
Eis o mais recente teste à disposição do português para detectar se um outro português é imbecil, lunático ou, simplesmente, falho de bom senso e bom gosto: basta pedir ou detectar opinião quanto à notícia de uma bulha entre professora e aluna, a qual foi registada em vídeo para proveito comunitário. Se vier relação com o Ministério da Educação, o Estatuto do Aluno ou a Maria de Lurdes, estaremos perante um retinto imbecil. Se o discurso aparecer em forma de lamento pela decadência do ensino, da moral, da autoridade e da família, estaremos face a um lunático. Se surgirem tiradas reflexivas sobre o que deva ser a educação e a escola, estaremos frente a carências variadas, algumas simpáticas.
Aquilo que se vê é uma situação de incapacidade profissional, tão-só, e nem importando diagnosticar a causa. Ora, há incapazes em todo o santo lado. Os piores nem são os que estão nas Escolas Secundárias, pois os seus defeitos ficam diluídos na mediania do professorado. Grave é falhar profissionalmente na Justiça, Saúde, Administração Pública, Polícias e Forças Armadas. Seria estupendo reunir vídeos de médicos a errarem diagnósticos por desleixo, juízes a decidir com base em preconceitos moralistas, polícias violentos porque brutos e impunes, autarcas a deixarem que se destrua paisagem natural a troco de um Mercedes ou coisa ainda mais reles. Neste raríssimo caso de documentação pura de conduta docente, temos uma senhora que não sabe lidar nem com alunos, nem com adolescentes, nem com raparigas, nem com cidadãos na posse de telemóvel próprio. É muita incompetência junta, mas só tem um responsável: o adulto na sala.








