A josémanuelfernandização do Expresso

Com o título de capa “Dei mil contos a Pacheco Pereira”, numa chamada para a entrevista a Abel Pinheiro, uma figura que poderia ser metida num frasco com álcool e estudada em cursos anti-corrupção, o semanário de Balsemão, dirigido por essa fraca figura que é Henrique Monteiro, alimenta a filha-de-putice que vai marcando a imprensa em 2008. Não temos jornais de referência, é o que isto significa.

114 thoughts on “A josémanuelfernandização do Expresso”

  1. Só com uma diferença:

    O que o Expresso coloca na primeira página é falso, logo uma calúnia.

    E o que “O Público” publica sobre Sócrates é verdadeiro.O próprio Sócrates o confirmou.

    Assim, se o Expresso quisesse josemanuelfernandizar devia ter feito uma investigação séria sobre a alegada doação de Abel Pinheiro em vez de colocar na sua primeira página, sem qualquer investigação ou confirmação, a menos relevante e uma das mais falsas (que outras lá há que também são falsas) declarações do personagem em questão.

  2. Sim, mas a investigação do Público não revelou nenhuma ilegalidade – o que, já agora, até poderá deixar a dúvida se houve, de facto, investigação…

  3. E esperavas o quê? Que fossem ‘objectivos’? Quando é que eu já ouvi isto?

    O Fernandes, que se tem empenhado nos últimos anos em demolir o ensino público, dispara agora tiradas moralizadoras a favor dos professores. Ainda mais do que as escolas públicas, quer demolir o Sócrates, pedra por pedra. Ódios velhos, sei lá.

    O Miguel Sousa Tavares, pelo contrário, tem dito do governo Sócras o que Maomé não disse do toucinho, mas neste particular poupa-lhe o cachaço.

    Gente jeitosa, esta. Dá para entreter.

    Mas olha que a problemática do hífen estende-se a anticorrupção.
    O hífen tira-nos mesmo do sério. Irra!

  4. Mudei o comentário, desculpa lá. Mas sim, tinha escrito “Não se justifica.” Não se justifica a comparação com “mal estar”. Num caso há equívoco, no outro não. Seja como for, a aplicação do hífen nunca foi muito católica.

  5. As regras do hífen são ultracatólicas e para aplicar.

    Mal estar não apresenta qualquer equívoco, tu é que quiseste fazer malabarismos.

  6. talvez se possa dizer que um equívoco gera valências e portanto acrescenta valor, não? eu sei que isto parece uma visão muito relaxada (no sentido lagrangeano :), quando se busca rigor. Mas na arte é ao contrário, parece, abre derivas

  7. Nunca gostei das “referências”. Mais tarde ou mais cedo, tornam-se paternalistas e donos de toda e qualquer verdade…

    O mais grave é fingirem que pensam que podem vender gato por lebre e que os leitores são todos os pacóvios…

    Mas como é tudo a fingir, oferecem livros, dvd’s, cd’s, malas, etc, para ver se a malta também lê umas noticiazinhas, mesmo destas, mentirosas…

    O Vicente explicou muito bem o que é o “Público” de hoje. E o “Expresso” já era isto nos tempos do arquitecto, pelo que…

    Eles que deixem de dar “prendinhas”, que ficam com a colecção quase completa de jornais, Valupi…

  8. valupi, não sejas patético.
    Numa língua nada é fixo mas é fixado de tempos a tempos, e as regras que exiges aos outros deves aplicá-las a ti.
    E escusas de espernear, depois de um texto tão autocontentinho sobre um erro ortográfico esperava-se que não pretendesses uma bula especial para o teu caso. Em ambas as situaçãos se trata da aplicação do hífen que, segundo a tua gramática, não tem grafia fixa. Se não tem para ti, não tem para quem escreveu mal estar

    Não sou professora de português, até por esse equívoco devias pensar duas vezes antes de fazeres dos erros alheios o centro das tuas ironias.

    z, é claro, a língua só é fixada por uma questão prática, de comunicação. Muitas vezes a beleza da comunicação está precisamente no rompimento das regras.

  9. tu ficaste zangada lá em baixo M, mas olha que me parece que a avaliação vai à vida por este ano, espero bem, é ir vendo as comissuras da ministra… Que exercício pérfido estava a ser ensaiado, espero que o socras tenha antevisto os custos políticos

    vem uma coisa muito engraçada na Scientific American deste mês: interroga se a Cosmologia vai acabar porque à medida que o Universo expande se perde a evidência física do big_bang…

    engraçado, o big_bang fica contextualizado à nossa escala de espaço-tempo, só tem evidência mensurável nesse contexto

    (meti uns hífens rasteirinhos por causa das coisas)

  10. luis eme, mas não gostarias de ter uma imprensa que estivesse acima da pulhice? Para mim, é essa a referência.
    __

    Mas qual erro, M? “Anti-corrupção” em vez de anticorrupção? Tem juízo.

    Quanto às regras fixadas, isso nem oferece discussão. Mas não passa de um acordo sociológico, não jurídico.

    Quanto aos “erros alheios”, estás a revelar dificuldades de interpretação. O texto não é sobre gramática, é sobre a ingramática.

    (sim, eu sei que não se encontra nos dicionários “ingramática”, escusas de te alvoraçar)

  11. O gajo se calhar até deu a massa mas não foi directamente ao Pãxêco e o intermediário abotoou-se. Está melhor assim?

  12. Claro que fiquei zangada, é uma urdidura sinistra o que aqueles três estão a tramar. Já piam mais mansinho e pela primeira vez vi a ministra descabelada e a tropeçar nas palavras. Sim senhor, nós prometemos emendar-nos. Depois têm recaídas. Tornam a ligar as pilhas e desmentem o desmentido. Estão mal programados, aquilo com um software básico resolve-se.

    De qualquer modo, não sei o que leste hoje sobre o assunto. Que talvez o Sócras tenha tirado o lápis de trás da orelha e feito umas continhas simples de subtrair. Que isto dos números tem o seu peso.
    E depois há o juízo dos homens bons.

    http://videos.sapo.pt/eM8Qhjn0pa08CiDqkfBT

    E que bem que ficam os underscores no big_bang, aumenta o buraco negro. Mas assim, big~bang, também não ficava mal. Mais caseiro, mais próximo da escala humana.

  13. valupi, porque insistes em enterrar-te? Não me pareces destituído de todo.

    Mas não passa de um acordo sociológico, não jurídico.

    Um decreto-lei é um acordo quê?

  14. Estás a afirmar que a Língua é o resultado de um decreto-lei? Tens noção do disparate para onde estás a levar a argumentação, não tens?

  15. Ah! Pois claro que assinar projectos de outros para tornear incompatibilidades determinadas por lei não é ilegal. Tinha-me esquecido disso. Peço desculpa.

  16. Não, não estou a dizer que a língua é o resultado de um decreto-lei. De repente pareceu-te ver uma tábua de salvação.

    O que estou é a perguntar-te, no seguimento desta tua afirmação, mas não passa de um acordo sociológico, não jurídico:

    um decreto-lei é um acordo quê?

  17. (o socras não pode permitir-se o terrível impacte negativo que teria a evolução do processo, é básico, nesta altura do ano, e sobretudo seria muito injusto para vocês; só aguentei 9 minutos do velhote mas genericamente concordo com ele, agora também não deixa de ser verdade que é optar pela ‘estagnação’, ou melhor: progresso lento e concertado. No entanto é triste que se tenha chegado a estes apertões, por causa dos submarinos. O socras chama-se socialista e vamos cobrar-lhe isso. Tinha-me esquecido que isto aqui era sobre jornais. Eu jornais agora é só muito de vez em quando e ainda por cima saltito)

  18. Bom, já se progrediu.

    Escrever-se mal-estar em vez de mal estar, e anticorrupção em vez de anti-corrupção decorre de uma regra publicada em decreto-lei. Logo, com alcance jurídico.

    O que é que te permite exigir o cumprimento desse decreto-lei para um caso e defender o incumprimento no outro?

    Ok, chega. Era mais simples teres admitido logo a inconsequência. Afinal nada disto tem assim tanta importância.

  19. z, a avaliação não é posta em causa por ninguém, muito menos pelos que só têm a ganhar em se diferenciar dos medíocres. Mas há avalições que não avaliam e só fazem perder tempo.
    Se tivesse havido juízo desde o início o processo já podia estar a correr.

  20. Ah, afinal, és tu quem consegue ver a luz.

    Repara: na questão do hífen ausente em “mal estar”, o meu problema não é gramatical, é político. Fui meramente oportunista para ganhos retóricos, mas não queria discutir gramática. Isso seria inane. Quanto a “anti-corrupção”, a norma indica o uso sem hífen, como bem apontaste. No entanto – e essa é a minha questão, neste ponto em debate – eu posso à mesma usar o hífen! Seja por erro ou preferência.

    O que me estava a parecer absurdo era o teu refúgio na norma; quando a norma é sempre, sempre, sempre convencional. As leis não mandam na Língua, como todos sabem. Enfim, “obedeça à gramática quem…”

  21. Pois, está bem, eu deixo-te acabar em beleza e cheio de luz.

    Pois claro que npodes escrever á tua vontade, não há qualquer força punitiva para q

  22. pois M, eu concordo, desde o primeiro comentário que disse que achava bem que houvesse avaliação, mas bem viste o disparate que ia aí, além disso mauzinho, que aqueles lábios finos não enganam.

    Sinceramente acho que a tal recuperação de confiança só pode acontecer com outro ministro. Com cem mil professores (e famílias) nas ruas contra si, um ministro honesto apresentava a demissão, por razões éticas, estava comprovado que nunca seria o melhor interlocutor no que se seguisse. Não o fazer é de uma teimosia (anal retentiva) que obsta aos princípios democráticos. Péssimo exemplo.

    por outro lado às tantas vão avaliar o quê? O estilo do prof? As normas do bem-dizer?

    o elemento principal da avaliação de um prof deve ser os resultados dos seus alunos em exames nacionais, aferido em absoluto e no quadro região_escola_disciplina_prof, ou seja também indexado a quantis. Ou por análise de variância, como te disse lá atrás. Mas de facto isso tem que ser experimentado, até para ser calibrado. E além disso eu não sou prof do secundário e deixo a vocês a palavra final sobre o assunto, só dou umas dicas do que me parece justo.

    e a força propulsora também deviam ser os avaliadores dos bastidores que iam ganhar uns cobres extra, os que gerem o programa,

  23. Fugiu-me, vou repetir.

    Pois, está bem, eu deixo-te acabar em beleza e cheio de luz.

    Claro que podes escrever à tua vontade, não há qualquer força punitiva atrás de ti. Mas também podes escrever ‘hádes’ e ‘tu fostes’, há linguistas que defendem que são populismos que um dia poderão tornar-se norma.

    E eu quanto a isso, batatas. Se não houvesse escolarização, gramáticas e dicionários onde é que a língua já ia.

  24. Ó mulher, mas é por isso que a linguagem verbal é sempre um acordo sociológico, pois tem como função ligar indivíduos num dado grupo. Mas nenhum escritor se limita a esse critério. As fugas à norma não são só para baixo (mas, lá está, o Português não teria nascido sem essas quedas, entre tantas outras línguas naturais que se formaram por “corrupção”), também acontecem fugas para cima, na dimensão criativa da gramática.

    Enfim, lana caprina.

  25. que aqueles lábios finos não enganam.

    Ah, também tu? É verdade, a gente olha para aquela cara deserta e vê logo que andam ali problemas mal resolvidos. Mas o Pedreira ainda é pior, deita fogo pelos óculos.

    Estes senadores têm muita força como lideres de opinião. É que não é só o Adriano Moreira, são praticamente todos os que ouvi até hoje. E o Sócras a enfrentar sozinho os Golias, é um bocado pesadote para o rapaz.

    Mas sabes, eles já esticaram de tal maneira a corda no ‘não pagamos, não pagamos’ …ah, perdão, ‘não adiamos, não adiamos’ que estou com alguma curiosidade em ver como se sai disto. Só com muito fervilhar de neurónios.

    Nas escolas, nada se sabe, candeias apagadas.

    Ah, não tenhas dúvidas. Os inspectores vão ganhar à peça. Imagina o prejuizo do adiamento.

    Mas o ME é mesmo incontinente. Acabei de ler isto:

    “Formação de avaliadores definida numa semana
    ME quer formação para os avaliadores e os avaliados”

  26. Os escritores têm a subida honra de fazer norma, é mais simples do que isso. E mesmo que o padrão continue a ser a orientação geral, são sempre citados. Escreve-se assim, mas em fulano de tal aparece assado. E é até mais comum na sintaxe do que na ortografia.

    As outras línguas nem sempre nasceram por ‘corrupção’ mas como desenvolvimentos paralelos. E depois vence a que tiver mais força ou à qual é dada mais força.

  27. ainda vi aqui espreitar, já a piscar, então agora é o negócio dos formadores,

    pois sabes que eu quase não vejo televisão porque fico muito enjoado

    e não pagam as horas extraordinárias aos prof.s contra a decisão dos tribunais…

    Rua!

    Socras, até levas caixa alta, vê lá se atentas, filosofar é aprender a morrer, mas não tem de ser já

  28. hum, vou mas é dormir sossegadinho que isto não é horas de guerra

    se o socras é david, é meu camarada, agora é que me tramaste

    (sou gamado em amandar-me a golias, tenho pinta de garnizé, mas depois é um monte de penas no ar, e um golias a pirar-se envergonhado quando tenho sorte,)

    mas a continuação da ministra galinha-má só vai prejudicar o governo, e aquele das obras públicas que faz lembrar o triunfo dos porcos também, vá lá que a Elisa vai regressar à ribalta, gosto dela

  29. Sim, mas o Português é por corrupção do Latim, ou por vulgarização. Claro que o conceito de corrupção é inevitável fonte de ambiguidade, mas nem importa estar a perder tempo com o assunto.

    Quanto à norma, e desculpa lá a insistência, ninguém a faz – aparece feita. É sempre uma retrospectiva.

  30. M, val,
    ‘Afinal não tem assim tanta importância’ e ‘lana caprina’ coisa nenhuma, que eu cá gostava de ver mais esticadinha essa massa. Sabem que eu adoro inventar palavras? Acho que a língua evolui se o enxerto for feliz e feito com arte que chegue para pegar. Digam-me, por favor: estou errado? Devemos ser rigorosos nos termos ou podemos improvisar sem tirar a mão do corrimão de segurança, para não nos perdermos?

    z,
    zapicua, garnizé!

    ex: zapicua é uma palavra que conta uma história, usada neste nosso contexto, diz uma frase inteira, poupa palavras, diz tudo. A partir daí pode-se ver zapicuar, assistir à zapicuação, etc.. Só não se é zapicuável, z há só um.(até porque desconfio que o mundo é pequeno para dois)

    daniel,
    já tivemos esta conversa, certo? parece que me lembro de levar na cabeça, ou estou enganado?

  31. Este espaço parece ter donos|! Há pessoal que o usa como se de coisa sua se tratasse. Está mal. Não é correcto. É um abuso, acho eu.
    Agora deixo o meu comentário: Quer o Henrique Monteiro quer o Fernando Madrinha, pelas opiniões que expressam, parecem estar a soldo do actual governo. Compro o Expresso não para me inteirar das últimas noticias mas para analizar as opiniões (antes, por vezes divergentes)dos vários analistas com a intenção de me ajudarem a formar a minha opinião. Mas tenho verificado que todos – como os atrás citados – afinam pelo mesmo diapasão. Eu quero ser informado e não manipulado. ao fim de dezenas de anos vou deixar de ler o Expresso.
    Jalsantos

  32. Deixei de ler jornais em 2003. E só tive experiência, como leitor e colaborador, durante dois anos. Ouvia falar tanto nesse móbil do poder, nada imparcial, que não consegui evitar analisá-lo. Constatei que aquela cantilena, “não faz mal, não faz mal, limpa-se ao jornal”, fazia algum sentido – algum, porque nem para limpar merda servem (já basta a contaminação das cabeças, quanto mais dos cus).

    Perdi todo e qualquer respeito pela imprensa escrita. Constatei que a liberdade de expressão não existe. Vi alguns textos serem censurados no “O Público” e serem publicados no “DN”. Outros estavam mais a jeito do “CM”. Onde senti mais cumplicidade, com o que escrevia, foi no “A Capital”. Seria escusado informar que alguns textos nunca chegaram a ser publicados. Durante cerca de um ano, fiz publicarem mais de 100 artigos de opinião – até penso (vou) fazer um livro daquilo.

    Cheguei a chamar de porcos alguns editores, mas mesmo assim não deixaram de me ir publicando – a partir daí, vi que não havia nada a fazer…

    Parodiando com vaticínio de periferia: O jornalismo está em ruptura. Entrou no patamar do desespero. Nunca os seus gritos estiveram tão audíveis, reveladores. Um grande momento, certamente, aproxima-se.

  33. jdias, se tens provas de alguma ilegalidade no que Sócrates andou a fazer nesse tempo, que esperas para as apresentar?
    __

    rvn, mas ninguém te impede a invenção. Donde te vem a insegurança ou ansiedade?

    Quanto ao filme que já viste, tens de ser um pouco mais explícito, meu caro.

    E isso de estares na idade dos porquês, é divinal sorte.
    __

    João Albino Santos, és tão dono deste espaço como (quase) todos. Porque há sempre um Politburo neste, de outra forma, comunismo perfeito.

  34. O português deriva essencialmente da mistura do latim vulgar com as línguas locais pré-existentes, tal como os outros romances que se formaram na época. Um ‘crioulo’, para utilizar um paralelismo com o que conhecemos.

    A norma aparece feita, não é bem assim. Por um lado limita-se ao reconhecimento oficial de um uso mais ou menos generalizado ou de uma necessidade semântica (a palvra estória, por ex), mas por outro trata-se de uma escolha dos gramáticos, linguistas, dicionaristas. E esses fazem a norma ao tomarem partido por esta e não por aquela grafia, por esta e não aquela construção sintáctica. Decidem o que nas mutações que se foram verificando com o tempo deve ser tomado como bom ou não. Até hoje, por ex., ninguém aceitou na norma escrita e até falada os ‘obos’ e o ‘baca’ da faixa litoral centro/norte. Pelo contrário, a norma é que está a empurrar para uma pronúncia padronizada.

    E já que andamos neste campo, os hífens vão levar uma poda radical no novo acordo ortográfico e muitas palavras vão passar a ter uma grafia até agora não consentida. Se a pronúncia das palavras se mantém inalterável por quem faz a língua – os falantes – quem decide da nova grafia? Quem faz as regras, obviamente. Pura convenção.

    rnv, só posso dar-te a minha opinião e nada mais.
    A norma é necessária para nos estribarmos e não voltarmos à balbúrdia dos pêcegos/pêssegos e Cintra/Sintra do século XIX. Um afastamento levado ao extremo impediria a comunicação. Mas também não pode ser um colete de ferro que tolha não só a evolução natural como a imaginação.

    Se gostas de ler o Mia Couto, por exemplo, pensa o que perderias se a medida para a publicação das suas obras fossem as regras-padrão. Pobres de nós.

  35. e não pagam as horas extraordinárias aos prof.s contra a decisão dos tribunais…

    z, mas isso é uma longa história de atropelos e incumprimentos. Não acatar decisões do tribunal é do mais pedagógico que há num estado de direito.
    E depois enchem o peito de ar, ajeitam a gravata e o emblema e falam em cidadania.

    Há muito que se vem a esvair aquela noção ingénua de que o estado era pessoa de bem, que se não cumpria com honra era por incapacidade material ou desleixo.
    Estes ajudaram com as últimas pazadas. Acho que já ninguém tem qualquer ilusão.

  36. M

    Tenho estado a assistir, de camarote, deleitada, aos seus comentários e não queria deixar de felicitá-la. E felicitá-la :

    1º pelos conhecimentos que, neles, deixa transparecer;
    2º pela simplicidade e autenticidade com que os transmite;
    3º pela sua excelente capacidade de análise;
    4º pela sua argumentação, poderosamente alicerçada, denotando uma enorme lucidez e isenção de raciocínio e exposta de forma clara, correcta, inequívoca;
    5º pela paciência e elegância que tem demonstrado na “luta” contra o preconceito histérico e a vacuidade de reflexão patenteados nalguns comentários de prosa flatulentamente balofa.

    Em suma, pela oportunidade e acuidade dos seus comentários, por tudo o acima exposto e pelo que eventualmente terá ficado omisso, aceite os meus parabéns.

  37. M, quem faz as regras é a comunidade dos falantes, incluindo a ortografia. Tudo o que o Estado – na pessoa das autoridades escolhidas – tente regular não passa de indicação. Por isso, é com curiosidade que aguardo o Acordo, pois até pode levar a que haja uma reacção contrária, levando a um renovado interesse pelo desfasamento, ou estilização, da escrita face à oralidade. Por exemplo, a perda do ‘h’ vai ser dramática…

  38. Sou também admiradora incondicional de Mia Couto.
    Costumo dizer que uma língua é como um organismo vivo: vai perdendo células (os arcaísmos) e ganhando outras(os neologismos).
    Toda a fuga ao padrão advém proveitosa, desde que seja feita de forma consciente e não por ignorância. Um pleonasmo pode ser um recurso estético ou uma falha, dependendo de quem o usa e de como o usa.

    Por isso concordo perfeitamente com o que disse ao rvn .
    Não deixei de registar, contudo, com alguma maldadezinha, a forma como o diz
    ( ” só posso dar-te a minha opinião e nada mais” e a dá, através de argumentos perfeitamente fundamentados), a contrastar com o ” mas ninguém te impede a invenção. Donde te vem a insegurança ou ansiedade?” com que o Valupi, arrogantemente e com muito menos legitimidade linguístico-literária, “autoriza” o rvn a inovar a língua.

    Enfim, estátuas com pés de barro!

  39. hum, não há zapikuas à vista…

    amigo, então deixas-me sózinho no mundo, ziguezagueando sem destino? Eu conto-te o meu truque: já que o dodecaedro é o sólido que representa a completude e a perfeição, fiz uma generalização da ‘cara-metade’ e então considero-me uma faceta da coisa, havendo assim mais 11 compinchas na vizinhança – assim ando sempre entretido e sobretudo baratinado, o que me evita os ataques da sombra schopenhaueriana, já que o Valupi conseguiu dar um bonito puxão à legitimidade da coisa sorridente,

    mas blog namoradeiro só tenho este, raro dou um tirinho por for

    hoje queria uma molidão de Verão (moleza mais lassidão), mas tenho de namorar com a máquina da roupa

    Ninguém viu a Zazie? Tou com saudades, embora já vi que ela postou um bonito Porco de Murça

  40. ” quem faz a regra é a comunidade dos falantes”

    E a comunidade dos falantes não tem especialistas ou é assim uma prostituta à mercê de todos os falantes como o valupi pretende ver transformada a Escola?
    Ou estaremos perante uma espécime em vias de extinção daquelas que só acreditam e respeitam as ciências exactas?|!
    Respondi ou não à tua pergunta sobre a “legitimidade linguístico-literária”?

  41. MC, fazes-me uma boa pergunta, pois não faço ideia se me respondeste ou não. Mas, pelo menos, não deixas dúvida quanto a isto: estás completamente balhelhas.

  42. mas realmente M, estava ali a fumar um cigarro e cogitar – é nojento: o ME que é suposto ser um exemplo permanente de Educação (em última análise cívica e democrática, constitucional) não paga as horas extraordinárias de acordo com as decisões dos tribunais e vai pagar a formadores para avaliadores e avaliados, já que não pode pôr uma cabazada de prof.s na rua este ano porque há eleições à vista…

    Isso é mas é um grande negócio de coroas de bastidores de contornos revanchistas e utilitários

    completamente insuportável

    que vergonha!

  43. MC, agradeço a sua simpatia.

    Claro, concordo plenamente, a fuga ao padrão é muitíssimo proveitosa em mãos como as do Mia Couto, e não lhe passa pela cabeça escrever uma carta ou um artigo de jornal como escreve um livro. Quando as pessoas justificam com o José Saramago a ausência de certas regras, nomeadamente as de pontuação, eu só lhes pergunto se já lhe viram alguma vez outro tipo de escritos e em caso afirmativo, se não notam alguma diferença.

    _____________________________________________________

    Valupi, estás redondamente enganado. A comunidade dos falantes nunca se pronunciou, enquanto tal, sobre a ortografia de antiamericano ou semifrio. Nem sequer pela prática, pois trata-se de palavras em que normalmente dá erro. Limita-se a aprender na escola e a utilizar como aprende, quando utiliza. Por isso te disse que as palavras compostas com recurso a hífen só nos dão desgostos.

    Assim como não decidiu, nem tal lhe deve ter sequer ocorrido, que vai passar a escrever eu hei de, tu hás de, ele há de em vez de eu hei-de, como tinham decidido os regulamentadores anteriores. E certamente que também não passa sequer pela cabeça da tal comunidade que vai fazer o autorretrato e usar minissaia. Mas vai. Ou antes, pode ser que se revolte. Mas nestes vocábulos não me parece, porque o hífen é sentido sempre como artificial e que só se usa por uma questão de ordem prática quando não pode mesmo deixar de ser.

    Não vai haver praticamente nenhuma alteração quanto ao ‘h’ inicial ou em outra posição. Apesar de ainda não ter sido publicada a lista do vocabulário comum, o que o acordo estatui é que se mantém o emprego do ‘h’ em palavras onde é usado por força da etimologia, como ‘hora’, ‘haver’, ‘humor’.
    Quase todas, portanto.
    O que tem levantado dúvidas é ‘humidade/umidade’, porque no Brasil já foi suprimido por divergências quanto ao étimo da palavra. Nesse caso, provavelmente será consagrada a dupla grafia, mas temos que esperar, ainda não foi feito o trabalhinho de casa.

  44. M, tu preferes a sincronia à diacronia, por isso entendes a comunidade dos falantes como uma instituição com orçamento anual e dirigentes eleitos pelos amigos no Governo. Por aí, ainda não saiu comunicado, ou tomada de posição, é facto. Mas convirás que a Língua é algo mais do que aquilo que se diz dela. Não se trata, então, de decidir. Trata-se de usar, estabelecer, afirmar. Trata-se, pois, de falar.

    Os teus considerandos sobre o hífen são inutilidades. Em dois dicionários de referência grafa-se “fim-de-semana” e “fim de semana”, por exemplo. Não importa o que tu penses, ou deixes de pensar, quanto à artificialidade do hífen. Estamos perante a capacidade expressiva, onde um hífen pode cumprir funções semânticas, literárias e estilísticas, e não só ortográficas.

    Quanto à supressão do “h”, não tem como único critério a etimologia, mas também o uso e a composição.

  45. z, há dinheiro para todos, boys, girls, afilhados, vizinhos, menos para quem pensa que o trabalho fez o homem. E é bem feito, há mesteres muito mais rendosos, só mesmo a falta da mais elementar inteligência leva os papalvos a picar o ponto.

    Ah, e essa ministra britânica que não faz escola por cá! De vez em quando alguém levanta um dedo e diz que quer falar da participação do sr. Barroso na cimeira, mas é logo abafado pela imponência do cargo da presidência europeia. E dos veludos, principalmente dos veludos.

  46. Pois, trata-se de falar, mas também se trata de escrever com correspondência à fala. E trata-se também de estabelecer as normas do falar. E aí o que outros decidiram que é correcto ultrapassa-te e tens que te adequar. Não digo no teu dia-a-dia, mas em linguagem oficial, se for caso disso. Já te falei na pronúncia do ‘v’ em certas regiões do país, que em Portugal não é aceite e em Espanha é a norma.
    E quem decidiu que o português-padrão seria o usado entre Coimbra-Lisboa em detrimento dos outros falares portugueses não foram os falantes nem a comunidade, que não foram ouvidos nem achados.

    Quanto aos meus considerandos sobre os hífens, tudo como dantes no quartel de Abrantes porque não percebeste que para além da norma, há quem proponha norma, e entre eles os dicionaristas. E como a que nos regula data de 1945, muita água passou debaixo das pontes e já começa a haver alguma dispersão.
    Daí a necessidade de tocar a reunir de tempos em tempos. Ou pensas que se não houvesse afastamento haveria motivo para se gastar tempo e dinheiro a padronizar tudo de novo?
    Aplicando-se o acordo agora ratificado, essa dispersão fica controlada por uns anos. Depois tudo recomeça até novo acordo ou reforma. É assim. Se fores ao Dicionário da Academia, encontras lá uma antecipação do que se pensa que a norma irá consagrar (e assim será porque o Malaca Casteleiro fez parte da equipa), só que ainda falta a tal lista para não deixar dúvidas.

    Quanto à supressão do “h”, não tem como único critério a etimologia, mas também o uso e a composição.

    Céus!
    Mas a supressão do ‘h’ em palavras como ‘erva’ e ‘desumano’ já está mais do que consagrada pelo uso e há quantos anos! Agora apenas é confirmado que se mantém essa ortografia apesar de a etimologia não ter sido levada em conta. Aquando, no primeiro caso, da ‘limpeza’ de mudas, e da decisão de que não haveria ‘h’ no meio de palavras a não ser nos dígrafos ‘ch’, ‘lh’ e ‘nh’, no segundo.

    Portanto, não vamos suprimir quase ‘h’ nenhum, eventualmente admitir a dupla grafia em ‘húmido/úmido’ e derivados. Não estou a ver mais palavra nenhuma. A existirem, serão muitos poucas. E já te disse, a diferença da grafia portuguesa e brasileira deve-se apenas a uma interpretação diferente do étimo da palavra.

    Sim, o que eu penso não tem importância, ou pelo menos não tem mais importância do que aquilo que tu pensas. E até podes nem usar as regras, é contigo. Mas não te esqueças, se voltares a ser professor, estás obrigado a dançar conforme a música. Só depois de as aprenderes e as ensinares bem, podes ir para a ruptura intencional.

  47. M, tens estado a descrever o processo pelo qual a norma se constitui como realidade política. Mas tal não esgota a realidade sociológica, e muito menos a artística. Assim, e inevitavelmente, se o Zé não é convidado a dar opinião quanto à evolução da Língua, os seus eventuais desvios tradicionais e quotidianos não são tidos nem achados. E?… Havendo uma norma, há sempre exclusões e excluídos, posto que ela é opção que se institui como critério superior num dado contexto. Repetir que a norma emana do poder político e intelectual é uma lapalissada. Dizer que a norma nos constrange, é uma bacorada.

    Não é com um exemplo que podes estabelecer uma conclusão. Sim, não se escreve “bacas”, mas e daí? Que importa? Porquê ir buscar esse exemplo? Acaso não se dão alterações e acrescentos ao longo do tempo? Acaso a Língua não é orgânica, mutável, plástica e em permanente reacção química com outras línguas e necessidades vitais ou explorações intelectuais? Aliás, o facto de se continuar a dizer “baca”, e a escrever “fevras”, apesar da norma, é muito mais relevante – para o dinamismo da Língua – do que a logística da sua regulação.

    A ti preocupa-te a dispersão. A mim, preocupa-me a concentração. Serão filosofias de vida, às tantas. Mas, se voltasse às aulas, iria aproveitar para explicar como a supressão do “h” – já que aqui veio à liça – pode ser um exemplo de outras supressões a acontecer, mesmo quando alguns não estão “a ver mais palavra nenhuma”. Porque a Língua sempre foi uma concretização da soberania, e a temática tem esse fascinante risco.

    Sobre o hífen, congratulo-te por teres encerrado o assunto.

  48. Pensas-te muito perspicaz ao me atribuíres uma bóia a que te agarrares. Não, eu não assumo a responsabilidade de encerrar o assunto de alcance nacional dos hífens. Há muito mais pano para mangas, é só tu quereres.

    De resto, é chover no molhado, prosa redonda, divagações sobre soberania. Que não negam nem confirmam o que vem sendo discutido, trata-se apenas de um texto paralelo. Com uma novidade, há sinais de evolução. Depois de a norma é sempre, sempre convencional ter derivado para a norma ninguém a faz – aparece feita, ter por fim voltado ao ponto de partida como base de trabalho. Porque a norma emana do poder político e intelectual é apenas uma meia verdade, já o disse atrás.

    Não me preocupa a dispersão, mas também não me incomoda que uses a frase como mote para tiradas com efeito gráfico, Serão filosofias de vida, às tantas. Tudo o que aqui escrevi já deu para ver com olhos de ler que penso outra coisa. Mas serve-te, be my guest.

    Um dos alguns que não estão a ver a supressão de muitos ‘h’ sou eu, evidentemente, mais todos aqueles que leram o acordo ortográfico. Uns milhares largos, suponho. Portanto, o melhor seria não te espraiares muito por aí com os teus alunos. A menos que quisesses fazer história, recuar muitas décadas e explicar como in illo tempore alguém à volta de uma mesa resolveu tesourar umas palavras. Há muita gente que lamenta não se repetir a poda, talvez ainda venha a acontecer um dia. Mas não desta vez.

  49. eu cá, o humido sem h, ou seja o umido, faz-me mais frio, porque aquele h dá-me um aconchego, assim a modos que um colete de penas (de ganso!). Assim como o h em Bahia dá-me um suspirozinho inaudível de saudades, um pouco tímido,

    beijocas Zazie, fico contente de ver que dás uma espreitadela mas não te tiram de pastar no teu quintal, vai que não vai, tourinha dragão

    tenho que arranjar energias para escrever uma coisa em ingliú, vai-me demorar um mês. Bem começo amanhã, que eu sou mais do tipo não faças hoje o que podes fazer amanhã

  50. já agora, antes de pôr o meu laptop a hibernar, é só para dizer que ibernar também não me deixa sossegado, falta ali uma coisinha

  51. M, uns milhares largos podem enganar-se, desilude-te. Se te passeares pela História, encontras casos em que largos e larguíssimos milhões se enganaram nas suas opiniões e decisões. Mas tu ainda estás embriagada com os “cem mil”, é aproveitar.

    A questão do “h” ultrapassa-te, já está percebido. Enquanto tu queres contar palavras no presente, os que se preocupam com o assunto olham para o texto do Acordo e temem pelo futuro. Nele, consagra-se a supressão tanto pelo uso como pela composição. Isto significa que se abre um precedente que anula a limitação etimológica. Se tal possibilidade não te aparece relevante, melhor para ti. Não tentes é fazer carreira diplomática, pois não durarias muito tempo na função.

    A tua obsessão com o que eu digo produz momentos engraçados, como esse que acabas de oferecer no teu último comentário. Pelos vistos, descobres motivo de reparo no que digo da norma. Contudo, ela é, de facto, convencional, tanto pelo lado da sua forma como pelo da sua matéria. Isto é uma evidência que terei a elegância de não explicar. Se achas a minha prosa redonda, eu diria que andas à nora nesta conversa.

    Se tens mais alguma coisa a acrescentar na problemática da hifenização, espero que seja de calibre superior ao que veio relativo ao Malaca. Não sei se te deste conta, mas validaste a relativização da regra.
    __

    Continuas a revelar que o teu tema favorito nestas trocas de galhardetes és tu própria: “Tudo o que aqui escrevi já deu para ver com olhos de ler que penso outra coisa.”

    Não sei o que pensas para lá do que leio e, pior, não sei que coisa andas a querer discutir. Desconfio que és uma típica mulher pitigrilliana.

  52. (simbólico, meu caro, isto de andar no simbólico tem um lado muito prático, mas vai que não vai tenho de ir à coisa-em-si, que eu ainda tenho uma marca neopositivista forte; ontem assim foi, hoje veio a chuva para me obrigar a trabalhar, grunf)

  53. ó Valupi, tu por vezes és tão pequenino! À falta de tijolos, serves-te das minhas palavras. Mas como a arma se desintegra facimente, deduzo que é mais para não ficares calado.

    Então se eu estou a dar a minha opinião, falo em nome de quem? Do teu? E quando tu me dizes que eu prefiro a dispersão, com palavras de quem te hei-de mostrar-te que baralhaste a página? Tuas?
    Vou até fazer-te a caridade de nem sequer dar uma volta pelos teus textos, levo isso à conta de distracção na aplicação da resposta automática.

    Acho que te perdeste um bocadinho na minha referência ao Malaca. Usei-a para ilustrar o que já te disse várias vezes, que os dicionaristas propõem norma.
    Quando o dicionário ficou pronto o acordo estava em banho-maria, teve que ser respeitada a ortografia oficial. Mas foi propondo alguns aportuguesamentos de anglicismos como ‘plafom’, ‘stande’ ‘lóbi’, e neologismos como ‘estranja’, à espera que a norma os ratifique.
    Um bom exemplo de como a norma não aparece feita recorrendo apenas à retroactividade.

    A questão do “h” ultrapassa-te
    eu diria que andas à nora nesta conversa.

    E dizes isto sem corar. No entanto, continuo a achar que não és completamente destituído.
    Então vamos tentar resolver definitivamente a questão do ‘h’, ponto por ponto. A ver se desta vez entra.

    1. A lista de vocabulário comum ainda não foi publicada.
    2. O espírito do acordo vai no sentido de eliminar as consoantes mudas.
    3. O ‘h’ é uma consoante muda.
    4. Há muitas excepções ao ponto 2., sendo a situação do ‘h’ a mais significativa pelo alcance.
    5.O texto reza assim:

    1º) O h inicial emprega-se:
    a) por força da etimologia
    2º) O h inicial suprime-se (sublinhados meus):
    a) Quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente consagrada pelo uso: erva, em vez de herva…
    b) Quando, por via de composição, passa a interior e o elemento em que figura se aglutina com o precedente: desarmonia, inábil, reabilitar…

    6. Ao contrário do que acontece em todas as outras situações, não é apresentado no texto do acordo um único exemplo de queda do ‘h’.
    7. O acordo está escrito segundo a nova ortografia.
    8. Encontram-se fixadas, quer no corpo do texto do acordo, quer nas exemplificação, quer decorrente das regras, as palavras e famílias de

    – haver, hélice, hera, hoje, hora, homem, humor, herdeiro, herbáceo, herbanário, herboso, higiene, história, humano, hebreu, hábil, heleno, hóquei, húmus, hoia, hospital, harmonia, hepático, herege, hermenêutica, haste, hífen, habitar, hã?, hem?, hum!;
    – os compostos de homo-, hetero-, hiper-, higro-, hidro-, hio-, hagio-;
    – outras que me escaparam;
    – aquelas que não estando lá sabemos cair na alçada da etimologia e/ou das regras expressas.

    9. Mas isto parece-me que já aceitas. Quando não, convido-te a pegar no dicionário e sugerir uma listinha de palavras em que, sendo o ‘h’ inicial não imputável à etimologia, irão por esses facto perdê-lo de aqui em diante.

    Nele, consagra-se a supressão tanto pelo uso como pela composição.

    Dá-me um exemplo, um único, de uma palavra ainda não consagrada, logo ainda não fixada, que se escreveria etimologicamente com ‘h’ mas que está em risco de o perder pelo uso.
    Ospital? Arpa? Igiene? Abitante?

    As regras da composição estão definidas e este é um caso em que o hífen é obrigatório para não fazer colidir o primeiro elemento com a ‘h’ da palavra seguinte e colocar o ‘h’ numa posição que a norma não permite. Anti-higiénico.
    Estaremos em risco de antiigiene? Próospitalar? Préistória? Subabitado? Pseudoerege?

    Outros tempos.
    Depois da escolarização e dos normativos gramaticais, inclusivamente os que se limitaram a repescar o que já vinha de trás, não consigo lembrar-me assim de repente de nenhum exemplo.
    Tu conheces algum?

    Lembraste-te de repente que o melhor é fugir para o futuro, que se afigura muito negro para os ‘h’.
    Há para aí uns bacanos a tirar intencionalmente o apêndice que o Z acarinha e, breve, breve, estamos todos obrigados a pedir-lhe que não iberne, porque ibernação é para os hursos.

    O resto, estados de alma, sobre mim e outros assuntos igualmente desinteressantes.

  54. Z, quando o sarcófago se disser socialista é que o sócras fica encurralado.

    Para evitar embaraços jogam às famílias.

    Quem tem o filho do socialista? Eu não, mas preciso da mãe do comunista. Ah, não, o avô do social-democrata é que não me convém.

  55. M, a tua capacidade de alucinação não carece de mais provas. Podes andar de blogue em blogue a agitar listas de palavras presentes, e das que tu antecipes futuras, pois a questão não se coloca no âmbito do léxico actual – é o racional do Acordo que está em causa. E este está fragilizado pelas inseguranças que admite possíveis para a integridade da Língua. Claro que esta posição não é a maioritária. A maioritária é a tua, e pelas razões que tiveste a paciência de chapar. Só que nisto que aqui discutimos há algo de muito caricato: nem a problemática do Acordo se limita ao desfecho do “h” inicial, nem esta particular questão se dirime pela casuística. Então, que estás a discutir comigo? O saber quem tem razão não importa qual seja o assunto? Se é isso, poupa o teu tempo.

    Sobre a norma, ela é sempre retrospectiva, mesmo quando um Malaca propõe o que bem entender para os próximos mil anos. Isto porque só há dois desfechos possíveis para a normatividade da norma: ou ela reconhece um uso, e daí se dizer que a actual norma nasce do eixo Lisboa-Coimbra (com isso se reconhecendo que não vai buscar a matéria para a sua forma a outras fontes possíveis), ou ela perde eficácia (por exemplo, se ninguém quiser escrever “lóbi”, é indiferente o que a norma postule). Daí o exemplo que te convidei a ponderar, o da concorrência entre autoridades normativas, num contexto de pluralidade interpretativa (de resto, típica das ciências humanas, e etc.).

    Finalmente, a temática da tua opinião divide-se em duas dimensões, o ser opinião e o ser tua. Não estou contra nenhuma das duas, mas também não ignoro que a primeira é serva da segunda. E não sou eu que está preocupado com estados de alma. A mim só me interessa a alma do Estado.

  56. eu então aprendo com vocês, mas não prometo fixar grande coisa, e logo se vê

    agora percebe-se melhor esta coisa da normalização com aquele link que vos deixei em baixo, objecto de problematização jurídica sobre o direito de posse de um nome

    já se conhecia a sacanagem da vírgula, a mim também me saiu uma vez uma na rifa, no PDM de Cascais, que alterava substancialmente o sentido da coisa, com implicações directas no ordenamento do território

    quando saquei da vírgula fez-se silêncio

    agora é o safadinho do hífen

    felizmente a poesia estará sempre para além das normas, goste-se ou não

    um dia destes isto é tudo automatos certificados a ler as coisas e proceder a ordens de compra e venda nas bolsas e um agazinho aindaa vai dar cabo daquilo

  57. Valupi, enquistas-te infantilmente nas redonduras do might-be, da abstracção, das minorias da torre e do mais que andas a carrear. E em mim. Adorei o texto que me cabe, aquela coisa das servas.
    Mas que ao menos entendas que daí já não podes sair nem voltar atrás, acabaste com o teu espaço de manobra.

    Ok, tiveste tempo de sobra para isso, para ires forçando o buraquinho da agulha por onde escapulir. Uma chave-mestra que fechasse quase todas as portas atrás de ti. Quase, porque o encadeamento do post é implacável. Por exemplo, a perda do ‘h’ vai ser dramática…

    Este [acordo] está fragilizado pelas inseguranças que admite possíveis para a integridade da Língua.

    Linda frase como laçarote. ‘Aquele’ de quem não vou dizer o nome não encontraria melhor para base de trabalho.
    Há dias o zig era a concentração. Amanhã nem deus sabe o que zag trará.

    Deixa lá, despedimo-nos. Há-de haver assunto de que saibas alguma coisita mais.

  58. filhadaputice, quem? Ou quê? O ministro? A estas horas está de residência habitual nas Bahamas (tiro o h?) à conta da vírgula. Se é para melhorar a vida, quem somos nós… Inbejuosos, não?

    Às vezes no calor da luta criam-se aliados indesejáveis. Não me convinha nada a Zita Seabra, é uma troca-tintas.

  59. tu és engraçada M, fazes badmington com as palavras…

    sobre a zita não tenhas confiança a prazo, vê a evolução da posição dela sobre o ‘aborto’, tem direito a mudá-la mas fica-se a saber que dali pode vir uma inversão total, não há fiabilidade a não ser circunstancial,

    (anda a levar um curso de cataquese para poder vir a ser baptizada não vá o diabo tecê-las, é mesmo verdade)

    o Valupi tem sempre o direito a levar os parabéns por abrir polémicas tão zapicuantes – para não ofender o rvn, em nome de uma cachimbada virtual no salão da Sociedade de Geografia, a modos que Blake & Mortimer inspirados pelos atlantes

    (viste o link abaixo no outro post sobre a disputa jurídica entre o Gmail e o G-mail?)

  60. M, pode ser que uma vintena de professores da Faculdade de Letras (e pelo menos estes, mas não só estes) esteja enquistada na infantilidade. Mas continuarás com o mesmo problema – não percebes o que está em causa. Caso percebesses, não te prestavas à patetice:

    “Mas que ao menos entendas que daí já não podes sair nem voltar atrás, acabaste com o teu espaço de manobra.”

    Que é isto?!… Esta imagem é grotesca, sinal de uma caricata perturbação. Repara: o espaço de manobra é o da política, estamos a falar de um acordo internacional que tem implicações para a língua, cultura e economia nacionais. Tu queres contar palavras como quem conta espingardas, outros querem um texto melhor, por considerarem deficiente a actual proposta e por levarem a sério as suas consequências. Estes argumentários correm paralelos, não importa que um dos lados tente ladrar mais alto.

    Mas tens razão, inquestionavelmente, ao ires buscar a frase seminal: “Por exemplo, a perda do ‘h’ vai ser dramática…”. Devia tê-la escrito no condicional, pois é o que está em causa, ou ter desenvolvido a tese. Assim pendurada, sincrética, era um alvo apetitoso demais para não ser atingido.

    Quanto ao resto, e se bem te entendo, estás preocupada em mostrar que eu desconheço, ou que não conheço como tu, os assuntos sobre os quais me interrogas e interpelas, seja o bem comum, o decreto-lei, a norma, o hífen, o Malaca, o h, os professores, a manifestação, a ministra, o Sócrates, o Governo e os estados de alma. E pareces ficar muito contente com essa conclusão. Claro que isso me deixa uma suave interrogação: terás noção do que é um blogue e do que andas aqui a fazer?… Se sim, por favor continua. É exactamente para essas, e outras, catarses que nos reunimos. E resulta!

  61. Olha que tu não me fales no Blake&Mortimer, o que eu quis deitar a luva ao Marca Amarela. Ainda tenho ali os quadrinhos (isto é já para me habituando ao brasuquês) todos da colecçâo.

    Não sabia mesmo da catequese, mas não me caiu o queixo.
    Eu conheço a peça, alguma família, etc. As rendinhas que levou ao parlamento para defender a IVG levou-as anos mais tarde para deitar abaixo a IVG, apesar de as rendas já não condizerem com a postura. E o percurso tem a sua lógica, o que era escusado é que se tivesse transformado num ogre. Uns hífens ali pelo meio ajudavam a manter um sorrisinho, nem que fosse em linha recta.

    As tuas zapicuas também as deves a mim. Mas agora vem a Páscoa e até sábado é preciso penitência e moderação.

    Não vi o link nem o post. Qual é?

  62. ‘Os blogues e os Mistérios de Eleusis’

    God Almighty, please! Open the door so that he can escape through the window!

    Valupi, pela última vez: não acredito que sejas realmente como aparentas. Basta-te um ligeiro aperfeiçoamento das estratégias de leitura.

    Boa Páscoa, valupi. Que a paz seja contigo.
    A gente vê-se.

  63. eu reparei (M), era uma prenda tácita para ti também, à conta das zapicuas, precisamente, e não só. No post de baixo, na zapicua correspondente, o 11, está lá o dito: é engraçado que apareceu que nem ginjas.

  64. ginjas, é isso, cerejas!, eu bem me parecia que andava com um desconsolo na alma nem sabia de quê

    bem, tenho ali folar de Avintes que já dá para despistar alguma coisa

    hoje vou xonar cedo, está frio, vou para debaixo de edredon ler não sei o quê

  65. Não sei de quem é o hífen, mas os tipos das patentes têm razão. Se é mais hífen menos hífen, tanto faz como fez, não há volta a dar-lhe.

    Mas é verdade, olha que o danadinho é mesmo um bico-d’obra. É uma carta fechada.

  66. E folar de Vale-de-Ílhavo, conheces?

    Aguenta-te aí, que com a retribuição das boas páscoas do valupi não tarda está aí o 99.

  67. M, uma de cada vez. Tens de dominar essa gula. E não se pode estar permanentemente a dar-te atenção, também é bom que saibas. Enfim, estamos na quadra pascal, mas o Natal não é sempre que consegues fingir uma argumentação.

  68. Não é gula. É espiçar-te a criatividade.

    Ah, pareces a ME. Se ainda nem me falaste dos Mistérios de Eleusis e já mudas para a atenção! Persistência, valupi. Que catavento!

    Argumentação. It takes two to tango!

    Natal é quando uma mulher quiser, mete isso nessa cabecinha redondinha.

  69. M, os Mistérios, e não só os de Eleusis, dizem respeito à atenção. Tens de renovar a biblioteca.

    Esta cabecinha redondinha regista o teu entusiasmo. Estás eufórica. E tudo isso porque não discutiste uma série de questões que foste pondo fora do prato, à medida dos teus caprichos femininos. De facto, há algo de tanguista na tua dança.

  70. Já sabes que te deixo sempre acabar banhado de luz.

    Adoro a tua adjectivação, devaneios, mas acho que te desgastas a caracterizar-me e ocupas muito blogue. Acredito que obsessão não seja, mas incontinência normativa, é capaz de ser.

    Não tiveste tempo de procurar bem. Repete a busca ‘Mistérios de Eleusis’, fica para depois da Páscoa.

  71. eu cá prumos sempre achei bonitos, embora não resista a ver como ficam pendulos

    parece que a lógica da vida é contrariar a gravidade, aspirando à liberdade da luz, seja a crescer para cima ou a andar por aí, troca duas letrinhas e tá a nadar

    tinha lá um tyranosaurus rex que me ia visitar feito colibri

  72. Ocasional, citando uma personagem de Woody Allen, I never want to marry, I just want to get divorced.
    __

    M, não sabia que me deixas sempre (?) acabar (??) banhado de luz (???), mas sei que o barulho das luzes te baralha o neurónio. Vale que estamos num blogue, temos a vantagem de poder recuperar o dito e o não-dito em segundos. O e-stend(h)al de banalidades que se lê acima começa contigo a protestar contra um hífen, daí saltaste para a norma e foste aterrar no Acordo Ortográfico. E que fica? Da hifenização, ficámos a saber que não gostas – e aposto que te imaginas de braço dado ao Malaca, a descer a Avenida na grandiosa Marcha Contra a Hifenização. Da norma, achas que é um decreto-lei, tanto a vendo como imposição ou resultado. E no Acordo Ortográfico, abdicas do futuro, fazes listagens.

    A ingenuidade que patenteias resulta do estado anoréctico em que se encontra o teu princípio de realidade. Por isso se agitou feliz esse bigode sindicalista perante a problemática do h inicial. Tudo te parecia radioso, bastaria contar palavras. Porém, azarex, a posição de que fiz eco não perde tempo com a miopia de superfície, e avisa para o incontornável facto: admite-se a supressão do h pelo uso e pela composição. Iremos ver quantos casos aparecerão de dupla grafia (os quais serão fonte de influência), mas, mesmo que sejam “poucos”, ou “menores”, o Acordo está a validar uma tendência e uma lógica. Se acabaremos sem h inicial, e quanto tempo tal demorará a acontecer, não faço a menor ideia. Mas faço uma muito boa ideia da relevância da questão.

    Sobre “Os blogues e os Mistérios de Eleusis”, tens de ser menos críptica. Não creio que só para mim o Google não apresente resultados – a menos que o meu browser esteja contaminado pelo vírus ME.

  73. Ainda cá voltei numa fervurinha para te proporcionar uma Páscoa mais relaxada.

    e avisa para o incontornável facto: admite-se a supressão do h pelo uso e pela composição.
    Da norma, achas que é um decreto-lei

    Decreto N.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945

    BASE III
    O h inicial emprega-se:
    1.°) por força da etimologia; haver, hélice…;
    […]
    Admite-se, contudo, a sua supressão, apesar da etimologia, quando ela está inteiramente consagrada pelo uso: erva, em vez de herva; […]

    Se um h inicial passa a interior, por via de composição, e o elemento em que figura se aglutina ao precedente, suprime-se: desarmonia, inábil, reabilitar, […]

    Mantém-se, no entanto, quando, numa palavra composta, pertence a um elemento que está ligado ao anterior por meio de hífen: anti-higiénico, […].

    Compara os dois acordos and find the diferences. Uma palavrinha só, pleeeeeeeeeeease, uma uniquinha, cuja h tenha entretanto sido consumido pelo futuro.
    Estás lembrado assim de repente?

    Depois vai lá avisar esse teu grupo de preocupados minoritários que provavelmente se enganaram no século.

    Boa Páscoa, valupi. A gente vê-se.

  74. e já fui ver o smile e és tramado pá!, mas olha lá que o que eu gosto mesmo é ronronar um bocado e adormecer com uma pata para cada lado a meio de uma conversa, ficas avisado

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