“Que se lixem as eleições”?

Não foi há muito tempo que Passos nos procurou seduzir com tal desprendimento. Asneira dupla, pouco surpreendente vinda de quem vem. Não só as eleições são uma ocasião para aproximar as políticas dos desejos das populações, pelo que não lhes atribuir importância é governar potencialmente contra o país, como também o facto de a frase ser proferida por alguém que chegou ao poder através de eleições encerra em si uma contradição. Na realidade, o homem está a lixar-se para tudo menos para as eleições. Este violento pacote de austeridade, segundo o DN superior em seis vezes ao que é necessário para cumprir a nova meta do défice, mais não é do que uma tentativa desesperada de “despachar depressa este assunto do empobrecimento” para em 2015 haver margem para a propaganda. Pena que a burrice não pague imposto. Não só tudo isto está a ser um escândalo com consequências imprevisíveis, como também o resultado em termos de finanças públicas e de economia vai ser ainda pior do que o alcançado este ano com medidas, apesar de tudo, menos gravosas. Esta gente deve ser corrida quanto antes. Quanto foi afinal o défice deste ano? Não será que a Troika está a dar cobertura a uma fraude?

5 thoughts on ““Que se lixem as eleições”?”

  1. Obviamente que a Troika está a dar cobertura a uma fraude. À Troika interessa poder apresentar um exemplo de sucesso para poder contrapor ao “fiasco” da Grécia. Mas, como sabemos, o “modelo da Troika” não se destina a recuperar economias, mas pagar aos credores. Para isso, há que extorquir o máximo no mais curto tempo possível. Com a contração da economia, o país empobrece e a recessão instala-se. É isso que os credores querem, para poderem emprestar a juros mais altos e, dessa forma, manter o país dependente. Em rigor, a dívida não está a diminuir, mas a aumentar.
    Trata-se de uma estratégia, levada a cabo por “técnicos” do FMI e da Goldman Sachs, como o Gaspar e o Borges, que têm uma agenda política bem definida.
    Os políticos – chamem-se eles Sócrates, Passos ou Seguro – são meras “testas de ferro” desta política desenhada muito longe de Lisboa.
    No fundo, os portugueses estão a ser “ratos de laboratório” desta economia – que não é apenas de casino – que visa desregular as relações de trabalho existentes no Ocidente para, dessa forma, conseguir competir com os países emergentes, onde a mão-de-obra é barata e o crescimento económico é rápido. É aí que o lucro é compensatório.
    Aconselho a leitura de Naomi Klein (A doutrina do choque). Está lá tudo.

  2. Pois é , no site do ps está tudo à espera das fotografias dos dois, para juntar ao maior álbum da história do partido. Nisso tem sido insuperável.

  3. cavaco vai falar ao país sobre as novas medidas de austeridade referidas pelo passos e anunciadas pelo gaspar depois da manifestação de sábado que vem e antes da transmissão pela rtp do próximo jogo de futebol de grande impacto audiovisual, para o que aguarda resultado das negociações do da ponte com o da oliveira. até lá, é botar cruzinha no códradinho e rezar à santa cricas para que calhe.

  4. De acordo com Rui Mota. Quando estes rapazes ganharam as eleições, Gaspar, ouvido pela “Visão”, disse-se seguidor dos “Chicago Boys”, de Friedman. Na altura, chamei aqui a atenção para isso, e acrescentei que as coisas iam correr mal, muito mal..E também lembrei então o livro de N.Klein. O tempo passa, os factos estão aí..e há uma nova teoria em curso: chamam-lhe “fluidity”. Uma outra maneira de “brincar” aos mercados..,

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