Sapere Aude

Onde se prova que os preconceitos mais animalescos não resistem a uma básica investigação. Temática bem actual para a sociologia nacional.

Já que a palavra bullying (que rogo se traduza, sem pestanejar, por bulha) entra na moda, não a deixemos apenas na escola.

Afinal, também há chavalas com cabeça.

Os pretos que se armam em pretos têm um futuro negro.

A emoção artificial e o Second Life, uma ligação naturalmente inteligente. E isso de termos as emoções a nu. Ou a quererem entrar no tribunal.

A Internet, essa maluca das revoluções.

Instrumentos para apanhar políticos dados ao spin.

Quem tem medo da educação sexual?

O cristianismo celta existe, pois claro que existe.

Os alunos não precisam de melhores professores, precisam é de lições de capitalismo.

Embora a presente oposição em Portugal não contribua para a validação desta tese, ela é válida.

Millennials, já ouviste falar? Somos nós.

30 thoughts on “Sapere Aude”

  1. ora vejamos, ‘ousar saber’ tem 14 links, portanto 14 valências, mas será que se pode dizer que o valor desta hipertopia é 14? Acho que não, isso é apenas um índice numérico do valor. Será que concordas com isto Valupi? Ainda não consegui enquadrar bem os índices quantitativos na semiótica do Peirce…

    mas fica para mañana

  2. Cristãos celtas , há , lá isso há. Até já há neopagãos e coisas assim , e disso não vem mal nenhum ao mundo , não fosse o seu principal principio o respeito por Gaia e aos ancestrais. E aquela coisa de que pagamos , em vida, a triplicar, todo o mal que fazemos.
    Chavalas com cabeça ainda precisamos de mais ; novas tecnologias , fixe : sabemos mesmo que em África as crianças morrem à fome ( circulam montes de fotos na net), enquanto nós apreendemos e mandamos fora sardinhas com menos de xpto. Aulas de capitalismo? não sei se será sensato. Aulas de agricultura era capaz de ser mais práctico , dado o panorama global.
    E Valupi , não são os putos que estão mal , eles apenas reflectem o modo como foram socializados , democrático. Só que democracia exige a lei do Talião em pequenino. Olho por olho , dente por dente : uma vez interiorizado este principio, pode crer que o puto pensa antes de fazer “merda”. A democracia não é para menores , se não vira rebaldaria. Ou são tão inocentes que pensam que pessoas pequenas têm uma óptima capacidade de julgamento? Se nem os “grandes” a têm, carago.
    As crianças têm de ser educadas a pensar no outro , têm de aprender a colocar-se no lugar do outro . Esta coisa da luta pela vida ao rubro da sociedade capitalista não podia ter bom resultado. Porque estas coisas da “bulha” ainda agora chegaram a Portugal , mas são fenómeno trivial noutros lados.

  3. E os brancos que se armam em pretos, conhecem?

    Aqui vão as diferenças entre os rappers pretos e brancos no Brasil, explicadas por um negão:
    * O rapper badboy é pobre, geralmente negro, assume que não tem dinheiro, isso para não mencionar que são aliados dos pagodeiros (o que é extremamente humilhante) e em suas letras fica falando coisas idiotas tipo: que e a culpa é do sistema, que a polícia sobe o morro, que os mano tão morrendo, que o rojão estoura, que tá ruim viver no gueto, que os tiros ecoam, que tá faltando mulher, etc… Vivem nos bailes funks, que eles chamam carinhosamente de Fábricas de Mães Solteiras (ahusahsaushausha). Seguem o ídolo Dimas, o Bandido e ininterruptamente falam frases de defeito como “A vida é louca” e “Din Din Don bombeta e moleton”. O badboy está destinado à comer barangas e à entrar pra Febem e futuramente se tornar um Baiano ou Elias Maluco no morro ou na vila em que vive. Escutam bandas como Facção Central, Gabriel, o Pensador e Marcelo D2.

    * O rapper playboy é gringo e filhinho de papai, traidor do movimento Hip Hop, veste uns panos muito irados e tem uma coleção de Nike Shox no seu apê. Andam com um monte de cocotas pra lá e pra cá e quando o bicho pega fogem pedalando suas BMX muito coloridas. Escutam Akon, Eminem, 50 Cent, Dr. Dre, Crhis Brown. As letras das músicas deles falam de coisas idiotas à exemplo dos badboys, mas de conteúdo diferente: carros, dinheiro, Jesus, dinheiro, Adidas, dinheiro, estilo, dinheiro, som, dinheiro, roupas de filhinho de papai, putas, dinheiro, de como vai fazer a vagabunda subir pelas paredes e que vai levar ela pra loja de doces pra fazer ela andar de quatro. São os mais mentirosos.

  4. Contrariando o imperativo do título, não ousei ir aos catorze “links”. (A contagem é de Z.) Li apenas os que me chamaram mais a atenção. Mas gostei especialmente daquilo dos emigrantes, pretos e assim-assim.

  5. z, já somos dois a não conseguir enquadrar os índices quantitivos na semiótica do Pierce. E desconfio que não seremos os únicos.
    __

    Lia, esses brancos ambicionam serem lixívia. Cuidado com eles.
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    adulticia, tens aí boas ideias.
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    Nik, e não te esqueças dos pretos que se armam em brancos. A África está cheia deles.
    __

    Daniel, qual foi a parte do “assim-assim”?

  6. olha que é bom Valupi, vais ver que no andar da carruagem ainda conseguimos, se calhar temos de construir uma nova categoria de índice, não sei, mas tenho ali uma data de livros que comprei agora no brasiu e ainda não vi com atenção

    o valor sagrado da paisagem, aí está uma que me toca directo no coração

  7. o enunciado fundamental continua suficiente, creio:

    «it [an index] represents the objects independently of any resemblance to them, only by virtue of real connections with them.»
    C. S. Peirce

  8. (será que há correlação entre o nº de kpk’s e a valência da hipertopia? Nessa hipótese o nº de kpk’s seria um índice (fraco?) do valor da coisa postada, mas ainda tem uma variante ontológica que é com zazie ou sem zazie)

  9. Valupi
    Os assim-assim são os hispano-americanos (no que respeita à cor) e os descendentes de segunda e terceira geração (no que se refere aos emigrantes).

  10. z,
    zazie altera e melhora, é um facto, mas bolas: maomé desestabiliza de todo!!
    moral da coisa? o islão favorece as kpk’s, nem uma fatwa me impediria a constatação.

    (a ‘coisa postada’ lembra-me GNR’s, cavalos, chão, esplache, pastoso, blheergh, sniff, pffúú, sei lá….
    falamos do mesmo? não, pois não?)

  11. hum, pois isso das kpk’s e do islão também estou a ter em consideração,
    mas ficámos enjoados, não?

    também não concordo nada com este frio, mas enfim

  12. portanto, esta parece que é sem zazie – é teimosa como uma toura, que eu cheira-me que ela vem cá mas agora anda amuada. Quando estivermos no meio dum tricot aparece desembestada

  13. estás mesmo a pastar sossegadinha, vou-te fazer uma festinha no lombo

    um dia vai à Índia ver as vacas, touros e bezerros, num mar de apitadelas mas na maior: não se passa nada, é tudo passarinhos ganzados

    é garnizé sim, e às vezes fica depenado, mas olha no fds vem cá o presidente da câmara para tratarmos disto dos romanos, que agora está na moda e é aproveitar para deixar isto classificado como de interesse público ou lá que é, uma mistura de museu real e virtual, que o tempo agora tem duas dimensões

    mas ando-me a sentir um druida multicultural um bocado promíscuo, espero que a ninfa ou a nereide da ribeira se case com o dragoeiro, eu até oficio, e sejam muito felizes e deixem-me tropicalar sossegado

  14. O barbas do Fed é um gajo porreiro. Teve a coragem de descer os juros até ficarem com uma taxa real negativa (ou seja taxa nominal menos inflacção dá negativo) e lá conseguiu animar aquilo. Esse assunto tinha sido delirantemente debatido com aspirinas à mistura,

    já o cabram do tricheur é um atrasado

  15. tudo very well, mas nao podes traduzir bullying por bulha, a nao ser que pestanejes e alteres o significado desta. porque a bulha ja’ tem significado e pode tratar-se de uma interaccao entre iguais (e no sentido de serem igualmente responsaveis pelo incidente, claro). bullying e’ quase sempre uma agressao do mais forte sobre o mais fraco. pode tratar-se de um caso em que nao ha’ qualquer resposta, em que tudo o que acontece tem apenas um emissor, nao havendo retaliac,ao, so’ agressor e agredido. e que nao tem um contexto aleatorio, mas sistematico.

  16. susana, tens razão, mas não a razão toda. Porque também descreve uma atitude briguenta, ou agressiva, onde o desequilíbrio nasce da conduta e não da hierarquia. No artigo em link, usa-se desta forma numa das explicações, aplicando-se a colegas de trabalho.

    Mas, sim, venha outra tradução, se houver. Não passava de uma brincadeira pela afinidade fonética.

  17. sim sim, quando falei de relac,ao de poder nao falava de hierarquia “oficial”. o termo, como sabemos, surge no contexto escolar, na provocac,ao por colegas mais fortes a colegas mais fracos, aquelas situac,oes estereotipadas de “bater no gordo, no marrao, no mariquinhas”. tal como a derivac,ao no original, poderiamos dizer “marrar nos outros”, ou usar qualquer outra fomula decorrente do “touro”. mas com os antecedentes da nossa lingua e cultura fica dificil: tourear nao da’ e marrar, nas escolas, ja’ e’ uma acc,ao mais caracteristica de algumas vitimas classicas…

    mas tambem gostei da afinidade fonetica. apesar de “bulha” abranger um contexto alargado de conflitos, o verbo bulhar aplica-se com suficiente propriedade. o bully ja’ e’ mais dificil; bulhento e’ pouco – bulhao…?

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