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A “fraude” de Trump afinal de onde vem?

Trevor Noah tem uma rubrica a que chama “If you don’t know, now you know“, em que, sempre com piada, esclarece certos assuntos que muita gente pode desconhecer. Aqui, é sobre o QANON:

Com a mesma intenção, mas desprovido de qualquer piada, aqui deixo um artigo da BBC sobre a estratégia muito contemporânea, da alt-right, há muito montada por Trump para ganhar e/ou desacreditar uma possível vitória do seu adversário.

The deep roots of Trump’s ‘voter fraud’ strategy

Está em inglês, claro. Peço desculpa a quem não percebe, mas hoje em dia pode-se pedir uma tradução rápida ao Google.

 

E competência para entrevistas?

 

Deve haver uma explicação para o facto de Miguel Sousa Tavares fazer entrevistas a políticos, apesar dos excelentes jornalistas e pivôs que asseguram os jornais da TVI. Desconheço qual seja. Mas o facto é que não resulta. Na semana passada, na entrevista a António Costa, o Miguel optou por um tom agressivo de confronto pessoal completamente deslocado, mais parecendo um juiz a censurar um qualquer meliante em sala de audiências. No final, pensei que o que esta espécie de jornalistas está a pedir são políticos do tipo Bolsonaro, Trump ou André Ventura, ou seja, basófias, aldrabões, malcriados e fala-baratos, para se porem em sentido e deixarem a arrogância. Está visto que, com seriedade, condescendência e boas maneiras, não se vai lá, não se dignifica nenhuma função de soberania ao responder a entrevistas destas, porque o que prevalece no fim é o tom acusatório. E se havia esclarecimentos, informações úteis e planos a obter do entrevistado, que por acaso era o primeiro-ministro!

 

Nem de propósito, ontem seguiu-se o Ventura (parece que é o primeiro da série de candidatos à Presidência da República a entrevistar). Miguel, subitamente o cordeirinho (por comparação), nervoso até, por vezes, não só não se tinha preparado devidamente para a tarefa, já que nem o lindo programa do Chega! se dignou trazer para a mesa, como deixou que o basófias-mor debitasse as maiores mentiras e o maior palavreado superficial praticamente sem qualquer objecção, mero questionamento ou aprofundamento. Achar que é boa ideia, para confrontar o entrevistado com o seu racismo e sobretudo o dos seus adeptos, perguntar-lhe se tinha amigos pretos é de um ridículo sem medida, um presente oferecido de bandeja. Teria sido melhor questioná-lo sobre os amigos brancos, não acham?

O tema dos ciganos foi uma mera oportunidade para o dito cujo explanar toda a sua demagogia, apenas se tendo ouvido muito de passagem, lá pelo meio da algaraviada do Ventura, o Miguel a dizer que os esquemas dos ciganos são igualmente os esquemas de muitos não ciganos. Mas mal se ouviu. E será que a população prisional é maioritariamente cigana em percentagem de membros desta etnia na população em geral, como disse o Ventura? O tema do aborto, por exemplo, foi deixado cair mal fora mencionado. A questão dos propósitos ditos “antissistema” do partido ficaram-se pelo Parlamento e pela redução do número de deputados. É isso o “antissistema” do Ventura?? O entrevistador ficou satisfeito com essa redução ao mínimo risível do antissistema? O “antissistema” devia ser uma coisa em grande! E o que está o Ventura a dizer quando diz que “os políticos nos andam a roubar há 40 anos”? Saberá o Miguel qual era a profissão do Ventura?

E os partidos no quadro europeu e internacional com que o Ventura se identifica? Foi discutida essa problemática? Claro que não. E a semelhança do discurso deste homem com o do Trump, por exemplo? Que teria ele, o Ventura, a dizer? Podia ou não o Miguel ter preparado um vídeo com declarações e proclamações do Trump exactamente iguais às do Ventura (ver última parte da entrevista)? Claro que podia, porque era evidente que ele viria com a conversa de que não tem medo de dizer tudo o que lhe vem à cabeça, insultos incluídos, “cara a cara”, como “o povo”, ou seja, os comentadores de café, num desbocamento totalmente igual ao desbocado americano. Mas não. Por isso, achei o entrevistador muito censurável.

 

Com o Ventura, meus caros, um caderninho com questões muito precisas para ele responder, nenhum afastamento desse guião e vídeos para o confrontar com as próprias tergiversações e contradições e fica o ambiente mais limpo no final. De nada. Da minha parte, é tudo.

O charlatão e o próximo golpe

 

Trump acaba de demitir o ministro da Defesa (numa altura destas, que devia ser de transição pacífica do poder) e de politizar completamente a Justiça, através de ordens dadas (e aceites) ao Procurador-Geral. Está, portanto, a desenhar-se um golpe. Qual? Esperemos para ver a qualquer momento. É isto a que conduz o charlatanismo, o populismo e a vigarice nos mais altos cargos políticos.

 

Eis o que escreveu certeiramente no Twitter o antigo ministro do Trabalho dos Estados Unidos.

 

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Chega vs. PCP/BE – vamos lá sem filtro

Anda muito acesa a discussão sobre o acordo celebrado entre o PSD e o Chega com vista à formação de um governo nos Açores. A resposta de quem apoia esse acordo às críticas do PS e de alguns militantes do PSD consiste em fazer equivaler o PCP e o BE – considerados a “extrema-esquerda, mas comprometidos com um governo do PS – ao Chega – considerado a “extrema-direita”, assim justificando e desdramatizando esta nova aliança.

Se querem saber a minha opinião, eu acho que os regimes defendidos pelo PCP foram e são efectivamente ditaduras, historicamente repressoras das liberdades, niveladoras por baixo (ou seja, sistemas em que toda a gente é remediada ou um pouco pobre, sem hipóteses de ambições individuais, com uma consequente estagnação económica e científica e pouca inovação), excepto para a camarilha que ocupe o poder e os seus lambe-botas, que vivem invariavelmente bem – ver a ex-URSS, a Rússia actual, não comunista, mas sua herdeira, a actual Coreia do Norte e Cuba. A brutalidade de Stalin veio pelo meio coroar de violência um regime já de si ditatorial à partida e por natureza – chamassem-lhe ou não “ditadura do proletariado”. Entretanto, essa violência ficou para sempre registada e a História avançou.

Hoje em dia, será o PCP uma ameaça real à democracia? Com a maioria dos partidos comunistas praticamente extintos na Europa ou transfigurados, ou passados para ideologias de direita, as teorias que os poderiam levar ao poder estão totalmente desacreditadas. É uma impossibilidade, à hora actual, um partido comunista ou alguém que se intitule comunista assumir o poder, chegar ao poder por meio de alianças e muito menos tomar o poder por alguma qualquer revolução. Não há simpatia, não há apoios. Só por isso, que já é muito, o PCP não representa qualquer perigo para a democracia. Neste momento, em Portugal, e lembro que é praticamente o seu último reduto, limita-se a controlar alguns sindicatos, sobretudo na função pública. E também por isso, qualquer acordo de governo com estes 6% do eleitorado mais não incidirá do que em “direitos laborais”, dinheiro para a função pública e no acautelamento da relação de força em alguma autarquia. Os comunistas não representam hoje em dia mais nada. Servem ainda e porém para nos lembrar do obscurantismo e da violência do regime de Salazar, a última ditadura que nos foi servida. Mas nisso não são os únicos.

 

Já o mesmo não se pode dizer do Chega e dos seus aliados a nível internacional. Sem espaço nem tempo para escrever aqui um compêndio sobre o ressurgimento da extrema-direita na Europa e na América, digo apenas que os discursos populistas são hoje em dia bem deglutidos por uma boa parte da população. Nuns sítios mais por uns motivos (imigração muçulmana), noutros mais por outros (racismo histórico latente, excessos dos esquerdistas e do politicamente correcto, ocupação do “centro” político democrático e do centro-direita pela esquerda dita “socialista”), a verdade é que a incultura generalizada trazida à tona de água pelas redes sociais, nelas orgulhosamente verbalizada e explorada por oportunistas encartados contribui para a formação de hordas de energúmenos que se mostram dispostos a seguir a conversa de qualquer badameco bem falante (e às vezes nem precisa de o ser – é só ver o Trump) que se proponha “mudar o regime”, “acabar com os corruptos”, “defender os nossos valores cristãos”, ou fazer a “America great again”, etc., etc. Por isso sim, o Chega e os seus amigos, como o Front National da Marine Le Pen, são uma ameaça à democracia e à paz interna. Ancorados na tal horda de ignorantes e de puritanos e falsos puritanos incomodados com os “excessos de liberdades”, eles visam tomar o poder e, uma vez lá chegados, perverter as instituições democráticas, passando a controlá-las em seu favor. Olhemos o Trump, senhores! Os seus apoiantes são o Orban da Hungria, o Erdogan, da Turquia, o Bolsonaro e quejandos. Todos no poder. É perigoso dar a mão e palco a esta gente? Claro que é. Pois é isso que o Rui Rio acaba de fazer.

Repararam com certeza que não mencionei o Bloco. Resolvi omiti-lo desta equação, porque o Bloco para mim não é nada de enquadrável ideologicamente e está muito longe de ser uma ameaça para o regime democrático. São uma súmula e uma amálgama dos antigos grupúsculos de extrema-esquerda entretanto irrelevantes, transformados numa espécie de comunistas mais fofinhos e libertários, sem o histórico sério e pesado do PCP. Na Grécia, chegados ao poder através do Syriza, depois do desmoronamento do PASOK, governaram como qualquer bom europeu depois de terem percebido que quase nenhum dos seus governados queria abandonar a União Europeia. Portanto, o Bloco é mais conversa. Conversa que pode ser útil para o PS português, por exemplo, se os tiver como aliados, nos ataques à direita decadente. Calma, pode parecer que lhes estou a chamar idiotas úteis. Então, mas não chegaram ao poder na Grécia? Sim, chegaram. Por isso, vai daqui um “piqueno” elogio: direi que podem ser um “PS sobresselente” e, mesmo assim, são precisas circunstâncias.

Os comentadores e a TAP – comentário aos comentadores

Disse o ministro Pedro Nuno Santos, em entrevista à SIC (Jornal das Oito, ontem), visivelmente sentido com alguns comentadores e jornalistas (o homem é bastante genuíno) que o acusaram de dar uma imagem da situação financeira da TAP às instituições europeias pior do que as boas negociações aconselhariam (os resultados operacionais, diz uma comentadora, olha, os resultados operacionais),  que não basta exigir-se rigor aos políticos, que os jornalistas e comentadores também estão obrigados a informarem-se antes de emitirem opiniões. E tem toda a razão. Provavelmente aborrecidos com a monotemática e omnipresente Covid-19 e a quase unanimidade que convoca, a ânsia de agarrarem um tema, finalmente, de grande potencial político leva-os a um chorrilho de críticas sem nexo, incongruentes e levianas, que só o entusiasmo com o desconfinamento temático e a ideia de luta explicam. Toda a noite televisiva de sexta no cabo foi isto. A Ana Lourenço também estava nessa. Nada que lhe custe, diga-se.

 

De repente, não só muitos deles passaram a achar que a situação da TAP pré-pandemia não era tão má assim (Helena Garrido e outros), como chegam ao ponto de dizer que o David Neeleman devia ter ficado porque era o único que percebia de aviação (se não me engano, o Conraria, sempre em busca da originalidade – estranhamente a substituir o comentador do Bloco no duo da RTP3, “em confronto” com o Pedro Norton). O Neeleman, pasme-se, esse que andava já há tempos a ver se se ia embora. Espera, possivelmente queriam que o empréstimo do Estado fosse dado graciosamente ao Neeleman. God help me. Isto ao mesmo tempo que dizem que bom, bom era deixar falir a companhia e depois criar uma outra de outra dimensão, etc. e tal. Tudo fácil. Como se essas operações não demorassem anos e anos nos tribunais (ver a Sabena e a Swiss Air), e entretanto não fossem empregos e empresas dependentes da TAP à vida, uma fatia da economia à vida numa altura como esta, e como se o sector da aviação não estivesse no charco neste momento em todo o mundo como nunca antes na sua história (se mais nada houvesse, que fariam aos aviões?).

 

Apesar do que dizem, eu gostaria muito de saber o que fariam se estivessem no governo e qual o governo que decidiria numa crise como a que se vive hoje extinguir pura e simplesmente a TAP. É verdade que ninguém obriga ninguém a escolher a vida política e que o próprio ministro Pedro Nuno declarou ter perfeita consciência de que governar é decidir e estar preparado para a luta – contra interesses vários, contra o mau jornalismo, contra os maus comentadores, contra a manipulação dos incautos, contra os jogos políticos. Mas estes arautos da desgraça, que dizem que a partir de agora vai ser tudo péssimo – desde o CEO transitório (um “boy” pela certa) até à nova administração profissional, que “não terá sensibilidade quanto ao que a TAP representa” (ouvido ontem do mesmo que queria que a TAP caísse), passando pelas negociações com os sindicatos (é o fim do Costa) e pela possibilidade de um novo Novo Banco – igualmente criticariam a extinção da TAP e a intensa litigância jurídica que se seguiria, caso tivesse sido essa a decisão e, nessa eventualidade, seriam eles a dizer o que o ministro agora diz em defesa do papel da companhia em várias vertentes da vida nacional. Ah, alguns continuariam a defender o Neeleman. Haja paciência. Tive que mudar de canal, sempre.

 

Enfim, o mercado dos pontos de vista de quem não tem que governar é sempre florescente e bem pago quando há problemas difíceis de resolver. Penso que a ideia deste governo é aguentar a TAP nesta crise generalizada, reduzindo temporariamente a sua dimensão, preservando os postos de trabalho necessários e a manutenção das empresas dos vários ramos que dependem da TAP e, mais tarde, eventualmente, associá-la a um consórcio europeu já sem o Estado nos seus órgãos sociais. Penso eu, comentadora que sou. Mas há que ser forte. Pedro Nuno, vamos a isso!

Pedro Nuno Santos, ele mesmo, ontem:

Exactamente (racismo)

Deixem as estátuas em paz

(artigo de Lourenço Pereira Coutinho, no Expresso)

E ainda:

Notas sobre racismo (eu)

 

No meio de toda a agitação que para aí vai a propósito da violência exercida sobre um negro norte-americano à vista de toda a gente, e que acabou por matá-lo, e sem questionar sequer que possa existir em muitas pessoas (incluindo polícias) um preconceito em relação aos africanos ou seus descendentes, várias perguntas me vêm à baila à boleia do questionamento da história da relação do Ocidente com África que se seguiu e sempre se segue às manifestações anti-racistas:

 

  1. Os afro-descendentes que aliam a justíssima reivindicação de um tratamento justo, igualitário e digno nas sociedades ocidentais onde vivem ao propósito de condenarem e quererem apagar o passado histórico dos “brancos”, gostariam do quê? Que o tráfico negreiro nunca tivesse acontecido e os seus antepassados tivessem permanecido escravos nos seus locais de origem? É que, se vamos analisar a história do tráfico de escravos pelo Atlântico, então será preciso reconhecer que nem os portugueses nem os ingleses, nem nenhum outro povo que se tenha dedicado ao comércio de escravos naquela altura, se aventuravam pelo interior de África em busca de pessoas para capturar, escravizar e transportar (pelo menos inicialmente e durante muitas décadas), nem foi esse o objectivo da expansão marítima portuguesa. Essas pessoas, já feitas escravas segundo as leis da sobrevivência e da guerra vigentes na altura em quase todo o continente africano, eram-lhes trazidas à costa por africanos em troca de outras mercadorias. No entanto, não vejo qualquer revolta contra os dirigentes africanos de então nem tentativas de identificação dos mesmos. Não será isso um pouco o reconhecimento da superioridade dos brancos, que por isso teriam obrigações que os chefes africanos não teriam? Não é isso aberrante?

Não, não estou a dizer com isto que até foi uma bênção os africanos terem sido levados dali para fora e que deviam estar agradecidos por isso. Seria estúpido, sobretudo atendendo ao carácter  nada voluntário das viagens e às condições desumanas de transporte. Possivelmente, o que os agora revoltados gostariam é que os seus antepassados pura e simplesmente passassem a homens livres mal entrassem no barco e lhes tivesse sido oferecido um contrato de trabalho justo e habitação condigna no destino – segundo os padrões actuais. Sabemos que não foi isso que aconteceu. Porém, sabemos também que não teria sido possível que as coisas se passassem assim naquele tempo. E porquê? Se mais nenhuma razão houvera, nomeadamente os valores bem diferentes da época, basta a de que nem entre “brancos” as relações laborais eram justas! Muito pelo contrário. Quantos miseráveis embarcavam nos nossos navios de então? Não eram escravos, mas muitos dos que ficavam em terra a labutar nos campos era como se fossem. Além de que também os antepassados dos “brancos” foram escravos e durante muitos séculos, antes, durante e depois do império romano. Vamos derrubar o templo romano de Évora?

 

  1. Embora tenha todas as reservas quanto ao questionamento do passado colonialista de alguns países à luz das condições e dos valores e conhecimentos de hoje (e não esquecer que os EUA brancos começaram por ser uma colónia britânica), apoio 100% a luta contra as discriminações raciais na sociedade. A cor da pele não pode de maneira alguma ser motivo para considerar um outro ser humano inferior, prejudicando-o. Mas eu pergunto se, na América, a polícia só é violenta para os negros. E sei a resposta: não é. Basta lá ter vivido uns tempos. A polícia é violenta em geral e a esse facto não pode ser alheia a liberdade de porte de armas pelos civis. Está tudo de acordo, diria eu. Os negros são apenas os mais pobres, mais vigiados e mais facilmente apanhados. Mas, por outro lado, há milhares de polícias negros nos Estados Unidos. Serão todos brandos? Será que nenhum homem branco morreu devido a maus tratos de polícias também brancos descontrolados e cruéis? Já aconteceu com certeza. E é péssimo. É inaceitável. O polícia que assassinou George Floyd deve ir preso e, de preferência, não sair mais da cadeia. Mas mantenho as minhas perguntas.

 

  1. Interrogam-se alguns comentadores da nossa praça, escandalizados, por que razão não vemos afro-descendentes nas nossas televisões, no Parlamento, etc. Também penso que devia haver e tenho pena que não haja. Mas não vou tão longe ao ponto de considerar que essas pessoas não estão lá porque alguma força social as impede, como uma discriminação na hora das entrevistas de emprego ou nas inscrições em partidos políticos, como parecem sugerir os que assim se indignam. É evidente que os imigrantes das ex-colónias não vieram para Portugal por serem ricos. Demora muitos anos e algumas gerações até que a melhoria das condições de vida e a educação produzam frutos. O que não quer dizer que já não tenham produzido. Há em Portugal excelentes músicos e, seguramente, excelentes técnicos noutras áreas, de origem africana. A discriminação tem muitíssimo a ver com a pobreza e essa é a razão pela qual há mais negros nas nossas prisões. Nas lojas da Avenida da Liberdade não consta que haja racismo.

 

  1. Em suma, as discriminações em função da cor da pele devem acabar e a luta deve ser permanente nesse sentido. Mas aproveitar a luta para uma minoria ajustar contas com o passado dos chamados “brancos” (viemos todos de África, senhores) em jeito de punição, como se os chamados “negros” tivessem tido antepassados imaculados e fossem apenas vítimas dos que lá aportaram, isso é que já não. O Rui Rio não terá razão quando diz que não há racismo em Portugal, mas tem razão quando sugere que os exageros da turbamulta, nomeadamente a destruição selvagem de monumentos, farão muita gente olhar para os afro-descendentes com olhos pouco amigáveis e até com alguma revolta, a que alguns chamarão “racismo”. É pensar nisso.

No fundo, marcelices

Quanto ao que ontem se passou com Mário Centeno, António Costa e, “who else?”, Marcelo, a análise do Anselmo Crespo (ver abaixo) é a que, para mim, faz mais sentido e a que defendi cá por casa. Centeno esteve bem sempre, excepto quando e se não lembrou a Costa a tranche para o Novo Banco antes do debate no Parlamento; Costa não esteve, em bom rigor, bem, mas isso foi muito antes da resposta a Catarina Martins no Parlamento agravada com o pedido de desculpas (política “oblige”), pois sabia bem o que está no contrato de venda do NB (mas enfim, os tempos são complicados e exigentes e compreende-se a distracção); e Marcelo esteve mal, como quase sempre quando não controla a vontade de intervenção nem pensa nas consequências. Neste caso também porque se sentiu vaidoso com o apoio inesperado do Costa.

É ler:

Como Marcelo ia provocando a demissão de Centeno mas depois ligou a falar num “equívoco”

Dupla de coisas que se passam

  1. Não é uma coisa má as criancinhas não irem já todas para as creches

 

Ao contrário do que insinuam alguns títulos de jornais, que será precipitado abrir as creches já na próxima segunda-feira, porque a maioria dos pais não tem confiança suficiente para lá deixar as criancinhas, o facto de irem menos crianças só ajudará a que a segurança seja maior e mais fácil de assegurar para as que forem e, consequentemente, a que a confiança para daí a quinze dias aumente. Um processo previsível e naturalmente previsto e que se autorregula, sendo também por isso que os salários de quem fica em casa devido aos filhos pequenos é pago até ao final de Maio, mas já não a partir de Junho. Por isso, não vão? Ainda bem. Era o que se esperava.

 

2. O Ventura  é um charlatão com ideias nazis

 

Que o André Ventura é um facho que vê uma oportunidade no ar do tempo, que é o dos energúmenos ao poder, não tenho muitas dúvidas, tanto mais se atendermos às pessoas de quem se rodeia. Só ainda não percebi se é um total ignorante e inculto que polui o discurso público com comentários e propostas supostamente diferentes e chocantes de tão ignorantes, ou apenas um farsante que se aproveita da ignorância e do obscurantismo de muita gente para ganhar votos e poder. Também é verdade que as duas coisas não são incompatíveis. O que ele publicou hoje no Twitter sobre Fátima é de antologia – antologia do populismo mais nojento e primário. Disse isto (com imagem e tudo):

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Ou de como a religião é invariavelmente aproveitada (e explorada e até criada) para satisfazer interesses de poder. Sim, porque todos nós acreditamos na profundíssima religiosidade, no profundíssimo mundo espiritual do André Ventura.

Dados que gostaria de ouvir no próximo boletim

Nestes tempos insólitos e incertos, muita gente aguarda com ansiedade os comunicados diários da DGS sobre o evoluir da epidemia em Portugal. A directora-geral, Graça Freitas, parece muito competente, informada e sabedora do que fala. E fala de maneira clara. Assim, ficámos ontem, por exemplo, a saber que, dos 1280 infectados, apenas cerca de 160 estão internados e, desses, 35 encontram-se nos cuidados intensivos. Uma situação preocupante, mas ainda gerível, diria eu. Quer isto dizer que a esmagadora maioria (cerca de 1000) das pessoas infectadas está a tratar-se em casa. Boa notícia. Ao mesmo tempo, é-nos dito que apenas 5 recuperaram – cinco doentes! Ora bem, é aqui que reside o problema. Esses cinco, presumo eu, pertenciam ao número dos internados. Mas, e os que foram para casa curar-se? Será que não apresentam melhoras, coitadinhos? Já cerca de mil pessoas adoeceram, algumas já há mais de 15 dias, e nós não sabemos quantos já estão bem e quantos em franca recuperação. Parece-me que essa informação teria grande interesse pela nota de optimismo que difundiria.

 

Admito que haja quem pense que, nesta fase de confinamento e restrição severa de contactos, ou seja, de grande sacrifício, não é aconselhável transmitir mensagens demasiado positivas devido ao receio de que as regras sejam desprezadas, mas que diabo. A ideia de que, deste sufocante milhar e meio de fulminados apenas cinco se salvaram (parece que hoje já são 20), é falsa e uma impossibilidade. Os números bons também têm direito a sair.

“Enquanto do lado da acusação há um deserto” – diz este ridículo

A propósito da advertência do juiz Ivo Rosa aos advogados sobre a utilização dos telemóveis nesta fase de instrução do processo Marquês, o Tavares, João, do Público, não perde tempo a extrapolar e diz hoje que o Sócrates andou estes cinco anos a ser defendido em tudo o que era órgão de comunicação social por ambiciosos advogados, os autores indiscutíveis das fugas de informação, e que, da parte da acusação … nada. Nada, ouviram? E insurge-se e delira. Como é que a acusação se deixou comer assim? É que nem ele próprio, João Miguel, disse nada este tempo todo, porque, coitado, só dispunha das versões dos advogados.

Mas como é que esta criatura escreve num jornal que se quer sério? (É verdade que já anda com uma perna, ou as duas, no Observador)

 

Ler para crer:

 

“Como os advogados não têm grandes limitações para discutir processos na televisão — ao contrário dos juízes ou dos magistrados do Ministério Público —, a paisagem mediática está empapada de gente que ganha a vida a defender acusados (e a autopromover-se dessa forma), enquanto do lado da acusação há um deserto. Isso produz um enorme viés quanto às responsabilidades pelas fugas de informação, invariavelmente retratadas como maldades cometidas por polícias ou magistrados que querem fazer justiça nos jornais (porque lhes faltam provas em tribunal, claro), como se os advogados não se fartassem de furar o segredo de justiça e os seus deveres de sigilo.

Espero que a sabatina do juiz Ivo Rosa tenha tido ao menos o mérito de mostrar que os advogados de defesa, sobretudo em casos desta importância, são os primeiros interessados na manipulação da opinião pública.”

 

O felizardo do Sócrates. Tanta gente a defendê-lo. Ficou com uma imagem óptima e nem ele sabia. Pasquins em Portugal? Programas de humor? Hã, surpreende-se o Tavares. Mas que pasquins? Que programas de humor? Que Tânia, que Felícia? Elas nem estão agora nos interrogatórios! Mas que farsante.

 

Já agora, só para esclarecer: procuro ser objectiva em relação à questão Sócrates, de cujo governo fui apoiante, e por isso me tenho mantido calada. Não gostei, e não gostei mesmo nada, das entregas de dinheiro vivo, que ele não negou, e que eu gostaria de ver justificadas, nem que fosse com candura, o que não tem de todo acontecido, mas, quanto ao resto, nomeadamente as luvas mirabolantes que o procurador diz que ele recebeu do Ricardo Salgado, ou por via dos negócios da CGD, da PT, ou do grupo Lena, gostaria que quem acusa provasse o que diz, porque são acusações demasiado graves. Até agora, não consta que o tenham feito. Não basta uma narrativa fazer sentido, até porque esse é, entre outros, o trabalho de romancistas, não de agentes judiciários. E por acaso até penso que a narrativa da acusação não faz muito sentido, porque há nesta história um amigo que é, e já era, objectivamente rico mas cuja riqueza, por algum passe de mágica, passou a ser do Sócrates, o que o deixa sem nada. Eventualmente um caso de maus romancistas. Haveremos de saber.

Se se quer mandar um indivíduo para a cadeia, convém que se demonstre a prática de crimes. Pode até ser que sim, que o Sócrates fosse mesmo um génio e conseguisse habilidosamente conjugar as funções de primeiro-ministro, ainda por cima em período muito conturbado, com a de inventor de esquemas complicadíssimos de circulação e ocultação de dinheiro e a toda a hora e com cumplicidades em todo o lado. Parece-me difícil, mas, lá está, há pessoas geniais e sobredotadas. O juiz Ivo Rosa tem “o bicho” à frente e a papelada toda. Tem muito que avaliar. Eu fico à espera. O Tavares devia fazer o mesmo. Só que lhe pagam para fazer o contrário. Conspurcar. E depois são os advogados.

 

 

A questão pós-eleitoral que verdadeiramente interessa

Haverá, nos próximos quatro anos, alguma possibilidade de toda a oposição (120 deputados, direita e esquerda) se coligar para mandar o Governo abaixo? Se há, o PS será obrigado a ceder a algumas exigências à sua esquerda, resta saber quantas, para conseguir garantias de estabilidade. Se não há, é lidar com os pequenos entraves, gerir a responsabilização por uma eventual crise e seguir para bingo.

 

Análise geral da situação

 

Percebe-se por que razão António Costa não só não pediu maioria absoluta como também disse, em campanha, que lhe parecia que os portugueses não gostavam de maiorias absolutas. Tratou-se de um um incentivo algo decepcionante à distribuição de votos, em seu próprio prejuízo. Mas percebe-se, porque, ao fim de quatro anos de pacto de não agressão e de apoio do Bloco e do PCP, soaria algo agressivo defender que “tudo muito bem, obrigadinhos, amigos, mas agora dispensamos empecilhos e vamos querer governar sozinhos“. Essa atitude suscitaria automaticamente da parte desses partidos insinuações, quando não acusações, demagógicas de “mal agradecido”, a que muitos eleitores facilmente adeririam e que prejudicariam o PS, considerado nessa base um partido abusador e sem ética. E digo “demagógicas” porque tais insinuações não teriam todo o fundamento necessário uma vez que eles próprios também obtiveram, graças à geringonça, vitórias, experiência e um acréscimo de importância, que guardarão como boa recordação e da qual será difícil prescindir. Costa não podia, pois, pedir maioria absoluta. Sabia as condicionantes futuras da formação da “geringonça”.

 

Ora bem, não pedindo maioria absoluta (não porque não a quisesse), Costa não a teve. Mas poderia ter tido, ou poderia ficar apenas a depender do PAN e do Livre, um partido europeísta (contrariamente ao Bloco), para conseguir uma maioria no Parlamento, se o Ministério Público não entendesse por bem vir provocar um “chinfrim” sobre Tancos em plena recta final da campanha. O certo é que veio, e os hipotéticos 39% de votos que se avizinhavam passaram a 36,6%. A formulação não agressiva encontrada por Costa para pedir maioria cingiu-se, dadas as condicionantes, a um pedido de uma “maioria reforçada”.

E agora aqui está o PS com essa maioria reforçada e com todas as probabilidades de esta não lhe servir para nada de positivo. E porquê?

 

Por isto: o PCP declarou de imediato estar fora de um novo entendimento escrito, interpretando a perda de votos como consequência da aliança com o PS. Um erro, mas eles lá sabem. O PCP declinará inevitavelmente, e já vinha a declinar, por razões históricas, e não há ruptura com os socialistas que lhe valha para voltar aos seus tempos áureos do PREC. Se apoiasse uma nova geringonça, o seu futuro também não ficaria melhor. Sendo, portanto, a sua situação difícil mas, a meu ver, independente de entendimentos, decidiu dizer que “passa”, pensando que assim se limpa seja lá do que for. Sem o apoio duradouro e explícito do PCP, e como os deputados do PAN e do Livre não chegam para o PS formar uma maioria parlamentar, resta o Bloco. E aqui está o problema. Muito provavelmente, ciente da sua importância para a estabilidade, Catarina enveredará por uma via de exigências, muitas delas impossíveis de satisfazer, como já se viu, porque implicam uma despesa de milhões e milhões de euros e um desvio de prioridades e de políticas inaceitável para os socialistas. Por outro lado, a votação no Bloco fica muito aquém da do Podemos, o que deveria e poderá levar o partido a uma certa e necessária contenção. De momento, não sabemos. Assim, tanto lhes pode subir a importância ao nariz e pouco se importarem com paralisias e instabilidade, como poderão ser razoáveis. Mas também eles farão contas à vida, como é claro.

Perante este cenário, o melhor é olharmos de novo para a pergunta lá de cima, porque a resposta à mesma decidirá se este Parlamento vai ou não funcionar e se o Ventura vai sequer ter oportunidade de se orgulhar, entre deputados, de ser fascista e racista. Mais do que uns meses.

A mentira sobre as férias de Costa durante os incêndios foi orquestrada por pessoas do PSD

Costa perdeu as estribeiras, esta tarde, e com razão. Só a direita em Portugal faz esta guerra suja, porque sabe os seus efeitos junto dos mais ignorantes*. Com Tancos é a mesma coisa. Ainda hoje uma velhota numa aldeia onde estava uma irmã minha lhe dizia que não sabia se ia votar no Costa porque o governo dele andou a roubar armas.

Por isso, vale a pena ler e divulgar este artigo publicado pelo jornalista Paulo Pena há pouco no DN:

 

A forma como António Costa reagiu hoje, sexta-feira, no último dia de campanha, a um cidadão que o acusou de estar de férias durante os trágicos acontecimentos de 2017, quando os incêndios provocaram mais de 60 vítimas mortais, é o assunto do dia. O primeiro-ministro, e cabeça de lista do PS por Lisboa, retorquiu. Negou que estivesse de férias. Exaltou-se com a acusação. E, mais tarde, ao falar com os jornalistas, acusou “a direita” de usar o tema na campanha.

A acusação, falsa, que lhe foi feita está, de facto, publicada no Facebook desde quarta-feira, 2 de Outubro, numa página chamada PSD Europa.

 

A página, que publica muitas fake news sobre o PS, o BE e o PCP, e divulga ações de campanha do PSD, não é oficial. Mas há, no entanto, um número de telefone associado (+32 488 63 10 37) e surge identificada, pelo Facebook, como pertencendo a um “partido político”. O Polígrafo já identificou o seu autor, Jorge Afonso, militante do PSD.

Jorge Afonso esteve, como observador, no último congresso do PSD.

Entretanto, várias páginas de militantes do PSD, como André Coelho de Lima e o “PSD Concelho de Odemira”, que também publicaram histórias alusivas ao mesmo assunto, retiraram-nas, como atestam os registos do MediaLab do ISCTE, que acompanhou este caso com o DN.

(continuar a ler)

 

* Afinal, este farsante, que se apresentou como votante no PS, é militante e ex-autarca do CDS. Que surpresa, não é?

Não concordo nada com o Ricardo Paes Mamede

Por vezes já tenho concordado imensíssimo com o que diz Ricardo Paes Mamede. Lembro-me de lhe começar a prestar atenção e de gostar de o ouvir quando debatia economia na televisão com o Braga de Macedo. Continuei a lê-lo regularmente. Hoje, neste artigo, não concordo com nada. (transcrevo excertos mais adiante) A tese é que o PS teve duas caras na legislatura que agora termina: uma muito agradável, porque a esquerda radical gostou dela, outra muito desagradável, porque essa mesma esquerda não gostou dela.

 

Não tendo eu a menor veleidade de defender oficialmente o PS, este artigo, por o considerar abusivo, propositadamente míope e, atendendo à época eleitoral, muito tendencioso, suscita-me as seguintes considerações.

 

Não foi para “agradar” aos seus parceiros de esquerda que o PS tomou certas medidas na primeira parte da legislatura, ou seja, por oportunismo e calculismo e sem qualquer convicção, segundo se depreende das palavras do Ricardo. Foi, sim, para cumprir o acordado com eles e que representa as matérias em que comungavam do mesmo entendimento.

 

Mas, obviamente, o PS não é nem o PCP nem o Bloco. Muito longe disso. Com outras lideranças, um quilómetro de distância ainda era muito perto.

Na maioria das restantes matérias da governação existe um profundo desacordo – seja quanto à Europa, seja quanto à organização da economia e organização laboral, seja quanto ao mercado da habitação, seja quanto à liberdade. Não é, portanto, de estranhar que, cumprido o acordado, nas restantes matérias o PS tenha mostrado em que consistem as diferenças.

 

O que quer o PS?” – pergunta Ricardo. Sem me substituir aos militantes socialistas, é naturalíssimo que queira seguir os seus próprios princípios e programa, ora essa. O que é que o Ricardo tem contra isso?

 

Pouco depois do início da legislatura, o governo denunciou os contratos de associação entre o Estado e os colégios privados, uma medida que não constava dos acordos mas que recebeu o aplauso unânime à esquerda, tanto pela sua coerência na defesa do ensino público como pela coragem em enfrentar interesses instalados. Casos como este levaram a que muitos acreditassem estarmos perante um partido transformado.” – diz o Ricardo.

Pois denunciou. E este é apenas um exemplo de que não é preciso o Bloco ou o PCP arvorarem-se em defensores de certos princípios ditos “de esquerda”, porque o PS já os defende. Pode? Sentem-se desorientados por gostarem deles?

À medida que a legislatura avançava, a atitude mudou. A polémica em torno da chamada “taxa Robles“, em que o PS afirmou desconhecer uma proposta orçamental que o BE apresentara meses antes, foi o primeiro sinal claro de que os socialistas estavam menos interessados no ambiente de concílio à esquerda. A seguir a esse episódio vieram outros. A decisão de avançar para a revisão da lei laboral sem o envolvimento do PCP e do BE, a tensão em torno da Lei de Bases da Saúde ou as dificuldades em finalizar a proposta de Lei de Bases da Habitação foram outros momentos cruciais em que o PS se mostrou determinado em regressar à sua tradição centrista.

 

O PS não tinha que concordar com a “taxa Robles”, ou tinha? Nem com as pretensões da esquerda comunista/extremista sobre a lei laboral, ou a lei de bases da Saúde, ou outras questões. Essa discordância faz do PS um partido “conservador”? Era o que faltava.

 

[…]O auge do afastamento do PS face ao discurso de esquerda aconteceu no Verão de 2019, no contexto da greve dos motoristas de matérias perigosas, em que as decisões e afirmações do governo contribuíram para pôr em causa o próprio direito à greve.”

 

Por favor. Pôr em causa o direito à greve? Que visão tão tendenciosa. Uma greve liderada por um advogado de Porsche saído sabe-se lá de onde? ( isto é um aparte meu; não foi pelo aspecto do senhor nem pelo inusitado daquela liderança que a greve teve que ser resolvida de forma “musculada”)  Nunca o PS foi contra o direito à greve, que me lembre. Pelo contrário. Na minha modesta opinião, nalguns casos até deixou ir as greves longe demais. Na greve dos motoristas de combustíveis, estava em causa o funcionamento ou a paralisia de um país inteiro. No caso dos enfermeiros, a morte de pessoas. A greve não pode estar acima de tudo. Até o Cunhal o afirmou nos idos do PREC.

Apesar dos alertas contra os perigos de “pensar como a direita”, a postura de António Costa no último ano e meio sugere estarmos perante o regresso ao antigo PS centrista, após um interregno de aproximação à esquerda nos primeiros anos de geringonça.”

 

Primeiro, aproximação não é sinónimo de fusão. Segundo, desde quando o centrismo é mau? (Vá lá que não lhe chama “o antigo PS de direita”)

Uma explicação cínica diz-nos que nada disto tem que ver com hesitações ou opções ideológicas. Que o PS faz o discurso que for necessário para chegar ao governo e nele permanecer, como faria qualquer partido de poder. Demarcar-se da estratégia da troika era necessário para vencer eleições. Agradar ao PCP e ao BE era necessário para aprovar os Orçamentos do Estado. Distanciar-se do discurso das esquerdas permitia aproximar-se do eleitorado ao centro, alargando a base de apoio do governo e até da geringonça. Adoptar uma atitude agressiva contra quem protesta (típica de governos de direita) seria uma opção racional para quem pode aspirar a uma maioria absoluta.”

 

Não. Totalmente em desacordo, seja o Ricardo o cínico ou outras pessoas com quem fala. Nem tudo é calculismo e estratégia. É mais simples do que isso: o PS não partilha 80% dos pontos de vista da esquerda radical. É novidade?

Tancos – importam-se de não perder a noção?

Quem ouve por estes dias a oposição a comentar as acusações do Ministério Público ao ex-ministro Azeredo Lopes e aos militares da PJM diria que estes foram coniventes com os assaltantes do paiol de Tancos. “Grave, gravíssimo”, “encobrimento”, “perdão aos assaltantes”, “encenação” é o som dos carrilhões da oposição e dos pasquins que, por estes dias, pretendem ensurdecer os ouvintes. Como sempre, o ponto de partida é que os cidadãos têm permanentemente os neurónios de molho e são altamente mobilizáveis pelo alarido. Penso que se enganam.

Na prática e no fundo, qualquer pessoa percebe que apenas aconteceram duas coisas: 1. um furto de armas de um paiol (sem dúvida nenhuma que por incúria do exército, ou falta de meios – desculpa não atendível, apesar da penúria em que a austeridade deixou as instituições) e 2. uma recuperação das armas furtadas. Porque, surpresa das surpresas, foram mesmo recuperadas.

Dos acusados, apenas alguns – os ladrões e seus cúmplices – são responsáveis pelo primeiro acto, à luz da lei o mais grave. Os restantes dividem-se em duas categorias: os que terão negociado e lideraram a operação de recuperação, ao que tudo indica por excesso de zelo e brio, e quiçá a disfarçaram (a tal “encenação”), e o responsável máximo político pela PJM, ou seja, o ministro.

Acontece que a recuperação das armas foi, sob qualquer ponto de vista, um acontecimento positivo. Não percamos a noção. Não foi mau, foi óptimo (será isto que irrita o MP?). Deixou de haver armas “à solta”, tráfico, restabeleceu-se a segurança. A operação foi um sucesso.

A única coisa que pode, eventualmente, merecer alguma condenação à luz da lei foi o processo concreto de recuperação, por ter sido liderado pela PJM (segundo métodos muito próprios) à revelia da Polícia Judiciária civil, que tinha, tempos antes (e se calhar contestavelmente; foi o que entendeu o coronel Luis Vieira), sido encarregada do processo pela PGR. (Sobre esta matéria, o advogado do major Vasco Brazão frisou pormenores importantes ontem à noite, na SIC N, quanto às informações que chegaram à PJ antes do furto, e a sua inacção. Mais tarde, o jornalista Luís Rosa falou também na questão da competência como eventual razão para a inacção ou de uma PJ ou da outra)

Bom, mas competiria, pois, ao Ministério Público não perder de vista que, na base deste segunda “irregularidade” está sobretudo uma rivalidade entre polícias, no meio da qual poderá ter sido apanhado o ministro da Defesa (terá?), que não tutela a PJ civil, logicamente. Portanto, a gravidade dos segundos “crimes” não pode de maneira nenhuma ser comparada à do primeiro e muito menos deve ser criada essa ideia na opinião pública pelo Ministério Público. Mas estamos no domínio dos sonhos, não é? O MP tem tendência a esquecer propositadamente a dimensão política de cada problema, acusando automaticamente o responsável político (do PS, ora pois) por crimes pesados como “encobrimento”, “denegação de justiça”, “prevaricação” (= obtenção de ganhos!) e “abuso de poder”. Até nos leva a pensar que o ministro e a PJM impediram a descoberta das armas. Passou-se exactamente o contrário. Há alguma coisa de aberrante nisto.

Eu sei que a cara das pessoas muitas vezes nada nos diz sobre o funcionamento das suas cabeças, mas considerar Azeredo Lopes ou o major Vasco Brazão ou o ex-chefe da Casa Militar (e, consequentemente, um tal “papagaio-mor do reino”) criminosos é um abuso demasiado abusivo de poder pelo MP, passe também o meu abuso de linguagem. Marcelo fez questão de lembrar que não é um criminoso quando o seu nome veio à baila. E, no entanto, não há um português, aqui e no mundo inteiro, que pense o contrário. E mais não digo sobre caras e vidas de criminosos.

Não me substituo aos juízes nem procuradores, mas há certezas sobre algumas coisas: houve rivalidade entre polícias, uma delas não cumpriu o estipulado pela PGR, fê-lo por uma boa causa e não para obstaculizar a investigação (atenuante importante), e o objectivo de qualquer investigação a um furto de armas foi cumprido: recuperaram-se as armas. Quanto à ocultação do autor do furto, é uma contrapartida sempre discutível, mas não necessariamente um crime. O resto deviam ser detalhes ou, vá lá, crimes de muito pouca gravidade, atendendo aos papéis tradicionais das duas PJ. Mas é claro que a oposição, desesperada, está a adorar o Ministério Público.

Costa demasiado cavalheiro com Rio

Segundo sondagens diárias da TVI, o PS deixou de tocar os números da maioria absoluta e Rui Rio começou a recuperar terreno após os debates, conseguindo já 28% dos votos, depois de meses e meses a afundar o partido, que já não captava mais do que 22 – 23% das intenções de voto. Esta recuperação do PSD não me surpreende. Sendo as expectativas pré-debates de tal maneira baixas em relação ao seu líder, prontamente os comentadores pós-debates (para mim, uma aberração, pois são enormes influenciadores – mais do que os candidatos – e não são neutros) lhe teceram os maiores elogios, apesar de totalmente imerecidos se atendermos ao conteúdo do que disse. Depois, nem toda a gente gosta de governantes com ar sério, responsável e respeitador (postura que Costa melhor deixa ver nos debates), sobretudo nos tempos que correm, que parecem ser de feição para patetas alegres. Rui Rio tem dito e diz as maiores alarvidades, mas fá-lo com o à-vontade e a “genuinidade” de quem tinha já pouco a perder, além de com grande técnica de “armar aos cucos”. Ora, a genuinidade, mesmo de contadores de anedotas, e o estilo convicto são apreciados. E Rio, mesmo que debite incongruências e impossibilidades, tem a seu favor o facto de não ser um arrivista, mas já ter sido presidente da Câmara do Porto durante vários anos.

 

António Costa tem tendência a negligenciar os adversários.  Um pouco mais de “killer instinct” não lhe iria mal. Simpatiza com Rui Rio e não gosta de o hostilizar ou humilhar, mas devia. Estamos em campanha e Rio continua a dizer muito disparate. Além de que, se Costa estiver atento, verá que este não se ensaia muito para o atacar descaradamente, mesmo sem razão nenhuma e pela via da demagogia. E sempre bem disposto, agora que deixou os lugares de desclassificação. E isso, hoje em dia, pode ser fatal para o seu rival.

«A Herdade» – estão a brincar comigo

 

Penso que todos achamos que seria bom alguém fazer um filme sobre o Alentejo rural partindo das transformações por que passou uma herdade específica (e os seus proprietários ou a sua propriedade, o seu uso ou outros aspectos) desde o salazarismo até aos nossos dias. Eu acho que seria. Bom, interessante e importante. Alguém devia ser capaz, agora que alguns realizadores portugueses já começam a perceber o que é um filme e a quem se destina. Pois bem, surgiu agora aí um cuja publicidade diz que o faz, isso de apresentar as transformações, etc., e que até se candidatou ao festival de Veneza, onde ganhou um prémio da crítica independente, e se vai candidatar ao óscar de melhor filme estrangeiro e é anunciado em todo o lado e tudo isso. Mas tenham lá calma.

 

Fui ver. (Atenção: para quem tem intenção de ir ver o filme, vou falar do enredo!)

Cinco minutos de filme e eu a duvidar se deveria ficar. É que comecei a pensar numa famosa oliveira, filmada durante 10 minutos, sem mais, penso que na abertura de um dos filmes do Manuel de Oliveira. Únicas diferenças: aqui são menos de dez minutos, trata-se de um sobreiro e tem um homem enforcado. Porquê? Não sabemos. Se alguém percebeu, que me diga, por favor. E eu que fiquei sentada provavelmente por causa da expectativa assim criada.

Enfim, estava, então, dado o mote. Seriam três penosas horas, três, de passos do quarto para a sala, na sala para o bar, no terreiro em frente, silêncios, olhares, lindos cavalos (quase sempre nos estábulos), uísque, cigarros (uísque e cigarros constantemente, até à náusea, eu que não fumo), uma herdade como paisagem e uma total ausência de história e muito menos de história daquela herdade e dos seus problemas. Era o anúncio, lembram-se? Mas, perguntarão vocês, ao menos sabe-se o que levou aquele rapaz ao desespero? Não, já tinha dito. Nada. Não interessa. Possivelmente o realizador ouviu dizer que a taxa de suicídio no Alentejo era alta e daí a filmagem desse quadro. Mas, senhores, estamos no Alentejo da Comporta, não no coração tórrido da vertigem das searas e dos 45 graus à sombra. Mas vamos.

 

Nessa primeira cena, há um miúdo que é chamado pelo pai avô (? dizem-me nos comentários) para ver o irmão pai enforcado e ao qual é transmitida a máxima de que tudo acaba e que, quando acaba, acaba mesmo. O miúdo ouve, afasta-se para umas ruínas na outra margem do lago e pronto, é tudo o que há a dizer e a fazer quanto àquele suposto drama. Esse miúdo será depois (penso eu, posso estar a ver mal) o Albano Jerónimo, aliás João Fernandes, proprietário da herdade a partir da década de 70, supostamente um homem mal disposto com a existência, mas que ao mesmo tempo adora a vida no campo, não tem problema algum com o pessoal e é danadinho para a brincadeira, pois corre a eito (talvez sem se rir, querem que acreditemos) tudo o que é mulherio na propriedade, incluindo a mulher do capataz. Alto aí! A mulher do capataz? Drama nisso, não? Eles andam sempre juntos. Mas qual drama, amigos? Nenhum. Tudo numa boa. O bom do Joaquim, o capataz, gosta um bocado demais de vinho, possivelmente negligencia os seus deveres conjugais, mas se a mulher teve um filho com o patrão, tudo bem. Qual é o problema? Ela é boa rapariga e obediente. Ai, minha nossa!

Como é que não vim embora ao intervalo, ou até aos cinco minutos, e me deixei ficar até perto de uma crise de nervos? É que a última parte ainda consegue ser pior do que a primeira. Se na primeira ainda aparecem umas questiúnculas, muito mal engendradas, diga-se, (só para dizer que estávamos no fascismo) com o governo de Marcelo Caetano e seus agentes, um baile em Lisboa com música dos anos 70 e uma hipótese de paixão escaldante com a cunhada (ná, não tem qualquer desenvolvimento, nem “flasbacks” nem nada, e olhem que é a Vitória Guerra), na segunda, após um salto gigante do 25 de Abril para os anos 90 sem que nada de relevante se tivesse passado naquela herdade, nada de nadinha, nem com os trabalhadores, todos mansinhos, incluindo o suposto comunista, nem com a produção nem com nada, a “história”, sem maneira de apresentar dados sobre uma eventual quebra de vendas, ocupações, crise económica, sei lá, má gestão e outras circunstâncias que poderiam ter levado ao declínio, passa a concentrar-se no melodrama telenovelesco do filho que não era filho do capataz mas do patrão (coisa que toda a gente sabia e que o realizador não escondeu de ninguém desde a primeira hora) e que se enamora da filha legítima do mesmo. Ora, baseando-nos no que o filme nos mostra, isto é não só altamente improvável, pois tinham sido criados todos juntos (três miúdos) desde que nasceram, como irmãos, como também não era novidade nenhuma e teria certamente já sido acautelado. O mais cómico (às tantas, uma pessoa já se ri) e desesperante é que, à medida que o filme carrega neste forçado drama final de recurso, menos as personagens falam, mais se calam e mais olham, estáticas. O cúmulo deste comportamento é atingido quando a filha vê o pai a pegar numa pistola que estava na gaveta e sair de casa, e a rapariga não tuge nem muge, não faz uma pergunta que evite uma potencial tragédia, não faz um gesto, nada. Fica a olhar para o pai a sair com a pistola e pronto, ele lá sabia da vida dele. (e o facto é que ia só ali abater o cavalo ferido, por ter caído, mas ela não sabia, caraças)

 

Bom, já perceberam. Para mim, tirando a paisagem, os cavalos e o actor principal, que é bonito, e o filho mais novo, também bonito, nada neste filme se aproveita. Uma estopada. Uma fraude. Três horas. Um argumento e um guião escritos em cima dos joelhos e às três pancadas. Tirando os dois protagonistas, ele e ela, até o “casting” restante é mau. A actriz que faz de mulher do patrão é expressiva, mas o problema é que não estamos já na era do cinema mudo e a personagem dela é, como tudo o resto, indefinida e inverosímil e sobretudo sem palavras para dizer. Gosto do Albano Jerónimo, já o vi e elogiei como actor de teatro, mas até ele devia ter pensado melhor antes de se meter em argumento tão pobrezinho. Grande ambição, enorme publicidade e sai-me isto. Acho que até as telenovelas já fazem melhor.

 

Mas, é claro, sintam-se à vontade para me dizerem que não percebi nada, nem os simbolismos nem a história, nem a linguagem cinematográfica nem nada. Eu lerei o que dizem, mas não. Muito mau.

 

Quentes e boas

  1. Vamos fugir. Sim. Para longe daqui. (E não é a cantar)

 

Então era isto que a Cofina queria? Comprar a TVI? Foi por isso que andou a acusar o Sócrates de andar alegadamente a conspirar para, através da compra da TVI por gente amiga, “controlar a comunicação social”?

Todas as acusações de há uns anos afinal eram para guardar a TVI em banho Maria até lhe poderem deitar a mão e transformarem a informação em Portugal num gigantesco Correio da Manhã. Uma Fox News à portuguesa. Lembro que o Correio da Manhã é o jornal do crime, um criador de alarmes sociais falsos, um tablóide sem escrúpulos, sem ética, sem nada. Um imenso pelourinho para abater quem se detesta. Um jornal que ainda há uns dias defendeu que os julgamentos se devem, sim, fazer na praça pública.

 

Bem podem dizer neste momento que manterão jornalistas, linha editorial, total independência e tudo de bom da TVI (enquanto dizem que só ficará quem quiser aderir “ao projecto”, claro). A gente sabe como é. Para contraporem algo de jeito à CMTV, teriam que dar cabo desta. Portanto, passarão a ser uma e a mesma coisa.

 

Mas o panorama é de desgraça. Se pensarmos que a única alternativa que existirá será a televisão do PSD, a SIC do mano Costa e do imberbe do Ferrão, isto fica mesmo, espera, como era? Claustrofóbico? Era isso que diziam no tempo do Sócrates. E não havia claustrofobia nem asfixia nenhuma. Apenas a direita a não estar no poder. Mas a deter a comunicação social. Agora é mesmo. E ninguém se agita e ninguém faz nada. Eu não tenho dinheiro. Mas o Ronaldo, li de raspão que gostava de ter uma televisão. Então? Não atirou ele o microfone do “CM” à água?

Devo dizer que ainda está a TVI nas mãos da Prisa e eu já quase deixei de ver televisão. Agora, se não fugir, vou andar pela natureza ainda mais tempo, parece-me. Na que o PAN não conhecer.

 

  1. Cabeças loiras

 

Deveria haver um limite para as modas. Não sei se esta mulher ainda vai a tempo de apanhar a onda de cabeças leves (e, algumas, loiras) a ocuparem lugares de poder político, mas a Cristina Ferreira admitiu que gostaria de se candidatar à Presidência da República. A sério. A esganiçada da Malveira (nada contra a Malveira, bela terra) a estudar a Constituição e a ouvir os partidos políticos. A discursar na Assembleia e perante outros chefes de Estado. Espero que, até lá, a “trend” já tenha passado. Se não, uma pata-brava na Presidência e eu a fugir daqui com vergonha.

 

  1. Ai Ana Gomes

 

Que raio de coisa deu à Ana Gomes? Quero dizer, coisa mais forte do que o habitual. Agora erege o “hacker” Rui Pinto em herói só porque o rapaz penetrou na correspondência digital de alguns clubes de futebol que ela considera lavandarias de dinheiro? E o resto? E a rede informática da Justiça? E a chantagem com os dados? A extorsão?

Será provavelmente uma das primeiras contratações da Cofina-TVI.

 

  1. E, por falar disto, o Edward Snowden por acaso pensa que vai ter um destino muito diferente do Assange? Diferente para melhor? Não vai. Melhor manter-se onde está (mas parece que só tem autorização até 2020).

 

  1. As golas anti-fumo.

 

Que “timing” para reaparecerem na agenda mediática, não foi? Flagrante. Era o secretário de Estado que tinha que ir embora? O Carlos Alexandre estava ansioso? E então? Está bem assim?

Outra coisa: já não se disse e provou que afinal as golas não ardiam? Que apenas abriam buracos? E que, para isso, era preciso estarem praticamente em cima do lume, coisa para que não foram feitas de todo?  Pois é. Disse-se e provou-se. E no entanto as televisões continuam a referir-se às ditas como “as golas inflamáveis”. Sabe ou não sabe o Carlos Alexandre que a comunicação social faz o que ele quer?