Há muita fé no Reino da Dinamarca

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O caso exclui qualquer tipo de ambiguidade: quem não aceitar a possibilidade de caricaturar uma figura da História do Islão, não pode viver numa comunidade secularizada, democrática e constitucional. É uma declaração de fé na liberdade a que nos chega da imprensa e sociedade dinamarquesas.

Como é bela a coragem.

558 thoughts on “Há muita fé no Reino da Dinamarca”

  1. Há coisas que não se aprendem nas escolas, mas sim em casa e no “mundo”… ou talvez já nasçam connosco…

    A Coragem é uma delas…

    Provavelmente se existisse um Copenhaga-Dakar, não teria sido interrompido no ano da graça de 2008…

    O medo acaba sempre por nos empurrar para as “catacumbas” e afastar da Liberdade…

  2. exactamente, também gostei muito de ler a coragem dos nossos bros dinamarqueses, estou com eles, viva a liberdade, arrasa com o medo

    oh ‘qaidos se ides lá fazer merda contai comigo para vos meter um aleph no cú, tá? é que eu sei da história dele e do Ali,

    jhvallah

  3. Uma “sociedade secularizada, democrática e constitucional” ou uma sociedade de robots em que os governos governam sem a menor oposição nem recriminação, sem resmunguices, onde não há descontentes (e nem sequer a fartura das prateleiras doutras sociedades de consumo) e toda a gente vive feliz sonhando e apregoando que a Dinamarca é o melhor país do mundo? Isso é o que resta saber. Os seus “corajosos” dinamarqueses, tanto quanto sei, levam, lá isso levam, honra lhes seja feita, aí uns vinte anos de avanço em relação ao resto dos paises da “Comunidade” em termos de obediência (no questions asked, we are all good and responsible citizens) à consciência da Bruxelona.

    No tempo de Salazar ainda você teria desculpa em vir para o terreiro do seu café pintar esses céus cor de rosa dos países nórdicos, tão supernos, frígidos e civilizados. Não terá você apercebido-se de que hoje existe uma Internet que (mal, mas melhor que nada) nos defende dos ataques à intelingência comandados por tropa menor mediática como o Zé Manel (o hipocorístico é seu)?

    E que melhor imprensa que a duma sociedade de robots para reincidir na provocação religiosa? É só carregar no botaõ em Nova Iorque, Londres ou Jerusalém e sai logo no pasquim. Aj ximple aj det.

  4. Tão estúpida, tão estúpida que nem percebe que liberdade expressão não tem nada a ver com liberdade de insulto de quem se recebe entre portas.

    E mais, estes cagões jornaleiros borravam-se todos se lhes aparecesse um barbudo de turbante à frente.

    Há coisas que os betos esquerdalhos nunca entenderão- laicismo e liberdade nunca poderão ser prepotenciazinhas de quem detem o megafone mais poderoso.

    Mas por mim, ok. Na maior, o mais que lhes pode acontecer é limparem-lhes o cebo como ao outro desgraçado de Van Gogh que achou altamente inteligente e pedagógico andar a fazer esperas a criançinhas de escola para lhes dizer que o Maomé era pedófilo- bastava-lhe pegar em qualquer rei e rainha lá da terrinha e fazer as contas a que idade é que tinham direito de pernada.

    E ainda há mais outra coisa- também acho que é perfeitamente legítima uma retaliação por assinar fulano na testa. Tão ou mais legítima como um Estado declarar guerra a um país, sem motivos válidos e assinalar de morta a testa de milhares de habitantes.

  5. Bom, mas voi registando- isto do laicismo ou do respeito pelas crenças de cada um é direito às segundas quartas e sextas e vergonha nos restantes.

    Depende sempre da religião que se escolhe- se for a jacobina vale tudo- incluindo tirar olhos e dar tiros-no-pé na boa da palhaçada do multiculturalismo que também apregoam.

  6. È nestas alturas que faz muita falta o comuna do poeta hortelão. Esse ao menos gozou à grande e à francesa com esta esquerdalhada reciclada e impingir boas-maneiras à bobone à mourama.

    Sim, porque a mourama, se for civilizada, e se achar que foi insultada pelos jornaleiros, tem toda a liberdade para contratar um advogado e meter o jornal em tribunal.

    Agora o que não se admite é aquela bestialidade de queimarem as nossas bandeirinhas na praça pública! que horror! que heresia! balha-nos Deus, onde é que o mundo vai parar quando não se respeitam os símbolos laicos, lá porque se enchovalhou, pedagogicamente, os religiosos terceiro-mundistas.

  7. E as pedradas nas embaixadas! cães, umas bestas sem modos. Uma embaixada, como qualquer cidadão civilizado sabe, é um local simbólico que não pode ser alvo de injúria.

    Carago de bestas que julgam que só os deuses deles é que merecem respeito.

    Vão lá para a terrinha deles e não conspurquem a nossa liberdadezinha!

    (ups! não, isso não se pode dizer que é facismo reaccionário- nós somos todos muito multiculturalistas desde que adoptem as nossas crenças simbólicas e cuspam só no Maomé deles).

  8. Sim, e limpar o cebo também é uma originalidade. Mas, ó zazie, e aqui que ninguém nos lê, ajuda-me lá a resolver uma dúvida: tu nunca catrapiscaste bem a diferença entre secularidade e laicismo, pois não?

    E outra coisinha: esta caso da republicação das caricaturas pela imprensa dinamarquesa está mesmo a passar-te ao lado, não está? Não atinas com o que está em causa, né? Mas eu vou dar-te uma ajuda: imagina que o senhor Kurt Westergaar, o cartoonista de 73 anos do jornal “Jyllands-Posten”, era da tua família, e se descobria que 3 psicopatas o queriam matar alegando que estavam ofendidos com um qualquer boneco. Acharias perfeitamente legítima a retaliação?

  9. Outra coisa. Essa cena da legimidade não é nada. Com a legitimidade limpa-se o cuzinho a meninos.

    Está visto que nada disto tem a ver com casuística mas, com outra coisa bem simples- não há ninguém impedido de expressar ideias mas tudo quanto se escreve com megafone mais poderoso que o dos outros tem de ser acto de responsabilidade.

    Sendo que, é irresponsável fazer-se fosquinhas de insultos ao que há de mais sagrado em quem se recebe em casa.

    Ou então, não se recebe e dá-se o exemplo fazendo editoriais a insultar as proprias mãezinhas, para que se perceba que o Ocidente é tão livre e tão moderno que mede essa liberdade pela capacidade de chamar filho da puta a alguém.

    Agora, o que não vale é depois fazerem choradinho e desatarem a berrar que nem umas tias, que horror, foram-nos às bandeirinhas. Foderam-nos os símbolos pátrios, atiraram pedras a um edifício sagrado!

    Porque, não há socieade que não integre a desordem na ordem. Ela é-lhe inerente. O que não é inerente é fazer folclore e basófia exigindo em troca, uma plateia a bater palmas.

    Quanto ao assinalar alguém na testa é como te digo- é o risco real que correm. E, quem corre por gosto não se queixa.

    Mais legítimo que uma nação invadir outra, dizendo que é para ir à cata de umas tretas que eles têm lá escondidas e matando milhares de pessoas que não estavam assinaladas na testa.

    Capice?

    Vou fazer post mas prometo que não linko. Somos estrategicamente amigos para as ocasiões (que não é esta) e isto até fica bem em post para o povo

    “:OP

  10. Estás a falar comigo, Susana?

    Eu não considero nada por tribo. Porque, uma coisa que me ensinaram desde pequenina foi a respeitar todas as religiões.

    E outra que diz a nossa lei- dá direito de pena, por código penal, quem de alguma forma ofender material ou espiritualmente outrem, seja colectivamente nas suas crenças, seja nos símbolos delas.

    Se quiseres passo-te o código. Foi postado por várias pessoas, para mera informação desses patuscos que acharam o máximo deitarem as mãos à cabeça por causa de umas pedradas e outro máximo maior, uns insultos por encomenda de um livro a achincalhar o islão.

    Mas eu não sou esquerdalha. Não defendo multiculturalismos nem política de porta-aberta.

    Wu limito-me a ter olhos na cara e a perceber quando há basófia provocatória facilmente aproveitada pelo clima de tensões sociais e políticas e quando existe expressão de informação censurada.

    Por exemplo- foi prova de liberdade de imprensa o Público ter publicado aquela investigação do Cerejo- porque o DN nunca a publicaria.

    O v. problema é funcionarem sempre por reactivas- têm de encontrar o “inimigo principal” para conseguirem equacionar uma questão simples.

    Esta é básica- os jornalistas, o jornal e até o governo dinamarquês, foi besta. Fizessem como os ingleses- cinismo e muito savoir faire. Nunca insultar minorias a quem se abre a porta.

    Ainda por cima minorias em estado particilarmente secundarizado nesses países e facilmente usadas como pretexto para mais uma reactiva ocidente/oriente; eixo-do-bem; eixo-do-mal.

    Ninguém educa ninguém insultando-o naquilo que para essa pessoa é mais sagrado. Se os gajos não gostam de islmanismo na sua terra têm boa receita- usam os jornais e fazem campanha contra a imigração.

    Agora não fazem é fitas destas de virgens ofendidas a pedir ajuda a quem não é besta e sabe que há que ter tacto. Precisamente porque, não é pelo facto dos católicos nem se importarem com sátiras a preservativos no nariz do Papa. È pelos jacobinos acharem que uma bandeira e uam embaixada são símbolos sagrados, sujeitos a protecção legal que não pode ter o que há de mais profundo na crença religiosa de um ser humano.

  11. E sim, as religiões elevadas a ideologias podem levar a extremos de ameaças de morte. Acontece que as ideologias e suas cruzadas é que lhes costumam abrir primeiro as portas.

    Neste caso dos cartoons, onde todos estiveram mal, os mais “evoluídos” deram provas que é mais rapido quebrar-se o verniz que as trombas. Porque nem arriscam, apenas gritam por socorro que nos vão bater quando reincidem em pedi-las.

    Ora, se os católicos andam frouxos e nem virtualmente dão porrada nos que os perseguem e achincalham, os islâmicos não andam. E por isso, até acho bem interessante sempre que um jacobino leva uma sova de um ortodoxo. Se for para Israel leva-a na mesma.

    É assim, ninguém tem culpa que haja quem as esteja a pedir e outros que se limitem a ir à boleia, apenas sentados a ver pela tv.

  12. se vais para um país que te acolhe, tens que respeitar a sua constituição.
    relativamente ao que dizes, resta apurar o que é uma «ofensa». se houver uma pena prevista no código penal, que se accionem os mecanismos legais. dizeres que a morte é uma pena adequada é algo que não vou atribuir à tua conclusão racional, apenas ao teu mau feitio.

  13. Se uma jacobino não fosse alguém quadrado mais quadrado que um bom islãmico que também é capaz de criticar o fanatismo sem precisar de negar as religiões (e houve-os, nos jornais, guardei os artigos) tinham aproveitado para aprender alguma coisa de estratégia e tacto com a reacção do Papa. É que esse é que deu um bailinho de diplomacia e estratégia a todos estes grunhos de ambas as partes.

  14. Até aqui pouco mais há que carapau anti-mouro do camarada Valupi e uma petinguita do Mar Morto da Susana. Esperemos pelo resto do peixe, a ver o que é que isto dá. Mas duvido que cheguemos aos cento e tantos comentários de baldroegas e coentros do costume.

    Ajé tá.

  15. Essa dos mecanismos legais é a tal betice com qeu o bacano do poeta hortelão gozou e fez a mauior charge da blogosfera- ó Fátima, filha, espera aí que aqueles dos jornais nos estão a insultar, temos já de consultar o advogado para as minorias e meter estes jornaleiros e país em tribunal. E vê lá se telefonas á prima Soraia para impedir que aquela racaille venha toda para a rua chatear a civilização ocidental.
    isso é coisa que já se sabe que só podem fazer desde que tenham a protecção partidária dos ideólogos do Maio de 68 para rebentar carros em Paris.

  16. Devias atribuir ao meu humor negro porque eu mato-me a rir com estas betices dos que se borram com os armagedões e depois gritam: “agarrem-me senão eu mato-os”

    “:O))))

    palavra, eu pagava para ter aparecido um gajo mascarado com turbante e barbas postiças naquela manif do zinc e mais do outro toino do rato

    ahahaha

    Juro. Uma boa sova num peludo politicamente correcto armado em esquisito é tratamento certo.

  17. Fartei-me de rir com o comuna do poeta hortelão. Um comuna à moda antiga também costuma ser bom tratamento para esta esquerda perfumada que se enxofra muito porque as minorias até parece que são grunhas e não sabem accionar os “esquemas legais” até haver o veredicto. Porque entretanto, como costumam repetir naquela casuística de talho, são todos inocentes até prova em contrário

    “:O)))

    E os gajos dão-lhes a prova em contrário

    eheheh

  18. zazie, não se trata apenas de não teres razão – que não tens nenhuma -, trata-se de teres perdido a Razão. E o resto é fuga para a frente, mas já vais em queda no abismo.

    Sintomaticamente, foges aos conceitos. E sim, ignoras a diferença entre laicismo e secularidade, daí o caudal de barbaridades.

    E outra coisinha: é precisamente o multiculturalismo que não está aqui em causa. O que se pede aos muçulmanos, das mais desvairadas origens geográficas, é que aceitem as leis civis.

    E ainda outra coisinha: se a estupidez pagasse imposto, essa tua de validares as reacções “ofendidas” de criminosos patológicos daria para anular o défice público.

  19. Uma coisa é mostrar coragem, coisa que em geral até nem acho mal, como princípio. Melhor seria mostrar lucidez e determinação, que nem sempre rimam com coragem. Vão mais longe, exigem visão, serenidade, ponderação, rigor e força tranquila – como dizia o Mitterrand – na aplicação das decisões. Coragem, no sentido em que aqui é elogiada, é boa para as touradas, em que o animal está praticamente condenado a perder a partida.

    Detesto estar de acordo com essa pessoa que aqui fala muito e vê ‘comunas’ em todo o lado, mas ela tem razão numa pequenina coisa: quando se recebem em casa imigrantes, devem respeitar-se, eles mais as suas crenças, por mais idiotas que uns e outras nos pareçam. As nossas crenças também são bastante idiotas, aqui para nós que ninguém me ouve. Somos todos igualmente idiotas, fanáticos, primitivos e violentos. Disso ninguém duvide.

    Para desafiar as reacções primárias dos indígenas, ou seja, dos “cristãos velhos” nossos compatriotas, é que é preciso coragem, da verdadeira. A turba-multa normalmente só diz e faz disparates. Sentindo-se em casa, com as costas quentes, com a galeria dos senhorecos a aplaudir, então aí é que ela é corajosamente cobardola e estúpida. Tribal. Não lhe importa deitar tudo a perder, inclusive aquilo que é mais importante. Só depois é que pensa, quando o mal está feito.

    Receio que os dinamarqueses estejam a reagir assim, à latina. Acho que mais lhes valia adoptar friamente legislação para condicionar e controlar a sério a imigração de árabes e muçulmanos. Para isso ninguém tem a tal de “coragem”. Mas o mais importante até nem é isso.

    O mundo ocidental ou cristão ou lá o que é tem que se aproximar e que se entender com o mundo islâmico. Há hoje 1300 milhões de cristãos e quase 1000 milhões de muçulmanos. Eles estão a crescer muito mais depressa do que nós, os ditos ocidentais. Até meados deste século, eles apanham-nos. Além disso, deixámos os tipos vir para nossa casa, instalar-se, multplicar-se, exigir direitos. Alinhar numa escalada qualquer de que não não consigamos controlar as consequências, poderá ser fatal. O preço do petróleo está em quanto?

    Outra coisa que não entendo é esta Europa. Os dinamarqueses decidem reagir sozinhos porquê? A União Europeia não existe? A reacção ao radicalismo islâmico devia ser europeia, serena, concertada, pensada e firmemente aplicada em todos os países membros. Não vejo nada disto. Com uma europazinha de merda não vamos lá.

  20. Nik, também tu estás a apontar para as nuvens. A situação passa-te ao lado. Repara: ninguém na Dinamarca trata mal os muçulmanos. Aliás, ninguém em lado nenhum do mundo ocidental e cristão trata mal os seguidores do Profeta, e isso é até notável; e algo surpreendente (ou não, ou não…). Onde se trata mal os muçulmanos é nos países islâmicos. Dito isto, que é factual, acrescento que a reacção dos jornais dinamarqueses é um acto civilizacional. Estão a dizer: não temos medo da vossa loucura. Porque querer matar uma pessoa que não é crente islâmico por razões que só fariam sentido adentro da religião que o indivíduo não professa, é um atentado à liberdade. E não se deve ceder, não se deve ceder nunca quando estão em causa a vida e a liberdade. Como é óbvio, foda-se.

  21. pois, eu acho que aqui o Valupi diz tudo:

    ‘O que se pede aos muçulmanos, das mais desvairadas origens geográficas, é que aceitem as leis civis’

    é só

  22. e lá está: «desrespeitar os muçulmanos» é o quê? fazer paródia num lugar apropriado (um cartoon de jornal) não é desrespeito. é comédia. e é um modo saudável de exorcizar o medo. a expressão «comic relief» não é um acaso. do mesmo modo, uma piada sobre o sócrates é desrespeito por uma figura institucional?

    desrespeitá-los seria discriminá-los ou agredi-los, isso sim. não é o que está em causa.

  23. Leis civis?

    eehehe

    Aceitar leis civis é aceitar ser-se insultado publicamente em jornais e com campamha de promoção de livro achincalhante para as criancinhas

    o caralho! o caralho! eles nem fizeram nada. Bastou que os media divulgassem a cena e os gurus islâmicos a aproveitassem.

    Não há aqui lugar para casuísticas ou acatamento de leis, porque os gajos não violaram qualquer lei, apenas reagiram a provocações imbecis de jornalistas- esses sim, politicamente bem instrumentalizados e com agenda bem clara.

    V.s acham que é tudo uma questão de liberdade de expressão- pois bem, cada um se “expressou” ao seu modo e os media existem precisamente para ampliarem a mensagem para todos.

    Só que não existe um “todo” uniforme de comportamento. Muito menos essa v. palhaçada de reacção civilizada por meio de advogados.

    E mais, acho que é bom que se perceba que o mundo ainda não atingiu esse cinismo das consciências alugadas para resolver pelo poder todas as tretas.

    Ainda há rua, meus, e não há só rua quando v.s acham que ela deve ser ocupada para indignação de coninhas politicamente frouxos e murchos. Também há rua para indignação dos outros- dos tais que tanto são óptimos para ajudar a vender voto, quando a “indignação vai de acordo com a agenda- como são anti-sociais que não sabem recorrer aos advogados nem aprenderam a distinguir a laicidade da secularidade.

    E mais- são v.s os tontos que acabam por carregar as consequências dessa caldibana acéfala e perfumada em que se movem.

    Por isso e´que à manif tanto vai o rato liberalóide e neocon como o bom do esquerdalho caviar. Porque, sabem que a manif é desabafo de tia, é coisa frouxa. Se viesse bomba a sério, eram os primeiros a ajoelhar e a gritar pelo Marocas para ir lá negociar com a barbárie.

    Outra coisa para o Nick. Eu não tenho problemas em muitas vezes estar de acordo com comunas. Precisamente porque não gosto de seitas nem de espírito religioso que apenas serve para cada tribo se ouvir a si mesma.

    As coisas pensam-se por si mesmas. Esta é básica, é do senso-comum e é caricata. Mas é verdade que os espíritos desocupados já conseguiram fazer da inércia ideologia. O dia 13 de Fevereiro passa a ser dedicado à coragem do insulto jornaleiro, em prol da laicidade e superioridade civilizacional do Ocidente.

  24. A primeira coisa a que não devemos nunca ceder é à nossa tendência para a desrazão, foda-se.

    Não disse que os dinamarqueses tratam mal os muçulmanos, mas também não sou muçulmano nem nunca fui à Dinamarca. Os dinamarqueses – que aceitaram os muçulmanos lá em casa para substituir os trabalhadores social-democratas, sindicalizados e consumistas – não sei se recebem muito bem os muçulmanos. Se calhar até recebem menos mal. Não lhes batem nem nada. Mas deviam ter pensado duas vezes antes de lá meterem uma enorme massa de gente fiel ao Islão. Tudo tem um preço, n’é?

    A imprensa de extrema direita dinamarquesa procedeu, com essa história dos cartoons, como se os imigrantes que receberam lá em casa fossem macacos ou galinhas. Insultaram-nos no que eles têm de mais valioso (para eles!), a religião. Foi uma provocação ao jeito de fascistas ou nazis, não há que enganar.

    E porque raio hei-de eu interessar-me ou lutar pela liberdade de os xenófobos insultarem os imigrantes? Essa não é a LIBERDADE que me interessa.

    Nenhum Islão me conseguirá unir a fascistas e xenófobos a reclamar o direito de ser ruim e estúpido.

  25. zazie,
    Estou de boca aberta contigo! Nem é pela violência do teu conceito ou pela dimensão da intolerância que finges da boca para fora sentir, é mais pelo ostensivo desvio de olhar do essencial da questão. Repara. A noção de insulto aqui em apreciação é abstrusa, pretende-se crime de lesa-majestade o exercício da livre, saudável e desejável criatividade, essencial para tudo, até e sobretudo para conjugares tu própria as tuas palavras e organizá-las em ideias tuas postas em frases coerentes. Dir-me-ás: mas é Maomé, não se brinca com Maomé. Dir-te-ei: brincar? e quem é que estava a brincar? um artista que exprime a sua mensagem editorial por caricatura está a brincar, a ofender? E mata-se o gajo por isso (o gajo e mais 50, só quando foi a primeira publicação)? Que dizer então da sublevação mundial que seria de aceitar quando os hindus matassem à bomba, estalo, capanço e facada todos os outros milhões que comem as suas vacas sagradas, para além de as desenhar e caricaturar, claro?

    Espantas-me, zazie. És bicho de intelecto e criação (com fuel de foguete nos capilares, é certo), assenta-te mal o abate a eito por mera preconceitite de charme. Deixa a malta desenhar, caricaturar, imaginar, comentar, representar, projectar e educar nem que seja pelo contraste e pela discussão. Gritem os outros mais alto, façam bonecos mais giros, expliquem-se em dialecto, se quiserem, criem, inventem, mas metam as bombas no cu e poupem nos danos colaterais . Donos da Fé, e mais da Razão, tudo ao mesmo tempo e por ordem de Alá? Senhores à força, mandadores sem lei? Guardiões da virtude, deixa-me ver?

    Purificadores do pensamento por mandato divino, com poder sobre a vida e a morte, vêm escrevendo a história das batalhas da Fé já desde muito antes das Bruxas de Salem. Pensei que moravas em Lisboa, zazie.

  26. Mas, uma coisa é verdade- pior que embirrar com jacobinismo é mesmo embirrar com coninhas legalistas a acharem que a merda da dita civilização ocidental é aferida pelos media

    “:O))))

    Coitadinhos dos jornalistas e mais do governo que deu uma no cravo e na ferradura e, às tantas, agarrou a causa jornaleira por falta de tomates para agarrar a xenófoba e correr com aquela malta a mais dali para fora

    ehehe

    É claro que isto dos países nórdicos está na moda para exemplo esquerdalho- o problema é que o paraíso deles deriva de meio habitante por km2 e mínimo de misturas com os terceiros mundistas cá mais para baixo.

    E é contradição que não tem saída. Precisamente porque a resposta já nem é local. Não foram líderes locais a provocar desacatos na Dinamarca, em cima do acontecimento- são os líderes religioso-ideológico.políticos a darem resposta a outra coisa- e esse chama-se intervencionismo neocon, antes de tudo o resto.

    Ora, a imbecilidade dos frouxos é que acham que é o máximo dos máximos ter as portas abertas e receber a barbárie dentro de casa, enquanto lhes matam os parentes na terra deles. E depois, ficam histéricos e perplexos pelo facto de poderam apanhar com retaliações dentro da casinha europeia

    eheh

    Muita sorte têm deles ainda os deixarem entrar. Qualquer dia, quando vierem das missões humanitárias da exportação da boa da democracia ocidental à bomba, já não entram.

  27. Vais ficar com ela mais aberta se te deres ao trabalho de ler todos os gozos que eu fiz aquando dessa palhaçada.

    Eu sou asism. um pocinho de supresas. Quando esperam que lhes dê o soco com a mão direita eu saco da esquerda anarca e arrumo-vos.

  28. que quem é oriundo de uma sociedade não secular, em que o poder político coincide com o religioso, não perceba o que está em causa ainda se compreende. agora estes protestos são incompreensíveis.

    diz lá, nik: também acharias normal que um hindu te condenasse à morte por teres ferrado os dentes num naco de vazia, ou essa tolerância pelos melindres religiosos de alguém é uma reserva exclusiva que guardas para os muçulmanos porque eles, coitados, se importam?

  29. Eu deixo caricaturar à vontade, não sejas toino. Eu não impeço nada,. Eu limitei-me a dizer que há países onde se usa da diplomacia e se acha que só vai dar merda essa cena que nada tem de pedagógico mas antes de provocação gratuita.

    Agora se querem provocar, força! provoquem. A única coisa com que eu gozo é com o choradinho das consequências.

    Se estão a pedi-las não vou ser eu a aconselhar ao inverso. Agora, é certo, se um jornal dependesse de mim, não tinha publicado aquela treta. Ponto final. Não tinha publicado naquele contexto a par de publicação de livro para as criancinhsa. livro de BD a achincalhar o islamismo. Distribuido em circuito bem fechado e bem dirigido às comunidades de imigrantes.

    Eu sou assim- não preciso de engolir sapos para curtir, todos os anos, o carnaval de Notting Hill.

    Mas sou o máximo a favor da liberdade de imprensa. mesmo quando chateia o partidinho do poder e osenhor primeiro ministro e depois se descabelam com a manipulação dos media ao serviço do grande capital. Apenas porque se fica a saber umas boas verdades escondidas.

  30. (trouxe o Spinosa do Deleuze, o Fedon do Platão, e tanta bonita matemática, mas estas bundinhas e dentes branquinhos dão cabo de mim)

  31. zazie,
    não vou nada, vou entrefechá-la num sorriso ao pensar no gozo que estás a ter em argumentar por argumentar. O que aí está em cima não é um tema, uma glosa de uma convicção. É uma jam session de tonalidades fortes que te soam bem e têm ritmo, são primas afastadas de uma ideia original e valem só pela música para o efeito (terapêutico, lúdico, deus e tu saberão) que perseguem. Quando se vai a ver o poema, a letra, é anhos com paranhos e amor com bolor. Pífio. Mas giro, sempre, sei lá..
    És a maior e eu sou teu fã, como sabes. Em dias como o de hoje, então, fazes-me rir. Só porque estás a brincar, evidentemente.

  32. A susaninha não percebeu que o Poder estava do lado do Jornal porque isto foi feito num país estranho aos gajos islâmicos que não são poder na Dinamarca.

    Se os gajos andassem para lá (como até podem andar) em agit prop terrorista ou em sharias ilegais e apedrejamentos de mulheres ou outras cenas fora da lei do país que os recebeu, tudo bem. Mais- se os gajos usassem a esquerdalhada jacobina (ou o inverso, se a esquerdalhada jacobina os usassse) para imporem feriados oficiais e outras merdas islãmicas como se o multiculturalismo fosse asim- coisa que se agarra por colonização de migração- idem. Estava de acordo que o governo não acatasse essas ingerências.

    Agora não ter tomates para isso tudo e usar jornais para ofender onde sabem que eles mais sentem? no que para eles é mais sagrado que tudo o resto?

    E depois berrarem porque ai Jesus que queimaram os símbolos pátrios e mandaram umas pedradas em embaixadas?

    O caralho. Era mesmo isso que estavam a pedi-las. E pior, o governo da Dinamarca ainda foi manhoso a querer arregimentar os que nada tiveram a ver com a ordinarices desses jornalistas, fazendo da trampa uma questão nacional e “europeia”.

  33. É verdade, estão a pedi-las é humor negro e algo que se aprende para quem não é filho da democracia e sabe dar valor à conquista do que é verdadeiramente liberdade. E isso não sabem v,s o que é, que nunca arriscaram a pele na rua com balas a zumbir ao lado.

  34. rvn,

    não me meto nesta discussão, que me parece muito bem encaminhada.

    Mas não deixo de registar a frase “metam as bombas no cu e poupem nos danos colaterais”. Começo a vislumbrar por aí um padrãozeco…

    Até já.

  35. Os filhos da democracia só conhecem esta “liberdadezinha de insulto” e esquecem-se que ainda há umas décadas eram tão ou mais bárbaros quanto esses fanáticos islãmicos. E vinham para a rua fazer mais merda que eles apenas para chatear o poder. Sem sequer terem bem viva e bem recente a memória da brutal invasão à bomba e dos abu grahibs que não sucedem no Luxemburgo.

  36. Por isso é que gosto muito de morder estes democacas perfumadinhos, que acham que liberdade é assim uma treta que a história se encarregou de lhes oferecer de papel passado e tratada em consultório de advogado

    “:O))))

  37. Olá, Susana, não percebi nada, acalma-te rapariga. Eu nao faço tenção de ir à Índia comer nada, muito menos vazia, quando tenho restaurantes indianos tão bons em Lisboa e Londres.

    Eu sou pelo condicionamento e controlo rigoroso da entrada de muçulmanos na Europa. Quem viesse para aqui trabalhar, devia assinar uma declaração a aceitar os princípios básicos da vida comum europeia, como nós, quando vamos trabalhar para Marrocos ou para o Koweit, também nos devemos adaptar. Sou contra a entrada da Turquia na UE, eles não são europeus, basta.

    Se formos ao Abu Dabi fumar um charro, somos presos e ameaçados com longos anos de prisão. Não podemos beber alcool. As nossas mulheres não podem andar de perna à vela e cabeça descoberta. Então porque não actuamos cá de maneira igual à deles? Para começar, porque é que os aceitamos cá aos milhões? Somos tolos.

    Dito isto, sou contra que se provoque e se insulte os muçulmanos que tiveram a sorte de entrar na nossa querida Europa. Nesta história dos cartoons os europeus têm que actuar com lucidez, serenidade e determinação, não sei dizer outra coisa.

  38. Está visto que se até a mim me dá ganas de mandar um pano enxarcado sempre que oiço estas merdices de causas fracturantes e grandes liberdades decadentes de frouxos, o que não será para aqueles desgraçados que vivem mesmo a barbárie e, ainda por cima, nem têm capacidade de distanciamento porque têm quem os manobre- com tanta facilidade quanto v.s mesmos,tão modernos, tão independentes, e inteligentes também têm e fazem.

    É tudo uma questão de relativização de tosquice. Sendo que eu acho mais tosca a dos doutores pobres de espírito que a dos pés-descalços analfabetos.

  39. Vai para aqui uma grande confusão entre liberdade artística e respeito pela diferença…

    Se os cartoonistas fazem bonecos sobre todas as religiões, porque razão não podem brincar com Maomé? Ele é diferente dos outros “deuses” e “actores” religiosos?

    Só tem graça o Papa com um preservativo no nariz (um momento épico do António…)?

  40. Nesta história dos cartoons os europeus têm que actuar com lucidez, serenidade e determinação, não sei dizer outra coisa.

    estão a ver, até assino por baixo o que disse o comuna do nick. E, se aparecer aí o comuna do xatoo, aposto que também assina por baixo o que eu escrevi. E se por acaso cá viesse alguém sem tribo e apenas com 2 dedos de testa, também aposto que concordava com os 3.

  41. zazie, esse «susaninha» é tudo carinho por mim, ou é misoginia na sua pior forma: a feminina? balas sim, sei. e tu?

    nik, estás a contradizer-te; não percebeste nada, nem se percebe o que dizes. o que te perguntei foi: se tu achas que não se deve gozar com os ícones dos muçulmanos porque eles se chateiam, então o critério é a reacção do outro? poupavas-te à experiência de um bife do lombo (a qualidade da carne está a subir) à portugália (não falei de ires á índia, era o mesmo conceito de “eles por cá”) porque reconhecias o direito à revolta do hindu da mesa ao lado e a que te ameaçasse de morte porque a vaca que comias era sagrada?

    ou essa é também na base do medo? no princípio do «é melhor não nos metermos com o gajos que eles são perigosos»? é que se for, é isso que eles querem.

  42. Susaninha foi “maternalismo” porque ainda és canina e, às vezes, não sabes o que dizes, quando queres ser muito bem comportadinha para compreender estas barbáries estranhas que acontecem no mundo

    “:O))

    bisou. Não te enxofres que eu não queria magoar.

    Apenas me dá vontade de rir a conversa à susaninha da mafalda” . Tudo muito bem arrumadinho naqueles esquemas que se ensinam nas aulas de formação complementar mas que depois não servem para entender aquele “mundo lá longe desse “islão”, onde só se vai em viagem turística.

  43. Até porque a coisa é tão basicazinha… digam lá: se temos a bomba-relógio cá dentro, qual é o interesse em basífias destas se, de um segundo para o outro, pode rebentar a bomba no metro?

    hã? pragmatismo e cinismo, é preciso. Basófias tolas, só para quem tem as costas quentes ou
    é tão ceguinho que nem enxerga o barril que já deixou entrar.

  44. basófias.

    São mesmo basófias e cá até deu para as contar naquela triste manif familiar à porta da embaixada. Ora vejam lá a gravidade da liberdade de expressão que foi tão sentida e vivida pelo povo de todo o mundo e que, o mais que conseguiu foi juntar uns desocupados ao fim-da-tarde e uns abaixo assinados meios a dar para o jacobino, como o do Tiago- kontratempos que era comuna e se arrependeu e agora diz que é liberal.

  45. ao contrário: se a bomba relógio já está cá dentro, dar-lhe um estatuto de excepção é alimentá-la.

    e não magoaste. era para te provocar. é fácil. ;)

  46. ah, já me esquecia. Este folclore até conseguiu meter em sintonia a hiena de matos com o Rui Tavares. Esse também aproveitou a tribuna do bdE para botar faladura acerca da boa da pedagogia que se mede pela liberdade de insultar as crenças dos outros. Com a brilhante tese que laicismo é isso- a capacidade de se acatar insultos.

    Foi aí que apareceu o bom do Hajapachorra e lhe disse o que qualquer pessoa simples diria: então porque não começa por dar o exemplo e insulta a sua mãezinha?

  47. Estou de acordo genericamente. Simplesmente cada caso é um caso. E, não vão ser os mesmos que alimentam as racailles e as transformam em boa propaganda à Maio de 68, quem vai ter autoridade ou equidade para avaliar cada caso.

    È simples- há gente que não entende que as crenças são mesmo questões sagradas que só são desrespeitadas por 2 motivos- ou falta de educação; ou estratégia política.

    Se as duas se juntam o mais que alguém sensato tem a dizer, é que foram bestas, e não têm que arregimentar os que o não foram. Em Inglaterra não se publicaram os cartoons .Os gajos são mais inteligentes- têm a tal noção de tacto que nada tem a ver com cobardia e muito menos a falta dele com coragem.

  48. Os ingleses não publicaram. A questão a perguntar é porquê. Quem lá vive ou já viveu (como creio ser o caso da Susana) sabe porquê .Sabe em que consiste aquele sorriso british tão cínico mas tão útil.

    Como, quem já viveu em França, percebe o que é o inverso, a bimbalhice xenófaba que gosta de arranjar problemas ao mesmo tempo que até os alimenta.

  49. zazie, estás tão apavorada que acreditas mesmo na distorção que o teu medo originou: o problema não está na caricatura, a qual não pode fazer mal a ninguém – o problema está na intenção de matar o autor da caricatura, intenção essa que é criminosa. E uma ameaça à liberdade de todos os que têm a sorte de não ser muçulmanos. Não há racionalização possível perante o crime. E tu própria sabes disso, só que estás em delírio de pavor.

    (atenção, é só ameaça para os que têm a sorte de não ser muçulmanos e, ao mesmo tempo, têm coragem – porque não havendo coragem, pouco importa o que se é)

    (sim, sim, és já uma vítima dos loucos)

  50. Palavra que falo contigo como se fosses uma miudinha que da idade da prole- se não és, paciência- tenho a mania que andavas de gatas quando esta cena da “liberdade” apareceu. E sei que os filhos da democracia ficam atarantados quando se viaja um niquinho ao passado.

    Isto foi mini viagem a passado tão ocidental que só por ignorância se fez dele uma tempestade num copo de água.

  51. ta´bem valupi, Já sabes que eu nunca te respondo quando entras nessas tretas de tiques à castrati do Hogarth

    ehehe

    Mas olha que li aquele teu debate com o Tcher… não tenho culpa- era público…

  52. E olha que nem te perguntei mas pergunto agora: também foste à manif de desagrado convocada pelo Manuel João Ramos e pelo Ruizinho?

    É que se não foste não tens autoridade para comemorações virtuais

    “:OP

  53. Não quero, juro. Sou uma estratega nata que protege os aliados por charme. Tu estás sob a protecção do meu charme. Agora não há nada a fazer.

    ehehe

  54. Até porque, um dia destes podemos entrar naquelas boas sintonias onde tu também sabes o gozo que se sente em dar uma sova a quem está a pedi-las.

    E esta treta até anda meio-cá-meio-lá. Fora isso, nunca resisto a fazer humor negro quando me vem o cheiro da cagufa à narigueta. E este é mais cheiro de cagufa de armagedões que valentias inúteis e fáceis.

  55. o problema está na intenção de matar o autor da caricatura, intenção essa que é criminosa..

    Pois está. Mas não aconteceu. E não aconteceu por alguma razão diferente da que aconteceu ao Van Gogh. E sim, é aqui que tudo reside.

    E é precisamente por este paradoxo ser real que as basófias são tão imbecis como a porta-aberta, sem restrições e o dito multiculturalismo jacobino à francesa.

    Ou seja, precisamente por me dar conta que a questão já vai aí é que eu acho que não é “por aí” que se responde, nem defende, nem previne, nem equaciona algo muito mais vasto onde este pequeno paradoxo ja´foi instalado.

  56. Mas dá para fazer a pergunta inversa. E os autores das caricaturas, com boa agenda político-ideológica não sabiam que essa era uma probabilidade bem real, dadas as circunstâncias do clima mundial (mais do que do caseiro?)

    Outra- e ainda não perceberam e querem mais?

    A provocação é gratuita e todos têm de ir por arrasto do que alguem faz num jornal privado que em nada engloba solidariedades políticas, europeias ou nacionais?

    Qualquer desacato de rua tem ser sentido como dor mundial? ou pura e simplesmente v.s nem se informaram do que foi a história, de quem são esses jornalistas e do que consistia o livrinho de BD?

    É que dá-me a ideia que falam disto como de uma mera caricatura que, por obra e graça da gracinha de um jornal, saltou para a rua.

    Quando a historieta é bem outra, Tal como foi bem outra e ainda mais engagée e provocatória a do desgraçado do tolo do Gogh.

  57. Fernando Savater: «Sei – disse-mo Cioran – que todas as religiões são cruzadas contra o sentido de humor, nego-me, contudo, a acreditar que mil e quinhentos milhões de muçulmanos se tenham forçosamente de sentir ofendidos: seria tomá-los a todos por imbecis, o que me parece sumamente injusto. Se fosse muçulmano (…) perguntar-me-ia, como fez o semanário jordano Shihane, “o que prejudica mais o Islão, estas caricaturas ou um sequestrador que degola a sua vítima em frente às câmaras?” Infelizmente, já não teremos resposta nem debate, porque o semanário foi imediatamente fechado e o seu director despedido».

  58. Esse Savater, eu conhecia-o como defensor (alucinado, e de esquerda) do centralismo espanhol. Vejo agora que, noutras coisas, sabe ter tino.

    E outra coisa ainda, depois de ler a discussão: se não ofendesse, eu diria que o Valupi é um especialista em bombas inteligentes.

  59. Este tema dos cartoons e’ proprio de (muito mau) circo: de um lado, estao os que usam os cartoons para fazer propaganda xenofoba anti-muculmano; de outro lado, os muculmanos que se fazem de virgens ofendidas; e, por fim, estamos nos para aqui sem saber muito bem que sentido fazer de tudo isto. A nossa tarefa e’ dificil. O argumento nao faz qualquer sentido.

  60. Ah, e depois ainda veem aqueles como o bispo la’ da ilha das brumas propor, em termos algo envergonhados que ainda e’ cedo para heroismos, a ‘sharia a pedido’. Olha, mais um bom tema para levar a referendo e para animar a blogosfera – que bem precisa. Ha’ sempre uns meus que raciocinam e actual por analogia: se os muculmanos obtiverem a ‘sharia a pedido’ – pensa o tal bispo -, o precedente esta’ aberto para a ‘lei religiosa a pedido’, e eu recupero o estatuto perdido. Bingo! Em seguida, e’ entre nos e os muculmanos, a gente logo lhes paga o TGV so’ de ida para um retorno celere ‘a proveniencia.

  61. RESUMO DAS ÚLTIMAS 24 HORAS DE TRINTA E UM DE BOCA

    Uma especialista em sublevações de vacas malucas diz com 36.7 de febre:

    “Que dizer então da sublevação mundial que seria de aceitar quando os hindus matassem à bomba, estalo, capanço e facada todos os outros milhões que comem as suas vacas sagradas, para além de as desenhar e caricaturar, claro?”.

    E volta à vaca fria mais tarde numa cena de restaurante à pinha:

    “…porque reconhecias o direito à revolta do hindu da mesa ao lado e a que te ameaçasse de morte porque a vaca que comias era sagrada?”

    Não ficou contente e prova que nunca ouviu falar de Rabelais, quando se sai com esta doce e definitiva jardineira:

    “Fazer paródia num lugar apropriado (um cartoon de jornal) não é desrespeito. é comédia”;

    E que dizer deste especialista em crime pensado? Lembra o Alegre de Argel (mas sem o foda-se, claro), não lembra?:

    “E não se deve ceder, não se deve ceder nunca quando estão em causa a vida e a liberdade. E foda-se!”

    E depois perora, em trovão de trombone ultrasónico:

    “A reacção dos jornais dinamarqueses é um acto civilizacional”

    Leiam doutro revoltado, cheio de interrogações já grávidas das respotas:

    “Donos da Fé, e mais da Razão, tudo ao mesmo tempo e por ordem de Alá? Senhores à força, mandadores sem lei? Guardiões da virtude, deixa-me ver?”

    Muito mais coragem que nos dinamarqueses nota-se neste homem:

    “Mas agora estou assim asinino”;

    E dum “anal retentive” temos o seguinte pensamento, revelador, como sempre, da sua vocação:

    “Mas não deixo de registar a frase “metam as bombas no cu e poupem nos danos colaterais”. Começo a vislumbrar por aí um padrãozeco…”;

    Da boca dum homem de esquerda, que passou uma noite na esquadra há muitos anos por ter protestado contra a participação de Israel na Eurobisão, sai este soneto a cantar fronteiras invioláveis:

    “Sou contra a entrada da Turquia na UE, eles não são europeus, basta”;

    E não são sortudos, os muçulmanitos? Este gajo acha que sim:

    “Os muçulmanos que tiveram a sorte de entrar na nossa querida Europa”;

    Mas nós, incluindo os alentejanos, ainda temos mais sorte:

    “Os que têm a sorte de não ser muçulmanos..”;

    Este cómico não nos diz se o papa era da Maçonaria ou se o caricaturista era Judeu, bastante importante quando nos pomos a analisar sem ajuda de lupas. Além disso, profetas são mais que papas, ayatolas ou vigários, em qualquer escala:

    “Só tem graça o Papa com um preservativo no nariz (um momento épico do António…)”;

    E esta, como reflexo da Nova Filosofia do Direito do Cidadão. Parabéns ao homem. Penso, logo mereço me metam na cadeia e ponham a ferros:

    “O problema está na intenção de matar o autor da caricatura, intenção essa que é criminosa”;

    A senhora a seguir tem muita razão, foi exactamente o que aconteceu ao director do Daily Mirror de Tripoli quando criticou e ridicularizou a guerra de agressão ao Iraque:

    “Infelizmente, já não teremos resposta nem debate, porque o semanário foi imediatamente fechado e o seu director despedido».

    Próximo resumo logo à noite,

  62. Pois é. A citação que a Ana trouxe desvela o que está aqui em causa: são as centenas de milhões de muçulmanos que vivem oprimidos por poderes tirânicos e corruptos, tanto civis como religiosos, que têm de fazer o que o Ocidente fez ao longo de sangrentos, mas gloriosos, séculos – retirar o religioso da esfera política e moral, e circunscrevê-lo à cultura.
    __

    CHICO, estás em grande forma, cabrão.

  63. A anormalidade é que a Leonarda foi buscar o Savater mas esqueceu-se de fazer o exercício mais simples:

    Um cartoon seria para rir- teve um alvo que não se riu. Antes pelo contrário, sentiram-se ofendidos. Ora, se nós aceitamos estranhos em casa e desatamos a ofende-las com supostas piada que não os fazem rir, e se volta a insistir e continuam a dizer mais piadas até que a indignação aumente, é porque essas ditas piadas não tinham como objectivo fazer rir ninguém, antes ofendê-las.

    E só um imbecil é que vai dizer que o contador de anedotas foi atacado na sua livre expressão de pensamento.- porque ele apenas expressou grunhice.

    Não é o país que acolhe estranhos que tem de inventar bitolas de humor. Porque a questão é simplesmente subjectiva e avalia-se sempre pelo incómodo que pode causar.

    Ora os muçulmanos sentiram-se incomodados e isso não é ilegal- é uma verdade. Se há gente que não entende a sensibilidade religiosa de quem acolhe, tem bom remédio, deixa de acolhê-la.

    Agora fazer-se livrinhos pedagógicos para as criancinhas dinamarquesas andarem a gozar com o Maomé das criancinhas muçulmanas suas colegas é absoluta prova de grunhice.

    Por isso, não há aqui Salvater para avaliar nada- há apenas intenção com que algo é feito. E esse algo não foi feito numa boa para divertir as comunidades de imigrantes

  64. V.s é que demonstraram aquela bom lema anarca- são todos pela tolerância politicamente correcta desde que sejam v.s a estabelecer os ditames- neste caso servia a anedota- acabemos com o racismo, obriguemos os islâmicos a gozar com o Maomé.

  65. Quanto aos psicopatas que assinalam de morte alguém por motivos de patologia religiosa, deixo aqui um exemplo ocidentalzinho e bem caseiro. Temos heróis da liberdade que não só assinalaram de morte estranhos por serem burgueses como deram ordens para que fossem mortos- e até um bebé acabou por explodir por causa dessa patologia ideológica.

    Por motivos que me escapam, não só estão à solta, como o chefe deles é herói da Pátria.

  66. Mas este post só faz sentido se for comparado com o outro do artigo do Público onde as trafulhices do engenheiro ministro ficaram à vista.

    Aí não se berrou pela liberdade de expressão- não. Nesse caso sagrado era o guru partidário e manipulados os que informam- em cabala ao serviço sabe-se lá de que outras patologias e interesses do grande capital.

    Gramei- é assim que se mostra como não é precisa religião para se ser fanático- basta apenas um chachecol partidário.

  67. Valupi, obrigada pelo link
    Zazie, eu não me chamo Leonarda e não uso nenhum cachecol partidário. Deve estar a confundir-me com qualquer outra pessoa. Posto isto, parece-me que se esqueceu de duas coisas importantes, quando pretendeu desmontar o raciocínio de Savater:
    1. «Sei – disse-mo Cioran – que todas as religiões são cruzadas contra o sentido de humor»
    2. «nego-me, contudo, a acreditar que mil e quinhentos milhões de muçulmanos se tenham forçosamente de sentir ofendidos»
    Posto isto, suponho que seja daquelas pessoas que se ofendem quando gozam com os pastorinhos de fátima ou, que, pelo menos, acha que não se deve brincar com essas coisas para não ofender os crentes. Nesse caso, estamos mesmo em antagonismo.
    E por falar em pastorinhos de fátima, recordo um texto antigo publicado num jornal quando ainda era possível haver sentido de humor sem virem com o politicamente correcto, juízos de intenções e temas tabu
    Era mais ou menos assim:
    «Estavam os três pastorinhos a pastorear muito sossegados quando uma senhora lhes pareceu no alto de uma azinheira. Surpreendidos, aproximaram-se e perguntaram:
    – Quem sois?
    E a senhora respondeu:
    – Sou a Virgem Maria e venho trazer a verdade ao mundo.
    E foi então que uma das pastorinhas disse para o pastorinho:
    – Olha, outra marxista!»
    E não era um jornal de direita, antes pelo contrário.

  68. Talvez isto resuma a posição de Zazie, não sei:
    «Portugal lamenta e discorda da publicação de desenhos e/ou caricaturas que ofendem as crenças ou a sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos. A liberdade de expressão, como aliás todas as liberdades, tem como principal limite o dever de respeitar as liberdades e direitos dos outros. Entre essas outras liberdades e direitos a respeitar está, manifestamente, a liberdade religiosa – que compreende o direito de ter ou não ter religião e, tendo religião, o direito de ver respeitados os símbolos fundamentais da religião que se professa.
    Para os católicos esses símbolos são as figuras de Cristo e da sua Mãe, a Virgem Maria. Para os muçulmanos um dos principais símbolos é a figura do Profeta Maomé. Todos os que professam essas religiões têm direito a que tais símbolos e figuras sejam respeitados. A liberdade sem limites não é liberdade, mas licenciosidade. O que se passou recentemente nesta matéria em alguns países europeus é lamentável porque incita a uma inaceitável “guerra de religiões” – ainda por cima sabendo-se que as três religiões monoteístas (cristã, muçulmana e hebraica) descendem todas do mesmo profeta, Abraão.
    Diogo Freitas do Amaral, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros»

  69. … sem querer sem chata, e vou-me já embora. Mas é que acabo de ler esta notícia no Sol, a respeito de um caso de “justiça” a decorrer na Arábia Saudita.

    «Fawza Falih foi detida pela polícia religiosa em 2005, e foi alegadamente espancada e forçada a assinar, com uma impressão digital, uma confissão que nem pode ler, dado ser analfabeta.
    O Observatório dos Direitos Humanos afirmou que a acusada esgotou todas as suas hipóteses de recurso contra a sentença de morte que lhe foi imputada e que agora só poderá ser salva por decreto do próprio Rei Abdullah.
    Esta organização afirma ainda que a mulher foi julgada por um crime indefinido e que as acusações se basearam em depoimentos de pessoas que se consideraram «enfeitiçadas» por ela. Entre eles, está um homem que a acusa de o tornar impotente.
    Fawza Falih não teve direito aos procedimentos legais correctos e nenhum dos seus representantes foi autorizado a estar presente nas audições do seu próprio caso. Quando um dos recursos foi aceite, o tribunal voltou a condená-la à morte, afirmando que a sua sentença «é do interesse público»

    http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=80388

    Suponho que neste caso Fawza Falih também não se esteja a rir…

  70. zazie,
    Se só um imbecil é que vai dizer que o contador de anedotas foi atacado na sua livre expressão de pensamento.- porque ele apenas expressou grunhice., então eu sou esse imbecil. Tu não. Tu és o Centro de Inspecção de Veículos que determina o que é a grunhice e quem é imbecil. Pertences à ala moderada. A ala extremista usa turbante, e quando vê um pneu vazio sabe (porque é iluminada por todos os deuses e sobretudo por Alá que, como se sabe, dá dez a zero a Deus e ao Porto e bate o Real Madrid sem espinhas) que aquele pneu vazio não é um pneu vazio: é uma piada torpe e nojenta à mãe do dono da garagem que, quando o teve, perdeu a barriga grande. Estou contigo nesse ponto. A gente vai deixar que um filho da puta qualquer venha gozar para a nossa garagem com a mãe da gente? Tu deixavas? Eu deixava? Jamé! Bomba neles, tens razão. Violar-lhes as filhas, mães e avós é pouco, como aconteceu aqui mesmo no centro da Europa, quase debaixo da janela da minha casa de banho, ontem apenas, lembras-te? Não, arrisco, não te lembras. Porque se lembrasses saberias que encorajar o ódio com remoques de pseudo solidariedade com o fundamentalismo é ser burro e terrorista igual.

    Diz só uma coisinha aqui ao imbecil. Como podemos espantar-nos com o terrorismo que explode supermercados, quando a estupidez explode desta forma em preconceitos assim?

  71. Os judeus estão sempre a falar de hatemongers. Claro que só estão a pensar nos hatemongers anti-semitas, isto é, anti-judaicos. Quando hate mongers judeus tomam como alvo o Islão ou os muçulmanos, os outros judeus olham para o lado, distraídos.

    O nazi Julius Streicher foi condenado à morte em Nuremberga por incitamento ao ódio contra os judeus. Nunca sujou as mãos no holocausto dos judeus, mas foi condenado à forca e executado por hate-mongering contra os judeus.

    Alguém discorda?
    Há aqui alguém que defenda o direito do Streicher publicar o seu jornal anti-semita de incitamento ao ódio contra os judeus?

  72. Se calhar és. És porque estás a colocar a liberdade de expressão ao nível da capacidade de se dizerem e fazerem grunhices ussando, para tal, um megafone mais poderoso do que o daqueles que pretendes achincalhar.

    É tão somente isto. E quem não compreende isto é burro.

    E ainda mais burro porque troca a história toda. Quem ameaçou de morte não foi nenhum cidadão dinamarquês- foram os gurus ideológicos islâmicos, os talibãs que chamaram um figo a esta grunhice direccionada e totalmente obtuza.

    V.s são tolinhos porque transformam actos, com antecedentes bem conhecidos e militância dos ditos jornalistas numa fantasia que não corresponde- o aparecimento de uma caricatura num jornal.

    Não foi isto- não foi o aparecimento de uma caricatura no Times. Foi um livro de encomenda para doutrinar criancinhas (tal como o outro Van Gogh também andava a fazer- é bom ver as ligações doutrinárias da prática de achincalhamento pedagógico-jacobino) que foi acompanhado por uma série- uma série- não uma- de caricaturas em jornal- directamente vendido e divulgado junto de comunidades de imigrantes islâmicos.

    Tal como o livro- estas caricaturas tinham como obejctivo educar pela chacota os que se recebem em casa- achando que o grande défice de urbanidade dos imigrantes islâmicos consistia em ainda não terem atingido o ponto máximo de civilidade doutrinadora dos jornalistas- achincalhar o outro por onde se sabe que mais lhe dói.

  73. O nazi Julius Streicher foi condenado à morte em Nuremberga por incitamento ao ódio contra os judeus. Nunca sujou as mãos no holocausto dos judeus, mas foi condenado à forca e executado por hate-mongering contra os judeus.

    Alguém discorda?
    Há aqui alguém que defenda o direito do Streicher publicar o seu jornal anti-semita de incitamento ao ódio contra os judeus?

    Boa!

    É que isto dos crimes de ódio tem dias e tem parceiros- o que é “ódio às batatas fritas” num dia; é liberdade de expressão no outro.

    Depende dos protagonistas.

  74. MP_S

    Tens razão, isto só analizado pelo humor e non-sense.

    Mas, como sabes, eu gosto muito de morder a dialéctica erística dos politicamente correctos. E, estes politicamente correctos quando lhes chega o jacobinismo ao nariz, esquecem tudo- tornam-se os maiores xenófabos e grunhos e, se for preciso, até dão as mãos a um nazi de extrema-direita.

    É só vir-lhes o odiozinho às religiões. Por isso é que gosto muito de os apanhar, assim em molho, em “debatinhos” virtuais

  75. Se o jornal tivesse publicado uma série de gozos com a paneleiragem, e por hipótese imporvável essa paneleiragem até fosse imigrante (improvável porque eles ainda não atingiram esse limiar de decadência ocidental) era vê-los a defender todas as ameaças e arruaças de rua!

    Até eram capazes de convocar manifs para desagravo gay na Av. da Liberdade.

    Simplesmente a chacota não tinha esta protecção da “tabela periódica” decretada pelos tais valorativos europocentricos- não. Esta cena entrava na religião.

    E, como toda a gente sabe e até o “nosso” historiador Rui Tavares já explicou- o gozo com as religiões é um gozo benéfico- deve ser forte e feio. nada de coisa à Monty Python, porque as religiões são formas de poder totalitário. E a boa da cidadania jacobina ateia- achou que tinha por cruzada, impor um mundo ateu a toda a gente.

    O mais interessante é que, como são pobres de espírito e não conseguem sequer pensar- acabam por se limitar ao insulto rasteiro e prepotente, onde sabem que podem magoar mais.

    E vá daí, agora o dia 13 de Fevereiro passa a ser o marco histórico da pedagogia do direito ao insulto jornaleiro- desde que se saiba que é insulto capaz de provocar mais distúrbios sociais. E eles gostam deles- pelam-se por distúrbios, alimentam-nos e ateiam-nos quando não existem- se for preciso importam distúrbios- até ao dia…

    Pela minha parte, espero sempre que esse dia- atinga apenas os forcados amadores da grunhice. È que assim, escusam de apanhar com bombas os que nada têm a ver com a merda que eles fazem-

    Assinalar na testa é mesmo a forma reactiva terrorista mais higiénica.

  76. zazie,
    Terás alguma razão na minha burrice. Assemelho-me em muito a um jegue, no mais das vezes, na minha vontade inabalável de viver em paz. No meu direito inalienável de escolher o pasto que me alimenta o corpo e o espírito. E só a desinquietação permanente dos grandes especialistas em agricultura, engenheiros paisagistas, pastores, cabrões e afins é que me altera o dia a dia de tranquila sobrevivência, pastar pela fresca, ver dar de mamar às crias, papar a burra, abrigar-me da chuva e curtir o sol, comer e dormir. Não penso, que sou burro, mas eles pensam por mim, sabem por onde devo ir, se a trote se a passo, sabem até a hora do meu abate por falta de rentabilidade, para rentabilizar o meu coiro. Fazem as contas do deve e haver, ponderam o dano colateral e gerem macro. São pastores. Eu sou micro.

    A pior coisa que acontece ao Islão é o fundamentalismo, há séculos. Mas isso será problema deles, aceito em tese de análise, enquanto faço caricaturas, rabiscos, cruzinhas para explicar o meu pensamento livre. A melhor coisa que acontece ao fundamentalismo islâmico é a patetice de quem fala sem saber do que fala. Acendalhas, em vez de opiniões. O pior ataque ao Islão é a sua defesa por pataratas que viram o Lawrence da Arábia e tiveram pena dos camelos, tadinhos, tão giros, tão típicos. Por isso a morte espreita de joelhos, na hora do Hajj e dentro da própria mesquita, pés descalços não iguais lado a lado, o que pisa o chão e o que pisa a Fé e a História do Islão com o seu extremismo. Não faz falta tanto grito histérico dos salva-vidas de serviço no grande naufrágio cultural do Islão em águas do Ocidente, pateta e vaidoso demais para compreender e aceitar o que carrega mais dignidade e tradição em cada grão de areia que as Folie Bergères e todos os McDonalds no deserto das novas civilizações.

    A pior coisa que pode acontecer ao Islão, zazie, àquela gente que ensurdece a gente com o regatear nos mercados que já viste na televisão, que mora naquelas casas de terracota e pedra que já viste na televisão, que veste aquelas roupas castiças que já viste na televisão e que luta por ter para comer aquela comida que tu nunca viste na televisão mas que me manteve vivo e alimentado enquanto por lá andei, o pior que lhes pode acontecer, zazie, é terem que levar com esta praga de intelectuais do toutiço, experts do telejornal e da biblioteca da gulbenkian, que lhes vêem explicar o que é a dignidade do islamismo, o que quer dizer de faco o Corão, o que pensava o Profeta, quantos exactos centímetros tinham as Suas barbas, como devem ser agarrados às Suas tradições, o que devem gostar que digam d’Ele e o que devem gritar quando simon says.

    O que o Islão não precisa é de quem venha inflamar o ódio com acertos de pormenor, raivas antigas, honras de merda, memórias de dores passadas e previsões de dores futuras feitas pelos arautos da verdadeira verdade, a da bayer, a única porque a sua. O que o Islão precisa para se salvar, como qualquer quase afogado, é só que lhe tirem o pé de cima, os uns e os outros que gritam querer salvá-lo mas que não mexem o calcanhar sobre o seu pescoço. Menos barulho, mais acção. Simples, eficaz, no bombs needed: Salvar o Islão? Tirar-lhe o pé de cima.

  77. sharky,
    Que me lembre já te mendei à merda ums quantas vezes, não duas, logo não serei eu. Mas tenho pena. Adoro quando concordas comigo.
    Abraço.

  78. Ponto prévio: vou tentar dar uma opinião sem me deixar influenciar pelas minhas embirrações ou preferências (pessoais, estilísticas, ou intuitivas) pelos textos dos que aqui já exprimiram as suas.

    A liberdade de expressão é para mim um valor fundamental da vida em sociedade e, como tal, deve ser preservada e defendida, por todos os meios possíveis.

    Publicar “cartoons” críticos faz parte dessa liberdade. Se forem por alguém considerados ofensivos, ou por alguma forma merecedores de castigo, isso mesmo deverá ser dirimido no local próprio, isto é, num Tribunal.

    Freitas do Amaral não tem razão nenhuma: publicar algo que desagrade a alguém, individual ou colectivamente, só pode juridicamente ser classificado de ofensa por parte de um Tribunal competente e, em todo o caso, até para a simples opinião pública se considera totalmente diverso da profanação de lugares ou símbolos de culto. Assim como seria, por exemplo, queimar uma bandeira nacional.

    A publicidade a formas de incitamento ao ódio, ou qualquer outro tipo de sentimento, pode ainda incluir-se, dentro dos limites definidos na Lei e na Constituição de um País, no âmbito da liberdade de expressão, pelo que a sentença aplicada a Julius Streicher possa ser, em teoria, discutível.

    A tolerância para com este tipo de opiniões deve ser tão grande quanto a força do Estado de Direito, isto é, eu só devo poder dizer que não gosto de benfiquistas, ou que detesto maricas, num País onde eventuais consequências práticas danosas destas minhas opiniões mongolóides sejam severa e impiedosamente castigadas, ou melhor, PREVENIDAS, pela rapidez e eficiência do sistema judicial.

    O que me permite concluir que, se há algum lugar do Mundo em que a liberdade de expressão pode ser tão ampla e tolerante que permita a publicação de “cartoons” a escarnecer de Maomé, do Dalai Lama, da Virgem Maria, ou do Papa, esse lugar inclui, entre outros certamente, os Países escandinavos, por absoluta maioria de razão.

    Só espero, sinceramente, que Portugal um dia se possa ufanar de uma situação semelhante, em que o nosso sistema judicial (já para não falar da educação e das mentalidades) permita o desenvolvimento de um clima de liberdade semalhante, em que, nomeadamente, possam até ser permitidos Partidos racistas. Que nesse dia, obviamente, ninguém mais levará a sério…

  79. Se algum caricaturista muçulmano libanês decidisse desenhar o Cristo a levar no cu (a imagem que julgo mais próxima do deboche que os fundamentalistas nos reconhecem, só para tentar fazer um paralelo na ofensa) e algum jornal o publicasse não sei se algum dos cristãos libaneses ameaçaria degolá-lo.
    Não duvido, porém, que não faltariam as vozes cristãs por todo esse mundo ocidental (talvez até na Dinamarca) a gritar “Blasfémia! Insulto!” e outras manifestações da mesma indignação que move uma parte dos muçulmanos que também leva estas questões religiosas demasiado a sério.
    Se este pressuposto for verdadeiro, então a malta (generalizando) consideraria ofensiva, despropositada e desnecessária a dita caricatura.
    Porquê? Porque o Cristo é sagrado para os seus fiéis, mais até do que a liberdade dos infiéis caricaturistas. E temos que partir do princípio que do lado deles Maomé não é exactamente o proprietário do cabaré da coxa.

    A comunidade cristã no Líbano teria ou não motivos para se sentir, no mínimo, desconfortável? Claro que por um cristão, mesmo dos mais notáveis, ser gay isso não implicaria que todos os cristãos levassem na anilha. Mas se a ideia do Maomé “bombista” não é carapuça que deva servir aos muçulmanos no seu todo e reduz-se a uma inspiração de comédia então quem me explica qual era o objectivo de quem produziu o boneco? Ou seja, onde está a piada (ou a subtil ironia típica de uma caricatura sem intenções ofensivas)?

    E depois, e é aqui que o meu tom se distancia do da Zazie, temos uns quantos fanáticos que resolvem tudo à chapada e a tiro e só merecem desprezo e exibições de coragem (a expressão não é minha) por parte de quem não quer mostrar o medo legítimo de quem arrisca ver rebentar-lhe uma bomba debaixo do rabiosque.

    Ou seja, de um lado temos os atrevidos e do outro lado temos as bestas no seu pior. E nenhuma das partes merece perdão. Nem mesmo à luz da todo-poderosa liberdade que sem freios como o bom senso e o respeito pela sensibilidade alheia se transforma numa anarquia e nos conduz, labregos de qualquer religião, ao caos.
    É uma questão de galinha e de ovo. Uns, no meu entender, não respeitaram a liberdade porque a utilizaram como pretexto para irem longe demais. E os outros são umas bestas que utilizam o cariz sagrado dos seus ícones religiosos como pretexto para se nomearem vingadores.

    No meio disto tudo está a hipocrisia dos que querem transformar os caricaturistas imbecis em heróis sem cuidarem de lhes apontarem a estupidez e a boçalidade, mais a dos que de repente se esquecem que isto não é a selva e não existem falinhas mansas possíveis para com quem quer fazer justiça com as próprias bombas.

    Fracturante, sem dúvida. Mas se nem se coloca em causa fazer qualquer tipo de apologia da barbárie fanática que é uma ameaça a combater, creio que o pretexto é excelente para definirmos se a liberdade que defendemos pressupõe ou não os tais limites que constituem pretexto para nos armadilharem (a todos sem excepção) os comboios ou se, pelo contrário, estamos dispostos a pactuar de forma implícita com os coirões por restringirmos os abusos que a nossa visão da liberdade teoricamente permite e que na maioria dos casos não condena de forma visível na reacção de uma sociedade com opiniões divididas por via do pluralismo, ou mesmo no âmbito do enquadramento legislativo brando que se traduz na relativa impunidade que, no caso concreto, tresanda quase sempre a parcial.

  80. Pondo de parte a acesa e interessante verborreia anterior: mas e ao cartoon propriamente dito – acham-no bom, com piada? Pessoalmente não lhe encontro grandes atributos. Essa do “Cristo a levar no cu” parece-me um tudo nada exagerada para estabelecermos uma comparação parametrizada, mas já se o papa tivesse o preservativo na dita-dura em vez de no nariz nivelava-se os estragos.

    A mim, que não compro mercearias em nenhuma botica religiosa, e sou pelas liberdades e pelos seus indissociáveis limites, o cartoon afigura-se deliberadamente provocatório, se não mesmo premeditadamente. Nem Maomé, nem o Corão, nem o Islão são bombistas, tão-somente o são grupos fanáticos e minorias étnicas ou cultistas dentro desse universo. Aliás, é sob a égide da luta contra os “infiéis” e o Ocidente que justificam e acalentam o jugo ditador e submissivo que lançam sobre as populações. Aquando da publicação dos cartoons, com certeza esfregaram as mãos de contentes e pensaram “já temos pano para mangas” para dar ao povo o seu ópio.

    Por que não desenharam o mesmíssimo cartoon usando o busto do presidente iraniano, ou do paquistanês, ou do líbio, ou do Bin Laden? Era denotativo. Era. Não tinha tanto impacto? Pois não. Não haverá por esse Mundo fora uns quantos muçulmanos que queiram viver em paz e que professem a religião com intuitos meramente espirituais e de acordo com valores de Humanidade universais? E será que esses não se sentem, legitimamente, insultados pela liberdade criativa do cartoonista?

    Tomar a parte pelo todo pode ser, é, uma deturpação grave que fere, de facto, susceptibilidades, perturba as consciências e atiça os ânimos. Nem todos os bascos são etarras, nem todos os italianos integraram as Brigadas Vermelhas, nem todos os portugueses militaram nas FP25. Se um cartoonista da praça se lembrasse de parodiar um símbolo nacional que represente todos os Portugueses, a bandeira por exemplo, e lhe pespegasse uma bomba em lugar das quinas eu consideraria isso colectivamente insultuoso. Ou, no mínimo, de mau-gosto e sem piada.

    Será que, ainda, o autor do cartoon não tem uma costelita xenófoba entalada num local insuspeito do tórax? Sabe-se lá, se calhar tem vizinhos mais coloridos que aquilo que sonhou quando comprou a casita, ou surpreendeu a neta a favorecer um moçoilo que três vezes por dia insiste em virar-se para Meca, ou entalou-se num osso de borrego madras distraído com uma superprodução de bollywood. Tudo isto são dúvidas que não me saem da cabeça.

    Quando os meus filhos se «pegam», não havendo justificações alocáveis a um dos dois tendo a repreender com maior veemência o mais velho: “tu és mais velho, tens mais juízo, por isso devias não provocar ou, se provocado, absteres-te de responder”. Nós, ocidentais, que nos arreigamos o estatuto de proprietários de mais juízo, de maior razão e justiça, devíamos não responder e muito menos provocar. É insensato e desconstrutivo para todos os efeitos.

    E é estúpido, sobretudo quando a coisa nem piada tem, ao contrário do papa com o condomínio na bicanca. A verdadeira e refinada retracção para o cartoonista seria ter de desenhar Maomé com a pomba da paz na cabeça a pisar os verdadeiros “infiéis” bombistas. A mensagem era muito mais edificante e inspiradora. Mas é certo que não faria correr tinta nem vender jornais.

    Até já.

  81. rvn:

    Estou sem tempo mas não quero ser malcriada e não te responder (ainda que preferisse saltar para o Cocanha porque aqui já há ruído em excesso).

    Para clarificar tudo, antes de se continuar a falar no vazio e por exemplos universais ou corporativistas:

    1- Esta historieta aconteceu na Dinamarca, não aconteceu universalmente no Ocidente nem apenas porque, um belo dia, apareceram umas caricaturas toscas num jornal de grande tiragem de uma capital europeia

    2- Continuando- para se falar, portanto, da historieta, é bom conhecê-la. Se tu és jornalista, a primeira coisa que devias fazer era ter os dados todos na mão, antes de te atirares a grandes tiradas de “liberdade e islão”.

    3- Já te informei da historieta mas posso repetir- ela aconteceu num contexto específico, com actividades de militância em que esses jornalistas participavam.
    Aconteceu no contexto da preparação da publicação de um livro de BD de sátira à religião islâmica, a ser divulgado entre a juventude e as crianças.

    Estes dados já eram conhecidos antes de aparecerem as publicações no jornal- eram até cópia do mesmo que o Gogh fez na Holanda- a tal série de doutirnação por BD e videos, para as crianças das minorias, aprenderem a gozar com as crenças que os pais lhes incutiam.

    Grave é que isto foi feito misturando chacotas religiosas que se sabem ser sagradas para quem é cidadão como os outros e tem direito a esses sentimentos face à religião e até liberdade de a praticar, precisamente pelo poder ser laico e lhes permitir que não haja intromissão nas práticas livres religiosas de cada um.

    4- De seguida começam a publicar as caricaturas e divulgam directamente nos bairros islâmicos os ditos jornais- à leia de manifestos provocatórias.

    5- A reacção dos emigrantes acontece e acontece sem ameaças de morte, pela parte deles, a ninguém.

    6- A história espalha-se, os talibãs agarram-na, entram em cena personagens que não eram os meros emigrantes ofendidos na Dinamarca.

    7- De seguida a questão entra com pressões para o governo e pedidas de desculpa por parte dos jornalistas e é aí que os anormais do Governo tomam a questão como se ela fosse de Estado em vez de a separarem, uma vez que o jornal era privado.

    8- Passados mais de 6 meses sobre a publicação das caricaturas, temos então a reacção da rua árabe, lá- nas terras deles, e não na Dinamarca, e muito menos em todas as capitais europeias.

    9- A partir daqui são até os intelectuais muçulmanos que publicam nos jornais os textos mais inteligentes onde explicam como seria uma conquista adquirir-se a capacidade de humor que admita as caricaturas sem negar a fé. Que consiga dar esse tal salto de distanciamento- isto é escrito por islâmicos, em jornais muçulmanos (tenho cópia, posso enviar-te).

    10- O barulho não vai muito mais longe, há uma incidente em que até são os próprios muçulmanos a condenar e o resto ficou da boca para fora- fulano que foi ameaçado de morte- como mil outros os foram por grandes heróis da nossa história em todos os tempos. A arruaça foui tão branda que, ao pé dela, a racaille francesa é um verdadeiro armagedão.

    11- De seguida há o incidente com o Papa e este tem a inteligência que os imbecis dinamarqueses não tiveram- dá o dito por não dito, pede desculpa se ofendeu, porque não era essa a intenção e vai, na maior, em visita à Turquia.

    12- Por cá, pela europa, os países mais inteligentes, não tomaram as falsas dores dos provocadores grunhos dinamarqueses e, muito menos, as políticas do governo que meteu os pés pelas mãos e teve de dar o dito por não dito, por ter tomado a defesa de um jornal privado como questão nacional.

    Em Inglaterra não se publicou nenhuma caricatura, quando a questão entrou no aumento do agravo, como pedagogia de insulto.

    13- Por cá apenas uns patuscos conseguiram juntar uns esquerdalhos com uns neocons e lá foram todos entregar uma treta à Embaixada. Espero que todos v.s tenham lá estado, uma vez que é em função desse desagravo que ontem decidiram reeditá-lo e chamar a isso liberdade de imprensa.

  82. Estranho como alguns soam tão incomodados com o “levar no cu” como qualquer muçulmano deve sentir-se com a conotação bombista.
    Mas eu explico devagar onde está o paralelo entre as duas imagens grosseiras em causa:
    Tal como referi no comentário utilizei uma “caricatura” que achei próxima no cariz ofensivo à dos dinamarqueses. Tive em conta a imagem de degradação moral que, por norma, os fundamentalistas associam à nossa sociedade livre e (graças a Deus, o nosso ou o deles) tão promíscua no seu entender.
    Depois juntei-lhe uma presumível maior sensibilidade islâmica às piadas e imagens de mau gosto nesta fase da História em particular.
    E no final pensei numa boa ratoeira para os demagogos que acham absurda ou condenável a indignação de quem vê uma figura sagrada com bombas na cabeça. Ou com pilas no traseiro. Ou com qualquer outra palhaçada para entreter taberneiros.

    Estranho como alguns soam tão hostis perante um comentário que até reflecte em boa medida o teor do seu e depois deitam serradura para os olhos de quem não querem que perceba que se sentiram incomodados com o deliberado excesso de linguagem que os perdeu na retórica subsequente.

    Até logo que eu vou ver o Benfica.

  83. Para concluir a parte que é ursa nos v.s comentários:

    1- Confundem insulto ofensivo com liberdade de imprensa

    2- Acham que é pedagógico receber os que têm costumes e sensibilidades diferentes em casa para os provocar com graças a que ninguém acha graça. Continuam a achar que é inteligente insistir-se numa ofensa quanto mais o ofendido manifesta que se esta´a sentir ofendido.

    3- Transformam a reacção dos doutrinadores talibãs que não eram protagonistas da merda e muito menos cidadão dinamarqueses.

    4- Passam a aferir pelo aproveitamento dos doutrinadores que agarraram a oportunidade uma suposta barbárie anti-laica que nos ameaça dentro de casa.

    5- Transfomam todo este ampliar de megafones- dado pelos media- numa causa de perigo de algum jornalista escrever livremente num jornal europeu

    6- Sempre que algum jornalista consegue escrever uma pequenina notícia e publicá-la sem que seja censurado- como é tradicional na boa da nossa liberdade de imprensa ocidental- acham que até pode ser caso de cabala e manipulação às mãos do grande capital.

    Porque Maomé é para cuspir em cima; um primeiro ministro trafulha -intocável como um Deus.

  84. Um aplauso para o Shark!
    Não é isto afinal a síntese racional do problema? Parece-me que está cá tudo, sem concessões aos bombistas fanáticos e chamando a atenção para a possibilidade de exercer a liberdade de expressão e de crítica sem recuos mas com juízo. As piadas ás vezes não são assim tão boas!
    As minhas entranhas abominam os bombistas, os cérebros (?)que estão por trás e não me passa pela cabeça ceder ao fanatismo, mas ás vezes convém saber se a piada é apropriada e o efeito adequado.

  85. Esqueci-me do principal- o tal livro de BD para crianças em que estas caricaturas se inseriam não era apenas chacota à religião islâmica era a ligação da religião islâmica ao terrorismo e esta é que foi a mensagem e a militância feita nos bairros dos imigrantes

  86. Ou então também é jornalista, para além de socratista. Mas prefiro não saber nada- já percebi queq por aqui existem mais variantes de corporativismos e camisolas que divisões de seitas e reverndo-coisos entre protestantes

  87. Incomoda-me, mesmo, é a expressão “ver o benfica”. Não fosse tratar-se de algo impossível e ficava realmente aborrecido. A expressão “levar no cu” não me incomoda nada. Mas a comparação é, repito, descabida e grosseira. Só isso. Existe, de facto, terrorismo islâmico bombista; mas não conheço registos de Cristo ter tido relações homossexuais, não descartando a hipótese, em relação a ele ou a qualquer outra pessoa, de que isso possa ter acontecido. Ao que sabemos, ele ficou para os anais da História por outros motivos.

    Em todo o caso, basta atentar na forma de escrever, acintosa carregada de pirraças e ironias semi-insultuosas, de muitos comentaristas após lerem uma opinião contrária para percebermos que, de facto, apregoamos a liberdade de expressão mas nós próprios somos muito pouco atreitos a conviver em harmonia com o que nos é diferente. Há fanatismos latentes e bombas envergonhadas nalgumas cabeças por aí.

    E depois também há os que acreditam que o insulto foi aos bombistas fanáticos… Para esses foi realmente um serviço prestado. Um favor que lhes fizeram. Agora, as bombas que colocam são mais legitimadas aos olhos de todo o mundo islâmico.

    Até já.

  88. Para quem demora a perceber o que é a liberdade de expressão (será que lá conseguirão chegar?), ou precisa que lhe façam um desenho, ou precisa de explicar onde se fabrica e compra um bom-gostómetro (ou um detector de licenciosidades!), reproduz-se abaixo o debate do advogado de Larry Flint com os Juízes do Supremo Tribunal norte-americano

    Alan Isaacman:

    Mr. Chief Justice, and may it please the Court- one of the most cherished ideas that we hold in this country is that there should be uninhibited public debate and freedom of speech.

    The question you have before you today is whether a public figure’s right to protection from emotional distress should outweigh the public interest in allowing every United States citizen to freely express his views.

    (About Exhibit A), …it was a satire of a public figure of Jerry Falwell, who in this case, was a prime candidate for such a satire because he’s such an unlikely person to appear in a liquor ad.

    This is a person we are used to seeing at the pulpit, Bible in hand preaching with a famously beatific smile on his face.

    Supreme Court:

    But what is the public interest you’re describing? That there is some interest in making him look ludicrous?

    Alan Isaacman:

    Yes, there is a public interest in making Jerry Falwell look ludicrous insofar as there is a public interest in having Hustler magazine express the point of view that Jerry Falwell is full of B.S.

    Hustler magazine has every right to express this view. They have the right to say that somebody who has campaigned actively against their magazine who has told people not to buy it, who has publicly said that it poisons the minds of Americans, who, in addition, has told people sex out of wedlock is immoral, that they shouldn’t drink.

    Hustler magazine has a First Amendment right to publicly respond to these comments by saying that Jerry Falwell is full of B.S.

    It says, “Let’s deflate this stuffed shirt and bring him down to our level.” Our level, in this case, being, admittedly, a lower level than most people would like to be brought to.

    (Laughter in the Court)

    I know I’m not supposed to joke, but that’s sort of the point.

    Supreme Court:

    Mr. Isaacman, the First Amendment is not everything. It’s of very important value, but it’s not the only value in our society. What about another value which says that good people should be able to enter public life and public service?

    The rule you give us says if you stand for public office or become a public figure in any way you cannot protect yourself or, indeed, your mother against a parody of your committing incest with her.

    Do you think that George Washington would’ve stood for public office if that was the consequence?

    Alan Isaacman:

    It’s interesting that you mention George Washington, Justice Scalia, because very recently I saw a XYZ-year-old political cartoon. It depicts George Washington riding on a donkey being led by a man, and the caption suggests that this man is leading an ass to Washington.

    Supreme Court:

    I can handle that. I think George can too.

    But that’s a far cry from committing incest with your mother in an outhouse.

    There’s no line between the two?

    Alan Isaacman:

    No, Justice Scalia, I would say there isn’t, because you’re talking about a matter of taste, not law. As you yourself said, I believe, in Pope vs. Illinois – “It’s useless to argue about taste and even more useless to litigate it”. And that is the case here.

    The jury has already determined that this is a matter of taste, not of law because they’ve said there’s no libelous speech – that nobody could reasonably believe that Hustler was actually suggesting Falwell had sex with his mother.

    So why did Hustler have him and his mother together?

    Hustler puts him and his mother together in a example of literary travesty, if you will.

    Supreme Court:

    And what public purpose does this serve?

    Alan Isaacman:

    The same public purpose as Garry Trudeau saying Reagan has no brain or that George Bush is a wimp. It lets us look at public figures a little bit differently.

    We have a long tradition in this country of satiric commentary.

    If Jerry Falwell can sue when there has been no libelous speech purely on the grounds of emotional distress then so can other public figures.

    Imagine, if you will, suits against people like Garry Trudeau and Johnny Carson, for what he says on The Tonight Show.

    Obviously, when people criticize public figures they’re going to experience emotional distress.

    We all know that.

    It’s easy to claim and impossible to refute.

    That’s what makes it a meaningless standard.

    Really, all it does is allow us to punish unpopular speech.

    This country is founded, at least in part on the firm belief that unpopular speech is vital to the health of our nation.

  89. Aprendemos aqui hoje, com alguns meninos presenteados aqui há atrasado com o 25 de Abril (sim, não foi o comissário nacional da mocidade portuguesa que disse isto! embora pareça) que:

    – a liberdade de expressão deve ser exercida de forma adequada;
    – a liberdade de expressão deve ser exercida de forma apropriada;
    – a liberdade de expressão deve ser exercida com juizo (ou será com juizinho?!);
    – a liberdade de expressão deve ser exercida sem más intenções (com bondade? com coração puro?!);
    – a liberdade de expressão deve ser exercida de forma inteligente (e, quem sabe, senão sábia?!)
    – a liberdade de expressão deve ser exercida de forma não despropositada;
    – a liberdade de expressão deve ser exercida com sensibilidade (e mustela?!)

    espera-se a nomeação para breve de uma entidade reguladora do juizinho, do bom-gosto, da sensibilidade, da bondade versus maldade e da adequação no exercício de tal rameira liberdade.

  90. Ainda ninguém referiu nem se interessou em saber o que está escrito em árabe na bomba. Essa inscrição prova bem que a caricatura se destinava a ser lida pelos árabes e a enfurecê-los. Se alguém souber o que é, que o diga. Será o nome de Maomé em árabe? Isso seria como se um jornal árabe publicasse uma caricatura de Jesus a ser enrabado e ainda lhe escrevessem na testa, para aumentar o escândalo: JESUS. Com duas diferenças: 1) muçulmanos nunca fariam isso, porque o Corão reconhece Jesus como profeta; 2) nós “ocidentais” estamos habituados a toda a badalhoquice estampada por todo o lado, à exibição permanente do chocante e do perverso, qual civilização nos estertores da decadência. Por isso, nem a visão de Jesus naquela pose nos choca por aí além. Também não creio que alguém aqui no Aspirina queira enforcar o Shark ou até a mim por dar exemplos sacrílegos. Mas quem fez a caricatura do Maomé, sabia muito bem até que ponto os árabes se chocariam esta ofensa religiosa. Foi ujma provocação premeditada, destinada a escandalizar. Foi uma bomba atirada à crença dos muçulmanos.

  91. eu em relação ao Cristo a minha dúvida principal era se taratara com o João, ou com o Judas, mas cheguei à conclusão que por causa dos ciúmes é melhor deixar estas coisas assim mais para o secreto. Tal seria muito menos pornográfico do que adorar o homem pregado na cruz – claro que é muito prático: assim pregadinho fica ‘bonito’ e as instituições podem ficar sossegadas que já não há aquelas inconveniências indecorosas de chamar os mendigos e leprosos para a mesa do rico,

    até dá para grandes ledisses e rolar lágrimas de prazer pelo coração, e cabeçorra babona

    a imagem do Cristo que mais me toca até hoje é o senhor santo cristo, de S. Miguel, trato-o como penso que ele gostaria, irmão

  92. Ao da Liberdade, coisa e tal….

    Pela boca de um não presenteado com o 25 de Abril e portanto não valoriza o que tem:

    -Fícámos hoje a saber que a liberdade de expressão é a coisa que mais se aproxima da definição de infinito.
    -Que a proporcionalidade ao facto analizado deve estar propositadamente arredada do uso da liberdade de expressão.
    -Que dentro dessa latitude imensa que nos permite arrotar insinuações, cagar nos valores comuns, qualquer chamada de atenção para consequências funestas para terceiros inocentes deve ser considerado censura.
    -Talvez resumindo, uma coisa a usar tão descuidadamente como fornecer uma pistola carregada a uma criança no meio de uma manifestação.

    A confusão da liberdade de expressão pública e publicada com as anedotas que se contam aos amigos, as tricas de caserna são evidentes. A liberdade de expressão existe felizmente e até permite o seu mau uso. Antes assim que de menos, mas uma coisa é o princípio que visa salvaguardar, outra coisa a pretensão de que a irresponsabilidade no uso dela é uma benesse.
    Sentenças a mais é claro.

  93. ó Nik,

    Não seja mauzinho, não foi nada propositado para ofender. Isto eram apenas desenhos para o tal livrinho de BD. Que diabo, qual é o problema, houve homofobia? houve discriminação machista? houve anti-semitismo?

    As criancinhas já não podem brincar com o terrorismo árabe? nem os jornalistas?

    V. também nunca mais aprende a diferença entre laicismo e secularidade. Se eles querem viver numa sociedade laica têm de ler o Savater primeiro. E berram quando lhes cortam as goelas e riem quando é comédia. É assim que qualquer ser humano que não é um fanático terrorista faz.

  94. zazie,
    (É outro discurso, este teu. Fugi a ele na primeira vez, porque o assunto do meu comentário era outro, e tornei a evitá-lo nas vezes seguintes pela mesmíssima razão, fugir do barulho e da confusão que estes factos e considerações trazem aos factos e considerações em análise neste post, lá em cima. Que são outros, diferentes, pese consequentes. Deixa-me explicar como vejo a coisa, já que as palavras que escrevi até aqui não conseguiram fazê-lo.)

    O meu asunto aqui é este: nada, mesmo nada, zero vírgula zero motivos existem para justificar uma morte infligida a alguém por delito de criação, infeliz ou não, insultuosa ou não, mesmo criminosa na intenção, até. Prendam o gajo, depois de o julgarem. Gulag com ele, se for essa a sentença que resulte da discussão e julgamento do seu caso, depois do ajuizar e antes da primeira pedra. Nada, mesmo nada, zero vírgula zero motivos existem para justificar o castigo de tirar o resto da vida a alguém ao abrigo de critérios subjectivos de melindres teológicos (ciência exacta, como sabes). A fatwa é uma aberração condenável em qualquer circunstância, não é passível de chacota como essa tua do ‘estão a pedi-las’. Não tenho como ler essa tua diabrura sem o desconto do exercício retórico onde vais abrindo outras portas de raciocínio e metes o exagero do ‘mate-se’ na medida do bom gosto que terá tido a publicação original (das 12) que puxas desesperadamente ao comentário. Lerás, se te deres ao trabalho, que não saio desse ponto porque outro me parece forçado comentar. E, apertada no que não te interessa, arriscas a luvada da minha presumida ignorância dos factos que te justificam. Às 20:39 elaboras uma análise retrospectiva cuja correcção factual eu assinaria na generalidade, com algumas (graves) correcções. Quais? Dizer «o barulho não vai muito mais longe, há um incidente em que até são os próprios muçulmanos a condenar e o resto ficou da boca para fora», por exemplo, quando cerca de cinquenta vidas humanas se acabaram só nos confrontos iniciais, parece-me tolice da grossa, (zazie, dá-me atenção: morreu só um gajo, um só que seja, e tu chamas-lhe ‘arruaça branda’? aquece aos quantos?), por exemplo. Mas quase tudo o resto é factual, indiscutível. Agora sê justa: diz-me lá onde, em que vírgula disse eu que achava o cartoon de bom gosto? Que pensava estar correcta a sua publicação, ao tempo? Que achava decente fazê-lo no âmbito de uma BD para catraios? Onde lês o meu ámen à correcção da iniciativa primeira (a criação), segunda (publicação), terceira (defesa governamental ou não da importância daqueles cartoons no processo educativo ‘o que é o Islão’), e seguintes, extremista após extremista, disparate após disparate ditos por quem não fez o favor (ao Islão) de calar a puta da matraca e desvalorizar, relativizando, a pata na poça inicial? Onde vês tu tanto argumento quando eu só te disse, repito, trepito e gravo em baixo relevo nesta aspirina de reflexão: nada, mesmo nada, zero vírgula zero motivos existem para justificar uma morte infligida a alguém por delito de criação, infeliz ou não, insultuosa ou não, mesmo criminosa na intenção, até.

    Choca-te ‘a ligação da religião islâmica ao terrorismo’ que terá sido aproveitada na alegada propaganda. Certo no aproveitamento, errado no choque. Vá lá, olha-me nos dedos: não existe a ligação da religião islâmica ao terrorismo’? Abominável ou não, real ou não, exacta ou não, dizes-me tu, destemperada e frontal no verbo como és, que não é legítima? É feio, porco, sabujo, canalha, criminoso, revoltante, usá-la para doutrinar criancinhas? Mas há dúvidas sobre a minha resposta? É sim, Caixa Alta se te restam dúvidas. Mas deixa-me pôr mais no sim: é tão feio, tão porco, tão sabujo, canalha, criminoso e revoltante como bater palmas às fatwas de hoje ou de ontem (esqueceste rushdie, caralho? vamos morrer de achar, agora que já sobrevivemos à tísica e resistimos ao cancro? e por vontade de Alá, bates palmas zazie?). Uma fatwa por delito de estupidez, mau gosto ou mesmo opinião, ditada em julgamento terreno com código penal divino, é uma fantochada sanguinária que grita, pede, suplica, apela, converte, a mais sangue. Que não se esgota no acto de matar, perpetua-se na discussão caseira que cozinha o ódio presente e futuro e o dá a beber juntamente com o leite materno aos que não tinham memória mas passam a ter por generosidade do rancor genético. Qualquer fatwa, sobre um dinamarquês, um chinês, (um Mendes Bota, até, num exemplo extremo), qualquer ser humano, é um absurdo que importa condenar publica, veemente e repetidamente. Pergunta-me: foi a melhor solução a re-publicação da ofensa? Longe disso, é uma reacção que se compreende como surge mas que é tomada com os pés, é um arroto escusado. Terá algo de grosseiro, à semelhança com o traço que caricaturou Maomé, o Intocável. E então, zazie? Diz-me, anda, do coração: mais fatwas para cada um dos envolvidos? E a matança, acaba quando? (E começou porquê, na verdade, quem se lembra já quando e porquê?). E mais, aceita porque justo e verdadeiro: confias na imparcialidade e na desinteressada justeza religiosa de quem avaliou a dimensão da ofensa?

    Zzzzzzzzazie, abelha melosa às vezes, vespa de ferroada fácil, minha Uzi dos palpites atrevidos, pára só o tempinho de reler uma verdade indiscutível: «todas as religiões são cruzadas contra o sentido de humor», disse o outro e bem, porra! Achas a frase passível de discussão, a sério? Agora dizes-me: sim, mas os sacanas deste e daquele que foram na manifestação e mais os jornalistas que sabes como é, cobrem-se uns aos outros e são isto e mais aquilo e não sei quê, e o caricaturista que foi um granda cabrãozão ao fazer aquele desenho e o governo que fez não sei quê e o Sócrates e o Público e mais a raiz quinta da puta que os pariu, com o poeta hortelão para dar gosto. Dirás isto tudo tal como, no geral, juntas o que é com o que foi para dar o que achas que está e vai ser. Pelo caminho zangas-te, barafustas, alternas o voxêncha com o cona da mãe e misturas os alhos numa bugalhada de meias verdades, preconceito, verdades inteiras e mau feitio. O resultado é a zazie que me irricanta, mais ta que en, hoje, mas sempre uma aventura. Ora Léonard de marquesa, ora avental de peixeira. Mas nunca merdosa na alma, que eu desse por isso. E não vai ser hoje, também. Por isso repete comigo, pode ser sentada e tudo, mas convicta, naquele registo de inodecência que trazias ao jorrar da mamã: uma fatwa, qualquer fatwa, seja por que melindre fôr, é uma merda a condenar de rajada; nada, mesmo nada, zero vírgula zero motivos existem para justificar uma morte infligida a alguém por delito de criação, infeliz ou não, insultuosa ou não, mesmo criminosa na intenção, até. Esta verdade não muda, não altera, não subverte, não anula, não impede a tua crítica, o teu recalque de razão quanto à publicação original. Mas é basilar, lapidar e outras coisas acabadas em ‘ar’, tais como ‘indiscutível’. Diz-me, vá, olha-me nos dedos, saca a honestidade das grandes ocasiões: vês justificação que te traga paz numa sentença de morte, qualquer sentença de morte? Vês garantia de infalibilidade nos critérios que a ditam? Assiná-la-ias de punho firme, a morte de alguém, com a mesma convicção e desprendimento com que queimas este soutien aspirínico, para deleite mútuo, teu e de todos nós, na ausência do saudoso correia de campos?

    Zazie, pantera da minha fantasia tarzânica, permite-me umas palavrinhas que ainda não te disse, se calhar: : nada, mesmo nada, zero vírgula zero motivos existem para justificar uma morte infligida a alguém por delito de criação, infeliz ou não, insultuosa ou não, mesmo criminosa na intenção, até. Tudo o mais é a mais, nesta circunstância de opinião. Mas, se queres saber o que eu acho de facto de todo este assunto, revelo-te uma das minhas máximas secretas, conceito que me vem do gatinhar: ‘graças a Deus muitas, graças com Deus poucas, ou nenhumas, de preferência’. (Amei, segui e respeitei, até à hora em que se foi, a pessoa que me repetia isso como papa para crescer por dentro. Nunca me esqueci, corre os meus textos e confirma.)

    Beijo-te a narigueta empinada. E só não te sento nos joelhos porque suspeito que também leste António Botto.

  95. E depois nunca esquecer o exemplo que o rvn e outros já deram- se estes potenciais terroristas imigrados na Dinamarca não tinham ainda feito nenhum atentado, podiam vir a fazê-lo. E se não o fizessem já o tinham feito os antepassados ou os parentes noutro lado.

    Por isso, a questão é só esta- o fanatismo do islão. Não há mais fanatismo ao cimo da terra por parte de ninguém. Nem pelos que provocam, porque os provocadores são bem intencionados- é para aprenderem desde pequeninos.
    Só havia problema se fosse gozo com judeus. Porque aí toda a gente sabe que é manifestação de ódio anti-semita e negacionismo do Holocausto.

  96. Uma morte inflingida? ok. Desculpa, afinal já mataram o velhinho dos jornais. Pensava que ainda ia na fase de mais uma ameaça entre as milhares de ameaças de morte que existem por todo o lado.

    Tu não te enxergas porque não consegues ver que a anormalidade é transformar esta estupidez em repetição simbólica de desagravo à imprensa amordaçada.

    A palhaçada é só esta. E foi com esta palhaçada que eu gozei. Liberdade de imprensa nem por cá existe, sem haver islão, bastam os nossos micro-talibãs do poder infiltrados com censores em toda a parte.

  97. Onde vês tu tanto argumento quando eu só te disse, repito, trepito e gravo em baixo relevo nesta aspirina de reflexão: nada, mesmo nada, zero vírgula zero motivos existem para justificar uma morte infligida a alguém por delito de criação, infeliz ou não, insultuosa ou não, mesmo criminosa na intenção, até.

    Pronto, já passamos às mortes inflingidas por antecipação.

    Hoje também vi um puto no hospital pedir o telemóvel à mãe para chamar o 112 porque tinha havido ali muitos crimes.

  98. vamos morrer de achar, agora que já sobrevivemos à tísica e resistimos ao cancro? e por vontade de Alá, bates palmas zazie?

    ahahaha

    Ya meu, eu também acho que o problema é que a cagufa dá estas coisas- basófias à distância.

    Meu, 3 familiares meus só não foram ao ar no atentado de Londres porque, nesse dia, foram 10 minutos mais cedo para o trabalho.

    A estação foi a do BUMMM! percebes? quando lá fui ainda estavam os vestígios à mostra.

    E, ninguém entrou em histerirsmos de retaliações ou insultos a qualquer barbudo com turbante. Até porque, o outro que era brasuca, foi desta para melhor porque andava de kispo sem haver frio que o justificasse. E trazia um fio eléctrico a sair do casaco, para além de ter ar dessa gente terceiro-mundista do Sul.

  99. Mas, nessa altura, nesse dia em que eu até estive a postar no Cocanha, também li o que os armagedónicos berraram- sem parentes a poderem ir desta para melhor. E aí o que li é que era preciso compreende-los, era preciso negociar com os terroristas- ir lá o Marocas, entender os problemas da pobreza que podem levar ao terrorimo e mais uma série de merdas do género.

    Porque, se há coisa que eu conheço é o comportamento dos cobardes. Quando a coisa é forte e feia- agacham-se. Quando não é nada- exorcizam o borranço e berram para os mais pequeninos e inofensivos: agarrem-me senão eu mato-os.

  100. zazie,
    aplica-te, podes melhor.
    descontextualizar para esgrimir é reacção de titi democaca, que pega no florete como no vibrador, só que com nojo.

  101. Bom, já percebi que tu ficaste muito acagaçado por causa da falta de sentido de humor de uns gajos que vivem na Dinamarca.

    Ok. Prometo que não te volto a assustar virtualmente e a dizer que estavam mesmo a pedi-las.

    Na volta ainda tens uma alucinação com um terrorista a sair-te do monitor, dá-te para aí alguma macacoa e eu não quero ter mais problemas de consciência.

    Já me bastam estes que tenho de carregar por causa do crime que ainda não aconteceu mas pode vir a acontecer. E é lixado porque não tenho o telefone do Spilberg para saber como lidar com um relatório minoritário.

  102. zazie,
    exacto, é tudo filme, tudo holy wooood, só para assustar. Afinal, aqui entre nós, aquelas coisas das fatwas são reinação, certo? Cabrões dos jornalistas, inventam cada tragédia!
    Disse lá em cima, repito cá em baixo e não há bomba que me cale: És a maior e eu sou teu fã, como sabes. Em dias como o de hoje, então, fazes-me rir. Só porque estás a brincar, evidentemente. E não viro as costas à nossa conversa por dar merda, como o teu Spielgberg fez com a China por dar fur. Não lhe telefones agora, parece-me escusado.

  103. Parece que não leste aquela parte em que 3 dos meus familiares não foram ao ar por uma diferença de 10 minutos.

    Aqui para nós, que ninguém está a ouvir- um deles é o meu pinguim. E sabes o que é que ele passou a fazer nos dias que se seguiram ao atentado e quando tinha de fazer o mesmo percurso de risco máximo?

    Mandava-me um mail e dizia_ “pronto, vou agora para casa- se não tiveres notícias já sabes o que aconteceu”.

    É assim, somos uns desgraçados insensíveis cheios de humor negro. A culpa também deve ser de algum sacana de um antepassado pré-histórico

    “:OP

  104. zazie,
    Li, claro, botei-lhe cinco caras de pinguins parecidos a quem dei berço e gelei contigo nesse pólo imaginado, acredites ou não. Mas não acredito que sentenciar de morte qualquer expressão do pensamento, por mais idiota que possa ser, resolva essa ansiedade que nenhum pinguim devia ser obrigado a conhecer, nem aos chacais a desejo.
    Vespa, abelha? Leoa assanhada, isso sim. Um irricanto, já te disse?

  105. Consegues ser pragmático, entender que foi este o monstro que também gerámos dentro de nós e ainda achar que foi e é inteligente, perante esta realidade, a provocação irresponsável, dirigida, e imbecil?

    e achas que os que não provocam, não defendem as políticas que contirbuíram e contribuem para existirem estas ameaças, têm qualquer obrigação de aparar os golpes dos que são bestas e ainda, chamar a essa porra- liberdade de imprensa?

    Num terreno minado é criminoso apenas o que o minou, e do mesmo modo como o que não minou mas é capaz de ser obrigado a passar por cima e rebentar, porque há sempre quem goste de manipular e viva também dos trunfos que arrecada à custa disso?

    Ou achas que este é que é o único e verdadeiro perigo político com que todas as pessoas se devem preocupar, achando mais fácil fazer do islão um paraíso ateu, que evitar conflitos e mantê-lo bem à distância?

  106. É que v.s não saem daqui- ou são pragmáticos e abrem os olhos para a realidade, sem caírem nas generalizações tolas ou na boa retórica balofa, ou então têm de assumir que também são apenas uns líricos irresponsáveis, de costas quentes, sem conhecerem qualquer ameaça real, mas aproveitando todos os pretextos (lá longe) para venderem o peixe.

    E o peixe, se não é imbecilidade de cruzada de laicização ao islão, a par de política de porta aberta a todos; é ainda pior- é mera manifestação visceral, idêntica à que todo o ser humano transporta, em maior ou menor grau, a que uns chamam ideologias, outros religiões, e outros jacobinismo.

    Sendo que é bem mais importante estar consciente disto que achar que se é lider apenas a apontar o dedo da denúncia sem conseguir ler o que também o motiva.

  107. Para dar o exemplo: neste debate está às claras que o que me motivou foi ver como a hipocrisia patinha nas suas próprias máximas- um dia é crime de ódio; no outro é liberdade de expressão.

    Mas, também é bem claro que, como tenho cabeça fria e meia-dúzia de lemas aprendidos de infância- sei que nunca se deve arranjar problemas onde eles não existem, e respeitar todas as crenças, principalmente quando são tão longe do nosso entendimento, que só por querer colocar os outros na nossa pele, poderíamos julgar a sua pertinência.

    Se tu tiveres estas noções de liberdade em relação aos outros e tacto, muito tacto, por mais cínico que seja, és bem mais útil que quem acha que a verdade e o confronto são os melhores ingredientes para a paz possível.

  108. Agora o que nunca me verás é a desejar a guerra apenas porque cá bem dentro acho que será útil alguém morrer no meu lugar. E o belicismo dos sissy hawks é esse- empurram os outros para irem fazer de heróis no lugar deles.

    Por cá costumam babar-se a ver chacinas de guerrra pelo televisor. E depois vêm para os blogues ou vão para os jornais e dizem que as vítimas é que não deviam estar por baixo das bombas. E que a culpa de quem atira as bombas é dos que metem as vítimas no lugar errado.

  109. zazie,
    Não acho nada e acho tudo, porque certezas não tenho como tu na fortaleza inexpugnável dos conceitos de certo, errado, política, imprensa, bestial, besta, religioso e criminoso, esses mesmos onde tantas vezes os meus olhos me atraiçoam com a visão de fronteiras cruzadas de todos com todos. Por isso tracei limite na alma e não arredo: sentenciar de morte qualquer expressão do pensamento, por mais provocação irresponsável que seja, mesmo dirigida, mesmo imbecil, é aberração que não engulo como aceitável. Em nenhuma circunstância.

  110. O belicismo mais perigoso é mesmo esse- aquele que acha que fica mais protegido à custa da morte dos outros. É algo tão subterrâneo que costuma passar por pacifismo.

    Como tenho boa narigueta detecto-o facilmente pelo olfato.

  111. zazie, tens, pelo menos, este mérito: consegues descer mais um bocadinho bem depois de já teres batido no fundo. No entanto, não estás só: outros confirmam que preferem abdicar da liberdade se isso lhes garantir a ilusão de valer a pena viver sem coragem. Incrível, mas verdadeiro; e, afinal, sempre foi assim. Velha História.

    Toda a tua argumentação, todinha, é falaciosa. Primeiro e último ponto: os jornais dinamarqueses, e os cidadãos na Dinamarca, têm o direito de exibir publicamente, sem pedir licença a ninguém, uma caricatura de Maomé com uma bomba na cabeça. Ter o direito significa que no plano jurídico não há ocasião para censura, pena, indemnização, reparo, desculpa. Este é o primeiro e último ponto nesta questão porque, sem o aceitarmos, não poderemos sequer comunicar uns com os outros. E também porque ao ser aceite, como é inevitável que seja, estamos acto contínuo a aceitar que não há nenhuma razão, seja de que ordem for, que legitime uma resposta criminosa contra um direito fundamental: o direito a emitir uma opinião que não viola os códigos legais.

    Coisa bem diferente é a consequência da publicação da caricatura. E aqui levantam-se decisivas questões, mas também inequívocas questões:

    – A parte ofendida tem de reconhecer o primado da lei civil. Se não o fizer, torna-se parte criminosa caso queira retaliar cometendo ilegalidades.

    – A parte ofendida tem de reconhecer a origem da ofensa, a qual não é a caricatura nem a sua exibição (estas realidades em acordo com a lei): a origem da ofensa é a subjectividade do reclamante.

    Isto é assim porque a sociedade é secular, conceito de que foges. Ser secular é coisa diferente de ser laico, conceito que preferes, mas que talvez ignores no que queira dizer. Se a sociedade é secular, a sua jurisprudência é secular. Se a sua jurisprudência é secular, objectos como “sentimento religioso” não existem, pois escapam à racionalidade do sistema. Se não existem, não podem ser ofendidos. São os indivíduos, e os respectivos direitos consignados nos códigos, que podem ser ofendidos, nunca “os sentimentos”.

    Onde é que o sentimento religioso pode ser ofendido? Na religião e na moral. Porém, como validar o religioso? Só com o mesmo religioso, não se admite critério exterior. Ao longo dos séculos, muitos e heróicos foram os que deram a vida para que o Ocidente se livrasse desse despotismo maligno do religioso (o qual inibia violentamente a transformação cultural). Assim, quando alguém que se reclama muçulmano anuncia ter sido ofendido religiosamente pela expressão de opinião alheia em contexto secular, essa suposta ofensa não tem forma de ser reparada. Atenta: os problemas religiosos resolvem-se nas religiões, os problemas civis resolvem-se na lei e nas suas mediações civis – é isto a secularidade; e tem muito pouco tempo de vida, chegou hoje de manhã à Humanidade.

    A tua posição é moral. Moralmente, lidas com “sentimentos” e “ofensas” que se alimentam do vago, aleatório e caótico subjectivo. Aqui temos a liberdade para nos considerarmos ofendidos por causa de comportamentos, estilos de vida, valores, opiniões. Vale tudo, menos ser-se criminoso. Logo, quando a tua moral começa a admitir o crime, mesmo que de terceiros, tornas-te cúmplice. Nesse sentido, ainda que a psicologia explique que estás apavorada (acabas de introduzir um dado biográfico que confirma a hipótese, os tais familiares que escaparam por 10 minutos), moralmente és cobarde e, por isso, cúmplice de criminosos. Espera, não te levantes já, há pior. E muito pior.

    Escreveste:

    “Ora, se nós aceitamos estranhos em casa e desatamos a ofende-las com supostas piada que não os fazem rir, e se volta a insistir e continuam a dizer mais piadas até que a indignação aumente, é porque essas ditas piadas não tinham como objectivo fazer rir ninguém, antes ofendê-las.”

    E tenho a certeza de que não podes estar a ser mais sincera. Para ti, esses muçulmanos são estranhos. Não são estrangeiros, imigrantes, crentes. São estranhos. Mas, para o Estado de direito onde quiseram entrar, ou onde nasceram, e onde usufruem de bens materiais e culturais, eles não são estranhos: são cidadãos. Isto é, são iguais a todos os outros no que é mais importante para a comunidade: os seus direitos e deveres.

    Pensa zazie: não é a comunidade que os acolhe que tem de se adaptar a eles em matérias que colidem com as leis, são eles que têm de se adaptar ao hospitaleiro nos fundamentos do contrato social. Para sua felicidade, a sociedade onde estão a viver está pensada para acolher todas as diferenças legítimas – mas isso tem um preço: que eles próprios aceitem todas as diferenças. Uma delas diz respeito à liberdade de credo, incluindo a opção de nenhum credo professar. Logo, ser-se coerente com uma posição ateísta, por exemplo, leva a clamar que nenhum deus existe. Se um muçulmano, cristão ou judeu se sentir ofendido com essa afirmação e quiser censurar, ofender a pessoa, agredir ou matar, estará a violar a democracia, a lei e a secularidade. Mas isto é óbvio, não é?

    A tua posição é imbecil, mas isso ainda é o menos. O verdadeiro problema está na exposição da matriz que perpetua o mal. É que houve uma investigação policial que descobriu o plano para matar um dos autores das caricaturas, e a polícia fez o que tinha de fazer: prendeu os criminosos. A reacção dos jornais, ontem, foi um acto fundante: anunciou a todos que a violência e a loucura se combatem com a coragem e a liberdade. Isto é uma resposta civilizacional, que honra os protagonistas, e já nada tem a ver com o contexto da primeira publicação das caricaturas. Não, claro que não espero que admitas estar a compreender o significado do acontecimento.

    Mas farias bem em admitir, mesmo que só para ti, que a tua atitude nesta conversa também se aplica, ipsis verbis, para os casos em que países muçulmanos cometem crimes contra a sua população, seja ao nível dos poderes governativos e estatais, seja ao nível dos poderes locais e individuais. Para ti, fico a saber, pretender melhorar a condição feminina, por exemplo, nas sociedades islâmicas será uma provocação a evitar a todo o custo. Elas que aguentem, que vivam escravas, nós é que não queremos chatices e malucos a rebentarem-nos à porta. E quanto a mortes à pedrada porque sim, também está bem, pois que temos com isso? Saberás, então, que não foi com essa miséria de vida cobarde que se alcançou este tão simples prazer que nos dignifica nestas interacções: falar uns com os outros em liberdade e poder disparatar sem ser molestado.

    Muito antes do caso das caricaturas já psicopatas invocando uma qualquer versão do Corão cometiam atentados contra ocidentais. Isso irá continuar a acontecer, por tempo indefinido, e mesmo que não haja qualquer “provocação”. As pessoas que estão a organizar essas carnificinas não precisam de motivos extra, pois já anunciaram que o seu objectivo é totalitário. Se puderem, destruirão tudo e todos. É o que fazem quando se matam a si próprios, quando destroem a sua totalidade, com a doce ilusão de estar a contribuir por conseguirem matar uns poucos de inimigos, para fazer avançar a causa. Essa gente não hesitará em matar seja quem for, e pensar que poderemos fugir às consequências é uma tragédia imensa.

    Sempre que te acobardares perante a loucura, estarás a dar-lhe força.

  112. O engano está aí- não é no apontar vazio de uma sentença de morte e num julgamento vazio em que esse autor não tem rosto- apenas lhe chamam “islão” que está alguma coisa válida que dê pelo nome de moral ou o raio que o parta.

    O engano é que, enquanto exorcizam esses fantasmas numa denúncia de um vazio, há outros bem concretos que o encarnam- e aí, de um instante o islão até o gajo muçulmano que vive no bairro não sei quantos na Dinamarca e que representa a ameaça que paira sobre o inocente do jornalista jacobino e xenófobo, que acha que corre com emigrantes assim.

    Não corre. Mas consegue que eles passem a ter a cara do tal islão que lançou a ameaça de retaliação. E que, por acaso até vive na sua terra e é tão político quanto o provocador no aproveitamento de dividendos meio ano depois.

  113. Valupi, só dizes disparates. Começo a acreditar que, de facto, só conheces o teu passado dos anos 60 por o teres lido no livro que alguém escreveu.

    Não passas nuncas dos tiques de perliquitetes e da filosofia de ponta. Agarras qualquer treta e fazes dela mero jogo de retórica e consola de computador.

    Essa treta dos direitos, das definições, das liberdades é muito bonito. Dou-te um conselho, pega nesse paleio todo e vai pregá-lo aos gajos.

    Palavra- tenta convencer o islão a concordar contigo que é capaz de ser a maneira mais fácil para transformares uns remoques de retórica em 15 minutos de fama.

    Há quem escale o Evarest. tu podias atirar-te ao islão com a retórica das definições de conceitos. Começavas logo por lhes perguntar: diga: o que é a ética, o que é lacidade? o que liberdade. e por aí fora. Há um mundo desconhecido à espera de estrategas mundiais como o Valupi

  114. Olha e, de caminho, enfia a puta do Estado de direito no cu. Não é por nada mas também acho que, por esse lado se resolvia metade da tua filosofia de ponta.

    Pelo menos metade, deixo a outra metade entregue ao benefício da dúvida.

  115. e olha lá ó meu grande cõno de merda:

    O que se passou com os meus familiares em nada de nada alterou tudo o que sempre disse. Escreveste aí uma merda porca que só por mau carácter se pode fazer. Disseste esta merda:

    Nesse sentido, ainda que a psicologia explique que estás apavorada (acabas de introduzir um dado biográfico que confirma a hipótese, os tais familiares que escaparam por 10 minutos), moralmente és cobarde e, por isso, cúmplice de criminosos. Espera, não te levantes já, há pior. E muito pior.

    Tu és besta. Nem me borrrei de medo, nem eles e muito antes do atentado de Londres dizia o mesmo que digo agora- política de porta mais fechada, nada de intervencionismos de exportação de democracia e muito tacto no lidar internamente com todos os que vêm de culturas diferentes e, ainda mais, com os que têm motivos para estar acirrados.

    Só por uma porca de uma demagogia foleira podes atrever-te a afirmar que algo do que penso ou digo é diferente porque tenho familiares que correram esse risco em Londres.

    Felizmente há quem me leia na blogosfera há muitos anos e sabe o que sempre escrevi e disse a este propósito. Está online tudo o que exprimi a propósito da invasão do Iraque. Em cima do acontecimento.

    Mais, também tive por lá familiar na altura do atentado de NY. E, a única reacção que houve foi o namorado aproveitar a fazer férias por lá. Com o mesmo argumento pragmático que o meu- ” se calhar nem vale a pena estar agora com medo, porque até há mais vigilância e tudo deve estar mais barato”.

    Isto é absoluta verdade. É assim, somos sangue frio e humor negro. Nunca mudei ou atirei pulsões de cagufa para cima de nada.

    Até porque ao contrário do que tu julgas, só mesmo quem nunca viveu muitos riscos na vida é que se apavora histericamente.

    Não é o caso, já vivi suficientes riscos para não ser histérica e não há ninguém na minha família que reaja aos outros por projecção de fantasmas.

    Ninguém. Nem sequer o dito pinguim teve qualquer reactiva emocional que se assemelhe aos vossos descabelamentos.

    Nem mudou de lugar onde vive e nem eu aconselhei a isso. Até porque, aquilo que dá para aprender quando as coisas tocam mais próximo que estas brincadeiras retóricas que são para v.s, as pessoas tendem a viver muito mais normalmente o dia dia.

    E outra coisa- mandam qualquer Valupi enfiar a casuística e as legalidades no cu.
    Porque, só mesmo quem faz do mundo e do estado de crispação acelerado desde a invasão do Iraque é que pode entreter-se com paleio barato e grandes boutades acerca da legitimidade, do direito civil e do caralho da prima. Que, a merda quando tem que acontecer não vai primeiro ao notário.

  116. Se tens dúvidas, vai ao Cocanha e confirma o meu estado de “apovaramento” em cima do acontecimento.

    Nem o disse a ninguém e fiz os mesmos postes dizendo o que sempre disse. De tal modo que até levei porrada ideológica ao mesmo tempo que ia esperando pelos mails de chega segura a casa.

    Não se notou. Nem em mim, nem neles. Em nada mudámos a relação descontraída que achamos saudável com perigo, com islão, ou apenas com o drogado que ameaça com a seringa à saída do metro.

    Mais, foi precisamente esta ideia que o pinguim transmitiu- em Londres a ameaça real e mais provável continua a ser a de sempre- um marginal qualquer que te esfaqueie quando anda em bando. E esse não precisa sequer de ter religião. Basta-lhe ter desprezo pela vida dos outros. Coisa que a falta de boa formação moral tem ajudado a acrescentar numa juventude ímpia e de ego inchado, que se julga a fazer de Deus, como o outro puto do massacre da escola do paraíso laico e ateu nórdico.

  117. E, quando te atreveres a falar em moral a meu respeito ou a dizer que eu sou moralmente responsável por qualquer merda de ameaça, respira fundo e procura outro colo porque eu não tenho nada a ver com o défice de moral de que te sintas órfão, pois não sou a tua mãezinha.

  118. Caralho destes conas da musgueira que num dia andam a lamber o cu ao ingenheiro por causa das cabalas dos jornalistas e, no outro, a falar em moral de imprensa.

  119. Eu já devia de ter aprendido isto há mais tempo…

    Distância, o mais que é preciso é distância- a começar pelas alminha enconadas em retórica do mundo virtual…

    isto tudo porque me saiu aquela de ter lido o debate com o Tcher… foi isso. Foi essa a minha burrice. Mostrar que até sabia…

  120. Foi mesmo uma merda das mais merdosas que já vi. Este aproveitamento de uma micro confidência com o rvn para o gajo aproveitar a fazer psicanálise e dizer que se eu não sou histérica com o islão é porque vivo apavorada desde o atentado de Londres.

    O caralho- se calhar, se tivesse a reactiva de passar a odiar todo muçulmano é que era um comportamento digno e não uma responsabilidade por crimes que podem estar para vir.

    Filho da puta. E ainda sou culpada por mais merdas como não sei quantos que os gajos fazem às mulheres e mais o raio que parta deste desbobinar de chavões merdosos.

    Eu sei que vos incomodo. Mas é precisamente pelo contrário- por vos fazer escorregar nas vossas próprias hipocrisias.

  121. Histéricos com os islão são v.s os politicamente correctos que vivem de natureza às avessas, julgando que ela não salta cá para fora, só porque papagueiam os dogmas da moda.

  122. Não. Tu é que queres fazer do fascismo terrorista islamita uma política correcta. Por isso pedes para serem deixados em paz. Esse teu multiculturalismo é o dos derrotados.

    Quanto à inanidade da tua argumentação, à sua fúria irracio-anal, é o espelho do teu problema: medo.

  123. V.s. e tu, em particular, são tão anormais que ainda te vou fazer um desenho para perceberes.

    A imbecilidade que tu dizes é que há lei. Portanto, em havendo lei e Estado de direito, não há problemas nem ameaças, nem sentimentos, nem relações diferentes entre as pessoas, nem animosidades de grupos, porque, para ti, o mundo é lido pelo código civil- o outro é uma figura de papel.

    Pior- nesta tua imbrecilidade legalista e robótica-

    sagrados são meia dúzia de questões ideológicas e tabelas prescritas pelos fracturantes:

    uma causa gay é sagrada,
    gozar com algo à volta disso é explicado como crime íncitamento ao ódio das sexualidades alternativas;

    sagrada é a putice e manha de todo o manhoso de poder, desde que seja do teu grupo- e aí não há moral nem ética de Estado- há apenas jogos de manipuladores e assassinatos de caracter quando a imprensa é usada para contar verdades escondidas de quem manda;

    sagrada até pode ser qualquer descabelamento por um filme do Mel Gibson porque aí- a minoria não é terrorista- está ao abrigo das tais excepções de protecção ao “Outro”.

    Só não é sagrado Deus!

    Para v.s é isto- têm a cabeça de tal modo feita por dogmas imbecis- que toda a merda pode ser sagrada em nome do “Outro”, menos a religião. Pela simples razão que vs. passam a vida com o Outro na boca mas é do “mesmo” que falam

    Por isso é que as Leonardas chegam aqui e despejam meia dúzia de lugares comuns e concluem que não havia motivo para os “Outros” se enxofrarem. Porque para ela isso não conta.

    Isso das religiões e de sagrado é coisa merdosa- o Py até disse que é coisa de tarado- adorar um gajo espetado num pau. Se adorar um pau espetado no gajo- é civilização.

    Depois, são mais bestas porque, como o Nik ou o Shark já disseram- alimentam esta imigração anormal- dão-lhes todos os paparicos legais- deixam-nos tomar poder internamente- defendem igualdades de laicismo que mais não é que vazio para que cada um conquiste território- incluindo os ateus militantes que também proselitam por território- e na volta, depois de alimentarem esta Babel berram que há lei e que podem gozar com as crenças deles e chamar-lhes terroristas.

    Porque a lei e o Estado de Direito permite- tal como permite, todos os dias, que existam crimes, ladrões, gajos a abrir a cabeça de outro com uma enxada por dá cá aquela palha, putos de 12 a 15 anos a matarem em média um tipo por dia em Inglaterra; professores espancados com linha verde que não dá para acudir, nesse mesmo Estado de Direito e o mais qeu for preciso- como bombas a caírem em cima sem que a lei tenha dado autorização prévia.

    E, como também são uns inúteis de boca cheia- perante este mundinho de contradições, acham que mandar desabafos de indignação é que resolve alguma coisa.

    Quem não manda desabafos de indignação por uma cena mal contada- como esta- como é o meu caso- é apontado a dedo. Apenas porque v.s acham que há motivos para embandeirar em arco pela polícia ter feito o que devia- e que deve fazer sempre- estar alerta e desmantelar qualquer tentativa de assassínio.

    Mais nada- foi isto que transformaram em quixotismo de basófia- Quando eu, iria mais longe-

    A polícia não só deve agarrar todos estes gajos que minam por fanatismo todas e quaisquer socieades como, no caso de até serem imigrantes- mandá-los reencaminhados para casa.

    Agora não fazer isto e dizer que insultar e fazer livros de BD a chamá-los terroristas ofendendo-os de forma religiosa e civil é que é manifestação de progresso e liberdade a ser aplaudida em nome de uma série de merdas casuísticas que nem para uma socieade de robots serviam.

  124. Quanto à tua temeridade de psico de algibeira, capaz de detectar telepaticamente a alminha dos outros (à boa maneira estalinista dos “doentes psicológicos dos adversários a irem para Gulags para tratamento) resta repetir-te a pergunta.

    A ti e, já agora, ao rvn (que sendo bem mais sensato, apenas ficou com o tal problema por achar que eu defendia fatwas apenas por constatar que elas evitam-se em vez de se espicaçarem da forma mais besta):

    Foram à manif de desagravo aos jornalistas e à Dinamarca?

    É apenas esta a questão. O que é que fizeram 6 meses depois da merda feita pelos jornalistas e do aproveitamento dos talibãs e barulho da rua árabe?

    Vieram também para a rua em desagravo? como ao Rato e o Rui e O Manuel João Ramos?

    Só isto- a minha pergunta é apenas esta. Porque, se não fizeram nada, ainda conseguem ser mais idiotas inúteis que os foram.

  125. Depis nem vale muito mais, a não ser umas boas gargalhadas e até um textículo para guardar- naquele teu testamento de explicação do que são liberdades civis que vêm no código das que não são e o modo como racionalmente qualquer cidadão deve agir.

    É anedota pura. E até ignorante- nem sabes se na Dinamarca o código penal tem alínea que condena toda e qualquer ofensa ao credo religioso de alguém assim como aos seus símbolos. O nosso tem- e com direito pena legal. Simbólica, claro, porque estas coisas, ao contrário da tua cabecinha robótica, não funcionam por régua e esquadro.

    Não existe essa figura abstracta do “cidadão sujeito a leis e com direito a elas num Estado de direito- e a cumpri-las sempre na íntegra- sem hipótese legal para as não cumprir.

    O que existe foi precisamente aquilo que te pareceu um crime na minha cabeça- uma série de pessoas diferentes, com grupos e tensões e tradições e culturas antagónicas- impossíveis de serem terraplanadas à imagem de uma qualquer “constituição de tabela de humores e causas, inventada por esquerdalhada que arrasta´esta última bandeira de utopia- a terraplanagem social ditada pelas suas crenças.

    E é preciamente por isso, pelo facto de existirem grupos não uniformizáveis que não existe essa divisão clara entre o que é do nível da lei e das normas civis e o que é do nível das crenças e das emoções e devoções e valorizações de muitos outros.

    Donde, como eu disse logo de início e mais pessoas aqui o expressaram- o Shark, o Nik, por exemplo- a questão é apenas de bom-senso. Por bom-senso e tacto há que saber agir.

    E mais- não confundir um jornal local com militância de bairro e distribuição das caricaturas nos bairros islâmicos- como foi isto que sucedeu na Dinamarca, com uma mera caricatura a Alá e aos terroristas que pode ser feita e é feita em centenas de jornais de todo o mundo.

    Porque, mais uma vez- esta história foi outra- teve uma leitura que só se entende conhecendo o contexto local e bem restrito em que aconteceu- e outra coisa foi o aproveitamento que dela foi feito 6 meses ou 1 anos depois.

  126. Para acabar:

    e, a tua demagogia (que é sempre a mesma e já a conheço de cor) foi passar por cima desta diferença e fazer a história no 2 em 1.

    O que tu contaste, para poderes vender essa casuística balofa de talho- foi que tudo se resumiria a uns cidadãos dinamarqueses a não acatarem as leis locais, por via de umas meras caricaturas que apareceram no jornal e reagirem a isso com fatawas e ameaças de morte aos autores da brincadeira.

    Foi isto- tu fizeste da comunidade muçulmana da Dinamarca o “islão”- e atribuista e um problema de não entendimento de laicidade por parte de imigrante uma coisa que foi reacção e ameaça e arruaça de talibãs políticos e ideológicos que incitam a multidão e, se for preciso, hão-de continuar a fazer nº em todas as Al-Quedas possíveis e todas as fatwas a que deitarem mão.

    Porque isso- esse fenómeno de fatwa não é mera merda de acatamento de código de leis e de laicismo de estado por parte de qualquer imigrante num qualquer país europeu.

    E sim, um fenómeno de nacionalismo e ideologia latente, com muitas explicações na história mais antiga da queda da URSS e mais recente nas tensões geo-políticas no Médio Oriente.

    O resto é conice e imbecilidade politicamente irresponsável de porta aberta e estado social a alimentar meio mundo de imigrantes ilegais.

  127. «…o código penal tem alínea que condena toda e qualquer ofensa ao credo religioso de alguém assim como aos seus símbolos. O nosso tem- e com direito pena legal. Simbólica, claro…»

    ah, simbólica, claro. está então excluída a morte por cartoonismo? e outra coisa: o que é classificado como «ofensa»?

    tu misturas tudo e fazes tábua rasa do que te dizem, zazie. argumentas com ataques que não têm a mínima relevância para o assunto em discussão. como se quem se te opõe padecesse de todos os “males” que reconheces num opositor genérico.

    não tens razão. quem é recebido por um país tem que aceitar as leis deste país, qual é a dúvida? tal como se fores a alguns países islâmicos tens que cobrir a cabeça. em roma sê romano. deste aí algures o exemplo dos monty python, que eu já tinha dado antes. achas que se os católicos se melindrassem da mesma forma teriam todo o direito de assassinar o john cleese? a regra passa a ser determinada pelo melindre do outro?

    pergunto-te se já te aconteceu alguma vez acabares por reconhecer que alguém com quem estás em discussão tem afinal razão. porque se nunca, mais vale desistir, deste lado. mas uma coisa te digo: que energia, mulher!

  128. zazie, há dois aspectos bestiais no que tens escrito:

    1º – Completa distorção dos factos, sejam os relativos aos episódios ocorridos da Dinamarca em 2005 e 2008, sejam os relativos à argumentação nesta discussão, e não só comigo.

    2º – Completa incapacidade para entenderes o que esteve em causa na reacção da imprensa dinamarquesa no dia 13 de Fevereiro. E só para tentar despertar a curiosidade de meia dúzia dos teus neurónios, um jornal que criticou a publicação das caricaturas em 2005 decidiu unir-se a este protesto publicando o que antes lhe parecera errado.

    Nada há no que escreves que se aproveite. E é patético insistires nos teus delírios quando não faltam fontes de informação que colocam a questão na sua realidade.

  129. ò susana:

    Tu continuas com febre?

    O código penal tem clausula legal que condena toda e qualquer ofença religiosa,- seja por via de ofensa pessoal, seja aos símbolos religiosos.

    Existe pena de cadeia- pequena, e multa, pequena (está no código e foi postada numa data de blogues. Posso passar-te, onde é condenado em tribunal quem ofender outrem na sua sensibilidade religiosa, assim como é condenado em tribunal quem maltratar símbolos religiosos ou locais de culto.

    Entendido?

    Eu chamei-lhe simbólica, porque, na prática não tem sido aplicada. Se o fosse, o António da caricatura do preservativo tinha tido processo em cima e pequena multa.

    Não é aplicada porque se faz vista grossa- apenas isto- a lei é coisa que existe para servir custumes- e depende da intenção com que as coisas são feitas.

    Mas essa mesma lei existe e leva de cana quem fizer um cocó em cima de um cemitério abandonado mas judaico. Porque, é verdade, que na religião judaica os cemitérios são lugares sagrados- dondo o nosso código penal foi cumprido ao condenar os putos que cagaram nas campas.

    Se mais razões não existissem existia esse código penal que protege e defende todo o cidadão nas suas crenças e no sentimento sagrado que lhes atribui.

    Entendido?

    V.s são tolos- acham que foi a Revolução Francesa que fez da ideologia religião e que a religião deixou se ser algo sagrado na sensibilidade de cada um e na ciadania de Estado..

  130. ò Valupi, vai lá embalar o código e não digas mais asneiras que assim nota-se demais. Não te esqueças que não sou só eu que te estou a ler nesta tribuna.

    Para a Susana: ainda precisas que te vá buscar a lei portuguesa em que as ofensas religiosas são punidas por lei ou já fizeste a busca no Google.

    Isto deviam v.s saber antes de mandarem bacoradas para o ar, como foi o caso do Valupi armado em jurista e com aquele paleio que religião e humor coincidem, porque a lei é que estabelece as intenções subjectivas de cada um.

    De caminho deixo-lhes a redaçãozinha para o fim de semana.

    Tente explicar à malta, com exemplos teóricos, históricos e legais- onde é que termina um incitamento ao ódio e um crime de ódio de discriminação de minorias, da famosa liberdade de insulto como exemplo de liberdade de imprensa.

  131. mas como «entendido?», zazie? fui eu quem começou por falar nessa premissa logo no meu primeiro comentário, e tu quem demitiu essa possibilidade de seguida.

    lá está: quando o argumento é meu é serve uma finalidade adversa à tua, é posto de lado. agora vais buscar a lei…
    e não respondes. continuas a não ser capaz de admitir que os terroristas não têm razão. porque é isso que tens estado a dizer, ou ainda não percebeste?

  132. Insiste a susaninha febril:

    quem é recebido por um país tem que aceitar as leis deste país, qual é a dúvida

    Susaninha: qual foi a lei que os imigrantes dinamarqueses não acataram?

    Só isto- qual foi?

  133. se vais para um país que te acolhe, tens que respeitar a sua constituição.
    relativamente ao que dizes, resta apurar o que é uma «ofensa». se houver uma pena prevista no código penal, que se accionem os mecanismos legais. dizeres que a morte é uma pena adequada é algo que não vou atribuir à tua conclusão racional, apenas ao teu mau feitio.

    susana, 13/2, ás 22.31

    Essa dos mecanismos legais é a tal betice com qeu o bacano do poeta hortelão gozou e fez a mauior charge da blogosfera- ó Fátima, filha, espera aí que aqueles dos jornais nos estão a insultar, temos já de consultar o advogado para as minorias e meter estes jornaleiros e país em tribunal. E vê lá se telefonas á prima Soraia para impedir que aquela racaille venha toda para a rua chatear a civilização ocidental.
    isso é coisa que já se sabe que só podem fazer desde que tenham a protecção partidária dos ideólogos do Maio de 68 para rebentar carros em Paris.

    zazie, 13/2 ás 22.35

    ah, ameaças de morte são cenas legais.

    de resto, no que mais importa, não se tratava de «os imigrantes» (assim no teu genérico) já terem violado uma lei, mas de uma individualidade entre eles se dispor a cometer um crime – e pelos vistos com o teu aval.

  134. tal como se fores a alguns países islâmicos tens que cobrir a cabeça. em roma sê romano.

    Susaninha febril:

    Qual foi a cabeça não coberta ou o não acatamento de lei que os imigrantes a quem andaram a distribuir aquela animação cultural nos bairros fizeram?

    Qual foi a ilegalidade que eles fizeram?

    Não terem colaborado na animação pedagógica para os filhinhos deles em forma de livro de BD com caricaturas deles próprios como terroristas e do Alá com uma bomba enfiada no cu?

    Foi essa a ilegalidade? deviam ter assinado os artigos dos jornalistas e feito uma festa com bruta almoçarada quando iam para lá de manhã, com muilitantes, distribuirem-lhes as caricaturas à porta?

    Foi essa a ilegalidade, ó Susaninha febril?

  135. Ainda não respondeste.

    Eu até te tenho poupado. Se não te quisesse poupar fazia como o Chico Estaca. E até te citava aquelas tiradas grandiloquentes da carne da vaca sagrada e mais outras de acatamento de lei por tabela de sentido de humor em que a intenção com que ele é feito nada tem de humorística.

    Mas volto a perguntar:

    Quais foram as ilegalidades que os muçulmanos dianamarqueses tinham feito na Dinamarca para serem alvo da chacota direccionada e largada em propaganda de bairro?

    Quais?

    Que lei é que eles violaram e como é que a lei Dinamarquesa andou a deixar que eles violassem o código civil e só depois é que, passado mais de um ano prendem outros que nada tinha a ver com a cena inicial?

    Quais?

    Que ilegalidades é que estes imigrantes dinamarqueses fizeram para ser justo e aceitável a chacota de lhes chamarem terroristas fanáticos na primeira página dos jornais- jornais distribuídos nos bairros deles- e com livrinho de BD na calha para fazer o tal apanhado da sátira pedagógica aos fanáticos dos islãmicos terriristas a viverem legalmente (tanto quanto se sabe) na Dinamarca?

  136. Não: estoua a falar contigo, peguei numa afirmação que tu fizeste- não acatamento da lei por parte dos imigrantes dinamarqueses e pedi para me informares qual foi.

    Se tu sabes que houve uma ilegalidade explicas e informas o mundo que não está a par dela.

    Ou tu atiras com uma afirmação que não consegues sustentar nem justificar e depois os outros é que não estão a dialogar contigo?

    Falas de alhos, não respondes com bugalhos. Justificas ou não justificas o que dizes.

    Apenas isto- todo o teu discurso acenta nesta falácia- afirmares que houve leis e códigos civis violados pelos imigrantes muçulmanos na dinamarca- E que essas violações que eles fizeram à lei- que não concretizas- tinham a ver com não perceberem que se deve acatar a lei dos países que os recebem.

    De acordo, isso todos sabemos. E, se não acatam, são alvo da lei como todo e qualquer cidadão desde que a questão que não foi respeitada faça parte de um código de lei.

    Já te dei o exemplo. Se este caso tivesse acontecido em Portugal, de acordo com o nosso código penal os infractores tinham sido os jornalistas e, por lei, eram alvo de processo penal.

    Não sei o que diz o código penal dinamarquês e já vos pedi para o colocarem aí -uma vez que v.s é que sabem e estão a par das infracções legais e não eu.

    E das infracções que nem foram punidas! atenção- vs. dizem que houve infracções legais pelos muçulamanos e depois é que justificam as caricaturas como uma espécie de resposta de reposição de justiça às tais infracções fanáticas e impunes que ninguém conhece.

  137. Bem, tenho de ir.

    Logo à noite venho cá ver se já te passou a febre e descobriste a resposta às ilegalidades que afirmaste que os muçulmanos imigrados cometeram.

    Conto que o Valupi apresente, detalhadamente, o código penal dinamarquês para ser confrontado com o português onde é bem claro que é considerado violação de direitos de cidadania as ofensas às crenças religiosas de cada um, assim como aos seus símbolos ou/e locais de culto.

  138. vai lá buscar isso onde eu disse que eles não tinham acatado a lei. o que eu disse foi que eles têm que acatar a lei. se eu disser que a razão não está do teu lado se te dispuseres a cometer um crime, não estou a dizer que já o cometeste.

    não vês a tua hipocrisia. defendes o seu credo, mas não os queres perto de ti. dás-lhes razão para te desculpares de os quereres circunscritos ao gueto.

  139. Valupi,

    A minha interpretação das palavras da zazie é bastante diferente da tua – quase antagónica. Será que é também o medo que me tolhe o discernimento? Ou será que há realmente formas diferentes, válidas, de pensar a questão? É uma merda termos sempre de acreditar que estamos certos, torna-se redutor.

    Pegando no exemplo do Shark… tu publicavas um cartoon de “Cristo a levar no cu” no jornal, ou, por que não, aqui no Aspirina? Achas que se um cartoonista desenhar Cristo a espetar o rabanete à canzana com a Maria Madalena, com quem os investigadores afirmam que viveu maritalmente, os editores e chefes de redacção portugueses publicavam? (Ok, Portugal é um mau exemplo porque a falta de tomates é um handycap generalizado…). Ou de países católicos como a Espanha? Olha que se calhar também não faltavam fanáticos para desabrochar umas bombas simpáticas aqui e acolá.

    Afirmar à boca-cheia a liberdade irrestringível é um discurso ancilosado, um pouco ingénuo até. A libertade requer restrições muito claras e bem definidas – facto. Basta olhar para a merda flácida e anódina em que o jornalismo português se transformou nos últimos 20 anos para chegar a esta conclusão, mercê da falta de formação cultural e cívica de muitos jornalistas, da total ausência de regras inteligíveis que balizem a actividade no espectro do interesse público e porque os leitores são tão acríticos que a promíscua intersecção de interesses nos média e nas notícias nunca enojou ninguém ao ponto de provocar o vómito. Para não falar da indefinição do interesse público…

    Dizer a verdade é liberdade de expressão. Insultar é crime. E se é certo que a intenção de matar o cartoonista merece repúdio e combate inequívocos, também o é que o cartoon é insultuoso, não apenas para os fascistas terroristas islâmicos, mas sim para os islâmicos em geral, que posso ser eu, ou tu, ou o nosso vizinho. O “Islão” de que falamos à boca-cheia é, tal como o Ocidente, composto por muitas minorias e grupos e sensibilidades e correntes de pensamento. Deve haver uns quantos muçulmanos que até acharam piada ao cartoon – ele há mau-gosto por toda a parte. Não sou perito em leis, mas se calhar há na publicação deste cartoon matéria para um processo à luz do Direito Europeu e/ou Internacional, no capítulo das liberdades e garantias. Se julgassem os responsáveis pelas publicações à luz do Direito que invocas lá atrás, era muito interessante.

    Eu sinto-me insultado, por exemplo, quando por tabela sou envolvido no bolo triturador do fascismo capitalista ocidental, de inspiração maioritariamente católica, claro está, e onde pontifica a demência norte-americanos. O fascismo move-se de estranhas maneiras, porque é uma excelente ferramenta para atingir finalidades obscuras. Quando se ouve um caramelo qualquer dizer que os países que têm tropas no Iraque são alvos potenciais dos terroristas, eu desejo apenas que em Portugal acertem nos governantes e nos outros eleitores que apoiam a decisão e que me deixem a mim em paz. Se calhar, por esta é que o Barroso deu à sola para Bruxelas…

    Não me interpretes mal. Eu sou um tipo grande e marado que pensa pela sua cabeça, não se deixa intimidar e, acima de quase tudo, preza a liberdade, o humor e a capacidade de afrontar os outros de uma forma construtiva e que gere mudança. Mas não acho que achincalhar aqueles que idolatram Maomé seja o exercício da liberdade de expressão, e muito menos da inteligência.

    Ademais, toda essa parafernália de argumentos escorregadios soçobra perante isto: o cartoon não presta. E toma a parte pelo todo, o que é inaceitável tanto para os muçulmanos como para muitos ocidentais. Como eu.

    Até já.

    PS – Isso de escrever aqui com um fundo azul é uma vantagem desonesta nestas discussões. Os mais crédulos podem pensar quee transmitisses uma sabedoria celestial…

  140. zazie, ainda há esperança para ti. Mas primeiro tens de te arrepender e, como penitência, ler o artigo da Wiki do princípio até ao fim. Vá. Vai lá ler e depois volta para exibires a alma nova.

  141. Mais outra informação para o Valupateta legalista:

    Se isto se tivesse passado em Portugal, nem sequer era preciso que o queixoso accionasse denúncia-
    compete ao Ministério Público mover acção penal a toda a ofensa religiosa nos termos da lei.

    Se o código dinamarquês for identico ao nosso (questão que o Valupi ainda não deslindou) ao contrário do que ele disse, nem sequer era preciso que os imigrantes accionassem qualquer processo aos jornalistas ou ao jornal competia ao próprio Estado- por via da Lei, accioná-la a partir do momento em que era conhecida.

  142. zazie, perante a tua insistência no absurdo, também se pode dar o caso de estares a precisar de ajuda profissional. Vê lá isso, não tem mal pedir ajuda.
    __

    Renato, já te respondo.

  143. Eu queria dizer que me intimida a energia da tua argumentação, desculpa.
    Aplica-se rigorosamente à ideia de algures ter que me confrontar contigo nessa perspectiva. :-)

  144. eu só ainda não percebi uma coisa ao longo desta acalorada discussão: pode ou não fazer-se humor com a Nossa Senhora de Fátima?
    E já agora outra informação: uma Vénus desnuda pintada no século XVI acaba de ser proibida no metro de Londres: http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2008/02/toda-nudez-ser-castigada.html
    É este o problema das proibições (em nome de valores mais ou menos defensáveis): começa-se a proibir, toma-se o gosto, e é um ver que te avias…

  145. Em todo o caso, cuidado com as asneiras que escrevem. A partir dos 200 comentários há fortes possibilidades de este post vir a ser editado em livro. Eu conheço duas tradutoras para Dinamarquês.

    Até já.

  146. Renato, obrigado pelo teu comentário. E atalhando: estás a sofrer de zazienite aguda. Tal como ela, fazes ruído na esperança de que não se descubra que nada tens para dizer. Isto porque tu – e logo tu! – não podes dar-te ao luxo de sequer fingir que ignoras os factos. E que são estes:

    – A última coisa com que se deve perder tempo nesta questão é com a qualidade da caricatura. Escuso de explicar.

    – Ter publicado as caricaturas em 2005 não foi ofensivo para o culto ou os crentes, segundo a concepção jurídica dinamarquesa. Se foi inconveniente, exagerado, inútil, errado, sintomático de concepções negativas ou censuráveis, não interessa para o que nos interessa. Pois o que nos interessa é o princípio que diz ser preferível conviver com opiniões desagradáveis a não poder exprimir uma opinião livre.

    – O que define a liberdade não é a liberdade. Isso seria a tirania, por definição: o poder de tudo fazer, sem restrição. O que institui a liberdade é a lei. A lei é a fonte da liberdade, e seu garante. Logo, o trombone onde a boca vai mamar é o do respeito pela lei comum, que a todos garante o exercício do direito. É a lei que torna objectiva a liberdade.

    – É nos países católicos que mais se goza com a religião, mas na dimensão popular. E os judeus fazem gala das suas anedotas de temática religiosa. E, foda-se, já ouviste falar no Vilhena? Já foste a casamentos e ficaste lá fora a dizer mal do padre, da instituição e do sacramento? Nunca te riste em velórios a 3 metros do morto? Então, que importância teria representar Jesus numa cena sexual homossexual? Sendo esse o teu gosto, ou o de qualquer outro, pois diria do autor o que dissesse. Acontece é nada ter a ver com a caricatura de Maomé com a bomba nos cornos, porque esta tem um alcance político – é intencionalmente criada para transmitir uma mensagem relevante. As de cariz meramente sexual seriam lúdicas ou gratuitas, ou até artísticas. Só vendo. No entanto, talvez te lembres de patos com laranja, je vous salue marie e quejandos, e de como todos nós nos rimos com a reacção de alguns elementos do clero e dos círculos próximos. É já tão absurdo testemunhar intentos censórios à produção cultural usando fundamento religioso que se tornaram fenómenos folclóricos.

    – A decisão de alguns jornais dinamarqueses republicarem os desenhos acontece como resposta à descoberta de um plano para assassinar um dos caricaturistas. Qual é a parte desta situação que estás a ter dificuldade em entender?

    PS – Desculpa lá isto ir a azul, mas sempre te digo que se fosse eu a mandar iria em verde.

  147. Ana C. Leonardo,

    a nossa? (minha não é) senhora de Fátima é um alvo apetecível para as bombas de qualquer artista de stand-up comedy da rádio, tv e cassete pirata. Eu desconfio que, um dia destes, a estorieta será transformada em telenovela da tvi com a floribela no papel principal (cova da iria), a teresa guilherme como virgem imaculada e para 3 pastorinhos o Portas, o Menezes e o Sócrates. O Portas será, obviamente, a irmã Lúcia, devido à longevidade.

    Essa cena no metro londrino não terá a ver com questões de falta de paridade? Ou se calhar com a pouca actualidade da obra – a malta quer é modelos em carne viva (o rvn concorda, decerto) ou, na pior das hipóteses, umas bonecas insufláveis. Vem-me à ideia também que a empresa do metro londrino não estará preparada para a concorrência desleal dos transportes púbicos (pubic transportation). Ia ser um vê-se-t’avias de gente boa a querer renovar o passe para Vénus. Por falar em Vénus, por que carga de água está ela desnuda? Então não foi a gaja que inventou as camisas? Casa de ferreiro espeto de… esquece.

    Mais a sério – mas não muito -, tens razão no que dizes. Proibir pode ser viciante. Por isso é importante definir os parâmetros à partida, criar e consecutivamente aferir a aplicação da Lei. Nas situações dúbias, parece-me que o mal maior deve ceder. A cena do metro poderá ter que ver com uma conduta empresarial, de que obviamente discordo, mas é eventualmente legítima.

    Até já.

  148. sharky,
    fico feliz, detesto ver-te sisudo, pázito!

    renato,
    o meu desabrochar é ciclíco; aqui foi fácil, o terreno é fértil. E de vez em quando há adubo, como sabes.

  149. Valupi,

    (tempus fugit)

    estamos de acordo em muita coisa. Mas não relativamente à relevância do desenho para a discussão dos factos subsequentes. O cartoon é bastante mais que uma “opinião desagradável” e a Lei dinamarquesa é a Lei… dinamarquesa. Eu posso expressar opiniões num órgão informativo e, não havendo um lápis azulinho à espreita, dizer o que bem me apeteça. Mas o escrutínio da Lei deve proteger os outros daquilo que eu possa escrever e provê-los de possibilidade de actuação quando se sintam lesados e insultados. E aqui há uma questão inalienável, preciosa até: a protecção das minorias (gostava de desenvolver, mas tenho um deadline a buzinar em cada orelha).

    Finalmente, a publicação original foi impensada. Ou porventura pensadamente mal-intencionada, digo eu. Porém, porque deve ser a Lei e não a violência a imperar, esta reacção, agora, é inteiramente legítima e necessária. Peca tão-só, quanto a mim, pela falta de imaginação patente na reincidência no erro.

    Sobressalta-me esta dúvida, porventura por mera ignorâbcia: se a legislação dinamarquesa não fosse tão «caseira» como dizes, e não questiono, e previsse mecanismos de interposição judicial para os pretensos ofendidos, será que a tentativa de assassinato teria ocorrido?

    Até já.

  150. “se a legislação dinamarquesa não fosse tão «caseira» como dizes, e não questiono, e previsse mecanismos de interposição judicial para os pretensos ofendidos, será que a tentativa de assassinato teria ocorrido?”

    ou, também

    se os hemisférios cerebrais de Renato C. não fossem tão “caseiros” como é patente, e não questiono, e previssem mecanismos de raciocínio um nadinha mais apurados, será que a pérola acima teria ocorrido?

  151. Renato, tens de ler mais sobre o assunto. Não há nada na lei, na sociedade e na cultura dinamarquesas que justificasse uma censura às gravuras, muito menos a sua condenação – é precisamente ao contrário! A tradição democrática, liberal e ética daquele povo cumpre-se na publicação das gravuras. Poder gozar com Maomé – o que até nem foi o caso, pois se usou a caricatura para denunciar os terroristas – é admitir que o religioso não é ordenador do jurídico. E não terá sido isso que conquistámos ao longo de séculos para o Ocidente e que está na base das nossas concepções do que seja a república, a democracia e o Estado de direito? Pois é o que está aqui em causa, na sua essência.

    Sei que é difícil, mesmo para nós que vivemos nessas culturas, aceitar que o outro use a sua liberdade para nos desagradar. Mas será assim tão difícil perceber que é a liberdade do outro que me permite a mim ser livre? Se um cidadão a viver na Dinamarca considera preferível planear o assassinato de alguém com quem tem um diferendo de opinião – que é o que aqui se passa, exactamente – que tem isso a ver com o seu credo, ou etnia, ou nacionalidade, ou género, ou idade, ou condição social, ou livro que leu aos 15 anos ou o que comeu ao pequeno-almoço? O intento criminoso – a começar no dos terroristas – não tem nada a ver com o Islão ou com a religião, e é isto o que as caricaturas afirmam.

    Realmente, é preciso um povo estar num estádio de maturidade ética nunca antes visto, e que é raríssimo em qualquer parte do Mundo, para se erguer com esta coragem face à maior ameaça que se conhece contra a segurança das populações ocidentais.

  152. Ali Bah!Bah!, larga essa vida viciosa de roubalheira e diz-nos qualquer coisa de realmente teu. Se houver.

    Desmama-te da alegria da caverna. Está um dia lindo para pôr ideias a secar.

  153. Ali Babá,

    o que tu queres sei eu. Tenta de novo.

    Valupi,

    andamos a chover no molhado. Discordo simplesmente da valoração ou carácter que vês nas gravuras. Uma coisa é o seu teor, outra é o acto de publicação como afirmação de Liberdade e de não-intimidação. O primeiro é mau, o segundo um exercício de coragem e maturidade raríssimas, como dizes, mas que podia ser mais hábil até, penso eu.

    “O intento criminoso – a começar no dos terroristas – não tem nada a ver com o Islão ou com a religião, e é isto o que as caricaturas afirmam”. A gravura primordial, caixa de Pandora, atesta justamente o oposto, quanto a mim.

    Até já.

  154. Opinião da Dinamarca dum liberal que lá viveu oito anos:

    “They have introduced so much of it here. The mindless compliance and conformity, the androgyny, the totally passive and non agitative demeanour. The all pervading Social State. The Brain washing and categorisng of students within the education or rather, `State indoctrination` program`. The resorting to the use of `Psycho Analysis` for any form of `anti social` behaviour, which can be nothing more than daring to publicly criticise the state, or asking awkward questions, or young males playing around in classrooms. The prescription of `happy pills` to supposedly depressed people or in other words, anyone who begins to see what it is that surrounds them. The Mass Media, State Education, State Health Service and all the other avenues of public information tell the same story incessantly. Denmark is the best country, Danes are the best at everything. All things Danish, are better than those which are non Danish. It has created a people so `dumbed down`, so afraid, so passive, so paradoxically proud yet obviously suffering from a deep seated inferiority complex. Arrogant, yet totally lacking in self confidence. Put another way, this is one `mucked up place`.”

  155. Renato, preferes ver ofensa onde há legítimo exercício da liberdade. Há algo de assustador em constatar a dificuldade em destrinçar os planos, tendo em conta a tua sofisticação e aparato intelectual: as caricaturas não são um ataque à religião nem aos crentes – desafio-te a provares isso. O que elas são, isso sim, é um acto de crítica social, o qual é de óbvia compreensão para o público a que se dirige: as populações ocidentais são alvo de terrorismo que se reclama de fundamentação, ou inspiração, islâmica. Assim, discursar sobre o assunto leva a que se faça referência aos elementos simbólicos e históricos que estejam relacionados. Um deles é Maomé, e se um caricaturista dinamarquês, e não-muçulmano, pretende emitir a sua opinião sobre qualquer aspecto da sua realidade social e política, tem todo o direito de desenhar o Profeta, pois o ditame religioso que proíbe essa representação não se aplica a ele.

    Isto não deveria causar qualquer tipo de dúvida. Se um judeu fanático e enlouquecido invocar o texto bíblico para atacar um escritor que escreva a palavra Deus, quando o texto sagrado diz que não se pode escrever a palavra completa pois será blasfemo, tu não terias dificuldade em circunscrever o caso ao âmbito da psicose. Porquê a tolerância, e até fáctico apoio, com a psicose que se diz muçulmana?

    Acharás, então, que se uns maluquinhos quiserem reeditar as crenças religiosas aztecas também terão direito a fazer sacrifícios humanos? E que dirás quando esses mesmos muçulmanos que se dizem ofendidos com as caricaturas passarem a achar ofensivo que as mulheres ocidentais andem de cabelos soltos, sozinhas e de camisolas justas, à sua frente, nas suas ruas, nos seus locais de trabalho? Ou achas que o potencial de ofensa de quem não aceita a liberdade ocidental secular se fica por uns bonecos?

  156. Passaram-se todos…. a liberdade de imprensa e a liberdade de expressao medem-se por meia duzia de cartoons e uns lunaticos criminosos que, a proposito dos tais cartoons, decidem pronunciar fatwas, planear assassinios, etc? Pensava que as liberdades acima mencionadas continuam a vigorar em lei na Dinamarca e nao so’. Para os criminosos, existe a policia que, pelos vistos, ate’ parece que cumpriu a sua missao prendendo os conspiradores ‘would be assassinos’. Grande coragem republicar os cartoons? Pifia e facil resposta e’ o que me parece. Coragem seria fazer um extenso trabalho de investigacao sobre tudo o que se prende com a vivencia dos muculmanos na Dinamarca – desde os lunaticos das fatwas ate’ ao povinho pobre e sem educacao que nao e’ preciso ter muita imaginacao para adivinhar que tem muito mais razoes do que nos para estar apavorado com o rumo que estas cenas estao a tomar. O que me parece chocante e’ que nao se costuma ver grande preocupacao em fazer jornalismo decente que desca ao terreno para nos explicar como todas estas comunidades se entrelacam, que dificuldades e expectativas teem. Nao sei se fazem isso na Dinamarca (nunca la’ estive, nem leio dinamarques) mas verifico que isto raramente e’ feito no jornalismo portugues, nem no americano, nem no britanico…. Este e’ que e’ o problema mais delicado da liberdade de expressao: 1) quem da’ a palavra aos desgracados dos muculmanos (por oposicao ao extenso tempol de antena que dao aos lunaticos muculmanos que estao sempre prontos a dizer ‘a tv que querem rebentar com todo o mundo ocidental e ainda mais outro) que vieram parar ‘a Europa aos caidos?; 2) quem nos da’ a informacao necessaria para contextualizarmos as nossas opinioes e percepcoes, que nos permita um vislumbre da realidade no terreno em vez de um pseudo discurso academico em torno de questoes abstractas com tenues ligacoes ‘a realidade?

  157. A ofensa e a ameaca ‘a liberdade…. mas quem e’ que se sentiu ofendido e quem e’ que resolveu fazer ameacas de morte? Foi o Ahmed ali da mercearia da esquina, agora temos choque de civilizacoes ‘a escala do bairro? Um pequeno grupo de lunaticos proclama-se representante da sensibilidade muculmana e, desse modo, tracamos as linhas a demarcar os grupos religiosos e etnicos, elevamos as trincheiras e ai de quem nao se queira alinhar em sentido!… Casos de policia sao casos de policia sao casos de policia. Nao sao o choque de civilizacoes ready made, a pedido, a regra e esquadro de Harvard directamente para a Europa na mercearia mais perto de si.

  158. Nao contentes com terem desenhado a regra e esquadro no mapa os paises do territorio que pertencia ao Imperio Otomano, agora tambem querem desenhar a regra e esquadro os quarteiroes e as avenidas das nossas cidades europeias. Ve-se bem que nao teem juizo. Safa!

  159. Grande MP-S!

    É nesta alturas que lá apareces tu, qual Sísifo, a carregar os calhaus de blogue em blogue

    “:O)))

    Palavra, estavas a ser preciso no meio destes loucos que vivem de palavras.

  160. É que é mesmo verdade- uns idiotas cheios de ideias são mais perigosos que uma série de gajos armados (citação incógnita lida ali ao lado)

    Este maralhal já andava aqui, na maior, a chamar terroristas aos emigrantes porque são “islão” e eu que sou a xenófoba porque não aqueço a cabeça e fiz bem a distinção entre quem aproveitou a história e o tal muçulmano imigrante que não violou lei alguma.

    E eu, é que sou a cobarde porque não festejei a brilhante liberdade de imprensa de uns gajos que escreveram livremente o que lhes apeteceu e nem tinham como patrão qualquer muçulmano- era tudo deles, todos os megafones- incluindo os que adulteraram e se aproveitaram da treta, e que estes tolos emplumados leram tão à letra quanto a rua árabe.

    Este teu texto é para ser lido, até à exaustão, por todas as Susaninhas, Leonardas e Valupatetas, acompanhados de poetas que por aqui andaram

  161. e se lesses tu o texto, zazie? é que ele não entra em contradição com coisa alguma que eu tenha dito. eu não confundi os lunáticos bombistas com os imigrantes muçulmanos, tu é que deste o teu aval ao assassinato, com a asserção de que «estão a pedi-las».

    aliás, se alguém falou em demarcação a regra e esquadro foste tu, que apelaste á restrição da entrada de muçulmanos como solução para o problema.

  162. (portanto: a susana faz de ana, o tim é melhor ser de geometria variável por causa das coisas, mas o caraças do tesouro onde anda?)

    zazie, não percebo nada do que tu queres, mas se os do islão pensam que nas nossas terras temos de ter uma atitude reverencial para com eles por medinho, estão muito enganados, pela parte que me toca, mas isso estava e está ainda aí, por isso estou mais ou menos ao lado de quem quebra esse proibido fatal.

    Continua a ser apenas o que o Valupi enunciou: sobreposição das leis civis, onde se garante a liberdade de cada um à sua própria crença e a de criticar a dos outros, sobretudo se é intrusiva na conviviabilidade civil dos ‘outros’, no caso de nós

    claro que isto acontece em clima acirrado desde o erro da invasão do Iraque, a que sucede um outro grande conflito já planeado

    e não sou mongo, sou neanderthal

    ão

  163. Não era a questão Susana?

    Então que andaste tu e o Valupi, durante 2 dias a dizer?

    A que é que se referiam quando insistiram que as comunidades de imigrantes têm de acatar as leis dos países que os acolhem?

    Quais foram as leis que não acolheram?

    Porque é que dizias este chavão e continuavas com a ligação- “porque não se responde a umas caricaturas com ameaças e bombas”.

    A quem é que te referias e como é que v.s conseguiram passar da comunidade que tem de aprender a respeitar as leis para a resposta com bombas e terrorismo?

    Quem foi?

    Qual era e qual é o busilis da questão de incuprimento de regras e aceitação de leis que existe na ligação entre estas 2 permissas:

    1- Há uma comunidade de muçulmanos na Dinamarca e são publicadas caricaturas de ofensa que faziam parte de um livro que era para ser publicado

    2- Passado cerca de 2 anos há uma ameaça de bomba que a polícia desactivou.

    Qual é a ligação?

    Pelo meio houve muftis- a viverem nas terras deles, bem longe da Dinamarca e que fizeram ameaças aos jornalistas.

    Volto a repetir devagarinho que já percebi que o estado febril não ajuda:

    Qual é a ligação entre a necessidade de cumprimento de regras e leis de um país por parte de imigrantes e as ameaças de morte que os muftis, fizeram e fazem e voltaram a fazer até ao Papa, sem precisarem de ser imigrantes a não acatar as leis da Dinamarca?

    Ainda não entrou para nenhum de v.s?

    Mais- que raio é que significava este título deste post:

    Há muita fé no Reino da Dinamarca?

    Fé em quê?

    Fé a festejar uma acção da polícia? sempre que qualquer polícia faz o que lhe compete existem desagravos em nome de supostas liberdades de imprensa que nunca estiveram ameaçadas?

    Conseguem explicar?

    Não conseguem- v.s só conseguem sacar da puta da dialéctica erística que lhes tolhe a mioleira-

    é que tu és direitalha e facista- tu achas que se deve travar a emigração- tu tens propostas pragmáticas em vez de berrares connosco contra o fanatismo das religiões.

    Tu és uma desgraçada de uma xenófoba ainda que não precises de fazer nenhum acto xenófabo e até consigas defender esses caralhos fanáticos melhor que nós.

    Mas, o teu problema é que nos escancalhas as certezas, porque nós militamos por chamar xenofobia ao centros de fronteiras, e chamar xenófabos a quem não se limita à tabela periódica dos direitos de paleio de caca com que nos embrulhamos de forma a transformar o que é diferente de nós em clones da porcaria com que já nos infectaram os cérebros desde pequeninos

  164. E isto foi tão claro que até uma basófia empinada ignara e balofa dita pela Leonarda tem direito a aclamação dos poetas- porque ela citou no vazio o Savater e, como o Savater disse, em abstracto, no universal- “que todas as religiões são cruzadas contra o sentido de humor, nego-me, contudo, a acreditar que mil e quinhentos milhões de muçulmanos se tenham forçosamente de sentir ofendidos: seria tomá-los a todos por imbecis, o que me parece sumamente injusto.

    Portanto, esta citação, aplicada a este texto significava qeu só se podia ser muçulmano se se deixasse de sentir ofendido com o que o ofende e passasse a sentir ofendido com o que os iluminados têm a impor aos ignaros.

    É isto, e foi a isto que se resumiu toda esta conversa de talho.
    E é sempre assim e aqui que vão ter.

    Porque, eu posso muito racionalmente, defender políticas de restrição de imigração- e, só as defendo sem altifalantes, escrevendo no blogue ou por via do voto, negando-o a quem defendo o inverso.

    Mais nada- não faço a lei, não tenho partido, não sou poder, mas sou tão cidadã quanto v.s E, se calhar, para vossa desgraçada de ideias, ainda consigo ser mais livre e menos xenófoba que v.s os de cabeça quente que querem impor um padrão de mentalidades a toda o planeta-

    Eu não o imponho- inclusive acho que v.s mesmo defendendo burrices têm o mesmíssimo direito da exprimir- Por isso é que disse qeu, em última instância, também não podia impedir, nem posso, que haja bestas provocatórias a usarem os jornais para achincalharem quem bem entendem-

    E aí, acrescentei- e se assim o fazem, não sendo ingénuos, repetindo os actos, então, estão a pedi-las.

    Repito- estão a pedi-las. Não vou para a rua berrar com a rua árabe, do mesmo modo que não berro com os toinos que nem sabem o que querem.

    Mas acho, isso sim, que quem se considera no direito de apontar a dedo os outros- atirando logo com a puta das classificações- tu és isto- tu és xenófoba, tu és cobarde, tu estás acagaçada; tu até colaboras e és moralmente responsável se um gajo for morto na Dinamarca; tu és responsável pelas crueldades que o Islão (assim, em absoluto vazio, universal e sem corpo) faz às mulheres e aos próprios, nas terras deles e mais um chorrilho de insultos que por aquo houve de quem esperneou por eu ter acertado em cheio, então eu pergunto:

    Foram à manif de desagravo e entregaram o tal abaixo assinado na Embaixada?

    Ainda nenhum dos indignados de teclado me respondeu.

  165. zazie, estás a delirar. E a minha única dúvida é: serás que tens noção disso ou estarás a acreditar no alguidar de mentiras onde molhas as palavras?

  166. A Europa não devia ter importado os 15 ou 20 milhões de muçulmanos que cá andam. Mas aceitou-os cá, deu-lhes trabalho, por isso agora tem de os tratar segundo os cânones europeus, cedendo-lhes as liberdades que eles não merecem, as condições de vida e os direitos que eles nunca tiveram (e usam mal e contra nós) e o território de que eles se querem apropriar conquistando-o, porque muçulmanos não sabem estar sem ser como conquistadores — exactamente como os cristãos, pelo menos os de antigamente, não é?

    Isto é um enorme e bicudo problema. Com a descolonização resolveu-se a nossa há muito abusiva e indevida presença dominadora nas terras deles, mas o inverso, agora e aqui, não é viável. Já não é possível recambiá-los para casa, muitos já nasceram por cá, e a nossa moral política não permite fazê-lo. Este é o quadro genérico da questão, dentro do qual é preciso pensar a questão dos cartoons. Há quinze ou vinte milhões de imigrantes muçulmanos e seus descendentes nos nossos países e não podemos expulsá-los. E o crescimento demográfico deles é o dobro ou triplo do nosso.

    Como se vai resolver este problema? Atiçando conflitos religiosos, ódios cegos e ressentimentos para lhes tornar a vida impossível – a eles e a nós? Fazendo matanças de muçulmanos em grande escala e exterminando-os em campos de cristianização a gás? Ou há, pelo contrário, que impedir firmemente e serenamente a progressão do problema demográfico muçulmano em terreno europeu, estancar de vez a imigração de norte-africanos e medio-orientais que não gostam da nossa civilização, nem nos aceitam, nem gostam de nós? O terrorismo jihadista e pan-islâmico, incluindo a tentativa abortada de assassinar o caricaturista dinamarquês, é a ocasião soberana que se nos depara para tomarmos de vez as medidas há muito adiadas de controle rigoroso da emigração à escala europeia. Alinhar nestas provocações merdosas e infantis a Maomé em nome duma “liberdade” de ofender e trair os nossos princípios civilizacionais de supremacia do direito, tolerância religiosa e pluralismo é digno de cretinos, atrasados mentais, toureiros e forcados.

  167. Mais, se isto me irrita até é por outra razão que vai bem mais longe que o visceral irritanço que o paleio irresponsável de chavões me causa.

    Eu sei que é algures por aqui que já houve e pode voltar a haver algo muitíssimo mais perverso.

    À custa de colocarem no topo da pirâmide de valores aquilo que são modas e nunca deveriam ser consideradas universais- exemplo- a democracia; exemplo- o ateísmo a que chamam laicismo- que se pode passar à aprovação e conluio em guerras de invasão a países onde nada disso existe como valor universal.

    E foi isso a que já assisti aquando da invasão e destruição do Líbano. Ainda que sem ser oficialmente em partidos, houve muita gente de esquerda a fazer coro com os neocons belicistas com o mesmo argumento- porque lá não há democracia e em Israel há, ou porque são sociedades que não acataram os justos e obrigatórios “valores” deste processo cilizacional em que acham que a Europa atingiu o topo do uber- civismo e que agora, tem como missão, tal como o Napoleão disse, transmitir ao resto do mundo libertando-o pelo fogo, pela bomba, a bem ou a mal.

    E foi por isso que, sem grande surpresa, até consegui ler o Miguel de Almeida (ou la´como se chama o tal gay de estimação) a defender isto mesmo- guerra contra a barbárie onde as nossas causas estão abaixo do direito de soberania dos povos.

    Esta percepção foi confirmada quando apareceu a frente pelo sim, onde estava lá o pacote certinho- a aliança entre o neoliberalismo hedonista e egoísta do “eu” e dos direitos das mulheres contra o que nem é gente; mais os científicos ateus militantes, mais as feministas à esquerda e à direita.

    E é também por isso que gosto de medir o balão das sintonias com ´Ratos e Valupis e quejandos. Não é por acaso. Ainda que o Valupi nem seja exemplo para grande coisa, porque há 2 anos era um tremendo e até inteligente defensor da religião como prática humana que só por défice mental pode ser considerada um exemplo de inferioridade intelectual de alguém. E escreveu-o dando uma boa sova no Palinhos.

  168. É por isso que tinhas a obrigação, zazie, de pensar antes de escrever. Terias evitado entrar num covil de lobos e agora não saberes de como lá sair.

  169. Tenho a mesmíssima e sereníssima certeza que consigo ler o MP-S e entendê-lo e subscrever tudo o que disse, ainda que, teoricamente tenha outra visão acerca da questão pragmática do controle (que existe- não foi inventado por mim) da emigração.

    Em tudo o resto sempre me entendi a 100% com o que o MP-S escreve sempre que há esta ideia a vender do choque civilizacional.

    Do mesmo modo que me entendo com o Carlos Novais que até é anarca liberal e que defende uma política de pacifismo e não intervencionismo perfeitamente idêntica à que eu subscrevo.

    Como consigo entender o que o Shark sensatamente escreveu acerca desta questão. E até consigo estar em grande sintonia (salvo pequenas coisas acessessórias como a questão da entrada ou não entrada da Turquia na UE, por não eu não ter opinião informada)

    E, ainda que eles nem defendam a religião católica, conseguiram equacionar o que era para equacionar raconalmente nesta treta.

    Só não consigo entender nem perceber o que os outros, em particular tu, a Susana (que eu penso que nem ela percebe ou pensou no que queria dizer) e Lenorda -que gosta de fazer poesia e também penso que nem precisou de formular uma ideia para gostar do som.

    Agora tu, Valupi- atingiste o topo da má-fé retórica e vazia que se masturba em questiúnculas casuísticas e que apenas trata tudo para fazer valer qualquer bacorada que escreva.

    Num dia uma bacorada como voz do dono a falar da imprensa- no outro um revolucionário a dar o peito às balas em nome da imprensa amordaçada no reino da Dinamarca.

  170. Mas nunca percebeste que eu venho cá precisamente por saber que é o covil dos lobos e por mero gosto de desafiar matilhas?

    tssss, tsss…. és mais naive do que pensava.

  171. “Pour faire chier les cons”- È a minha única causa.

    E aqui, diga-se que conseguiram juntar-se de forma supimpa.

    Tão supimpa que levei insulto de 3 em pipa mas amoxaram sem conseguirem responder objectivamente a nada.

    Este post comemorou um desagravo a quê?

    Foram para rua da outra vez?

    A imprensa dinamarquesa estava amordaçada e foi graças à polícia fazer o seu trabalho que finalmente conseguiram correr com o patronato dos imigrantes terroristas e fanáticos do islão que andaram estes anos a impedi-los de usarem os jornais para os insultar?

    Foi isso?

    Ou foi apenas um desgravo contra o “Islão”.

    O que quer que isso seja e onde quer que isso viva, sem rosto, sem cara, sem nome nem apelido, mas bué de fácil para exorcizarmos as nossas pequenas taras de rua árabe que também temos bem reprimida dentro de nós.

  172. Finalmente conseguiste acertar e foste bem perspicaz- eu sou medievalista e este v. século XXI tuga, onde o “Erasmo Já chegou à merdaleja mas o dentista nem chegou ao SNS” é todo v.

    Até já tinha feito post a dizê-lo

  173. “Conta-nos lá”? “Nós”, quem, Valupi? Tu aqui, ou eu me engano muito ou estás quase sozinho a defender a continuação dos insultos gráficos a Maomé e aos maometanos. Acto provocatório, infantil, inconsequente e sem horizontes que condecoras com a Ordem da Liberdade Corajosa. A LIBERDADE devemos nós usá-la corajosamente com o nosso DIREITO para pormos um ponto final à entrada maciça de muçulmanos num continente onde já ninguém faz filhos nem acredita na religião. O resto são idiotices de forcados.

  174. Correcção a sintonia sem opinião acerca da Turquia referia-se ao que o Nik aqui escreveu. Cada assunto é um assunto, quem está por trás deles não me interessa- não costumo olhar para as etiquetas antes perceber as ideias.

  175. Já Aristóteles avisava para não se discutir com aqueles que não aceitam as regras lógicas. É o teu caso. E muito mau sinal, não tão inconsequente como isso, a recusa em admitires que estás errada. Porque estás, seja qual for o ponto de vista ou parte da questão.

    Quanto à manifestação, não participei. E nem sequer tenho curiosidade em perceber qual o nexo entre ela e o que se passou no dia 13 de Fevereiro na imprensa da Dinamarca, que é o assunto do post. Obviamente, os dinamarqueses que trabalham nos jornais que republicaram as gravuras são uns imbecis irresponsáveis, arriscando a sua vida, e pondo em risco as suas famílias, porque devem ter pouco com que se entreter ou por não conhecerem as tuas ideias. É assim, são uns coitaditos. Não te chateies com eles, ‘taditos.

  176. Nik, isto da liberdade não é uma questão de número, mas de qualidade. Se estás a contar espingardas, leva já essa taça. Mas olha que está cheia de veneno.

    Quanto ao que nos dizes, estás é preocupado com a entrada de mais muçulmanos e com a prevalência dos forcados. Sim, fazes um bom par com a zazie, lá isso fazes.

  177. A lógica do Valupi é muito engraçada.

    È assim: Acha que a chamada política de fronteiras. que todos os países têm e que impõe uma série de restrições à entrada de imigrantes, se chama- política de xenofia, presidada pelos Ministro da Xenofobia do país respectivo.

    De seguida salta para este brilhante raciocínio- tudo de porta aberta- mas apenas na condição de exclui qualquer tipo de ambiguidade: quem não aceitar a possibilidade de caricaturar uma figura da História do Islão, não pode viver numa comunidade secularizada, democrática e constitucional.

    É simples- o Valupi inventou uma nova regra de política face de imigração- um inquérito no serviço de fronteiras, bem estruturado, possivelmente acompanhado de videos onde, um a umj, todo e qualquer terceiro-mundista (não sei se os judeus ortodoxos estão incluídos) em que se apure se o dito imigrante aceita ou não aceita uma gargalhada alarve por cada insulto que seja dirigido ao Maomé. feito terrorista, panasca, com bomba no cu, a ir ao cu a uma cabra e mais o resto das virgens taralhocas à espera das alminhas dos parentes no Além.

    Fora este detalhe, entra tudo. E quem disser que isto não é a defesa mais inteligente da liberdade de imprensa que eles podem vir a ameaçar é que é louco perigoso.

  178. Espero que, já que não foste à manif mas perdeste tamto tempo e queimaste tantas pestanas a elaborar este método de segregação de imigrantes, tenhas ao menos enviado uma cópia a todos os chefes de Estado da nossa Civilização Ocidental- rua da mariquinhas cv esq.

  179. Bem, a pergunta para os judeus estava a mais, claro que ele já explicou que o problema com o toucinho é só se for toucinho maometano- fora isso, não há crise.

    Fanatismo, falta de sentido de humor com critério de combate ao terrorismo mundial e defesa das democracias da Civilização Ocidental sim, mas nada de confusões que isto de inquéritos à imigração também depende da categoria do lobby de cada um.

  180. Resumindo e concluindo- és um pândego- inventaste as regras da xenobia de insulto.

    Esperemos que o século XXI continue a fabricar intelectuais deste calibre por toda a parte- há um mundo de grunhice aberto a todas as iniciativas, incluindo as turisticas para observação destes espécimes ao vivo.

  181. O Nik não gosta de pegar de cernelha como o Valupi, mas diz isto entre dois bocejos que também nos pôm a dormir:

    “A LIBERDADE devemos nós usá-la corajosamente com o nosso DIREITO para pormos um ponto final à entrada maciça de muçulmanos num continente onde já ninguém faz filhos nem acredita na religião. O resto são idiotices de forcados”.

    Onde se leu em tempos com susto “Vêm aí os Russos!”, leia-se agora, a conselho do Nik, ”Vêm aí os Oto Manos” (dois gajos da Alemanha, filhos do mesmo pai e mesma mãe, descendentes de Átila, o Uno dos tres mas fuertes caudillos tribales).

    Na Europa já ninguém tem filhos, pois não, é do potássio que mata os espermagóides e as gajas têm a mania de ser como às dinamarquesas, mandar nos homens e coitar por cima, e ainda bem porque ninguém precisa de ir para a tropa.

    Quem tiver saudades e quizer entrar numa guerra a valer, já sabe: vá a Israel de férias (800 euros numa agência novo-cristã na Rua do Ouro ou da Prata) e aliste-se num crash course e depois entre a matar tudo o que tiver duas pernas e não dê cabeçadas na parede. Lá acontecem sem declaração, por decreto automático, à média de três por semana, e até aos sábados – vil pecado.

    A propósito, hoje é dia de descanço para o Valupi, estipula o livro sagrado. A Zazzie traiu ontem, não respeitou o dia dela.

  182. alguém tinha de furar a gravidade do respeitinho (pela autoridade) ‘e muito bonito, senão levam bomba, e alguém fê-lo, lá para as bandas do reino de Christiano IV que ousou usar a coroa imperial a seguir a D. Sebastião.

    ficou feito, é facto

    a partir daí se me perguntam de que lado estou?, do lado dos muçulmanos que ameaçam com bombas ou dos outros, já não há escolha, estou com a liberdade contra a bomba.

    e vou preparar um aleph_4, mesmo que me baratine todo, contra os shahab_4 que já andam nos estaleiros

    mas continuo a dizer: ó Pá deusinho, podias fazer um ganda arco-íris com uma coisa sagrada e secreta lá na ponta, que ficava tudo ganzadão e talvez se conseguisse arranjar saída que não o bombardeamento do Irão que está na manga. Andas com disfunção foto-erectil? se fizeres uma coisa bonita eu prometo que adormeço com a pata no teu peito peludo e vens voar comigo e descansar.

    Tenho tristeza por todos lá daquelas bandas, embora já tenha percebido que é tudo traumas territoriais por causa da longa história da dialéctica entre a pegada ecológica e a capacidade de sustentação do meio

    (mas aqui é bem bom)

  183. shark, e a que tipo de muçulmano te referes: um que não quer viver num regime secular e que luta contra ele, activa ou passivamente, ou outro que sabe que só a secularidade permite a segurança de todos, crentes de todos os credos e não-crentes?

    É que o conflito entre religião e secularidade não admite qualquer ambiguidade: quem não está a favor da separação entre poder político e poder religioso, está contra.

  184. É que parece-me que as divergências aqui afloradas dizem todas respeito ao nosso desconforto ocidental pelo facto de estas circunstâncias forçarem a colisão contra natura de valores que defendemos, ainda que cada um(a) penda mais para esta ou aquela corrente de opinião/actuação.
    Ou seja, é um conflito interno e por isso obriga-nos em alguns aspectos a defendermos o indefensável à luz da nossa cultura, ideologia ou sensibilidade.
    Eu sei que soa a verborreia (Renato C dixit), mas peço-vos que se concentrem menos no meu estilo pomposo (Luís Rainha dixit) e mais no raciocínio que tento a custo defender com a minha limitada capacidade de processador.

    Onde é que fui buscar oo fundamentos desta intervenção? Ao facto de perceber que existem pés de barro na defesa intransigente do Estado de Direito (as imperfeições legislativas, as pressões políticas, as pessoas que não são autómatos, a acumulação de processos e tudo o que emperra ou espartilha o funcionamento da máquina e a sua perfeita interacção com a realidade factual), da limitação de entrada dos de fora (o que os torna por inerência na raiz do problema, quando alguns de nós até defendem que o problema está no abuso da liberdade de expressão), da contenção no usufruto da dita liberdade (que para alguns é impensável, pois insulta o conceito de forma lógica e corrompe – por enfraquecê-la – a nossa “ordem” tal como a definem e sustentam os códigos de regras legais que alegadamente exprimem o mundo como o queremos viver).

    E se prosseguir vou apenas chover no molhado e acho que todos sabemos que é, simplificando, tão inconveniente a uma pessoa “de esquerda” apoiar restrições à entrada de estrangeiros como aceitar limitações à liberdade de expressão individual e colectiva. E as pessoas “de direita” confrontam-se com outros paradoxos e no meio disto tudo surgem inevitáveis incongruências que alimentam o tom algo “extremista” e necessariamente distorcido (pela falta, por exemplo, de um interveniente capaz de falar pelo outro lado da questão) desta interessante troca de impressões.
    E ainda temos as pessoas que não vestem qualquer pele ideológica mas possuem sensibilidades e prioridades diferentes na gestão do problema que nos aterrou no colo.

    Este tipo de conversa não é supérfluo nem dispensável, pois estamos em face de uma ameaça real ao único valor em que julgo sermos unânimes: a paz entre todas as pessoas e a capacidade de conseguirmos conter a evolução deste cenário para o tal conflito de civilizações (outra questão sem consenso possível) que alguns defendem e outros apenas profetizam. E temos mesmo que atinar numa resposta conjunta, numa solução “diplomática” que implica as cedências de parte a parte ,como num matrimónio, para conseguirmos partilhar sem nóias a merda do terceiro calhau a contar do sol que (ainda não) nasce para todos.
    E penso que é nisso que devemos concentrar esforços, pois só a pressão da opinião pública (que aqui representamos para todos os efeitos) num determinado sentido pode evitar que os nossos governantes indecisos e mais preocupados com questões que nos escapam tomem decisões estúpidas que nos privem da segurança, da harmonia e nos obriguem a dada altura a aceitar a violação premeditada de muitos dos direitos que defendemos aqui (como já acontece na paranóia vigilante dos cidadãos nos países onde a ficção científica se materializou). Pois, o Estado de Direito a resvalar mansinho para o Estado Policial das câmaras e das escutas e do medo como valor principal.

    Onde quero eu chegar? Ao desperdício de energia e de inteligência implícito na discussão das nossas opiniões quando deveríamos concentrar esses recursos na busca conjunta de uma solução, de uma reacção o mais possível consensual para não assistirmos de braços cruzados ou entretidos a desatinar enquanto as pessoas morrem afogadas às centenas a tentarem fugir dos seus infernos onde o consenso por geração espontânea se baseia em realidades tão pragmáticas como a miséria e a fome.
    A nossa questão pragmática, por ora, ainda é apenas a ameaça de perturbação ao modo de vida cuja preservação (desculpa Valupi) pode não passar em absoluto pela defesa de princípios que, como se vê pela variedade de reacções, pode não estar à altura de cumprir o seu papel de evitarem a privação emergente de liberdades e a ameaça de valores tão importantes como o próprio direito à vida dos cidadãos.

    Talvez soe demagógico, mas não consigo de pensar as coisas assim e de temer o pior quando imagino este debate transportado para os palcos onde os nossos líderes decidem o perfil da resposta global ao problema que temos estado a discutir.

    Isso é que me preocupa. Mais do que a culpa de uns e de outros no eclodir desta imbecilidade sem fronteiras nem ideologias.

  185. hum, estive ali a fazer umzinho e acho que já me safei,

    então vejamos:

    aleph_4 é a cardinalidade das partes de aleph_3 e este já foi construído em comment anterior

    logo existe

    portanto usando a analogia grega, ó fundamentalistas islamicos se vindes cá fazer merda (a minha pátria é a língua portuguesa como disse o Pessoa), levais lá no vosso com as partes de um shahab_3, compris?

    grunf!

    agora vou ver dentinhos lindos por aí

  186. ò Chico Estaca:
    Estás enganado, eu não tenho sabaths

    Esses estão protegidos por lei. De tal forma que, no outro dia, aquela gaja locutora foi para a rua por ter dito que o trabalho liberta.

    Por acaso, muito melro que se baba a chamar liberdade de expressão ou imprensa amordaçada às caricaturas nos jornais, embandeirou em arco com o despedimento da locutora na Alemanha, mesmo que ela tenha dito aquilo em tom de piada seca e caído na real automaticamente, pedindo desculpa porque não queria ofender.

    Deixo aqui este exercício comparativo para Valupis, pys, e quejandos.

    Então, como é? A locutora foi para a rua, o Daniel Oliveira até escreveu uma série de tretas a apoiar o despedimento, ao mesmo tempo que já tinha defendido a dita liberdade de insulto por causa das caricaturas e do livrinho de BD.

    O que é os nossos entendidos têm a dizer com esta comparação?

    Vão precisar de sacar da famosa tabela periódica dos “ódios” estabelecidos como causas fracturantes, ou isto é precisamente a mesma coisa, ou não é coisa nenhuma?

    A locutora foi muito bem mandada para o olho da rua por ter dito que o trabalho liberta mas os jornalistas desafiaram com bravura o direito de expressão?

  187. Agora o que é absoluta banalidade é alguém ainda achar que precisa de perguntar a outrem se condena ou aprova actos terroristas feitos pelas formas mais variadas.

    Essa sim, é a pergunta idiota máxima que só por bacorada podia ser trazida para o contexto.

    A menos que a lógica da pergunta esteja então inscrita em toda a casuística que o Valupi desenvolveu e a Susana sintetizou: é necessário que qualquer cidadão acate as leis e os costumes do local para onde vai viver”

    Nesse caso, o inquérito anti-gueto por integracionismo de mentalidades proposto pelo Valupi precisava de mais um item no inquérito de serviço de fronteiras:

    “ò Ahmed, já cuspiste no Maomé, já mandaste umas boas gargalhadas com o profeta a enrabar cabras; rebolaste que nem um louco com aquela passagem das bombas nos turbantes mas ainda não preencheste aqui este quadradinho- defendes a liberdade de atirar bombas e o terrorismo internacional ou juras que isso não foi aprovado pela nossa lei e portanto, deixas essas modas para os que ficaram lá na vossa parvónia?”

  188. “Pela liberdade contra a bomba”, diz o z. Diz o z que é desse “lado” que ele está.

    OK, se queres ser ultra-simplista, mesmo primário, e reduzir a questão a uma fórmula manipulatória, como o teu precioso amigo Bush faz todos os dias. Aqui não há só dois lados da barricada como na luta de classes do marxismo-leninismo e nas cabeças dos new born christians evangélicos e belicistas. Não é preciso fazer profissão de fé pública contra assassinos para se mostrar que se está do “lado” de quem quer continuar vivo e sossegado. Os terroristas? Por mim, que os matem, que os trucidem, que lhes façam hidromassagem em Guantanamo ou na puta que os pariu, tanto me faz, porque sou pela pena de morte para quem mata indiscriminadamente inocentes ou para quem corta cabeças para depois passar o vídeo na internet. E não defendo o olho por olho! Olho por olho seria ir fazer matanças indiscriminadas, como os Bushmen às vezes fazem em aldeias ou bairros de radicais islâmicos.

    Shark, se queres um blog muçulmano americano e civilizado com discussão sobre os mais recentes incidentes:
    http://www.suhaibwebb.com/blog/?p=260

    Se queres um blog informativo muçulmano igualmente civilizado:
    http://www.mereislam.info/

    Se queres respostas de muçulmanos civilizados às tuas perguntas:
    http://www.muslim-answers.org/

  189. olha zazie, essa tua mania de meter fofoca pelo meio é mesmo coisa de mulher. O que é que me interessa que o daniel oliveira não-sei-quê e não-sei-que-mais? E a manif quenem sei do que falas. E a outra locutora etc. e tal.

    Aliás, sobre isso eu sei muito bem o que é ser despedido, em termos inconstitucionais, por ter ousado opôr-me ao insucesso escolar no meu departamento, e à eucaliptizaação desmesurada do país, e os fogos, na escola-mãe do tema, no sentido de repôr a memória dos enunciados precisos pelo meu querido professor Azevedo Gomes, o homem que me ensinou ecologia e biometria ee me abriu tanto o mundo. não estou arrependido de nada e o tema ainda me vai merecer um aleph_3 por escrito lá para Março. Eu ardi na praça pública mas renasci, desta feita de olhos azuis, e ainda está para ver o pisque.

    Nik, infelizmente há um ponto em que te dou razão, se os fundamentalistas islâmicos ousarem continuar Atochas e afins, posso ser favorável à equiparação do terrorismo a crime de guerra, onde a pena de morte pode ser reactivada. Digo isto com a alma a doer, como imaginas, e espero que não seja necessário colocar a questão, veremos.

  190. O terrorismo de Estado também vai ser equiparado a crime de guerra, z? Geralmente essas coisas são decididas unilateralmente pelos grandes e poderosos.

  191. zazie, afinal, perante a tua insistência, até se pode dar o caso de que estejas mesmo convencida das barbaridades que dizes. Que raio, coisas mais escabrosas já aconteceram, e não só em hospícios.

    Quanto ao “livrinho de BD”, é a tua forma de anunciares que não fazes a mínima ideia do que se passou em 2005 na Dinamarca, muito menos o contexto do caso e sua importância política, filosófica e cultural.

    Quanto à locutora alemã, revelas nada saber do que é a Alemanha e de quem são os alemães. Se já tivesses falado com algum, saberias que o tema do nazismo é um trauma colectivo. O despedimento da infeliz locutora não diz respeito à liberdade de expressão (ela não planeou o momento, de resto, e nada na sua intencionalidade ultrapassa a interacção que estava a ter no programa), mas ao melindre que ainda persiste como uma ferida aberta naquele circunspecto povo. O peso da culpa e da vergonha pelo passado nazi é tão grande que se somatizou num tabu que levará mais umas gerações a desaparecer. Repara: quase todos os alemães têm antepassados, alguns ainda vivos – pais, avós, tios, primos -, que foram coniventes com o nazismo, fosse de que forma fosse. E mais: quem tomar partido, a favor ou contra o despedimento, é um imbecil. O episódio só se compreende por alemães.
    __

    shark, fizeste um excelente exercício. Excelente porque mostra claramente qual a razão pela qual temos dificuldade com estes assuntos. Vou tentar iluminar a tua luz.

    Tu, que és um gajo porreiro e sensato, queres viver em segurança. E estás a marimbar-te para o facto de existirem uns bacanos em Portugal que se viram para Meca umas quantas vezes ao longo do dia e começarem com uma algaraviada qualquer. Entretanto, sabes que existem outros bacanos que se rebentam no meio da malta fixe como tu, e eu, invocando as mesmas razões que levam os primeiros bacanos a ficarem descalços e de joelhos lá nas cenas deles. Estes que se rebentam, ou mandam rebentar, já o fizerem em Londres e Madrid, e parece que também não viam com maus olhos uma explosãozinha em Lisboa. Vai daí, também sabes que uns loucos na Dinamarca fizeram a estupidez de provocar a ira destes bacanos todos. E agora?

    Agora, estás fodido. Porque não sabes o que fazer. Porém, porque és um gajo porreiro e sensato, vais querer dizer alguma coisa, vais querer contribuir para a solução. É aí que avanças para um terreno de areias movediças, cercado por um campo minado e a minutos de ser bombardeado pela aviação. Porque o que estás a propor conduz à capitulação perante a barbárie. Tens de entender este ponto, o qual é a chave de todo o problema: o problema do terrorismo islamita não tem nada a ver com o Islão. Não é por um grupo justificar a matança de inocentes com a referência a um texto ou religião qualquer que a responsabilidade se transfere dos criminosos para as suas mentiras. Não há problema nenhum com o Islão, e por isso todos os países com regimes seculares e democráticos aceitam todas as práticas religiosas por igual, protegendo todos os credos e todos os crentes. Se um ateu, ou um cristão, atacar um local de culto, ou um crente, muçulmano, esse ateu ou cristão é perseguido e castigado pelas autoridades estatais.

    Se concordares com o ponto anterior, tens de concordar com este: 99,99999999999% de muçulmanos não pratica o terrorismo e, presumo sem dificuldade alguma, estará até contra ele. Ao cederes à chantagem dos terroristas, estás também a ir contra os interesses dos outros muçulmanos que não elegeram os terroristas como seus representantes nem iriam apreciar que os terroristas aplicassem a sua peculiar interpretação do Islão às suas vidas.

    E se ainda estás comigo, então vamos para a grande conclusão: o conceito de Estado de direito secular e democrático é aquilo que não pode ser nunca objecto de negociação, pois é esse o alvo dos terroristas. Aos terroristas não interessa que esse modelo esteja ali ao lado a mostrar aos muçulmanos que eles vivem subjugados pelos senhores da guerra e do sagrado, em conivência com as elites políticas que se aproveitam e alimentam a opressão. E o Ocidente teve de pagar um preço de séculos em vidas para que se conquistasse a forma mais civilizada de vida comunitária que o planeta já conheceu, aquela onde já não se faz da religião uma causa de violência, precisamente porque retirou ao religioso o poder político e jurídico. Como é óbvio, uma religião é sempre um projecto político, e de intento totalitário, por isso luta para não perder esse poder. Na geografia da cristandade, o assunto está resolvido. Na geografia islâmica, não.

    É aqui que as caricaturas aparecem como um decisivo momento da recuperação da consciência ocidental, a qual tem estado atrofiada desde o 11 de Setembro e a invasão do Iraque. Não está em causa, nas bonecadas, ajuizar do seu bom ou mau-gosto, nem sequer da sua eventual inconveniência, antes de reconhecer que elas exibem o primado do secular, aquele que constitui o cerne da nossa democracia e liberdade. Vê-las como ofensivas é nada ver e nada entender. Pelo contrário, elas estão a chamar os muçulmanos ao diálogo e a reconhecer neles não só essa unidimensionalidade de crente, mas muitas outras dimensões que os instituem como seres políticos de plenos direitos, como cidadãos. E, nesse estatuto de cidadãos, não há ofensas religiosas por causa de exercícios de crítica social.

    Um muçulmano na Dinamarca pratica o seu credo em plena liberdade. Compete-lhe reconhecer os fundamentos da sua liberdade como muçulmano nessa comunidade, o que o obriga a compreender o direito a desenhar o Profeta, e criticar o terrorismo. Se não o compreender, o problema não é da liberdade, é dele.

  192. zazie,
    Alá nos livre de ficares sem essa tua resposta, que tanto ajudará por certo à minha aferição enquanto papagaio. Não, não fui a essa manifestação em que manifestas tão grande interesse. E mais. Para que possas enfim juntar todos os dados importantes a meu respeito e decidir se é aceitável a minha opinião sobre se devemos mandar ou não matar os criativos que se estiquem, devo dizer-te que adoro sopa de agrião, confessar-te que não gosto do FCP, sussurar-te que prefiro morenas às loiras e, envergonhado pela paixão, entegar-me dizendo que me babo com Mayra Andrade, que vou ver e ouvir a Sintra no próximo dia 22. Diz-me, abre mais ainda essa almita revoltada para mim: achas que devia ter estado calado, por isto tudo? Moi, le con, est ce que je peut chier?

  193. zazie,
    Quanto à comparação com a locutora (?) alemã, foi mesmo das coisinhas mais infelizes que disseste, num rol apreciável. Repara, a tua confusão é dupla, tripla. A rapariga não é locutora (erro grave para quem quer dizer estas coisas) é apresentadora de um concurso pateta. Queres a diferença? É como atacares o Goucha por dizer que Gorbachev era campeão de xadrez, trem a mesma importância jornalística: zero, o mesmo valor da tua comparação. Depois ela não disse que o trabalho liberta, dito assim parece que foi um statement, quando foi uma daquelas coisas que se dizem quando a gente é loira, tenrinha e deslumbrada e nos põem a aparecer na televisão com a missão de divertir muito os senhores que estão lá em casa. Como fazer? Mostras-te muito animada, abanas o cú, ris-te muito, deixas adivinhar mamas qb, fazes vozinha doce, dizes muitos disparates pseudo-divertidos e as pessoas correm para o telefone para acertar na resposta à difícil pergunta ‘que horas são?’ E muitos erram, acredita.
    O que ela fez foi soltar um aparte parvo, (um tipo provérbio por estúpida associação de ideias, saltou por compulsão e idiotice) e não ter depois a lucidez de emendar a mão e ainda piorar dando uma gargalhada que, só pelo timbre, se viu nervosa e descontrolada. Se queres falar deste episódio, vai a manifestação, desculpa, vê o video (eu vi no daniel). Se já viste o video e afirmas aqui e agora que tem comparação com este assunto ou sequer que vem a propósito, aí sim, terei que corrigir aquela coisa que disse lá em cima e dizer que afinal és merdosa de vez em quando. Foi um piqueno engano, certo? Escapuliu-se-te nos dedos, como à outra pateta se escapuliu que o trabalho liberta? Só que tu, zazie, serás teimosa, irritante, caralhosa e desbocada, mas não és pateta. Nada pateta. E não precisas de abanar as mamas nem de dizer tolices para eu te ouvir com atenção. Muita atenção. Mesmo quando atiras ao lado três dias seguidos, como é o caso.

    Retira lá e põe flores, sff.

  194. nik,
    Um pedido pessoal. Eu cá gosto de metáforas, imagens, exageros de escrita que adoçam o óbvio para uma digestão mais suave e apetecível. Essa história dos toureiros e forcados, que repete como se fosse boa, pode ser uma de três coisas: um metáfora tão elaborada que eu não chego lá, uma rotunda estupidez ou um seu recalque antigo, algum corno que marrou tão fundo que ainda lhe dói. Se tiver a bondade: é 1, X ou 2?

  195. val,
    Escolhe: queres ser o Butch Cassidy ou o Sundance Kid? E ainda tens balas ou está na hora daquela saída gloriosa? Por mim podes escolher à vontade. O que eu gosto mesmo de ser é o Lucky Luke.

  196. pois é… acertei em cheio com mais este tiro destinado aos toinos…

    Já estava à espera- agora é que se enrolaram todos- a sujeita não é locutora e não sei que mais, o tanas, floreados- foi uma comunicação num media e foi para a rua.

    Tão simples quanto isso.

    Só que há toucinhos e toucinhos. E os toucinhos vips à sombra do Holocausto dão para tudo. Enquanto que os toucinho da barbárie terceiro mundista dos fanáticos islãmicos são coisa da ralé.

  197. E agora vou indo que já me diverti o suficiente com estes patuscos de poetas que tanto se dizem jornalistas e só fazem poesia, ou se dizem poetas e só fazem demagogia.

    bye

  198. Para o tontinho do Py: não foi fofoca- fofoca foram as tuas com a sininho. Foi um post público assinado pelo Daniel Oliveira.

    Apenas isto. E apenas como exemplo das contradições esquerdalhas embrulhadas na ditadura do politicamente correcto que tem dias.

    Há uns anos andavam de lenço de Arafat ao pescoço, agora andam de kipa sionista e intervencionismo neocon na mona.

    Tudo porque o politicamente correcto faz estragos. E duplos estragos quando se junta ao jacobinismo.

  199. zazie,
    A vantagem dos poetas e dos (verdadeiros) jornalistas é que não precisam de dizer nada para serem o que são. A patusquice está em ver neles demagogos, erro comum nos demagogos que buscam espelho.

  200. ya, ya, só que, por muito que eu tenha dito, por acaso não fui ordinária e tu foste, com essas das mamas que ficava melhor como poesia a dedicares à tua família.

    Isto aqui nem houve debate racional por parte da maior parte das pessoas. O Shark, o Nick o Reanto, Ocasional, a Susana e mais alguns, ainda tentaram pensar a questão. O MP-S pensou-a e explanou-a tão bem que nem houve ninguém capaz de lhe responder. E ele fez crítica ao principal erro deste post e deste debate. A saber:

    Não houve qualquer imprensa dinamarquesa amordaçada; festejar uma acção eficienta da polícia como desafio de forcados amadores é imbecilidade e as comunidades de imigrantes têm direito às suas crenças e a não serem insultados como terroristas, lá porque existe essa ideologia nos muftis, e em demais grupos que já mostraram que tanto vão ao ar as torres de NY, como os comboios em Espanha, como o metro em Londres.

    Quando foi de Espanha até apareceram teóricos a dizer que era preciso negociar com os terroristas.

    Anormalidade no polo oposto mas idêntica a estas basófias- agora não se negoceia com terroristas mas insultam-se os imigrantes porque são do islão e o islão é terrorista.

  201. Ò Valupi e como posso eu não concordar contigo sem, no entanto, te alertar para o facto que a tua argumentação contém uma nota de superiorização de uma “geografia” sobre a outra que se calhar até serve na perfeição como combustível para o foguete fundamentalista baseado no pressuposto de que queremos assumi-lo e tratá-los como uma “geografia” inferior.
    Corrige-me se eu estiver errado na lógica, não me presumas hostil à tua argumentação.
    É que eu não duvido que a tua forma de defender o assunto é próxima da que encoraja os bushes a cometerem os seus exageros e os bin ladens a contraporem os seus. E seria a minha, se eu não fosse o tal gajo porreiro a quem arrepia a ideia de ver gajos a quem não quero mal explodirem a minha filha no metropolitano.

    É cobardia pensar assim? O caralho, pois ninguém se atreva a questionar os tomates para pegar armas pela defesa da minha Pátria e do que ela representa. Apenas acho que a meia dúzia de fanáticos do Islão de mãos dadas com os milhões de alimárias ocidentais só representam uma ameaça se lhe forem concedidos pretextos de mão beijada. E acho que as caricaturas jamais poderão representar a bandeira que defendes, pelo que de gratuito implicam como provocação, muito mais pelo que podem significar como bastião de alguma causa.
    Os fins não justificam os meios e se queremos impor a geografia em que acreditamos, dela faz parte o exercício da autocrítica que nos inibe de irmos longe demais só porque podemos ou nos apeteceu.

    É uma porra, mas não consigo acreditar numa liberdade tão exageradamente confiada ao livre arbítrio de imbecis.
    Se o nosso vizinho do lado se sentir livre de colar no patamar da escada difamações ou insultos à nossa pessoa devemos, esse é o teu preceito como o meu, chamar a polícia e levar o cabrão a tribunal. O princípio é intocável.
    Mas sabemos ambos, princípios o tanas, que se o gajo ainda por cima se puser à porta a gozar qualquer de nós lhe avia uma valente murraça no focinho. Eu dou. E em boa medida por sabermos que se calhar o vizinho acabará por sair impune na Justiça que nem sempre é rigorosa (ou, no caso das caricaturas, imparcial – precisamente porque se rege pelos valores que permitem caricaturar).
    E não é pela Justiça considerar que o vizinho apenas utilizou a liberdade de expressão para dizer o que acha de mim e isso não é proibído que eu acatarei tal interpretação.

    Isto é uma caricatura, bem o sei. Mas apenas para também flexibilizares a tua defesa intransigente da razão que detemos na geografia que pretendemos defender.

  202. Sharkinho,

    Que achas disto? http://www.youtube.com/watch?v=U0kJHQpvgB8 (every sperm is sacred). Achas que os católicos se devem sentir ofendidos e começar a distribuir chapada?
    Olha, se um sacana de um filho da mãe se atrever a rebentar o laço do cabelo de uma das minhas filhas garanto que me atiro a ele mais os meus 45 kg. Não vou entrar em paranóias e mudar uma virgula da minha vida para não ofender quem se pode ofender só por eu usar bikini na praia ou dar uma festa de arromba em plena quaresma.
    Ontem, à saída da estação de Entrecampos estava um necessaire vermelho com ar de ter sido esquecido. Olhei e achei que não ia ficar ali muito tempo, que alguém lhe deitaria a mão. A minha reação normal seria chamar um funcionário qualquer e pedir-lhe para o guardar. Ainda não tinha acabado de dar meia volta e já pensava em bin Ladens de pacotilha e em bombas plantadas. Ia seguir em frente e sair dali de mansinho, mas o meu estômago começou a dar voltas de nojo ao olhar para os meus maus fígados e para a falta de tomates. Eu ia deixar que uns sacanas de uns terroristas me fizessem acobardar e fazer o que nunca tinha feito na vida – assobiar para o ar e sair de fininho? Nem pensar. Não vou calçar luvas de pelica só para não ferir peles mais sensíveis e provocar alguma urticária ou deixar que bestas, tenham elas a cor, o credo ou o partido que tiverem me ditem as regras do medo.
    E se o meu vizinho do lado gozar comigo talvez acorde sem água em casa no dia a seguir. Se gozar com os holligans do meu clube de futebol ou com as beatas da religião que eu não tenho vou tentar perceber a piada e rir também um bocadinho.

  203. «Se o nosso vizinho do lado se sentir livre de colar no patamar da escada difamações ou insultos à nossa pessoa devemos, esse é o teu preceito como o meu, chamar a polícia e levar o cabrão a tribunal. O princípio é intocável.
    Mas sabemos ambos, princípios o tanas, que se o gajo ainda por cima se puser à porta a gozar qualquer de nós lhe avia uma valente murraça no focinho. Eu dou.

    Exacto. E, se por acaso algum de v.s estivesse no lugar do tal Ahmed da mercearia, também é caso para perguntar se tinha de amochar porque uns gajos que até são donos de jornais se acham no direito de distribuir jornais nas tascas deles, com as caricaturas em que passam por fanáticos e a sua religião é achincalhada.

    Porque a lógica dos que defendem a pedagogia do insulto está minada à partida- chamam-lhe comédia e falta de apuramento de sentido de humor.

    Falta de igual apuramento de sentido de humor se poderia então encontrar em muito mais grupos religiosos, incluindo nos judeus ortodoxos ou não ortodoxos que até são capazes de fazer manifs vestidos à holocausto apenas por causa de um filme.

    Mas, o mais anormal desta lógica é que é feita em defesa da boa convivência entre comunidades diferentes.

    Donde tudo volta ao princípio- o Valupi fez um post onde afirmou, textualmente que : quem não aceitar a possibilidade de caricaturar uma figura da História do Islão, não pode viver numa comunidade secularizada, democrática e constitucional.

    Em consequência, em vez de se desbobrar em malabarismos retóricos a dizer que os outros é que querem guetos tem de explicar 3 coisas:

    1- Porque é que só visou o Maomé e lhe chamou figura histórica- quando na religião maometana é o equivalente a Cristo- ou seja- uma encarnação de Deus em torno da qual existe uma religião milenar.
    Devia ter falado em mais figuras de culto- já que achou que esta era a regra para se viver numa comunidade “secularizada”.

    2- Explicar em que consiste uma comunidade secularizada- eu digo, não existe. Existem países com Estado laico e outros não- em Inglaterra a rainha é a chefe da Igreja anglicana.

    Uma comunidade com Estado laico significa apenas que é uma comunidade onde o poder e o Estado não impõe uma religião mas permitem e protegem todos os cidadãos de forma a que os cultos sejam livres- logo- protegidos por lei para assim poderem ser livres.

    3- Tinha de explicar como é que tencionava aplicar apenas o seu estrito enunciado- impedir entrada de quem não tivesse sentido de humor por esta tabela (questão que toda a gente sabe se inscreve precisamente em algo a que se chama- história, culturas, mentalidades e costumes diferentes) E como ia fazer perante os que já lá vivem e ele não sabe se cumprem estes requisitos de sentido de humor ou capacidade de aceitar achincalhamento no que lhes é mais sagrado.

    Por último, em síntese dos 3 pontos, também era obrigado a mostrar como é que uma questão de sensibilidade e devoção de cada um pode e foi confundida com práticas brutais de mutilações genitais ou quejandas a par da devoção.

    Porque- a única questão que está sob alçada de uma democracia com leis e regras diferentes é precisamente esta- a defesa de todo e qualquer indivídou e probição de práticas de justiça fora da justiça do país, ou práticas danosas e mutiladoras em nome de tradições que já foram erradicadas dos países que os recebem.

  204. É claro que neste apanhado continua a ficar de fora o principal argumento- foi comédia e foi feita no local próprio para comédia- Algures alguém o afirmou logo no início (estranho que agora a locutora fez comédia no local certo de comédia mas parece que afinal era comédia proibida); e como é que daqui se infere que é em virtude desta falta de sentido de humor que podem existir atentados terroristas.

    Com o balanço humorístico a bravata dos jornalistas serviu precisamente para que todo o povo Dinamarquês se sentisse mais protegido de qualquer ataque imprevisível do islão (interno, imagina-se; ou externo, sem se imaginar o que fizeram para o travar), esquecendo-se os jornalistas comentadores de se darem ao trabalho de pesquisas de fontes e feedback do dito povo dinamarquês que tratam por tu, apesar de parecer que nem em viagem turística algum lá foi.

  205. zazie, já sabes que não falo quando as pessoas não estão presentes.

    para mim, o enunciado do Valupi: a prevalência das leis civis aceite por todos os que vivem no país de acolhimento é o nó da questão

    bem, asisinum est,

  206. Agora, uma coisa é certa- eu nem pratico propriamente uma religião apesar de não ser ateia (pratico-a de forma muito light, à minha maneira) mas, se uns grunhos de uns jornalistas também me aparecessem no local onde tenho emigrantes a insultar os tugas e pior, com livrinhos para criancinhas onde os insultos estavam a ser compilados (em cópia e com a mesma ligação ao que o outro Van Gogh já havia feito na Holanda) também podia ter a certeza que levam em grande. E mais- havia de os forçar a pedirem desculpas públicas. Se insistissem era denúncia a embaixada. E, a partir daí o resto já não era comigo.

    Foi precisamente isto que fizeram os tais Ahmeds provocados pelos tais jornalistas em militâncias paralelas ao que publicaram no jornal. Queixaram-se à Embaixada, reagiram como de direito lhes cabia reagir.

    O que se passou a partir daqui, também não é da conta deles. Se algum deles tiver a ver com as “contas” que 2 anos depois sucederam. existe a polícia- precisamente porque não é o vizinho que tem de apanhar com o insulto por se achar que é tudo da mesma família- “islão/terrorismo”.

  207. Ò Jean-Luc, eu tenho mais medo de “nós” do que “deles”. Se virmos bem as coisas, somos “nós” quem tem mais a perder se a coisa descamba. E eu, caramba, não quero que o pretexto seja uma graçola sem eira nem beira.
    A ideia de viver no medo aterroriza-me tanto como a de viver no silêncio amedrontado. Quero é viver sossegado e poder contar com os muçulmanos que partilham essa minha vontade não os hostilizando por tabela com os excessos a que me posso permitir.
    A sério, sentes assim como tão restritivo algum bom senso no exercício dos nossos direitos numa época tão marada? Não achas que se justificam medidas de excepção em situações extraordinárias? E o que se pede, afinal, é apenas que ninguém destrua as hipóteses de atinarmos (os moderados) uns com os outros e tentarmos exterminar os terroristas mais a realidade de merda que constitui o seu viveiro natural de kamikazes.
    Entre isso e começarmos a andar de olho nas mochilas abandonadas preferimos o quê?

    É que entretanto andamos entretidos a fazer o jogo dos bombistas, cuja razoabilidade não se impõe e acabará por deixá-los a falar sozinhos entre os seus, só porque somos tão fundamentalistas nos princípios civilizacionais como eles nos religiosos.

  208. Py- essa das leis já está aí o questionário e parece-me que tu não estás febril e nem tens QI negativo.

    Já perguntei milhentas vezes quais foram as leis que os imigrantes muçulmanos não respeitaram.

    Ninguém conseguiu responder. Apenas dizem que depois houve ameaças de bomba. Pois houve- pelos muftis, a viverem no Médio Oriente.

    Era a estas leis de cidadania de quem vive no Médio Oriento ou é mufti que te referias?

    Nesse caso v.s têm urgentemente de entrar em peregrinação pelo mundo para convender todos os líderes de terrorismo (o que quer que isso seja) ou entrarem na caçada pelas cartas de jogo publicadas pelos americanos e pelos israelitas. Esses sim, têm uma série de “não acatadores de regras de democracias” com a testa marcada e para abate.

    Desejo-vos boa sorte na peregrinação pacífica de conversão de todos os ayatolas do mundo ao bom sentido de humor e capacidade de encaixe à moda da Uber.Civilização Ocidental.

    Resta o tal problema lógico, py- é que esses não são os Ahmeds da mercearia da esquina lá na rua do Scooby Doo.

  209. Nem sequer temos de reflectir filosoficamente sobre isto.
    A liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa, o direito à indignação por se ter um ícone religioso insultado (se tanto…, ou, quando tanto), todas as partes que se envolveram no incidente dinamarquês, e todas as que ficaram de fora, nenhuma é mais válida do que outra, nenhuma tem mais direitos, nenhuma tem mais obrigações, nenhuma pode impedir a outra, nem que para isso se tenha de regressar à não-tanto-assim-primitiva identidade territorial.
    Cantar de galo? Sim, senhores. Mas cada um na sua capoeira. Fora da capoeira? Bem, aí cada um está por sua conta e risco, e exposto ao ridículo, que neste caso é internacional.

    Se podem criticar-se? Devem criticar-se, devem até exagerar as suas diferenças. Com humor? Sim. Sem humor? Sim. Ou seja, de todas as maneiras. Eu existo e não agrado a muita gente. Organizo novas cruzadas para limpar esses imperfeitos ser? Uma limpeza racial? Não, aprendo a comer e a calar.

    Ser tolerante perante uma reacção fanática dos muçulmanos, em “solo ocidental” (isto, sim, é que poderá ser polémico) é uma patetice covarde. Admitiria com muita humildade se quisessem retaliar na crítica, mesmo que sem argumento para tal, e tivessem feito cartoons dos “deuses dinamarqueses”, se com o mesmo humor não conseguissem retorquir directamente os cartoons.

    Olho por olho e dente por dente não admite outra interpretação mais conveniente a cada exaltação, é só e nada mais do que olho por olho e dente por dente; se insultaste o meu profeta, eu insulto o teu. Ponto final. Mais do que isto é má-educação, e nunca diferenças culturais.

    Não quero que me impinjam o pensamento oriental, por isso deixem de (tentar) impingir o pensamento ocidental aos orientais…

    Agora, essa omolete de esquerda, esquerdalha, jacobinos, e dejecções afins é, com licença, uma fralda usada carente do aconchego de um caixote do lixo.

    Se não tenho modos para me sentar à mesa ou ir viver para um país de religião estranha à minha, fico quieto no meu canto. Se insultam os meus deuses, fico danado, mas não desato ao bofetada e ao pontapé.

    O mundo tem de aprender a calar-se.

  210. «só porque somos tão fundamentalistas nos princípios civilizacionais como eles nos religiosos.

    Somos quem? que eco é que esta treta teve para além de 2 ou 3 Valupatetas?

    Quem é que v.s acha que a população portuguesa subscrevia esta anormalidade.

    Aproveitem, os que são jornalistas e força,- façam um inquérito.

    O que existe é política mundial de intervencionismo e disputas de hegemonias de territórios em torno de todos os petróleos- incluindo os do Mar Cáspio.

    Fora isso existe apenas esta macacada de moda de langue de bois que já conseguiu progredir no discurso orwelliano- proibiram-se umas palavras, acrescentaram-se outras por cópia importada da américa- o hate traduzido por ódio- o tal ódio às batatas fritas (onde entra tudo o que nada tem a ver com ódios) e as fobias.

    É mesmo no caso da tabela periódica das fobias que se nota os 2 pesos e 2 medidas- existe o famoso “anti-semitismo”- com uma série de rituais paralelos tão ou mais complicados quanto as outras fobias das metro sexualidades alternativas, mas não existe a islamofobia.

    O Valupi entretanto já adoptou uma outra numenclatura do Eixo do Bem contra o Eixo do Mal- chama-lhes islamo-fascitas.

    Suponho que também seja proibido falar-se em nazi-sionistas.

  211. Estes palermas ainda vão na fase da total ignorância do desconhecimento dos factos. Donde, nem vale a pena perder mais tempo com palhaços.

    Nunca lhes entrará na cabeça que não foram caricaturas nos jornais- apenas, mas isso, acompanhado de provocações num espaço restrito e bem longe do cosmopolitismo de outros locais- toda a gente se conhece- os gajos foram apenas aos bairros dos imigrantes e o livro de BD não era lançamente de qualquer editora conhecida e destinada à pedagogia escolar dinamarquesa- mas um livro de militantes xenófobos a ser divulgado entre as crianças muçulmanas precisamente como o outro que foi à vida já tinha feito na Holanda.

    Ponto final. Quem respondeu com bombas foram os que responderão sempre que puderem com bombas.

    Quem fez disto uma história histérica apenas por seguir os gurus e os média- foram os analfabetos- vs. sem razão, por cá, os pés descalços da rua árabe, com mais alguns motivos no pêlo- lá- bem longe- na rua árabe que nem chegou cá mais a baixo a nenhum país europeu.

  212. Somos entre aspas, Zazie.
    Não te escapa nada…

    E rendo-me por absoluto à tua definição do que existe. Existe isso e tudo o resto, incluindo “nós” os papagaios de serviço porque os “outros” papagaios não podem palrar, são peões impotentes, peças quase inúteis num tabuleiro onde se joga alto mas é sempre no mexilhão de baixo, arraia miúda, que a merda escaba por desabar.

    E na cena dos papagaios reside a explicação da ambiguidade das minhas oscilações entre a “corrente de opinião” expressa pelo Valupi e a que tu protagonizas.
    Estou retalhado entre o que prezo em teoria e o que a prática me recomenda.

  213. Exagero, com este convívio alucinado até já eu estava a dizer que rebentaram bombas.

    C’um caraças. Quando a polícia inglesa manda para os jornais aquelas paragonas que acabou de desactivar não sei quantas tentativas de bombas toda a gente já desconfia que seja propaganda.

    Quando o Papa é ameaçado por bombas, os mesmos até acham que não seria desperdício.

    Quando uns palermas grunhos dinamarqueses fazem provocação que nunca mais niguém tinha feito de forma tão poderosa com megafones bem maiores que o outro da Holanda- vá de universalizarem a treta.

    E pior, achar que o que vai ser bué de fiche é cada um inventar e atirar com mais insultos e provocações à cara daqueles com quem maiores problemas sociais pode vir a ter, ou já tem.

  214. “Escaba por desabar”? Ò Zazie, vê o quanto me influencias: já ando a dar as calinadas típicas de quem tem tanto para dizer que até lhe tropeçam os dedos nas teclas.

  215. Para que não haja enganos- não respondi em termos fulanizados ainda que seja difícil responder ao html sem responder ao nick ou nome de quem escreveu.

    O que houve de minimamente fulanizado foi resposta taco a taco a insulto quando entrou em cenas pessoais e julgamentos de carácter- E isso foi apenas o Valupi que o fez, calando-se logo de seguida, depois da reprimenda atempada.

  216. zazie, presta atenção:
    Tomo como ofensa pessoal chamarem-me ordinário. Estás autorizada até ao filho da puta (inútil proibir o peixe de nadar), mas chamarás ordinário a quem te apetecer que não a mim que não to admito, até porque estive longe de o ser contigo. Vais tão desembestada na tua sanha doutrinadora e insultuosa que treslês e abusas. O que eu disse está lá, as mamas vieram a propósito de uma realidade que desconheces (a apresentação de televisão), como suspeito desconheces a vida e a cultura islâmica, que leste algures, enquanto para mim tem cheiro e gosto. Associei-as a ti pelo contraste, como reconhecimento de um nível que começo a suspeitar que não tens: falando delas «foi uma daquelas coisas que se dizem quando a gente é loira, tenrinha e deslumbrada e nos põem a aparecer na televisão com a missão de divertir muito os senhores que estão lá em casa. Como fazer? Mostras-te muito animada, abanas o cú, ris-te muito, deixas adivinhar mamas qb, fazes vozinha doce, dizes muitos disparates pseudo-divertidos e as pessoas correm para o telefone» falando de ti :«E não precisas de abanar as mamas nem de dizer tolices para eu te ouvir com atenção. Muita atenção.» Isto é evidente para qualquer idiota, até, desde que de boa fé. Não foi o teu caso.
    Uma das razões pelas quais me incomoda (para ser gentil, num derradeiro esforço) o ‘ordinário’ tem a ver com essa minha regra de nunca o ser. Lerás (ou não, problema teu) tudo o que eu escrevo e, poeta ou não certo ou não iluminado ou não, nunca, mas nunca verás ordinarice, grosseirice, boçalidade. Tudo o que eu digo é dito debaixo da convicção de que tudo, mas tudo, se pode e deve dizer desde que dentro dos limites da discussão civilizada. E de preferência com arte, para não embuxar como o pão seco. O mais perto que eu algum dia estarei da ordinarice é agora, dorido dessa tua dentada injusta. Como? Simples. Dizendo-te que, por mim e desde que não me ofendas, podes continuar a afirmar à boca cheia o que quiseres, que por acaso eu até gosto. Continua, vá, não pares, por favor, ponho-me até a jeito, não pares. Mas não me ofendas, por delicadeza. O respeito pelos outros é a base para se poder defender qualquer teoria. Senão só sobra o músculo, a voz grossa, as bombas e trezentos comentários de rajada, para a gente ter mais razão que o parceiro.
    Ficava-te bem pedir desculpa pelo abuso. É uma agressão unilateral e injustificada, saberás tu que percebes de melindres de consciência e de respeito.

  217. pois eu também vou é ouvir jazz

    e deixa pra lá desde que não expluda nenhuma bomba por aí

    já agora, as minhas arcadas supraciliares estão devidamente certificadas, com 90% de confiança, pelo meu amigo Zilhão, mas ainda estou por perceber porque sai na rifa a um rafeiro prisional esta coisa de meter a taxa de juro do BCE no sítio. Deve ser karma.

  218. Fazes bem. Mas tinha valido a pena o Valupi ter linkado o blogue do Suahib e ter-se entrado em debate conjunto.

    É um grande desperdício este fechamento dos blogues ao exterior. Todo o tribalismo era automaticamente trocado por informação e pontos de vista que servem para nos mostrar (a todos) como o mundo não é feito à nossa imagem.

  219. Assim ficamos sempre a falar dos nossos umbiguinhos, guerrinhas, ódios de estimação e outras coisas no género- como despedimentos atravessados na garganta- ó Py

    “:O)))

  220. rvn,

    Estou sem tempo, não vou ler agora o que escreveste e se é algo mais pessoal preferia que o deixasses no Cocanha.

    Aconselho-te a seguires os links deixados pelo Nik que foi o mais pertinente contributo de toda esta historieta. Tens aí um que me pareceu o mais inteligente e era boa ideia encontrar-se outros de dinamarqueses.
    Sempre que entra política internacional a blogosfera só tinha a ganhar no uso desta possibilidade em vez de se ficar a falar para dentro.

  221. Rui, opto pelo Sundance Kid. É um nome que diz tudo. Quanto a ti, espero que sejas o Lucky Luke versão cigarro. Porque tem mais pinta.
    __

    shark, não foi o Bush quem inventou a geografia, estou convicto desta ideia. E de um gajo que se baldou à guerra e passou uma fatia larga da sua vida com sangue no álcool, também é de crer que não tenha sido ele a inventar a separação entre o político e o religioso. O que se passa é que tu, se entrares num país islâmico, não levantas a garimpa por eles terem lá os costumes deles, e os valores deles, e as leis deles, e o modo como lá eles vivem uns com os outros. Estando nessa geografia, amochas e calas. É assim, não é, companheiro?

    Pois é. A puta da geografia existe; e é tal e qual como uma faca de cozinha: tanto pode servir para cortar comida como para ferir ou matar alguém. Se tu preferes pegar neste aspecto neutro do que te escrevi e construires com base nele um raciocínio que me mete ao lado do Bush – mesmo que nada de nada de nadinha de nada eu tenha escrito que sustente a menor suspeita dessa hipótese -, ao mesmo tempo que não te incomodas com o que estás a propor fazer perante terroristas, isso é prova de que estás a sofrer de zazienite aguda, aquele distúrbio mental que impede o pensamento.

    Também não foi o bronco do Bush que inventou o terrorismo islamita. Quando os loucos tentaram, pela primeira vez, deitar abaixo as Torres, quem estava no poleiro era esse grande apreciador de mamadas chamado Bill Clinton. Mas, antes dele, já os fascistas islamitas tinham razões de sobra, suas, para matar inocentes, fossem as vítimas ocidentais, muçulmanas ou árabes. Escuso de vir para aqui contar a história do terrorismo internacional com essa marca, o qual tem décadas.

    O que tenho de te dizer é que a tua proposta de negociação com o terror aumenta o perigo à minha volta. Porque do lado de lá não está um interlocutor que te respeite. É o oposto, ele por ti não tem nenhum respeito, e está disposto a mostrá-lo rebentando-se no meio de ti, da tua família e dos teus amigos. Assim, se lhe mostras que tens medo dele, estás a dar-lhe razão. E se lhe dás razão, és perigoso para mim.

    Não é por acaso que a regra de ouro é nunca ceder aos chantagistas. O chantagista de sucesso reincide, como é óbvio. E correndo bem a operação, e sendo tão fácil atacar os fracos, gera-se um fenómeno de imitação, nascem chantagistas debaixo de cada pedra. É por isso que a discussão sobre as caricaturas não é só uma discussão sobre caricaturas – trata-se de uma questão política fundamental: a nossa liberdade. E ainda pior se segues a versão da zazie, estarás a deixar-te ir pelo delírio mais escabroso que podes encontrar nesta discussão. Eu a ti ia ler a história das caricaturas nas fontes das notícias, verás que ninguém ofendeu os muçulmanos na sua fé ou no seu estatuto de crentes – bem pelo contrário.

    Ora, se não te faltam neurónios, porque caralho estás disposto a pedir à malta para não “provocar” aqueles gajos das bombas? Porque caralho estás tu a propor uma qualquer forma de censura que jamais admitirias se, por exemplo, fossem padrecos a barafustar contra a pornografia com imagens de freiras? É porque estás com medo. E esse medo faz-te cometer um erro cognitivo: tu achas mesmo que os terroristas representam o Islão e que cada crente muçulmano é um eventual, potencial e futuro bombista. Nessa lógica, do pavor, estás disposto a comprar a segurança a qualquer preço. É por isso que te parece coisa pouca impedir que um teu concidadão critique o terror islamita recorrendo à caricatura onde se representa Maomé. Mas ao entrares neste plano inclinado, cheio de óleo, já não vais parar. Porque a seguir estarás disposto a ceder qualquer outra coisa, posto que já cedeste a primeira por medo. Assim, bastará que o medo continue ou se intensifique. Daí a pouco estarás a oferecer o Algarve ao Bin Laden, que já o reclamou. E a seguir, se eles se lembrarem de exigir todas as cidades e vilas portuguesas começadas por “al”, também vais dar. É isso? É que se não é isso, qual é o teu limite?

    De uma coisa podes ter absoluta certeza: para quem faz das populações anónimas alvos de carnificina (os homens, mulheres e crianças que vão para o trabalho e para a escola num transporte público, que alguns até podem ser muçulmanos, ou anti-Bush, ou pró-Palestina), não há qualquer limite.

  222. Outra coisa: sou uma desajeitada quando pressinto demasiadas proximidades. Deve ser isso. Demora muito até que consiga ter confiança com alguém, mesmo ao vivo, quanto mais a nível virtual.

    Ainda que dê ideia do inverso. Mas é assim. E a patada pode parecer falta de charme mas é constrangimento por “confianças” ou aproximações que não têm grande sentido neste meio virtual, ou então, para o terem, é preciso um conhecimento muito mais longo entre as pessoas.

    Tenho meia dúzia de amigos virtuais, os mesmos de sempre- uns com conhecimento ao vivo, outros não e outros/(o) em que nem o nome real alguma vez perguntei. Só nestes casos consigo passar da resposta de rajada, sem rosto, sem pouco mais que html.

    Tenho um exemplo que muito me reconfortou de conseguir ultrapassar um estado de crispação e insulto recíproco, por via de reconhecimento do gratuito da questão e da nobreza de alma que pressenti em 2 pequenos nadas.

    Esteve por aqui e nem vou dizer o nome.

  223. E ainda há outra questão-

    Se ainda não reparaste eu tenho registos diferentes de acordo com o tipo de conversas. Em conversas culturais ou de brincadeira tenho um registo, sempre que entram argumentos tenho outro.

    Admito que há um certo vício pela lógica do raciocínio e estimula-me quando ela aparece. Quando não aparece e se passa para um registo ideológico ou emotivo onde era preciso raciocínio passo-me.

    E até pode acontecer ser perfeitamente besta se alguém não me acompanha (logicamente) no que estou a argumentar.

    Ora eu tentei deixar argumentos. O Valupi rebateu alguns mas depois não seguiu as respostas argumentativas para as refutar. E muitos dos outros nem a isto chegaram.

    De ti recordo apenas que já concordavas com tudo e até dizias “caxa alta” a isso, ok, mas só me querias obrigar a dizer uma banalidade- que sim, que condenava todos os actos terroristas.

    Não te fiz a vontade e insisti no estão a pedi-las porque o que queria era argumentos, inclusive para me deitarem abaixo os meus, em vez de emoções que não servem para nada em teclado.

    Por isso atirei sempre com o “aliviaram-se na manif?”

    O MP-S deixou aí 2 textos que tinham perspectivas diferentes de todos nós (incluindo a minha, por ele dizer que a imigração até nem tinha nada a ver com isto- o que me parece um exagero, ainda que ele tenha reconhecido que não estava a par do que se passava na Dinamarca.

    Mas, nem ao que ele escreveu algum de v.s respondeu. Não o esperava do Valupi que já sei que não dialoga ideias mas egos, mas podia esperá-los de outros, que pensava serem capazes de ir mais longe que uns desabafos emocionados e descabelados.

    Foi só isto

    (só ehhehehehehe)

  224. Aqui os “outros” é claro que se refere aos que tinham posições de defesa do post e de tudo o que nele estava implícito (ou até nem estava e era apenas sonante)

  225. Mas segue o link do Suhaib, verdade. Algumas coisas que eu disse também foram por lá repetidas. E com exemplos tão ou mais pertinentes que os tais 2 pesos e 2 medidas quanto toca a reacções e intocáveis.
    E existem, pois. Existem intocáveis com lobbies bem fortes e poder de Estado, capaz de fazer aquilo que o Kik também disse- decretar o que é ou não é terrorismo.

    Esta é uma enorme verdade, a história de todos os terrorismos é feita por quem detem as armas (de todo o tipo) mais poderosas. Donde é sempre bom equacionar-se que tipo de paridade existe quando há qualquer reacção social.

    Neste caso dizer-se que a paridade era terem ido para tribunal ou feito caricaturas idênticas em jornal seu, ou livrinho de BD de reactiva é absoluto disparate.

    E é um facto que existe esta contradição- tanto pode haver um poder enorme subterrâneo em imigrantes pacíficos ou não (nunca se sabe, tudo pode subir à cabeça do mais letrado), quanto gente simples a quem é mais fácil de “lançar a pedra”.

    Faltou-nos a informação do retrato da comunidade muçulmana na dinamarca e até da que se queixou à Embaixada- da que foi mais directamente alvo das tais caricaturas.

    È esta a parte da história que nenhum de nós detem e que está bem longe de ter sido apenas uma caricatura no gozo que podia até ter sido feita pelo Público.

  226. Ò Valupi, a tua lógica é em muitos aspectod irrefutável porque faz sentido e porque a sustentas mais com a realidade dos factos do que com a mera especulação.
    Mas se é verdade que amocho às tradições e costumes de quem manda na casa e acredito que esse é o caminho a seguir para quem escolhe a minha (ou tarda nada estávamos a consentir apedrejamentos e mutilação feminina ou outros usos e costumes que nos repugnam), não é menos verdade que jamais aceitaria de bom grado que a sociedade “deles” tivesse os meus valores sagrados como tema de chacota.
    Claro que me distinguiria por não querer rebentar com eles logo de seguida, mas eu ainda não experimentei uma pele palestina.
    O mais próximo que tive de contacto com a pele islâmica foi no regresso de uma viagem ao Quénia, pouco tempo após o 11 de Setembro, decidi embarcar com vestes muçulmanas (o meu tom de pele ajuda) e sei, pelos olhares, que só não me expulsaram do avião porque não podiam. E as bagagens demoraram bem mais a aparecerem no redondel…

    Ou seja, não reconheço qualquer tipo de legitimidade a terroristas ou mesmo a simples fanáticos mas receio que uma postura demasiado inflexível ou atrevida possa engrossar a legião de bombistas. Se isso é medo? Naturalmente, sobretudo quanto à segurança da minha filha e à merda de mundo que vejo construir-se para lhe deixar. Se deve mostrar-se medo a um cão ou a qualquer outro animal cobarde e canalha? De todo. Mas não é o medo que me leva a intuir que existem actos e provocações que pecam por excessivas e vou sempre bater a essa tecla.
    É que não mostrar medo ao cão ainda aceito. Mas atiçá-lo é mesmo uma estúpida solicitação de dentada.

    Eu espero que entendas onde se traça a minha fronteira, pois daí não passa. Nem mesmo empurrada com a chantagem reincidente, pois aí já estamos a falar de acção e não de reacção. Aí já mostro a dentuça, sejam eles bombistas árabes ou imperialistas espanhóis.

    E desculpa se te colei ao bush, acredita que não foi com a intenção presumível.

  227. Não mostrar nenhum medo dos radicais islâmicos ou islamistas (islamitas é outra coisa) significa tomar as medidas que se impõem para atalhar de vez a invasão da Europa por muçulmanos, desta vez como “imigrantes”. Não é preciso atiçar ódios e insultar a fé dos outros (sobretudo dos que já cá vivem e respeitam as nossas leis) para mostrar que não temos medo deles. Isso é uma ideia de forcado – rvn, de forcado, que, podendo tratar do touro agressivo de mil e uma maneiras racionais e eficazes, opta por tentar dominá-lo a poder de mãos, para mostrar que é mais forte do que ele sem a ajuda de artifícios ou acessórios. À murraça, à cachaporrada, à peixeirada e ao insulto religioso não vamos a lado nenhum. É estúpido e não serve rigorosamente para nada, a não ser para depois nos arrependermos de termos sido estúpidos.

    Temos que ir ao fundo da questão, serenamente, com um sorriso nos lábios, mas com a firmeza de quem sabe o que está a fazer. Os muçulmanos que já cá estão, temos que os avisar solenemente que têm de se submeter às leis locais e que jamais toleraremos a organização de focos de doutrinação odienta contra nós, nem atentados à dignidade humana da mulher, nem sharia de uso clandestino e ilegal, nem etc. Temos que os tratar como portugueses que são, promover o melhor possível a sua integração na sociedade e aceitar integralmente a sua liberdade de opção religiosa, no respeito integral da legislação nacional aplicável e da que nos aprouver criar para nossa melhor segurança e tranquilidade.

    Curioso, os defensores da cóóóragem nem tocaram no assunto da invasão da Europa pelos muçulmanos. Não lhes agrada o tema?

  228. Parece que o Presidente da Comunidade Islâmica na Dinamarca tem as ideias mais arrumadas que algumas cabecinhas por aqui. A fonte é insuspeita – o AlArabya:

    “The news of the murder plot was vehemently condemned across Denmark’s political sphere as well as the head of the Islamic Community, the biggest Muslim association in the country.

    “There is freedom of expression in Denmark… and it doesn’t help our cause when some people want to seek out their own form of justice,” the head of the association, Kassem Ahmad, said.”

    http://www.alarabiya.net/articles/2008/02/12/45540.html

    (sugere-se também que saboreiem a “elevação” de alguns comentários à notícia, no link acima)

  229. Ele há tradições e costumes em todas as geografias (as nossas não são necessariamente superiores, ómessa!). For instance, in Egypt:

    “The arrests began in October 2007, when police stopped two men having
    an altercation on a street in central Cairo. When one of them told the
    officers that he was HIV-positive, police immediately took them both to
    the Morality Police office and opened an investigation against them for
    homosexual conduct. The two men told human rights defenders that they
    were slapped and beaten for refusing to sign statements the police
    wrote for them. They spent four days in the Morality Police office
    handcuffed to an iron desk, sleeping on the floor. Police later
    subjected the two men to forensic anal examinations designed to “prove”
    that they had engaged in homosexual conduct.”

    http://hrw.org/english/docs/2008/02/05/egypt17972.htm

  230. Meanwhile, em Meca, os pecados dos homens parecem ter espantado a chuva!!!!

    “Istisqaa (rain-seeking) prayers were performed throughout the Kingdom of Saudi Arabia early Saturday, with leading imams urging Muslims to abide by Islamic teachings to avoid disasters.

    Addressing the faithful in Mecca, imam of the Grand Mosque (Haram) Abdul Rahman al-Sideis urged the Muslims to be God-fearing people, adding that disasters which inflict the people are due to their sins, according to the official SPA news agency.”

    http://www.alarabiya.net/articles/2008/02/09/45388.html

  231. shark, ficaste entalado nessa falácia de que andam a provocar muçulmanos, daí vindo o terrorismo. Essa ideia não é apenas grotesca de tão falsa, é também perigosa. Essa ideia é até mais perigosa do que qualquer real provocação aos muçulmanos, seja lá o que isso for.

    Quanto às caricaturas, se preferes não conhecer o que se passou, problema teu. Não podes é dizer que sabes o que está em causa e continuares a raciocinar com base num suposto insulto, pois não houve nenhum.

    Quanto à ligação entre terrorismo islamita e comunidades islâmicas, é a maior injustiça imaginável estabelecer essa relação. Achas que mais de mil milhões de pessoas devem ficar reféns do que uns milhares de criminosos andam a fazer em seu nome?

    O que é verdadeiramente notável é a contenção das populações ocidentais na relação com as comunidades de muçulmanos a viver em liberdade completa no Ocidente. Ninguém lhes faz mal, ninguém os ofende, ninguém deixa de lhes oferecer todos os direitos. E isto não é de agora. No entanto, tal não impede que alguns loucos, que até nasceram neste ambiente ou cá estiveram a estudar, queiram destruir tudo e todos.

    Aqueles que nos ameaçam são os mesmo que no Afeganistão destruiram as estátuas gigantes de Buda em Bamiyan. Estamos perante alucinados, que não precisam de razões para terraplanar as outras culturas ou o que lhes apetecer. E a pior atitude será meter a cabeça na areia e fingir que se vai conseguir escapar.

    Nunca irás garantir a tua segurança se abdicares da tua liberdade. Quanto mais cedo se tiver consciência disso, mais cedo se começará a diminuir o perigo.
    __

    Nik, também sofres de zazienite aguda, por isso nenhum assunto se ilumina nem nenhuma ideia se acrescenta.

    O problema não é o da imigração de muçulmanos. Ao colocares a questão nesse ponto, estás só a expressar o teu preconceito: os terroristas ameaçam-nos porque são muçulmanos. Ora, esta ideia não é só falsa, é também perigosa, e em vários sentidos que vou deixar sem explicitar para não ofender a tua inteligência.

    Como sabes, e eu não precisaria de to dizer, para um louco qualquer se rebentar no meio de nós não tem de ter autorização de entrada para trabalhar e residir. Pode vir explodir-se a passeio.

  232. Nos Emirados:

    “The emirate of Sharjah, a conservative member of the United Arab Emirates, has banned realistic mannequins from window displays and shops, a newspaper reported on Wednesday.

    The municipality of Sharjah, neighbor to booming Dubai, imposed the ban in line with a fatwa — religious edict — issued by the local Islamic affairs department, the Arabic-language daily Al-Emarat Al-Yaum said.

    The fatwa bans the use of female dummies unless “the head is taken away or the features of the face are erased,” municipality official Khaled al-Jabri told the paper.”

    http://www.alarabiya.net/articles/2008/02/14/45615.html

  233. E que tal se a malta por cá tivesse de viver com uns BI’s tão castiços as the following:

    “In a landmark ruling, an Egyptian court on Saturday authorized 12 converts to Islam who then reverted to Christianity to have their original faith marked on their ID cards, judicial sources said.

    They said the court allowed the Coptic plaintiffs to mark “Christian” on their compulsory identity cards, in place of the “Muslim” mention which was used after their conversion.

    But their IDs will have to specify that they had “adopted Islam for a brief period”, the sources said.”

    http://www.alarabiya.net/articles/2008/02/10/45425.html

  234. Remédio para a paz? Não é certamente o medo ou o consenso timorato.
    É uma receita velhinha (já experimentada pela civilização islâmica na Alta Idade Média) – chama-se cultura e educação:

    Escreve Fawaz Turki: (http://www.alarabiya.net/views/2008/02/16/45722.html)

    “And the Arab-based Arab League Educational, Cultural and Scientific Organization, in a study carried out last January, found – hold on to your hat – that 30 per cent of the approximately 300 million people in the Arab world were illiterate. The figure jumps up dramatically for women, whose empowerment, as the 2005 Arab Human Development Report asserted “remains an essential axis of the Arab project for a human renaissance”. Sadly, women’s share in economic activity in our part of the world, though it has somewhat improved in recent years, is still the lowest in the world. Again, you know what to blame it on.

    The shaping of Arab minds (with 60 per cent of of the region’s population being under 30 years of age) should be much on Arabs’ minds – or on the minds of those whose job it is to see to it that no child, as it were, is left behind, no student who evinces talent and potential is denied access to higher education. We need to do that not just to empower society by imbuing it with a literate, cultivated and productive populace, but to allow the dignity of learning for the sake of learning. That, last time I checked, was the heritage that we brought with us from our civilisational ethos between the 7th and 12th centuries. “

  235. Seguindo o próprio link que o Walipi deixou:

    «On February 19, Rose explained his intent further In the Washington Post:

    The cartoonists treated Islam the same way they treat Christianity, Buddhism, Hinduism and other religions. And by treating Muslims in Denmark as equals they made a point: We are integrating you into the Danish tradition of satire because you are part of our society, not strangers. The cartoons are including, rather than excluding, Muslims.
    »

    Portanto foi pedagogia deliberada. Confirmando o que eu disse- tinha um destinatário deliberado- não foi ao acaso, para os dinamarqueses; e inferindo o que o Valupi quer vender.

    A passsagem paternalista da “integração pela sátira, como fazemos com todos esses terceiro-mundistas é particularmente interessante…

  236. E, basta seguir os restantes links que já foram deixados pela blogosfera para se ver que foi cópia da mesma “pedagogia” que o tal Theo andava a fazer- livros, criancinhas, escolas, filmes.

    O que torna ainda mais apavorante é que até é bem possível que eles já pensem assim- a tal “libertação laica”- O puto do massacre é um bom case study- o total ódio vazio a um mundo vazio do qual ele era julgador e réu- o triunfo dos ímpios sem história.

    Aqueles paraísos nórdicos, com gigantescas percentagens de ateísmo, são case studies. Até agora só tinham aparecido essas sociedades pela doutrinação comunista.

    Onde levará isto, é caso para perguntar. E é também caso para perceber que é um mundo onde nem eu me reconheço, sem ser propriamente praticante católica, quanto mais um muçulmano.

  237. mais: «Flemming Rose, Jyllands-Posten’s culture editor, commented:

    The modern, secular society is rejected by some Muslims. They demand a special position, insisting on special consideration of their own religious feelings. It is incompatible with contemporary democracy and freedom of speech, where you must be ready to put up with insults, mockery and ridicule. It is certainly not always attractive and nice to look at, and it does not mean that religious feelings should be made fun of at any price, but that is of minor importance in the present context. […] we are on our way to a slippery slope where no-one can tell how the self-censorship will end. That is why Morgenavisen Jyllands-Posten has invited members of the Danish editorial cartoonists union to draw Muhammad as they see him. […]»

    Isto ninguém diria cá para baixo, para o Sul, em nenhum país, fosse a França, Inglaterra, Espanha ou Portugal.

    A tal ideia que retirar a crença é um progresso civilizacional.

    É assustador mas nada que não fosse previsível- o Admirável Mundo Novo está à espreita e só poderia ser fruto de uma terraplanagem utópica. As comunistas acabaram- estas são a sua derivação asséptica.

  238. “Sou um humanista anti-humano, um darwinista social anti-social, um idealista realista e um ateu divino”

    Estou preparado para lutar e morrer pela minha causa”, diz uma de suas mensagens, sob o pseudônimo de Sturmgeist. “Eu, enquanto selector natural, eliminarei aqueles que considerar indesejáveis, desgraças da raça humana e falhas da seleção natural”

    Pekka-Eric Auvinen

    um puto da classe média alta, família estável, pai músico, mãe com cargo político- tudo normal- num paraíso nórdico também há exemplos que trocam as valtas a muitas certezas.

  239. Valupi,

    Concordo inteiramente contigo em que é necessário (em nome da civilização, do futuro, da segurança ou do caneco) enfrentar os terroristas, islâmicos ou outros. Outra coisa é saber se é assim tão defensável provocá-los.

    Dou o exemplo – já aqui assinalado – do Theo van Gogh.

    Dizia ele a quem queria ouvi-lo, e era muita gente, que os muçulmanos são uns «schapenneukers», uns fodedores de ovelhas e dichotes semelhantes. É muito chique, é muito prafentex. Mas isso ofendia meio milhão de pessoas aqui no país. Era uma ofensa gratuita, que tinha, claro, imensa saída nos cafés da moda que Van Gogh frequentava.

    Quando ele foi assassinado (por um miúdo marroquino, até aí aluno exemplar), a malta vociferou, e tinha toda a razão. Mas depois acrescentavam baixinho aquilo em que tinham razão também: que Van Gogh era, agindo assim, um pateta alegre.

  240. zazie não é bem atravessado na garganta, é mais porque como isso se passou em 2005 em Portugal convém deixar os meus camaradas que essas coisas acontecem.

    quanto ao resto ainda a procissão vai a meio

    quanto a nós, agora enquanto fores a minha prima zé já não te mordo, também da outra vez mordi por causa do meu irmão júlio

    e além disso, se bem me lembro, quando estávamos esgatanhados noutros tempos depois tinha lá um cesto cheio de scones e empadinhas de galinha feitas pela Joana e devidamente encomendadas pela tia Clara…

    e também só me atinges se estiveres meiguinha, e se fôr triste é fatal, mas isso não vou pedir, como quando falaste triste de que já nem se percebia o que diziam e que a terraplanagem era total.

    demorei uns meses a pensar nisso, porque reconheço verdade nesse argumento da terraplagem a que associas a implementação do artº 13º da CRP. Logo eu que sou das paisagens defrontaste-me com a figura da minha devastação. Mas pensei e pensei e depois vi que a terraplanagem é condição de construção da polis, da cidade dos cidadãos, portanto aí está bem. Direitos iguais no quadro das leis civis. Os eremitas e anacoretas mudam-se ou vagueiam.

    in between, o estrado da nação?

    http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=916495&div_id=291

  241. Fernando, o teu comentário é para mim fonte de perplexidade. Não sei se seguiste o fio da discussão, mas em nenhum lado eu advoguei a prática de provocações a bombistas. Até porque não faço a menor ideia do que seja uma provocação a alguém que está à espera da primeira oportunidade para se fazer, ou mandar, explodir no meio de inocentes. Mas tu sentes necessidade de me fazer essa advertência, e eu tenho, então, de te considerar mais uma, e inusitada, vítima da zazienite aguda.

    A confirmá-lo, a referência a Theo van Gogh, como se fosse análogo, ou comparável, com o protesto de 13 de Fevereiro, sequer com o caso das caricaturas em 2005. Não vou cometer a indelicadeza de explicar a impossibilidade de estabelecer relações, antes vou lembrar ao que leva a lógica subjacente ao medo de “provocar”: em 2006, a Ópera de Berlim cancelou a exibição do Idomeneo, por causa da célebre cena em que as cabeças de Poseidon, Buda, Jesus e Maomé apareciam em palco. Se conheces o caso, conheces os importantíssimos desenvolvimentos da situação, e conheces, pois, a decisiva intervenção de Angela Merkel, uma pessoa de coragem. A tal coragem que, pelos vistos, não é um bem desejado por todos.

    Quanto ao Theo, tenho repulsa pela racionalização da sua morte. Pela aceitação do “ele estava a pedi-las”. Repulsa e tristeza por haver quem não se importe com o assassinato de patetas alegres.

  242. NINGUÉM tem dúvida que é necessário enfrentar os terroristas, FMV. Conheces alguém que queira deixar os terroristas actuar ou deixá-los sem castigo? A questão está, por um lado, em COMO enfrentar o terrorismo.

    Vamos demonizar a religião que os terroristas dizem ser a sua, independentemente de serem um ínfima minoria dentro dela? Vamos demonizar Maomé, como o Cristianismo fez durante um milénio, para depois, em 1965, no Concílio, ver o seu erro, voltar atrás e pedir aos muçulmanos para esquecer o mal feito no passado? Vamos chamar outra vez deicidas aos judeus, como a Igreja fez até 1965? Vamos semear ódios e ressentimentos ancestrais e esperar pela colheita de holocaustos?

    Recuso terminantemente ser solidário com provocadores islamófobos. Muito ódio contra o Islão vem, aliás, do simples ódio à religião, a qualquer religião. Eu sou ateu, mas não tenho ódio aos crentes de nenhuma religião, nem às religiões em si. Jamais alinharei no coro dos provocadores e incitadores ao ódio contra os crentes de quaiquer religiões, incluindo a católica. E jamais verterei uma lágrima por europeus ou “ocidentais” que sejam vítimas do próprio ódio que geram à sua volta. Condenar o assassinato de Theo Van Gogh não implica de maneira nenhuma reconhecer o “direito” do dito senhor a incitar ao ódio. Incitar ao ódio é um crime, tal como preparar um atentado contra a vida de alguém. Os cartoons de vilificação de Maomé não são muito diferentes, no seu propósito, à preparação do assassinato do seu autor.

    A questão está, por outro lado, em reconhecer que há um grave problema demográfico, cultural e político com a imigração maciça de muçulmanos na Europa, exactamente como houve com a colonização maciça de territórios coloniais de religião dominante muçulmana. Veja-se o caso da Argélia e do catastrófico fim que teve a tentativa francesa de a povoar: um milhão de mortos nos anos 50-60. Deixar à extrema direita o tema da invasão da Europa por muçulmanos tem sido a prática estúpida das últimas décadas. A maioria dos europeus opera um bloqueio mental e elimina a questão automaticamente, nem a admite sequer. A questão dos cartoons é mais uma consequência disso mesmo. Como a maioria recusa pôr em equação as questões demográficas, culturais e políticas da imigração, e tomar as medidas que cada vez mais urgem, minorias extremistas e irresponsáveis apropriam-se do tema e fazem asneiras: guerra religiosa, incitamento ao ódio, provocações.

  243. Valupi,

    Eu tento compreender-te. Tento até pensar no que seria uma boa anedota (porque é disso que se trata, não é? O Renato tem alguma razão) que, atingindo alvos de onde provém perigo, não chocasse sentimentos de outra gente, de onde não vem perigo nenhum.

    Mas esbarro sempre com a tua defesa a priori de qualquer toleima que nos venha à ocidental cabeça.

    Se essa defesa a priori não for a tua posição, devo dizer-te que é a perfeita impressão que dás.

    Por mim, penso não existe o direito de ofender gratuitamente, e impunemente, a quem pode ser (e às vezes até é) amigo nosso. E eu não posso conceber que tu reconheças a alguém esse direito.

    Como não posso conceber que te passe pela cabeça suspeitar que eu, de longe ou de perto, desculpasse o assassinato de Van Gogh.

    Eu tenho receio, meu caro Valupi, de que tenhas entrado numa dinâmica de fuga em frente que não te permita já raciocinar. Isto é, que não te permita já assustares-te com o fundamentalismo em que começas a perder o pé.

  244. Os cartoons de vilificação de Maomé não são muito diferentes, no seu propósito, da preparação do assassinato do seu autor.

  245. Até que enfim que o Fernando confirma a história: o Theo Van Gogh era um pateta.

    Pior: era um pateta que acreditava que tinha uma missão- tudo o que fazia não o fazia de forma gratuita- era pedagogia.

    A tal pedagogia dos adoradores da “cadela laica”.

    Estes jornalistas são idênticos- de facto, podia parecer muito estúpido andarem a correr riscos gratuitamente, como disse o Valupi.

    Só que ele esqueceu-se de se informar acerca dos ditos jornalistas- que ideologia é que têm- que há de comum com o Theo.

    Há- são os mesmos adoradores da cadela laica.

    Faça-se um pequeno exercício- coloquem o “bode esperança” do Diário Ateísta e seus compadres num país particularmente fechado e nada cosmopolita- dêem-lhes um jornal- e vão ver se não era precisamente a mesma “pedagogia” que saía dali.

    Até admito que estes jornalistas dinamarqueses não fossem assim tão dumb como o Esperança, mais uma mistura de ADN “fiolhoso” pelo meio e mais uma ideia de missão que de mera provocação grunha- e certo é que o resultado ia dar ao mesmo-

    O tal “trabalho de sapa” junto dos imigrantes e em nome da “tradição de sátira a todas as religiões por parte da Dinamarca”.

    O que demonstra que nem percebem que só pode existir humor e sátira, com megafone maior do que o visado, quando os próprios e as suas ideias também se auto-satirizam!

    E foi isto que eles não fizeram nem disseram- eles, sendo ateus, acham que estão acima de qualquer boa sátira pedagógica em torno da religião.

    Eles, sendo dinamarqueses, acham que estão acima de qualquer sátira pedagógica que apenas visa a aliança entre fanatismo terrorista e islão.

    E, o se retira daqui é que em nome do laicismo há uma militância de cariz tão religioso quanto ideológico incapaz de se incluir a par dos restantes seres humanos-

    Porque os olha do alto- como se estivesse a salvo das desgraças que estragam a mente dos outros- incapazes de se verem ao espelho- incapazes de entenderem que são tão iguais aos outros na crença que a sua boa crença é a única tolerável- ora isto, de se ter uma crença que só esta é tolerável- em nome da anti-crença é fanatismo puro e duro.

    Tem um nome- intolerância. Falta de entendimento de si próprio quanto mais dos outros.

  246. Fernando, estás a afirmar que o terrorismo islamita é causado por ofensas verbais, ou pictóricas, dos anónimos que vão para o trabalho em transportes públicos, trabalham em arranha-céus e fazem turismo por esse mundo islâmico fora?

    E achas que eu reconheço o direito à ofensa porque me indigna a barbárie de assassinar aquele com quem se tem um diferendo de opinião, enquanto tu achas normal, ou inevitável, quiçá bondoso, que um chavalo de 15 anos, ainda por cima aluno “exemplar”, seja vítima da loucura?

    O que me tens visto aqui a defender é, e precisamente, o Estado de direito. Não o direito ao assassinato por motivo de ofensa. Quem não compreender que as “ofensas” não justificam o crime, é um criminoso.

  247. Nik:

    exaccto- o livro, era idêntico- a pedagogia para as criancinhas- o theo já ia para a porta das escolas ler passagens do livro de sátira aos filhos dos imigrantes dos muçulmanos!

    Onde dizia coisas como: Maomé era um pedófilo.

    Se leste o curriculo dos jornalistas que andou e anda na net- sabes que o padrão de missão é o mesmo- estes jornalistas não são apenas jornalistas com muito sentido de humor.

    Porque não incluíram sátiras às boas das tradições dinamarquesas, não incluiram valores seus, no molho de valores dos outros que estavam e estão em posição inferior uma vez que não detêm jornais com o poder de divulgação da sátira como eles.

    Isto não foi brincadeira em pé de igualdade- ainda que ninguém de bom-senso ache natural que a função de um jornal consista em andar a fazer pedagogia de sátira aos imigrantes e às suas crenças.

    Mas mesmo que já se tivesse atingido o paradoxo de se defender que o convívio com culturas totalmente diferentes se faz pela troça- então eles sabiam que aos troçados o máximo que restava era pegar nuns sprays e responder com troça aos dinamarqueses ou ao mais que lhes viesse à cabeça de forma a introduizir alguma pardidade na trampa.

    Nesse caso volto a perguntar- qual era o resultado de uma pedagogia que a Susana e o Valupi chamam anti-gueto onde a paridade só pode existir por insulto recíproco entre quem partilha a mesma cidadania?

  248. Valupi, se queres provar que a única coisa neste teu debate não é apenas fazer valer e ganhar uma “batalha” autista porque é que não vais aos blogues dos outros- estão aí linkados e não dizes lá isso mesmo?

    Porque é que insistes em nem demonstrar interesse pela “aferição” na Dinamarca e entre comunidades mmuçulmanas noutros locais e também lá acerca disto?

    Porque é que só falas connosco?

    Não tens aqui uma tribuna no Aspirina?

    Então porque é que não linkas os blogues estrangeiros onde este debate se está a fazer e não tens sequer curiosidade em aprofundar umas simples opiniões de quem até lá vive?

  249. Achas que há grande interesse em conseguires convencer 2 ou 3 leitores do Aspirina acerca das tuas “ideias” quando os leitores no que estão interessados é num acontecimento e numas reacções que se passaram na Dinamarca, nas quais tu não és protagonista?

    Eu já lá fui- a todos os links e comentários que foram aí deixados. E, até vou perguntar e procurar mais informação a quem lá vive.

    tal como o MP-S disse, o grande défice na imprensa é a total ausência de estudos documentados sobre os fenómenos que acontecem.

    Nós não precisamos de comentadores a acharem que são gurus e a comentarem factos que leram na diagonal e sem o menor trabalho de campo.

    Não digo que fosse isso que esperaça num blogue como este- mas, pelo menos, mais modéstia quando se atiram para aqui falsas informações acerca da “lei laica” como já lhe chama o Py sem sequer conhecerem o nosso Código Penal.

    E nem sequer terem feito pesquisa acerca do Código Penal Dinamarques.

  250. «Mas esbarro sempre com a tua defesa a priori de qualquer toleima que nos venha à ocidental cabeça.

    Se essa defesa a priori não for a tua posição, devo dizer-te que é a perfeita impressão que dás.

    Por mim, penso não existe o direito de ofender gratuitamente, e impunemente, a quem pode ser (e às vezes até é) amigo nosso. E eu não posso conceber que tu reconheças a alguém esse direito.

    Como não posso conceber que te passe pela cabeça suspeitar que eu, de longe ou de perto, desculpasse o assassinato de Van Gogh.»

    diz o FMV e muito bem.

    Eu não vou entrar mais em análises de intenções do Valupi porque pior do que meramente gosto por polir o ego até são contraditórias com o que é capaz de dizer noutro post qualquer.

    Se tivesse feito um post a defender o oposto fazia o mesmo- até ao fim havia de ser incapaz de responder a uma ideia ou pensar nos erros que já lhe apresentaram.

    Se não fosse igualmente gratuito até passava para aqui um longo discurso do mesmo Valupi onde deixou o Jorge Palinhos de rastos- defendendendo precisamente o contrário.

    Que todas as práticas religiosas são genuínas expressões de sentimentos das pessoas e que quem acha que é mais inteligente por racionalizá-las considerando-as sem valor humano- é apenas um ser humano com défice mental.

    Nessa altura não havia a tal “pedagogia da laicidade e mais uma série de palavras vazias que estão aqui a ser usadas apenas para sustentar umas linhas de um post falhado.

  251. Valupi,

    Exactamente, o Estado de Direito. E eu não concebo – repito-o – que defendamos, como comunidade, o direito de ofender gratuitamente, e impunemente, a quem pode ser (e às vezes até é) amigo nosso.

    Zazie,

    Van Gogh não era um pateta. Era um snob, que se achava infinitamente engraçado e que, dia após dia, tentava ver aonde conseguia ir sem que o matassem. Era, pois, alguém a quem os amigos, em vez de se dobrarem de riso com as graçolas, deveriam ter protegido contra si próprio.

  252. E deu esse exemplo a propósito de se estar a satirizar toda aquele povão que vai de rastos a Fátima e mais o resto do folclore acéfalo com que se achou simples arrumar essas crendices de povão em sociedade secularizada.

    Se esse povão, nesse seu fanatismo tacanho, como acha a AC Leonardo, ainda fosse associado a fanáticos terroristas, num país onde eram imigrantes, eu gostava de ver como é que se sustentava a mesma ideia- foi mera liberdade de imprensa e uma forma de os integrar numa sociedade laica.

  253. Porque, só mesmo quem desconhece o que é ser-se imigrante é que pode vir para aqui com tabelas vazias de contratos sociais e dizer que é mera cidadania onde não existe o “outro”.

    Até na imigração mais VIP de geração Praxis se sente o que é o estigma do Sul em países do Norte da Europa.

    Ou se sente o que é o chauvinismo em França- e isto, falando apenas de imigração VIP com status social bem alto.

    Num aeroporto, um tuga ou um grego, mesmo que a fazerem pós-doc em Oxford, são capazes de ser levados ao serviço de inspecção de fronteiras e obrigados a apontar no mapa o país de origem.

    A um mero brasileiro, por andar com Kispo quando em Inglaterra se acha que até está calor para eles, e apenas porque levava um fio eléctrico a sair do bolso do kispo foi baleado com uma série de balas dentro de uma carruagem- fugiu e “parecia um terrorista”- tinha “ar disso”.

  254. Fernando, o Estado de direito não admite ambiguidade em relação aos seus fundamentos, e foi isso que séculos de sangrenta História ocidental alcançaram. O direito à ofensa não existe, pela simples razão de a ofensa não ser um bem jurídico. O que a lei estabelece é o modo como se alcança a justiça.

    Lamento que te apareça como mais importante a reparação da ofensa por iniciativa própria criminosa do que a indignação pela ofensa à vida seja de quem for e pelo que for (à excepção da legítima defesa ou da guerra legítima).

  255. ó meu grande imbecil:

    Tu achas que alguém que não seja um mero anormal era capaz de achar correcto ou legítimo qualquer plano para assassinar alguém por retaliação de qualquer merda?

    Tu achas que eu também andei para aí a dizer que o Papa estava a pedi-las? como disseram muitos dos “adoradores da cadela laica”?

    Mas tu achas que eu fui na cantiga daqueles outros patuscos da òpera que já diziam que tinham ameaça de morte porque a ópera tinha sido pós-modernizada e era um fanático islâmico que ia ser decepato no palco?

    Tu achas-me palonça? que não sei ler e distinguir o que é aproveitamento à boleia daquilo que é terrorismo latente e que pode acontecer de um momento para o outro se as socieades não começarem a fechar-se e policiar-se cada vez mais?

    É chato mas é um facto- o terrorismo está aí – vivinho da silva- com todos os fanáticos dos mulahs a alimentá-lo e temos a bomba relógio cá dentro.

    Resta então a pergunta- o que fazer para travar ou desactivar o possível de um chão minado em que muitos países já vivem.

    Eu apenas estou um tanto por dentro do que se passa em Londres. Porque de vez em quando estou lá- tenho lá família há muito tempo, fora a que agora tenho por imigração.

    E aí sei como têm reagido os ingleses- pelo menos dos Londrinos estou a par- em vários tipos de actividades- tenho longas conversas acerca de todas estas questões sempre que vou para lá.

    E sei que a política “emocional” não é a da forcado à dinamarquesa. E`a tal cool. Tão cool e tão inteligente que até houve manifestação pública de pesar pela morte do brasileiro.

    Os mesmos ingleses que podiam ter rebentado no metro- foram para Trafalgar às centenas- em silêncio de pesar pela morte imbecil e por engano imbecil de um imigrante.

    E não houve provocação nem revanche- O que há e cada vez mais- são financiamentos dos mayors para grandes festas carnavalescas onde é possível toda a gente dançar e conviver junta.

    Ainda que este ano já tenha acontecido morte- porque nada é perfeito e a violência é cada vez maior num mundo onde o denominador comum tem um nome- falta de sentido de respeito pelo próximo e divinização umbiguista às escala de um vazio espiritual.

  256. Valupi,

    Um assassinato baralha (e é bom que baralhe) a nossa avaliação do que é defensável, ou mesmo compreeensível (e é bom, porque, no fundo de tudo, a vida é o mais precioso que existe). Eu tento raciocinar antes do assassinato. Tento raciocinar numa sociedade, que é esta em que vivo, numa cidade que tem mais estrangeiros do que autóctones, e sobretudo estrangeiros muçulmanos.

    Tenho muitos amigos marroquinos. Nenhum deles sonha tocar no cabelo de quem quer que seja. Mas esperam – e têm direito a isso – não serem postos a ridículo pelo primeiro pedante autóctone que acordou com uma engraçadíssima pilhéria na cabeça.

  257. Mais, já que pediste:

    Por acaso, como gosto de meter o nariz em tudo e ainda mais naquilo que é diferente de mim- até tenho convívio com gente de esquerda e longa tradição de pensamento e prática “underground”.

    E ainda no verão, um desses underground anarquistas me dizia – bom, o certo é que ninguem controla esta malta jovem e as escolas estão a saque de mini-bandidos juvenis e o Estado vai passar a repor aulas de religião e formação moral. E o tipo concluiu- é que não há autoridade- estes miúdos não respeitam autoridade familiar porque já nem há famílias- não respeitam nada, porque não temem nada.

  258. Toda a lei, toda a segurança é pensada antes- para prevenir os crimes- para prevenir e desactivar tudo o que possa ser humus onde eles germinem.

    E é isto que o Valupi, armado em forcado, nunca conseguirá perceber, instalado num país onde estas questões nem se colocam.

  259. Agora, não inventar pedagogias de insulto imbecil não tem nada a ver com não se ser firme perante os imigrantes e ainda bem firme perante toda e qualquer chantagem terrorista.

    Mas isso escrevi-o eu a propósito dos atentados em NY, em Madrid, em Londres.

    E aí não foi preciso pedagogia de forcado amador. Bastou existir o conflito israelo-palestiniano e o apoio americano a um lado ou, depois, o apoio de muitos outros países à Invasão do Iraque.

    É tão somente isto- o tal pano de fundo do “terrorismo” quem nem tem pátria.

    O resto consiste nas formas e nº como se recebem imigrantes e no sustento de milhares e milhares deles ilegais- em França e Inglaterra- particularmente.

    A racaille é uma mini-festividade francesa produto dessa mistura idiota- paternalismo estatal tradição chauvinista.

  260. correcção: paternalismo estatal e tradição jacobina mais igual e longa tradição chauvinista.

    São misturas explosivas. Era bom que se informassem como são aqueles paraísos nórdicos ou como já vão. Eu tenho meia dúzia de feedbacks que não chegam mas não me parecem tão cor-de-rosa naquela aparente paz asséptica.

    os níveis de alcolismo, por exemplo são assustadores. Mas lá que anda tudo no carreiro e nem há alunos a copiar ou capazes de chegar atrasados à aula, parece que sim- tem sido esse retrato que me passam.

  261. Quanto a este caso também podes espernear para aí e fazer demagogia e seres desonesto intelectualmente nessa tua fuga para a frente de vaidade umbiguista.

    Eu não só disse que a polícia actuou muito bem como aplaudi e aplaudo o facto da Dinamarca até ter leis que permitem a extradição imediata dos marroquinos e tunisianos suspeitos do atentado.

    Suspeitos- apenas suspeitos- antes de veredicto- e como v.s costumam papaguear- antes do veredicto todos são inocentes.

    Pois bem. neste caso a Dinamarca apenas acatou o gajo que tinha nacionaldiade dinamarquesa e fazia parte dos suspeitos de terem participado no plano – plano- sem acto- apenas num dito plano de atentado-
    aos marroquinos e tunisianos – rua dali para fora- mesmo que apenas na condição de suspeitos.

    Se isso se passasse em Inglaterra as leis não permitiam. O Blayr nunca conseguiu alterá-las de modo a poder reencaminhar milhares de imigrantes ilegais ou declarados activistas e doutrinadores nas mesquitas.

    A Dinamarca tem leis que a protegem melhor. Eu não defendo que sejam leis erradas e que os terroristas deviam permanecer no país.

    Se são meros suspeitos não sei. Não sei se é política correcta deportar suspeitos sem naturalidade dinamarquesa e apenas permitir que permaneçam os suspeitos naturalizados- mesmo antes de qualquer julgamento- foi isto que já foi anunciado oficialmente.

    Mas esta sim, é uma medida prática e esta sim, pode ser alvo de debate racional- nunca a reposição acéfala e imbecil de reactiva das ditas caricaturas em nome de uma “liberdade de imprensa” que nunca deizou de ser livre na Dinamarca.

  262. Na verdade, para simplificarmos. O que a Dinamarca já anunciou é que até tem leis que permitem que uma ameaça de morte a uma pessoa seja considerada atentado terrorista e leis que permitem tratar essa ameça de forma a deportar pessoas que supostamente a fizeram.

    Inscreveram no conceito de terrorismo uma ameaça de morte a uma pessoa- com ligação ao que supostamente essa pessoa fez 2 anos antes num jornal.

    Por cá isso seria impensável- há centenas de denúncias ao MP de ameaças de morte, até há inquéritos policiais e, pela nossa lei, com esta revisão, nenhum desses suspeitos podia ser englobado em tal consideração- terrorismo- e, muito menos deportado imediatamente.

  263. zazie, então pode-se concluir que uma parte do que afirmas não corresponde ao que pensas? E, nesse caso, qual a proporção onde não diz a bota com os perdigotos?

  264. Valupi,

    Talvez te interesse saber que, neste país, e sobretudo nesta mesma cidade – ninho da tolerância e da liberdade de expressão -, a mínima caricatura judaica é inconcebível. Isso deriva, é certo, duma imensa má-consciência: em nenhuma outra cidade tantos judeus foram «postos a transporte» perante a indiferença dos restantes habitantes. Mas isso mesmo vale para os muçulmanos. E podes crer que as autoridades sentiam uma imensa incomodidade com as chalaças do flamboyant Van Gogh, a começar pelo burgomestre de Amsterdão, um judeu (todos os burgomestres são aqui, desde há decénios, sempre judeus).

    (Repara: continuo a raciocinar metodologicamente antes do assassinato).

  265. repete lá a pergunta, Valupi: o que é que não corresponde ao que penso?

    Estás a falar de quê?

    da reactiva besta das caricaturas? disso pensei que ao fim de 300 comentários já tivesses entendido.

    Da diferença legal entre a Dinamarca e a Inglaterra?

    Essa constatei-a agora pelas declarações vindas no jornal.

    Da diferença entre essa legislação e a nossa- essa já estou a par há muito e tenho acompanhado as consequências desta revisão do Código feita a martelo e que vai permitir impunidades cada vez maiores.

    Qual é então a pergunta?

    Se eu concordo que se deportem suspeitos não naturalizados e apenas se permita que fique o naturalizado?

    Essa é a parte acerca da qual não estou suficientemente informada.

    Tu estás?

    Eu apenas li que a declaração pública- só vai ficar o suspeito de plano terrorista, o gajo que está naturalizado, os outros. marroquinos e tunisinos disseram que são consideradas persona non gratas e vão ser deportados.

    Só sei isto.

    Sabes mais? já te pronunciaste acerca desta resposta legal, concreta e da responsabilidade do Estado dinamarquês e não de meia dúzia de jornalistas que não fazem nem o povo dinamarquês nem a lei dinamarquesa ou a políica dinamarquesa face a problemas de retaliações desta ordem?

  266. Fernando, o que acho notável, e fonte de ainda maior perplexidade, é a caução que dás aos “ofendidos”, quando o infeliz assassinado era a bizarra excepção numa das sociedades mais civilizadas do Mundo.

    Para além do mais, não te incomoda, pelos vistos, aquilo que numa cultura islâmica pode ser considerado ofensivo para o estatuto do ser humano tal como ele se concebe na Europa dos direitos. Importante é, para ti, assinalares que as bocas de um moinante em bares com amigos são a fonte da infâmia e do opróbrio da comunidade muçulmana na Holanda, levando, muito naturalmente, os alunos exemplares a sentirem a incontrolável vontade de repararem com sangue a honra ferida de todo um credo. É que nem sequer uma sova teria chegado.

    Enfim, começo a desconfiar que não tens em grande conta a capacidade racional de um muçulmano, mesmo desses, sortudos, que vivem na segurança providenciada pelo Estado, sociedade e cultura da Holanda.

  267. zazie, vou dar-te uma ajuda. Tendo em conta que afirmaste o teu apoio ao plano de assassinato de um dos autores das caricaturas, pergunto se ainda manténs a opinião. Se já a mudaste, quatro perguntas:

    – Que te fez mudar?

    – Que deveriam os descobertos planeadores do crime terem feito em alternativa?

    – Se nunca apoiaste o crime, porque fazes afirmações que não correspondem ao que pensas?

    – Se fazes afirmações que não correspondem ao que pensas, esse fenómeno ocorre com que frequência e em que proporção do total expelido?

  268. Bom, tenho a agradecer a informção do Fernando de que o Theo não era um pateta, era um snob.

    Ele tem informação mais documentada que eu, ainda que também tenha ficado com essa ideia- Por acaso, a título de graça- foi precisamente isso que o meu irmão lhe chamou porque conhece um pouco melhor a Holanda do que eu.

    Um snob. Um perigoso snob com ideias- como deixei aí de início uma citação avuls- um idiotas convencidos e cheios de ideias são mais perigosos que uma centena de homens armados.

    As cruzadas, todas as cruzadas sempre foram acções de convencimento sustentadas pelo verbo. As cruzadas mais perigosas são as que se fazem com o convencimento que é por bem.

  269. ó palonço: onde é que eu alguma vez afirmei que apoiava uma puta de plano de morte a alguém?

    Tu és mongo?

    Tu és besta, ó meu caralho?

    Tu até tiveste o desplante de dizer que estava com cagufa e a projectar o medo e o pavor em que vivia por causa dos meus parentes terem corrido o risco no metro de Londres!

    E disseste para aí que eu era responsável pela possível morte de um jornalista e igualmente colaboradora em todas as sharias e apedrajamentos e mutilações ou explorações de todos os possíveis muçulmanos porque defendia terroristas.

    Se eu não soubesse que não passas de um cretino emproado, diria que eras um gajo demasiado perigoso.

  270. Valupi,

    Eu falei dos bares em que voavam as chalaças. Mas podia ter falado da enorme audiência mediática que (por mérito próprio, aliás) Theo van Gogh tinha, e de que abundantemente usava para publicitar as mesmas chalaças. Podia ter falado do filme que ele fez, em defesa das mulheres vítimas de excisão, com textos do Alcorão – que ele detestava, e que portanto usava demagogicamente – em que nem o álibi duma qualidade (que não era muita) valeria.

    Volto a lembrar-te que raciocino, por metodologia, antes do assassinato. E isto, disse-o já, porque a privação da vida baralha (e ainda bem) as nossas convicções, e até percepções. Não me queres fazer o favor de não estar sempre a saltar para depois do assassinato?

    É que, se não és capaz deste exercício, eu começo a pensar que entraste numa dinâmica de fundamentalismo, e eu não te quero ver aí.

    [será do meu computador, mas esta página está a ficar pesadíssima, e os comentários custam a dar entrada]

  271. “MP-S, do que escreveste retenho como mais fértil em consequências a notícia de não leres dinamarquês.”

    Valupi, esta’ bem, folgo muito em sabe-lo.

  272. zazie, não será o vernáculo a salvar-te, mas sim o arrependimento. Senão, ficas com a chatice de teres escrito o que escreveste. Chatice, para ti. E para ti, se o for.

    Quanto aos teus parentes de Londres, foi outra das tuas afirmações. Antes de a introduzires na conversa, já estava claro que era o medo a conduzir-te a (falta de) inteligência. Após o dado biográfico, ficou tudo óbvio.

    Sim, o modo como não consegues discutir, e o modo como boicotas a análise, introduzindo falsidades, distorções e irrelevâncias, tem algo de terrorista. Não admira, então, a simpatia que demonstras, que se pode ler nestes comentários, para com a barbárie.

  273. Fernando, posso garantir-te que sou um fundamentalista pela defesa da vida. E espero nunca o deixar de ser. Quanto ao Theo, por mais “ofensiva” que tivesse sido a sua prestação mediática, esse é o campo do debate de ideias, não dos crimes. Para mais, parece-me que ele prestava um bom serviço ao diálogo entre religiosos e seculares, pois abria um espaço que nos obrigava a tomar partido e a conhecer melhor as realidades de parte a parte.

    És tu que tens de corrigir o enfoque. És tu que estás a relacionar um crime com uma ofensa.

  274. Tu és mongo?
    Tu até tiveste o desplante de dizer que estava com cagufa e a projectar o medo e o pavor em que vivia por causa dos meus parentes terem corrido o risco no metro de Londres!

    E disseste para aí que eu era responsável pela possível morte de um jornalista e igualmente colaboradora em todas as sharias e apedrejamentos e mutilações ou explorações de todos os possíveis muçulmanos porque defendia terroristas.

    Se eu não soubesse que não passas de um cretino emproado, diria que eras um gajo demasiado perigoso.

    Repito a pergunta:

    já te pronunciaste acerca desta resposta legal, concreta e da responsabilidade do Estado dinamarquês e não de meia dúzia de jornalistas que não fazem nem o povo dinamarquês nem a lei dinamarquesa ou a política dinamarquesa face a problemas de retaliações desta ordem?

  275. Não, Valupi, exactamente não estou a relacionar o crime com a ofensa, e estou a pedir que não o faças.

    E, depois, chamar «debate de ideias» àquilo que Van Gogh dizia dos muçulmanos… Ou afirmar que ele «prestava um bom serviço ao diálogo entre religiosos e seculares»… Santíssimo Deus! Começo, sinceramente, a pedir ao meu amigo Valupi que pare um instante antes de começar definitivamente a retraduzir o mundo à medida das suas (nobres, não duvido) convicções.

  276. Primeiro ponto, a liberdade de publicar os cartoons nao esta’ em causa. Os tipos que tentaram (?) atacar os cartoonistas, devem ser perseguidos pela policia e levados a tribunal como em qualquer caso de policia.

    Agora, talvez nao fosse ma’ ideia distinguir o significado dos cartoons dirigidos ao Islao na Europa com os cartoons que mostram o preservativo no nariz do Papa, o Blair como o poodle do Bush, etc. Os ultimos aparecem no contexto de uma sociedade democratica sofisticada em que as pessoas estao em posicoes relativamente siimetricas, nao servem de mecanismo de discriminacao ou acusacao de nenhum grupo em particular. O Papa ri-se e nao liga pevas, o Blair idem, etc.

    Fazer cartoons relativos ao Islao, no contexto em que sao feitos (‘guerra ao terror’, etc etc) pode funcionar como uma forma de estigmatizacao de um determinado sub-grupo dentro da populacao europeia, que alem do mais, e’ facilmente identificado pelas caracrteristicas fisicas e tracos comportamentais. Isto nao e’ razoavel e tambem nao provoca as reaccoes esperadas no caso das rabulas humoristicas porque, muito provavelmente, os proprios nao teem muitos deles as mesmas referencias culturais para interpretar e descodificar a ironia. O que a maior parte deles interpretara’ e’ o seguinte: estao ali a escrever/desenhar o que pensam de mim e dos meus familiares.

    Daqui nao segue que se deve estabelecer um mecanismo censorio e proibir cartoons a gozar com o Islao. Simplesmente, e’ uma estupidez e nao vejo que outro efeito podera’ ter senao contribuir para o ‘trabalho meritorio’ da extrema-direita xenofoba europeia — com bastas provas dadas pelo reino da Dinamarca, Franca, Belgica, Austria, etcc. Por isso me espanto com esta celebracao dos cartoons e da sua inefavel mensagem.

    Antes de terminar, um minimo de valor acrescentado ao meu comentario: nunca estive em terras do Islao, nem domino nenhum dos seus idiomas.

  277. Bom, eu despeço-me, que isto está demasiado histérico e insultuoso para o meu gosto. Mas deixo aqui outra vez esta minha pergunta:

    Vamos demonizar a religião que os terroristas islamistas dizem ser a sua, independentemente de serem um ínfima minoria dentro dela? Vamos demonizar Maomé, como o Cristianismo fez durante um milénio, para depois, em 1965, no Concílio, ver o seu erro, voltar atrás e pedir aos muçulmanos para esquecer o mal feito no passado? Vamos chamar outra vez deicidas aos judeus, como a Igreja fez até 1965? Vamos semear ódios e ressentimentos ancestrais e esperar pela colheita de holocaustos?

  278. Fernando, não precisas de me pedir para não o fazer pois esse é objectivo de tudo o que tenho escrito: nunca uma ofensa pode legitimar um crime. Tu é que contextualizaste a morte de uma pessoa com as suas ideias, explicando que alguns muçulmanos estavam muito ofendidos pelas ideias, e acrescentando que outras pessoas achavam natural que certas ideias conduzissem ao crime. Por favor, não cedas à zazienite e assume a responsabilidade do que escreves.

    Constato que não assinarias a famosa declaração atribuida a Voltaire:

    “Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até à morte o vosso direito a dizê-lo.”

    Dommage.

  279. Valupi,

    Essa ligação entre a ofensa e o crime já ficou vários metros aqui acima. Desde então, venho tentando raciocinar como se não soubéssemos o sangrento, e repelente, desfecho. Isto permite uma observação e uma avaliação mais objectivas da actuação de Van Gogh. A morte (mais ainda o assassinato) é racionalmente demagógica. E venho-te pedindo que faças, também, esse exercício, mas sem sucesso – por mais explicitamente que eu o tenha pedido e voltado a pedir. Em desespero de causa, vou exprimir-me no presente. Theo van Gogh não morreu ainda.

    A actuação de Van Gogh a respeito de islamitas é profundamente anti-pedagógica. Van Gogh, sendo um interessante realizador, e um delicioso colunista, é um branco convicto da sua imensa impunidade e deslumbrante superioridade. É, portanto, intelectualmente um parvo, mas ninguém consegue desconvencê-lo. Não é como artista que actua, nem sequer como membro da elite intelectual, mas como um monótono produtor de chalaças, a quem cada vez podemos tomar menos a sério, mas por cuja segurança as autoridades começam a temer. Deve ser-lhe reconhecido o direito a fazê-lo, e deve ser protegido nessa actuação. Mas Deus far-lhe-ia um grande favor se conseguisse convencê-lo a parar um processo que nos envergonha a todos.

    Quanto a Voltaire: constatas mal. Mas seria doloroso dizer-te porquê.

  280. Mas aqueles que aqui se afligem com a liberdade de expressao a proposito dos terroristas islamicos, nao consideram que a crescente concentracao dos ‘media’ num cada menor grupo de detentores do poder economico e’ um problema muito mais grave e subtil, com consequencias muito mais importantes?

  281. O’ alibaba’, o teu nome nao te dispensa o conhecimento do violento processo historico que, ao longo de seculos, nos permitiu chegar ‘as liberdades que usufruimos nas sociedades ocidentais. Tomando isso em conta, queres comecar a andar ‘a batatada com a malta das outras culturas para ver se os gajos compreendem mais depressa aonde nos chegamos?

    Outro ponto que ninguem se deu ao trabalho de mencionar ou analisar: a contradicao que existe entre a superioridade da organizacao social e politica domestica das sociedades e a politica externa que as mesmas desenvolvem pelo resto do mundo – em particular, no Medio Oriente e em Africa.

  282. “a superioridade da organizacao social e politica domestica das sociedades ”

    errrata: superioridade da organizacao social e politica domestica das sociedades OCIDENTAIS (e’ claro)

  283. MP-S

    quem falou em batatada? quem ameaça com batatada? (ou facada? ou bomba?)
    eu limito-me a traçar uma linha da qual não recuo!

    E já agora: coitados dos Gregos! Querem ver que são um povo desorganizado e pobretana por causa do sofrimento infligido pela política externa Persa? Dário! Acusa-te!

    E os Portugueses? Na volta também não se endireitam e têm desculpa: aquilo é que foi apanhar com política externa: cartagineses; romanos; escravatura; Viriato morto à traição; barbárie vândala; visigodos; francos; alanos and sóion. Aquilo é que foi um fartar de imposições de “superioridade de organização social e política”! Nem alcanço como sobrevivemos!

  284. Por outras palavras, se muito razoavelmente queremos chamar os muculmanos nas nossas sociedades ‘a plena responsabilidade e cidadania, entao nao podemos em simultaneo continuar impunemente a fazer trinta por uma linha na terra deles — incluindo financiar e treinar grupos terroristas que, por fim, acabam sempre por se virar contra nos.

  285. Valupi,

    É essa ideia de que certos compatriotas e nossos colegas de civilização – cujo direito a exprimirem-se está acima de toda a dúvida, cujo direito a não serem molestado todos defenderemos até à morte – afinal nos envergonham a todos e a quem pedimos encarecidamente que, exactamente em nome da nossa civilização, reconsiderem, é essa ideia que quero deixar como última contribuição a este debate.

    Faz com ela o que melhor te aprouver.

  286. “nao podemos em simultaneo continuar impunemente a fazer trinta por uma linha na terra deles”

    O MP-S fala em nome de um abstracto “nós” no qual me não revejo.

  287. “eu limito-me a traçar uma linha da qual não recuo!”

    Mas qual linha? Fulanos que cometam crimes sao casos de policia, devem ser levados a tribunal e devidamente punidos? No contexto de uma sociedade democratica ocidental. Essa e’ a minha linha domestica. Existe outra?

  288. E parte de uma falácia xenófoba, que admito involuntária: os muçulmanos com quem eu quero partilhar a cidadania não são da “terra deles”, nem quero que vivam aqui como exilados de uma “pátria muçulmana” out there – são da minha terra!

  289. REVISÃO PARENTÉTICA DUM COMENTÁRIO LUDRICOSO DA AUTORIA DE ZAZZIE ALI ZAZZAR.

    É chato mas é um facto- o terrorismo está aí – vivinho da silva- com todos os fanáticos dos mulahs a alimentá-lo e temos a bomba relógio cá dentro. (É isto pelo menos o que me cabe saber pelo que leio em jornais que por sua vez funcionam com dicas das secretas espertalhonas. Mas eu como sou boa rapariga e também possuo um cérebro lavável como toda a gente, aproveito para limpar o resto do corpo em frente desta assembleia).

    Resta então a pergunta- o que fazer (resquícios do famoso homenzinho) para travar ou desactivar o possível de um chão minado em que muitos países já vivem (não vou enumerá-los para não aborrecer as várias nacionalidades comprometidas, mas devem fazer uma ideia, paísitos onde de preferência existem muitos muslímicos para não haver falta de suspeitos e facilitar a vida às polícias da dedução sem dor nem suor);

    Eu apenas estou um tanto ( 5%, para não exagerar) por dentro do que se passa em Londres .Porque de vez em quando estou lá- tenho lá família há muito tempo, fora a que agora tenho por imigração (pois, a que normalmente rebenta o cu contra cabedais mornos a ouvir os boletins da BBC);

    E aí sei como têm reagido os ingleses- pelo menos dos Londrinos estou a par- em vários tipos de actividades- tenho longas conversas (quanto mais longas pior, poderão alguns de vocês pensar, mas deixem lá isso que amanhã é feriado neste post) acerca de todas estas questões sempre que vou para lá.

    E sei que a política “emocional” não é a da forcado à dinamarquesa (mas não se fiem porque os britânicos são mestres da subtileza manhosa e não gostam mesmo nada de touradas à portuguesa). E`a tal cool. Tão cool e tão inteligente que até houve manifestação pública de pesar pela morte (chamem-lhe axaxínio com xete
    balas na tola que náo é por isso que vou zangar-me com vocês) do brasileiro.

    Os mesmos ingleses que podiam ter rebentado no metro (isto é, todos os que nesse dias envergaram peúgas cor de rosa às riscas, aí meia carruagem, pelos meus cálculos) – foram para Trafalgar às centenas- em silêncio de pesar pela morte imbecil (isto é só a ver se me dão um OBE, malta) e por engano imbecil (não contem isto à família do Meneses senão ela lincha-me e com muita razão)de um imigrante.

    E não houve provocação nem revanche (não sei porque disse isto, mas gosto da palavra revanche, faz-me lembrar a Piaff a cantar para os boches) – O que há e cada vez mais- são financiamentos dos mayors para grandes festas carnavalescas onde é possível toda a gente dançar e conviver junta (bom, toda a gente é um exagero zito e assim, mas como o show é de alegria e para contentar minorias pop-carnavalescas, deixem lá passar).

    Ainda que este ano já tenha acontecido morte- porque nada é perfeito e a violência é cada vez maior num mundo onde o denominador comum tem um nome- falta de sentido de respeito pelo próximo e divinização umbiguista às escala de um vazio espiritual (acabei bem, não acabei?).
    (Continuarei com 2., 3. e 4. em comentários futuros).

  290. Uma das grandes virtudes de uma das sociedades ocidentais e’ que sao capazes de documentar extensivamente as tramas da sua politica externa. E tornar esse trabalho publico. Se uma imagem vale mil palavras, um trabalho deste instituto (que aqui deixo linkado) vale mil caricaturas em jornais de grande tiragem. Seguissem eles o exemplo deste instituto nos seus paises (isto vale para Portugal tambem).

    http://www.gwu.edu/~nsarchiv/

  291. Zazie,

    “E pior, achar que o que vai ser bué de fiche é cada um inventar e atirar com mais insultos e provocações à cara daqueles com quem maiores problemas sociais pode vir a ter, ou já tem.”

    “Mas mesmo que já se tivesse atingido o paradoxo de se defender que o convívio com culturas totalmente diferentes se faz pela troça- então eles sabiam que aos troçados o máximo que restava era pegar nuns sprays e responder com troça aos dinamarqueses ou ao mais que lhes viesse à cabeça de forma a introduizir alguma pardidade na trampa.”

    “Tu és mongo?”

    “Tu és mongo?

    Tu és besta, ó meu caralho?”

    Tenho seguido este interessante debate sem comentar, mas agora não deixo passar. Diz-me uma coisa, zazie, se agora te mandasse á merda achas que introduzia alguma paridade na trampa?
    sabes, não sei se o valupi é imbecial, anormal, besta, caralho ou mongo. sei que a m inha filha é mongolóide e que, por ela, me sinto insultada por ti. ou isto não é um insulto e uma provocação “aqueles que maiores problemas sociais podem vir a ter ou já têm? ou achas que só é preciso ter cuidadinho com o insulto se corrermos o risco dos insultados responderem com uma bomba no nosso quintal das traseiras?

    É engraçado como tudo fica diferente quando somos nós que fazemos a merda. nem cheira tão mal, pois não? E também é tão diferente o insulto, não é? Coitadinhos, estes nem percebem que estão a ser insultados e até eram capazes de te dar um beijo se te vissem.

    Sabes, apesar de te voltar a mandar à merda, em nome da tal paridade, acho que tu tens todo o direito de considerar que “mongo”é um insulto e de o dizeres as vezes que quiseres. Tal como eu posso achar piada a uma caricatura do profeta com uma bomba na cabeça!

  292. “O MP-S fala em nome de um abstracto “nós” no qual me não revejo.”

    Bom, se o alibaba’ nao for portugues, nem europeu… Caso contrario, nao e’ opcional nem e’ idiossincrasia do MP-S: o alibaba’ paga impostos, e e’ eleitor num pais europeu e, por isso, tem responsabilidades inerentes a essa cidadania. Por muito diluidas que sejam por ser apenas um entre centenas de milhoes.

  293. Bem, agora chegou o Revisor/ Luís Rainha, não vale a pena.

    Não conseguiu tirar o relevo ao que inteligentemente o FNV escreveu. Vou indo. A editar e duplicar a bold estão aí as palavras do Fernando Venâncio.

  294. Fernando, era essa ideia que deixas ao debate que faria sentido teres reconhecido na origem do protesto da imprensa dinamarquesa (mas não só, também na Holanda and else) contra a anulação de toda e qualquer ideia: o plano para assassinar o caricaturista. Não foi isso que deixaste no teu comentário que deu origem a esta parte da discussão, antes vieste avisar que não se deve “provocar” o criminoso. Isso, no contexto, equivale a veres como “provocação” aquilo que na Dinamarca a classe política, os tribunais e a imprensa (portanto, a sociedade) viram como legítimo exercício da liberdade de expressão. Se para ti a liberdade de expressão deve ficar condicionada pelas ameaças de terroristas, estás com um gravíssimo problema entre mãos, e vais inevitavelmente perder. Repara: tu não tens forma de provar que as caricaturas de 2005 foram ofensivas para o Islão – e eu desafio-te ao exercício. Nesse sentido, repetires que são “provocações” é estares a assumir a interpretação que põe em causa os fundamentos do Estado de direito.

    Tal como ao relacionares ao caso do Theo, que nada tem a ver com a temática deste post ou do meu discurso, fazes algo para mim aberrante: não reconheces que o miúdo de 15 anos também é uma vítima ao ter assassinado alguém que não merecia morrer por causa das suas ideias.

    E aqui as águas separam-se: para começares a compreender os mecanismos pelos quais uma criança se convence da bondade de tirar a vida a uma pessoa por causa das suas ideias, e o efeito de aceitação que tal acto congrega (e que tu referiste), terias de ser objectivo com as ofensas antropológicas da cultura muçulmana tal como ela ocorre em meios anti-ocidentais. E isso, se calhar, não queres fazer.

  295. Ernesta:

    o mongo foi pouco para aquilo que ele merecia ao se achar no direito de me psicanalizar e apontar a dedo como “moralmente responsável pelo terrorismo e possível morte de um jornalista. Disse mais mas ele sabe defender-se sozinho e eu com Ernestas é que não vou perder tempo.

    Se quiseres podes repetir para aí os chavõezinhos que defendo o gueto, como disse a Susana ou que coloboro com o terrorismo.

    Fica à vontade.

    Só costumo trocar ideias com quem as consegue alinhavar. Quando não conseguem é mesmo melhor reprimir-me porque tenho um defeito lixado de ser bruta com quem troca alhos por bugalhos e ainda maos com conversetas de talho.

    Tens aí o MP_S que é um bacano inteligente, ganhavas mais em trocar qualquer “ponto de vista” com ele.

    Comigo é tempo perdido para as duas.

  296. Quanto à associação entre o mongo e a mongalhada, lamento muito mas não te vou pedir desculpa pela doença da tua filha nem sequer pedir desculpa por qualquer possível ligação que eu teria de conhecer.

    Deixo-te aqui um mongo

    http://www.70slivekidvid.com/magic/mongo.jpg

    Espero que consigas fazer um exercício de defesa da liberdade de expressão com as caricaturas bestas onde a religião e o terrorismo estavam a associadas, com o uso da palavra mongo entre qualquer pessoa que não é iletrada.

  297. Mas podes tentar proibir a série televisiva com o argumento idiota da associação à doença.

    Acontece que, mesmo que fosses por aí- pela total ignorãncia e complexos semânticos tenho a informar-te outra coisa-

    a doença cujo nome científico não se chama mongoloidismo- tem este nome pelo facto de achar que a deformação facial era idêntica à dos Mongóis.

    Povo mongol. percebeste?

    Que eu saiba nunca nenhum mongol se lembrou de fazer uma cruzada a impedir a ligação e ainda menos foi impedido o uso na brincadeira, bem longe de qualquer troça a doenças, na própria série do Planeta Mongo com o seu personagem carismático.

  298. Antes que isto feche, queria pedir ao autor do post que interpretasse brevemente a caricatura que colocou em epígrafe, que dissesse se se identifica com o sentido dela, eventualmente em que é que se distancia dela, e se está disposto a morrer pelo direito de islamófobos e anti-judaicos exprimirem publicamente os seus ódios de forma pública e repetida.

  299. Outra coisa: comigo podes estar sempre à vontade no que toca a palavrões. Inclusive até me podias chamar filha da puta porque eu também sei a diferença entre o uso dessa expressão e qualquer outra coisa bem diferente que quisesse dizer que a minha mãe era puta.

    Mais, mesmo que dissessses que a minha mãe era puta, também ficava na mesma- porque só quem não deve é que se sente- é estúpido sentirmo-nos melindrados com o que não temos motivos para nos melindrar.

    Posso continuar por aí fora e dar-te uma lista maior que a do Capitão Haddock em matéria de palavrões que, não só eu uso como sou capaz de os usar para mim própria.

    Costumo dizer que estou anormal, que sou anormalzinha. Tenho o estirbilho da “anormalidade” uso muitas veses a expressão “estou ursa, ou ursandade, ou mil e uma outra coisas.

    Agora, no que toca a insultos religiosos por ter crença, apenas posso dizer que, apesar disso, acho que a minha escolha de considerar sagrado Deus é mais adequada que a de considerar sagradas todas essas tabelas da langue de bois.

    Fora isso, não insulto nenhuma religião nem sensibilidade religiosa de ninguém. Precisamente porque sempre me ensinaram que sagrado é isso, o resto é profano.

    Por isso mete a viola no saco e não procures fazer uma coisa que é muito muito cretina- achar que alguém insultou a doença que desconhecia que o seu filho tinha.

    Chama-se a isto chantagem emocional demasiado desonesta- uma vez que não és nenhuma bimba e estás perfeitamente a par de mim, em termos de capacidade de leitura de português- estás até bem acima, escreves melhor do que eu penso.

  300. Zazie,

    pedires-me desculpa? não percebes que isso é uma idiotice ainda maior? e só quando “conheces ligações” te moderas nos insultos? olha foge para a frente até onde conseguires que eu não vou atrás de ti. o que te quis dizer é simples – os princípios são abstractos e tanto valem para o mais como para o menos. na tua fúria de julgadora de carácteres fizeste conversa de talho, como tu própria lhe chamas. usar mongo como insulto que equivale a falta de inteligência e idiotice é o mesmo que chamar cigano a um ladrão. e já que me deste um mongo eu dou-te um cigano que pode ser que te distraias…
    http://www.youtube.com/watch?v=kNoFJTOEUPg

    E claro, associar religião a terrorismo é muito menos grave que catalogar toda uma categoria de pessoas como idiotas de serviço usando como injúria um termo que lhes está associado. mas aceito o seu uso tanto em pessoas letradas como naquelas a quem chamas iletradas. aceito porque lhes reconheço a liberdade para o fazerem, da mesma forma que me reconheço a mim a liberdade para achar que a pobreza de espírito não depende das letras que tomamos em pequeninos…

  301. Obrigado pelo repto, Nik. Eu concordo com a existência da gravura acima reproduzida. Acho que ela contribui para o debate (como se vê) e para o diálogo (como também se pode ver, dada a polémica que causou internacionalmente e as aproximações que gerou entre muçulmanos e os “outros”). Em termos técnicos, é banal: pega num símbolo e altera-lhe a semântica, criando conflitos de interpretação. É isto que era suposto fazer, no âmbito da disciplina usada para fazer a crítica: ser-se iconoclasta e assertivo. A mensagem, tal como a leio, é: olhem para o grotesco de associar Maomé e terrorismo. E claro, o aviso não é para os alvos do terrorismo, que sofrem em terror e vidas perdidas a incongruência – é para os que convivem com os terroristas. E que podem (devem?) anular na fonte o mal que consiste em matar e destruir em nome de Deus (dê-se a Ele o nome que se der).

    Nesta problemática do terrorismo islamita, o caminho não é o silêncio, esse alimenta o pavor. O caminho é feito a conversar com os muçulmanos e esperando que eles se levantem contra os fascistas. Até agora, ainda não o fizeram, embora haja exemplos grandiosos de coragem na comunidade islâmica. Quero crer que cada vez mais a coragem irá ganhar força.

  302. Ernesta- juro que vi que escreveste qualquer coisa e com muitas letras e nem vou ler.

    Já sei que não vale a pena- ainda acabo a chamar-te monga a ti- e mais mongalhada ao que estiver
    à volta.

    Palavra- é lixado, não aguento conversas irracionais. Já te disse que sabes mais português que eu e que escreves melhor do que eu penso.

    Espero que tenha reposto alguma paridade mal parida.

  303. zazie,

    termino por aqui que a mongalhada está com fome, mas tu que achas que os ingleses são tão sensatos, explica-me qual a diferença na ofensa à religião muçulmana entre as caricaturas e os “Versículos Satânicos”. Deve ser uma questão de letrados e iletrados, mas dado que o Salman Rushdie foi acolhido na Grã Bretanha e pelo seu governo protegido (Thatcher, não era?), suponho que o que fez a diferença ética e lhes mudou o sorriso foram umas bombas no metro, o tal onde anda também a tua família (desculpa não “conhecer as ligações”) Pois é, quem tem cu tem medo e, parafraseando um amigo meu, “levar no cu também é uma actividade lúdica”.

    Vou-me, que a monga já pôs a mesa e tudo!

  304. Fónix, esta agora do mal-parida é que foi mesmo descuido anormal. Desculpe-me pela bestialidade mas nem pensei.

    C’um caraças. Para que havia agora de ainda se trazer mais coisas pessoais, completamente ao lado e apenas para defender esta florzinha de estufa do Valupi com a qual já tenho uma longa tradição de insulto recíproco sem nunca nenhum dos 2 ter ficado chateado

    “:O))))

    Ernesta- eu sou desajeitada com sentimentalismos e todos os discursos emotivos fora do lugar- por isso é que o rvn já ficou fora do round.

    O que havia a acrescentar e a grande síntese foi feita pelo Fernando Venâncio- qualquer ideia a travar ou dúvida a retirar eu remeteria para aquela brilhante síntese. Síntese com conhecimento de causa, com vivência que nós não temos e bem mais inteligente que a minha porque nem precisou de responder à reacção e leitura ideologica dos outros” mas apenas à questão em si mesma.

    Acho que aprendi uma boa lição com a forma como Venãncio soube equacionar tudo.

    É assim que se deve debater. E rebater, se houver ideias com falhas ou possibilidade de se refutar o ponto de onde partem.

    Não vi ninguém a ser capaz disso. E também não é essa a questão que me interessa- prefiro seguir os links e ler os debates entre dinamarqueses e muçulmanos ou então ir à minha vidinha que não é aqui.

  305. tolinha, não venha com cenas pessoais porque aí está a ser porteira. Já disse, tudo o que escrevi sobre estes assuntos, desde o Pastilhas estão online.

    essa rasteira de achar que a cena do metro de Londres alterou no que quer que fosse a minha leitura do mundo é tão besta quanto mal formulada.

    Se o susto familiar me levasse a responder colocando a questão em termos pessoais- então, o que seria natural era passar a reactivas anti-islâmicas.

    V. não consegue sustentar uma supeição de má-fé, sem pegar em todos os meus escritos e mostrar onde houve mudança de pensamento à custa de uma questão pessoal e mais, mesmo com psicanálise de merdaleja não consegue sequer sustentar a lógica de relação entre- ataque no metro de Londres com familiares lá- defesa do Ahmed da mercearia que nada tem a ver com o terrorismo; condenação destas bestas de provocadores de jonalistas que apenas são tão fanáticos quanto todos os fanáticos do mundo.

    Entendido? ou é mesmo monga. agora sim- estúpida quadrada e porteira que quer comprar uma briga de mulherzinha?

  306. correcção: estúpida- com s. estúpida é uma palavra que se escreve com s e que se destina a quem não está a conseguir pensar.

    E também pode ser uma palavra que que se emprega para dizer que alguém está a ser besta e ao nível de fala no discurso directo por deficiência de passar para a teoria.

  307. zazie, vejo que pensaste que te chamei xenófoba e reagiste com o poderoso argumento «tu é que és xenófoba!». mas não te pensei xenófoba, acho que és conservadora: presumes que havendo um vespeiro (imagem-chavão, mas clássica) é melhor nem lhe mexermos.

    gosto quando me mostram que não tenho razão. abre-se uma brecha no mundo, essa brecha é preenchida com algo novo e fico maior. não foi o caso, não só porque não tens razão, mas também porque a tua argumentação é caótica, contraditória e displicente. nem sempre é assim, claro.

  308. e exacto. levar no cu essas cenas todas que têm catálogo de novi-língua e mais um milhão de palavras proibidas e o caralho a quatro.

    Sendo que por aqui não era esse o assunto- apenas a bestialidade de uns jornalistas provocadores e da pertinência ou brutal impertinência de se considerar liberdade de imprensa a todo um trabalho de provocação em bairros de imigrantes islâmicos. Com as consequências que daí podem derivar, pois os burros pedantes nunca se enxergam- acham que estão acima de tudo- têm o tal olhar divino sobre o que está cá em baixo, mesmo quando cospem nas religiões e pior- quando o fazem contra quem sabem que não vai achar piada nenhuma a isso.

    Rir, é algo que se faz em conjunto quando é numa boa- rimo-nos como. Não nos “rimos de” E, mesmo quando até pode haver espaço para nos “rirmos de” temos de assumir as circunstâncias em que tal é feito e as relações de poder que podem estar implícitas.

    Sendo que fazer-se isso- “rir do Outro”, em nome de conhecer e respeitar “o Outro”, é coisa que não existe, muito menos em política de convivência de cidadania com imigrantes de culturas tão diferentes e facilmente confundíveis com o “terrorismo islâmico” qeu algo mais que crença elevada a fanatismo- é algo elevado a ideologia.

  309. TROPEÇÃO DO DIA

    “O caminho é feito a conversar com os muçulmanos e esperando que eles se levantem contra os fascistas”.

    Pois já se levantaram, não sabia? No Iraque, a ver se deixam o seu amigo Bush mal visto. Onde é que tem andado que não repara nestes pormenores da actualidade?

  310. fónix que isto está pesado e salta- rimo-nos com; quando é numa boa; não nos rimos de, numa boa de sintonia e empatia com o “outro”. Muito menos quando a questão nem tem piada nenhuma. Para ninguém. A menos que v.s se tenham rido muito com as caricaturas e, se assim conseguem entreter-se, então é porque a vossa mioleira está mais ao nível do “levanta-te e ri” do que de qualquer outra coisa.

  311. Exacto Susana – sou conservadora, mas aposto que tu é que também não sabes o que isso significa. E que é que isso vem ao caso nesta merda.

    Do mesmo modo que usas a palavra gueto sem perceberes a que te estavas a referir e dizendo que eu quero o islão no gueto, o que quer que isso seja.

    Mas, também não vou responder-te mais e fazer antes outra coisa que já devia ter feito- pedir-te desculpa pelo tom cretino com que me dirigi a ti. Ainda que tenha consciência que não era à Susana que eu nem conheço mas com quem troco conversas na blogosfera, mas a uma série de premissas sem lógica com que me passei.

    Sorry, não tinha mesmo lógica e eu sou capaz de fazer pior. Hei-de ter para aí bacorada de 3 em pipa.

    Só que não havia relação nem pertinência nas tuas frases” eles têm de se adaptar ás leis dos países que os recebem; achas que é justo responderem à bomba? Defendes que se deve responder à bomba, só por causa de umas caricaturas ainda que eu também não ache que isso seja muito correcto”?.

    Foi apenas a isto Susana- passei-me estupidamente com a falta de lógica neste suposto raciocínio.
    E passei-me contigo, como com o Valupi, como com o rvn- todos insistiam nesta estupidez que quase dava direito a se ficar no beco sem saída:

    Capaciadade de encaixe é uma lei de uma democracia europeia; ameaça de atentado bombista é uam violação paralela da mesma lei de uma democracia; matar alguém é feio”

    Isto era redacção surrealista de puto de 5 anos.

  312. dessas frases disse apenas que os muçulmanos recebidos por outro país devem acatar as leis desse país, e não os país que os acolhe adaptar-se à medida dos seus melindres, conferindo-lhe estatuto de excepção. tinha um contexto de resposta ao que advogavas e não era novidade alguma. qual é a duvida?

    o resto terá sido alucinação ou distorção tua.
    não precisas de te desculpar, pois não me senti ofendida.

  313. Mas zazie, não resisto sem te contar uma história. Em 1986 explodiu o Space Shuttle Challenger. Levava uma professora a bordo, e a explosão foi vista em directo por milhões de estudantes americanos. O escândalo foi tão grande que o Congresso abriu um inquérito. Ouviu dezenas de teóricos com dezenas de explicações teóricas. Ninguém percebeu pêva. Até que subiu à tribuna um tipo pequenino e com ar de palhaço. Era um dos físicos mais conceituados, tinha trabalhado no projecto Álamo e era professor no MIT. Pediu um copo de água e muito gelo antes de começar a falar. A seguir tirou um elástico do bolso, meteu-o no copo, deixou-o estar por uns minutos e a seguir tentou esticá-lo. O elástico partiu. Ele finalmente dirigiu-se ao congresso – “foi isto que aconteceu com as juntas do vaivém”…
    Simples e eficaz. E é isto que um verdadeiro génio consegue fazer. Estúpidos são os outros, que não conseguem ser simplificar as suas teorias.
    Este homem chamava-se Richard Feynman e morreu há vinte anos.

  314. Ernesta: há uma coisa que me incomoda verdadeiramente- o aproveitamento de qualquer facto pessoal que eu possa deixar escapar (e foi isso que aconteceu- deixei escapar- nunca o tinha contado na blogosfera) como forma de rebater ideias de alguém.

    É que isso é sacanice. Pior, ainda fico mais passada quando entram nessa velha tradição dos anos de 60 de acharem que vão ler a alminha e despir por psicanaláse alguém. Em forma de devassa, devassa da alma e de supostas intenções escondidas quando nem as intenções conseguem justificar com ligação a essa devassa.

    É que é algo tão cretino que, de facto, perante isto é que não há nem exemplo, nem raciocínio, nem prática que responda- pode ser tudo e o seu contrário. Se eu defendesse a posição do Valupi e andasse com histerismos de armagedões a saírem debaixo da cama, e tivesse contado o mesmo facto- diziam o mesmo- a leitura psicanalítica servia para o mesmo- bastava trocar a ordem dos termos- estão a ver como ela é islamofóbica, tudo por trauma por ter familiares que correram risco num atentado. E, desde aí mudou de ideias e passou a defender o oposto que antes defendia.

    Isto é que é filha-da-putice.

    Porque, nem se deram ao trabalho de me confrontar com textos anteriores onde estaria uma outra zazie a defender coisas diferentes, nem conseguiram demonstrar a ligação com uma mera cusquice a uma merda que estupidamente deixei cair em conversa com o rvn.

    E mais, se vs. quisessem mesmo fazer psicanálise, então até precisavam de muitos mais dados- inclusive outros perigos noutras alturas, em avião na sequência de mais uma merda relacionada com o ataque de NY.

    E nada, de nada disto me levou a defender qualquer invasão do Iraque e, muito menos a defender outra coisa mais complexa aquando do atentado de Madrid- que o povo foi cobarde e devia ter votado no outro sem se agachar perante a ameaça. Ao mesmo tempo que também defendi que não havia lugar para paleio de caca de “negociações” com ninguém porque ninguém tinha pedido nada de concreto em troca. Assim como ataquei, forte e feio o aproveitamento político dos anormais que acharam que era em cima do acontecimento que se sacavam votos por emoção e manif de rua em véspera de eleições.

    Por outro lado, podem ficar tranquilas que ninguém, nem familiares, nem eu somos histéricos ou medrosos. Somos mais a dar para o descabelado e, em algumas circunstâncias até irresponsáveis na descontracção ou na temeridade. Sendo que, ninguém, nenhum de nós, alterou politicamente o seu pensamento por nada de nada.

    No meu caso estava tramada se fosse a inventar traumas à custa de riscos que já vivi. No caso deles até é mais idiota- 2 nunca votaram na vida. Eu é raro fazê-lo, quanto ao que defendo, procuro ser consequente. É raro mudar muito, como a Susana disse, sou conservadora, o que significa gostar de conservar aquilo que tem provas dadas de ser bom e útil- a todos os níveis, principalmente costumes e valores.

    Agora já se sabe que o Rainha vai achar que tem mais oportunidade para troça, na maior, às vezes até tem piada, embora os antolhos lhe atrapalhem.

  315. Só a última resposta para a Susana para que não pareça que viro as costas.

    Dizes e repetes ao fim de perto de 400 comentários: “gosto quando me abrem uma brecha, não é o teu caso, porque não tens razão e a tua argumentação é caótica”.

    Ok. Só que tu nunca concretizaste nem explicaste em que é que eu não tinha razão. Quanto à argumentação pode ser caótica.

    Por isso mesmo é que já tinha terminado e disse, que quem melhor explicou tudo foi o Fernando Venâncio. A argumentação dele não foi caótica. Mas teve a mesma posição que eu neste debate- todas aquela treta das caricaturas foi besta, foi provocação idêntica à do Theo Van Gogh (ninguém referia isto em parte alguma- se o Fernando dissesse isto no Blasfémias, por exemplo, ou o escrevesse em crónica ao lado da Helena de Matos e do Rui Tavares era crucificado por todos eles)

    E concluiu a mesma ideia que eu- não se analisa uma forma de conduta e a pertinência de desafios fazendo as contas às mortes das bombas depois- ou às mortes dos procadores que podem vir a morrer, mas equaciona-se todas essas basófias quando estão bem vivos e nas tintas para todos.

  316. pois. mas eu também não estou de acordo com o fernando. o ponto de vista situa-se na linha da provocação, por isso falei no vespeiro. como se as vespas, predadoras, só picassem por serem provocadas (embora sa vespas tenham uma enorme utilidade, por aí a comparação é má).

    entendo que possa ser visto com um «dar pretexto», depois usado na manipulação da opinião pública (com algum sucesso, como aqui se vê), que se vira contra a vítima (factual ou potencial) como eventual causadora de uma retaliação. só que nenhum gesto, a não ser a ameaça à vida, pode, a meu ver, ser considerado uma provocação para ameaça simétrica. com maior sofisticação, tal asserção é para mim similar àquela que antigamente se dizia da gaja boa de mini-saia: que tinha provocado o violador (isto porque dentro do preconceito que a legitimava ela “agredia” supostos “valores”). veicular esta ideia, de que qualquer acto de terrorismo é injustificável e tem causas que não podem ser imputadas a não ser a quem é por eles responsável, parece-me ser o mais importante. a discussão sobre o cartoon é lateral, mas também útil, porque revela um espaço para a interpretação e discussão. repara que se te colocasses no ponto anterior à contagem das mortes verias a palavra «provocação» de um modo completamente diferente, em que a “provocação” poderia questionar, pôr em causa, ser reprovável, suscitar artigos de opinião reprobatórios, manifestações na rua, etc. ou até ser entendida como mensagem: a do contra-senso de se matar inocentes em nome de uma figura religiosa. a iconografia sempre teve essa função utilitária.

    se se critica e se condena actos considerados desrespeitosos (e não estou a dizer que o foram) – pois que se critique e condene, dentro da mesma liberdade que os permitiu. até a pena de talião poderia ter sido invocada com mais justeza.

  317. acho que já percebi: aí está frio e é preciso trabalhar para aquecer
    aqui não, tanta coisa dá zoeira

    zazie condeno-te a dormir 10 horinhas como eu

    Ernesta: tinhas razão, eu devia ter bazado do blog uns dias, mas foi aquilo das saudades, a ver se consigo amanhã

    mas agora fico à coca

  318. Susana,

    Tu sabes ler? Eu escrevi ali acima:

    «Concordo inteiramente contigo [Valupi] em que é necessário (em nome da civilização, do futuro, da segurança ou do caneco) enfrentar os terroristas, islâmicos ou outros. Outra coisa é saber se é assim tão defensável provocá-los

    Como podes ser simplista ao ponto de dizer que o meu ponto de vista é o da «provocação»?

    É quase tão simplista como a conclusão do Valupi ao que escrevi no mesmo comentário, que agora sublinho:

    «Quando ele [Van Gogh] foi assassinado (por um miúdo marroquino, até aí aluno exemplar), a malta vociferou, e tinha toda a razão. Mas depois acrescentavam baixinho aquilo em que tinham razão também: que Van Gogh era, agindo assim, um pateta alegre.»

    Daqui concluiu ele… que eu compreendo, ou até apoio, o assassinato do homem.

    Em suma: lê-se o que convém. E eu começo a chatear-me um bocado com tanta trafulhice.

  319. «Outra coisa é saber se é assim tão defensável provocá-los.»
    foi isto o que escreveste, não foi, fernando? o que eu entendi que tu entendes como «provocação aos terroristas, islâmicos ou outros», não entendo eu como uma provocação a pessoas, mas a conceitos.

    e presumo que não tenhas lido no que escrevi essa mesma interpretação de que compreendes, ou até apoias, o assassinato do homem, fernando, pois não te considero capaz de leituras simplistas como as minhas. por isso me interrogo por que razão terás aludido a ela na resposta que me deste.

  320. Susana:

    E lixado provocar os conceitos. É isso e atacar as ideias.
    Parece que os conceitos e as ideias, quando são provocados relincham e desatam aos coices.

  321. «A actuação de Valupi a respeito de islamitas é profundamente anti-pedagógica. Valupi, sendo um interessante publicitário, e um delicioso postador, é um branco convicto da sua imensa impunidade e deslumbrante superioridade. É, portanto, intelectualmente um parvo, mas ninguém consegue desconvencê-lo. Não é como artista que actua, nem sequer como membro da elite intelectual, mas como um monótono produtor de chalaças, a quem cada vez podemos tomar menos a sério, mas por cuja sanidade mental os comentadores começam a temer. Deve ser-lhe reconhecido o direito a fazê-lo, e deve ser protegido nessa actuação. Mas Deus far-lhe-ia um grande favor se conseguisse convencê-lo a parar um processo que nos envergonha a todos.»

  322. e se a tua não era a linha da provocação, com que sentido utilizaste tu essa palavra, fernando?

    e consegues explicar qual foi a simplificação? afinal, porquê não é defensável a provocação?

    tenho uma enorme curiosidade em perceber como vais tu explicá-la pela ética e não pelo medo. até porque se dizes que a provocação é aos terroristas islâmicos no teu primeiro comentário, depois passas para os que até podem ser nossos amigos para te explicares, em comentários subsequentes, e te justificares com a ética. como não acredito que tenhas amigos bombistas, não vejo como o cartoon em questão poderia tê-los ofendido.

    agora o medo? claro. eu também. tenho dois filhos pequenos e gostarei muito que haja mundo para os meus netos.

    zazie, óbvio que não se provoca um conceito, expressei-me mal. o que queria dizer é que não são pessoas que são postas em causa, e sim conceitos. conceitos esses indefensáveis. que as pessoas que os partilham e defendem relinchem e escoiceiem não pode ser invocado para que eles não sejam postos em causa.

    lembro, já agora, que tudo o que disse a partir de certo ponto veio a propósito do teu «estão a pedi-las». que atribuí, desde logo, ao teu mau feitio, e não a uma opinião de facto.

  323. Susana:

    Sabes o que tem feito o tal sujeito que agora parece que ia ser alvo de atentado?

    Tens os dados todos na mão para conseguires a tal ligação automática entre: umas caricaturas e um livro de pedagogia para habituar os muçulmanos à tradição de sátira religosa dinamarquesa- como foi citado no jornal (tens aí em cima a citação textual); umas ameaças de morte que não vieram dos imigrantes na dinamarca; umas manifestações de rua que sucederam numa série de locais mas fora da Europa=> um plano para matar o jornalista em que se encontrava a resposta aos tais imigrantes iniciais que se queixaram na Embaixada?

    Mesmo em termos jurídicos, meramente legais, nenhum de nós possuía mais informação que um dito plano de atentado. Plano de atentado 3 anos depois!

    Três anos depois!

    Como é que faziam sentido aquelas tuas afirmações- eles têm de se adaptar às leis e costumes, tal como nós nos adatamos às deles; achas que se deve responder com bombas e ataques terroristas?

    Foi isto e o Valupi e até o Py insistiam que tudo derivava do acatamento da “lei laica”- esta da lei laica foi expressão do PY- desconheço que raio seja um código penal de lei laica.

    E foi aí que tudo patinou- porque, dando o exemplo que o MP-S deu- o Ahmed da mercearia de uma rua na Dinamarca, tu não podias legitimamente passar para a responsabilidade de ele ainda não ter percebido o sentido de humor ou aprendido capacidade de encaixe, para outros! outros! que fizeram ameaças de morte, passados mais de 6 meses e outros, supostamente outros- já que ninguém sabe que raio é que foi este plano para matar o sujeito- que foram responsáveis por um plano para matar um sujeito responsável pelas caricaturas.

    Não sabemos se responsável por muito mais, neste espaço intermédio mas sabe-se que por muito mais em activismo e militância na qual se enquadrava o tal livro de BD e para o qual foi ele que convidou os outros desenhadores a participarem.

    Onde é que está a bomba que até já tinha morto- podia estar mas só se sabe que havia plano- e onde é que esteve a liberdade de imprensa amordaçada na Dinamarca durante este tempo todo.

  324. Mas pergunto-te: escreveste algum post de indignação quando o Papa também foi ameaçado de morte por causa de um discurso académico numa universidade?

    Eu escrevi. Tive debates com muita gente. Tive uma posição muito minha- podes lê-la no Cocanha. Concluí sempre que, mais do que o discurso dele, havia e há um clima político particularmente crispado, com altifalantes mediáticos que tudo disfocam, e uma tremenda diplomacia do Papa ao agir com tacto.

    O VPV na altura, escreveu algo parecido a este tom do Valupi: que não se pode baixar, que há que enfrentar e raio de outras coisas disparatadas que, na prática dava para perguntar o mesmo :o que é que queriam- que o Papa se armasse em forcado ou pedisse ajuda ao Bush para lhes mandar umas bombas em cima a ver se aprendiam a ser civilizados e não fazerem ameaças de morte por dá-cá aquela palha?

    Pois eu dei-me ao trabalho de procurar outros discursos fortes por outros Papas. E encontrei o JPII com um mil vezes pior. Não houve ameaça de morte, não houve barulho de rua. O islão já existia, a religião sempre foi a mesma. Então o que é que mudou?

    O que é que se alterou entretanto para agora virem para a rua e antes nem saberem o que é que o Papa tinha dito ou perceberem corno do que significava ou o quem foi o Paleólogo?

    Por isso é que digo e repito. exemplo inteligente, de diplomacia- foi o do Papa.

    O resto nem diz respeito ao povo dinamarques mas a uns militantes convencidos que são capazes de “pintar os pretos de branco para acabarem com o racismo”.

    Segue os links e vai lá assistir aos debates com dinamarqueses e muçulmanos.

  325. E agora, para tirar provas e ficar tudo mais clarinho pergunto: onde é que houve mais ameaças gratuitas ou histerismo sem sentido:

    1- Numa cena derivada de pedagogia por gozo com Maomé feito bombista e outras merdas numa série de 12 caricaturas em jornal e livrinho para crianças muçulmanas aprenderem estes gozos da boa da tradição de sátira à dinamaruqesa- como disseram em declarações no Jornal;

    2- Um discurso académico, perfeitamente fechado, onde o Papa teorizou de forma muitísismo elaborada, incapaz de ser entendida por homem de rua (cá a mair parte dos doutores nem sabiam quem era o Paleólogo)
    e a ameça de morta que se segui?

  326. Quem foram os autores das mesmas ameaças?

    O problema deles é ainda não serem capazes de acatar as tradições dos países que os recebem nem a semântica da troça e da sátira?

    Quem foi o autor da ameaça de morte ao Papa? alguém diferente do que fez a ameaça de morte aos jornalistas?

    Se tivesse chegado ao ponto de haver plano desmontado, também se vinha para a rua a dizer que o chefe da Igreja católica estava amordaçado no seu direito de liberdade de expressão e que isso era derivado do mesmo mal- não se habituarem ás nossas leis de democracias e Estado de Direito?

  327. Pergunto isto porque me fartei de ler por aí que o Papa nunca devia ter feito aquele discurso provocatório numa universidade.

    Apenas por isto. E não fui eu quem o disse.

  328. Mas, a ver se entendes de uma vez por todas: no caso do Papa nunca disse que “estava a pedi-las”.

    E percebes o motivo, porque não disse, ou é preciso voltar ao início de tudo destes 400 comentários e explicar que uma coisa é uma provocação bem direccionada a imigrantes e nada inocente- em forma de poder sobre eles, chamando a isso pedagogia de integração e a outra uma crítica teórica sem panfletos de rua e sem visar nenhum achincalhamento de nenhuma crença mas antes uma leitura histórica de momentos demasiado parecidos com os que vivemos?

    Percebes que a aproximação popularucha e barata não foi feita pelo Papa mas pelos jornalistas? e percebes que quem é capaz de “traduzir para a rua árabe” e acirrar ânimos são os mesmos?

    Percebes que o Papa não desafiou nem repetiu o discurso, antes o explicou de forma a que os megafones entendessem que não era sua intenção fazer comparações desrespeitosas em relação a Maomé?

    Percebes que esta reedição dos cartoons foi precisamento o oposto? E que foi feita de forma gratuita na qual não há obrigatoriedade de nenhum povo ou governo ficar colado à pirraça?

  329. Fernando, não sei se apoias o assassinato de alguém. Admito que não, pois nada do que escreveste o permite pensar. Sei, porém, que a construção do teu comentário termina com a conclusão de que o crime de que foi vítima Theo se explicava – em parte, claro, mas exclusiva no teu texto – por ele ser um “pateta alegre”. O facto de terminares assim a tua intervenção estabelece o conteúdo do pensamento veiculado. E não há aqui lugar a qualquer dúvida em relação à causa que consideras decisiva para o acontecimento, visto que não falaste de mais nenhuma.

    Tu vieste dizer que os terroristas não deviam ser provocados. Posto que me dirigias a mim essa informação, estavas a pressupor que eu teria defendido, algures, que os terroristas deviam ser provocados. Tal ideia é absurda, por várias razões evidentes. E depois deste um exemplo concreto, de um fulano que provocou alguém, um grupo de crentes, e que morreu por causa disso.

    A seguir não entraste em diálogo com as minhas razões, antes moralizaste a questão. E até invocaste o Senhor por eu ter dito que a pessoa Theo cumpria um papel que podia ser útil nesta problemática. Quanto a saberes o porquê da minha opinião, batatas. E assim nada discutiste, só te emocionaste. Caso de zazienite aguda. Sim, é coisa para te chateares.

  330. zazie, não creio que haja um problema de entendimento entre nós. podemos entender tudo o que a outra disse e continuarmos em desacordo. já aconteceu a muitos intelectos superiores (não é o meu caso, pairando até a dúvida de que eu saiba ler). fica a discussão como proveito. acontece que não é apenas um problema de análise, mas também de consciência, no sentido lato. como tudo, a não ser que fossemos ambas behaviouristas, fazendo eu então a pergunta: foi tão bom para mim como para ti?

  331. Susana,

    Eu não vim aqui para me defender, mas parece que não há remédio. Faz-me o favor de voltar a ler (faz lá esse jeito) o que eu escrevi exactamente. Foi isto, que novamente transcrevo:

    «Concordo inteiramente contigo [V.] em que é necessário (em nome da civilização, do futuro, da segurança ou do caneco) enfrentar os terroristas, islâmicos ou outros. Outra coisa é saber se é assim tão defensável provocá-los

    Que é que – diz-me por favor para eu entender – te impede de ver que a ênfase está na inteira concordância com o princípio de enfrentamento, e que, só depois de afirmado isto, é que se fala, e ainda por cima em termos hesitantes, em «provocar»? Como podes, então, resumir o meu ponto de vista num retórico e insinuativo «se a tua não era a linha da provocação»?

    Como se não bastasse essa selectivíssima, e tendenciosíssima, abordagem, ainda ajuntas algo que para mim é inaudito: «Como não acredito que tenhas amigos bombistas [leia-se: como acredito que os teus amigos marroquinos não são bombistas], não vejo como o cartoon em questão poderia tê-los ofendido».

    Susana, que é para ti mais importante: que tu «não vejas», ou que os meus amigos se tenham, efectivamente, e profundamente, sentido ofendidos?

  332. Por mais voltas que dê a este comentário de FMV, não vejo nada, mas mesmo nada, que mereça ou precise ser revisto.

    O molho do meu agrado está todo no ênfase do enfrentamento com os descontos para a Caixa normalmente estipulados por Lei. Nunca irá a destinatária encontrar na epístola admoestadora de FMV uma simples molécula de matéria que lhe alivie a dor enorme que agora deve sentir por ter dito coisas no ar só porque um dia viu um filme de neo-realistas italianos donde sacou o revolucionário princípio de que as as mulheres também direito a uma opinião porque têm uma boca como toda a gente.

  333. bazar ma non troppo,

    «O ódio e o remorso, eis os dois inimigos fundamentais do género humano.»
    Espinosa, Breve Tratado, primeiro diálogo,

    ” Todas as maneiras de humilhar e de triturar a vida, todo o negativo, têm para ele duas origens , uma voltada para o exterior, e outra para o interior: ressentimento e má-consciência, ódio e culpabilidade. (:::) Estas duas origens, ele não deixa de denunciá-las como ligadas à consciência do homem, só podendo desaparecer mediante uma nova consciência , sob uma nova visão , com um novo desejo de viver.”

    pag. 19, Espinosa – Filosofia Prática, Giles Deleuze, Escuta, S. Paulo, 2002 (Les Éditions de Minuit, 1981)

  334. fernando, eu sei o que disseste na primeira frase. acontece que o que disse foi na resposta à zazie, ao apelo de que lesse o que disseste no que explicitava o seu ponto de vista. assim, foi a tua componente hesitante aquela com a qual não concordei. fico contente por saber que consideras essa parte despicienda, dado que concordo contigo. e também por não encontrares outra resposta às perguntas que te fiz se não essa em que questionas as minhas capacidades de leitura, devolvendo-me as perguntas. se os teus amigos marroquinos se sentiram ofendidos com o cartoon em causa, eu compreendo; mas não terão eles em simultâneo sentido a maior ofensa vinda daqueles que usam o seu profeta para tais atrocidades? não terão dito por causa daqueles cabrões temos ali o nosso profeta aviltado nesta associação? porque essa é a reacção expectável.

    chico, enganas-te, eu só vejo blockbusters.

  335. Ok, Susana:

    Se não foste capaz de responder desta vez, a um único argumento que eu enunciei, e ainda te escapaste com a comparação clarinha que eu fiz em relação à ameaça ao Papa, agora sou que posso afirmar:

    Não debates, escapas a toda a argumentação que te é apresentada; não és sequer capaz de sustentar o que supostamente seria o que achas que está certo- pois nem isso formulas de modo legígel; e terminas a dizer que é tudo uma questão de “consciência”.

    Desconfiaste que a tua consciência tinha mais razão que a minha. Achas talvez que a minha “consciência” até posso cheirar-te a algo suspeito.

    E é assim- por apalpar “consciências” que consegues teorizar acerca de uma questão que não me diz respeito a mim, nem a ti, mas a uma defesa teórica de um post.

    Eu critiquei a ideia que o post transmitia. Concuí que o Fernando Venãncio, em poucas palavras, conseguiu resumi-la de forma límpida.

    Não deduzi daqui qualquer apalpanço de alminhas, porque não existem consciências em debate mas formas de actuação que se defendem ou que se condenam considerando-os irresponsáveis.

    Tu queres a componente não hesitante do Fernando como querias a minha componente não hesitante face a apoios de terrorismo.

    E aí, então, só resta dizer uma coisa_ tu és parvinha, e é bem melhor que sejas apenas parvinha sem capacidade teórica.

    Porque se tivesses capacidade teórica para ler as pessoas e entendido toda a argumentação, então o que estavas a dizer é que era muito cretino- estavas a concluir que algum de nós até defendesse actos terroristas.

    Um pouco mais e éramos apoiantes do terrorismo mundial- o Valupi disse-o em relação a mim_ v.s ficam de fora, porque t

  336. Susana,

    Sim, os meus amigos envergonham-se (e isto é, em ambiente muçulmano, um sentimento que vai muito fundo) por os terroristas agirem em nome do Islão. (E não venhas pedir-me que exija mais deles. Não sou fanático da ética).

    Mas não é tudo. Entre os meus amigos (e generalizando, entre o povo berbere, a maioria populacional de Marrocos), não são poucos os que, psiquicamente dilacerados, porque infelizes com a islamização de que são vítimas, acabam por defender o Islão contra o que consideram ofensas a ele vindas do Ocidente.

    Duas filhas-da-putice. Espero que concordes. Mas que não me suspeites de conluio, ou compreensão, com o terrorismo, como me aconteceu aí acima. Só os fanáticos não sabem conviver com as meias (e as quartas, e as décimas) verdades.

  337. Outra coisa:

    Logo no início também entraste em bruxaria ou telepatias e disseste que eu, para além de não ter razão (coisa que não és capaz de demonstrar- em relação a ninguém- nem andaste no debate) tinha a mania de nunca admitir que podia estar errada.

    Eu explico-te: eu posso estar errada e tu teres a razão toda, ainda que não consigas explicar porque motivo é que isso está certo, sucede que se eu trocasse os meus argumentos pelos teus, para te dar razão, então era parva. Porque ia trocar algo que consigo sustentar por algo que nem compreendo.

    E isto serve para acrescentar que também não tenho os dados todos- e muito menos v.s os apresentaram- os dados que faltavam e era bem mais pertinentes- eram os factos e uma bom “retrato” daquele jornalista, do que ele faz para além das caricaturas que saíram há 3 anos; e da comunidade muçulmana dinamarquesa.

    isso sim. isso daria mais informação para se perceber uma coisa que ninguém aqui enunciou- porque é que isto só aconteceu na Dinamarca e nunca aconteceu noutro país com milhares de imigrantes muçulmanos. Com 10 vezes mais de imigração?

    Porquê?

    Qual é o clima social entre dinamarqueses e muçulmanos, ou qual é o clima particularizado entre essa comunidade e este activista. Até porque a ameaça era apenas para ele, não foi para todo o jornal.

    O que se passará por lá? Para além dos dados que já são públicos e que traçam uma ponte (inclusive de exemplos práticos com livros de BD e chalaças “pedagógicas”) entre este senhor que foi ameaçado e o Theo Van Gogh que acabou por ser morto?

    È que na holanda não andaram a matar indiscriminadamente jornalistas nem “brancos”. E na dianmarca não havia informação de também já terem racaille como em França.

    Porque é que isto se centrou em 2 pessoas com práticas semelhantes?

    Será que essas práticas são as tais úteis e boas para a boa convivência social, como tu e o Valupi e defenderam?

  338. zazie, de facto eu considero-te apoiante do terrorismo internacional, mas dentro destes parâmetros:

    – apenas me reporto ao que o pseudónimo digital “zazie” revelou nesta discussão, nada afirmando da pessoa, ou pessoas, que utilizem esse pseudónimo; nem me referindo a outras conversas onde esse mesmo pseudónimo apareça a combater o terrorismo internacional.

    – e considerando “apoio ao terrorismo internacional” essa forma que apresentas de boicotar uma discussão.

    O apoio está nisto de se impedir um diálogo que ajude a lidar com uma questão que é complexa e melindrosa; para mais para portugueses, seres que não estão habituados a pensar.
    __

    Fernando, se naquilo que dizes à susana – “Mas que não me suspeites de conluio, ou compreensão, com o terrorismo, como me aconteceu aí acima” – está o endosso para o nosso diálogo, inclui-te no que escrevo acima para a zazie.

  339. Ok, meu, Se tu achas que eu sou uma apoiante do terrorismo internacional- e nem vou agora perguntar de que terrorismo és tu apoiante- cuida-te- pode saltar-e uma bomba de dentro do monitor.

    Mas, se tivesses uma unhinha mínima de honestidade nessa cabeçorra vaidosa que usa estes postes como quem está a fazer um jogo de computador e quer ganhar a todos, então eu obrigava-te a explicares, até às últimas consequências, em relação a todos os actos terroristas em torno do fanatismo islâmico- quando e como é que eu alguma vez estive um milímetro que fosse, perto da sua defesa.

    Mais: quando é que alguma vez, até por burrice ideológica que muita gente tem- vim para a rua ou fiz fwds demagógicos daquelas cartas abertas ao Bush do Mia Couto ou do Garcia Marquez.

    Quando é que alguma vez eu andei de lenço de Arafat ao pescoço (teoricamente) ou acabei em tribalismos do choradinho dos coitadinhos dos terroristas que se defendem como podem, já que também há terrorismo de Estado.

    Quando, meu grande caralho?

    (o meu grande caralho, também é apenas dirigido a um nick, não à pessoa que está por trás desse nick, a quem desejava que essa grandesa até fosse muito útil no lugar certo- não em masturbações de paleio demagógico)

  340. zazie, qual é a parte de “O apoio está nisto de se impedir um diálogo que ajude a lidar com uma questão que é complexa e melindrosa” que tens dificuldade em entender?

  341. zazie, eu não respondi às tuas perguntas porque 1) não escrevo por encomenda. era o que faltava ter que responder a todas as tuas questões periféricas; 2) não tinha tempo nem vontade de ler tudo o que escreveste – que é muito.

    quanto à história do papa, se fazes muita questão, e sem saber exactamente o que perguntaste (como te disse, ontem cheguei a um ponto em que preferi o meu sono a repetições soporíferas) – supondo que te referes ao cartoon do papa com o preservativo, de que aqui se falou algumas vezes:

    a igreja tem os seus postulados. antes de ser contra o uso do preservativo, a igreja é a favor da contenção sexual e da procriação como motivo da interacção sexual. se eu não sigo os ditames da igreja neste campo, porque hei-de segui-los na recomendação contra o preservativo? é que não faz sentido reclamar por a igreja estar contra o uso do preservativo. o cartoon tem a função de criticar, mas também a função pedagógica de dizer aos crentes ignorantes e incapazes de raciocínio que a sociedade está do lado deles, que defende o seu uso. como católica diria: ignorantes, não sabem o que dizem. como não católica estou-me a borrifar e acho o cartoon um pouco ridículo.

    indo à última questão, a da consciência. tive o cuidado de acrescentar «no sentido lato» para demitir essa interpretação da questão de consciência como postura ética. aludi à consciência como matéria da identidade, da subjectividade do indivíduo, da primeira pessoa. pensei que a alusão aos behaviouristas contribuiria para esse esclarecimento pois, como sabes, para estes há só uma resposta possível e a experiência subjectiva, assim como a consciência individual, não existem. não existindo, portanto, a possibilidade da coexistência de pontos de vista diferentes e válidos.

    e sempre disse que a vantagem de eu ser parvinha é poder dizer as parvoíces que quero sem perder a coerência.

  342. Se tu não fosses desonesto e até tivesses entrado no debate e respondido de forma honesta aos contra-argumentos que te foram apresentados, ainda valia a pena.

    Agora assim não. Assim é como com a Susana- deixo-lhe um exercício comparativo entre as ameaças ao Papa e as que foram feitas aos jonalistas e ela passa, por cima diz que não responde, como não respondeu nunca a todas as perguntas que sistematizei. E apenas para concluir, tal como tu, de forma gratuita e taralhoca- que sim, é cá uma questão de consciência.

    A consciência mandava-eu enfiarem-no no lugar que cá sei. Até porque, se tivessem tomates para argumentar em vez de demagogia e desonestidades intelectuais- eu até ia buscar longas porradas teóricas qeu tive- uma delas com aquele vaidosão dos jonais- o FMS ou lá como se chama e outras com o FNV do Mar Salgado. E mil outras com os defensores da tal relativização moral de tudo, porque tudo pode ter a sua explicação.

    Se queres um exemplo prático eu dou-to, Já o tinha escrito no BdE e vou agora escarrapachá-lo inteiro e com os nomes dos bois:

    Quando se deu o ataque do 11 de Setembro, houve uma festarola de comemoração, com champanhe a grandes brindes na Associação Abril em Maio. Tenho 2 amigos que foram convidados sem terem percebido ao que iam. Passaram por minha casa mas eu não estive para isso, sem sequer saber que raio de festarola é que os de Abril em Maio iam fazer.

    Pois bem- a dita festarola com champanhe e pejada de personalidades públicas, consistiu precisamente nisso- em brindes de alegria pela pontaria dos terroristas que mataram todos aqueles vips sacanas de americanos.

    Uma das promotoras do evento foi a Eduarda Dionísio.

  343. zazie, por isso eu fui tão claro, como tenho sido sempre desde o princípio, há anos: aqui lido com pseudónimos digitais, com fantasmas. Seria inviável, para mim, deixar que os dois planos se confundissem, pois isso tornaria as interacções impossíveis. Eu aceito que por detrás de “zazie” esteja uma pessoa, pois não te concebo como máquina. Mas eu não tenho nenhuma ideia de quem seja essa pessoa, e não sofro por te desconhecer na tua dimensão de pessoa. Basta-me o agrado, o proveito, que o pseudónimo digital “zazie” introduz na minha experiência blogosférica.

    Agora, é inevitável que o comum dos participantes (que não eu, que sou um cromo blindado) se deixe atrapalhar e comece a interpretar pessoalmente as interacções que se desenvolvem com base em blocos de texto, curtos ou longos, onde a falta de tonalidade leva às mais disparatadas reacções emocionais. Isso não é nenhuma novidade, existe desde que existe a Internet e os emails, e há muita literatura científica sobre o fenómeno.

    De ti espero que reconheças o modo absolutamente desvairado como entraste na conversa, as barbaridades que disseste, e as consequências para a racionalidade da discussão. Claro que me divertes, mas o aspecto lúdico não me baralha as ideias.

  344. Tens aí a bomba do Abril em Maio, tinhas todos os meus textos na Blogosfera, desde o Pastilhas até agora.

    Nãp houve um único acontecimento destes em que não me tenha pronunciado e todas as minhas posições têm sido consequentes.

    Certo é que, isso admito, são posições demasido difíceis de “arrumar por etiqueta”. Mas isso também eu o sou- difícil de catalagar.

    Daí que, por vezes sucedam as tais contradições para quem acha que já me arrumou numa qualquer fantasia ideológica: quando estão à espera que eu dê o soco com a mão direita, saco da esquerda anarca.

    Neste caso de terrorismo e fanatismos até é bem simples- faz tudo parte do pavor que tenho a todos os fanatismos- posso cair no senso-comum ou no bom-senso com falta de idealismo e bem pragmático e realista- agora fazerem-me aquecer a cabeça com “grandes causas”; incluindo esta “grande causa” da defesa da liberdade de insulto” e mais umas tretas de palavras vazias, nunca.

    Eu tenho os pés na terra e penso sempre para que é que isso serve. E acho que a estupidez é muito perigosa. A estupidez é que é capaz de defender questões inúteis sem delas sequer retirar qualquer ganho,

    O teu grande erro nesta história foi teres universalizado tudo- de um caso que conhecemos mal fizeste um universal- terrorismo- jonalistas- liberdade de expressão- não podemos admitir já ter chegado ao ponto de serem os terroristas a impedirem-nos de dizer ou escrever o que quer que seja que eles achem que toca em cenas sagradas.

    A questão com o Papa andou lá perto.

    Por isso é que achei que teria sido a comparação mais pertinente. Quando é que se evita e o que é que se evita; em que é que deve haver firmeza intransigente; no que é que nada tem a ver com firmesa mas alimentar de outras pancadas de outros fanatismos que também costumam andar á boleia.

  345. Claro que com a Susana não vou responder porque ela não respondeu. Eu deixei um exercício simples de uma ameaça ao Papa pelo que ele disse numa comunicação universitária e depois, qual a resposta que deu face à mesma ameaça de morte.

    Ela vem com os prsevativos e mais toda aquela cartilha decorada da tal tabela periódico com que agora se faz a cabeça das pessoas.

    Não vale a pena. Mas esse é outro problema- a substituição de valores simples- esses sim éticos e passíveis de serem universalizados- dos quais podemos fazer uma bitola de conduta- por modas de palavras politicamente correctas e uma série de truques de dialéctica erística.

    Por isso é que também me sinto extra-terrestro com “análises à Côncio”. Essa até é capaz de bater no peito e fazer meas culpas para exorcizar qualquer suposta fobia má que possa ter lá dentro. E isso é que é outra forma de patologia de verbo- a tal ideia que o bom e o que é correcto- consiste numa cruzada para virar a natureza do avesso de todo o mundo, de forma a que a sua “consciência” possa sempre ser detectada pelas brigadas de inspecção e de denúncia- sacando sempre da tabela deles- verificando se as palavras preenchem os requisitos ou se houve por ali alguma palavra proibida que desafia a liberdade obrigatória de todos serem livres de dizer o que os ilumninados estabeleceram que é livre.

    E`a tal síntese de que o que não é proibido é obrigatório. E esta militância de “lavagem pela sátira religiosa” aproxima-se demasido do mesmo- por isso é que está bem para lá de se dizer que são gajos de extrema-direita ou de esquerda- houve até quem mostrasse na blogo que a dita organização nem é de extrema-direita- são outra coisa- outra coisa à fenómeno Theo e era isso que valia a pena que os jornalistas se dessem ao trabalho de investigar e estudar, de forma a que a informação não se ficasse por tão pouco- caricaturas há 3 anos- jornalistas- fanáticos islâmicos- imigrantes- plano de bomba 3 anos depois.

  346. zazie, tu continuas mais interessada na trip egóica, onde te lambuzas na imagem que fazes de ti e, por isso, não te assumes responsável pelo que escreves. Nesta conversa tens escrito parvoeira de alto a baixo. Obviamente, assim não puxas carroças.

    O post congratula-se por uma decisão colectiva da imprensa dinamarquesa, e à qual outros jornais se juntaram em diferentes países. Esse gesto é um protesto pela descoberta de um plano para assassinar um dos autores das caricaturas. E o modo como esse protesto se consubstanciou foi a republicação das caricaturas. Porquê? Porque representa o que está em causa: o direito a que na Dinamarca alguém faça uma imagem de Maomé, sem que por isso tenha de ficar sujeito a uma pena de origem religiosa.

    E depois, o que deveria ser óbvio para todos: que quando se tira a vida, ou se ameaça tirar a vida, não há qualquer razão atenuante. Ora, se releres o que tu escreveste, vais constatar que a tua postura é infame. E faz este exercício: separa o que escreves do que tu és – não te faças vítima de ti própria. Porque tu tens direito a errar e a disparatar, por mil razões. Foi essa tua postura que originou as subsequentes intervenções.

  347. ò Valupi, tu não mereces resposta. Tudo o que havia a dizer já foi equacionado, de forma cristalina, pelo Venâncio.

    Não vou agora repetir as palavras dele nem a exlicação que ele te deu- de tu avaliares a pertinência de actuações que nós consideramos inúteis e até perigosas, com as possveis consequências de uma morte.

    Porque tu queres fazer validar uma prática pelo resultado a que essa prática pode levar.

    E nós não precisamos de dizer que esse resultado é uma absoluta imbecilidade, uma maldade intolerável que nunca, em caso algum, deveria ser tomada por justiça de resposta à dita imbecilidade que se fez.

    Simplesmente, aquilo a que nem o Fernando nem ninguém que andou por aqui a refutar-te disse, é que o que esteve em causa foi a liberdade de imprensa na Dinamarca, E mais, que a pedagogia dos jornalistas, que não são apenas jornalistas, é algo a ser seguido, tendo por fim o que tu defendes- uma política de integração dos imigrantes islâmicos nos nossos costumes.

    Isso e´que está tudo errado. Como estão erradas as informações das ameaças que não vieram de imigrantes, como continua a estar sem resposta- porque nem tu o disseste ou te pronunciaste-

    em que consistiu este plano. E mais, perante o desmantelar de um tal plano que nem as autoridades oficiais deram detalhes, nem ninguém reinvindicou a razão de ser- por suposta resposta às tais caricaturas de há 3 anos- o que pensas da lei dinamarquesa e do que já anunciou:

    Que tudo o que é imigrante suspeito de estar envolvido no plano, vai ser expatriado, por ser persona non grata- só terá direito a permanecer o dito envolvido que já está naturalizado.

    Suponho que só vão aplicar estas medidas depois de julgamento e prova em tribunal, claro, mas o que eu disse, e´que aqui sim, aqui se podia havaliar se a Dinamarca tem ou não tem leis firmes que possam dar as respostas mais fortes a toda e qualquer ameaça de terrorismo desde que não se escapem.

    E isto é que teria de ser avaliado. Eu não tenho grande opinião formulada mas tenderia mais facilmente para apoiar estas leis dinamarquesas, que parecem duras, que para as ingleses que impedem que terroristas confessos sejam mandados embora.

  348. Mais, aquela tua boutade do Voltaire que também andou por aí em abaixo assinados, é um perfeito tiro no pé. E é estranho como nem disto te apercebas.

    Ou, se calhar não é estranho- cá para mim tu até podias ter feito um post a dizer o contrário que tinhas argumentos para o defender- assim à Marcelo.

  349. Agora acho-te piada à escolástica- é um facto que és duro de roer em matéria de argumentos escolásticos.

    Parecido só conheço o João Miranda. outro qeu gosta de fazer posts para jogar jogos de computa com os leitores. Mas, é um facto que o João Miranda faz menos demagogia e até consegue responder taco a taco a tudo o que lhe é contraposto. Não faz floreados retóricos nem fugas para a frente à custa de catalogações fulanizadas de intenções de cada um.

    Nunca diria- tu és moralmente responsável pela morte de não sei quem e de todos os actos de sharias de todos os fanáticos islâmicos.

    Isto só o pode dizer um descabelado emproado e sem grande capacidade de argumentos.

  350. zazie, não respondi a essa, não a considero relevante para perder tempo.

    a não ser que apareça algo de novo à discussão não tenciono gastar mais tempo com ela.

  351. “Senhor, sou contra tudo o que vossa senhoria disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dize-la”

    Isto foi dito a quem o estava a contestar- em termos de ideias- e o que ele disse é que lutaria contra todo o poder que impedisse que o adversário o contestasse.

    Tens aqui um brilhante exemplo que se aplica que nem uma luva e que separa já as águas de imigrantes e donos de jornal que fizeram as macacadas bem que entenderam, sem qualquer poder governamental a impedi-lo, e onde não existiam ideias a contrapor a quaisquer ideias:

    ( a bold a passagem que importa comparar)

    Da crónica do crónico Miguel Sousa Tavares, destaco hoje uma passagem deveras judiciosa:
    “Ora, o que António Costa vem agora dizer [sobre o facto, apontado por Costa, de Público andar numa cruzada pessoalizada, contra o excelso primeiro-Ministro, por causa da Opa frustrada da Sonae] desmente tudo isso e reduz as juras do Governo ( de que ele era então o nº2) a um exercício de conveniente hipocrisia. Se ele admite que Belmiro de Azevedo teria razões para se querer vingar do Governo por causa da Opa é porque confessa que o Governo teve papel decisivo no desfecho do caso.”
    Nunca tive grandes dúvidas sobre as capacidades intelectuais de António Costa, para chefiar partidos ou governos. Mas esta observação judiciosa de Sousa Tavares, confirma-o: um bluff. Outro bluff, aliás.
    A propósito desta novela, no editorial do Público, citado pelo Expresso na página ao lado da crónica daquele MST, vem o seguinte bocado: ” António Costa proferiu afirmações que ultrapassam a grosseria e rivalizam com o teor soez dos blogues anónimos animados por assessores do Governo.”
    Ora bem. Essa dos “blogues anónimos animados por assessores do Governo” assenta que nem luva no blog do Abrantes e estou convencido que é para aí que se dirige a boutade. Não linko o blog em causa ( que não é nossa, mas é outra, particular, de apaniguado), porque não é preciso . Ele vem cá espreitar ( e eu farei o mesmo…).´
    Acontece que acredito piamente que o Abrantes é apenas o Abrantes, assessorado por eventuais assessores. Ou seja, o Abrantes não passará nesse caso, de um testa de ferro, o que empresta um ar cómico a esta situação: um blogue pretensamente anónimo, em prol desta governança errática, animado por um indivíduo que apesar de ser real, é tomado por avatar…
    Tragi-cómico, nesta pequenina mesquinhice politiqueira.
    Abrantes! Já sabes: se precisares de alguma coisinha em prol da defesa da tua liberdade de expressão, tens aqui um d.quijote, um d´artagnan de pacotilha, um paladino da dama que defendes e que é a possibilidade de continuares a debitar disparates!

  352. A mim, toma-me a mesmíssima impressão que tão bem formulada foi pela Zazie: de o Valupi estar aqui num jogo de computador, podendo o ponto de partida ter sido este ou o absolutamente oposto.

    Essa impressão é a expressão possível da admiração que ambos, ela e eu, temos por ele. É, portanto, elogio em estado puro.

    Outra coisa é se me/nos apetece voltar a entrar na partida. A mim, não.

  353. Valupi,

    Eu disse-te, duas, três vezes: Pára, por favor. Trava essa deriva fundamentalista em que te afundas.

    Mas tu nada. O jogo tinha-te inteiramente em seu poder. Tudo quanto eu, ou outro, te dissesse, convertia-lo (e este é o diagnóstico para o delírio) em novos pontos que tentavas marcar. Estavas literalmente incontactável. Um autêntico adolescente diante do ecrã.

    Agora que sei que só conto (que só contamos) para alimentar-te a divina euforia do jogo, vou furtar-me a participar.

    Não vejo enigmas. Supores tu enigmas no que eu digo é… lá está, aliciar-me a prosseguir o jogo. És imparável.

  354. “quando se tira a vida, ou se ameaça tirar a vida, não há qualquer razão atenuante”

    Com isto estou de acordo, tiremos dai’ as consequencias.

    1) Quantas vidas teem sido vitimas de decisoes politicas ocidentais (pelo mundo inteiro) sem justificacao nem atenuante? Que responderiam v. excelencias se lhes dissessem que deviam respeitar a sociedade de direito, cujas normas os nossos governos ocidentais teem violado consistentemente pelo mundo fora durante decadas?

    2) Terao estes factos alguma relacao pertinente nas razoes que levam cidadaos muculmanos normais a tornar-se tolerantes (nao digo tornarem-se terroristas) para com o terrorismo? (e’ que se, por exemplo, fossemos vietnamitas, ou palestinianos, ou iranianos, … temos muitos exemplos vividos de accoes terroristas praticadas pelos poderes ocidentais nas ultimas decadas)

    3) Se for esse o caso, nao estaremos a dar tiros no pe’ ao repetir ate’ ‘a exaustao que os tipos nao sao modernos, nem cosmopolitas e ‘cool’ como nos, enquanto ignoramos (ou prestamos, em termos relativos, pouca atencao) aquilo que sao as razoes deles — as especificadades culturais, sociais, psicologicas, etc. Nao seremos percepcionados como mestres da hipocrisia e, desse modo, nao estaremos a descredibilizar a democracia, os direitos humanos, a sociedade de direito?

    4) convinha entender se nao estarao a fazer o jogo que interessa ‘as minorias radiacais muculmanas e ‘a extrema-direita ocidental quando veem interpretar o terrorismo muculmano como um fenomeno civilizacional e cultural em vez de um terrorismo com objectivos politicos muito bem definidos tal como o terrorismo domestico que assolou a Europa nos anos 70.

    5) convinha reprtir que, apesar de tudo, e’ mais provavel no Ocidente morrer num desastre de automovel do que vitima de terrorismo. APenas para manter a nocao das proporcoes.

    Eu costumo gozar com a expressao ‘win their hearts and minds’, mas tambem nao e’ preciso fazer exactamente o contrario.

    (Que o terrorismo nao tem justificacao possivel e’ tao evidente que ate’ parece anedota andar ‘a volta disso ao fim de 400 comentarios. )

  355. pois eu também acho, mas vá lá que rende muitas kpk’s

    já sabíamos que as gajas dão mais kpkk’s que os gajos, sobretudo com clamídias, que é uma variedade de tulipas assim a modos que a puxar às hortenses

    agora bombinhas é o máximo!

    zazie, aquela citação de Spinoza que pus foi a pensar nos terroristas islâmicos, e outros, não foi em ti

    e amanhã ponho outra certeira mas para eles, também

    e tem lá em cima um z que não sou eu, ou então já me esqueci

    bem, agora vou dar ao pinto

  356. Fernando, tomo como certo que por “deriva fundamentalista” te estejas a referir a algum pedaço, ou ao todo, do que exprimi em diálogo contigo. Mas posso estar enganado e que a expressão abarque ainda outros comentários, quiçá o próprio post. Talvez não o venhas a explicitar, mas se vieres terás aqui um leitor atento.

    Quanto à noção de jogo, de pontos, de delírio e de adolescência, fica registado como uma surpreendente curiosidade relativa à tua experiência.
    __

    MP-S, há uma característica comum a todas as tuas intervenções: fico com a ideia de que te imaginas no portão da embaixada dos EUA, cheio de entusiasmo comuna. Nada contra isso, claro.

  357. Olha, os compadres e as comadres zangaram-se. E agora, Aspirina, vais implodir?

    A zazie abusou da coca (nhanha?) e está destrambelhadinha de todo, ainda que tenha dito praí 6,39% de coisas aproveitáveis, o que é de registar. O Valupi está teimoso, obstinado – gambler, de facto, mas sempre a perder, sem emenda, até à derrota final. O post é francamente mau (ultimamente tinham sido bastante bons), mas ele tenta aguentar o barco, não é de fugir às responsabilidades. O fmv está em forma, subiu na minha pontuação privativa com a sua perspectiva coerente e lúcida, corajosa também. Será só por amor dos amigos marroquinos? O z está noutra, não pertence aqui, mas isto dá-lhe um ersatz virtual de família. A susana está chatinha, tem medo dos árabes. O mp/s, que raio de pseudónimo, também disse aqui umas coisas aproveitáveis, menos algumas que o Valupi apontou.

  358. Nik, explica lá essa de o post ser “francamente mau”. E que consideras tu ser a minha “derrota final”. Trazes embrulhos cheios de cor e fitas sedosas, tempo para os abrir.

  359. A caminho dos 500 comentários, já não há nada mais para explicar. A minha apreciação é subjectiva, é minha e não tem fitas de seda.

    Mas há ainda a floresta para além da copa do Aspirina. Por esemplo, a discussão académica, fria, fundada, tentativamente objectiva. Tenho dois artigos em inglês, entre dezenas que têm sido publicados, que posso enviar a quem quiser, mediante endereço email. Um de Ana Belen, espanhola, da Universidade de Granada: “As caricatures dinamarquesas vistas do mundo árabe”. Outro dum dinamarquês, menos interessante, porque demasiado condicionado, mas comparativamente isento, “The cartoon controversy: Offence, Identity, Oppression?” Algué quer?

  360. Ah, então nada tens para dizer. Pois, era do que eu suspeitava.

    Quanto a esses artigos, agradeço, mas passo. Já agora, lembro, ou recomendo, o artigo do Pedro Magalhães, no Público de hoje. Nada como a objectividade da ciência para colorir o subjectivo inefável.

  361. Nik: se algum deles tiver informação detalhada acerca do Kurt Westergaar, quero. Mas isso já é outra história- interessa-me toda a aproximação às motivações dele e do grupo.

    o mail está no cocanha- na coluna lateral, onde diz zazie

  362. Outra coisa, Nik, o que dispenso são opiniões, palavra. Nos próximos tempos ainda vou andar a livrar-me deste banho de “opiniões”

    ahahahahahah

    Fontes, fontes, declarações do sujeito e um bom retrato daquele grupo, é tudo. E já é muito. (o retrato dos muçulmanos não tem grande importância porque nisso há-de ser igual, o que quero é entender mais umas coisas que já entendi, por fontes, acerca da tal “integração de imigrantes muçulmanos por sátira religiosa feita por ateístas militantes”.

  363. Não li o Pedro de Magalhães, mas aposto que vale a pena. O Belmiro não oferece esses textos, eu não lhe compro o jornal, a coisa não tem remédio. Só leio o PM quando vou a um certo tasco almoçar e calha no dia de ele escrever. Ele põe depois os artigos do Público em
    http://www.outrasmargens.blogspot.com
    mas demora um tempo.

  364. então e a propósito dos terroristas islâmicos, e outros, cá na minha opinião isto encaixa bem:

    “É que a paixão triste é um complexo que reune o infinito dos desejos e o tormento da alma, a cupidez e a superstição.(…) O tirano precisa da tristeza das almas para triunfar, do mesmo modo que as almas tristes precisam de um tirano para se prover e propagar. De qualquer forma, o que os une é o ódio à vida, o ressentimento contra a vida. A Ética (it.) traça o retrato do ‘homem do ressentimento’, para quem qualquer tipo de felicidade é uma ofensa, e faz da miséria ou da impotência sua única paixão.”

    Deleuze, pag. 31, op. cit.

    ————–

    já agora, e sobretudo para ti, zazie, eu não sou ateu, o mais das vezes digo-me agnóstico para não me chatearem com perguntas, mas realmente tenho uma pata na transcendência, agora é coisa de tal forma desformatada que só fica a linha da beleza e um silêncio. Quanto ao maomé: ninguém me vai conseguir fazer gostar dum político implacável, um manipulador exímio, devidamente amparado por mulheres ambiciosas (ele era ‘laroca’), que manda matar uma poetisa que dormia só entre os cinco filhos (não tinha homem não sei porquê) porque escrevia uns poemas perigosíssimos para a causa.

    É um gesto nos antípodas de Cristo em relação a Madalena.

    Mas desde que não venham explodir-se para cá isso é lá com eles.

  365. ah, e o ‘cá’ é no sentido de Pessoa, certo? Ide estudar muçulmanos, outras coisas que não o Corão, e por certo que aprenderei também convosco, com gosto, …

    em qualquer caso informo que sendo n o nº de virgens postas à disposição de cada um, e sendo a eternidade infinita, mesmo que aleph_0, tem-se que n/aleph= zerinho, viu? Na recta acabada

  366. Isso das 72 virgens é lá alvíssara que não convence homem feito.

    Então quer-se dizer que um bacano acaba de bater a caçuleta, mortinho da silva murcho, vai para o resort do paraíso pelo qual o obrigaram a efectuar um pré-pagamento deveras avultado, sem sequer poder consultar uma merda de um prospecto com fotografias da piscina ou do spa, e zás!, espetam com o masturso a dar formação a 72 gajas ainda por estrear? Nã, nã, nã. Em tempo de férias não se trabalha, caralho! Não haverá casas de alterne abertas por aquelas paragens? Não? Essa merda sim, tem potencial de negócio.

    A mim convenciam-me a fazer um atentado suicida à bomba, por exemplo, ao Zezé Sócrates, ao Tony Carreira ou ao Miguel Sousa Tavares, mas tinham de me prometer que quando chegasse ao cimo das escadas me esperava uma cervejola fresquinha, um pires de tremoços, um filme cómico (tipo benfica-nuremberga) e uma moça com bons acabamentos, voltada a poente, simpática e versada nas artes da implosão dedicada de edifícios celestiais.

    72 virgens!?! E quem é que alimentava esse lastro? Livra!

    Até já.

  367. z, Madalena escrevia poemas, mesmo sem ser perigosos? Madalena não era apóstola, era só uma mulher tipo escrava, sem rosto nem perfil, como as outras mulheres do cristianismo, inclusive a mãe do dito Cristo, de que não se conhece um única “frase”.
    Essa história de Maomé matar poetas perigosos (gays?) tem todo o ar de estereótipo de combate. Há muitos!
    E Cristo, escreveu o quê?
    No Novo Testamento inteiro, não há um único poema, nem um único escrito, nem um único riso de Cristo. O homem nunca riu na vida. Pudera, era um profeta do fim do mundo, a coisa não era para rir. Parece que ele mais era ilusionista, com aqueles truques do vinho e da água.
    Não há dúvidas nenhumas sobre a existência histórica de Maomé, mas sobre Jesus só há é discussões, certezas nenhuma. As únicas referências a Jesus mais ou menos contemporâneas dele são de Tácito e Flávio Josefo e ambas são tidas por apócrifas, implantadas no texto posteriormente por algum zeloso da fé. Ou seja, Jesus é provavelmente uma figura compósita de vários profetas apocalípticos ou Cristos (ungidos, escolhidos) do século I, que os havia aos punhados
    Bom, e os cristãos também não eram meninos de coro. Quando conquistaram o poder, com Constantino e Teodósio, transformaram-se em feras selvagens, piores que quaisquer ditadores do séc. XX.
    Já agora, que estás tão preocupado com os poetas mártires do Islão, sabes a história de Hipácia, a filósofa, poetisa, escritora, matemática que dirigiu a Biblioteca de Alexandria pouco antes de os cristãos acabarem com ela?
    O patriarca de Alexandria, depois promovido a santo, São Cirilo (Kiril), mandou uma trupe de frades fanáticos buscá-la. Foi arrastada viva, esfolada e cortada em pedaços depois lançados ao fogo. Esta é a história do fim do maior centro de saber da Antiguidade. Uma história real da tolerância cristã. Entre mil.

  368. é, depois tem a perversão das coisas, dá seitas e isso. Triste história de Hipácia, isso em que ano é que foi mais ou menos?

    essa da poetisa mulher é mesmo verdade de acordo com a biografia muito cirscunstanciada que tenho lá, mas estou a mais de 5000 km daí. Não sei porque é que transformaste num poeta gay, any problem there?

    esses era o Fidel também, hoje vá lá teve o mínimo de inteligência de sair pelo seu próprio pé, se é que já não esta morto porque as encenações leninistas não olham a meios….

  369. A única coisa que (talvez por teimosia) persisto em não compreender é a liberdade de imprensa de que falam. Qual a nossa? Devem estar a brincar!! Liberdade de expressão só encontro na internet e a esta os Senhores da Imprensa apelidam de anarquia. Pois anarquista seja eu.

  370. Júlio, a tua visão tem a beleza da simplicidade.
    __

    Rui, já fui contactado por um agente da secreta paquistanesa, o qual me tentou agredir com um ramo de flores, por sinal bem em conta, apesar de já terem conhecido horas mais viçosas. Esse conflito diplomático acabou em bem, pois prometi que não se faria a versão do Aspirina em urdu, ao arrepio do que até agora sempre tinha sido anunciado por Washington.
    __

    Ana, são contributos como o teu (‘pera aí, “como o teu”?… enfim…) que vão alcançar essa gloriosa meta.

  371. Valupi,

    Não queiras convencer ninguém que o Júlio te bate em simplicidade – não quando tens relaxo linguístico para escreveres mimos a arrotarem liberdades de expressão como esta:

    “Se puderem, destruirão tudo e todos. É o que fazem quando se matam a si próprios, quando destroem a sua totalidade..Essa gente não hesitará em matar seja quem for, e pensar que poderemos fugir às consequências é uma tragédia imensa”.

    Nem em Zeitungs ou Observers irás encontrar nada que te imite de perto. Esse teu exemplo de mestria inflamadora tão própria de templário doutros tempos – que candidamente ignora o facto de que na ofensa original os muçulmanos só se queixaram passado uma semana, e mesmo assim só depois dos provocadores voltarem à carga dizendo “Então não reagem?” – vái ficar exposto para sempre na prateleira de troféus deste excelentíssimo blogue que já tinha há muito tempo um cantinho reservado ao penico com motivos lúdicos do Hans Christian Andersen. Provavelmente a tua entre-cómica-e-dramática definição das intenções dessa “gente” diluir-se-á, como quase tudo o que se disse a propósito do teu post, nas basto conhecidas águas do fiel amigo.

    Mas, num cenário mais condizente com as tuas temperaturas, é muito possivel que o nefando crime da palavra valupina venha à baila quando Sabus e outros monhéses do Crescente Flamejante aterrarem no castelo de Palmela em camelos e dromedários voadores. Que o pesadelo dessa negra e futura possibilidade não te atormente 24 horas por dia. Mas, aqui para amigos, confessa-te. Excedeste o teu habitual, deste cabo de grande parte das tuas referências abonadoras, revelaste-te em todo o teu esplendor de nómada sem tribo certa, mas, vá lá, ainda te dominaste um pouco porque não vi em lado nenhum sacares os verbos esfolar ou estripar, esquartejar e empalar. Também evitaste os verbos favoritos dos saladinos mal pintados que povoam os teus territórios cerebrais. Coisas de queimar almas e de nos mandarem para o Inferno. Maldita moirama sem civilização nem civilidade.

    Ainda estou a tremer, só de pensar no que não disseste.

  372. REVISOR, é natural que estejas a tremer. Esse é um estado a que tens de te habituar, pois não irá passar tão cedo. Mas tenta não pensar no que não disse. Eu sei que te é difícil, e muito difícil, pois estás obcecado comigo, mas tenta. Ninguém te pode levar a mal se tentares.

  373. pois, para os mais terra_a_terra, 72 noves fora nada, e aqui nem é preciso alephs

    tenho um mandato ali para a sauninha, rvn, e ontem comi escondidinho,

  374. Obcecado contigo? Nunca, meu querido Valupi. Se estivesse, seria apenas pela preclaridade que arrebanhas com lucros de exposições belas a defenderem juizos errados. Nem sempre é assim, calhou nesta volta censurar-te, mas já te tenho defendido contra outros tipos de lacrau. Que aprecio o donaire que se despede das ancas do teu raciocínio é facto que não nego nem me envergonha, mas isso não prova nada quando se fala de ódios, amores ou feitiços. E tremores, sim, também os há, nossos. O meu é sistémico, o teu é circunscrito e táctico com se estivesses a travar uma batalha com efeito retroactivo nos resultados mas com probabilidades de êxito muito duvidosas. Acontecem estas diferença de opinião, mas fico com a esperança de que um dias leias por curiosidade alguma coisa sobre o Islão escondido pela cultura ocidental.

    Há duas coisas, pelo menos duas, que não percebo nas peregrinas frases que citei no comentário anterior e que quanto a mim coroaram os teus retruques nesta longa discussão iniciada pelo teu pontapé de saída que surgiu assim que os vikings reacenderam a chama da parlapatice neoconista provocadora que não engana ninguém medianamente informado. Uma é a “totalidade”, outra é o “fugir às consequências”. O resto percebo tudo, como já te disse, porque cristalino e diáfano: é a sensação de prazer que se apanha em banhos de lama magnésica nas margens do Mar Morto recordando os méis dos emolumentos mensais.

    Enfim, porque é pertinente lembrar-te de vez em quando, acalmo-te e peço-te que me respondas se tiveres tempo: quando é que começas a usar nas carnes experientes em comunicação moderna de massas a banha de suíno anti-delírio que tanto aconselhas aos outros?

  375. REVISOR, a temática do juízo é, de facto, a que convém analisar. E lembro que o juízo é aquela operação que liga o sujeito ao predicado. Ora, pegaste no seguinte naco da minha prosa:

    “Se puderem, destruirão tudo e todos. É o que fazem quando se matam a si próprios, quando destroem a sua totalidade..Essa gente não hesitará em matar seja quem for, e pensar que poderemos fugir às consequências é uma tragédia imensa”.

    Por qualquer razão que escapa à minha limitada inteligência, identificas como sujeito dessa prédica o Islão e a cultura moura, mais o que lá couber dentro. Para conseguires manter, em simultâneo, essa conclusão e a tua sanidade mental, tens de proceder a um rigoroso trabalho de anulação: primeiro, anulas o contexto desse comentário donde fazes a citação; depois, anulas o significado do parágrafo donde fazes a citação; por fim, anulas todas as outras intervenções onde apresentei a tese de não se poder confundir o terrorista ou criminoso com o crente ou muçulmano. Esta é a única forma de conviveres com a aberração que me atribuis.

    Quanto aos preciosismos, com todo o gosto:

    – Pois por “totalidade” deves entender o todo da pessoa que se martiriza, ou suicida, no acto criminoso. O raciocínio é simples: para quem está disposto a trocar a sua vida por um acto de agressão a um grupo de civis anónimos e inocentes, quiçá até havendo nas vítimas alguns comungando da sua fé, ideologia e causa, não há qualquer limite. Esse ser tornou-se a-político e a-cultural, não sendo já um ser humano, ser de diálogo. É um anjo da morte.

    – E por “fugir às consequências” reporto-me à evidência de haver uma dupla fonte para o terrorismo islamita: por um lado, os organizadores políticos, também aqui com subgrupos distintos; por outro lado, os voluntários crentes, os quais são manipulados e explorados. Estes dois elementos fornecem recursos humanos e materiais para a prossecução da sua guerra. Diz-nos a estatística e as probabilidades, a que se junta o que se sabe na antropologia e na psicologia, que estes dois agentes continuarão activos e à procura dos maiores danos de que forem capazes. Logo, iremos, no Ocidente, sofrer em vidas e bens destruídos, alguns únicos por serem culturais e simbólicos, o propósito criminoso destas pessoas. Fingir que eles desistirão se nos calarmos e nos atrofiarmos, se nos inibirmos de viver em liberdade, é uma cruel ilusão – tragédia imensa, pois não estaremos alerta e à procura de soluções.

    Dito isto, constato que a tua interpretação do que eu defendi nesta discussão revela não teres juízo nenhum. Aliás, corrijo: tens juízo, está é coberto pela tal banha de suíno, por isso te escorrega das ideias.

  376. Valupi,

    És useiro e vezeiro em transformares estas discussões em intermináveis jogos de poker. Umas vezes resulta, outras vezes não. A dificuldade que continua nitidamente a afligir-te é a de não seres capaz de convencer ninguém que te leia criticamente, pelo menos neste infeliz eco de coisas escandinavas e corajosas. E depois tudo na tua desfesa se agrava e afunda ainda mais porque tens logo o azar de não seres diferente de nenhum dos fulanos e fulanas que reagiram aqui ao teu post no que concerne à violência gratuita e criminosa que condenas. De facto, nesse aspecto da violência tu não és diferente da maioria esmagadora dos crentes do Islão. Podes ir a Meca este ano que ninguém te mata.

    A tua “tese de não se poder confundir o terrorista ou criminoso com o crente ou muçulmano” é muito bonita e merece uma amigável palmada de acordo universal nas costas, mas guarda-a para discussões em locais mais serenos.Um Jardin de Inverno em Lisboa, por exemplo. Toda a razão e oportunidade para a invocares foi cancelada, impedida e bloqueada no ovo pela própria ilustração pseudo-cómica que serviu de alimento ao teu post. Se tu me dizes que não confundes “o terrorista ou criminoso com o crente ou muçulmano”, e daí com o Islão em geral, explica-me lá porque carga de água necessitariam os “corajosos” dinamarqueses de ofender o profeta e fundador dessa religião, com tanto lugar-tenente de terceira, barbudo e terrorista, que há por esse mundo fora? Eu digo-te porquê: porque só premeditada provocação ao mais alto nível, de tiro apontado à cabeça, poderia surtir o tipo de resultados que justificariam o preço muito elevado do equívoco. Mas como não houve equívoco, estamos entendidos.

    Se vieres com mais artimanhas dessas não te respondo.

  377. REVISOR, também tu sofres de zazienite aguda, essa maleita que inibe o raciocínio. Por isso alinhas na bacorada do jogo, sinal de que bateste no fundo. Espremendo este teu último comentário, não sai uma única ideia que se aproveite. Só fugas “ad hominem” e processos de intenção.

    Estavas todo contente com umas frases peregrinas que te levavam a banhos ao Mar Morto. Que é feito da alegria? Já acabou a festa?

    Estavas felicíssimo com a descoberta de eu ser cruzado a caminho de Jerusalém, com tempo para um cercozinho a Lisboa. Que é feito do escândalo? Onde se meteu a pilhéria? Acima de tudo, como é que, de repente, estou a receber palmadinhas nas costas em Jardins de Inverno? Estás muito baralhado, não estás?

    De modo que nada tinhas para me dizer. E começaste a perceber, porque foste à procura de lenha para me queimar, que a leitura do que escrevi, fosse qual fosse o comentário, era incompatível com o que a tua imaginação te convenceu que eu teria escrito. Restou-te a puta da caricatura, e só para me fazeres uma pergunta para a qual já tinhas resposta. Esdrúxulo espectáculo, ó pá, ver-te encostado às cordas. Mas tu mereces ir ao tapete.

    Não há dúvida de que fazes parte desse grupo dos que não se deixam convencer, como referes. E o que me aflige cada vez mais é o eu saber cada vez melhor porquê. Vou usar as tuas palavras para a demonstração:

    “explica-me lá porque carga de água necessitariam os “corajosos” dinamarqueses de ofender o profeta e fundador dessa religião”

    Que temos aqui? Uma alucinação. Tu achas que a caricatura é obra de um colectivo, os “dinamarqueses”. Estes, porque muitos, teriam um plano grandioso e diabólico e ao serviço do Bush. Esse plano era provocar os muçulmanos, todos e qualquer um, para que eles se portassem mal e fizessem disparates. Assim o fizeram, assim o conseguiram, mas para o conseguirem tiveram de fazer a puta da caricatura, desse modo atingindo a honra dos súbditos do Profeta em todo o Mundo. É nisto em que acreditas, porque estás alucinado.

    Entretanto, a realidade segue paralela à tua pessoa. O que se passou foi outra coisa: fez-se uma experiência na Dinamarca que envolveu um conjunto reduzido de cidadãos dinamarqueses. Estes foram desafiados para desenhar Maomé, por razões inquestionavelmente legítimas e relevantes e de interesse público e jornalístico. Alguns recusaram, outros aceitaram. Dos que aceitaram, cada um fez o que quis. Como eram todos cartoonistas, fizeram crítica social através do humor desenhado. Um deles achou que a melhor ideia era representar o Profeta com uma bomba na cabeça. Estás a seguir o relato? Neste momento temos um dinamarquês para um lado, o autor da imagem supra, e o resto dos dinamarqueses para o outro, os tais dinamarqueses a quem chamaste “dinamarqueses”. Estes estão quase a entrar na história.

    Ora, as caricaturas suscitaram os protestos da comunidade muçulmana na Dinamarca e eles foram aconselhados a ir para tribunal. E foram. E perderam. O tribunal não considerou as caricaturas ofensivas para a religião islâmica. Os políticos dinamarqueses também não acharam que alguém estivesse a ofender a religião. E é aqui que entram os teus dinamarqueses, os quais até poderiam estar contra, ou a favor, ou indiferentes, face à polémica, mas os quais, como um todo, afirmaram que – independentemente do gosto de cada um, e do que cada um pensava do que tinha visto – era inalienável o direito a desenhar Maomé na Dinamarca, pois a Dinamarca não obedece à lei corânica. Apanhaste tudo?

    Depois ainda falas da violência, não sei quê de ir a Meca, mas de uma forma quase tão críptica como aquela em que explicas a conspiração das caricaturas, onde o preço de um equívoco, que afinal não houve, deu para ficarem todos entendidos. Enfim, são as tuas artes e manhas.
    __

    Ana, muito obrigado. Agora sei que posso contar contigo e que os 500 vão ser nossos.

  378. e isto:

    Mais renoncer aux dieux que l’on croit dans son coeur, C’est le crime d’un lâche et non pas une erreur :
    C’est trahir à la fois, sous un masque hypocrite,Et le Dieu qu’on préfère, et le Dieu que l’on quitte : C’est mentir au ciel même, à l’univers, à soi.

  379. e mais isto:
    Il faut aimer, et très tendrement, les créatures ; il faut aimer sa patrie, sa femme, son père, ses enfants ; et il faut si bien les aimer que Dieu nous les fait aimer malgré nous. Les principes contraires ne sont propres qu’à faire de barbares raisonneurs.

  380. Valupi,

    Desta vez nem com enxergona vou conseguir limpar o vómito que deixaste por todo lado. Entre os pedacinhos meio digeridos de alcachofras e pimentos que deves ter comido ao jantar, o que é que encontramos – com uma mão a proteger o nariz e uma pinça na outra? Primeiro encontramos a foleiríssima e muita puta acusação do costume – o “adhominemismo”. Pois, meu filho, deixa-me outorgar-te a coroa de imperador da utilização desse argumento espertinho neste blogue. Sem dúvida nenhuma. Mas com as convulsões agónicas irreprimíveis que te acometeram esqueceste completamente de usar o miolo e não viste que esta tua resposta é uma das provas disso.

    A minha referência ao Mar Morto, que depois acordou em ti, adhominimamente, ideias jerusalaicas e de cercos a Lisboa com uma gracinha que confesso sinceramente já não via desde os tempos do famoso Tibúrcio do Circo Mariano, era apenas uma alusão superficial à possibilidade remotíssima de seres um cristão remendado ou de meias-solas (por oposição a novo) à frente do ministério da Estupidez Suficiente para convencer alguns leitores deste blogue. Estarei enganado? Se estou perdoa-me, mas não me leves a tribunal que isto anda muito mal de finanças. Quanto ao Jardim de Inverno, foi lembrança fugidia duma opinião que formei há uns anos àcerca do muito giroflé político de cu na cueca que costuma sair de jardins desse tipo, onde te vejo a cheirar rosas deleitado se te convidassem. Espero ter-te ajudado a reencontrares a ausente pilhéria. Se quizeres mais é só dizeres. Também sou bom em tragédia dinamarquesa com molho de dramaturgos ingleses do século XVII.

    E sim, estou meio-baralhado. Mas não tanto que não possa cruzar armas contigo com uma mão atrás das costas, equilibrado numa perna e uns copitos a mais.
    Podes crer também que eu serei – vou ser comedido – a última pessoa a chamar-te burro. Mas que proferes coisas vizinhas da capacidade de discernimento desse humilde animal, lá isso proferes. Que é quando te sais com coisas como esta : “De modo que nada tinhas para me dizer”. Mas tenho agora, que enuncio com ajuda da alucinação que nunca me abandona graças a Deus: se eu não disse nada, a que propósito vem esta tua resposta, tão longa que nos faz lembrar um contrato de arrendamento? É triste ver-te a espadeirar contra “nadas”. Ganha juizo, camarada Valupi.

    No entanto, é-te devida uma explicação. Esse “nada” teve pelo menos a intenção de resumir isto, que é uma acusação completamente infundada mas que poderá muito bem tornar-te feliz quando te analisares de alto a baixo para veres quanto vales depois desta discussão. Tu – porque posição politicamente incorrecta e tacticamente desaconselhável – escondes, cinicamente e hipocritamente, sem assomo de vergonha, talvez com orgulho conspirativo, uma aversão espiritual e rácica ao Islão. E fazes isso sob a capa da defesa da liberdade de imprensa. Desta vez foste à Dinamarca para a transfusão que te animou, na próxima vais à Austria ou à Alemanha. As possibilidades são imensas, líquidas e navegáveis. Isto é o que se me oferece dizer olhando para a maneira como te moves nos labirintos da tua argumentação e nas contorsões dos teus pensamentos.. Não posso garantir NADA nem passar certificados de NADA, porque os acessos são limitados ou indesvendáveis. Portanto nestes dois já podes pegar com muita razão se quizeres e usá-los para complicar ainda mais os teus labirintos da propaganda descarada. A única coisa que me fica a morder na consciência é não saber exactamento em que escola é que andaste a aprender os teus abcedários.

    Que mais temos no teu longo paleio? Ah, temos isto:

    “Que temos aqui? Uma alucinação. Tu achas que a caricatura é obra de um colectivo, os “dinamarqueses”. Estes, porque muitos, teriam um plano grandioso e diabólico e ao serviço do Bush…. É nisto em que acreditas, porque estás alucinado”.

    Mais retórica pobre de consultório rico, Valupi. Merecerá a pena comentar este enorme disparate não-alucinado? Acho que não. Mas só para tua informação. Já ultrapassei a versão Bush da politica há muitos anos e com ela a versão do imperialismo americano e das jornadas de classe para esmagar o patronato. Tudo salada de agriões. Reverei esta decisão de não comentar sobre o teu coice acima em mais pormenores se provares mais tarde que sabes a quantos decilittros de ridículo correspondem três arrobas de bom senso. De modo que deixo a algaraviada conspirativa para consumo pelos vermes do teu cemitério mental.
    E depois, o teu lindo resumo da História:

    “Alguns recusaram, outros aceitaram. Dos que aceitaram, cada um fez o que quis. Como eram todos cartoonistas, fizeram crítica social através do humor desenhado. Um deles achou que a melhor ideia era representar o Profeta com uma bomba na cabeça. Estás a seguir o relato?”

    Sim, segui o relato com o mesmo entusiasmo e curiosidade que noutros tempos se seguia um folhetim no DN. Falas em tudo menos no que interessa para informar aqui a tertúlia minimamente. Milagre nunca visto seria se falasses. Chama-se a isso educação superior para distrair macacos. Diz-me: no teu Direito de Cona muito badalado neste blogue, não haverá nada nada que preveja ou analise as circunstâncias do crime encorajado? Dá aqui um discurso sobre isso, porque tenho a certeza de que irás encontrar algo nesse sentido na casca de sobreiro que tens lá em casa.. E já que falei em macacos, imagina isto, por exemplo: que a Dinamarca era um país de cinco milhões de macacos. O que é que tu achas que aconteceria se um governo de gorilas ordenasse o descarragamento de milhares de toneladas de bananas em todas as praças de aldeias, vilas e cidades do país? O que farias se fosses um responsável de toga do Estado de Direito da Macacada? Serias tu capaz, armado da moral que carregas sempre na lua lancheirita, de acusar de criminosos os macacos que se atirassem como macacos às bananas?
    Farto-me de te picar a pele com um garfo. Embora sinta sempre uma certa resistência, continuo sem saber se será porque estás muito cru ou cozido de mais. E o mistério persiste. Mas não desisto. Será a obsessão, como tu dizes….

  381. REVISOR, é a obsessão, claro; mas antes fosse o Ossessione, sempre teríamos fita a valer.

    Contei-os um a um, incluindo os espaços vazios (o que muito me complicou a contabilidade, visto, no teu caso, as letras também serem espaços vazios), e deu o redondo número de 6080. Falo de caracteres, não do carácter. Destes, os outros, aproveitam-se pouco mais de 200, divididos por dois blocos:

    “Tu – porque posição politicamente incorrecta e tacticamente desaconselhável – escondes, cinicamente e hipocritamente, sem assomo de vergonha, talvez com orgulho conspirativo, uma aversão espiritual e rácica ao Islão. ”

    “Direito de Cona”

    Que não te surpreenda, pois, esta confissão: não sei a qual das duas fantasias devo lançar a banana.

  382. isto são gostos, ou karma, ou lá que é. Eu então vá de curar guerreiros com um beijoka no cachaço, depois vê-se onde me leva o vento e os mastros

    agora tenho de gostar dos pézinhos

    de resto ainda não percebi grande coisa, só sei que se rebentam mais bombas na Europa a probabilidade de Eu entrar em guerra é muito elevada, coisa de que ninguém gostaria

  383. zazie, obrigado pela imagem. Muito gosto de passear nesses espaços de pinturas animadas, arquitecturas matemáticas, sensações oníricas. E depois voltar à terra, ao mar e ao vento.

  384. Que seria da inteligentzia pátria sem uma leonarda para animar piqueniques.

    oh zazie, não é leonarda, é leonardo. que coisa!
    mas quase nos 500 posts, ainda não percebi: é a liberdade de imprensa que se discute aqui? É que se é isso, aproveito para esclarecer o seguinte: eu sou contra a proibicão do Mein Kampf.

  385. quase la’, quase la’….

    Valupui, bom, se os cartoons publicados originalmente nao eram ofensivos, como interpretar a republicacao no contexto do que se seguiu senao como uma provocacaozinha?…

    (pessoalmente, faz-me confusao que alguem se sinta ofendido por tais cartoons, mas tambem me custa engolir a teoria de que foram criados para ser um catalisador do debate com a comunidade muculmana; um tipo tinha de ser um anjinho para conceber tal ideia e eu nao acredito em anjos…)

  386. Ana, também sou contra a proibição do Mein Kampf. Aliás, sou contra as proibições de objectos culturais, sejam eles quais forem.
    __

    MP-S, também acho que estás quase lá. Agora, só te falta entender o essencial desta questão: os cartoons em 2005 não queriam, directamente, entrar em diálogo com a comunidade muçulmana, antes com a dinamarquesa e ocidental não-muçulmana. Isto porque era essa a que estava a ser atacada pelo terrorismo, e a qual não conseguia expressar a sua confusão. Em 2008, tratou-se de um protesto, e não mais do que isso, face à descoberta do plano para assassinar um dos cartoonistas. Como vês, sem anjos, mas também sem demónios.

  387. E prontos, terá sido este o comentário numero 500?
    Sobre o assunto em discussão ha desde o dia 13, apenas me interrogo se realmente fosse verdade os pretensos planos para colocar bombas em portugal por parte do “suposto comando” de barcelona, que opinião teriam os vários intervenientes nesta maratona de opiniões?

  388. Antes que isto chegue aos quinhentos: a pergunta do pamem é elucidativa. Prova que o terror consegue sempre intimidar alguns.

    Mas nunca todos! Felizmente.

    Acho qu já chega desta conversa. Há coisas mais importantes a fazer e a debater…

  389. Esta questão é facilmente convertível. O Valupi nem precisava de muito. Basta que ninguém conheça ocontexto nem as motivações dos jornalistas e em particular deste Kurt para que tudo possa ser transmutado na frase que o MP-S também já enunciou:

    ” a mim custa-me muito a compreender que os cartoons possam ser ofensivos”.

    Claro- se tudo for equacionado no “para mim” então só o que é para mim ofensivo é que conta.

    A Ernesta deu o exemplo: para ela a palavra mongo devia ser proibida porque é um insulto à filha que sofre de um problema a que popularmente foi associada a tipologia facial dos mongois.

    E por aí fora- eu até venho cá para aferir estes National Geographic onde o politicamente correcto emparelha com a falta de sensibilidade em relação aos outros.

    Porque o denominador comum- é que todos os que concordam que não há sequer direito ou legitimidade para um muçulmano se sentir insultado pelo profeta que adora ser caricaturizado de todas as maneiras- incluindo como terrorista- vem do mesmo- da motivação do Kurt- o ateísmo militante.

    O Valupi escapou-se bem e este confronto por esse lado, porque sabia que dos opositores que podia ter neste debate, a única que nunca iria pegar nas paranóias da xenofobia vindas da extrema-direita, era eu.

    Tirando-me a mim, teve o grande KO com o Venâncio- que não precisou de lhe pegar na imbecilidade de ele ter escrito que o Maomé era apenas uma figura histórica do islão para equacionar que isto foi provocação- provocação sentida por muitos muçulmanos que não precisam de ser fanáticos e muito menos terroristas para sentirem a ofensa.

    E mais, foi apenas o FV que mostrou como esta militãncia, esta forma de agir não tem nada a ver com aproxiamções e diálogos mas apenas com olhar do alto, de snobeira, de impunidade em terreno próprio, com megafones contra os que não os têm.

    Mas, ainda restou fazer a grande pergunta ao Valupi_ então como é: ele acha que o Maomé é bom de satirizar porque é apenas uma personagem histórica e diz isso sendo católico (como sempre se reinvindicou- et pour cause, porque para um católico, só existe uma verdade, a revelada e Cristo foi o único Deus que se fez homem, ou di-lo como militante pós-moderno a achar que a puta de uma caricatura num jornal e a liberdade de a fazer gratuitamente é mais sagrada que a religião que não é a sua?

  390. De resto, ele acerta-lhes. E até consegue arrumar, com certa facilidade, um esquerdalho do MP_S como comuna a gritar em frente da Embaixada dos EUA quando também reduz tudo isto a manipuações da política internacional e a inventonas de actuações de extrema-direita. E essa é que é a grande mentira. os gajos são apenas a réplica mais exacerbada da nossa esquerda perfumada e jacobina, ou de uns exemplares do Diário Ateísta.

    Mas, acerta no MP-S à custa de outro fenómeno do qual nem o MP-S ainda se conseguiu dar conta- ele próprio já foi ultrapassado- enquanto meco de esquerda sem o folclore politicamente correcto desta nova esquerda em que os tabus são decretados por ela e tudo o que sai deles é barbarie.

    Barbarie perante a qual eles se acham no direito de catequizar na boa-nova do laicismo da bruta da bué de fixe e uber-civilização ocidental, na qual meia dúzia de fobias e lobbies emanados da UE ja´conseguiram introduzir privilégios onde é preciso, e apagamentos no que convem.

    O MP-S é a esquerda antiga que ainda achava que há que respeitar e “entender” o outro, quando nele se fala e para ele nos dirigimos sem pancadas de basófias europocentristas.

    O Venâncio foi um pragmático que nem precisou de formular nada disto- viveu o caso Theo, conhece muçulmanos, mostrou que o mundo não é a preto-e-branco e que o fanatismo irresponsável começa precisamente quando não se entendi isto e se quer impor afrontos aos outros, de forma inútil para o convívio pacífico, mas útil de acordo com o que os faz mover.

    Por isso o Kurt deu aquele desabafo_ I feel stronger in my faith- stronger in my faith- quando a sua fé, como ele disse, é o ateísmo e a crença em que todas as religiões são perigosas.

    Estupidamente nem ele nem o Valupi conseguiram fazer a passagem de uma crença para uma ideológia, quando é precisamente aí- na ideologia, nos educadores, nos que se acham imbuídos de uma missão que tudo começa- porque até há mais fé numa ideologia ateia que numa mera crença por tradição.

  391. E, se eu me limitei a dar o exemplo de “esquerda perfumada” nas tintas para o outro ou que menciona o “outro” enquanto “para mim”. enquanto “o mesmo”- decretando o que é válido ou inválido de provocar incómodo ou forte desagrado por achinllamento do que para alguém crente é algo absolutamente intocável- sendo que não é por adorarem Maomé que adoram uma religião de jiahd- porque esta é a “prata da casa”.

    Mas tudo o que disse em relação a esta “esquerda perfumada” da qual se afasta um nik ou um Shark, é a memíssima coisa que uma direita liberal, que assina por baixo esta mesma treta- chamando-lhe precisamente a mesma bacorada- “liberdade de expressão” ou liberdade de imprensa”.

    Entender os motivos desta estranha coincidência impensável há uns 5 ou 10 anos, é bem mais interessante que perder tempo em citações balofas de Voltaire- que nem se aplicam. ou ribombantes palavras vazias de um filósofo menor como o Savater.

  392. E claro que ninguém perguntou ao Valupi se ele estava a falar enquanto católico. Porque ele achou que tinha inventado uma categoria social nova – o laico- e o laico é algo tão sem jeito que basta ir para o prgamatismo e bom-senso como o FV demonstrou para se perceber que não é nada- é apenas uma maneira aparvoada de achar que consegue “pintar os pretos de branco” para acabar com o racismo.

    Mas, por mim até nem tenho problemas de exposição- não falei em nome de paranóias de extema-direita para caracterizar os jornalistas- era preciso mentir ou desconher os factos, para o fazer, nem falei em termos de aproveitamento para “as forças da reacção”- sejam o islão fanático ou o Bush- como também precisou de fazer o bacano do MP-S.

    Falei apenas em nome de algo que me ensinaram desde a infância- a respeitar todas as crenças dos outros e os outros, sem precisar de os compreender.

    De resto, eu sou uma mera católica badalhoca a que qualquer católico ou evangélico chama endemoninhada.

  393. Porque, aquilo que me interessa ir aferindo e compreendendo- são estas categorias novas- estas mudanças sociais e motivações que nada têm a ver com mera brincadeira de caricaturas para os dinamarqueses e até para os bacanos dos imigrantes islâmicos que já atingem 3% da população se rirem.
    Para isso, sacava do bom do Reiser ou das boas sátiras de BD underground, onde nada era direccionado a um grupo social específico e muito menos vendidos com boas intenções de acatamento do “nossos sentido de humor- nosso da nossa patriazinha dinamarquesa, como foi dito nos jornais, já que tudo era feito em cacos e com humor que nada perdoa- a começar pelo politicamente correcto.

  394. Ou seja- a começar pelos próprios. E eu ainda estou para ver qual é o grupinho de ateistas militantes capaz de se satirizar a si próprio como um grupinho de escoteiros cruzadísticos, tão apanhadiinhos quanto aqueles religiosos que troçam.

  395. mas isto deixou de ser possível quando o underground passou a situacionismo e se fez lei em linhas da denúncia ou cartilha de causas fracturantes onde o é proibido proibir, se tornou- é obrigatório, seguir apenas as nossas proibições e apenas a essas chamar liberdade.

  396. Na verdade o cimento é o mesmo- é o cimento asséptico “a norueguesa” nele entra tudo, seja à esquerda seja à direita liberal- desde que essa salada-russa tenha por cimento a tal ideia napoleónica de já ter atingido o topo do civismo e agora lhe competir civilizar a barbárie- seja ao insulto. nos casos mais dóceis, seja à bomba- nos mais renitentes e ainda com fronteiras próprias.

  397. È por isso que faz muito bem sair da terrinha. Este europocentrismo lisboeta é bué de fixe para quem julga que o mundo se resume ao noticiário das 8 e o resto é coisa de barbárie a que eles, pequeno-burgueses umbiguistas vaidosos e desorientados, acreditam que é o futuro, já que o mundo começou no dia em que nasceram- Só ha futuro.

    Quanto menos História e menos identidade, mais futuro a vender. Quanto menos se percebe para onde se caminha, porque apenas se limitam a correr em frente, uns atrás dos outros, mais facilmente se julgam no papel de dizer aos outros para os imitarem- como se todos os “outros” fossem tão baratas tontas descoordenadas quanto eles.

    E não são. Por muito atraso que esta “barbárie” islâmica tenha, pelo menos nisso batem-lhes aos pontos- ainda não perderam as coordenadas.

  398. zazie, poderás avaliar o disparate das tuas considerações a partir do disparate dos teus pressupostos: por exemplo, eu não sou católico, sequer cristão; e podes virar o Google do avesso que não vais encontrar uma palavra minha que salve essa tua alucinação. Mas tens outras.