Ver a distância

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O interesse que a morte acrescenta à vida de Maria Gabriela Llansol cruza-se com o interesse em promover o programa Câmara Clara, da autoria de Paula Moura Pinheiro. Vai para 2 anos que esta revista, este magazine, proporciona encontros audiovisuais com os desprezados televisivos da cultura portuguesa, precisamente aqueles que a criam, alimentam e protegem. No caso do programa deste 16 de Março, temos a suave e apetitosa presença de Pedro Tamen e João Barrento. Dos dois, é Barrento quem mais valoriza a ocasião. Por um lado, faz em segundos uma iniciação à obra e figura de Llansol só possível a quem for especialista e amigo. Por outro lado, este intelectual tem ainda maior importância na oralidade do que aquela exibida na escrita, pois aqui é complexo e lento e ali é directo e entusiasmante — sim, num fundo e alto sentido, a essência da cultura é o entusiasmo/ἐνθουσιασμός.

E a Paula? Tem o mérito de gostar do que faz. O amor é fonte de inteligência, como se sabia noutros tempos.

6 thoughts on “Ver a distância”

  1. Nunca vi uma foto de corpo inteiro da Paula. Cada vez mais só se vê a cara dela em close-ups mira-borbulhas. Ela é bonita, mas peneirosa, roçando o pretenciosismo. O close-up não se coaduna com o discurso, os temas e o ambiente do programa dela.

  2. Eu acho a Paula muito bonita. E inteligente. O resto já não reparei, ofuscado pelo barulho das luzes daqueles dois faróis azuis.
    Mas a Cultura fica muito mais apelativa apresentada assim, lá isso…

  3. Nik, tens razão, mas eu acabei a pensar o seguinte: “E depois?”. Depois temos que a senhora ganha a vida como divulgadora cultural, e isso é mais importante – para mim – do que os maneirismos. De resto, que sei eu do que seja ser-se mulher? Se calhar, há uma necessidade feminina de cultivar uma imagem de juventude, “beleza”, a qual não nasce da futilidade mas da insegurança e da procura de um conforto ligado com a exposição pública, social, do corpo. Mas repara como isso também é acompanhado de uma alegria infantil, uma meninice maturada mas genuína (ou assim me parece). Enfim, desde que ela deixe falar os convidados, e que continue a ter bons convidados, pode (e deve!) ser a boneca que desejar.
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    shark, é curioso o que dizes. Porque eu não diria que ela é “muito bonita”, ou sequer “bonita”. Tal como não diria que é “feia”, ou sequer “desinteressante”. Essa tua adjectivação, que entendo sem a mínima dificuldade, fica em suspenso, na minha observação, perante o fenómeno de ver a sua alma a moldar-lhe o rosto e a voz.
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    Daniel, e eu contigo.

  4. eu digo que é bonita sim, ali na foto que na tv não vejo, mas tenho pena que não tenha fechado mais a boca, aqueles dentinhos apelam a uma vulgaridade que não era necessária cá para mim

    já aprendi mais uma, deixa cá ver se fixo:

    entusiasmo/ἐνθουσιασμός

  5. Pois eu já estive junto dela, durante algum tempo, numa bicha para o cinema. É baixa (sinceramente, não reparei nos atributos físicos – que falha!) e tem um ar simpático/natural que não cola mesmo nada a qualquer ideia que se tenha dela enquanto pessoa pretensiosa.

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