Há muita fé no Reino da Dinamarca – III

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Sem surpresa, a pseudo-discussão das caricaturas de Maomé foi uma exibição da dificuldade de pensar o religioso. Desafio que sempre foi doloroso, e sempre o será no actual estádio antropológico. Ainda mais grave é a dificuldade de pensar o político, como se constata no dia-a-dia. Sem educação para a secularidade, o cérebro mágico fará regredir 2.500 anos a Civilização. E não interessa distinguir entre o quadro cultural de uma tribo amazónica, de uma comunidade aborígene ou de um grupo de crentes cristãos, hindus ou islâmicos: sem aceitação da racionalidade filosófica, não se faz Ciência. É esta a guerra das civilizações: o medo de conhecer contra o amor da sabedoria.

46 thoughts on “Há muita fé no Reino da Dinamarca – III”

  1. Mas ainda vais no Comte e no Hegel, não é? isso é lixado. Uma autêntica praga aquele racionalismo todo.

    Olha, o Dragão que é um bota-fogo muito inteligente, anda a escavacar esse mito da razão faz muito tempo.

    Esse e outros. E é por isso que contigo não se aprende nada.

  2. Por mim leva já a taça. Para este peditório já dei. Então com essa do “choque das civilizações” já fez o pleno.

    Daqui para a frente, é só deixar vencer a inércia que vai por aí abaixo.

  3. “Valupi, você em matéria de civilização árabe é um ignorante. Limita-se a reproduzir clichés vindos do gangue da Casa Branca” – Aspirina B, 10 de Fevereiro de 2006. Premonitório?

  4. O Alcorão (ou Corão, conforme se prefira) não fala em representações de Maomé, obviamente. No geral, a religião islâmica proíbe figuras humanas, o que facilmente se constata vendo a sua arquitectura. É preciso não esquecer que o Islamismo é uma religião Abraâmica, fundada a partir sobretudo do Livro do Génesis. Daí o anacronismo de muitos dos seus preceitos. Mas Maomé ensinou que não se devia fazer guerra aos povos do Livro (Judeus e Cristãos), e veja-se no que deu.

  5. Querer “humilhar im Islão e pichar o Corão de sangue menstrual” (sic, assim se exprimiu o pai da iniciativa) )não é “liberdade” nenhuma. Hitler também queria “humilhar os judeus”. É crime de blasfémia merecedor do castigo mais severo…

  6. Tem raízes na filosofia grega, na tradição judaico-cristã, na civilização romana” dizia o ignorante Valupi há dois anos…agora diz besteiras destas: “É esta a guerra das civilizações: o medo de conhecer contra o amor da sabedoria….” Conclusão: não aprende nada e vai morrer estúpido. Mas que ele quer mais tourada, lá isso quer…

    Tem a certeza de que se não esqueceu de nada ?

    Então quem é que nos transmitiu a cultura greco-latina, base da nossa civilização ? Pois, foram os árabes. Foi através de traduções e comentários árabes que recebemos esse legado, sem o que seria perdido para sempre. De facto, durante mil anos, entre o crepúsculo romano e a alvorada do Renascimento, um período de trevas, qual foi a única civilização que brilhou intensamente e que assegurou a ligação entre o mundo antigo e a modernidade ? Exacto foi a civilização árabe, sobretudo a do Al Andaluz, único período da História em que a nossa Ibéria foi o centro cultural do Mundo. E vem agora este reles busho-sionista Valupi cuspir na sopa… Aquilo que somos hoje é fruto da civilização greco-latina-árabe. Mais nada.

    E em matéria de tolerância religiosa, os melhores mestres são os árabes que sempre tiveram ao longo dos séculos igrejas e sinagogas abertas nas suas cidades, que nunca tiveram pogroms anti-judaicos nem conversões forçadas e que acolhiam todos os judeus perseguidos na Europa pela “brilhante civilização europeia”, a tal que também fez o Gulague e o Holocausto e Hiroxima !

    Brilhante, este Valupi…não acerta uma…

  7. Z, não sei até que ponto eles levam isso a sério. Têm muitos filhos, mas não devido às suas leis. Admitem até o aborto.
    Euroliberal, isso daria uma grande discussão. Durante muito tempo, esqueceu-se a importância da cultura árabe (não é bem o mesmo que dizer “muçulmana”) para o crescimento cultural da Europa. Agora talvez se esteja a exagerar. A Idade Média não foi o buraco negro da História que muitos afirmam ter sido. O problema da cultura árabe foi ter parado no tempo. Mas é preciso ter em conta que a caricatura habitual não serve a muitos dos islamitas.

  8. As 3 religiões do livro proibem em principio a idolatria, e portanto as representações gráficas da divindade (ou dos santos, para os cristãos). A excepção é o catolicismo. Mas mesmo os protestantes, ou a maior parte deles, imitam os judeus e muçulmanos. Nas suas igrejas, tal como nas mesquitas e sinagogas, não há representações de figuras religiosas em estátua ou em pintura.
    Na Bíblia é conhecido o episódio do bezerro de ouro que suscita uma crítica da idolatria.

  9. Daniel de Sá, e religião não é cultura ? Então se o islão pode ultrapassar o cristianismo até ao fim do seculo em número de crentes, não me parece que a sua cultura esteja em declínio… Além de que, repito, uma visita aos países do Golfo ajuda a combater muitos clichés… De resto, não há comparação possível entre o esplendor da Grécia de hoje e o do séc. de Pericles. Estará a civilização grega parada no tempo ? E nós, não parámos no sec. XVI ? Todas as civilizações têm o seu auge e depois… E não estará o “Ocidente” em vias de perder a hegemonia cultural e civilizacional para o Oriente ? Repare que entre os “next eleven” (next após os BRIC), futuras grande potências em 2050, há sete que são muçulmanos…Há gente que não conhece o mundo em que vive…

  10. Encontro ecuménico:
    «Primeiro os budistas falaram das vias para a serenidade, da subjugação do desejo, do caminho da luz, e os seus colegas do painel disseram todos: “Eh pá, fixe, se te dás bem com isso é porreiro”. Então o hindu falou dos ciclos de sofrimento, nascimento e renascimento, dos ensinamentos de Krishna e da via para a libertação, e todos disseram: “Eh pá, fixe, se te dás bem com isso é porreiro”. E assim sucessivamente, até que chegou a vez do sacerdote católico falar da mensagem de Jesus Cristo, da promessa de salvação e do caminho para a vida eterna. Nessa altura, todos disseram: “Eh pá, fixe, se te dás bem com isso é porreiro”. Mas ele deu um murro na mesa e gritou: “Não! Não é uma questão de eu me dar bem com isso! É a verdadeira palavra de Deus, e se não acreditam vão todos direitos para o Inferno!” E todos disseram: “Eh pá, fixe, se te dás bem com isso é porreiro”», Simon Blackburn

  11. Mas onde e quais os textos do próprio Corão?

    Pergunte a um muçulmano, mas o certo em que em nenhuma mesquita você encontra representações de Maomé ou Allah. Só decorações geométricas, de rara beleza, aliás. Fora das mesquitas também não, a não ser entre os chiitas que pelo menos costumam exibir representações do mártir Ali, genro de Maomé. E mesmo no catolicismo, idólatra em profusão, dos Santos, da Virgem e de Cristo, não há representações de Deus (Pai). É tipico das tradições monoteístas (ao contrário das politeístas).

  12. Então tu és talib(an) e não sabes ? No islão é proibido a representação de Deus e do seu Profeta. Toda a gente sabe. É a tradição abraamica, comum às três religiões do Livro. O cristianismo primitivo também era assim. Tanto que não havia representações de Cristo, salvo sob forma simbólica (a mais conhecioda era a forma de peixe, que queria dizer Cristo).

  13. Nesta questão dos cartoons há que ver que há dois tipos de apoiantes dos mesmos, um maioritário, e outro minoritário ( realçando que nada tenho contra os muçulmanos enquanto pessoas, mas contra o muçulmanismo e o Islão como cultura e como religião; de resto se lhes dessem liberdade de escolha de professar outras religiões, outro “galo” cantaria nesta capoeira).

    O maioritário (entre os políticos, jornalistas, editores -na “máquina cultural”, em resumo-, europeus, hoje em dia) – e aqui estou plenamente de acordo com a Zazie e outros- é o dos palermóides mas poderosos jacobinos e ateus que tanto o fariam contra o islão como contra o cristianismo ou outra religião. De realçar no entanto que foram estes mesmos ateus , para os quais vale tudo e para os quais todas as religiões são iguais, que permitiram que Inglaterra se enchesse de bombistas e fundamentalistas islâmicos.

  14. Estas e outras normas não estão contidas explicitamente no Alcorão. À semelhança do Judaísmo, que tem no Talmud a especificação das leis, o Islão criou as suas a partir de interpretações do Alcorão e dos exemplos (reais ou lendários) da vida de Maomé. Os mais ortodoxos, ou radicais, consideram que esse estudo ficou completo no sécul X, outros entendem que não. Os principais responsáveis pela vigilância da lei, ou sua interpretação, são os “muftis”, não havendo uma autoridade central que harmonize todas as interpretações, como é o caso da Igreja Católica. Por isso é difícil dialogar com o Islão. Na Igreja Católica, os crentes aceitam, normalmente, que o Papa os represente. Para atingir o mesmo nível de diálogo com os muçulmanos, seria necessário dialogar pelo menos com cada mufti individualmente. E esquecemo-nos facilmente de que no Islão há diferenças que correspondem ao que no cristianismo são as diversas igrejas cristãs, sendo os maiores grupos os sunitas e os xiítas.

  15. zazie, confesso um certo prazer em constatar que não consegues sequer elaborar um raciocínio que dê que pensar nesta problemática. Entendo o fenómeno como uma idiossincrasia da tua comunicação, a qual assim transmite um acordo calado.

    Quanto à guerra das civilizações, até compreendes o que está em causa. Mas para o reconheceres publicamente terias de fazer “mea culpa” dos disparates que tens largado sem parar. E os teus disparates são-te mais queridos do que a Verdade. Não, não tens vocação filosófica.
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    Ali Bobó, audiências? O que é isso?
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    Daniel, muito bem. Informação de qualidade.
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    Euroliberal, és um burgesso. Começo a desconfiar que sejas autarca em Felgueiras. Uma coisa é certa: sabes tanto do Islão como sabes de História da Europa. E como nada sabes nem de um assunto nem do outro, continuas com os teus números de circo.

    Quando quiseres que eu te mostre imagens de Maomé criadas por devotos maometanos e para fins religiosos, avisa.
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    Ana, porreiro pá? Já tinha lido essa sábia anedota na Pastelaria.
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    shark, agora nem sequer as canas. Apenas um eco, lá muito ao longe.
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    Curioso, não acertas em nada onde concordes com a zazie.

  16. Talib=estudante do islamismo, que é o que se pretende ser.
    Taliban= plural da palavra=estudantes.
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    Obrigado Sr. Daniel, parece que o Sr. sabe mais que os próprios muçulmanos.
    Conversa e acções dos mesmos há muitas.
    Mas o que se pretende saber é qual o fundamento corânico das mesmas, quer as normas sejam explicitas ou implícitas. Porque só o que está no corão conta.
    E se estão só implicitamente, quais e onde?
    Porque se o problema é a idolatria, estes desenhos não servem para isso.

    Se foi por o representarem com um símbolo de violência, ele foi mesmo violento e cruel. Pura verdade.
    Os muçulmanos sabidos sabem-no. Não deve haver problema em dizer e representar a verdade.
    A não ser que…. a verdade seja muito, mas mesmo muito incómoda.

    Também há a curiosidade em saber se as interpretações são válidas.
    Porque maomé disse que o corão estava completo e que era muito claro em tudo.
    Ou a fonte está toda em maomé e é clara, ou temos problema.

  17. Talib
    Eu também já fui talib. Mas de outra religião, a católica. Acontece, porém, que da Teologia fazia parte uma disciplina chamada História da Igreja, em que se estudava, sem qualquer preconceito positivo ou negativo, as outras grandes religiões. Uma delas, obviamente, era o Islamismo. O professor da disciplina tinha o costume de encarregar um aluno de preparar cada lição, para expor aos colegas. Ele, o professor, um especialista em História das Religiões, ia corrigindo o que estivesse mal. A mim coube-me precisamente dar a aula sobre o Islamismo. Levei a coisa a sério, de tal modo que o professor não teve de acrescentar nada. Cheguei mesmo a ler o Alcorão e até a decorar o nome de Maomé. Foi há muio tempo, pelo que já esqueci muitas coisas. Esqueci o nome de Maomé, por exemplo, que não será muito diferente do que vou tentar escrever: Muhamad ben Abdallah ben Abd Almutlib ben Hashime. Mas nunca esqueci, também por exemplo, o que se refere à “guerra santa” (só pode ser declarada como defesa perante ataques estrangeiros à nação ou à fé, pelo que nunca deve ser uma guerra ofensiva, mas defensiva); a “sharia” não consta do Alcorão; a tradição é essencial para definir as leis religiosas e politicas, estando estas subjugadas àquelas.
    O problema é que o próprio Maomé quebrou o compromisso a respeito da “guerra santa”, como bem se sabe. Ele pensava poder converter facilmente os judeus que viviam na Arábia, dada a origem comum das duas religiões. E as famosas orações diárias começaram por ser feitas dirigidas a Jerusalém. E penso que antes de serem orientadas para Meca, o foram para Medina. (Veja num mapa para onde ficam voltadas as costas de um muçulmano a rezar virado para Meca… Isso diz-lhe alguma coisa?)
    Quanto à talvez piada de que eu sei mais do Islamismo do que os muçulmanos, não será verdade a respeito de todos, mas é-o a respeito de muitos. Ora experimente, meu caro Talib, ir aí a uma aldeia do interior e perguntar umas coisas da religião católica ao bom povo, e veja o que sabem… ou não sabem. Pode fazer a experiència em Lisboa, sem muito melhores resultados. Olhe, e pergunte até a alguns sacerdotes por que razão deram vinho e mirra a Jesus, antes da crucificação. Talvez lhe digam que foi por escárnio, tal como o vinagre. Pois foram actos de misericórdia, que o próprio Jesus recusou. Se tiver curiosidade de saber o efeito de uma e outra bebidas, caso não saiba, eu explico.

  18. Valupeta, cala-te filha que o teu post está às moscas. O Fernando Venâncio, no post a seguir, tem muito mais juízo que tu e é lá que a discussão prossegue…

  19. Daniel, muito bem, outra vez. E fica esta curiosidade: com toda a informação disponível neste mesmo canal, a Internet, como é que ainda é possível ignorar os factos? É que basta procurar e em minutos encontra-se tudo. Claro, importa saber procurar; mas mesmo assim…
    __

    Euroliberal, o que achas da ideia de seres toureado na Chamusca? Como gostas de marrar de cornos contra a inteligência, darias um bom espectáculo. Responde por email, se quiseres manter sigilo.

  20. Valupi, essa pergunta que fazes faço-a eu mesmo muitas vezes. Se, para o caso, pouco procurei saber além do que sabia, pelas razões ditas na resposta anterior, não falta de facto muita informação que as pessoas não procuram, dizendo disparates em reportagens ou artigos jornalísticos de audiência nacional, como uma menina da TV que um dia ouvi dizer que os muçulmanos de Lisboa estavam na mesquita, na missa. Mas é o que dizes, não sabem procurar, para além de falta de paciência ou competência. Porque, se não sabem que há muftis, ou califas ou imãs, por exemplo, não podem ir aprender o que é que representa cada um desses títulos.
    Quanto ao Euroliberal, deixa-o tourear-se sozinho. É um daqueles comentadores que não dão trabalho, como o Talib. Mas é com comentadores como o Talib que vale a pena dialogar. Por isso lhe dispensei aquela longa explicação. Com muito gosto.

  21. Claro, Daniel, e fizeste muito bem. Quanto ao valer a pena dialogar com este ou aquele, este meio é muito adverso para uma regularidade desses encontros, pois facilmente se corrompe o laço da comunhão. Com certeza, continuam possíveis as ocasiões de partilha e enriquecimento mútuo, mas é melhor seguir o preceito heraclitiano: Esperar o inesperado.

    Quanto ao Euroliberal, é um passatempo. E já antigo. Aliás, tudo isto dos blogues é um passatempo; uma vezes no bom sentido, outras no mau. Que cada um responda por si.

  22. pois é Daniel é essa hipocrisia estrutural do Islão o meu calcanhar de aquiles. Não consigo ter confiança, como é que uma ideologia prega a negação da guerra, exceptuando a guerra defensiva, e vai por ali fora, para os dois lados, como um tsunami que só morre em Poitiers e em Bali, para depois recuar.

    deve ser aquilo da ‘guerra preventiva’ do bush travestido de outros incitamentos apoplexicos

    no entanto tem que se recuperar a mensagem de paz contida no Islão para ajudar a reverter a escalada de que eles serão das principais vítimas. Habituei-me a que as coisas mais bonitas da minha vida acontecem-me quando eu não espero, portanto quem sabe…

  23. Z, plena razão no dito. Dispensa quaisquer comentários, portanto.
    Valupi, olha que tipos eurochatos não deixam de ter a sua piada. Eu até acho graça quando se atiram a mim, palavra de honra. O meu calcanhar de Aquiles é tratarem mal os meus amigos. Mas, como dás para as encomendas, lá que te desembaraces da tua parte.

  24. Não está fácil encontrar os tais versiculos do corão sobre imagens.
    ____

    Mais um pormenor.
    Um desenho transmite informação. Na prática faz o mesmo que um texto.
    E maomé, através do que disse também representou alá.
    ____

    “…Muhamad ben Abdallah ben Abd Almutlib ben Hashime…”

    Repare.
    A palavra “Abdallah” já vinha do nome do pai ou do avô e não consta que fossem monoteístas.
    Há polémica sobre isso. Allah seria um dos deuses pagãos de Meca.
    ______

    “…O problema é que o próprio Maomé quebrou o compromisso a respeito da “guerra santa”,… ”

    Já pôs a hipótese de maomé ter utilizado uma linguagem dupla e oportunista, de modo a conseguir o que queria?
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    “…Ora experimente, meu caro Talib, ir aí a uma aldeia do interior e perguntar umas coisas da religião católica ao bom povo, e veja o que sabem…”

    Desse não vem mal ao mundo, felizmente.
    ______
    “…a “sharia” não consta do Alcorão…”

    Pois não. É mais outra das grandes falsidades que encontramos no maometismo.
    maomé, pelos vistos, só quis saber dele próprio.
    Os outros que se lixassem, que andassem à cacetada inspirados pelo que ele disse e fez.
    _____
    Não sabemos se os teólogos e estudiosos repararam em algo muito simples.
    No maometismo não existe nem espírito santo nem bom senso.
    E se isso não existe, imaginem o que existe.

  25. Talib
    Lembro, uma vez mais, aquilo que bem sabe: o Islamismoo é uma religião abraâmica. Até no pormenor de o homem poder casar com quatro mulheres (desde que possa sustentá-las) se percebe que deve haver influência da história de Jacob, que casou com Lia, e uma semana depois com Raquel. Como esta não tinha filhos, deu-lhe a sua própria escrava para Jacob gerar nela um filho que lhe nascesse nos joelhos (de Raquel) para ela o considerar seu. Depois Lia deixou de ter filhos e era Raquel que já os ia tendo seus próprios, e então a irmã repetiu o jogo, dando também a sua escrava. Não estará aqui a origem das quatro esposas? (Maomé teve o “privilégio” do profeta…)
    Tudo o mais vai pelo mesmo caminho, isto é, o do “Génesis”. A própria moral islâmica é na generalidade muito material, falta-lhes um Paulo de Tarso ou um Tomás de Aquino para os ensinar a distinguir o pecado material do pecado moral. Como as nossas boas avós que se confessavam cheias de remorsos se por acaso metiam na boca um naco de chouriço sem se lembrar de que era dia de abstinência. Mas, como diz, deste tipo de ignorância não vem mal ao mundo. No entanto, quando um soldado xiíta viola uma jovem sunita e a seguir a mata para que ela vá para o Inferno, não há palavras. É a barbárie. Com a justificação da guerra santa, porque uns e outros consideram que a seita rival é que trasngrediu a fé, e por isso se matam em nome de Alá. (Já agora, o nome de Maomé mostra de quem é filho, a família a que pertence e o clã. Os árabes eram de facto tribos politeístas.)

  26. daniel,
    gabo-te a europaciência, tempo perdido se por ali buscas intelecto ou mesmo mera decência. É que essa eurocoisa é um vírus e um bocejo. Mas leio com gosto as tuas reflexões, e registo a oportunidade que escolheste para dar a tua contribuição: céu limpo, vento fraco, mar calmo e não alteroso. És um cota d’olho vivo, um filho-escola, como era uso dizer-se quando eu era virgem.

    val,
    a gambler, my friend, that’s what you are.

  27. “…o Islamismoo é uma religião abraâmica…”
    Não quer dizer que fosse. Foi sim, mais um argumento que maomé usou para se auto-justificar.

    Se formos mais ao pormenor no estudo do maometismo, há outras explicações possíveis.
    Uma delas é que aquilo foi um projecto de poder pessoal e ditatorial do próprio maomé.
    Reparemos que a base do islão, não foi o corão, nem gibril nem alá, nem a sunna.
    O corão só depois de maomé morrer foi compilado. A sunna ainda muito depois.
    alá e gibril só supostamente comunicaram com maomé.
    Portanto a base foi ele próprio.
    E o primeiro mandamento do maometismo, foi as pessoas submeterem-se a maomé, dissesse ele o que dissesse, fizesse o que fizesse.
    Ele é que mandava, é que decidia, é que julgava, é que queria. E as vontades dele eram para serem satisfeitas, senão…
    É isto que está na base do islão.
    Com o tempo ele foi criando argumentos e “revelações” que lhe conviessem, que se ajustassem aos seus objectivos.
    Um desse argumentos foi dizer que era seguidor dos outros profetas e dos outros livros.
    Mas dos outros profetas e livros, pouco ou nada quis saber e só aproveitou o que lhe dava jeito.
    O que não lhe deu jeito, disse que tinha sido corrompido.
    Convenhamos que realmente maomé teve arte, mas a enganar, a aproveitar-se e a manobrar a emoção dos seguidores.
    Na prática, foi um dos mais hábeis ditadores.
    Até ao fim da vida ele foi aproveitando ou criando os argumentos que lhe conviessem, argumentos esses, adaptativos, auto-justificativos e de auto-blindagem.
    Mas se analisarmos ao pormenor há lá buracos em tudo o que é argumentação.
    Como a base da acção foi o seu poder pessoal, em várias situações ele não quis saber nem de alá, nem de gibril, nem do corão,nem dos seguidores para nada nem coisa alguma.
    Se os objectivos pudessem ser atingidos sem isso, tanto melhor.
    Temos por aqui um exemplo desse tipo de actuação. Fala muito, mas nem o corão conhece ou quer saber.
    O que interessava a maomé era o poder, o dinheiro, o luxo, mulheres e que os outros matassem e morressem para seu proveito.
    Conseguiu mesmo, violar a filha do melhor amigo ainda em criança e roubar a mulher do próprio filho e todos ficaram “contentes”.
    Se ele não alegasse ser profeta, imaginem como seria tratado.
    Ele próprio sabia pouco ou nada de religião, confessa até que nem percebia o que dizia, mas disse-o no tal estilo eloquente que as pessoas nem percebem que é isso que lá está escrito.
    Criou também armadilhas para que os outros o ajudassem com argumentos e novas revelações
    Quer dizer, boa parte da argumentação nem sequer teve origem nele.
    No final da vida ele disse que o corão estava completo.
    Só que as pessoas continuaram com o tal processo de criarem argumentação adaptativa ao islão.
    Temos que ver que na região havia uma grande riqueza espiritual, religiosa, ideológica e filosófica.
    Sob a pressão politico militar do islão, os intelectuais que havia na região, de forma consciente ou inconsciente, continuaram a criar e a desenvolver a tal argumentação adaptativa.
    Esse processo ainda hoje continua.
    Há muitos novos argumentos, com os quais maomé nem sequer sonhou.
    Mas se maomé disse que o corão estava completo e que não haveria mais informação, então os novos argumentos são inválidos.
    Eles não pensam nem se importam. Se for para matar, morrer e conquistar o poder, usam tudo e mais alguma coisa.

  28. Talib
    Muito menos disse o Papa, e sabe-se o que aconteceu depois. E tanto Bento XVI como o meu caro amigo disseram apenas a verdade. A grande diferença entre o Cristianismo e o Islamismo começa na qualidade moral dos seus fundadores e na cultura dos povos que primeiro aderiram à nova maneira de entender Deus. Como já percebi claramente que tem um saber que dispensa explicações, não adianto mais nada.
    Um abraço.
    Daniel

  29. pois, é tramado, não é? Talib, sabes imenso disso, eu também me pus a estudar, há uns tempos mas parei a meio quando me apercebi da hipocrisia e safadeza do actante. E pelos vistos uns ataques epilépticos com os olhos exorbitados deram muito jeito, junto com ele ter uma carinha laroca e uma viúva rica. Mas enfim desde que não venham cá bombar-nos e etc., sou a favor que se respeite as religiões, não sei como isto há-de ser. Eu acho inevitável, a menos de um milagre, um conflito armado de grandes proporções lá no MO, tristeza para todos.

  30. “…não adianto mais nada…”

    Adiante sempre. Somos simples e humildes talibans com pouco conhecimento e podemos não nos aperceber de algum pormenor ou de alguma coisa importante.
    E devem ser poucas as pessoas que sabem o que o Sr. Daniel sabe, e muito menos as que por aqui andam.
    ——–
    “…falta-lhes um Paulo de Tarso ou um Tomás de Aquino para os ensinar a distinguir o pecado material do pecado moral…”
    O que se descobre é que estão a copiar maomé. E maomé teve lucro com os métodos, estratégias e tácticas que usou. Enquanto os não maometanos deixarem que eles tenham lucro, o mais certo é não quererem mudar, antes sim reforçar aquilo que já fazem.
    Mesmo que não venha no corão, mas inspirados nele e em maomé, aproveitam todo o veneno que houver para conseguirem o mesmo que maomé conseguiu.
    ——–
    ——–
    “…sou a favor que se respeite as religiões,…”
    Já estamos como o outro, será que aquilo é uma religião?
    Religião vem de religar, e religar é voltar a ligar, mas o que maomé disse, foi que já não haveria nem mais mensagens nem mais mensageiros, nem espírito santo, nem bom senso.
    Na prática desligou a comunicação com todo o mundo espiritual bom, seja com o religioso seja com o ateu.
    Então aquilo não é religião, mas sim anti-religião.
    Ao reconhecê-lo como profeta e àquilo como religião, em verdade estamos a cair numa das armadilhas que ele deixou. Já estamos a ir na conversa e a servir o maometismo.
    ———-
    “conflito armado de grandes proporções lá no MO, tristeza para todos.”
    Para alá é tudo lucro. E se virmos bem, nem se podem queixar. Vão para o tal sitio.
    Que melhor poderão querer?
    E lá ainda é alá que os tem que servir. Como? Não sabemos. Se aqui têm que satisfazer as vontades a alá, como é que lá vai ser ao contrário? Grande mistério. Mas alá é grande, pelo menos a iludir.
    ————
    “sabes imenso disso, ”
    Quase nada. Só se abriu a 1ª página. E logo na 1ª afirmação há confusão.
    alá é todo poderoso, mas maomé teve que falar por ele e até dar-lhe indicações.
    Foi o que deu armarem-se em profetas, sem nada perceberem e nem sequer terem aprendido a ler e a escrever.
    Com folclore de gestos, eloquência de palavras e a torto e a direito cacetadas, maomé traumatizou de tal modo os enganados que estes raro ou nunca o põem em causa.
    Enquanto puderem matar e roubar os outros e até a eles próprios, maomé e alá safam-se sempre.
    —–
    Há 2 palavras sobre as quais tudo isto gira.
    Poder e ganhos.

    Materiais e emocionais.
    Enquanto lhe os entregarem, irão querer mais.
    Mas já é tempo de os confrontar com a ideologia que vem no corão e com aquela em que queremos e podemos viver.
    Dizem que somos uns inúteis, porque não defendemos politica e e militarmente o nosso espaço físico e espiritual. Já há motivos para o defendermos. E até já somos talibans.

  31. Impressionante a sapiência destes hierólogos de meia aba. Falam destas coisas como se estivessem de posse de filmes e gravações obtidos por eles próprios de factos e discursos que presenciaram. Leram uns livritos sim, umas cópias de “tipografias” monásticas para lhes excitar as monas, é o que foi, e agora nunca mais se calam.

    Duvido que os senhores já tivessem ouvido falar de Jean Hardouin. Se ouviram, deve ter sido com o autocarro em andamento, porque entrou-lhes por uma janela e saiu-lhes pela outra.

    E depois ainda nos dizem que as crianças não aprendem nada na escola. Pudera, com tanto veterano destes à solta!

  32. Ó Chico, nem tudo pega de estaca. Que é que vem fazer para aqui Jean Hardouin? Adiantou-se par de séculos à crítica bíblica sob um modelo mais ou menos científico, mas o problema de parte do Islão (note-se bem que digo “parte”, embora muito considerável) é não admitir a crítica aos textos de Maomé e da tradição inicial. Aliás é difícil fazer uma crítica histórica (tal como Jean Hardouin fez, sobretudo do Novo Testamento) do Alcorão, pois não há termo de comparação. A Bíblia é composta por muitos livros, e foi escrita por muitos autores ao longo de quase mil anos. Está cheia de referências históricas que situam os acontecimentos e são um bom termo de comparação, além de que a exegese dos textos em si mesmos e em relação uns aos outros abre caminho para a compreensão do que de facto terá acontecido e do que significam uns e outros.

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