Cada um tem a coligação que merece

Houve um tempo, que parece ter sido há décadas, em que todos eram unânimes em considerar o consenso político entre os maiores partidos indispensável para que o País ultrapassasse a difícil situação em que se encontrava. Paulo Portas teve até a brilhante ideia de sugerir um governo de coligação entre PSD, CDS e PS. A coisa aparecia como uma solução mágica que resolveria todos os problemas. É claro que nesse tempo a resolução dos problemas era facílima e dependia só dos políticos portugueses já que não existia qualquer crise internacional, isso era só mais uma invenção de Sócrates, a verdadeira crise internacional só começou em Junho de 2011, como toda a gente sabe. Deve ter sido por causa dessa e de outras invenções ainda piores que Portas declarou que havia um grande obstáculo que impedia a execução desse plano milagroso: Sócrates. Mas Portas não se atrapalhou e vai daí sugeriu ao PS que mudasse de líder, o que no seu entender deve ter sido uma sugestão normalíssima. Afinal, estava em causa a salvação do País e governar o País a dois ou a três seria canja desde que, lá está, Sócrates saísse de cena. Isto apesar de Portas conhecer o PSD de ginjeira.

Entretanto, correu-lhe tudo de feição, chegou ao poder numa coligação não a três, como havia sugerido, mas a dois e meio, já que Seguro é o líder da oposição mais meiguinho de que há memória em Portugal e arredores, mas que mesmo assim não salva o PS de ser maltratado pelo Governo dia sim, dia sim, o que prova que a conversa do consenso político praticamente morreu no dia seguinte ao das eleições. E o que se tem visto de Portas neste quase ano e meio? O costume. Um parceiro de coligação do mais esquivo que se pode imaginar, a fazer o que já tinha feito no outro governo de coligação de que tinha feito parte, nunca dando a cara pelas medidas impopulares que os seus governos adoptam, aparecendo só quando lhe parece que pode tirar proveito, para ele ou para o partido, ou seja, é de uma deslealdade à prova de tudo.

Portanto, Portas tinha toda a razão, pelo que pudemos observar nos seis anos de governação socialista e pela lealdade que sempre existiu entre Sócrates e os seus ministros, de facto, aquele líder do PS não tinha lugar num governo de coligação com Portas, onde a incompetência está sempre garantida e em que a hipocrisia e a deslealdade são imagem de marca.

One thought on “Cada um tem a coligação que merece”

  1. Guida,
    o gozo que me deu ler as declarações do Portas, ainda no Brasil, dizendo que quando no estrangeiro só tratava de diplomacia, gozando assim quer com o PPC, quer com o Álvaro, que há uns tempos atrás diziam que no estrangeiro não falavam de negócios internos do País…

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