braga. O enterro de Portugal, num caixão feito por medida (video aqui), tinha sido apoiado pela Capital Europeia de Cultura 2012 e contou com a participação de um aprimorado grupo de militares da GNR armados de espingardas, por sinal disparadas para o ar no final de féretro da falecida nacionalidade.

As ótoridades iam tendo um fanico e, não havendo verba para bombardear Guimarães, demitiram de imediato o comandante da GNR da região. Ainda não foi divulgada justificação oficial da demissão, mas, de facto, não se pode deixar que se espalhe a notícia do falecimento de Portugal. Imagine-se que a troika sabia…

Post-scriptum:

A GNR participa todos os dias em procissões da Igreja católica por esse país fora, apesar do regime vigente de separação entre o Estado e a Igreja, mas pelos vistos não pode participar num acto cultural. Afinal é a cultura que está separada do Estado, não a Igreja?

O medo de criticar

O Público cedeu ontem duas páginas ao historiador Diogo Ramada Curto para fazer o balanço da polémica Loff-Ramos. Foi de bom augúrio a escolha de um verdadeiro historiador e investigador para comentar a troca de galhardetes entre dois militantes políticos que escrevem sobre história contemporânea. Sabia-se de antemão que Ramada Curto torce o nariz (é dizer pouco) a obras como as dos historiadores Ramos e Loff. A coisa prometia. Quebrando uma jura, fui levado a investir 1,60 € na compra de um exemplar do jornal de Belmiro de Azevedo – o tal que se ri dos que querem “mandar” politicamente no seu pasquim “sem pôr lá dinheiro nenhum”.

Pois bem, o artigo de Ramada Curto é uma relativa desilusão. Apostando numa alegada “serenidade académica” que, me parece, o faz abdicar da sua própria sinceridade académica, Ramada Curto declara-se pouco interessado em abordar os pontos quentes da polémica – a questão do “branqueamento” ou não do salazarismo e a questão do fanático e estapafúrdio denegrimento do republicanismo e da 1.ª República por Rui Ramos na sua parte da História de Portugal. Em lugar disso, afirma ser necessário recentrar o debate sobre essa obra de que Ramos é co-autor. Ramada Curto recusa, pois, entrar nos temas concretos da polémica suscitada entre Loff e Ramos, mas aproveita a ocasião para falar do que lhe interessa e tentar erguer, ao mesmo tempo, um modelo de debate alegadamente despolitizado, centrado em “aspectos analíticos”. Dito de outra maneira, Ramada Curto propõe-se analisar uma obra politizada e de fins políticos recentrando a atenção em aspectos criteriosamente seleccionados para evitar uma execrável politização do debate, a que ele chama “mera guerra de bandeiras à esquerda ou à direita”. Como se a própria politização de uma obra de história não fosse susceptível de ser estudada ou analisada.

Ramada Curto escolhe, assim, livremente um único tema da obra de Ramos, a guerra colonial, para em torno desse assunto tecer um punhado de considerações críticas que oferece à comunidade dos historiadores como modelo da boa e necessária crítica, que, segundo ele, tem estado ausente do panorama académico nacional. As críticas que tece à obra de Ramos são todas certeiras, valha-nos isso. Pelo tema que seleccionou para servir de modelo (a guerra colonial), adivinham-se as críticas que Ramada Curto poderia fazer às tais teses de Ramos sobre o salazarismo e a 1.ª República. Adivinham-se só, pois não as faz. O que causa mais perplexidade é que o próprio Ramada Curto denuncia neste artigo do Público o “medo de criticar” que segundo ele existe no mundo académico português. Será que Ramada Curto tem medo de criticar a politização de direita da obra de Rui Ramos? Ou terá medo de ser emparceirado com Fernando Rosas no campo esquerdista apoiante de Loff? O medo raramente é bom conselheiro…