Arquivo mensal: Setembro 2012
Não é um idiota, nem um mentiroso, nem um demagogo, nem um hipócrita, nem um sonso, nem um louco
Quando o memorando da troika foi assinado era de todos. Era da troika, que nele mostrava uma absurda confiança. Era do PS, que nos dizia ser o melhor possível. Era do PSD, que garantia ter tido um papel fundamental no seu conteúdo e que até lhe ia acrescentar mais um tempero de sua autoria. Era do Presidente, que criticava o então primeiro-ministro por ter demorado demasiado tempo a chamar os homens que nos iriam salvar. Era dos comentadores e economistas, que dedicavam odes à “abençoada troika”.
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O Daniel Oliveira não é um idiota, nem um mentiroso, nem um demagogo, nem um hipócrita, nem um sonso, nem um louco. O Daniel Oliveira é apenas um extraterrestre que aterrou na política portuguesa no dia 3 de Maio de 2011 à tardinha. É por isso que se permite escrever que o Memorando é do PS, o tal PS de então de um tal Sócrates que se recusou a assinar um qualquer memorando até ao ponto de ter contra si o PSD, o CDS, o BE, o PCP, o Presidente da República, os patrões de imprensa, os super-patrões, os sindicatos, os banqueiros, a gente séria, os leitores do Correio da Manhã, os espectadores do Crespo e os fãs da Manuela Moura Guedes.
Para o Daniel Oliveira justificar a inclusão do PS no elenco paternal do Memorando, traz uma súmula da mensagem de Sócrates ao anunciar o fecho do acordo: “era o melhor possível”. Isto deixado assim pendurado chega-lhe para responsabilizar o PS por uma solução inevitável, estabelecida nas piores condições para o interesse nacional, contra a qual o Governo socialista combateu isolado. O que vale é que o Daniel Oliveira não é um idiota, nem um mentiroso, nem um demagogo, nem um hipócrita, nem um sonso, nem um louco. Ao menos, isso.
Várias vezes ouvimos, e lemos, Daniel Oliveira dizer que Sócrates foi o pior primeiro-ministro da nossa democracia – ou o segundo pior, atrás de Cavaco, variação conforme ao fluxo emocional do momento. Ora, tendo em conta que o Daniel Oliveira não é um idiota, nem um mentiroso, nem um demagogo, nem um hipócrita, nem um sonso, nem um louco, há que esperar que ele nos faça igual listagem dos piores líderes partidários na oposição para finalmente conseguirmos perceber em que lugar aparece o Daniel Oliveira na classificação dos mais sectários comentadores políticos de todos os tempos.
É esta a renovação do Bloco?
João Semedo, o futuro co-líder do Bloco de Esquerda, deu ontem uma entrevista a Paulo Magalhães, na TVI24. Foi um tanto deprimente. Em primeiro lugar, João Semedo nenhuma novidade representa. Pelo contrário. É mais um Louçã sem a sua acutilância. Durante largos minutos não consegue justificar de maneira minimamente convincente a liderança bicéfala. Responde com o modernismo e a inovação e a sintonia ideológica existente entre os dois e fica-se por aí. A insistência nas duas cabeças, que tornaria muito complicada a definição de um primeiro-ministro no caso de o partido ganhar umas eleições, deixa desde logo claro que o objetivo é a prossecução da prática habitual de protesto e denúncias, sem outra ambição, nem a que seria a ambição mínima de integrar um governo.
Transparece no seu discurso o recém-descoberto orgulho num partido irmão, grande tábua de salvação, já assumido por Louçã. Mas diga-se que, para quem pretende imitar o Syriza, a imitação é deficiente e a estratégia muito pouco ambiciosa. Ao que se sabe, Tsipras não partilha a “coordenação” com ninguém. Além disso, é por demais evidente que tentar repetir em Portugal o sucesso do Syriza, como se a realidade social e política de Portugal e da Grécia fosse idêntica, é não só pouco inteligente, porque artificial, como também sintoma de vazio e desorientação. Se por mais não fosse, o PS não se encontra de modo algum na posição do PASOK.
Depois, o radicalismo, que, francamente, não assenta nada bem a Semedo, mas que, como líder designado por Louçã, terá de assumir. Louçã caiu num caldeirão de radical-trotskismo quando tinha 14 anos e a impregnação foi profunda. Já não lhe passa. Mas Semedo? Semedo até abandonou o PCP em 2002! Diz ele que a clivagem entre a esquerda e a direita está no posicionamento em relação à Troika. Entende que (e diz isto sem se rir), quem romper com a Troika é de esquerda, quem não romper é de direita. E o mundo é simples e a vida sorri. Que um jovem Tsipras diga tais coisas e acrescente que quer manter o euro compreende-se. Que um homem da idade e com o aspeto certinho de Semedo as diga já soa algo patético. Não lhe perguntou o jornalista, e foi pena, onde iria o Bloco financiar-se para que o país sobrevivesse e onde começariam e acabariam as nacionalizações.
Muita gente do Bloco sonha ainda com a revolução, aquela em que se pega em armas e se desfraldam bandeiras ao vento para a posteridade e uma imaginária fotografia. Na realidade, o agrupamento pouca representatividade tem hoje no panorama eleitoral. A importância que é dada a estas cabeças alucinadas decorre apenas e tão só da sua utilidade para a direita, dado o objetivo declarado de cindir o PS. A oportunidade é, evidentemente, aproveitada e o tempo de antena preenchido ora com acusações a quem governa ora com um discurso justicialista, moralista e de boas intenções vagas, cujo detalhe nunca ninguém deseja aprofundar, por calculismo ou compaixão.
Os amanhãs que cantam, segundo Louçã
No chamado “Fórum de Ideias” do Bloco de Esquerda em Vila da Feira (rebaptizada Santa Maria da Feira), Louçã voltou a defender a necessidade de um governo de esquerda para o país. Ouçamos o grande líder, agora demissionário após ter ajudado a direita portuguesa a deitar abaixo o governo de Sócrates (já não havia mais nada para fazer depois disso):
“A pergunta que a esquerda tem que fazer para merecer ser esquerda é porque é que o povo não há-de governar? Esse governo de esquerda, que é a grande luta que temos que travar, criará muitos debates certamente, muita contraposição, muitas dúvidas. Mas uma coisa ele fará, perante toda a oposição social [sic], ele dirá que luta pela igualdade e pelo respeito [re-sic]. Sim senhor, nacionalizará a EDP e as redes energéticas nacionais por mais que isso incomode o Partido Comunista chinês; nacionalizará serviços financeiros por mais que isso incomode a família presidencial angolana, trará os hospitais públicos para o Serviço Nacional de Saúde por mais que isso incomode os Mellos e os Espíritos Santos”.
Leram bem, é tirado da esquerda.net.
O peralvilho lunático, que não deve conhecer os resultados das últimas eleições legislativas portuguesas, quer agora, mediante intensa luta a travar em sonhos, empossar um governo do povo, perdão, um “governo de esquerda”, para “incomodar” os comunistas chineses, a família Dos Santos e os interesses dos grupos Melo e Espírito Santo no sector da saúde.
Nacionalizar os investimentos dos chineses, dos poucos estrangeiros que têm investido em Portugal, parece-lhe uma excelente ideia. Com indemnização ou de assalto, camarada Louçã? Para indemnização o putativo governo do povo, perdão, o “governo de esquerda” não terá um tostão. Resta o assalto, pelo modelo de 12 de Março de 1975. O mesmo esquema se aplica aos “serviços financeiros” dos angolanos. Para os nacionalizar, ou o tal “governo de esquerda” lhes devolve o que cá investiram ou os rouba. Não há mais hipóteses. Os Mello e os Espírito Santo aparecem na lista das futuras nacionalizações de Louçã como o diabo no Credo.
O que o Bloco de Louçã deixa em herança é esta salgalhada vomitada após uma bebedeira de alucinogénios soviéticos em terceira mão comprados na Feira da Ladra.
A imbecilidade que vem de longe
Fernando Rosas, deputado do Bloco de Esquerda, garantiu ontem à agência Lusa que o seu partido não aceitará qualquer tipo de acordo, pré ou pós-eleitoral, com o Partido Socialista (PS) nas próximas eleições legislativas de 27 de Setembro.
O deputado do BE, que ontem à noite participou numa arruada no Barreiro, afirmou que “as bases políticas programáticas do PS são completamente contrárias às do Bloco”, assinalou Fernando Rosas”, para justificar a exclusão de qualquer hipótese de entendimento com o actual partido no poder. Ferro Rodrigues, ex-líder do PS, defendeu em entrevista ao Expresso que o PS deve desafiar PCP e BE para o Governo.
Este Governo é mais perigoso do que o de Sócrates.
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Louçã fez tudo o que pôde para desgastar, quebrar, dividir e derrotar o PS. Era este o seu único plano, sabendo que apenas receberia migalhas dos dissidentes do PCP e que era na radicalização do centro-esquerda que se jogava o seu napoleónico futuro. Em crescendo de agressividade, e definhamento de imaginação, ia revelando a megalómana ambição: liderar uma imperial “esquerda grande” sobre os escombros do socialismo democrático e a tolerância comunista.
Na primeira citação, numa altura em que se dava como certo que o PS iria perder a maioria nas eleições de 2009, vemos Ferro Rodrigues a tentar iniciar um diálogo que gere uma convergência à esquerda só para receber a maniqueísta resposta de um coronel do BE:
as bases políticas programáticas do PS são completamente contrárias às do Bloco
Isto é o mesmo que dizer-se que o PS é o principal inimigo do BE, que onde o BE é de esquerda o PS é direita, e quando o BE defende os trabalhadores o PS defende os patrões. De facto, projectando no PS a raiva ideológica máxima que se é capaz de conceber, qualquer acordo, nem que fosse a respeito de uma conta de somar, seria impossível. E impossível foi, com o BE a preferir que Portugal ficasse com um Governo minoritário de esquerda a partir de 2009, o qual estaria condenado a sofrer todas as golpadas da direita, quando e como ela quisesse.
Em 2012, depois de Louçã nos ter garantido que o chumbo do PEC 4 corresponderia à saída da crise, assoma um laivo de lucidez. Parece que o visionário já consegue vislumbrar que a solução política para a qual ele contribuiu diligente e entusiasticamente é pior do que a anterior. Este deslumbrado que continua a colar o PS à direita – esse mesmo PS que construiu e defendeu o Estado Social – já se esqueceu do que disse na noite eleitoral de 2009, a noite do maior triunfo da sua vida política, e não há ninguém que lhe tenha dado o voto que lhe peça agora responsabilidades depois da bela merda que andou a fazer com ele, mas aqui fica para se contemplar os malefícios da demagogia infrene:
Este é um novo dia para a esquerda portuguesa. Nada será como dantes. Teremos uma esquerda mais rigorosa, com mais capacidade de diálogo. Nenhum eleitor do Bloco de Esquerda terá qualquer dúvida de que todo o voto dado ao Bloco de Esquerda será gasto na defesa dos direitos fundamentais de uma resposta que possa transformar o país.
Desculpem a pergunta
Para que serviu todo este programa da Troika, se a conclusão a que parecem chegar agora, segundo Miguel Frasquilho, é de que “o programa seja adaptado às condições da economia e à evolução que a economia tem tido desde que o memorando foi assinado” (má, muito má mesmo)? Mas não era precisamente isso que o governo anterior pretendia ANTES de se ver obrigado a formular o pedido de empréstimo, cujas condições já adivinhava catastróficas? Que os ajustamentos e o saneamento das contas púbicas se fizessem gradualmente, tendo em conta a economia do país? Agora que se destruiu grande parte do tecido produtivo, se mandaram milhares para o desemprego devido ao fecho de empresas após a redução do poder de compra e se degradaram as condições de ensino de modo a comprometer a futura qualificação, formação e cultura dos portugueses e, além do mais, se agravou a dívida é que se vai proceder às adaptações às condições da economia? Qual economia? Não havia já economia antes de 2011?
Todo este fiasco era previsível e, mais do que previsível, era sabido de antemão. Sejam estes propósitos agora verbalizados pelo deputado do PSD verdadeiros ou mais uma aldrabice para permitir que o programa prossiga no sentido do da Grécia, estamos ou perante incompetentes ou perante hipócritas, mais provavelmente perante criminosos.
É uma espécie de cavaleiro Marcelo Mendes, mas montado nele próprio
Semiótica dos hipócritas
Os hipócritas adoram sinais. Adoram mostrar sinais. Possuí-los. Para si e para o seu clã. Os hipócritas precisam dos sinais para se reconhecerem. Reconhecem-se pelos sinais porque o sinal é tudo. Quão mais vistosos, mais hipócritas são os hipócritas que vemos a pavonear os sinais da sua hipocrisia.
Foi assim que apareceu por aí, algures em Junho de 2011, um bando de hipócritas que se passou a exibir com um poderoso sinal na lapela: a bandeira de Portugal. Que tamanha hipocrisia estaria a ser preparada, pensei com os meus neurónios especializados em hipócritas. Um ano e tal depois, até os surdos a conseguem ouvir, até os cegos a conseguem ver. É a hipocrisia daqueles que reduzem Portugal a um rectângulo de dois por três centímetros. De plástico. Algo para usar e deitar fora. Muito provavelmente, fabricado na China.
Bem, Amado. Mal, Amado.
A presença de Amado na Universidade de Verão do PSD provocou a reacção de duas figuras socialistas peculiares para a reflexão do que é a esquerda tribal: Ana Gomes e Alegre. A senhora, no seu registo emporcalhado, entrou em modo de fulanização e sarcasmo. O senhor, no seu registo airado, colou Amado ao neoliberalismo.
Como são valentes e rápidos estes socialistas arrumados à esquerda da esquerda, mas só quando toca a atacar o PS. Já a atacar esta decadente direita partidária são uma nulidade absoluta. De Ana Gomes, ninguém se lembra de qualquer posição a respeito da estratégia de assassinato de carácter contra Sócrates et alia, nem sequer quando se chegou ao ponto de Belém lançar uma inaudita conspiração mediática em cima das eleições de 2009. Provavelmente, terá ficado consolada com a tortura infligida ao malandro e terá celebrado a perda da maioria e a sua demissão. De Alegre, fica o seu contributo decisivo para a reeleição de Cavaco, a mais sinistra e ultrajante figura da história da democracia portuguesa.
Amado foi a um evento do PSD dizer o mesmo que dizia como governante e diz como militante socialista: que os desafios do tempo pedem consenso partidário para alcançar certos objectivos fulcrais para o interesse nacional. Estamos perante uma evidência. É evidente que o interesse nacional saiu prejudicado pela falta de consenso em relação à aprovação do PEC 4, como milhões estão agora a sentir no corpinho e uns quantos começam a perceber devagar e a contragosto. É evidente que entregar o poder a um grupo de ignorantes e vendilhões radicais, este Governo da dupla Passos-Relvas, é desastroso por comparação com o Executivo de Sócrates e o que este conseguiu fazer com as contas públicas e as políticas sociais, inclusive apesar da hecatombe económica internacional desde 2008 e da impotência europeia na protecção aos países atacados pelos mercados desde 2010. Por consequência, por ser coerente, Amado está muito bem ao repetir a mesma lógica. Lógica essa onde a RTP não justificaria uma clivagem entre PS e Governo que impeça a união no essencial. Claro que se pode discordar da sua opinião por milhentas e excelentes razões, mas castigá-lo e apelar à sua ostracização dentro do PS, como fizeram Ana Gomes e Alegre, exibe a disfuncionalidade cívica da esquerda narcísica e moralista.
Contam-se pelos dedos de meia mão as figuras públicas que defendem soluções ao centro. E é preciso ser ingénuo para o fazer, tão verrinosas e inevitáveis as agressões de que serão alvo vindas de todos os quadrantes partidários. Só que existem dois tipo de ingenuidade, a negativa e a positiva. A negativa é aquela de Ana Gomes e Alegre, os quais ingenuamente se agarram à ferrugenta armadura ideológica acreditando que ainda assustam os adversários e acabam a perseguir os seus na retaguarda das batalhas. Esta é a ingenuidade que reduz o mundo ao simplismo, que se barrica no sectarismo. A positiva é esta de Amado, nascida da tarimba e da responsabilidade. Esta é a ingenuidade que assume a complexidade do mundo, que ousa advogar a inteligência, que aponta para a criatividade.
Onde Amado se estatelou ao comprido na Universidade de Verão do PSD foi no silenciamento da temática da perseguição criminal aos políticos socialistas que a JSD e as figuras gradas do PSD têm alimentado por palavras e actos. Nessa área, sejam de direita ou de esquerda, não há consenso algum que justifique o compromisso com pulhices e com pulhas. E ao seu lado e à sua frente, como se viu na pergunta à Cândida Almeida a respeito de Sócrates, estavam alguns. Que Ana Gomes e Alegre aceitem esse tratamento dado a camaradas seus, é algo que já não choca. Que Amado desperdice essa oportunidade de afrontar olhos nos olhos quem degrada o regime, fica como um lembrete de como a cidade continua com os seus pilares ao abandono.
Exactissimamente
Fazer à Constituição o que fizeram ao Caniço
Se alguém estiver a preparar uma antologia dos textos exemplarmente populistas dos tempos que vivemos, esta peça entra para lá directamente com louvor e distinção. O autor, para além de grande amigo do Vítor Gaspar, é um celebrado caluniador que escreve para alimento dos broncos e que aqui revela pretender cortar o pirilau e a tomatada à Constituição. Nem depois de ler se acredita no que chocalha dentro daquela cabeça:
Revolution through evolution
Strong Female Portrayals Counteract Negative Effects of Violent Media for Young Adults
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Gender Bias in Leading Scientific Journals
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Healthy Lifestyle Reduces Risk of Hypertension by Two Thirds
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The Hidden Truths about Calories
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Insights Into Language And Emotion From Psychological Science
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The Role of Genes in Political Behavior
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Prolonged cannabis use leads to drop in IQ, study shows
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Studying Instead of Sleeping Bites Students
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Midlife Fitness Cuts Chronic Disease Later
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Healthy Living Into Old Age Can Add Up to Six Years to Your Life: Keeping Physically Active Shows Strongest Association With Survival
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Reliance on supernatural explanations for major life events, such as death and illness, often increases rather than declines with age
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How Algorithms Rule The World
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Affluent People Less Likely to Reach out to Others in Times of Trouble?
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People of Normal Weight With Belly Fat at Highest Death Risk
Senhor Klaus Regling: “Nem a Alemanha”
Em entrevista a publicar amanhã, o alemão que preside ao FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) afirma que, sem o Fundo, Portugal e a Irlanda já não estariam na zona euro. OK, Klaus, não presides ao fundo de promoção da apanha da azeitona e a tua função é importante. Vida longa a Klaus Regling!
Mas, embora desconhecendo o contexto em que tais palavras foram proferidas, não posso deixar de observar que este tipo de afirmações espera normalmente uma resposta dos supostos prevaricadores do género – “Eternamente agradecidos pela bondade de Vossa Excelência. Muito obrigados. Bem haja. Deus lhe pague”.
Ora, todos sabemos, olhando para o caso da Grécia e para as hesitações e receios dos dirigentes europeus, com destaque para os alemães, no que respeita à saída do país da zona euro, que a criação do referido fundo e a ajuda aos países vítimas da especulação visa sobretudo evitar males maiores (como os custos de uma crise humanitária ao estilo de África, ou, no caso concreto da Grécia, a sua perda e a dos Balcãs para a esfera russa), o efeito dominó e uma descida (já estudada) do PIB alemão e de outros países do Norte em largos pontos percentuais. Não visa propriamente a prática da caridade e muito menos da solidariedade. Assim sendo, e a ser assim, Regling prova ser mais um que está convencido que fala para mentecaptos e que perde facilmente, como alguns compatriotas seus, oportunidades para estar calado. Não ajuda. Crispa.
É muito provável que os dois países já não se aguentassem nem aguentassem o euro (moeda forte) sem os empréstimos desse fundo (presumo que a Grécia, para este senhor, pelo menos na sua cabeça, já saiu). Mas a Alemanha também já não estaria nada bem e possivelmente nem euro haveria. Poupem-nos.
Um caso de histeria colectiva
Basta ler os comentários que por todo o lado se fazem à notícia das recentes declarações da procuradora-geral adjunta Cândida Almeida para nos apercebermos bem de como está difundida em Portugal uma certa histeria paranóide em torno do tema da corrupção. A senhora disse afinal meia dúzia de coisas muito simples e claras, por vezes óbvias, mas a histeria epidémica impede até de ouvir o que ela diz, quanto mais tentar entendê-lo. E quem não alinhar nessa onda colectiva histérica é logo considerado suspeito ou chalado.
Quem não disser que Portugal é um país profundamente corrupto não é patriota!
Para o cidadão médio, Portugal é um país corrupto e a grande maioria dos políticos e funcionários são corruptos, pelo facto de os media falarem quase diariamente de casos de alegada corrupção, geralmente não provada. Basta referir-se um caso, uma acusação, uma suspeita, fica logo provado não só esse caso como todos os outros. A simples distinção entre corrupção (peculato, suborno, extorsão, nepotismo, abuso de poder, etc.) e os chamados crimes económicos e financeiros (muito mais difundidos estes) devia ser ensinada desde a escola primária, tal a confusão que reina na cabeça das pessoas. As comparações internacionais também não interessam aos paranóicos nem os consolam, porque eles têm a certeza de que a corrupção é generalizada em Portugal, uma certeza baseada não em factos, mas em conjecturas e boatos, alimentados pela sanha política, pelo sectarismo e pelo bota-abaixismo.
Primarismo e insanidade mental é o que caracteriza este fenómeno de massas, simultâneo e complementar da peste anti-política e da aversão aos políticos, que sempre foram as antecâmaras mentais da aceitação pública das ditaduras e dos autoritarismos de todas as cores. Aliás, para gente primária e paranóica, política = corrupção, consequentemente acabar com a corrupção é acabar com a política.
Uma das consequências mais negativas desta histeria paranóide em torno do fenómeno da corrupção é que, com tanta gente a gritar ao lobo, as pessoas acabam por se desinteressar da real ameaça de corrupção e achá-la natural e inevitável. Os verdadeiros casos de corrupção atravessam incólumes por entre esta gritaria pública e, no fim, são relativizados e perdoados. Se a corrupção é supostamente “geral”, porque não se haveria de desculpar este ou aquele caso provado? “Eles são todos iguais” – diz a bacoqueira nacional.
A ética morreu afogada
Há oito anos que, de vez em quando, notícias dos submarinos emergem e depois, de repente, submergem. Quando interessa, aparecem e quando deixa de interessar, desaparecem.
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As notícias a que Portas se refere emergiram no Ministério Público, o qual anunciou a (re)descoberta de documentação em falta no processo da compra dos submarinos. Independentemente do desfecho do caso, esta declaração literalmente en passant é um diagnóstico letal para o regime. Eis um dos políticos mais antigos em actividade, presidente do CDS e segunda figura do Governo, a dar como normal que haja instrumentalização da Justiça para fins de ataque político.
A declaração nada tem de extraordinário no plano intelectual, onde corresponde à visão cínica sem a qual muitos nem sequer concebem a actividade partidária e governativa. Este é o mundo da violência permanente e da conquista do poder pelo poder. A única regra a ser respeitada é a de fazer batota sempre que se saiba que não se é apanhado, sendo este o critério do talento para a função.
E a declaração é toda ela incrível no plano moral. Porque diz respeito à ética. Se Portas sabe que há magistrados ou jornalistas que lançam notícias difamantes e caluniosas, que espalham sistemática e impunemente suspeitas de crime a serviço de interesses próprios ou de terceiros, onde estão as denúncias? Onde está o seu combate contra tamanha perversão e decadência? Onde está o seu compromisso com o Estado de direito? E como se permite fazer política em casos similares, como o Freeport, onde bastou o seu silêncio de conhecedor deste tipo de manobras agora denunciadas para ser cúmplice de manobras por denunciar?
Espera… vai na volta, Portas considera que no Freeport as notícias não emergiam e submergiam quando interessava. E se lhe perguntarem se vê semelhanças nos dois casos nesse aspecto, podemos já antecipar a resposta: dirá com um sorriso mavioso, o sorriso de quem já anda a virar frangos há décadas, que o Freeport não é um submarino.
Esta Lisboa já não existe, mas é
“Up yours!”, Paulo Rangel
Impostores sem credibilidade alguma.
Agora em francês: “Tiens!”
Insinua Rangel que, em 2011, presume-se que no primeiro semestre, claro, o governo português de então, esbanjador e sem tino, desrespeitava sistematicamente os programas de contenção orçamental e que a irresponsabilidade era tanta que o país perdeu a credibilidade (presume-se que a perda já vinha a acontecer desde 2005), não tendo os credores outro remédio senão fechar a torneira e pôr ordem no recreio, tal o desvario de gastos. Ora, quem melhor do que os estarolas da São Caetano, mancomunados com os patos bavos deste país e tranquilos com o estatuto de Vítor Gaspar, para a árdua missão, não é, Paulo Rangel? Agora sim. Com um milhão de desempregados, uma diminuição acentuada dos rendimentos das famílias, a fuga dos portugueses mais qualificados, a subida generalizada dos impostos e, apesar disso, uma quebra colossal na receita fiscal, tão colossal que a meta do défice não será cumprida, e ainda o agravamento da dívida muito para lá do esperado, a credibilidade é total. Somos finalmente credíveis! Não vamos reestruturar a dívida como os gregos nem desrespeitar as metas como eles nem adotar novas medidas de austeridade que agravarão a recessão. Nada. Somos credíveis, assistidos mas credíveis. Ou credíveis porque assistidos? A virtude que Paulo Rangel vê nesta situação escapa-me.
Pois bem, Portugal era um país totalmente credível em Março de 2011. Tão credível que a União Europeia aprovou o quarto plano de estabilidade do governo Sócrates e declarou-se disposta a apoiar o país por todos os meios de modo a que não seguisse o caminho da Grécia e se colocasse aqui uma barreira no dominó de países sujeitos a tombar. Quem destruiu a chamada credibilidade foi a oposição com o chumbo do referido plano e a instabilidade política criada antes disso, que se traduziu, por exemplo, no chumbo de toda e qualquer medida de contenção orçamental (recordo apenas o corte das transferências para a Madeira, a reforma da carreira docente, a subida do IVA para produtos excessivamente calóricos, como o leite achocolatado, mas o peru do festim foi muito mais recheado).
O que falta a esta gente para ser, ao menos, um pouco honesta? Porque não diz Paulo Rangel, um homem que se assume católico, que as condições em que Sócrates governou a partir de 2009, em minoria na Assembleia, sem coligação nem acordos de governo e sem o apoio de Cavaco, o principal urdidor do plano de assalto ao poder do PSD, tornou a redução da despesa literalmente impossível? E que tudo se deteriorou após o chumbo do PEC 4?
A única credibilidade do país neste momento em que todos os indicadores económicos se agravaram, com exceção das importações, que diminuíram, mas pelos maus motivos, ou seja, porque não há poder de compra, é a inventada por pessoas como Rangel e seus correligionários e sustentada pela Troika, que não tem qualquer interesse em reconhecer o fiasco do seu programa. Um programa que, convém referir, o primeiro-ministro assumiu como seu. O regresso aos mercados e a dispensa da Troika só será possível depois de uma reviravolta na política europeia e no papel do BCE, que era por onde se devia ter começado, poupando-nos a este triste espetáculo do Relvas e companhia, cuja única missão, essa sim, é entregar grandes empresas aos amigos e depressa, antes que o vento mude e os negócios fujam.
